Anastasia tenta articular Jereissati para presidir o Senado, mas não há estusiasmo

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De férias, Jereissati ainda nem começou a fazer campanha

José Carlos Werneck

O senador Antonio Anastasia, do PSDB de Minas Gerais, escreveu no Twitter que tem articulado a candidatura de Tasso Jereissati para a presidência do Senado. “Acredito que Tasso. pela sua trajetória, pelo seu perfil, suas qualidades, competência, serenidade e preparo, tem todas as condições de comandar o Senado da República pelos próximos dois anos e colaborar para que o Brasil saia de vez da crise e devolva a dignidade para o seu povo.”

Enquanto isso, Izalci Lucas, senador eleito pelo PSDB do Distrito Federal, alfinetou seu correligionário Tasso Jereissati, potencial adversário de Renan Calheiros na disputa pela presidência do Senado: “Ele quer ser ungido”, declarou ao site “O Antagonista”.

DE FÉRIAS – “O Tasso, eu acho, tem o perfil ideal, mas está de férias. Nem para mim ele pediu voto ainda. Ele quer ser ungido. E ungido não vai acontecer.” disse Izalci.

Nas apostas feitas nos corredores do Senado, Izalci aparece como eleitor de Renan Calheiros. E com a recente decisão do ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal, a votação em 2 de fevereiro será secreta.

Informado disso, Izalci rebateu: “Não tem nada decidido, tem muita coisa pela frente, tem que ver a proposta de cada um.”

Para ele, por ter a segunda maior bancada da Casa, o PSDB “não pode brincar”. “Não dá para brincar. Não pode perder espaço”, disse o senador eleito.

SEM ENTUSIASMO – O PSDB tem hoje a vice-presidência, ocupada pelo senador Cássio Cunha Lima, da Paraíba, que não conseguiu se reeleger.

A grande verdade é que os tucanos não estão nada entusiasmados com candidatura de Tasso à presidência do Senado. Muitos deles dão a impressão que tanto faz, e com isso estão totalmente desestimulados e parecem conformados com uma muito provável vitória de Renan Calheiros.

O senador Tasso Jereissati realmente faz algumas articulações para tentar viabilizar sua candidatura à presidência do Senado, mas está muito difícil encontrar correligionários do tucano empolgados com a possibilidade. Para vários deles, tanto faz se Tasso concorrer ou não. 

Rastreadores de carros de Palocci podem provar fatos de suas delações sobre Lula

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Palocci é o primeiro petista do núcleo duro a delatar Lula

Mônica Bergamo
Folha

Os dados dos rastreadores dos carros de Antonio Palocci são considerados um dos trunfos para corroborar fatos de suas delações premiadas, segundo pessoas familiarizadas com os documentos. Os veículos teriam sido usados para o pagamento de propinas.  Com as informações, os investigadores podem cruzar datas de movimentações financeiras com os trajetos feitos nos dias específicos.

Palocci assinou na quarta-feira (dia 9) o seu terceiro acordo de colaboração, desta vez com a força-tarefa da Operação Greenfield, do Ministério Público Federal de Brasília. Ele já entregou os dados dos rastreadores para os procuradores. As informações também foram usadas por policiais federais de Curitiba e de Brasília, nos outros dois acordos celebrados por Palocci.

PAPAI NOEL - A Odebrecht doou R$ 4 mil para o Conselho da Comunidade, órgão que trabalha com presídios da região metropolitana de Curitiba. O dinheiro foi usado para a festa de fim de ano da entidade, que atendeu 11,4 mil presos e agentes, inclusive os da Lava Jato que estão detidos no CMP (Complexo Médico-Penal).

A empreiteira realiza doações anuais ao órgão desde que Marcelo Odebrecht passou pelo presídio, em 2015.

MARCAÇÃO… – Em sua segunda semana no governo João Doria (PSDB), o titular da Educação, Rossieli Soares Silva, já enfrenta as pressões do cargo. Nesta quinta-feira (dia 10), uma imensa faixa foi colada no chão na entrada do prédio da pasta, no centro da capital, com um recado para o secretário: “Nenhum professor(a) desempregado! Nenhum estudante sem aula!”.

A autoria do protesto foi de uma das representações da Apeoesp (sindicato dos professores). No cartaz afixado também há reivindicações em defesa da escola pública e contra a violência nas salas de aula.

Rossieli foi ministro da Educação de Michel Temer (MDB). Ele é um dos dez integrantes do alto escalão da gestão do ex-presidente que Doria colocou em seu governo.

Comandante do Exército também defende militares fora da reforma da Previdência

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General Pujol reforça o boicote à reforma da Previdência

Renato Souza
Correio Braziliense

O novo comandante do Exército, Edson Pujol, que recebeu o cargo do general Eduardo Villas Bôas nesta sexta-feira (11/1), defendeu que os militares fiquem de fora da reforma da Previdência. “Olha, a nossa intenção, minha como comandante do Exército, é que nós não devemos modificar o nosso sistema (de aposentadoria). Se perguntarem a minha opinião, como comandante do Exército”, disse Pujol após a cerimônia de posse, que contou a com a presença do presidente Jair Bolsonaro e diversas outras autoridades.

O comandante justificou sua posição afirmando que “os militares sempre se sacrificaram em prol do Brasil”. Ele, no entanto, reconheceu que o país precisa passar por ajustes econômicos.

SEM DISCUSSÃO – Pujol ressaltou que, até o momento, não conversou com o presidente Bolsonaro sobre o assunto. “Se houve alguma definição nesse sentido, até agora não chegou a mim. Não houve nenhuma conversa com o presidente sobre o assunto. A Constituição prevê um regime diferenciado para os militares. Mas se houver alguma ordem nesse sentido, vamos seguir”, afirmou.

Assim, o novo comandante do Exército fortalece a postura do ministro da Defesa, general Fernando Azevedo Silva, e do comandante da Marinha, almirante Ilques Barbosa Júnior, que alegaram que os militares não têm Previdência, o que os beneficia seria um regime de “proteção social”.

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NOTA DA REDAÇÃO SOCIAL
O neologismo dos chefes militares merece tradução simultânea. “Proteção social” significa “não mexam com a previdência dos militares”, que descontam menos do que os civis e têm atendimento médico e odontológico, completo para suas famílias, tudo de graça, às custas do povo. (C.N.)

“Morreu esse assunto”, diz Mourão sobre promoção do filho no Banco do Brasil

O vice-presidente Hamilton Mourão participa de cerimônia de transmissão de cargo do comando da Marinha Foto: Evaristo Sá/AFP/09-01-2019

O assunto não morreu, Mourão é que tenciona matá-lo…

Eduardo Bresciani
O Globo

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, considera superada a polêmica causada pela promoção de seu filho , Antonio Hamilton Rossel Mourão, para o cargo de assessor especial da Presidência do Banco do Brasil. “Esse assunto é um assunto morto. Morreu esse assunto” — disse Mourão ao Globo.

Como revelou a revista Época na terça-feira, um dia após o presidente Jair Bolsonaro ter dado posse ao novo presidente do banco, Rubem Novaes, o filho de Mourão foi nomeado para o cargo de assessor especial da Presidência, elevando seu salário de R$ 14 mil para R$ 36,5 mil.

SEM DISCUSSÃO – Nesta quinta-feira, ao ser questionado pelo Globo, o vice, além de dizer que o assunto está encerrado para ele, afirmou que sequer precisou discutir a polêmica com Bolsonaro.

— Não teve necessidade (de falar com o presidente). É uma coisa interna da instituição, que é uma S.A. (sociedade anônima) — afirmou o vice-presidente.

O filho de Mourão é funcionário de carreira do BB e está na instituição há 18 anos. Nos últimos 11 anos, fazia parte da diretoria de Agronegócios. Ele deve assessorar o presidente nesta área.

JUSTIFICATIVA – Na terça, ao justificar a promoção, o presidente do banco, Rubem Novaes, afirmou que o funcionário possui excelente formação e capacidade técnica.

“Antônio é de minha absoluta confiança e foi escolhido para minha assessoria, e nela continuará, em função de sua competência. O que é de se estranhar é que não tenha, no passado, alcançado postos mais destacados no Banco”, disse, por meio de nota.

MERITOCRACIA – Também na terça, o próprio vice-presidente afirmou numa rede social que seu filho foi nomeado por ter “absoluta confiança” do novo presidente do banco, além de ter prestado “excelentes serviços” e ter “conduta irrepreensível”. Mourão ainda disse que nos governos anteriores “honestidade e competência” não eram valorizadas.

Nesta quinta, em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”, Mourão voltou a defender a indicação do filho, dizendo que, se pudesse, teria Rossel Mourão em sua equipe.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Mourão disse também ao Estadão que o filho sofrera “perseguição” em outras gestões. Pelo contrário, foi beneficiado. Além das oito promoções na era PT, foi transferido para Brasília para ficar perto do pai. Por fim, Mourão está enganado ao dizer que “o assunto está morto”. Esse tipo de assunto não morre nunca. Como na canção de Chico Buarque e Ruy Guerra, fica gravado no corpo feito tatuagem. (C.N.)

O problema do populismo não está nos seus princípios, mas nas consequências mensuráveis

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Charge reproduzida do Arquivo Google

João Pereira Coutinho
Folha

A palavra populismo causa histeria entre o auditório culto. Entendo. Mas, se ficarmos apenas pela teoria, é perfeitamente razoável defender o populismo em determinadas circunstâncias históricas. Se, como dizem os sábios, o populismo é uma espécie de ideologia em que o líder defende os verdadeiros interesses do povo contra uma elite distante ou corrupta, uma certa dose de populismo pode ser necessária para repor as regras do jogo democrático.

Basta pensar no Leste Europeu sob o domínio comunista — um exemplo que Cas Mudde e Cristóbal Rovira Kaltwasser defendem no seu pequeno tratado sobre o assunto (“Populism: A Very Short Introduction”).

BOM OU MAU? – Lech Walesa, na Polônia, ou Václav Havel, na Tchecoslováquia, eram líderes populistas contra a elite moscovita —e ainda bem.

Saber se o populismo é bom ou mau, para usar a terminologia infantil, não deve ser apenas uma mera questão teórica. É preciso olhar para as consequências políticas do ideário.

Nos casos de Walesa ou Hável, o populismo de ambos fez-se em nome da democracia liberal contra a tirania. Sobre os populistas de hoje, aplica-se o mesmo raciocínio: o que resultou das suas palavras, atos ou omissões?

UM RESUMO – Yascha Mounk e Jordan Kyle publicaram um artigo na revista The Atlantic que resume algumas das suas conclusões empíricas. Os autores olharam para 46 líderes populistas em 33 democracias no período entre 1990 e 2018. Os sinais não são animadores.

Para começar, os líderes populistas tendem a se perpetuar no poder: a média é seis anos e meio contra os três anos dos democratas “normais”.

Além disso, 50% dos líderes populistas analisados reescreveram, na totalidade ou em parte, as respectivas constituições com o fino propósito de enterrar a limitação de mandatos ou de suspender o poder moderador do sistema de “checks and balances”.

UM RETROCESSO – Como consequência, verifica-se uma regressão mais acentuada da “qualidade da democracia” quando existem populistas na praça: uma regressão de 7% na liberdade de imprensa; de 8% nas liberdades civis; de 13% nos direitos políticos.

Em matéria de corrupção, a besta negra do populista clássico, 40% dos líderes populistas sob estudo estão ou estiveram indiciados pela prática de crimes.

Moral da história? O problema do populismo contemporâneo não está nos seus princípios, muito menos na sua lógica eleitoral. Está nas consequências mensuráveis da má governação. Saber se essa tendência se mantém no futuro é pergunta para angustiar os democratas liberais.

Ex-secretário de Obras de Paes pega 23 anos de prisão; falta condenar o ex-prefeito

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Alexandre demorou a denunciar Paes, que continua impune

Juliana Castro
O Globo

O ex-secretário Alexandre Pinto , que comandou a pasta de Obras da prefeitura do Rio na gestão de Eduardo Paes, foi condenado nesta quinta-feira pelo juiz Marcelo Bretas a 22 anos e 11 meses de prisão por associação criminosa e corrupção passiva no processo da Operação Rio 40 graus. Pinto foi condenado pelo recebimento de propina nas obras da Transcarioca e de Recuperação Ambiental da Bacia de Jacarepaguá. Pinto já havia sido condenado a 23 anos de prisão por lavagem de dinheiro.

Segundo a denúncia, a propina correspondeu a 1% do valor do contrato celebrado entre o Consórcio Transcarioca Rio (integrado pela Carioca Engenharia e a OAS) e o município do Rio para execução da obra de construção da via da Transcarioca e do contrato celebrado entre o Consórcio Rios de Jacarepaguá e o município do Rio para execução das obras de Recuperação Ambiental da Bacia de Jacarepaguá.

PAES ACUSADO – Ex-secretário na gestão de Eduardo Paes, Pinto acusou o ex-prefeito de ter recebido propina em grandes obras da prefeitura do Rio. Três dias para o primeiro turno, o ex-secretário afirmou, em depoimento a Bretas, que o ex-prefeito Eduardo Paes, candidato pelo DEM ao governo do estado, negociou propina de 1,75% sobre o contrato da Transoeste de R$ 600 milhões, tocado pela Odebrecht.

Ele declarou ainda que o esquema envolvia o Tribunal de Contas do Município do Rio, que ficaria com 1% de propina. Paes negou as acusações.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Cesar Maia passou a Eduardo Paes a prefeitura do Rio com R$ 2,5 bilhões em caixa. Paes repassou a prefeitura a Marcelo Crivella com apenas R$ 90 milhões em caixa. No desespero para pagar os funcionários, Crivella pediu apoio ao BNDES. A então presidente, Maria Silvia Marques, respondeu: “Não posso ajudá-lo. Esses R$ 90 milhões que você tem em caixa foi um empréstimo que demos ao Eduardo Paes. Traduzindo: Paes raspou o cofre e na verdade deixou caixa zero para Crivella. (C.N.)

Com custo anual de R$ 1,6 bilhão, Assembleia de Minas é a mais cara do Brasil

ALMG

Com 77 deputados, Minas gasta mais do que São Paulo, que tem 94

Fransciny Alves
O Tempo

Os contribuintes brasileiros devem desembolsar R$ 23,920 bilhões para arcar com os gastos dos Legislativos federal e estaduais do país – excluindo os Estados de Sergipe, Acre e Roraima – durante este ano. A quantia é R$ 613,2 milhões maior do que a prevista no ano passado. Isso é o que mostra levantamento feito pelo jornal O Tempo com base nas quantias que foram separadas nos Orçamentos de 2018 e 2019 dos governos estaduais e da União para custearem as despesas da Câmara dos Deputados, do Senado, da Câmara do Distrito Federal e de 23 Assembleias Legislativas do país.

O levantamento também mostra que a Casa Legislativa que tem o maior orçamento do Brasil, em termos absolutos, é a de Minas Gerais. De acordo com o Orçamento mineiro, sancionado na semana passada pelo governador Romeu Zema (Novo), o valor previsto para o órgão em 2019 é de R$ 1,646 bilhão

DESTINAÇÕES – Do total de R$ 1.646 bilhão, uma parcela de R$ 43,1 milhões está separada para o Fundo de Apoio Habitacional da Assembleia e mais R$ 139,2 milhões para o Instituto de Previdência do Legislativo. Mesmo se esses dois fundos fossem excluídos da conta, o orçamento da ALMG continua sendo o maior do Brasil. O restante é destinado para arcar com despesas gerais do local, como pagamento da folha de pessoal, verba indenizatória e manutenção.

O montante representa 1,6% do total das receitas do Estado previstas para este ano, que são de R$ 100,300 bilhões. Isso num cenário em que o pagamento do salário de servidores estaduais está sendo feito de forma escalonada desde fevereiro de 2016, e num momento em que a administração não está repassando verbas constitucionais para as prefeituras, como ICMS e IPVA. Além disso, o déficit fiscal mineiro neste ano está estimado em R$ 11,443 bilhões.

COMPARAÇÕES – Com o valor total previsto para ALMG em 2019 seria possível construir três presídios semelhantes ao de Ribeirão das Neves, na região metropolitana, que foi feito por meio de Parceria Público-Privada (PPP). A cadeia, cujo investimento chegou a ordem de R$ 480 milhões, tem capacidade para 2.016 presos.

A quantia destinada para arcar com o Legislativo mineiro também seria suficiente para construir quase seis hospitais como o metropolitano do Barreiro, em Belo Horizonte. Ele custou R$ 285 milhões.

Outro fator que surpreende é o de que a Assembleia de Minas é mais onerosa do que a de São Paulo, por exemplo, que tem 94 parlamentares, ante 77 deputados estaduais mineiros. A Lei Orçamentária Anual (LOA) de São Paulo prevê R$ 1,316 bilhão para a Casa, num universo em que a receita estimada é de R$ 231,161 bilhões.

AMAPÁ GASTANDO – Em termos numéricos, a quantia destinada para a Assembleia do Amapá, de R$ 177,9 milhões, é a menor do país. Apesar disso, como o Orçamento daquele Estado é baixo (R$ 5,930 bilhões), essa é justamente a Casa Legislativa que mais impacta percentualmente nas contas do contribuinte de uma unidade da federação.

A reportagem não conseguiu os dados de Orçamentos de Sergipe, na região do Nordeste, e dos Estados do Acre e de Roraima, no Norte. Além dos documentos não constarem nos portais da Transparência e nos Diários Oficiais do governo estadual e do Legislativo, como é previsto por lei, as assessorias dos Poderes não responderam aos questionamentos enviados pela reportagem de O TEMPO.

No âmbito federal, a União estima que as receitas em 2019 vão chegar à cifra de R$ 3,382 trilhões. Desse total, a lei orçamentária estipula que a Câmara dos Deputados fique com R$ 6,311 bilhões, enquanto o Senado deve receber R$ 4,501 bilhões. O número de representantes nessas Casas é de 513 e 81, respectivamente.

Orçamentos feitos pelos Executivos estaduais levam em conta a previsão de receita e de despesa para o ano. Por isso, o Legislativo pode utilizar um valor menor ou maior do que o estimado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
No Brasil, a verdade é que os servidores públicos se tornaram uma nomenclatura ou casta privilegiada. O resultado é que os governos dos três níveis – federal, estadual e municipal – não estão aguentando mais tantos gastos e as prefeituras já ganharam uma lei que lhes permite burlar a Lei de Responsabilidade Fiscal. E nada mudará, por causa do “direito adquirido” que o Supremo adora garantir, mesmo que seja amoral ou até imoral. (C.N.)

Equipe de Paulo Guedes negocia a inclusão de militar na reforma da Previdência

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Charge do Henfil (Arquivo Google)

Marcello Corrêa, Martha Beck e Gabriela Valente
O Globo

A equipe econômica do ministro Paulo Guedes negocia com os militares sua inclusão na proposta de reforma da Previdência. A categoria havia ficado de fora do projeto elaborado durante o governo Michel Temer e, inicialmente, também seria poupada em uma primeira versão do texto a ser apresentado pelo presidente Jair Bolsonaro. O cenário pode mudar, no entanto, com a avaliação de que os integrantes das Forças Armadas devam entrar na proposta para “dar o exemplo” de que todos devem contribuir para o reequilíbrio das contas públicas.

O sistema previdenciário dos militares é o que mais depende de repasses do governo, proporcionalmente. Segundo dados do Tesouro Nacional, todo mês, o governo precisa sacar de seus cofres uma quantia para bancar o desequilíbrio existente no sistema de aposentadorias dos servidores públicos civis, militares e do INSS. Mas as Forças Armadas são as que mais precisam de ajuda.

ALTO CUSTO – Os números, compilados a pedido de O Globo pelo economista Pedro Fernando Nery, consultor do Senado, mostram que 92% do custo com o pagamento de pensões a militares da reserva, reformados e dependentes são bancados pelo Tesouro. No regime dos servidores civis, esse peso é de 49% e no INSS a proporção é de 31%.

No ano passado, o déficit total ficou estimado em R$ 43,9 bilhões, um crescimento de 12,8% em relação a 2017. A dependência dos cofres públicos ocorre principalmente porque a contribuição dos militares para o sistema é pequena: a categoria para de trabalhar cedo, por volta dos 50 anos. A alíquota sobre o soldo, válida para ativos e inativos, é de 7,5%, destinada ao pagamento de pensões. Além disso, não há idade mínima, apenas a exigência de 30 anos de serviço para dar entrada no benefício.

Os militares defendem que o serviço tem especificidades que exigem regras diferentes, como disponibilidade total e ausência de horas extras.

TAFNER APOIA – Um dos especialistas que participaram da proposta de reforma que está sendo usada como base pela equipe de Bolsonaro, Paulo Tafner afirma que fazer normas específicas para os militares não é privilegiar a categoria. Repetiu uma frase que tem usado para defender essa parte da sua proposta:

– Se a gente tiver soldado velho, a gente perde a guerra no primeiro dia. Se eu fosse pegar em armas, primeiro, teria de colocar meus óculos antes e morreria antes de atirar – brincou.

Segundo fontes, os militares do governo têm uma proposta pronta, que ainda precisa ser validada com o comando das Forças Armadas. O desenho está sendo discutido com o time do ministro da Economia, Paulo Guedes, que defende que há espaço para avançar mais. Não há decisão tomada ainda, no entanto.

PROPOSTA MILITAR – Em novembro, logo após o resultado das eleições, os militares apresentaram a Bolsonaro uma proposta de reforma. O texto previa a criação de uma idade mínima de 55 anos, aumento do tempo de contribuição de 30 para 35 anos e a previsão de que a contribuição sobre o soldo fosse paga por cabos, soldados, alunos das escolas de formação militar e pensionistas — hoje isentos. Em troca, pediram ao presidente reajuste dos salários dos generais de mais alta patente.

 

A falta de coordenação do governo ao falar publicamente sobre a reforma da Previdência acabou atrapalhando o trabalho da equipe econômica para fechar o texto que será encaminhado ao Congresso.

CONFUSÃO – Segundo interlocutores do Ministério da Economia, o primeiro problema surgiu com a entrevista de Bolsonaro ao SBT, na qual ele disse, sem mais detalhes, que a reforma elevaria a idade mínima de aposentadoria para 62 anos no caso dos homens e para 57 anos no caso das mulheres.

Os técnicos passaram os dias seguintes tentando entender o que havia ocorrido, pois a idade mínima da reforma seria de 65 anos. As idades de 62 e 57 anos estavam previstas, mas apenas para servidores públicos e como um degrau inicial do processo de reforma.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O espírito de corpo dos militares é patético e inadmissível. Querem manter os privilégios no peito e na marra, valendo-se do fato de o presidente também ser oriundo das Forças Armadas. E o almirante Francisco Barroso dizia que o Brasil espera que cada um cumpra o seu dever… (C.N.)

Ministro Marcos Pontes retruca Damares: ‘Não se deve misturar ciência com religião”

Marcos Pontes, ministro de Ciência e Tecnologia, quer mais recursos para a área

Repórter da rádio CNN deixou o ministro numa saia justa

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

O ministro de Ciência e Tecnologia Marcos Pontes rebateu, nesta quinta-feira (dia 10) declarações da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves. Em vídeo divulgado nesta quarta-feira, dia 9, a ministra e pastora disse que a igreja evangélica perdeu espaço na História ao “deixar” a Teoria da Evolução entrar nas escolas sem ser questionada.

“Ela deve ter falado isso em algum tipo de contexto que eu não sei exatamente”, disse Pontes, em entrevista à rádio CBN. “Mas, do ponto de vista da ciência, são muitas décadas de estudo para formar a teoria da evolução desde o início. Ou seja, não se deve misturar ciência com religião”, disse o ministro.

PERDEU ESPAÇO – No vídeo, sem data de identificação, Damares fala: “A Igreja Evangélica perdeu espaço na História. Nós perdemos o espaço na ciência quando nós deixamos a teoria da evolução entrar nas escolas, quando nós não questionamos. E aí os cientistas tomaram conta dessa área.”

Em nota enviada à TV Globo, o Ministério da Mulher, Família e dos Direitos Humanos informa que a declaração “ocorreu no contexto de uma exposição teológica e não tem qualquer relação com as políticas públicas que serão fomentadas por este ministério. Não há relação entre a atuação da titular desta pasta como líder religiosa e suas funções como gestora pública.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Até as paredes do Palácio do Planalto já sabem que Damares Alves não vai dar certo como ministra. Ela não tem o perfil do cargo. É inútil insistir, porque só provoca desgastes desnecessários. Ministro é igual a juiz de futebol, não pode aparecer muito nem subir no pé da goiabeira, digamos assim. (C.N.)

PSB desiste de apoiar Rodrigo Maia e pode disputar a presidência da Câmara

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Rodrigo Maia já está praticamente confirmado na Câmara

José Carlos Werneck

Reportagem de Camila Turtelli e Mariana Haubert, do Estadão, revela que o PSB decidiu se opor à candidatura de Rodrigo Maia (DEM-RJ) à presidência da Câmara. Deputados do PSB se reuniram nesta quinta-feira, dia 10, em Brasília e, em uma votação consultiva, indicaram por ampla maioria que o partido não apoiará Maia à reeleição.

Participaram da reunião 22 parlamentares e, segundo apurou o Estadão/Broadcast, apenas um deputado mostrou interesse pelo apoio a Maia. A sigla agora espera uma posição do PDT e do PCdoB – os três partidos integram um bloco parlamentar –, para tomar uma decisão conjunta sobre quem será o candidato do grupo.

SEM O PT – Aliados históricos do PT, os três partidos pretendem, desta vez, tomar uma decisão sem influência dos petistas, donos da futura maior bancada da Câmara Federal. O deputado Tadeu Alencar, de Pernambuco, líder do PSB, declarou que pretende definir com o PDT e o PCdoB, partidos com quem o PSB costura um bloco de oposição na Câmara, quem irão apoiar na eleição da Mesa Diretora da Câmara.

Até lá, ele disse, os três partidos vão se reunir internamente com as suas bancadas para decidir que caminho a ser seguido, depois das declarações da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, recém-eleita deputada pelo Paraná, de que o atual presidente da Câmara não terá os votos dos petistas, em razão de ter fechado um acordo com o PSL de Jair Bolsonaro, dono da segunda maior bancada da Casa a partir de fevereiro.

Alguns petistas defendiam um apoio a Maia, mas recuaram depois que ele costurou esse acordo com o PSL, oferecendo cargos na Mesa Diretora e a presidência da Comissão de Constituição e Justiça, a mais prestigiada e disputada da Câmara.

APOIO DE PESO – Rodrigo Maia tem feito movimentações importantes para permanecer no cargo e 12 partidos já oficializaram apoio a sua candidatura: PSL (52 deputados eleitos), PSD (34), PR (33), PRB (30), PSDB (29), DEM (29), SD (13), Pode (11), PPS (8), PROS (8), PSC (8) e Avante (7). Esses 12 partidos totalizam 262 deputados, porém não há garantia de que todos eles seguirão à orientação partidária, porque o voto é secreto.

Dentre os deputados que também têm se movimentado estão o atual primeiro-vice-presidente Fábio Ramalho, do MDB mineiro, e Alceu Moreira, do MDB gaúcho, além do recém-eleito Kim Kataguiri, do DEM paulista. Sem contar apoio de seu próprio partido, o PR, que estará com de Maia, o deputado Capitão Augusto, de São Paulo, deverá concorrer em candidatura avulsa. E o deputado  Marcelo Freixo, do PSOL do Rio de Janeiro, também já se colocou na disputa.

Mas um veterano jornalista, que acompanha as eleições desde os tempos de Ranieri Mazzili, afirmou, em um jantar na noite de ontem, que “Rodrigo Maia será o escolhido”.

Mourão diz que a promoção do filho no BB não lhe causou constrangimento

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Mourão reafirma que seu filho teve promoção merecida

Deu no Estadão

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, disse ao jornal O Estado de S. Paulo que, se pudesse, levaria o filho Antônio Hamilton Rossell Mourão para trabalhar ao seu lado no Palácio do Planalto. A promoção do filho do general para assessor especial da presidência do Banco do Brasil, com um salário de R$ 36,3 mil – o triplo do atual -, causou polêmica no governo.

“Eu não tive nada a ver com isso, o presidente do banco (Rubem Novaes) o convidou para ser assessor. Aí, é óbvio que lá dentro o sindicalismo bancário se revolta. São coisas da vida”, afirmou Mourão, ao lembrar que Rossell Mourão completará 19 anos no banco.

SEM CONSTRANGIMENTO – Questionado se a situação causava algum tipo de constrangimento, o general respondeu: “Para mim, não. Não é por ser meu filho, mas ele é um profissional extremamente qualificado. Se eu pudesse, o teria aqui na minha equipe”.

Mourão admitiu problemas na comunicação do governo, mas disse que as divergências entre os ministros Paulo Guedes (Economia) e Onyx Lorenzoni (Casa Civil) estão superadas. “O Paulo e o Onyx já trocaram beijinhos e está tudo certo”. 

A promoção de seu filho no Banco do Brasil não contraria o discurso de campanha sobre fim de privilégios e da influência política nas nomeações?
Se o meu filho fosse um camarada de fora do banco, seria algo totalmente fora, apesar de ser permitido, porque o presidente tem cargos de livre provimento. Em fevereiro, (seu filho) completa 19 anos (de banco). Não tive nada a ver com isso, o presidente do banco o conheceu em uma apresentação e o convidou para ser assessor. É óbvio que lá dentro o sindicalismo bancário se revolta com determinadas coisas. São coisas da vida.

E ele continua no cargo?
Sim. Não vai ceder.

Isso não criou algum tipo de constrangimento para o sr.?
Para mim, não. Não é por ser meu filho, mas ele é um profissional extremamente qualificado. Se eu pudesse, o teria aqui na minha equipe.

Como o sr. avalia o desencontro de informações no governo, nos últimos dias, em relação ao aumento do IOF e à reforma da Previdência? Houve bate-cabeça?
Não acho que tenha havido bate-cabeça. Tem esses primeiros dez dias, que é o momento de conhecer as coisas. Até porque essa transição não ocorre da forma como a gente faz nos nossos quartéis, porque aí você pega e bota o novo comandante sentadinho, cada um fala, vai lá, expõe. Aqui você traz uma equipe, muitos não têm experiência na administração… Então, isso é normal. Não teve prejuízo.

Mas na segunda-feira o sr. e o general Augusto Heleno (do Gabinete de Segurança Institucional) foram convocados para ajudar na tarefa de afinar o discurso entre os ministros Onyx e Paulo Guedes.
Não houve essa convocação. Na segunda-feira, como tinha a posse dos bancos estatais, o presidente reuniu no gabinete os presidentes de bancos e obviamente estavam o Paulo Guedes, o Onyx, eu e o Heleno. Houve uma conversa informal, mas não teve essa escalação por parte do presidente para afinar o discurso. O Paulo e o Onyx foram almoçar juntos, já trocaram uns beijinhos e está tudo certo. Esse episódio está superado. Em qualquer equipe volta e meia existem opiniões diferentes. Compete ao líder maior dizer: ‘Meninos, ou meninas, vamos nos acertar’.

Na campanha, o sr. disse que a comunicação do governo era ruim. Como resolver esse problema?
O presidente está buscando um porta-voz e ainda não encontrou. Vocês sabem que o salário para um porta-voz é igual àquele do Chico Anysio na Escolinha do Professor Raimundo (faz o gesto juntando o polegar e o indicador): ‘E o salário, ó!’. Fica difícil encontrar alguém que tenha boa conexão com a imprensa. 

O ministro Onyx disse que faria um “revogaço” de medidas, mas até agora não foi anunciado nada. Houve erro de comunicação?
Para fazer o “revogaço”, você tem de pegar as medidas que foram colocadas nos últimos dois anos. Pega uma equipe de cinco, seis pessoas e se debruça para ver o que pode e o que não pode valer. Isso leva tempo. A burocracia estatal não é fácil desde o Império (risos).

A decisão da Casa Civil de exonerar 320 servidores não emperrou a máquina? O sr. vai “despetizar” a Vice-Presidência?
A Vice não existia. Quando o presidente (Michel) Temer assumiu a Presidência, quem estava aqui foi com ele. Sobrou meia dúzia de gatos pingados.

O ex-assessor Fabrício Queiroz, que trabalhava para Flávio Bolsonaro, não deu todas as explicações da movimentação considerada atípica pelo Coaf. Isso não cria dificuldade para o governo?
Acho que não. O problema é o Queiroz. Ele tinha um dinheiro na conta e tem de explicar por que aquelas pessoas depositavam para ele. Para o governo, a única conexão era o dinheiro que foi para a conta da primeira-dama (Michelle Bolsonaro), que o presidente disse que era pagamento de empréstimo. Então, para mim, morta a cobra.

O PSL, de Bolsonaro, anunciou apoio à candidatura de Rodrigo Maia (DEM-RJ) à reeleição para a presidência da Câmara. O governo terá lado nessa disputa?
O presidente não quer ter um lado nessa disputa. É um jogo político-partidário. Teremos de tratar com quem for eleito e tem de ser na base republicana.

E como o sr. vê a disputa pelo comando do Senado com a candidatura de Renan Calheiros (MDB-AL), que é próximo do PT?
Não vou emitir juízo de valor. Nunca conversei pessoalmente com ele.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Quando inventaram a gravação de áudio, o filósofo britânico Bertrand Russell previu que o equipamento iria desmoralizar muitos políticos, que não mais poderiam mentir impunemente, como ocorreu com Nixon sobre Watergate. Aqui no Brasil a vítima mais recente é o general-vice Hamilton Mourão, que mentiu desavergonhadamente sobre “perseguições” sofridas pelo filho, que curiosamente também se chama Russell, ou Rossell, mas nada tem de Bertrand. (C.N.)

Flávio Bolsonaro recusa-se a depor e quer uma cópia do inquérito sobre Queiroz

Deu no Estadão

Ao justificar sua ausência em depoimento previsto para esta quinta-feira, dia 10, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que pediu ao Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro uma cópia do inquérito que investiga seu ex-assessor, Fabrício Queiroz. A declaração foi publicada por meio de sua conta pessoal no Facebook.

O parlamentar afirma não ter tido acesso aos autos, e que foi notificado do convite da Promotoria do Rio no dia 7. “No intuito de melhor ajudar a esclarecer os fatos, pedi agora uma cópia do mesmo para que eu tome ciência de seu inteiro teor”.

COMPROMISSO – “Ato contínuo, comprometo-me a agendar dia e horário para apresentar os esclarecimentos, devidamente fundamentados, ao MP/RJ para que não restem dúvidas sobre minha conduta”, afirmou.

O senador ainda disse que ‘não pode ser responsabilizado por atos de terceiros, como parte da grande mídia tenta, a todo custo, induzir a opinião pública’.

A investigação mira movimentação atípica de R$ 1,2 milhão atribuída pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) ao ex-assessor do parlamentar quando ele ainda ocupava cargo na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O documento foi anexado pelo Ministério Público Federal à investigação que deu origem à Operação Furna da Onça, realizada no mês passado e que levou à prisão dez deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Flávio Bolsonaro tentará embromar o Ministério Público enquanto puder, mas a investigação vai prosseguir. O sigilo da família Queiroz vai ser quebrado e o problema vai se agravar, mas o senador Flávio Bolsonaro só poderá ser processado no Supremo, devido ao foro privilegiado. Como o STF dificilmente condena algum parlamentar, especialmente filho de presidente, ele terá oito anos de perdão, pelo menos. Durante todo esse tempo, vai culpar a imprensa e se dizer perseguido político, igual a Lula e ao filho do general Mourão. (C.N.)

Um desesperado poema de amor, na genialidade de Ariano Suassuna

Resultado de imagem para ariano suassunaPaulo Peres
Poemas & Canções

O escritor e poeta paraíbano Ariano Suassuna, no poema ‘A Mulher e o Reino”, exalta a mulher amada, revolta-se contra a razão e imortaliza o amor.

A MULHER E O REINO
Ariano Suassuna

Oh! Romã do pomar, relva esmeralda
Olhos de ouro e azul, minha alazã
Ária em forma de sol, fruto de prata
Meu chão, meu anel, cor do amanhã

Oh! Meu sangue, meu sono e dor, coragem
Meu candeeiro aceso da miragem
Meu mito e meu poder, minha mulher

Dizem que tudo passa e o tempo duro
tudo esfarela
O sangue há de morrer

Mas quando a luz me diz que esse ouro puro
se acaba pôr finar e corromper
Meu sangue ferve contra a vã razão
E há de pulsar o amor na escuridão

Reforma da Previdência ficou caótica e agora exige um amplo debate nacional

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Charge do Bruno Galvão (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

É questão complexa, envolvendo dezenas de ideias diferentes para cada uma de suas etapas. Nas edições de ontem, ganharam destaque a reportagem de O Globo assinada por Marcelo Correa, Manoel Ventura e Daiane Costa, que indica um caminho alternativo colocado pela equipe de Paulo Guedes, que cogita no sistema da capitalização, mas restrito aos trabalhadores da classe média.

Como o salário médio brasileiro é de 2.300 reais, torna-se difícil identificar qual o indicador a ser aplicado na classe média. Essa posição tende a considerar classe média aqueles que ganham acima de 4000 reais por mês.

RENDA INDIVIDUAL – Mas esse patamar refere-se à renda individual, não incluindo os familiares e as despesas pessoais. Esta colocação revela que o projeto vai abranger 32 milhões de aposentados e pensionistas na medida em que no país 1/3 da mão de obra ganham o salário mínimo.

Com uma renda baixa assim, a capitalização espontânea no Brasil dificilmente se viabilizaria. Porque deve-se reconhecer que no Brasil praticamente 60 milhões de pessoas encontram-se com suas dívidas em atraso.

A Folha de São Paulo publica reportagem de Thiago Resende e Gustavo Lírio colocando no palco do debate a ideia contida no anteprojeto que exclui o afastamento de trabalhadores por doença no seu respectivo cálculo para aposentadoria. Para que esse ponto fique claro, o afastamento por doença provavelmente seria calculado para reduzir a respectiva aposentadoria.

E OS MILITARES? – Além disso, surgiu a questão dos militares, que se pronunciaram contra qualquer modificação em seu sistema de seguro. Reportagem de Idiana Tomazzelli, O Estado de São Paulo, destaca a questão mostrando que o déficit no setor militar vem crescendo mais que o do INSS.

Como se constata, a confusão é geral, sobretudo porque há situações nevrálgicas em cada grupo social e também em cada profissão. Para se ter uma ideia de como questões sociais são complicadas e muitas vezes trafegam por estradas diferentes, não custa lembrar que a CLT de 1943 possui 676 artigos, espaço muito grande para qualquer debate nela contido. Falo em artigos da CLT mas devo acrescentar um número enorme de parágrafos e alíneas. Mas esta é outra questão.

O fato central do processo de reforma da Previdência é que está se destacando a visão do lado empresarial. Seria bom que os trabalhadores e funcionários públicos, através de seus sindicatos e associações participassem da discussão.

Chefes militares deviam se envergonhar de defender privilégios na Previdência

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Charge do Alpino (Yahoo Brasil)

Carlos Newton

A gente não pode elogiar. Foi só escrever aqui na “Tribuna da Internet” que o general Fernando Azevedo e Silva era um dos destaques positivos do governo Bolsonaro que o ministro da Defesa pôs logo tudo a perder, ao defender os privilégios dos militares na reforma da Previdência.

“PROTEÇÃO SOCIAL” – Disse o ministro, diante do presidente da República e da nata das Forças Armadas, que os militares têm “sistema de proteção social” e não um regime previdenciário, devido “às peculiaridades da nossa profissão, que as diferenciam das demais, fundamentando a necessidade de um regime diferenciado, visando assegurar o adequado amparo social aos militares das forças armadas e seus dependentes”.

Meu Deus, aonde estão os militares de verdade, aqueles que colocavam a pátria acima de tudo? Hoje os militares parecem curvados ao Deus Dinheiro, de olho no contracheque e na aposentadoria, que eles chamam de reserva, como se fossem entrar em campo a qualquer momento.

“PROTEÇÃO SOCIAL” – Na cerimônia desta quarta-feira, após assumir a função, o novo comandante da Marinha, almirante Ilques Barbosa Júnior, disse concordar com a posição do Ministério da Defesa sobre um regime diferenciado para militares.

“A posição da Marinha é a posição do ministério da Defesa. Não temos previdência, nós temos um sistema de proteção social dos militares. É impróprio mencionar a palavra previdência do ponto de vista técnico”, disse Ilques.

Quer dizer que inventaram o neologismo “proteção social”, para tirar os militares da reforma da Previdência, embora sejam justamente eles os que mais consomem recursos do INSS?

JUSTIFICATIVA – O mais inacreditável foi a justificativa que o novo comandante da Marinha encontrou “para a diferenciação”, ao ressaltar como especificidades da carreira “a prontidão” e a boa saúde física.

Ora, se os militares merecem “proteção social”, o que dizer dos policiais civis e militares, dos bombeiros e dos agentes penitenciários que morrem a serviço da população? E as equipes médicas que lidam com todo tipo de doença transmissível? E os mergulhadores, recordistas mundiais que arriscam a vida nos campos da Petrobras e nem são empregados da estatal, recebem baixos salários como “terceirizados”?

Se os militares ocasionalmente fazem “prontidão”, esses outros heróis anônimos brasileiros – entre tantas profissões de risco – marcam presença 24 horas por dia, 365 dias ao ano, para servir ao povo.

PLÁCIDO E ALVIM – O Brasil tem muitos heróis esquecidos. Tenho veneração por dois deles: o major Plácido de Castro e o médico Álvaro Alvim. O ex-oficial liderou aos 27 anos  a revolução dos seringueiros que conquistaram o Acre para o Brasil, derrotando sozinhos o Exército e a Marinha da Bolívia, porque o governo brasileiro era contra a revolta e os militares não podiam apoiá-los.

Se Plácido de Castro não tivesse agido contra os interesses dos Estados Unidos e do Reino Unido, que haviam arrendado o Acre através do Bolivian Sindicate, possivelmente a Amazônia seria hoje anglo-americana. Mas quem se interessa?

Quanto ao dr. Álvaro Alvim, foi o grande médico que introduziu o Raio-X no Brasil e teve amputadas as duas mãos, de tanto tirar radiografias dos pacientes para salvar-lhes as vidas.

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P.S.
Lembrando heróis como Plácido de Castro e Álvaro Alvim, fico com a ligeira impressão de que já não se fazem mais brasileiros como antigamente. Que as almas deles nos iluminem e nos deem capacidade de aturar os brasileiros de agora. (C.N.)

Doria anuncia que Bolsonaro deve assinar decreto sobre armas nesta sexta-feira

Doria Bolsonaro

Bolsonaro se reuniu com João Doria durante uma hora

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

O presidente Jair Bolsonaro sinalizou nesta quinta-feira, dia 10, que deve assinar amanhã o decreto que flexibiliza a posse de armas. A informação é do governador de São Paulo, João Doria, e da deputada federal eleita Joice Hasselmann (PSL-SP), que estiveram reunidos por cerca de uma hora com o Presidente da República no Palácio do Planalto.

O texto do decreto está sob análise da Subchefia de Assuntos Jurídicos da Casa Civil (SAJ). Em etapa de finalização, também passa por nova avaliação dos ministros da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro.

MAIOR VALIDADE – Um dos pontos que já têm a aprovação de Moro e do governo, segundo o Estado apurou, é o aumento do prazo de validade da autorização da posse de armas, dos atuais 5 para 10 anos.

No encontro, Doria levou para Bolsonaro quatro questões do Estado de São Paulo. A primeira foi o projeto de privatização da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) e a mudança de endereço. A nova área que será ocupada não foi divulgada por Doria, mas ele disse que Bolsonaro foi “muito positivo” e o assunto deve avançar.

CAMPO DE MARTE – Eles também falaram sobre o seu projeto de um parque, administrado pela iniciativa privada, na área do Aeroporto do Campo de Marte e do museu aeroespacial. Doria destacou que a pista de pouso e decolagem será mantida mesmo sem utilização.

Doria falou, ainda, sobre a ida a Davos para participar do World Economic Forum. Ele afirmou que Bolsonaro e seu discurso no evento serão um grande palco para exibir “o novo Brasil” com visão liberal.

Petrobras é a petroleira de maior potencial de crescimento e não precisa vender ativos

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Em 2006, a Petrobras produzirá 5,1 milhões de barris/ dia

Claudio Oliveira
Site da Aepet

A revista Exame publica anualmente (Maiores e Melhores) a relação das maiores empresas brasileiras considerando suas receitas. Neste levantamento a maior empresa brasileira é destacadamente a Petrobras, a segunda maior empresa é a BR Distribuidora, a terceira maior empresa é a Ipiranga, a quarta maior empresa é a Raizen (união da Cosan coma Shell). A Vale é só a quinta maior.

Se a BR Distribuidora sair do mercado um cartel será estabelecido e o consumidor brasileiro pagará a conta. Além de Ipiranga e Shell a Total também deverá participar do butim e já está se preparando para isto tendo feito recentes aquisições em Minas Gerais.

AUSÊNCIA NA CÂMARA – No último mês de dezembro aconteceu uma audiência pública na Câmara Federal para debater a privatização das refinarias da Petrobras. Convidada, a administração da Petrobras não compareceu e nem enviou representante, frustrando a todos. Eles sabem que os e informações a serem exibidos são provas contra eles mesmos. E os Planos de Negócios e Gestão – PNGs são manipulados para esconder os fatos

À partir da administração de Pedro Parente, os PNGs da Petrobras passaram a camuflar as perspectivas futuras da empresa em termos geração de caixa.

NO PRÉ-SAL – Os maiores investimentos da história da Petrobras foram feitos no período 2010/2014 (mais de US$ 200 bilhões), a grande maioria no pré-sal. Como o prazo de maturação dos projetos na área de petróleo é em torno de 8/10 anos, só agora estes investimentos começam a gerar seus frutos.

A atual administração além de não exigir direito de resposta às mentiras espalhadas sobre a empresa (é conivente), procura esconder o futuro promissor da companhia. Qualquer companhia decente estaria comemorando e divulgando os fatos.

Os relatórios anuais ocupam páginas para falar da Lava Jato. Nada contra, pois todas as falcatruas tem de ser apuradas os responsáveis punidos e se possível ressarcir os prejuízos da companhia. Mas o estranho é que nem uma linha é dedicada ao futuro da empresa.

ALTA PRODUTIVIDADE – Em 1980 (há apenas 38 anos), a Petrobras produzia 200 mil barris/dia de petróleo. Hoje, cada nova unidade FPSO que entra em operação tem capacidade de produção de 180.000 barris/dia. O lançamento destes navios deveria ser comemorado com ampla divulgação. Mas isto não acontece porque a atual administração quer esconder o futuro da companhia para justificar as vendas de ativos em andamento.

Segundo previsão da ANP, em 2026 o Brasil estará produzindo 5,1 milhões de barris dia de petróleo. Somente o campo supergigante de Búzios, na área de cessão onerosa, estará produzindo 2,8 milhões de barris dia.

Os Planos de Negócio e Gestão da Petrobras não informam a geração operacional de caixa da empresa no futuro. A geração operacional de caixa vem sempre acompanhada da informação “já pagos os dividendos”. Como o valor dos dividendos não são informados, não é possível saber o volume de geração de caixa.

MANIPULAÇÃO – O Goldman Sachs, um dos maiores bancos de investimento do mundo, em recente relatório a seus clientes informou que o último PNG da Petrobras (2019/2023), esconde dividendos “adicionais” no montante de US$ 40 bilhões. No mesmo plano a Petrobras prevê venda de US$ 23 bilhões de ativos.

Para o Goldman Sachs esta informação é importante para seus clientes se posicionarem em relação às ações da empresa no mercado de capitais.

Para nós fica a pergunta: para quem deve trabalhar a Petrobras, para o mercado financeiro e a “Banca”, ou para a Brasil e seu povo?

SEM RACIOCÍNIO – O povo brasileiro perdeu totalmente sua capacidade de raciocínio. Depois de um governo do PT, que prometia moralidade e mostrou ser exatamente o contrário, envolto em todo tipo de falcatruas, principalmente na Petrobras, muitos jogaram todas suas esperanças em um novo governo do PSDB, apostando todas as fichas em Aécio Neves. Quase ganharam, mas logo vieram as gravações do Aécio, o que “tirou o chão” de muita gente.

Por outro lado, além das mentiras da mídia, o povo é constantemente bombardeado por informações de pessoas representantes dos interesses do capital estrangeiro, atuando em postos importantes do governo, alguns inclusive com interesses pessoais nos negócios da Petrobras, sem demonstrar seus reais objetivos.

IMPOTÊNCIA – Este conjunto de fatores provoca uma total apatia e sentimento de impotência por parte da população.

E o Clube Militar? Infelizmente hoje o Clube Militar está preocupado apenas com a evolução do socialismo no país, com o PT e o Lula, como se estes fossem os principais problemas de nossa nação. Não existe mais preocupação com a Petrobras como em 1947.

Atualmente, aqui e acolá, deste e daquele, ouço o lamento: precisamos de uma nova campanha “o petróleo é nosso”. Creio que antes disso precisamos de um novo general Horta Barboza.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O general Horta Barboza foi o verdadeiro criador da Petrobras. Enfrentou Juarez Távora e evitou que o setor de refino (o mais rentável) fosse entregue às multinacionais. Hoje, a Petrobras é considerada a petroleira de maior potencial de crescimento no mundo, retirando petróleo no pré-sal a 8 dólares o barril, custo só comparável a raros campos no Oriente Médio. Em 2026 o Brasil estará produzindo 5,1 milhões de barris/dia de petróleo. E se tornará um grande exportador de petróleo e derivados. Mas os privatistas não podem esperar e querem vender logo os ativos da empresa, na bacia das almas, como se dizia antigamente. (C.N.)

Bolsonaro confirma demissão do presidente da Apex, que se recusara a sair do cargo

Divulgação

Bolsonaro e Araújo apresentam o novo presidente da Apex

Luciana Amaral e Talita Marchao
Do Portal UOL

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) confirmou nesta quinta-feira (10) a demissão do presidente da Apex Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), Alex Carreiro. O presidente reuniu-se com o indicado pelo chanceler Ernesto Araújo, o embaixador Mário Vilalva, em seu gabinete nesta quinta. A demissão de Carreiro foi anunciada por Araújo na quarta-feira, mas o presidente da Apex recusou a demissão e seguiu trabalhando normalmente nesta quinta.

A imprensa da Apex, órgão que é vinculado ao Itamaraty, confirmou que Carreiro efetuou “despachos internos e recebido para audiências autoridades de Estado”. A nota da Apex destacava que Carreiro fora nomeado para o cargo “pelo presidente da República, Jair Bolsonaro”.

SEM COMENTÁRIOS – Questionada sobre o anúncio feito por Araújo nas redes sociais, a assessoria de imprensa afirmou que Carreiro não se pronunciará a respeito.

Araújo indicou ainda o embaixador Mauro Vilalva para substituir Carreiro. Ex-embaixador no Chile, em Portugal e na Alemanha, o diplomata tem experiência em negociações comerciais e seria próximo de militares ligados ao governo, segundo fontes relataram ao UOL.

O chanceler informou que a demissão teria sido pedida pelo próprio Carreiro, mas os relatos que circularam durante esta quinta afirmavam que o ex-presidente da Apex não aceitou sua saída. Fontes afirmaram ainda que a demissão de Carreiro foi motivada pelos atritos com a empresária Letícia Catelani, indicada para a diretoria de Negócios da agência.

ASSESSORA DE IMPRENSA – Carrero teria se reunido com Araújo para reclamar da indicação de Letícia, que atuou como assessora de imprensa durante a transição. De acordo com fontes, Letícia, que é próxima de Araújo, não gostou de Carreiro ter exonerado 18 pessoas em menos de uma semana no governo e queria reverter as exonerações. Na reunião, Araújo sugeriu que Carreiro pedisse demissão, mas ele se negou.

Ao sair do encontro, no entanto, o chanceler publicou o tuíte. Segundo fontes, Carreiro viu nisso uma tentativa de criar um “fato consumado” e forçá-lo a sair do cargo. (Com Agência Estado)