Augusto Heleno é visto como “aéreo” e militares pressionam por prisão domiciliar

PSD de Kassab rompe acordo e desafia PT na disputa por vagas no TCU

Extradição de Zambelli avança na Itália sob pressão diplomática

João Cabral de Melo Neto e o simbolismo do reinício que o Natal propicia

A vida não se resolve com palavras. João Cabral de Melo Neto - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

O diplomata e poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto (1920-1999), no poema “Cartão de Natal”, mostra o simbolismo do reinício da vida que todo Natal propicia.

CARTÃO DE NATAL
João Cabral de Melo Neto

Pois que reinaugurando essa criança
pensam os homens
reinaugurar a sua vida
e começar novo caderno,
fresco como o pão do dia;
pois que nestes dias a aventura
parece em ponto de voo, e parece
que vão enfim poder
explodir suas sementes:

Que desta vez não perca este caderno
sua atração núbil para o dente;
que o entusiasmo conserve vivas
suas molas,
e possa enfim o ferro
comer a ferrugem,
o sim comer o não.

Operação da PF atinge alta cúpula da Previdência e liga ex-assessor de Weverton Rocha a esquema no INSS

Número 2 da Previdência é alvo de operação da PF

Eduardo Gonçalves
Sarah Teófilo
O Globo

O secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, Adroaldo da Cunha Portal, foi alvo de mandado de prisão domiciliar nesta quinta-feira, durante operação da Polícia Federal que apura um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O cargo exercido por ele é o de número dois da pasta, abaixo apenas do ministro.

Além de Portal, o senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo no Senado, foi alvo de um mandado de busca e apreensão, enquanto o advogado Eric Fidelis, filho do ex-diretor do INSS André Fidelis, e Romeu Carvalho Antunes, filho do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, foram presos preventivamente.

INFLUÊNCIA – O senador tinha influência sobre a indicação de cargos no Ministério da Previdência e no INSS. Em 2019, Adroaldo ocupava um cargo de assessor comissionado no gabinete de Rocha. O parlamentar também foi o responsável pela nomeação de André Fidelis para a diretoria de Benefícios do INSS, em 2023. O ex-diretor foi preso na última fase da Operação Sem Desconto, deflagrada em novembro.

A PF cumpre ao todo 52 mandados de busca e apreensão e 16 de prisão preventiva no Distrito Federal, Maranhão, estado do senador, São Paulo, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Minas Gerais.

DADOS FALSOS – Segundo a PF, as ações buscam aprofundar as investigações e “esclarecer a prática dos crimes de inserção de dados falsos em sistemas oficiais, constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário e atos de ocultação e dilapidação patrimonial”. A operação está sendo feita em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU).

Em maio, O Globo mostrou que um dos principais personagens do escândalo das fraudes no INSS, o “Careca do INSS”, esteve na casa do senador, em Brasília, durante um “costelão” (churrasco de costela). Os dois também já se encontraram no Senado. Dados sobre os gabinetes visitados por Antônio Antunes foram solicitados, mas o Senado, presidido por Davi Alcolumbre (União-AP), nunca autorizou passá-los.

Moraes silencia sobre os 129 milhões, porque não tem como se defender

Contrato do Master com escritório de mulher de Moraes era de R$ 129 milhões - Rádio Itatiaia

Moraes e a mulher Viviane foram apanhados em flagrante

Mario Sabino
Metrópoles

O Supremo Tribunal Federal tem moleques de recados na imprensa. Quer dizer, alguns ministros do STF os têm, aqueles lá que se acham acima do bem e do mal. O recado mais recente vem sendo endereçado ao presidente da corte, Edson Fachin. Aqueles ministros lá mandaram os seus moleques de recado na imprensa dizer que o código de conduta que ele está elaborando, baseado na experiência alemã, não vai contar com a aprovação da maioria dos integrantes do tribunal e que, portanto, é bom Fachin deixar de história.

Para torpedear a iniciativa muito bem-vinda por todos os que, de fato, prezam a instituição, aqueles ministros lá justificam que esta não é uma boa hora, porque o código de conduta pode fragilizar a imagem do tribunal, expondo conflitos entre os ministros no momento em que é preciso mostrar coesão após a reação ao 8 de Janeiro e a condenação de Jair Bolsonaro.

AÇÃO SANEADORA – Francamente, é falta de pudor tentar fazer crer que uma ação saneadora levada a cabo internamente poderia enfraquecer o STF. É justamente o contrário: mostraria que o tribunal está consciente das barbaridades éticas cometidas por alguns ministros e que é forte o suficiente para enquadrá-los por meio de um mecanismo de autocontrole.

Há seis anos, desde a abertura do inquérito das fake news, o tribunal atropela a Constituição que deveria defender, e ministros seus, aproveitando-se do status autoconferido de paladinos da democracia, sentem-se cada vez mais livres para buscar e defender interesses pessoais, de amigos ou de amigos dos amigos.

O caso do Banco Master é o mais escandaloso nesse sentido. Há exatamente uma semana, por exemplo, publicou-se a notícia espantosa de que o escritório de advocacia da mulher de Alexandre de Moraes firmou um contrato de R$ 129,6 milhões com o banco, cujo escopo levanta uma miríade de indagações.

SEM RESPOSTA – Elas, ao que parece, ficarão sem resposta, e não apenas porque a imprensa, cheia de moleques de recado, mostra pouco interesse em investigar. Tão inacreditável quanto a quantia multimilionária é o silêncio sepulcral do ministro sobre o assunto, como se ele não tivesse satisfação a dar à sociedade.

É por causa desse tipo de situação que Luiz Edson Fachin vê a necessidade da adoção de um código de conduta. Só quem tem conduta discutível tem motivo para ser contra.

Lula amplia vantagem e Flávio lidera entre adversários, mas sem ameaçar petista

Se o STF cumprisse as leis, não seria necessário o projeto sobre dosimetria

A polêmica em torno da mulher que virou símbolo de movimento por anistia do 8/1 | VEJA

Com punir com 14 anos de prisão a mulher do batom?

Fernando Schüler
Estadão

Poucas palavras são tão brasileiras como gambiarra. O gato, o jeito, o puxadinho. Pode ser aquele emaranhado de fios nas ruas de São Paulo. Ou leis costuradas em algum “acordão” no Congresso. O PL da Dosimetria é isso. Uma gambiarra.

Ele mexe nos dispositivos do Código Penal sobre crimes contra o Estado de Direito — introduzidos há poucos anos — e também na Lei de Execução Penal. E faz isso evitando tratar a coisa toda pelo nome: uma anistia branda para os condenados da “trama golpista”.

PELA METADE – Leio um texto dizendo que o PL seria um “abuso de poder legislativo”, visto que se estaria mudando leis para driblar decisões da justiça. Algo como os líderes do PCC serem julgados por seus crimes, e por alguma razão arranjarem uma maioria no Congresso para mudar a lei penal a seu favor.

 O raciocínio é ótimo, mas fica pela metade. A forma como estes julgamentos foram conduzidos foi igualmente uma gambiarra. Ou alguém acha que julgar pessoas sem “foro privilegiado” diretamente no Supremo não é um tipo de puxadinho? E as condutas não individualizadas, no 8 de janeiro?

E o rapaz da bola do Neymar condenado a 17 anos, a moça do batom, a 14 anos? Muita gente acha que isso não faz sentido por um argumento algo metafísico: o Supremo não poderia ser criticado, dado que é a “última instância”. E que lei mesmo, de verdade, é o que ele diz, e não o que está escrito na Constituição. E que contestar estas coisas é andar na fronteira da ilegalidade.

SEM CRÍTICAS – Dias atrás um leitor me escreveu que já era hora de mandar para o xilindró esses jornalistas que andam criticando o Supremo. Perfeito. Talvez seja o passo que está faltando para o País se tornar, finalmente, uma verdadeira democracia.

O resumo da ópera é que temos gambiarras de um e outro lado. Algo como: a lei diz que a competência de impeachments de ministros do STF é “privativa” do Senado.

Mas porque não colocar a PGR por ali, como filtro? E quem sabe dar uma ajustada no quórum, para dois terços, para admitir o processo?

GAMBIARRA-MÃE – Vale o mesmo para nossa gambiarra-mãe, os “inquéritos” sobre fake news e assemelhados.

A fantástica saga hermenêutica brasileira que converteu um comando do regimento interno do Supremo para investigar delitos na “sede” da Corte em uma espécie de mandato universal e quiçá interplanetário para salvar a democracia, com direito a investigar Elon Musk, mesmo que ele fuja para Marte.

O Brasil deveria dar um tempo.

SEM DOSIMETRIA –  Nenhuma “dosimetria” seria necessária se o que diz a lei tivesse sido seguido, na investigação e punição daquelas pessoas, desde o início. Das minhas leituras do grande James Madison, aprendi que a República e as leis foram feitas porque os homens não são anjos. De modo que é preciso limitar o poder.

A gambiarra é o inverso disso: a lógica do poder sem limites. A captura do poder pela quebra do direito. O que muitas vezes chamei de governo dos homens, ao invés do governo das leis. É uma lógica sedutora, na guerra política, mas péssima para o País.

De minha parte, não quero viver em uma gambiarra, e sim em uma república. Mas desconfio que não seja esta a forma de pensar de quem anda à frente de nossas instituições, nos dias que correm.

Senado aprova projeto que reduz penas de Bolsonaro e condenados golpistas

Atenção! Pesquisas vão “inflar” Flávio, o candidato que mais interessa a Lula

Charge do JCaesar: 8 de dezembro | VEJA

Charge do JCaesar VEJA

Carlos Newton

Como acontece em toda fase que antecede a eleição, este é o momento ideal para manipular resultados e sugerir tendencias que possam influenciar não somente os eleitores, mas também os partidos e a próprio escolha dos candidatos. Assim, não se surpreendam se a partir de agora os levantamentos passem a inflar o nome de Flávio Bolsonaro, para que ele seja o principal candidato da direita.

O raciocínio do presidente Lula da Silva e da cúpula do PT é cartesiano. Sabem que a direita pode derrotá-los com facilidade caso se junte ao centro em torno da candidatura do governador paulista Tarcísio de Freitas, do Republicanos. E sabem também que o nome de Flávio Bolsonaro não agrega, por falta de competência e carisma.

ESTRATÉGIA – Diante dessa realidade eleitoral, Lula e o PT entendem que a estratégia mais acertada é ajudar a consolidar a candidatura de Flávio Bolsonaro, porque isso fará com que Tarcísio de Freitas desista de concorrer à Presidência e prefira a reeleição como governador de São Paulo, que seria garantida, sem correr riscos.

Assim, é preciso apregoar que Flávio seria o mais forte concorrente da direita, para que ele seja confirmado pelo PL e entusiasme os bolsonaristas, transformando num fato consumado sua candidatura pelo PL. Em tradução simultânea, é hora de investir nas pesquisas eleitorais, para fortalecer o filho Zero Um de Bolsonaro.

Assim, a partir de agora é preciso encarar com muitas restrições os resultados das pesquisas eleitorais que estão registrando um impressionante crescimento de Flávio Bolsonaro, como a Genial/Quaest divulgada nesta terça-feira (16), o primeiro levantamento do instituto após o filho mais velho do ex-presidente se lançar como pré-candidato à Presidência.

EMPATA COM O PAI – Nos cenários espontâneos (com a pergunta: “Em quem você vai votar?”), Lula tem 20% das intenções de voto, Jair Bolsonaro tem 5% das intenções de voto. Flávio tem os mesmos 5%. Outros 65% se dizem indecisos.

A Quaest fez diferentes cenários eleitorais estimulados, dependendo de governadores de direita que podem se lançar candidatos à Presidência, como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), Romeu Zema (Novo-MG) e Ratinho Jr. (PSD-PR). Em todos eles, Flávio fica em segundo lugar, atrás apenas de Lula.

Ao mesmo tempo, Flávio aumentou sua rejeição nos últimos meses. Segundo a pesquisa de dezembro, 60% o conhecem e não votariam nele, enquanto 28% dizem que conhecem e votariam. Em agosto, 22% diziam que conheciam e votariam nele, enquanto 55% o conheciam e não votariam nele.

###
P.S.
As perguntas que não querem calar são as seguintes: Como um candidato pode ter forte crescimento nas pesquisas, se a sua rejeição está aumentando? Quem pode acreditar numa bobajada dessas? (C.N.)

Moraes indica prisão da Colmeia como destino de Zambelli em caso de extradição

Centrão reage a operações da PF, culpa governo Lula e ameaça retaliar no Congresso

Justiça espanhola barra pedido do Brasil e nega extradição do Oswaldo Eustáquio

Está faltando um Big Brother político que espalhe câmeras por todo canto

Nossa política virou um Big Brother Brasil | Jusbrasil

Charge reproduzida do Google

Vicente Limongi Neto

Muito bom o artigo do jornalista Patrick Selvatti (Correio Braziliense – 15/12), anunciando a chegada do próximo Big Brother Brasil. Segundo Patrick, haverá uma casa de vidro, com candidatos ao BBB no Conjunto Nacional. O povo precisa de mais e frequentes casas de vidro, exorta Patrick.

O cotidiano do brasileiro clama por mais câmeras, espiando e fiscalizando o que homens públicos fazem e produzem em benefício do Brasil e dos brasileiros. Os resultados não seriam nada agradáveis.

MAIS CÂMERAS – O BBB da Globo durante meses isola candidatos. Ávidos por vultuoso prêmio. Nessa linha, imagens pouco republicanas escandalizariam a nação, se existissem câmeras do BBB em ministérios, em palácios de governos estaduais, na Esplanada, no Congresso Nacional e no Judiciário.

Patrick é feliz, implacável e irretocável quando analisa que “a casa de vidro, montada diante da Esplanada, funciona como espelho involuntário de uma verdade incômoda: a verdadeira casa mais vigiada do país ainda não é vigiada o suficiente. Enquanto isso não mudar, o Brasil seguirá assistindo à política como quem assiste um reality. Perplexo, indignado, mas quase sempre sem poder apertar o botão do paredão”.

PALANQUE VIRTUAL – Penas exageradas, absurdas, injustas ou não, para apenados do 8 de Janeiro, servem de palanque eleitoreiro para políticos obscuros, desagradáveis, deploráveis e cansativos. Só faltam chorar na gravata e nos microfones. 

Alguns, ainda mais demagogos, mostram cartas que recebem de familiares dos presos e condenados pelo Supremo Tribunal Federal. Como bem disse o isento, sereno e capacitado Alessandro Vieira, senador do MDB, os parlamentares usam e abusam das reclamações e das tristezas das famílias dos presos, como massa de manobra para tentarem sucesso nas urnas de 2026.

Queda da Lei Magnitsky fortalece Lula e aprofunda divisões na direita

Centrão, agro e evangélicos resistem a Flávio Bolsonaro e Tarcísio avança

Charge do José Casado (Revista Veja)

Luísa Marzullo
O Globo

Alvo de resistência por parte de caciques do Centrão, a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto também enfrenta percalços nos principais setores que deram sustentação ao governo do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Representantes do agronegócio, líderes evangélicos e integrantes da bancada da segurança pública colocam em dúvida a capacidade eleitoral do parlamentar para impedir a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e indicam ver o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como nome mais bem posicionado para reorganizar a direita na disputa do ano que vem.

PRAZO – Interlocutores desses setores afirmam, porém, que é preciso dar um prazo para que o senador possa testar sua viabilidade política. A avaliação é de que, se Flávio não conseguir agregar apoios em dois meses, é necessário deixar o caminho livre para outro nome. Procurado, o parlamentar não se manifestou.

Flávio anunciou sua entrada na corrida eleitoral em 5 de dezembro como uma escolha do pai, que, apesar de preso, é quem continua a definir os rumos de seu grupo político. A indicação do filho como sucessor, sem consulta prévia a outros líderes da direita, não foi bem recebida por presidentes de partidos como União Brasil, PP e Republicanos, que já haviam indicado a intenção de se unir em uma candidatura de oposição ao PT em 2026.

CONTENÇÃO –  A leitura entre líderes desses partidos do Centrão e de integrantes da chamada bancada “BBB” — Boi, Bíblia e Bala — é que o movimento de Bolsonaro de lançar o filho como candidato teve como objetivo impedir que Tarcísio avançasse como nome alternativo ao seu, enquanto está impedido de atuar politicamente. Condenado a 27 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes, o ex-presidente mantém esperanças de conseguir uma anistia e escapar da pena para voltar a se candidatar. Flávio, na visão desse grupo, seguraria a vaga para o pai.

A avaliação foi reforçada após Flávio declarar, na semana passada, que sua candidatura tinha “um preço”, indicando que poderia retirá-la em troca do perdão jurídico a Jair. Depois, porém, mudou o discurso para dizer que a entrada na disputa era “irreversível”, mas aliados têm alertado sobre as dificuldades que enfrentará para que a postulação se sustente até a campanha eleitoral.

Um dos exemplos é a falta de apoio entre representantes do agronegócio. Nomes do setor afirmam que Flávio é visto como figura lateral, sem atuação consistente em agendas consideradas prioritárias pelo grupo, como crédito rural, regularização fundiária e abertura de mercados.

SERVIÇOS PRESTADOS – Já Tarcísio é apontado como alguém com serviços prestados na área. Quando foi ministro da Infraestrutura de Bolsonaro, foi responsável, entre outras medidas, por apresentar o Plano Nacional de Logística à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Além disso, como governador, acelerou um programa de regularização fundiária que negociou terras públicas com descontos e agradou ao setor.

Para Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), vice-presidente da FPA, o governador paulista já era percebido como “opção natural” ao Planalto muito antes de o senador se colocar no tabuleiro eleitoral:

— Acho que os setores produtivos pressionarão para que o Tarcísio lance a candidatura. Flávio vai andar no bolsonarismo, sem apoio dos outros segmentos. Tarcísio tem trajetória no agro. Já Flávio é um total desconhecido.

POLÍTICA DO PAI – Para se contrapor a esse discurso, Flávio tem procurado empresários do ramo e integrantes da bancada para dizer que seguirá a política do governo do pai, que interrompeu assentamentos de sem-terra, por exemplo.

— Flávio tem o legado do pai, a experiência no Senado e boa formação. São credenciais que devem ser usadas para abrir portas — pondera Evair de Melo (PP-ES), deputado mais ligado ao bolsonarismo.

PREFERÊNCIAOs primeiros levantamentos eleitorais divulgados após o anúncio da pré-candidatura de Flávio demonstram a preferência do eleitorado de direita por outros nomes. Mesmo entre evangélicos, segmento em que o bolsonarismo se sai melhor, é a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro quem aparece à frente, segundo pesquisa Ipsos/Ipec divulgada na semana passada.

Enquanto Lula lidera com 38% no total do eleitorado, seu desempenho cai para 26% entre evangélicos. Nesse recorte, o petista fica numericamente atrás de Michelle, que concentra 32% das intenções de voto e aparece como o nome mais competitivo da família Bolsonaro junto aos fiéis.

No cenário em que Flávio é testado como herdeiro político do pai, o senador sobe de 19% no agregado para 25% entre evangélicos, resultado que o coloca em empate técnico com Lula, mas ainda abaixo do desempenho de Michelle, reforçando a leitura de líderes religiosos de que é a ex-primeira-dama quem mantém maior capacidade de mobilização nesse público. A margem de erro da pesquisa, para o recorte, é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos.

BANCADA EVANGÉLICA – A resistência ao nome de Flávio também é percebida na bancada evangélica do Congresso. Ao longo da semana, O Globo procurou seus integrantes: sete deputados defenderam a candidatura, enquanto outros 23, sob reserva, fizeram críticas. A maioria evitou responder publicamente.

Aliado político do líder da bancada do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, foi um dos que criticaram a pré-candidatura de Flávio, dizendo considerar “amadorismo da direita”. Já Robson Rodovalho, da Sara Nossa Terra, avalia que ainda é cedo para a definição e não descarta que o senador recue.

— Se Flávio desistir, pode ter Tarcísio ou Michelle, que é atuante no meio evangélico e, por ser mulher, tem um apelo. Flávio é mais discreto — afirma ele. — Acho que a primeira coisa é não ter pressa. O ambiente está extremamente embolado. Temos que ver o que vai se desenrolar com Bolsonaro, se a dosimetria vai avançar no Senado. E vamos ver se o Flávio vai conseguir unir os partidos. Ainda há muitas definições em aberto.

VISITAS  – Tarcísio, embora católico, consolidou espaço crescente no segmento. Ele intensificou visitas a templos, ajustou o discurso e viralizou com vídeos de pregações, como o trecho em que diz que “Deus é o Deus do impossível; faça o possível, o impossível deixe comigo”.

Na bancada da bala, por sua vez, parlamentares afirmam que Flávio não sustenta o mesmo discurso de enfrentamento que mobilizou policiais e militares em favor da figura do pai. O argumento mais repetido é que o senador tem uma trajetória limitada na área, não dialoga com corporações e não reproduz o tom de confronto que marcou a articulação de Jair com esse eleitorado.

PAPEL SECUNDÁRIO  – Embora seja presidente da Comissão de Segurança do Senado, o herdeiro de Bolsonaro tem exercido papel secundário nas discussões sobre o tema, que é sensível para a esquerda e pode trazer dividendos para a direita. Flávio não fez parte da cúpula da CPI do Crime Organizado, tampouco foi escolhido relator do PL Antifacção no Senado, embora tenha feito esse pleito ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).

Tarcísio, por sua vez, acumulou atributos considerados essenciais pelo segmento ao investir em operações policiais em São Paulo, defender o endurecimento penal e verbalizar apoio explícito à redução da maioridade penal. Em declaração no mês passado, chancelou a adoção da prisão perpétua no Brasil, medida classificada por ele mesmo como “radical”.

— Eu defendo algumas mudanças (na legislação) que são até radicais. Que a gente comece a enfrentar o crime com a dureza que o crime merece ser enfrentado. Não acho, por exemplo, nenhum absurdo você ter prisão perpétua no Brasil — disse em encontro com representantes do mercado financeiro em São Paulo no dia 28 de novembro.

BOLSA CAIU – O setor financeiro foi outro a não receber bem a pré-candidatura de Flávio. No dia do anúncio, a Bolsa caiu e o dólar registrou a maior alta do período, movimento associado ao aumento da incerteza política.

Ciente das resistências, o senador iniciou uma ofensiva junto ao mercado, concentrada em São Paulo. Na última semana, participou de um almoço com empresários na sede do banco UBS, em uma tentativa de atraí-los da órbita de Tarcísio. O encontro reuniu cerca de 40 convidados, entre eles Flávio Rocha (Riachuelo), Richard Gerdau (Gerdau), Alexandre Ostrowiecki (Multilaser) e Mario Araripe (Casa dos Ventos), e foi descrito por participantes como um primeiro movimento para “apresentar o senador” ao empresariado paulista.

De acordo com os presentes, Flávio disse que, caso eleito, repetirá a linha adotada pelo ex-ministro Paulo Guedes na gestão Bolsonaro. Ainda assim, quem esteve no encontro relatou dúvidas se a empreitada do senador é mesmo “irreversível”.

OBSTÁCULOS – Para o agronegócio, Flávio Bolsonaro é visto como figura lateral na área, sem uma atuação consistente em agendas consideradas prioritárias pelo grupo. Enquanto isso, Tarcísio de Freitas atraiu apoio após medidas que beneficiam o setor como governador de São Paulo, como na área de regularização fundiária.

Já líderes de grandes agremiações evangélicas evitaram declarar apoio à candidatura de Flávio. Pesquisas eleitorais mostram que Michelle Bolsonaro tem melhor desempenho no segmento, reforçando a leitura de parte dos religiosos de que é a ex-primeira-dama quem mantém maior capacidade de mobilização nesse público.

A avaliação de integrantes da bancada da bala é que Flávio tem trajetória limitada na área. Embora seja presidente da Comissão de Segurança do Senado, tem exercido papel secundário nas discussões sobre o tema, que é sensível para a esquerda e pode trazer dividendos para a direita.

Fagundes Varela sabia muito bem qual era a arma mais destruidora

Tribuna da Internet | Conheça a mais forte das armas, na concepção poética  de Fagundes Varela

Caricatura reproduzida da internet

Paulo Peres
Poemas & Canções

Luís Nicolau Fagundes Varella (1841-1875), nascido em Rio Claro (RJ), era um poeta romântico e boêmio inveterado. Foi um dos maiores expoentes da poesia brasileira, em seu tempo. Tendo ingressado no curso de Direito (e frequentado a Faculdade de Direito de São Paulo e a Faculdade de Direito do Recife), abandonou o curso no quarto ano.

Fez parte da transição entre a segunda e a terceira geração romântica. Nesse poema genial, Fagundes Varela explica qual é a mais potente das “Armas”.

ARMAS
Fagundes Varela

– Qual a mais forte das armas,
a mais firme, a mais certeira?
A lança, a espada, a clavina,
ou a funda aventureira?
A pistola? O bacamarte?
A espingarda, ou a flecha?
O canhão que em praça forte
faz em dez minutos brecha?

– Qual a mais firme das armas? –
O terçado, a fisga, o chuço,
o dardo, a maça, o virote?
A faca, o florete, o laço,
o punhal, ou o chifarote?

A mais tremenda das armas,
pior que a durindana,
atendei, meus bons amigos:
se apelida: – a língua humana.

Haddad vira peça-chave de Lula para 2026 e PT prepara sua candidatura em São Paulo

Ministro da Fazenda deixará equipe depois do carnaval

Vera Rosa
Estadão

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, é o curinga do PT para as eleições de 2026. Embora diga que não quer concorrer nem a síndico de prédio, no ano que vem, Haddad sabe que não terá como dizer ‘não’ ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E Lula não deseja ver o chefe da equipe econômica apenas na coordenação de seu programa de governo.

Em público, o presidente afirma que o ministro da Fazenda será “o que ele quiser”. A portas fechadas, no entanto, já disse que precisa de Haddad em São Paulo e é possível que dê algum recado a ele na reunião ministerial desta quarta-feira, 17.

PALANQUE – Até agora, o PT não conseguiu montar um palanque para a campanha do presidente no principal colégio eleitoral do País. Nem no segundo, que é Minas Gerais. No Rio, o terceiro, também não tem nome competitivo e vai apoiar o prefeito Eduardo Paes (PSD) ao Palácio Guanabara.

“Não podemos nos dar ao luxo de não ter Haddad disputando o processo eleitoral”, disse o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ). “Ele é uma das maiores forças que a gente tem: é importante para o projeto, para o Lula e para a democracia”.

De ministro alvejado por petistas como Lindbergh, por causa da proposta de arcabouço fiscal e ajuste das contas públicas, Haddad passou a ser visto como “a aposta” para 2026 nas fileiras do partido. “No começo, realmente tive divergências com ele, mas hoje o vejo como um quadro extraordinário”, afirmou Lindbergh. “Termino o ano encantado com Haddad”.

NOME FORTE – Até meados do ano, ministros e dirigentes do PT diziam que Haddad só deveria disputar a eleição ao Palácio dos Bandeirantes se o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não fosse candidato. Agora, porém, o quadro mudou: Haddad é considerado para qualquer cenário. “Precisamos de um nome forte em São Paulo”, admitiu o líder do PT.

Nem no Palácio do Planalto nem na cúpula do PT encontra-se alguém disposto a cravar um diagnóstico certeiro sobre o destino político de Tarcísio. Apesar do discurso oficial de que “adversário não se escolhe”, Lula prefere enfrentar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao governador de São Paulo na corrida pelo quarto mandato.

Na avaliação do Planalto, Tarcísio tem mais chances de conquistar eleitores de centro que não querem saber do PT. Ministros observam, ainda, que o confronto direto com um nome totalmente identificado com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), como seu filho Flávio, é bem mais fácil porque temas como a tentativa de golpe, por exemplo, voltam à tona com mais ênfase na campanha.

TENDÊNCIA – A não ser que haja uma reviravolta na estratégia desenhada por Lula, a tendência é que Haddad seja candidato ao governo de São Paulo e o secretário executivo da Fazenda, Dario Durigan, fique no seu lugar. Se Haddad não ganhar, e o presidente for reeleito, há outro plano para ele: a chefia da Casa Civil. É, na prática, o primeiro passo para o atual comandante da Fazenda ser ungido como sucessor de Lula.

Em 2022, Haddad perdeu a eleição para o Bandeirantes. Foi derrotado por Tarcísio, até então um ministro desconhecido de Bolsonaro. Sofreu críticas do PT, mais ainda do que quando era prefeito de São Paulo. À época, o PT também não gostou nada da articulação feita por ele para emplacar a chapa “Lula com chuchu”. Geraldo Alckmin, como se sabe, virou vice sob ataques do PT.

Hoje, porém, Alckmin é chamado de “companheiro” no Planalto. Pode até mesmo ser candidato ao Senado, mas, ao que tudo indica, fará novamente dobradinha com Lula. E Haddad, quem diria, se tornou o salvador da pátria petista. Está tão feliz que já foi visto até cantando “Ai, ai, ai, ai, está chegando a hora, o dia já vem raiando meu bem, eu tenho que ir embora…”

“Não vou engolir”, diz Malafaia sobre a preferência de Bolsonaro por Flávio

Malafaia admite ter recebido R$ 30 milhões do fraudador “Sheik do Bitcoin”

Silas Malafaia prefere lançar a chapa Tarcísio e Michelle

Felipe Salgado e Paulo Capelli
Metrópoles

O pastor Silas Malafaia afirmou que a opção de Jair Bolsonaro pelo senador Flávio Bolsonaro para disputar a Presidência da República ocorre em um momento em que o ex-mandatário estaria “debilitado emocionalmente”. Em entrevista à coluna, o líder religioso disse respeitar Flávio, mas que “não vai engolir” a escolha do ex-presidente.

“Eu não tenho nada contra o Flávio. Sou amigo de toda a família. O Flávio tem seus valores. Mas fico aqui pensando: o presidente Bolsonaro está debilitado emocionalmente. Quando essa turma do PT recebeu condenações, ninguém ficou emocionalmente abalado, porque, quando a pessoa sabe o que faz, ela não entra em depressão. Já a injustiça leva à depressão”, disse Malafaia.

DEPRESSÃO – “Sou psicólogo, sei o que estou falando. A pessoa, quando se sente injustiçada, pode levar à angústia e a quadros de depressão. Então, como o filho de Bolsonaro, numa conversa particular, em um momento emocional de Bolsonaro, ele vai lá e tira a candidatura e chega aqui e diz: ‘Meu pai diz que sou eu e acabou’. Na-na-ni-na-não. Não é assim. Temos que entender que é uma construção”, opinou o líder religioso, acrescentando:

“Não é uma questão de faculdade mental. Estou dizendo que uma pessoa abalada emocionalmente fica vulnerável. Recebe a visita de um filho. Não sei o que ele [Flávio] falou para Bolsonaro. Não sei qual foi a conversa dele. O momento emocional de Bolsonaro é frágil. Frágil por essas injustiças, essa covardia, essa farsa de pseudogolpe, que condena um cara inocente. Então, emocionalmente, ele está chocado”, prosseguiu.

Para o líder evangélico, a escolha dos candidatos precisa ser feita sem correrias e sem pressões.

TARCÍSIO E MICHELLE – Como mostrou a coluna, Malafaia defende que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), seja candidato ao Palácio do Planalto, tendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) como vice na chapa. Flávio, por sua vez, tem dito que sua candidatura à Presidência é “irreversível”.

Aliados do senador comemoraram pesquisa Quaest que apontou, nessa terça-feira (16/12), crescimento de Flávio entre os candidatos que pretendem enfrentar o presidente Lula em 2026.

Outros cotados para disputar a Presidência pelo campo conservador são: Ronaldo Caiado (União Brasil), Romeu Zema (Novo) e Ratinho Junior (PSD).

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
A chapa sugerida por Tarcísio realmente e forte e dificilmente seria batida por Lula em 2026. Mas quem se interessa? (C.N.).

Quaest: Flávio avança no núcleo duro, mas enfrenta resistência do eleitorado geral