Campanha de Bolsonaro soube aproveitar a internet e as redes sociais

Resultado de imagem para redes sociais charges

Charge do Edra (Arquivo Google)

Marco Aurelio Ruediger

Dois dias após a eleição que mudou o país, e que terá impacto global na sequência de eleições mundiais afetadas pelas redes sociais, a ressaca do maremoto político de 7 de outubro ainda é grande. Falamos em colunas anteriores tanto da polarização como do conteúdo simbólico e sociológico das redes sociais. Falamos, também, de sua gigantesca influência no ambiente político, pela construção de narrativas eficientes em tempo real. Alertamos ainda sobre bots e fake news, e das perturbações potenciais ao processo de escolhas públicas e de votação.

Acompanhando o Twitter, já durante o debate na quinta-feira (dia 4), verificamos que Bolsonaro, que sempre esteve na frente nas redes sociais até então, ampliou ainda mais sua vantagem frente aos demais concorrentes, atingindo médias equivalentes ou acima de 100 mil tuítes por hora. Ele não participou do debate na Globo. No horário, foi veiculada uma entrevista sua para a Record. Essa margem de crescimento se estabeleceu na última semana e durou até a votação no domingo.

PELO FACE – Observando o Facebook desde setembro, vemos outro quadro ainda mais revelador. Bolsonaro havia estabelecido uma muralha de engajamento e de atração de perfis em patamar imensamente maior que a soma dos outros candidatos. Esse domínio — que em gráfico aparenta um curioso formato do Pão de Açúcar —  teve um pico menor no dia 1º de outubro e outro maior no dia 4, na quinta. Houve um volume total de 13,9 milhões de interações nas publicações de Bolsonaro na rede, com seu ápice durante o debate, quando chegou a atrair 430 mil interações em média por postagem.

Suas inserções nas redes não se resumiram a essas duas plataformas. Tiveram impacto demolidor também nas listas de mobilizadores no WhatsApp, que selaram uma estratégia que prescindiu dos meios tradicionais de TV e da estrutura partidária. Isso muda completamente a forma de fazer campanha, gerar mobilização e engajamento.

Discurso Moralista – Claro, houve a mensagem e sem a correta envelopagem isso não seria possível. Ao construir um discurso moralista com base na questão da corrupção e da segurança pública como metatemas, Bolsonaro produziu sínteses que atingiram os brasileiros, a despeito de seu viés ultraconservador. A partir disso, abriu outras frentes por esse viés, trazendo a questão da Venezuela, da economia e do antipetismo, apresentando-se como o único capaz de higienizar a política e a vida pública.

Mas houve também o senso de timing. Com discurso construído desde 2014, intensificado em 2016, no impeachment, e turbinado em 2018 pelas redes, houve tempo para Bolsonaro consolidar e possibilitar conversões. Milhões delas.

CIRO SE ATRASOU – Outros, como Ciro Gomes, intensificaram sobremodo sua presença nas redes, mas tardiamente. Ciro logrou o segundo lugar virtual na busca de última hora de parte do eleitorado por uma terceira via, ainda assim muito distante, atingindo, antes do início da votação, a marca de 547 mil tuítes. Bolsonaro já estava em 1,5 milhão.

Para nossa surpresa, esse potencial impacto foi negligenciado por analistas e pelas campanhas. No caso de alguns analistas, percebe-se que erraram em suas previsões por desconsiderarem o impacto das redes.

Fixaram-se numa abordagem retrô, na qual o tempo de TV e estruturas partidárias tradicionais eram os fatores preponderantes da equação. Essas análises permearam a estratégia de várias campanhas, que buscaram por aí mudar seu destino na esperança que o tempo diferenciado de mídia seria definitivo para reverter o jogo. A esfinge não foi decifrada e os engoliu.

(Marco Aurelio Ruediger é chefe da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas)

Nenhum governo terá êxito se não adotar as reformas fundamentais

Resultado de imagem para reformas charges

Charge do Nani (nanihumor.com)

Sebastião Nery

Mais uma vez o país estará definindo seu futuro. Diante do presidencialismo de coalisão, quem for eleito agora tem um desafio: vai governar para o povo ou vai se submeter ao fisiologismo do Congresso Nacional, agravados com descontrole da dívida pública bruta atual de 88% do PIB, que pode atingir 95% em 2023, de acordo com projeção do FMI. Nos países emergentes a média é de 40%. No período, algumas políticas sociais introduziram mecanismos que amenizaram, mas não resolveram a dramática pobreza brasileira.

A questão social é grave pela concentração da renda, gerando privilégios indecorosos. Na outra ponta a renda do trabalhador, da classe média assalariada, está em processo de redução expressivo. O desemprego estrutural agrava essa realidade. São temas áridos da economia, que afetam a vida da maioria da população, mas ignorados nos programas presidenciáveis.

PRIVILÉGIOS – Diante dessa realidade, a farra dos privilégios é invencível na vida econômica nacional. No período de 2003 a 2016 (governos Lula, Dilma e Temer) o grande capital foi vitorioso, como demonstram os números. Os subsídios financeiros, desonerações e as renúncias tributárias, benefícios fiscais, custaram ao país R$ 3,5 trilhões (quase 1 trilhão de dólares). Isto em um governo que se dizia popular.

Em verdade, foi o beneficiador de grupos econômicos e bolsos de quem menos tem necessidade de favores oficiais, afetando diretamente o desenvolvimento, impactando a modernização produtiva e reduzindo a criação de um emprego.

A rigor, a administração pública brasileira, em diferentes governos, vem sendo capturada e vai elevando ano após ano a renúncia fiscal como política econômica de Estado. A elevada carga tributária brasileira é, também, consequência desses privilégios.

DÉFICIT PÚBLICO – No ano passado o déficit público nominal, diferença entre receitas e despesas, incluindo os juros da dívida pública, atingiu R$ 562 bilhões. Os brasileiros, pela ação do governo e visão parcial da mídia jornalística, omitem o “déficit nominal” e dão destaque somente ao “déficit primário” (excluindo os juros) que foi de R$ 155 bilhões.

Em 2019, quando assumirá o novo presidente da República, as renúncias e benefícios tributários crescerão em 8%. Atingirão R$ 306 bilhões, agravando ainda mais a situação econômica no primeiro ano do novo governo. Os grupos de interesses, formalizado no Congresso nas suas corporativas frentes parlamentares, não abrem mão dos seus privilégios.

Resta indagar: esse viés de política econômica não é um dos responsáveis pela desigualdade da renda nacional?

JUROS DO BNDES  – Um exemplo dessa deformação tem o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) como protagonista. Entre 2008 e 2015, o Tesouro Nacional captou a preços de mercado R$ 500 bilhões, depois emprestado a grandes empresas (a exemplo da JBS) a taxas de juros subsidiados, a TJLP, muito inferior à Selic.

Quem paga o subsídio implícito é a sociedade. Acrescente que poderosas empresas, a exemplo da indústria automobilística, usam largamente de incentivos tributários e redutíveis ao longo das últimas décadas.

Trabalho do Instituto Fiscal Independente constatou que, somente com empréstimos e financiamentos, o governo federal tem a receber R$ 1.545 trilhão. Os dois principais devedores são o BNDES, com R$ 636,3 bilhões e os Estados e Municípios, no total de R$ 577,0 bilhões. São questões dramáticas que serão enfrentadas por quem venha a ser eleito.

DESAFIOS SATÂNICOS – Se renascidos de volta ao mundo temporal, Jesus, Maomé ou Moisés, eleitos presidente da República, teriam desafios satânicos e diabólicos para colocar o Brasil em nível civilizatório na sua administração pública.

Ajuste fiscal, equilíbrio das contas públicas, abertura comercial, desconcentração da renda e justiça social seriam frentes de combate permanente. Valendo dizer que nenhum governo terá êxito se não adotar reformas fundamentais para o futuro do Brasil.

Balanço da eleição é positivo e revela um novo cenário político no Brasil

Imagem relacionada

Charge do Sponholz (sponholz.arq.br.)

Fábio Medina Osório

Um balanço geral revela novo cenário no Brasil. E me parece que esse contexto é positivo, pois traduz sentimentos de mudança da sociedade em sintonia com agenda internacional de liberalismo econômico, combate à criminalidade violenta e repúdio à corrupção. As eleições demonstraram a solidez da democracia brasileira, contrariando o discurso daqueles que tentaram manchar a imagem do Brasil no exterior, chamando nosso país de golpista.

Uma das suspeitas lançadas contra Bolsonaro foi a pecha de ditador ou inimigo da democracia. Esse ataque não vingou, pois sua candidatura fluiu dentro do sistema eleitoral e no curso das regras do jogo democrático.

QUADROS QUALIFICADOS – Chegou-se a suscitar, de modo equivocado, a impossibilidade de membros das Forças Armadas exercerem funções civis ou se candidatarem a cargos públicos. Quem sustenta semelhante tese desconhece a Constituição de 1988. Aliás, as Forças Armadas tem quadros extremamente qualificados para contribuir nas mais diversas áreas civis do governo.

Diga-se que a magistratura e o Ministério Público brasileiros também tem pessoas que podem contribuir para o crescimento do Brasil. E igualmente empresários, e outros funcionários das mais diversas carreiras devem participar da vida pública. Quer dizer, estamos vivendo novos tempos. Quem sabe os cidadãos não começam a participar mais ativamente da vida política nacional?”

Bolsonaro diz que participará de debates, se for liberado pelos médicos

Resultado de imagem para bolsonaro no jornal nacional

Bolsonaro será examinado pelos médicos nesta quarta

Deu na Agência Brasil

O candidato à Presidência da República pelo PSL, Jair Bolsonaro, disse à Rádio Bandeirantes que pretende participar de debates de televisão no segundo turno, se for liberado pela equipe média do Hospital Albert Einstein, e pretende “dar uns tiros pelo Brasil, no bom sentido”, demonstrando intenção em viajar em campanha. Ele disse ainda que o candidato a vice-presidente na chapa, general Hamilton Mourão (PRTB), assim como o assessor econômico Paulo Guedes, não deve aparecer no segundo turno porque “não tem traquejo com a imprensa”.

Na entrevista, Bolsonaro disse representar o novo, enquanto o seu adversário, Fernando Haddad (PT), em sua opinião, seria o velho, “a continuidade da corrupção, o desprezo pela família, o desprezo pela Educação”. Segundo ele, “a garotada desaprendeu mais ainda” no período em que Haddad foi ministro da Educação, nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

INDULTO A LULA  – “Sabemos que o Haddad tem falado com o Lula na cadeia. Hoje está visitando o Lula novamente. Ele (vai) assinar o indulto do Lula e também vai colocar um fim à (Operação) Lava Jato”, afirmou Bolsonaro à radio. O candidato petista, no entanto, já negou essa informação.

Ao comentar o grande número de votos recebidos pelo PT na Região Nordeste do País, Bolsonaro acusou, sem oferecer provas, o partido adversário de utilizar o programa social Bolsa Família para cooptar “eleitores de carteirinha”. “A maneira de arranjar recursos é combatendo a fraude, combatendo a corrupção, até mesmo dentro do Bolsa Família. Acreditamos que 30% aproximadamente são benefícios dados sem qualquer critério. É gente que não precisa receber isso aí. Tenho dito, disse no Nordeste: vamos continuar trabalhando para lá. Combatendo a fraude, tem até como pagar um pouco melhor para essas pessoas”, disse o candidato do PSL.

EM RECUPERAÇÃO – Bolsonaro afirmou ainda que está “em franca recuperação” física, o que vai permitir que faça campanha pelo Brasil. “O problema que eu teria é, no meio do povo, receber uma cotovelada, um abraço muito forte… Foram duas cirurgias de vulto, em que tudo foi colocado para fora do abdome foi para dentro novamente. Mas estou me sentindo bem. Acredito que esteja com 60% da parte física em dia. A parte mental está boa. Então, tá tranquilo”, argumentou, complementando, em seguida, que a decisão será da junta médica do Hospital Albert Einstein, nesta quarta-feira, dia 10. Desde que foi esfaqueado no município de Juiz de Fora (MG), em campanha, Bolsonaro passou a se comunicar com os eleitores via redes sociais.

O candidato do PSL ainda agradeceu o apoio das lideranças evangélicas e lamentou a derrota do candidato a governador do Espírito Santo Magno Malta (PR-ES), a única derrota de “peso” entre os aliados, em sua opinião.

MENOS DEPUTADOS – Mais uma vez, ele defendeu o corte no número de deputados federais, mas negou que tenha intenção de fechar o Congresso. “Vamos ter uma bancada orgânica bastante grande, além dos simpatizantes. O que pregamos por anos pelo Brasil e depois em Brasília foi bem aceito pela sociedade. A sociedade quer mudança”, destacou.

Entre possíveis ministros, citou apenas o nome do tenente-coronel e astronauta Marcos Pontes, que chegou a se candidatar à chapa de Bolsonaro, como vice-presidente. A vaga, por fim, ficou com o general Hamilton Mourão que, assim como o assessor econômico Paulo Guedes, não deve aparecer no segundo turno, porque “não tem traquejo com a imprensa”, segundo Bolsonaro.

Ontem, Mourão, mais uma vez, teve que voltar atrás e se explicar pela afirmação de que o neto é bonito por ser fruto de um “branqueamento da raça”. Depois dos efeitos negativos na imprensa e redes sociais, Mourão disse que fez apenas uma “brincadeira”.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG Para participar de debates, Bolsonaro deveria pedir que se colocasse uma mesa no estúdio, para que ele e Haddad ficassem sentados. Quando à campanha, ele ainda está em recuperação, por isso não deve viajar de avião nem se submeter a sacolejos em possíveis turbulências. Não custa prevenir. (C.N.)

Após críticas, Bolsonaro e Haddad recuam sobre fazer nova Constituição

Resultado de imagem para haddad e bolsonaro charges

Charge do Laerte (laerte.com)

Marina Dias, Catia Seabra e Talita Fernandes
Folha

Levados ao segundo turno da eleição presidencial, os candidatos do PSL, Jair Bolsonaro, e do PT, Fernando Haddad, recuaram e descartaram a controversa ideia de fazer uma nova Constituição para o país. Enquanto o petista vai recalibrar a estratégia da campanha e acenar ao centro, seu adversário fortalecerá as táticas que lhe renderam 46% dos votos no primeiro turno.

Bolsonaro se preocupou, em entrevista ao Jornal Nacional nesta segunda-feira (dia 8), em enfatizar que respeita o voto popular e que desautorizou seu vice, general Hamilton Mourão, por ter dito que ele considerava convocar uma Constituinte escrita por notáveis e achava razoável a hipótese de um autogolpe contra o Congresso.

ERROU O NOME – “Ele deu uma canelada. Eu o desautorizei”, disse Bolsonaro sobre o vice, cujo nome errou duas vezes (“Augusto”). “Ele é general, eu sou capitão, mas o presidente serei eu.”

Bolsonaro ainda acenou ao Nordeste e aos mais pobres, campos em que o PT leva vantagem, e afirmou que não acabará com o Bolsa Família.

O PT, por sua vez, fez um gesto significativo ao eleitorado de centro que teme ver Haddad tutelado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado por corrupção. Nesta segunda-feira (dia 8), o candidato foi liberado pelo padrinho de visitá-lo semanalmente na sede da Polícia Federal em Curitiba, onde cumpre pena, e reduziu o número de citações a seu nome em entrevistas.

NOVOS RUMOS – A correção de rota petista deve ser mais drástica do que a de Bolsonaro, a fim de buscar ampliar a base de 29,3% dos votos recebidos no domingo. A avaliação da campanha, porém, é que perfazer a diferença será “muito difícil”.

Após receber Haddad nesta segunda-feira, Lula o autorizou a revisar pontos do programa de governo em busca de alianças. Assim foi descartada a instalação de uma Assembleia Constituinte, criticada.

Indagado em entrevista no Jornal Nacional desta segunda sobre a possibilidade de nova Constituição, Haddad declarou que o PT “reviu o posicionamento” e que eventuais mudanças se darão somente com emendas à atual.

CARTA BRANCA – Lula orientou o discípulo a ir à rua fazer campanha e deu carta branca para que firme sua identidade e converse com diversos partidos –inclusive com lideranças do PSDB como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, com quem tem boa relação.

A ideia é que os acordos formais se deem entre siglas de esquerda e centro-esquerda, como PDT, PSB e PSOL, mas haja espaço para uma frente em defesa da democracia. O ex-adversário Ciro Gomes (PDT), terceiro colocado, pretende anunciar nesta quarta “apoio crítico” ao petista.

Após se reunir com Haddad e o comando da campanha em São Paulo, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), afirmou que as visitas de Haddad a Lula dependerão da dinâmica de campanha: “Temos menos de 20 dias. Não sei qual será o tempo e a disposição para isso. Se for possível, ele vai; se não, vai fazer campanha”.

WAGNER REFORÇA – Para articular o arco de diálogo, a campanha de Haddad incorporou nesta segunda o senador eleito pela Bahia Jaques Wagner. Com bom trânsito entre políticos, empresários e integrantes das Forças Armadas, o ex- ministro da Defesa de Dilma Rousseff buscará diferentes setores e tentará esfriar os ânimos no PT.

Uma ala importante da coordenação defende que o eixo do segundo turno seja o debate econômico, com a radicalização do discurso e sem acenos ao mercado, enquanto o grupo próximo a Haddad quer movimentos para ampliar o apoio, inclusive com empresários e investidores.

A campanha se preocupa também em buscar o eleitor lulista que migrou para Bolsonaro. Daí a ênfase no discurso para o eleitorado mais pobre.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, Bolsonaro seguirá na mesma balada, porque não se mexe em time que está vencendo. Do outro lado, os petistas estão batendo cabeça, porque ninguém sabe o que fazer e Lula já jogou a toalha, convencido da derrota. (C.N.)

Dória apoia Bolsonaro, mas FHC e Alckmin ainda estão em cima do muro

Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deverá publicar nota sobre seu posicionamento no segundo turno esta semana Foto: Marcos Alves / Agêncio O Globo

FHC assistiu ao PSDB desmoronar nestas eleições

Silvia Amorim
O Globo

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi às redes sociais nesta segunda-feira para dizer que não manifestou apoio a nenhum dos candidatos à Presidência que disputam o segundo turno — Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL). O ex-presidente afirma que não teria motivos para se posicionar porque Haddad e Bolsonaro não se mostraram até agora compromissados com ideias que ele acredita serem relevantes para o país.

“As redes divulgam que apoiarei Haddad. Mentira: nem o PT nem Bolsonaro explicitaram compromisso com o que creio. Por que haveria de me pronunciar sobre candidaturas que ou são contra ou não se definem sobre temas que prezo para o país e o povo?”, escreveu.

SEM DETALHES – FHC não explica na publicação a quais temas está se referindo. Há uma expectativa de que o ex-presidente divulgue ainda esta semana, provavelmente na quarta-feira, uma nota mais abrangente sobre um posicionamento dele na eleição presidencial.

Nesta segunda-feira, FH direcionou críticas às duas candidaturas nas redes sociais. “Os candidatos vitoriosos devem dizer o que farão com o Brasil, não quem perdeu. Não concordo com o reacionarismo cultural e o descompromisso institucional de uns vitoriosos e tampouco com a corrupção sistêmica e com apoio ao arbítrio na Venezuela e em outros países”, postou.

SEM PRESSIONAR – Nesta terça-feira, a direção nacional do PSDB se reunirá em Brasília para começar a discutir uma orientação partidária para a polarização entre Bolsonaro e Haddad. Aliados do candidato derrotado à Presidência, Geraldo Alckmin, afirmaram neste domingo que o tucano não manifestará apoio a nenhum dos dois adversários.

Seja qual for a decisão da Executiva nacional do PSDB, a qual Alckmin preside, uma certeza entre os tucanos é a de que as lideranças do partido vão se posicionar no segundo turno de acordo com seus interesses individuais. O partido não terá força para impor qualquer posicionamento.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Doria é esperto e foi logo apoiando Bolsonaro. Com isso, emparedou o adversário Márcio França, do PSB, e praticamente consolidou o caminho da vitória no segundo turno. (C.N.)

No segundo turno, um dos desafios de Bolsonaro é calar Mourão, seu vice

Resultado de imagem para general mourão

Mourão tem um talento enorme para falar asneiras

Deu na Coluna do Estadão

A campanha de Jair Bolsonaro (PSL) enxerga como um desafio para o segundo turno controlar seu candidato a vice, general Hamilton Mourão (PRTB). A estratégia é isolá-lo e vendê-lo como alguém folclórico, uma vez que ele é considerado fora de controle e que de nada adiantaram os pedidos para que parasse com as declarações polêmicas. O problema é como fazer isso sem passar a impressão de que, se eleito, Bolsonaro já chega tendo problemas com o vice, munição certa para o seu adversário, Fernando Haddad (PT).

Militares entrarão em campo para ajudar na tarefa, porque no primeiro turno Mourão já disse que o 13º salário é uma jabuticaba, que o neto é bonito por representar o “branqueamento da raça” e que o “Brasil herdou indolência dos indígenas e malandragem dos africanos”.

ACABOU A PACIÊNCIA – Em conversas com seu círculo mais íntimo, Bolsonaro demonstra que perdeu a paciência com o vice, a quem já chama na intimidade de “imbecil”, segundo dois interlocutores, e diz não entender a razão de o general insistir em polemizar.

A equipe médica do Hospital Albert Einstein que atende Bolsonaro não vê empecilhos para que ele participe de debates na TV no 2º turno. Ele será reavaliado esta semana e deve receber alta do home care.

No 2.º turno, Bolsonaro vai mudar o discurso e dizer que só ele poderá reconciliar o País. Os ataques mais pesados ficarão por conta da sua militância nas redes sociais.

CAMPANHA DO MEDO – O PT vai se valer de estratégia já conhecida do partido para tentar derrotar Jair Bolsonaro no segundo turno. Com foco no eleitor das classes C, D e E, vai insistir que Bolsonaro vai tirar direitos do trabalhador e acabar com programas sociais.

Agora é guerra. Além das declarações do vice de Bolsonaro, outro ponto a ser explorado será o voto contrário do presidenciável do PSL à lei que regulamentou a profissão de empregada doméstica.

Dentro do PT, ainda há críticas à dificuldade de Haddad para se comunicar com o eleitor, o que ele precisará mudar. O partido pedirá reforço das centrais sindicais e movimentos sociais para disseminar a versão de que Bolsonaro está contra o trabalhador.

ALVARO DIAS – Apesar dos esforços da campanha de Bolsonaro, ele não deve receber o apoio de Alvaro Dias (Podemos). A interlocutores, o senador disse que vai desaparecer e para um deles explicou: “Os que querem assassinar esse País que o façam”.

Decretada a derrota de Geraldo Alckmin, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) lembrou a aliados que tentou fazer uma autocrítica quando assumiu a presidência do PSDB, mas que foi arrancado do cargo após críticas por ter reconhecido erros do partido.

João Doria (PSDB), que disputa com Márcio França (PSB) o segundo turno ao governo de SP, disse à interlocutores que, se eleito, vai  convidar Geraldo Alckmin para compor seu governo.

A rede bancária líquida funciona como a maré, que traz e depois leva…

Resultado de imagem para gastão de holanda

Holanda, sempre bem-humorado

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O designer gráfico, editor, professor, advogado, jornalista, contista e poeta pernambucano Gastão de Holanda (1919-1997), no poema “A Rede Bancária Líquida”, faz uma curiosa comparação do famoso Rio Capibaribe com o funcionamento da rede bancária para a sua clientela de suas margens. Assim como as instituições financeiras, o rio dá com “o braço da maré” e depois tira com “o murro da cheia”.


A REDE BANCÁRIA LÍQUIDA
Gastão de Holanda

O rio tem uma rede bancária
para atender aos flagelados,
sua clientela das margens.
Há um capital chamado pró-giro
feito de redemoinhos e febre amarela.
O rio tem um balanço exigível
pedindo a execução dos marginais
e há sempre passivo, lucro não há.
Perdas? Sim, essas são ganhas, fatais.
As mercadorias em consignação desfilam
no leito rancoroso, como um
gerente, de conta-corrente
que o banco do rio credita ao mar
e não ao devedoso cliente.
O rio empresta a prazos e juros altos
pois quem nele pesca uma tainha
tem que lhe endossar uma cesta de camorins.
Se a fome recorrer ao mangue
a pena é mil alqueires de caranguejos
cevados na lama da baixa-mar.
O rio dá com o braço de maré
e tira com o murro da cheia
que com ela traz o mar de meirinho.

PDT e PSB esnobam Haddad e não vão fazer campanha contra Bolsonaro

Imagem relacionada

No segundo turno, Haddad terá de se virar sozinho

Carlos Newton

Na noite de domingo, quando já se conheciam os resultados da eleição presidencial no primeiro turno, a senadora Gleisi Hoffmann, presidente do PT, ligou para Carlos Lupi para marcar uma reunião destinada a acertar o apoio do PDT e de Ciro Gomes ao petista Haddad no segundo turno. O celular tocou, o presidente do PDT conferiu quem fazia a ligação e simplesmente não atendeu. Estava jantando com Ciro Gomes em Fortaleza e na mesma hora decidiram que o PDT daria à candidatura de Haddad apenas “apoio crítico” ou “sem empenho”. Em tradução simultânea, Ciro não vai sair às ruas para fazer campanha defendendo voto em Haddad.

Outras decisões dos pedetistas foi fazer oposição ao provável governo Bolsonaro e lançar a pré-candidatura de Ciro Gomes à Presidência em 2022. Ou seja, a próxima campanha presidencial terá caráter permanente.

PSB NO MURO – O PT está tentando também reafirmar o acordo de primeiro turno com o PSB, que garantiu a vitória do governador socialista Paulo Câmara em Pernambuco, com mais de 50% dos votos válidos.

O acordo até interessa ao governador Márcio França, que tenta a reeleição em má situação, porque no primeiro turno o tucano João Doria chegou na sua frente com uma diferença superior a 2 milhões de votos.  

Mas acontece que, para derrotar Dória, França precisará não somente atrair votos do PT (Luiz Marinho teve 12,66%), como também do PMDB (Paulo Skaf conseguiu 21,02%), e de candidatos de outros partidos. Por exemplo, o Major Costa e Silva (DC) teve 3,69%; Rogerio Chequer (Novo) chegou a 3,32%; Rodrigo Tavares (PRTB), alcançou 3,21% e a Professora Lisete (PSOL) obteve 2,51%. Ou seja, esses quatro tiveram quase 13 milhões de votos.    

BOLSONARO REINA – Sonhar ainda não é proibido, mas o fato concreto é que Jair Bolsonaro domina esta eleição. As chances de o petista Fernando Haddad ser eleito no segundo turno são mínimas, quem quiser que se iluda.

Como diz nosso amigo Pedro do Coutto, a “falsa esquerda” que o PT representou no teatro da política fortaleceu a direita de tal maneira no Brasil que os verdadeiros esquerdistas tiveram de submergir e vão demorar a voltar à tona, para dar seguimento ao bom combate preconizado pelo apóstolo Paulo.

É claro que há de chegar um dia em que direita e esquerda não existirão mais, porém isso só acontecerá quando o homem descobrir que a única coisa que interessa é fazer a coisa certa, ao estilo preconizado por Sidarta Gautama, o Buda, que nasceu 560 anos antes de Cristo.

###
P.S.A Bíblia é uma compilação de parte da cultura existente na época. Contém muitos ensinamentos de Buda, Sócrates e outros grandes pensadores antes de Cristo. (C.N.)

“A luta política deixa mágoas profundas” (que poderiam ser evitadas)

“A luta política deixa mágoas profundas” (que poderiam ser evitadas)

Resultado de imagem para radicalismo charges

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Antonio Rocha

Certa feita ouvi ou li o título acima e gravei. Desde então tenho acompanhado a assertiva e verifico, com tristeza, ser ela cada vez mais atual. Tenho 66 anos e constato que a atual eleição ganha disparada em matéria de intolerância partidária, ideológica e afins.

Noto que o Brasil está ficando dividido. Se antes a divisão era econômica, cultural, agora também é em outras áreas: laboral, educacional, familiar, religiosa e outras mais.

RADICALIZAÇÃO -Sou professor do Estado, na Baixada Fluminense e “acompanho” mais ou menos algumas famílias de colegas, alunos, funcionários e nunca presenciei, até então, o nível de raiva, discórdia e similares que vejo atualmente.

O mesmo presencio entre parentes e amigos virtuais em outros estados, nas chamadas redes sociais. Pessoas pedindo para serem cortadas/apagadas das listagens porque discordam da posição política do candidato que o outro defende.

Com frequência leio aqui na TI comentários dando a entender que todos ou quase todos os professores seguem o credo de Paulo Freire e são marxistas partidários. Não é verdade. O que esta eleição tem revelado é que os professores pensam muito diferentes entre si. Não há uma unanimidade ideológica/pedagógica.

SISTEMA WALDORF -De minha parte, esclareço que tenho simpatia pela Pedagogia Antroposófica, o sistema filosófico alemão de Rudolf Steiner chamado Waldorf. Com ingredientes do métodos inglês Summerhill e o português Escola da Ponte. As três aproximam-se da Pedagogia Zen-Budista.

Vou ilustrar o que escrevi o título. Uma determinada família da chamada classe média, na Baixada Fluminense, chegou às raias do radicalismo. O casal de idosos vota em Bolsonaro. A filha, o marido dela e a neta votam no PT. As provocações no Facebook foram tantas que mudaram de Estado (outros motivos contribuíram para a separação); bolsonaristas para um lado e lulistas para o outro. Não querem se ver, nem saber das respectivas caras.

TUDO PASSA – Budisticamente, eu então lembro que tudo passa, que tudo é impermanente, que tudo é ilusório. Mas pelo visto, a distância entre eles vai continuar, por causa da “mágoa” acima descrita. E sabemos que todos estes estados e estágios negativos fazem muito mal à saúde dos envolvidos.

Citei apenas um caso, mas conheço outros. Parece que é um carma negativo brabo do Brasil. Não estou defendendo nenhum dos dois lados da polêmica, mas sendo um seguidor da Filosofia Budista concordo com o Mestre Buda de que a razão, o equilíbrio, o discernimento está no meio, no centro. E as partes beligerantes devem sentar à mesa e conversar educadamente, sem paixões, assim a Nação ganha, caso contrário, todos perdemos.

Eleitor diz nas urnas que não suporta mais corrupção, violência e promessas

charge-opovo-140702

Charge do Rafael (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

O título representa, em síntese, os principais problemas que afetam a população e que são alvo de promessas vãs que atravessam o tempo mantendo o que o povo repudia, usando o engodo e a falsidade, que é a marca da velha política. Não quero dizer com isso que sou adepto da ilusão. Pelo contrário, o país chegou ao ponto que está em consequência da gigantesca corrupção que marcou os governos Lula, Dilma Rousseff e Michel Temer.

Primeiro o ex-presidente Lula fatiou as diretorias da Petrobrás, transferindo-a para as diversas bancadas no Congresso Nacional. Não precisava fazer nada disso para assegurar a maioria parlamentar. Dilma Rousseff, como não podia deixar de ser, pois era a sombra de Lula no Planalto, se omitiu concordando com a herança que lhe caiu nas mãos junto com a faixa presidencial. Do governo Michel Temer sequer vale a pena acentuar os erros e tropeços. Basta dizer que vários ministros seus foram acusados de corrupção.

EXEMPLO DE GEDDEL – O tesouro de Geddel Vieira Lima transforma-se numa síntese inultrapassável. Nas áreas urbanas, a violência é uma trágica situação. As promessas federais, estaduais e municipais chegaram a um ponto máximo de ilusão.

Contra tudo isso o povo deu a resposta irrecorrível nas urnas de domingo. Não estou querendo dizer que Jair Bolsonaro significa salvação e a direção correta das atuações do poder público. Ninguém vai cometer a ingenuidade de considerar possível uma mudança radical que envolva as questões políticas e administrativas.

Entretanto a esmagadora maioria do eleitorado vislumbrou no candidato do PSL uma saída a curtíssimo prazo. Não é nada disso. Mas o povo colocou seus votos nas urnas para responder à inércia, a omissão e o assalto aos cofres públicos. Mas temos que esperar o desfecho final no dia 28 de outubro. A resposta contra tudo isso foi dada há dois dias. Vamos ver o que vem pela frente.

Caso de Alexandre Frota mostra como os petistas podem ser preconceituosos

Resultado de imagem para alexandre frota eleito

Frota foi eleito deputado pelo partido de Bolsonaro

José Carlos Werneck

Os petistas estão criticando, através de postagens no Facebook, o agora deputado eleito Alexandre Frota, dizendo que ele foi motorista do aplicativo Uber. Nunca pensei que pessoas que se dizem defensoras das classes trabalhadoras fossem capazes defazer comentários elitistas como esses.

O desespero com a votação estrondosa de Jair Bolsonaro no primeiro turno e o desempenho sofrível de Fernando Haddad, o estafeta de Lula, está fazendo com que os petistas se deixem levar, cadavez mais, por um ódio e rancor sem limites. Logo eles, que classificavam seus oponentes de “preconceituosos e fascistas”.

É DEPRIMENTE – Que coisa mais feia e deprimente é debochar de alguém por desempenhar uma função que eles consideram menos nobre.

Realmente, esses petistas deveriam repensar o que disseram, num momento de ódio incontido. Poderiam criticar Alexandre Frota com outros argumentos, mas ironizar uma pessoa por desempenhar uma função digna e honesta, dando a entender, com deboche, que um motorista do Uber não pode ser deputado, é realmente um preconceito hediondo.

Num Brasil que teve a economia arrasada e em que o PT, chefiado por Lula, roubou tanto, existe hoje muita gente com curso superior completo que está trabalhando como Uber ou vendendo quentinhas para poder pagar suas contas no fim do mês.

Qualquer trabalho digno é honesto e deve ser respeitado. Feio é roubar, como fizeram Lula e vários de seus seguidores, enchendo os bolsos com recursos públicos, que eram do povo!

Ciro Gomes pretende que PDT declare apenas “apoio crítico” a Haddad

Resultado de imagem para ciro e lupi

Carlos Lupi diz que o PDT não tem outro caminho

Catarina Alencastro
O Globo

Depois de ficar em terceiro lugar na disputa presidencial, o candidato do PDT, Ciro Gomes, decidiu, ao lado do presidente da sigla, Carlos Lupi, defender que a posição do partido seja de declarar um “apoio crítico” ou “sem empenho” à candidatura do petista Fernando Haddad no segundo turno. O assunto foi objeto de uma conversa nesta segunda-feira, mas ainda será discutido em uma reunião da executiva do PDT com a participação dos parlamentares eleitos numa reunião em Brasília na próxima quarta-feira.

O apoio a Jair Bolsonaro (PSL) não será aceito dentro da legenda, podendo resultar em expulsão, mas quem ficar neutro não será punido.

ELEIÇÃO DE 2022 – O que Lupi e o próprio Ciro defendem é que a sigla não participe da campanha e nem aceite qualquer cargo no governo do PT, caso Haddad vença as eleições. Lupi defende inclusive que o PDT parta para a oposição em qualquer cenário a partir de janeiro de 2019 para que Ciro se posicione como uma alternativa para o Brasil nas eleições de 2022.

— Vamos discutir que tipo de apoio vamos dar a Haddad, um apoio crítico, sem participar do governo. Vamos cobrar alguns compromissos públicos do PT contra o aparelhamento do Estado. E no dia seguinte ao dia em que novo presidente for eleito, Ciro vai para a oposição e vai começar a campanha dele para 2022 — disse Lupi ao Globo.

UNIR O PDT – O presidente do partido admite que sua maior dificuldade será unificar os quadros da legenda em torno de uma posição pró-Haddad. Ele esclarece que defenderá uma adesão “sem empenho” ao petista. E diz que não obrigará ninguém a fazer campanha. Mas que não admitirá que nenhum membro do partido apoie a Bolsonaro.

— Minha grande dificuldade vai ser unificar a bancada. Mas eu confio no meu taco. Não vou exigir que ninguém abra o peito e entre no mar para defender o PT, mas não vou tolerar apoio a Bolsonaro. Boto para fora mesmo. Vou levar para a reunião minha posição, de que devemos dar um apoio sem empenho ao Haddad — afirmou Lupi.

FÃ DE LULA – O dirigente conta que recebeu no domingo uma ligação da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, mas não atendeu porque estava com Ciro, jantando após a divulgação do resultado. Lupi é fã declarado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem considera “um gênio”. Ele também simpatiza com Haddad, que seria, na sua avaliação, o único quadro do PT que não tem a “cara do PT tradicional”.

Sem abrir mão de seu jeito bonachão e bem-humorado, na entrevista ao GLOBO, realizada no lobby de seu hotel na manhã seguinte à apuração do resultado que botou Haddad e Bolsonaro no segundo turno, Lupi esboçava preocupação e dizia que era preciso entender o recado das urnas. “O PT vai ter que passar por uma catarse. Essa política do varejo, do toma lá dá cá esgotou-se” — pontuou.

Aliança de centro-esquerda não basta para vencer Bolsonaro, dizem analistas

Resultado de imagem para haddad CHARGESPatrícia Campos Mello , Joana Cunha e Flavia Lima
Folha

Para o candidato Fernando Haddad (PT), não será suficiente criar uma grande aliança democrática, aglutinando partidos de centro-esquerda, para ter alguma chance —pequena— de derrotar o líder Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno, afirmam cientistas políticos. Matematicamente, Haddad teria de herdar todos os votos de Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede) e Geraldo Alckmin (PSDB) para conseguir vencer no segundo turno, algo improvável.

Para cientistas políticos, a única maneira de uma coalizão derrotar o candidato do PSL, que venceu por uma margem de quase 20 pontos porcentuais, é tirar votos dele. “E, para isso, não adianta insistir em questões levantadas no primeiro turno, como oposição à tortura e importância da democracia. Isso não afeta o eleitor de Bolsonaro”, afirma a cientista política Flávia Biroli, professora da Universidade de Brasília.

DEFESA DOS DIREITOS – Seria necessário o PT investir na narrativa de retirada de direitos, como esboçado na polêmica do vice de Bolsonaro, general Hamilton Mourão, sobre o décimo terceiro salário. “É por aí que poderia haver algum desgaste para o capitão reformado”, diz Flávia.

No entanto, seria um movimento delicado porque, ao mesmo tempo que um ataque às políticas ultraliberais defendidas pela chapa de Bolsonaro ajudaria a tirar votos dele, o PT precisa fazer um exercício de conquistar o centro e o mercado financeiro com acenos para políticas macroeconômicas mais ortodoxas.

Entre economistas, é consenso de que Haddad teria que caminhar em direção ao centro. Espera-se alinhamento com Ciro Gomes (PDT) e parte de suas propostas. “Se radicalizar para o lado da esquerda, certamente vai perder”, diz o economista Nelson Marconi, da coordenação de campanha de Ciro.

EVANGÉLICOS – Um desafio será o movimento das igrejas evangélicas, que conseguiram mobilizar eleitores pró-Bolsonaro unindo a chamada teologia da prosperidade, que prega a ascensão social por mérito e empreendedorismo, aliada ao conservadorismo em costumes. “Certamente o ‘kit gay’ e outras questões de gênero ressurgirão com força”, diz a cientista política.

Para Flávia, o PSDB é o grande perdedor dessa eleição e o PT sai vitorioso, apesar da distância entre Haddad e Bolsonaro. “Mesmo após um processo de desmonte, Haddad teve 29%, ou seja, a transferência de intenções de voto de Lula para ele foi quase integral, considerando-se a margem de erro.”

LEI E ORDEM – Para o cientista político Fábio Wanderley Reis, professor emérito da UFMG, não se pode creditar totalmente ao antipetismo a enorme vantagem obtida por Bolsonaro. “Acredito que, nas camadas mais altas de renda, o antipetismo seja o principal motor para o apoio a Bolsonaro. E essas camadas influenciam camadas mais baixas”, diz. No entanto, na classe média e nas mais baixas, o principal é uma psicologia social de apoio ao discurso de lei e ordem, afirma Reis.

“Embora em tese as pessoas apoiem a democracia, como mostrou a pesquisa Datafolha desta semana, elas apoiam um conceito abstrato. Quando se pergunta como elas veem a tortura em delegacias e chacina de bandidos, o apoio é gigantesco. Indagados se um homem honesto e forte capaz de unificar o país substituiria partidos políticos, a grande maioria dirá que sim”, diz Reis. “Esse ideário fascista de bandido bom é bandido morto é o grande apelo de Bolsonaro.”

Flávia acredita que o salto nas pesquisas que Bolsonaro teve nos últimos dias foi devido ao antipetismo —quando Haddad começou a subir, muitos eleitores de Alckmin e Marina migraram para o candidato do PSL. “Mas existe um grande porcentual dos eleitores que vota em Bolsonaro porque ele conseguiu mobilizar suas inseguranças e frustrações.”

DIAS MELHORES? – No mercado financeiro, a vitória de Bolsonaro é considerada provável e festejada. Mas não é recebida pela maioria dos economistas como garantia de dias melhores. Existe uma preocupação sobre qual será a real chance de o economista Paulo Guedes emplacar a agenda de reformas de que o país precisa.

“O mercado financeiro acordou de bom humor, animadíssimo com a liderança de Bolsonaro, mas vai ser uma vitória de Pirro”, diz Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados. “Continuo achando que Paulo Guedes e a agenda dele não serão longevos”, diz Vale, para quem Bolsonaro e seu economista teriam um “diálogo de surdos”.

Para a economista Alessandra Ribeiro, sócia da consultoria Tendências, o mercado vai receber bem o resultado do primeiro turno, com forte liderança do candidato Jair Bolsonaro (PSL), e deve haver alta dos preços dos ativos de modo geral.

QUADRO DIFÍCIL – No entanto, a situação econômica sera difícil em 2019 e a necessidade de reformas “deve colocar uma faca no pescoço do futuro presidente”, diz a economista. Ela acha que o candidato que sair vencedor deve apresentar uma reforma da Previdência.

A cientista política Marta Arretche, professora titular da Universidade de São Paulo (USP), afirma que Bolsonaro será obrigado a explicitar suas posições em temas macroeconômicos cruciais, pela primeira vez.  “Até agora, ele só foi o candidato anti alguma coisa – anti-PT, anticorrupção, antiviolência. Agora, terá de explicar, por exemplo, como irá manter a política de salário mínimo e, ao mesmo tempo, equacionar a Previdência? Como vai promover o equilíbrio das contas públicas que vem prometendo?”

Na festa da democracia, é preciso ter cuidado com discursos mais exaltados

Resultado de imagem para radicalismo charges

Charge do Nani (nanihumor.com)

Hélio Schwartsman
Folha

Em tempos mais normais, uma coluna a ser publicada sobre eleições gerais exaltaria a festa democrática. Como não vivemos tempos normais, vejo-me compelido a escrever sobre riscos institucionais. A crer nos discursos mais exaltados, depois de hoje estaremos reduzidos a escolher se enterraremos a democracia elegendo Bolsonaro ou nos tornaremos uma Venezuela optando por Haddad. Cuidado com os discursos mais exaltados.

Não se trata, é claro, de ignorar os alertas. Bolsonaro já deu inúmeras declarações que escancaram seu descompromisso para com a democracia e os direitos humanos. Não é absurdo, portanto, imaginar que, uma vez alçado ao poder, ele dê início a uma escalada autoritária.

DENTRO DAS REGRAS – Seu plano econômico é pouco consistente e Bolsonaro parece completamente despreparado para o cargo. Por mais que alguém odeie o PT, é preciso uma coragem meio suicida para apertar o número 17 na urna.

Só que não podemos tomar o que é uma possibilidade — a erosão da democracia sob seu governo — como uma certeza. Apesar do discurso radical e irresponsável, concretamente Bolsonaro nada fez que possa ser descrito como uma violação às regras democráticas. E, enquanto não fizer, precisa ser aceito como um participante legítimo do jogo.

JUS SPERNIANDI – Quanto a Haddad e o PT, se o passado vale alguma coisa, eles já foram aprovados no teste da democracia. O partido teve uma presidente destituída e seu líder máximo preso e em nenhum momento deixou de acatar as regras, ainda que fazendo uso liberal do “jus sperneandi”, o direito de espernear.

O problema com o PT é que ele parece invulnerável ao aprendizado econômico. Seu programa insiste em algumas das teses que, sob Dilma, produziram a megarrecessão. Nossa melhor esperança é que o programa não seja para valer. Haddad já deu alguns sinais de que, no poder, caminharia mais para o centro. É duro que tenhamos de torcer por mais um estelionato eleitoral.

Bolsonaro larga forte para segundo turno mas agora terá que se expor

Resultado de imagem para bolsonaro

Jair Bolsonaro agora terá de detalhar seu programa

Paulo Celso Pereira
O Globo

O deputado Jair Bolsonaro chega ao segundo turno em situação numericamente muito semelhante à do ex-presidente Lula em 2006, quando, disputando a reeleição, teve 48,6% dos votos no primeiro turno. Há, no entanto, algumas diferenças. Ao contrário do que ocorria com o petista 12 anos atrás, a trajetória do candidato do PSL é claramente ascendente nas pesquisas, ainda que seus admiradores saiam frustrados por não terem conseguido encerrar a fatura neste domingo.

Por outro lado, ele terá agora que se expor e dizer claramente o que pretende fazer caso seja eleito, tarefa da qual foi dispensado no primeiro turno em função do pouco tempo de TV e do atentado que sofreu.

POLARIZAÇÃO – O segundo turno entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad deve levar a uma polarização ainda maior da campanha eleitoral. As fake news divulgadas nas últimas semanas, e intensificadas neste domingo, são só o prenúncio do que pode se tornar a disputa presidencial deste ano.

A tendência é que os eleitores votem mais por rejeição a um dos nomes do que por alinhamento com o outro. Todas as pesquisas feitas nos últimos dias mostram que os índices de rejeição de ambos candidatos eram maiores do que seus apoios.

O PT, que temia uma onda de última hora de Ciro Gomes, respira aliviado e precisa se reorganizar para uma longa caminhada na nova etapa. De cara, a tendência é buscar o apoio de Ciro e de outros políticos relevantes, na tentativa de reduzir sua rejeição e se mostrar como um nome amplo.

ANTIPOLÍTICA – No campo oposto, é provável que Bolsonaro opte por seguir navegando onde é melhor: na antipolítica.

O resultado deste primeiro turno deixa claro que em nenhum momento se deu de fato uma onda relevante pró-Ciro Gomes ou em nome de outro candidato que quebrasse essa polarização. Geraldo Alckmin exibe o pior resultado da história do PSDB, o que obrigará a uma reorganização profunda do partido.

Por fim, é estarrecedor o resultado de Marina Silva. Após figurar com cerca de 20% dos votos por duas eleições seguidas, ficou atrás de nanicos João Amoêdo, Cabo Daciolo e Henrique Meirelles.

Novato, Witzel deixou salário de juiz (R$ 29 mil) para disputar eleição no RJ

Resultado de imagem para wilson witzel

Witzel largou a carreira de juiz federal e se deu bem 

Deu no Correio Braziliense
(Agência Estado)

Azarão na disputa pelo governo do Rio, o ex-juiz federal Wilson Witzel (PSC) deixou em março a magistratura e um salário bruto de R$ 29 mil para participar da disputa. Centrou sua campanha em dois pilares: o combate à corrupção e à criminalidade, temas caros aos fluminenses, que têm um ex-governador (Sérgio Cabral Filho, do MDB) preso e há décadas enfrentam a violência urbana.

Nas duas semanas antes da eleição, cumpriu compromissos eleitorais na Baixada Fluminense, com Flávio Bolsonaro, filho do presidenciável Jair Bolsonaro eleito senador no domingo.

SUA CARREIRA – Witzel é um servidor público com passagens pela Marinha, como oficial, pelo Instituto de Previdência do Município do Rio (Previ-Rio) e pela Defensoria Pública. É professor e ex-presidente da Associação dos Juízes Federais do Rio e do Espírito Santo, com carreira na Justiça Federal por 17 anos, tendo participado de casos de repercussão, como o do propinoduto

Apresentando-se como alguém que “deixou de ser excelência para se juntar ao povo”, o candidato do PSC defende a criação de uma força-tarefa contra o narcotráfico e as milícias, sob a lógica que norteou a Polícia Federal na Lava Jato, de rastreamento do dinheiro lavado e de monitoramento telefônico, além de um endurecimento contra traficantes.

Para ele, quem estiver portando fuzil num eventual governo seu será “abatido”, por representar um “risco iminente”. “A polícia não age porque não há cobertura jurídica”, declarou durante a campanha.

O ex-juiz federal mora no Grajaú, bairro de classe média na zona norte do Rio e durante toda a campanha pôde ser visto tomando café da manhã em uma das mesas simples da padaria Joia do Grajaú Esse foi o seu programa no domingo, depois de votar com a família no Grajaú Country Club, a poucos metros dali.

FOI SURPRESA – O primeiro turno para o governo do Rio teve um resultado inesperado, que as pesquisas não foram capazes de antecipar. Witzel, que começou a campanha como um desconhecido, mal pontuando nos levantamentos, alcançou 41,28% dos votos válidos após declarar apoio ao presidenciável Jair Bolsonaro. Já o ex-prefeito da capital Eduardo Paes (DEM), líder de todas as sondagens até a véspera, chegou em segundo lugar, com 19,56%.

Tarcísio Motta (PSOL) recebeu 10,72% dos votos e Romário (Podemos), 8,70%. A abstenção foi de 23,60%. Nulos somaram 12,72% e brancos, 5,70%. Os votos em Anthony Garotinho (PRP), que estava em segundo lugar nas pesquisas e teve a candidatura barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não foram computados.

Witzel apresentou-se ao eleitor como um político não profissional, mas com experiência no combate à corrupção e à criminalidade. São dois temas centrais desta corrida ao Palácio Guanabara, por causa do escândalo de cobrança de propinas do ex-governador Sérgio Cabral Filho (MDB) – preso desde novembro de 2016 e condenado a mais de 100 anos de prisão – e da situação caótica da segurança, com números recordes de homicídios, até mesmo os cometidos pela polícia.

COM JUÍZO – Com o slogan “mudando o Rio com juízo”, o ex-juiz se beneficiou da condição de outsider, sem rejeição nem máculas na carreira. Ele tem 50 anos, é de Jundiaí (SP) e mora no Rio desde os 19 anos. Começou a campanha quase sem intenções de voto, chegou ao sexto lugar nas pesquisas duas semanas atrás, e na última sondagem, divulgada no sábado, alcançou o segundo lugar após declaração de voto em Bolsonaro.

No debate da TV Globo da última terça-feira, colocou-se não só como eleitor de Bolsonaro, mas seu “amigo pessoal”. “A minha ideologia sempre foi de direita. Não ia ser diferente na minha caminhada para governador.”

MAIS PREPARO – Em entrevista após o resultado, Witzel disse que está pronto para governar o Estado. “A população demonstrou que quer combater a insegurança, a corrupção, quer mais saúde”, afirmou. “No segundo turno vamos ter mais oportunidades. Os debates foram importantes para que a população identificasse quem tem mais preparo.”

Paes, que liderava as pesquisas, sofreu por sua aliança antiga com Cabral, que foi relembrada todo o tempo pelos rivais. Também foram aventados problemas em obras públicas em sua gestão na prefeitura.

Condenado no ano passado por abuso de poder econômico e político na eleição municipal de 2016, ele concorre graças a uma liminar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGWitzel é um homem de coragem e arriscou sua vitoriosa carreira de juiz federal. Caso perdesse a eleição, hipótese hoje bastante remota, ele iria começar tudo de novo, desta vez como advogado e já tinha até acertado ser sócio de uma banca de advogados no Centro do Rio, sediada na Avenida Nilo Peçanha. Como dizia Ibrahim Sued, em sociedade tudo se sabe. (C.N.)

Envolvidos na Lava-jato, Raupp, Jucá, Eunício e Lindbergh perdem a eleição

Resultado de imagem para jucá

Jucá perdeu por apenas 500 votos

Luciano Ferreira
O Globo

A maioria dos senadores que tentaram reeleição, como Cristovam Buarque (PPS-DF), perdeu a disputa. Dos nove senadores citados na Lava-Jato que tentaram a reeleição neste ano, três deles conseguiram a vaga. Ciro Nogueira (PP) e Humberto Costa (PT) lideraram as votações no Piauí e em Pernambuco, respectivamente, enquanto que Renan Calheiros (MDB) ficou com a segunda vaga em Alagoas.

Já Eunício Oliveira (MDB-CE) e Romero Jucá (MDB-RR) ficaram em terceiro em seus estados , perdendo, portanto, a vaga no senado. Ambos tiveram menos de 0,5% de diferença para os que conquistaram a segunda vaga, Eduardo Girão (PROS- CE) e Mecias de Jesus (PRB-RR), respectivamente. Garibaldi Alves Filho (MDB-RN), Lindbergh Farias ()PT-RJ) e Edison Lobão (MDB-MA) ocuparam a quarta posição em seus estados, enquanto Valdir Raupp (MDB-RO) ficou apenas em sexto.

Além destes, outros três citados na operação se candidataram à Câmara: Aécio Neves (PSDB), que foi o 19º mais votado e eleito em Minas Gerais; Gleisi Hoffmann (PT), terceiro mais votada e eleita pelo Paraná; e José Agripino Maia (DEM), que foi o décimo mais votado no Rio Grande do Norte, mas ficou de fora, pois apenas são oito eleitos no estado.

OS ELEITOS – Veja os senadores eleitos em todos os estados e no Distrito Federal.

Acre: Petecão (PSD) e Márcio Bittar (MDB); Alagoas: Rodrigo Cunha (PSDB) e Renan Calheiros (MDB); Amapá: Randolfe Rodrigues (REDE) e Lucas Barreto (PTB); Amazonas: Plinio Valério (PSDB) e Eduardo Braga (MDB); Bahia: Jaques Wagner (PT) e Angelo Coronel (PSD); Ceará: Cid Gomes (PDT) e Eduardo Girão (PROS); Distrito Federal: Leila do Vôlei (PSB) e Izalci (PSDB); Espírito Santo: Fabiano Contarato (REDE) e Marcos do Val (PPS); Goiás: Vanderlan (PP) e Jorge Kajuru (PRP); Maranhão: Weverton (PDT) e Eliziane Gama (PPS); Mato Grosso: Selma Arruda (PSL) e Jayme Campos (DEM); Mato Grosso do Sul: Nelsinho Trad (PTB) e Soraya Thronycke (PSL); Minas Gerais:  Rodrigo Pacheco (DEM) e Carlos Viana (PHS); Pará:  Jader Barbalho (MDB) e Zequinha Marinho (PSC); Paraíba: Veneziano (PSB) e Daniella Ribeiro (PP); Paraná:  Profº Oriovisto (PODE) e Flávio Arns (REDE); Pernambuco: Humberto Costa (PT) e Jarbas Vasconcelos (MDB); Piauí: Ciro Nogueira (PP-PI) e Marcelo Castro (MDB); Rio de Janeiro: Flávio Bolsonaro (PSL) e Arolde de Oliveira (PSD); Rio Grande do Norte: Capitão Styvenson (REDE) e Dra. Zenaide Maia (PHS); Rio Grande do Sul: Luiz Carlos Heinze (PP) e Paulo Paim (PT); Rondônia: Marcos Rogério (DEM) e Confúcio Moura (MDB); Roraima: Chico Rodrigues (DEM) e Mecias de Jesus (PRB); Santa Catarina: Espiridião Amin (PP) e Jorginho Mello (PR); São Paulo: Major Olimpio (PSL) e Mara Gabrilli (PSDB); Sergipe: Alessandro Vieira (REDE) e Rogério Santos (PT); Tocantins:  Eduardo Gomes (SD) e Irajá (PSD)

Ascensão de Bolsonaro cria um clima favorável a ele no segundo turno

Imagem relacionada

Fotocharge reproduzida do Arquivo Google

Merval Pereira
O Globo

A vitória de Jair Bolsonaro com uma grande distância para Fernando Haddad sinaliza que o candidato entrará no segundo turno em posição de vantagem, embora todos considerem essa uma nova eleição. Mas quando um candidato sai do primeiro turno em ascensão, o clima que se cria em torno dele é favorável a novas adesões, e as negociações políticas beneficiam o vencedor.

Por isso, nunca um candidato que entrou no segundo turno na dianteira da disputa presidencial deixou de se eleger. Foi assim com o ex-presidente Lula, que não ganhou eleições no primeiro turno – em 2006 chegou a ter 49% -, mas sempre saiu vencedor com cerca de 60% dos votos no segundo turno, contra candidatos do PSDB.

TAREFA DIFÍCIL – Desta vez, o candidato petista Fernando Haddad terá que reverter bem mais votos do que os adversários do PT nas vezes anteriores, uma tarefa mais difícil do que a do tucano Aécio Neves em 2018, por exemplo, que terminou o primeiro turno com 33,55%, contra 41,59% de Dilma, e conseguiu no segundo turno 48,36%, contra 51,64%, perdendo por pouco.  Haddad, hoje, termina com menos votos do que Aécio teve no primeiro turno em 2014, e Bolsonaro quase venceu agora.

A união dos opostos será feita neste segundo turno à força, pois no primeiro as legendas de esquerda e de centro se dispersaram entre várias candidaturas. A questão é saber quão unidos estarão neste segundo turno, e quem terá mais condições de atrair votos do centro político.

FALTA DE OPÇÕES – Haddad, pelas pesquisas, é capaz de levar a maioria dos votos de Ciro, Marina e Alckmin, mas não o bastante para se contrapor a Bolsonaro, que atrairá, até mesmo por falta de opções, o eleitorado de centro-direita espalhado entre candidaturas nanicas de Álvaro Dias, Meirelles, João Amoedo, além da parte minoritária de Alckmin e Ciro.

A impossibilidade de escolha, no entanto, pode gerar um índice maior de votos brancos, nulos e da abstenção neste segundo turno, o que facilitará a vida dos candidatos, especialmente do que está na frente, pois precisarão de menos votos válidos para se eleger.