Centrão reage a operações da PF, culpa governo Lula e ameaça retaliar no Congresso

Justiça espanhola barra pedido do Brasil e nega extradição do Oswaldo Eustáquio

Está faltando um Big Brother político que espalhe câmeras por todo canto

Nossa política virou um Big Brother Brasil | Jusbrasil

Charge reproduzida do Google

Vicente Limongi Neto

Muito bom o artigo do jornalista Patrick Selvatti (Correio Braziliense – 15/12), anunciando a chegada do próximo Big Brother Brasil. Segundo Patrick, haverá uma casa de vidro, com candidatos ao BBB no Conjunto Nacional. O povo precisa de mais e frequentes casas de vidro, exorta Patrick.

O cotidiano do brasileiro clama por mais câmeras, espiando e fiscalizando o que homens públicos fazem e produzem em benefício do Brasil e dos brasileiros. Os resultados não seriam nada agradáveis.

MAIS CÂMERAS – O BBB da Globo durante meses isola candidatos. Ávidos por vultuoso prêmio. Nessa linha, imagens pouco republicanas escandalizariam a nação, se existissem câmeras do BBB em ministérios, em palácios de governos estaduais, na Esplanada, no Congresso Nacional e no Judiciário.

Patrick é feliz, implacável e irretocável quando analisa que “a casa de vidro, montada diante da Esplanada, funciona como espelho involuntário de uma verdade incômoda: a verdadeira casa mais vigiada do país ainda não é vigiada o suficiente. Enquanto isso não mudar, o Brasil seguirá assistindo à política como quem assiste um reality. Perplexo, indignado, mas quase sempre sem poder apertar o botão do paredão”.

PALANQUE VIRTUAL – Penas exageradas, absurdas, injustas ou não, para apenados do 8 de Janeiro, servem de palanque eleitoreiro para políticos obscuros, desagradáveis, deploráveis e cansativos. Só faltam chorar na gravata e nos microfones. 

Alguns, ainda mais demagogos, mostram cartas que recebem de familiares dos presos e condenados pelo Supremo Tribunal Federal. Como bem disse o isento, sereno e capacitado Alessandro Vieira, senador do MDB, os parlamentares usam e abusam das reclamações e das tristezas das famílias dos presos, como massa de manobra para tentarem sucesso nas urnas de 2026.

Queda da Lei Magnitsky fortalece Lula e aprofunda divisões na direita

Centrão, agro e evangélicos resistem a Flávio Bolsonaro e Tarcísio avança

Charge do José Casado (Revista Veja)

Luísa Marzullo
O Globo

Alvo de resistência por parte de caciques do Centrão, a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto também enfrenta percalços nos principais setores que deram sustentação ao governo do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Representantes do agronegócio, líderes evangélicos e integrantes da bancada da segurança pública colocam em dúvida a capacidade eleitoral do parlamentar para impedir a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e indicam ver o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como nome mais bem posicionado para reorganizar a direita na disputa do ano que vem.

PRAZO – Interlocutores desses setores afirmam, porém, que é preciso dar um prazo para que o senador possa testar sua viabilidade política. A avaliação é de que, se Flávio não conseguir agregar apoios em dois meses, é necessário deixar o caminho livre para outro nome. Procurado, o parlamentar não se manifestou.

Flávio anunciou sua entrada na corrida eleitoral em 5 de dezembro como uma escolha do pai, que, apesar de preso, é quem continua a definir os rumos de seu grupo político. A indicação do filho como sucessor, sem consulta prévia a outros líderes da direita, não foi bem recebida por presidentes de partidos como União Brasil, PP e Republicanos, que já haviam indicado a intenção de se unir em uma candidatura de oposição ao PT em 2026.

CONTENÇÃO –  A leitura entre líderes desses partidos do Centrão e de integrantes da chamada bancada “BBB” — Boi, Bíblia e Bala — é que o movimento de Bolsonaro de lançar o filho como candidato teve como objetivo impedir que Tarcísio avançasse como nome alternativo ao seu, enquanto está impedido de atuar politicamente. Condenado a 27 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes, o ex-presidente mantém esperanças de conseguir uma anistia e escapar da pena para voltar a se candidatar. Flávio, na visão desse grupo, seguraria a vaga para o pai.

A avaliação foi reforçada após Flávio declarar, na semana passada, que sua candidatura tinha “um preço”, indicando que poderia retirá-la em troca do perdão jurídico a Jair. Depois, porém, mudou o discurso para dizer que a entrada na disputa era “irreversível”, mas aliados têm alertado sobre as dificuldades que enfrentará para que a postulação se sustente até a campanha eleitoral.

Um dos exemplos é a falta de apoio entre representantes do agronegócio. Nomes do setor afirmam que Flávio é visto como figura lateral, sem atuação consistente em agendas consideradas prioritárias pelo grupo, como crédito rural, regularização fundiária e abertura de mercados.

SERVIÇOS PRESTADOS – Já Tarcísio é apontado como alguém com serviços prestados na área. Quando foi ministro da Infraestrutura de Bolsonaro, foi responsável, entre outras medidas, por apresentar o Plano Nacional de Logística à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Além disso, como governador, acelerou um programa de regularização fundiária que negociou terras públicas com descontos e agradou ao setor.

Para Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), vice-presidente da FPA, o governador paulista já era percebido como “opção natural” ao Planalto muito antes de o senador se colocar no tabuleiro eleitoral:

— Acho que os setores produtivos pressionarão para que o Tarcísio lance a candidatura. Flávio vai andar no bolsonarismo, sem apoio dos outros segmentos. Tarcísio tem trajetória no agro. Já Flávio é um total desconhecido.

POLÍTICA DO PAI – Para se contrapor a esse discurso, Flávio tem procurado empresários do ramo e integrantes da bancada para dizer que seguirá a política do governo do pai, que interrompeu assentamentos de sem-terra, por exemplo.

— Flávio tem o legado do pai, a experiência no Senado e boa formação. São credenciais que devem ser usadas para abrir portas — pondera Evair de Melo (PP-ES), deputado mais ligado ao bolsonarismo.

PREFERÊNCIAOs primeiros levantamentos eleitorais divulgados após o anúncio da pré-candidatura de Flávio demonstram a preferência do eleitorado de direita por outros nomes. Mesmo entre evangélicos, segmento em que o bolsonarismo se sai melhor, é a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro quem aparece à frente, segundo pesquisa Ipsos/Ipec divulgada na semana passada.

Enquanto Lula lidera com 38% no total do eleitorado, seu desempenho cai para 26% entre evangélicos. Nesse recorte, o petista fica numericamente atrás de Michelle, que concentra 32% das intenções de voto e aparece como o nome mais competitivo da família Bolsonaro junto aos fiéis.

No cenário em que Flávio é testado como herdeiro político do pai, o senador sobe de 19% no agregado para 25% entre evangélicos, resultado que o coloca em empate técnico com Lula, mas ainda abaixo do desempenho de Michelle, reforçando a leitura de líderes religiosos de que é a ex-primeira-dama quem mantém maior capacidade de mobilização nesse público. A margem de erro da pesquisa, para o recorte, é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos.

BANCADA EVANGÉLICA – A resistência ao nome de Flávio também é percebida na bancada evangélica do Congresso. Ao longo da semana, O Globo procurou seus integrantes: sete deputados defenderam a candidatura, enquanto outros 23, sob reserva, fizeram críticas. A maioria evitou responder publicamente.

Aliado político do líder da bancada do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, foi um dos que criticaram a pré-candidatura de Flávio, dizendo considerar “amadorismo da direita”. Já Robson Rodovalho, da Sara Nossa Terra, avalia que ainda é cedo para a definição e não descarta que o senador recue.

— Se Flávio desistir, pode ter Tarcísio ou Michelle, que é atuante no meio evangélico e, por ser mulher, tem um apelo. Flávio é mais discreto — afirma ele. — Acho que a primeira coisa é não ter pressa. O ambiente está extremamente embolado. Temos que ver o que vai se desenrolar com Bolsonaro, se a dosimetria vai avançar no Senado. E vamos ver se o Flávio vai conseguir unir os partidos. Ainda há muitas definições em aberto.

VISITAS  – Tarcísio, embora católico, consolidou espaço crescente no segmento. Ele intensificou visitas a templos, ajustou o discurso e viralizou com vídeos de pregações, como o trecho em que diz que “Deus é o Deus do impossível; faça o possível, o impossível deixe comigo”.

Na bancada da bala, por sua vez, parlamentares afirmam que Flávio não sustenta o mesmo discurso de enfrentamento que mobilizou policiais e militares em favor da figura do pai. O argumento mais repetido é que o senador tem uma trajetória limitada na área, não dialoga com corporações e não reproduz o tom de confronto que marcou a articulação de Jair com esse eleitorado.

PAPEL SECUNDÁRIO  – Embora seja presidente da Comissão de Segurança do Senado, o herdeiro de Bolsonaro tem exercido papel secundário nas discussões sobre o tema, que é sensível para a esquerda e pode trazer dividendos para a direita. Flávio não fez parte da cúpula da CPI do Crime Organizado, tampouco foi escolhido relator do PL Antifacção no Senado, embora tenha feito esse pleito ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).

Tarcísio, por sua vez, acumulou atributos considerados essenciais pelo segmento ao investir em operações policiais em São Paulo, defender o endurecimento penal e verbalizar apoio explícito à redução da maioridade penal. Em declaração no mês passado, chancelou a adoção da prisão perpétua no Brasil, medida classificada por ele mesmo como “radical”.

— Eu defendo algumas mudanças (na legislação) que são até radicais. Que a gente comece a enfrentar o crime com a dureza que o crime merece ser enfrentado. Não acho, por exemplo, nenhum absurdo você ter prisão perpétua no Brasil — disse em encontro com representantes do mercado financeiro em São Paulo no dia 28 de novembro.

BOLSA CAIU – O setor financeiro foi outro a não receber bem a pré-candidatura de Flávio. No dia do anúncio, a Bolsa caiu e o dólar registrou a maior alta do período, movimento associado ao aumento da incerteza política.

Ciente das resistências, o senador iniciou uma ofensiva junto ao mercado, concentrada em São Paulo. Na última semana, participou de um almoço com empresários na sede do banco UBS, em uma tentativa de atraí-los da órbita de Tarcísio. O encontro reuniu cerca de 40 convidados, entre eles Flávio Rocha (Riachuelo), Richard Gerdau (Gerdau), Alexandre Ostrowiecki (Multilaser) e Mario Araripe (Casa dos Ventos), e foi descrito por participantes como um primeiro movimento para “apresentar o senador” ao empresariado paulista.

De acordo com os presentes, Flávio disse que, caso eleito, repetirá a linha adotada pelo ex-ministro Paulo Guedes na gestão Bolsonaro. Ainda assim, quem esteve no encontro relatou dúvidas se a empreitada do senador é mesmo “irreversível”.

OBSTÁCULOS – Para o agronegócio, Flávio Bolsonaro é visto como figura lateral na área, sem uma atuação consistente em agendas consideradas prioritárias pelo grupo. Enquanto isso, Tarcísio de Freitas atraiu apoio após medidas que beneficiam o setor como governador de São Paulo, como na área de regularização fundiária.

Já líderes de grandes agremiações evangélicas evitaram declarar apoio à candidatura de Flávio. Pesquisas eleitorais mostram que Michelle Bolsonaro tem melhor desempenho no segmento, reforçando a leitura de parte dos religiosos de que é a ex-primeira-dama quem mantém maior capacidade de mobilização nesse público.

A avaliação de integrantes da bancada da bala é que Flávio tem trajetória limitada na área. Embora seja presidente da Comissão de Segurança do Senado, tem exercido papel secundário nas discussões sobre o tema, que é sensível para a esquerda e pode trazer dividendos para a direita.

Fagundes Varela sabia muito bem qual era a arma mais destruidora

Tribuna da Internet | Conheça a mais forte das armas, na concepção poética  de Fagundes Varela

Caricatura reproduzida da internet

Paulo Peres
Poemas & Canções

Luís Nicolau Fagundes Varella (1841-1875), nascido em Rio Claro (RJ), era um poeta romântico e boêmio inveterado. Foi um dos maiores expoentes da poesia brasileira, em seu tempo. Tendo ingressado no curso de Direito (e frequentado a Faculdade de Direito de São Paulo e a Faculdade de Direito do Recife), abandonou o curso no quarto ano.

Fez parte da transição entre a segunda e a terceira geração romântica. Nesse poema genial, Fagundes Varela explica qual é a mais potente das “Armas”.

ARMAS
Fagundes Varela

– Qual a mais forte das armas,
a mais firme, a mais certeira?
A lança, a espada, a clavina,
ou a funda aventureira?
A pistola? O bacamarte?
A espingarda, ou a flecha?
O canhão que em praça forte
faz em dez minutos brecha?

– Qual a mais firme das armas? –
O terçado, a fisga, o chuço,
o dardo, a maça, o virote?
A faca, o florete, o laço,
o punhal, ou o chifarote?

A mais tremenda das armas,
pior que a durindana,
atendei, meus bons amigos:
se apelida: – a língua humana.

Haddad vira peça-chave de Lula para 2026 e PT prepara sua candidatura em São Paulo

Ministro da Fazenda deixará equipe depois do carnaval

Vera Rosa
Estadão

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, é o curinga do PT para as eleições de 2026. Embora diga que não quer concorrer nem a síndico de prédio, no ano que vem, Haddad sabe que não terá como dizer ‘não’ ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E Lula não deseja ver o chefe da equipe econômica apenas na coordenação de seu programa de governo.

Em público, o presidente afirma que o ministro da Fazenda será “o que ele quiser”. A portas fechadas, no entanto, já disse que precisa de Haddad em São Paulo e é possível que dê algum recado a ele na reunião ministerial desta quarta-feira, 17.

PALANQUE – Até agora, o PT não conseguiu montar um palanque para a campanha do presidente no principal colégio eleitoral do País. Nem no segundo, que é Minas Gerais. No Rio, o terceiro, também não tem nome competitivo e vai apoiar o prefeito Eduardo Paes (PSD) ao Palácio Guanabara.

“Não podemos nos dar ao luxo de não ter Haddad disputando o processo eleitoral”, disse o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ). “Ele é uma das maiores forças que a gente tem: é importante para o projeto, para o Lula e para a democracia”.

De ministro alvejado por petistas como Lindbergh, por causa da proposta de arcabouço fiscal e ajuste das contas públicas, Haddad passou a ser visto como “a aposta” para 2026 nas fileiras do partido. “No começo, realmente tive divergências com ele, mas hoje o vejo como um quadro extraordinário”, afirmou Lindbergh. “Termino o ano encantado com Haddad”.

NOME FORTE – Até meados do ano, ministros e dirigentes do PT diziam que Haddad só deveria disputar a eleição ao Palácio dos Bandeirantes se o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não fosse candidato. Agora, porém, o quadro mudou: Haddad é considerado para qualquer cenário. “Precisamos de um nome forte em São Paulo”, admitiu o líder do PT.

Nem no Palácio do Planalto nem na cúpula do PT encontra-se alguém disposto a cravar um diagnóstico certeiro sobre o destino político de Tarcísio. Apesar do discurso oficial de que “adversário não se escolhe”, Lula prefere enfrentar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao governador de São Paulo na corrida pelo quarto mandato.

Na avaliação do Planalto, Tarcísio tem mais chances de conquistar eleitores de centro que não querem saber do PT. Ministros observam, ainda, que o confronto direto com um nome totalmente identificado com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), como seu filho Flávio, é bem mais fácil porque temas como a tentativa de golpe, por exemplo, voltam à tona com mais ênfase na campanha.

TENDÊNCIA – A não ser que haja uma reviravolta na estratégia desenhada por Lula, a tendência é que Haddad seja candidato ao governo de São Paulo e o secretário executivo da Fazenda, Dario Durigan, fique no seu lugar. Se Haddad não ganhar, e o presidente for reeleito, há outro plano para ele: a chefia da Casa Civil. É, na prática, o primeiro passo para o atual comandante da Fazenda ser ungido como sucessor de Lula.

Em 2022, Haddad perdeu a eleição para o Bandeirantes. Foi derrotado por Tarcísio, até então um ministro desconhecido de Bolsonaro. Sofreu críticas do PT, mais ainda do que quando era prefeito de São Paulo. À época, o PT também não gostou nada da articulação feita por ele para emplacar a chapa “Lula com chuchu”. Geraldo Alckmin, como se sabe, virou vice sob ataques do PT.

Hoje, porém, Alckmin é chamado de “companheiro” no Planalto. Pode até mesmo ser candidato ao Senado, mas, ao que tudo indica, fará novamente dobradinha com Lula. E Haddad, quem diria, se tornou o salvador da pátria petista. Está tão feliz que já foi visto até cantando “Ai, ai, ai, ai, está chegando a hora, o dia já vem raiando meu bem, eu tenho que ir embora…”

“Não vou engolir”, diz Malafaia sobre a preferência de Bolsonaro por Flávio

Malafaia admite ter recebido R$ 30 milhões do fraudador “Sheik do Bitcoin”

Silas Malafaia prefere lançar a chapa Tarcísio e Michelle

Felipe Salgado e Paulo Capelli
Metrópoles

O pastor Silas Malafaia afirmou que a opção de Jair Bolsonaro pelo senador Flávio Bolsonaro para disputar a Presidência da República ocorre em um momento em que o ex-mandatário estaria “debilitado emocionalmente”. Em entrevista à coluna, o líder religioso disse respeitar Flávio, mas que “não vai engolir” a escolha do ex-presidente.

“Eu não tenho nada contra o Flávio. Sou amigo de toda a família. O Flávio tem seus valores. Mas fico aqui pensando: o presidente Bolsonaro está debilitado emocionalmente. Quando essa turma do PT recebeu condenações, ninguém ficou emocionalmente abalado, porque, quando a pessoa sabe o que faz, ela não entra em depressão. Já a injustiça leva à depressão”, disse Malafaia.

DEPRESSÃO – “Sou psicólogo, sei o que estou falando. A pessoa, quando se sente injustiçada, pode levar à angústia e a quadros de depressão. Então, como o filho de Bolsonaro, numa conversa particular, em um momento emocional de Bolsonaro, ele vai lá e tira a candidatura e chega aqui e diz: ‘Meu pai diz que sou eu e acabou’. Na-na-ni-na-não. Não é assim. Temos que entender que é uma construção”, opinou o líder religioso, acrescentando:

“Não é uma questão de faculdade mental. Estou dizendo que uma pessoa abalada emocionalmente fica vulnerável. Recebe a visita de um filho. Não sei o que ele [Flávio] falou para Bolsonaro. Não sei qual foi a conversa dele. O momento emocional de Bolsonaro é frágil. Frágil por essas injustiças, essa covardia, essa farsa de pseudogolpe, que condena um cara inocente. Então, emocionalmente, ele está chocado”, prosseguiu.

Para o líder evangélico, a escolha dos candidatos precisa ser feita sem correrias e sem pressões.

TARCÍSIO E MICHELLE – Como mostrou a coluna, Malafaia defende que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), seja candidato ao Palácio do Planalto, tendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) como vice na chapa. Flávio, por sua vez, tem dito que sua candidatura à Presidência é “irreversível”.

Aliados do senador comemoraram pesquisa Quaest que apontou, nessa terça-feira (16/12), crescimento de Flávio entre os candidatos que pretendem enfrentar o presidente Lula em 2026.

Outros cotados para disputar a Presidência pelo campo conservador são: Ronaldo Caiado (União Brasil), Romeu Zema (Novo) e Ratinho Junior (PSD).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
A chapa sugerida por Tarcísio realmente e forte e dificilmente seria batida por Lula em 2026. Mas quem se interessa? (C.N.).

Quaest: Flávio avança no núcleo duro, mas enfrenta resistência do eleitorado geral

Entre dosimetria e anistia: o cálculo político por trás da disputa no Congresso

Daniel Vorcaro, Moraes e a pergunta que vale ao menos R$ 129,6 milhões

Contrato da mulher de Moraes com Banco Master era de R$ 129 milhões

Moraes e a mulher são os grandes protetores do Master

Mario Sabino
Metrópoles

Em outros tempos, seria manchete a notícia de que o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, tinha um contrato com o banco Master, de Daniel Vorcaro, no valor de R$ 129,6 milhões. Vou repetir por extenso: cento e vinte e nove milhões e seiscentos mil reais. Ao câmbio de hoje, equivalem a vinte e três milhões e quinhentos e oitenta e três mil dólares.

De acordo com a jornalista Malu Gaspar, o contrato, encontrado no celular de Vorcaro em formato digital, previa que essa fortuna seria paga ao longo de 36 meses, em prestações mensais de R$ 3,6 milhões a partir do início de 2024.

ERAM PRIORIDADE – A bolada não foi embolsada integralmente, uma vez que o Banco Master entrou em liquidação. “Tudo indica, porém, que o escritório foi regiamente pago enquanto possível, porque nas mensagens com a equipe Vorcaro deixava claro que os desembolsos para Viviane eram prioridade para o Master e não podiam deixar de ser feitos em hipótese alguma”, diz a jornalista.

Por que era uma prioridade pagar o escritório da mulher do ministro Alexandre de Moraes? Qual causa justificaria honorários de R$ 129 milhões a uma advogada que está longe de ser um peso-pesado da advocacia paulista? No contrato, fica claro que se trata de fazer lobby e assessorar/proteger nos três Poderes.

Por que Dias Toffoli decretou sigilo máximo sobre o processo envolvendo o Banco Master e o seu controlador, mantendo o caso sob as suas asas no Supremo, embora Daniel Vorcaro não tenha foro especial?

MAIS PERGUNTAS – Também é de se perguntar por que a prisão preventiva de Daniel Vorcaro foi revogada pela mesma desembargadora que havia negado o pedido de soltura, tão logo se soube que os advogados criminais do “banqueiro” haviam recorrido ao STF e que o processo foi distribuído para Dias Toffoli.

Por último: por que a notícia sobre os honorários da mulher de Alexandre de Moraes não é manchete? Por que existe uma blindagem intransponível em torno do assunto?

Não teremos respostas, infelizmente, porque é arriscado até fazer perguntas na vibrante democracia brasileira.

Com Flávio candidato, Michelle perde espaço e se afasta do comando do bolsonarismo

“Código de Conduta” do Supremo se tornará a maior Piada do Século

Quem é Edson Fachin, “o carcereiro da Lava Jato”? - Brasil de Fato

Até 2021 Fachin fez uma carreira impecável no Supremo

Carlos Newton

Não será surpresa se o filósofo grego Diógenes reencarnar no Brasil e sair com uma lamparina em plena luz do dia, procurando um homem honesto na Praça dos Três Poderes. Vai encontrar, mas não será nada fácil. Ficará animado ao saber que o novo presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, está disposto a criar e aprovar um Código de Conduta numa cúpula judiciária que se caracteriza justamente pelo podridão.

Porém, se o filósofo Diógenes trocar a lamparina por um celular e acionar o Google, logo saberá que Fachin é um farsante como a maioria dos membros do STF, porque o corporativismo é fortíssimo e tende a esconder os desmandos e ilegalidades que passaram a caracterizar o funcionamento do mais importante tribunal brasileiro.

ILUSTRADO DESCONHECIDO – Como os demais integrantes do atual Supremo, à exceção de Luiz Fux, o ministro Fachin não tem um currículo que lhe dê notório saber. Era completamente desconhecido do meio jurídico nacional, atuando como procurador do Estado do Paraná e professor de Direito Civil da Faculdade de Direito da UFPR (Universidade Federal do Paraná) e da PUC-PR.

Para chegar ao STF, sua maior credencial foi a militância no PT, tendo trabalhado nas duas campanhas eleitorais de Dilma Rousseff, que retribuiu fazendo a nomeação dele em 2015, para a vaga de Joaquim Barbosa.

No ano seguinte, quando Fachin iniciou sua atuação no STF, Dilma sofreu impeachment e o ministro tentou fazer uma carreira independente no Supremo. Nessa, tornou-se relatora da época da Lava Jato, fato que deu projeção nacional.   

IMPARCIALIDADE – Fachin foi respeitado pela imparcialidade, não permitindo que sua admiração pelo PT pudesse conduzir sua atuação. Pelo contrário, seu voto foi decisivo para derrotar o habeas corpus impetrado contra a prisão de Lula, que o relator Gilmar Mendes defendeu desesperadamente, e o resultado foi de 6 a 5.

Em 5 de abril de 2018, o juiz Sérgio Moro decretou a prisão de Lula, que não aceitou e se refugiou no Sindicado dos Metalúrgicos, que foi cercado pela Polícia Federal até que ele se entregou, no dia 7.

Em 7 de novembro de 2019, Fachin manteve a imparcialidade e votou contra a liberação de Lula, numa jogada arquitetada pelo então presidente Dias Toffoli, quando por 6 votos a 5 o STF decidiu proibir o início do cumprimento da pena antes de esgotados todos os recursos dos réus, o chamado trânsito em julgado.

DECISAO VERGONHOSA – Votaram a favor da prisão absurda logo depois de julgamento no Supremo os ministros Marco Aurélio Mello, relator do caso, Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Dias Toffoli, presidente do STF.

E assim o Brasil passou a ser o único país da ONU que não cometeu crimes após reportagens em segunda instância colegiada. Toffoli conquistou o voto de Rosa Weber dizendo que iam passar a prender após relatado em terceira instância e Lula não sairia, porque já tinha sido condenado por unanimidade no Superior Tribunal de Justiça. Ele meniu, Rosa votou e Lula foi solto.

Detalhe importante: a prisão após segunda instância somente é revertida pelo STJ em menos de 1% dos casos. A imensa maioria deles nem chega a subir ao Supremo, por falta de consistência do recurso.

FACHIN SE SUBMETE – O julgamento no Supremo abriu caminho para a soltura de até 4.895 presos, segundo o Conselho Nacional de Justiça. E depois que Lula foi libertado, a pressão foi tanta que em 2021 o ministro Edson Fachin acabou cedendo, para permitir a volta do petista à política.  

Deixou de lado a imparcialidade e julgou procedente um recurso argumentando que Lula não poderia ter sido julgado em Curitiba, porque não morava lá. Ou seja, Fachin decidiu que tinha sorte “incompetência territorial absoluta”, algo inexistente nos livros de Direito do mundo todo, nos quais a incompetência territorial é sempre “relativa” e não anula condenações.

Defendido por Fachin, esse absurdo jurídico e que envergonha o país foi aprovado por 8 votos a 3. Somente foram contrários os ministros Marco Aurélio Mello, Luiz Fux e Nunes Marques e André Mendonça.

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PS 1 –
De 2015 até 2021, Fachin vinha fazendo uma carreira impecável no Supremo. No entanto, de lá para cá tornou-se apenas mais um dos ministros, sempre pronto a apoiar as decisões perversas e arbitrárias de Alexandre de Moraes, assim está ajudando a criar um monstruoso, que está se desenvolvendo este país numa ditadura do Judiciário.

PS 2 – Agora, para aliviar a barra e limpar o podridão reinante, Fachin quer lançar o Guia de Conduta do Supremo, uma obra que pode a Piada do Século.  (CN)

Alcolumbre pauta PL da Dosimetria, que deve ser barrado pelos senadores

Senadores avaliam a possibilidade de pedido de vista

Alícia Bernardes
Correio Braziliense

Mesmo diante de pressões para adiar a votação, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), decidiu pautar para esta quarta-feira (17/12) a análise do Projeto de Lei da Dosimetria no plenário da Casa. A proposta ainda precisa passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde há resistência e tendência contrária à aprovação do texto.

Nos bastidores, senadores avaliam a possibilidade de pedido de vista, o que daria mais tempo para a análise da matéria e poderia empurrar a discussão para 2026. Parlamentares tanto da base do governo quanto da oposição demonstram cautela com o projeto e buscam evitar associação direta a uma proposta considerada sensível.

ADIAMENTO – A pressão pelo adiamento se intensificou diante do entendimento de que o texto pode beneficiar condenados por crimes não relacionados diretamente aos atos de 8 de janeiro. Pelo conteúdo aprovado na Câmara, a progressão de pena passaria a ocorrer após o cumprimento de um sexto da condenação, e não mais de um quarto, para determinados crimes.

A proposta altera as regras de progressão de regime, mecanismo que permite a passagem do condenado para regimes mais brandos mediante bom comportamento. A mudança não se aplicaria a crimes hediondos nem a réus reincidentes, mas alcançaria delitos como crimes ambientais, coação no curso do processo e incêndio doloso.

SOMA DAS PENAS – Outro ponto controverso é o fim da soma de penas para crimes contra o Estado Democrático de Direito, como tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Nesse modelo, passaria a valer apenas a pena mais alta prevista, o que poderia beneficiar diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

No fim de semana, manifestações contrárias ao projeto ocorreram em diversas capitais do país, organizadas pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, com participação de movimentos como MST e MTST. Sob o lema “Congresso Inimigo do Povo”, os atos criticaram a redução de penas e o avanço do PL no Congresso, às vésperas de sua possível votação no Senado.

Após caso Zambelli, defesa de Maluf cobra devolução do mandato e indenização

Com feminicídios em alta, Tarcísio corta orçamento da política para mulheres

Pesquisa Quaest mostra Lula 10 pontos à frente de Flávio Bolsonaro e Tarcísio em 2026

Moraes manda iniciar extradição de Alexandre Ramagem após fuga para os EUA

Deputado federal deixou o Brasil em setembro,

Márcio Falcão
Gustavo Garcia
G1

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou à Secretaria Judiciária da Corte que dê início ao processo de extradição do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), que fugiu em setembro para os Estados Unidos.

O aliado de Jair Bolsonaro deixou o Brasil no mês em que a Primeira Turma do STF condenou o deputado a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão por organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

EXTRADIÇÃO – “Determino à Secretaria Judiciária que remeta ao Ministério da Justiça e Segurança Pública os documentos necessários para formalizar o pedido de extradição de Alexandre Ramagem, nos termos do Tratado de Extradição com os Estados Unidos da América”, diz o despacho de Moraes.

A área técnica do STF vai preparar todo o material sobre o processo que levou à condenação do deputado. Os documentos serão enviados ao Ministério da Justiça, que fica responsável por analisar a documentação, verificar os requisitos legais do tratado de extradição entre Brasil e EUA e preparar o pedido.

Depois, cabe ao Ministério das Relações Exteriores formalizar e encaminhar o pedido de extradição pela via diplomática ao governo dos Estados Unidos. Aliados de Ramagem, no entanto, dizem que ele deve pedir asilo político no país norte-americano.

CLANDESTINO – De acordo com investigações da Polícia Federal, Ramagem saiu do país de forma clandestina pela fronteira do Brasil com a Guiana. Segundo as apurações, Ramagem atravessou a fronteira pelo estado de Roraima, onde já atuou como delegado, sem passar por nenhum posto migratório.

No país vizinho, Ramagem embarcou no Aeroporto de Georgetown, na capital da Guiana, com destino aos Estados Unidos, onde entrou utilizando passaporte diplomático, apesar de uma determinação para o cancelamento do documento.

‘Ele esqueceu que é ex-presidente’: líder do MDB expõe fissura entre Lira e Motta

Não conte para ninguém os recônditos segredos poéticos de Cora Coralina

Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida,...Paulo Peres
Poemas & Canções

A poeta goianiense Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (1889-1985), conhecida como Cora Coralina, mulher simples, doceira de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano, conforme o belo poema “Não Conte Pra Ninguém”, no qual solicita que seus segredos não sejam revelados.

NÃO CONTE PRA NINGUÉM
Cora Coralina

Eu sou a velha
mais bonita de Goiás.
Namoro a lua.
Namoro as estrelas.
Me dou bem
com o Rio Vermelho.
Tenho segredos
como os morros
que não é de advinhá.

Sou do beco do Mingu
sou do larguinho
do Rintintim.

Tenho um amor
que me espera
na rua da Machorra,
outro no Campo da Forca.
Gosto dessa rua
desde o tempo do bioco
e do batuque.

Já andei no Chupa Osso.
Saí lá no Zé Mole.
Procuro enterro de ouro.
Vou subir o Canta Galo
com dez roteiros na mão.

Se você quiser, moço,
vem comigo:
Vamos caçar esse ouro,
vamos fazer água… loucos
no Poço da Carioca,
sair debaixo das pontes,
dar que falar
às bocas de Goiás.

Já bebi água de rio
na concha de minha mão.
Fui velha quando era moça.
Tenho a idade de meus versos.
Acho que assim fica bem.
Sou velha namoradeira,
lancei a rede na lua,
ando catando estrelas.