O elemento imundo da vida, perdido em meio a uma noite escura da alma

Arquivo de desalento - A Pátria

A inútil busca da felicidade nos leva por caminhos insanos

Luiz Felipe Pondé
Folha

Nunca entendi a busca de pureza nas pessoas. Depois de dedicar alguns anos de estudo à religião, claro que entendo o conceito e a história dessa busca. Entendo que a vida é impura na medida em que é confusa e ambivalente de uma forma enlouquecedora.

Como dizia santo Agostinho, nascemos em meio a fezes e urina, causando uma dor física enorme numa mulher, quase a matando, imersos na mais pura dependência e incapacidade de sobreviver por anos.

NUM PÂNTANO – Viveremos sempre em meio a desordem, imperfeição e frustração. Mas, ainda assim, sinto que esse pântano é nosso elemento. A tentativa de negá-lo sempre me parece o ato de uma criança amedrontada.

A infância é uma ameaça, um combate aos medos e aos mais fortes do que nós. Os pais, sempre aquém do esperado. O início da idade adulta, cheio de expectativas e esperanças, que nem sempre se tornam realidade.

A rotina como a negação dos mais belos sonhos. A incapacidade de lidar com a realidade, uma constante.

RISCO CONTINUO – A vida profissional, um risco contínuo entre o sucesso incerto, o fracasso quase certo e a mediocridade como nossa irmã gêmea. O amor – ah! o amor –, esse sentimento delirante e encantador. A amada, sempre um vulcão capaz de nos aniquilar de beleza, insegurança e anseios.

O mundo, um palco em que corremos de um lado para o outro, como um ator, seguindo um roteiro escrito por um idiota, cheio de som e fúria, significando nada, como diria Macbeth, esse especialista na impureza humana.

E, então, as pessoas se põem a procurar por um estado de espírito em que tudo, por um passe de mágica, torne-se belo, bom e verdadeiro. Entendo esse anseio como ideia, nunca estive nem um milímetro sequer perto dele como afeto.

CURA DA ALMA – O documentário “Espaço Além –  Marina Abramovic e o Brasil” é um exemplo claro dessa busca espiritual pela “cura da alma”. Tema clássico na história da espiritualidade que me fascina, apesar de ser completamente estranho a ele.

Suspeito que uma “alma curada” seja uma alma morta. Como dizia o filósofo romeno Emil Cioran, foi a dor que nos despertou do sonambulismo da matéria.

A autora diz que o motivo de sua dor (emocional, não física) foi o fato de seu marido tê-la trocado por outra mulher e de sua mãe ter sido uma maníaca por limpeza contra o risco de contaminação com vírus. Sua infância teria sido um tanto triste e sozinha por conta do medo que a mãe tinha de que amigos em casa pudessem trazer doenças para sua pequena filha Marina.

Ou seja, duas causas prosaicas e cotidianas. A traição amorosa e uma mãe meio louca. Uma das duas, todo mundo sempre sofre.

BUSCA DA PUREZA – Mas, o que me chamou especialmente a atenção é o texto final narrado, quando a autora mostra sua exposição em São Paulo, no Sesc Pompeia, e os rostos das pessoas buscando a “pureza”. Rostos de todas as cores e gestos, todos irmanados no amor e na diferença harmônica e não conflituosa. Acho isso um delírio infantil, ainda que compreenda a dor por trás dessa busca. É insuportável essa dor, mas ela é nosso elemento.

Talvez eu tenha sido estragado pelo ceticismo e pela tragédia (minha verdadeira “religião”) ou por anos de análise em excesso ou por um temperamento demasiadamente passional, mas não creio nessa pureza.

E, mais do que isso, duvido que isso seja de fato uma realidade positiva na vida das pessoas. Pelo contrário, não concebo a vida se não for atolada nas ambivalências e no desespero da imperfeição.

SEM SADISMO – Não se trata de fazer um elogio ao divino Marquês de Sade, mas, apenas, de reconhecer que parece insuportável para grande parte da humanidade o fato de a vida ser impura e, de alguma forma, “imunda”. Contaminada pela finitude e pelo desencontro contínuo consigo mesma, nossa vida é sempre um roteiro atormentado por um autor incapaz de dar sentido à sua obra.

Alguns buscam a pureza na espiritualidade, outros na política (acho esse caso ainda mais risível), mas nunca encontrarão. A pureza é como um desses fantasmas que parecem anjos, mas que na verdade não passam de um medo avassalador no meio da noite escura da alma.

Nosso elemento é o demoníaco e sua agonia por não ser Deus.

Lula dobra gastos com propaganda e já supera Bolsonaro antes da campanha

Piada do Ano! Temer aposta em documentário para fingir que é um estadista

Michelle deixa de seguir os enteados Eduardo e Carlos Bolsonaro nas redes sociais

STF recua e libera parte dos supersalários de juízes, incluindo antigos penduricalhos

Michelle Bolsonaro ameaça abandonar disputa ao Senado após crise com Flávio Bolsonaro

Vorcaro recebe segurança máxima na Papuda enquanto negocia nova delação

Papudinha aumenta segurança após chegada de Vorcaro

Elijonas Maia
CNN

O 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, reforçou a segurança do complexo após a chegada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao Núcleo de Custódia. Classificado como “preso sensível”, ele é monitorado 24 horas por dia por um policial militar que fica na área externa da cela. O local é o mesmo que foi usado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O ex-banqueiro tem direito a duas horas de banho de sol, que podem ser divididas ao longo do dia. Sempre há um PM ao lado dele nestas ocasiões. Os postos policiais ao redor do Complexo da Papuda foram reforçados com mais efetivo e as câmeras de segurança funcionam 24 horas por dia dentro e fora da unidade.

MONITORAMENTO – Drones com visão noturna e de calor são usados na segurança da Papudinha durante o dia e a noite. Eles servem para monitorar se há alguém na mata, para evitar fuga ou eventual tentativa de resgate de presos.

A CNN Brasil entrou com exclusividade na Papudinha na última sexta-feira (26), primeiro dia de Vorcaro no local, e acompanhou a rotina e as atividades do lugar ao longo de um dia. Vorcaro está isolado em uma cela de 60 metros quadrados com área externa, quarto, cama de casal, banheiro e vestiário. O espaço também abrigou o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, que agora está na cela ao lado.

ALIMENTAÇÃO – Cerca de 50 pessoas estão presas no batalhão. Elas recebem cinco refeições por dia, com café da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e ceia. No dia em que a equipe da CNN esteve na Papudinha, uma feijoada foi servida no almoço. O lanche da tarde foi um pão com manteiga, achocolatado, suco e doce.

Os custodiados são responsáveis pela limpeza das celas. Eles precisam lavar as próprias roupas e lençóis de cama. Preso desde março e transferido sete vezes de prisão, Vorcaro já teve duas delações rejeitadas. Agora, o ex-banqueiro negocia uma nova proposta de colaboração premiada, ao mesmo tempo em que busca novos advogados em Brasília.

Jaques Wagner se reuniu com André Mendonça às vésperas de operação da PF no Caso Master

“Naquela mesa está faltando ele, e a saudade dele está doendo em mim”        

Sérgio Bittencourt pede perdão à sua mãe Adylia - Jornal GGN

Sérgio Bittencourt, jornalista e compositor

Paulo Peres
Poemas & Canções

]O jornalista e compositor carioca Sérgio Freitas   Bittencourt (1941-1979) compôs “Naquela Mesa” em homenagem póstuma ao seu pai, o célebre compositor e músico Jacob do Bandolim, e a saudade que ele deixou. Esta samba-choro foi gravado por Elizeth Cardoso em seu LP “Preciso aprender a ser só″, em 1972, pela Copacabana.

NAQUELA MESA
Sérgio Bittencourt

Naquela mesa ele sentava sempre
E me dizia sempre, o que é viver melhor.
Naquela mesa ele contava histórias,
Que hoje na memória eu guardo e sei de cor.

Naquela mesa ele juntava gente
E contava contente o que fez de manhã.
E nos seus olhos era tanto brilho,
Que mais que seu filho, eu fiquei seu fã.

Eu não sabia que doía tanto
Uma mesa no canto, uma casa e um jardim.
Se eu soubesse o quanto doi a vida,
Essa dor tão doída não doía assim.

Agora resta uma mesa na sala
E hoje ninguém mais fala no seu bandolim.
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim.                        

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Esta publicação feita pelo poeta Paulo Peres, Poemas & Canções, traz lembranças maravilhosas do amigo e companheiro Sérgio Bittencourt, com quem trabalhei na antiga TVE, num programa lendário criado por Fernando Barbosa Lima – “A verdade de cada um”. Sérgio era não somente um grande jornalista e compositor, mas também um excepcional caráter. E viverá para sempre nas lindas composições que nos deixou. (C.N.)

Medo de perder emprego para a inteligência artificial cai entre brasileiros

Ilustrção Arquivo do Google

Pedro S. Teixeira
Folha

À medida que os brasileiros aumentaram a familiaridade com chatbots de inteligência artificial, como ChatGPT e Claude, o medo de que as máquinas substituam seus empregos recuou em um ano, segundo pesquisa Datafolha feita em junho.

Entre os entrevistados que já ouviram falar em inteligência artificial, 48% afirmam ter muito ou um pouco de medo de que a profissão seja substituída pela IA. Há um ano, esse índice era de 56%. Enquanto isso, a parcela dos que não têm nenhum medo de substituição subiu de 41% para 49%.

PESQUISAS NA INTERNET – Ao mesmo tempo, entre as pessoas que já ouviram falar sobre IA, a parcela que já usou a tecnologia para o trabalho avançou de 17% para 24%. Também é corrente o uso da tecnologia em pesquisas na internet (25%), estudos (17%) e na criação de vídeos e imagens (4%).

A pesquisa do Datafolha foi realizada nos dias 17 e 18 de junho de 2026, com 2.004 entrevistas presenciais em 139 municípios, com população de 16 anos ou mais de todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A impressão da população sobre os impactos da tecnologia no mundo do trabalho vai na contramão do que pensam alguns dos maiores empresários do setor.

Neste mês, por exemplo, o CEO da Anthropic (empresa por trás do chatbot Claude), Dario Amodei, publicou um documento pedindo políticas de estímulo a contratações para conter o risco de desemprego em massa devido à inteligência artificial. Amodei é conhecido no Vale do Silício como um “catastrofista”, perfil associado à crença de que o avanço tecnológico possa causar extinção em massa ou disruptura social.

TRABALHO NO MERCADO – Para economistas ouvidos pela Folha, o recuo no medo de substituição pela tecnologia tem mais a ver com um rebote do catastrofismo inicial com a IA do que com o cenário real, em que os primeiros trabalhadores começam a ser trocados por robôs. “As pessoas ouviram que iria acabar o emprego de todo mundo, mas ainda existe trabalho no mercado”, diz Daniel Duque, pesquisador do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas).

O cenário de divisão na opinião dos trabalhadores se assemelha mais ao diagnóstico de incerteza feito pelo vencedor do Nobel de economia Daron Acemoglu. Para ele, a IA não deve eliminar empregos na mesma proporção em que sua adoção avança.

Ao mesmo tempo em que a tecnologia pode substituir trabalhadores em tarefas específicas, reduzindo a demanda por mão de obra, também pode diminuir os custos de produção e aumentar a eficiência. Com a redução de preços, aumentaria a procura por outros bens, o que criaria novas tarefas e empregos. É difícil avaliar em que medida as duas tendências vão se equilibrar, porque os ganhos de produtividade ainda são incertos.

EXPOSIÇÃO À IA –  Um estudo do FGV Ibre, com base em metodologia da OIT (Organização Internacional do Trabalho), concluiu que quase 30 milhões de trabalhadores no Brasil estavam em ocupações com algum grau de exposição à IA generativa no terceiro trimestre do ano passado. Isso é equivalente a 29,6% da população ocupada.

Desse total, cerca de 5,2 milhões estavam no nível mais elevado de exposição, em especial os mais jovens, mais escolarizados, na região Sudeste e trabalhando no setor de serviços, com destaque para informação, comunicação e serviços financeiros.

O economista Tomás Aguirre e a equipe da Governance AI, grupo acadêmico com foco nas implicações políticas do avanço da tecnologia, mostram outro lado da moeda: a maior parte das carreiras amplamente afetadas pela IA tem mais chances de se adaptar à nova economia, seja por especialização técnica, por ter maior poupança para suavizar a transição ou por ser mais jovem.

VULNERABILIDADE – Com base em dados demográficos dos EUA, o grupo mostra que, na verdade, os profissionais em trabalho de escritório são os mais vulneráveis, uma vez que engenheiros da computação e advogados, por exemplo, estão muito expostos à IA, mas também teriam mais recursos para se adaptar após a demissão. O artigo divide a exposição à tecnologia em duas situações: substituição e complementaridade.

O cenário do Brasil é mais grave, diz Aguirre. O país tem grande taxa de trabalhadores expostos à substituição e menor poupança. “O risco que eu vejo está na classe média: ela pode ficar descoberta, porque a proteção social, pensando no Bolsa Família, não é desenhada para ela”, afirma o economista.

Entre os brasileiros, por uma questão de escolaridade e perfil da economia, com maior peso para o funcionalismo e serviços menos intensivos em tecnologia, há mais ocupações ligadas a tarefas repetitivas, como área de recursos humanos ou composição de jingles. Serão áreas como essas em que haverá um enxugamento da força de trabalho, de acordo com Duque, do FGV Ibre.

CARGOS GERENCIAIS – “Toda revolução tecnológica tem seus perdedores de curto prazo”, diz o economista do FGV Ibre. Os dados, segundo ele, mostram que os jovens, neste primeiro momento, são as principais vítimas. Para Duque, cargos gerenciais associados a pessoas mais experientes são menos vulneráveis. “A IA não toma decisões, e quanto mais a pessoa cresce em um cargo, mais aumenta a atribuição de tomar decisões”, afirma.

A pesquisa do Datafolha mostra que a maior parte da população brasileira é contra o uso de automação na tomada de decisões. Para 79% dos entrevistados, por exemplo, o uso de modelos de IA em contratações e demissões é inadequado.

A adoção da tecnologia é frequente tanto em plataformas de recrutamento, como Gupy e Infojobs, quanto nos departamentos internos de recursos humanos, responsáveis por definir cortes durante anúncios de demissão. Mais de dois terços da população (68%) também desaprova o uso de IA em decisões sobre tratamentos médicos. No mesmo patamar, 67% são contrários a decisões automatizadas na concessão de crédito, prática comum no ambiente bancário.

Valdemar diz que ruptura com Michelle pode custar vitória contra Lula

Valdemar e Michelle vão se reunir na sede do PL

Carlos Petrocilo
Gabriela Echenique
Folha

Em campo para tentar conter a crise depois do vídeo com críticas a Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, deve dizer nesta terça-feira (30) à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro que, sem ela, o partido poderá perder a eleição deste ano para Lula (PT).

Valdemar e Michelle vão se reunir na sede do PL, em Brasília. “Não sei o que vai dar a conversa. Só sei que, se perdermos a Michelle, a eleição vai ficar muito difícil para nós”, disse Valdemar à coluna. Auxiliares de Flávio divergem da visão do presidente do PL e têm buscado minimizar o impacto do vídeo divulgado pela ex-primeira-dama na última quarta-feira (24) — em que ela disse ter sido maltratada pelo enteado após criticar a formação de chapa do partido no Ceará.

TENDÊNCIA DE QUEDA – O argumento central é que, apesar de toda a repercussão do caso, sondagens internas e pesquisas não apontaram tendência de queda nas intenções de voto ao senador nem entre mulheres nem entre evangélicos.

Mesmo assim, nesta segunda-feira (29), com Flávio na Argentina para dois encontros com o presidente Javier Milei, auxiliares do senador passaram a cogitar uma trégua que incluísse até a oferta do posto de vice à ex-primeira-dama — ideia que ainda não teve aval do pré-candidato.

FAVORITISMO – Entre integrantes do PL, há dúvidas quanto à viabilidade da ex-presidente da Caixa, Daniella Marques, para o posto. Daniella, por ora, é o nome preferido de Flávio. A incerteza seria acerca da capacidade da administradora, filiada ao Republicanos, de trazer votos à campanha.

Valdemar, que defende que Michelle dispute o Senado pelo Distrito Federal, tem dito a interlocutores que a decisão final sobre a vice caberá a Flávio e ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Da Argentina, Flávio fez uma live voltada às mulheres. O senador disse que as brasileiras sustentam mais de 70% dos lares e ainda enfrentam violência e destacou que essa pauta é econômica, não ideológica.

Vitória da Seleção devolve o verde e amarelo a todos os brasileiros

Quando a solidariedade fala mais alto que as fronteiras

Sofrimento dos venezuelanos mobilizou uma ampla corrente

Pedro do Coutto

Em meio a um cenário internacional frequentemente marcado por disputas políticas, rivalidades ideológicas e tensões diplomáticas, a tragédia provocada pelo gigantesco deslizamento de terra que atingiu a Venezuela oferece ao mundo uma poderosa lembrança: diante da dor humana, as fronteiras deveriam perder importância.

O sofrimento de milhares de famílias venezuelanas mobilizou uma ampla corrente internacional de ajuda, reunindo governos, organismos multilaterais e equipes de resgate em um esforço que ultrapassa diferenças políticas e reafirma um dos princípios mais nobres das relações entre os povos: a solidariedade.

DANOS – A dimensão da catástrofe impressiona. O deslocamento de enormes massas de terra destruiu comunidades inteiras, interrompeu estradas, comprometeu serviços essenciais e deixou milhares de pessoas desabrigadas. Equipes de emergência seguem trabalhando em condições extremamente difíceis na busca por desaparecidos, enquanto cresce a necessidade de alimentos, medicamentos, água potável, abrigos provisórios e atendimento médico.

Organizações humanitárias internacionais alertam que, além dos danos imediatos, o país enfrentará um longo processo de reconstrução social e econômica. Nesse contexto, diversos países decidiram oferecer apoio ao governo venezuelano, entre eles o Brasil. A assistência humanitária inclui envio de equipes especializadas, materiais de emergência, apoio logístico e cooperação técnica para o atendimento às vítimas.

Mais do que um gesto diplomático, trata-se de uma resposta fundamentada em valores universais. Em situações extremas, a prioridade deixa de ser a divergência política e passa a ser a preservação da vida.

COOPERAÇÃO INTERNACIONAL – O Brasil possui tradição consolidada em operações humanitárias na América Latina e em outras regiões do mundo. Ao longo das últimas décadas, o país participou de missões de socorro após terremotos, enchentes, furacões e outros desastres naturais, sempre defendendo o princípio da cooperação internacional previsto tanto na Carta das Nações Unidas quanto em diversos tratados de assistência humanitária. Essa postura reforça uma compreensão importante: crises humanitárias não podem ser tratadas como instrumentos de disputa ideológica.

Também merece reconhecimento o trabalho desenvolvido por organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas, a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho e a Organização Pan-Americana da Saúde, que coordenam esforços para ampliar a assistência às populações afetadas por desastres naturais. A experiência acumulada por essas instituições demonstra que respostas rápidas reduzem significativamente o número de vítimas, evitam crises sanitárias secundárias e aceleram o processo de recuperação das comunidades.

É justamente nos momentos de maior vulnerabilidade que se revela a verdadeira dimensão da cooperação entre as nações. Nenhum governo, por mais estruturado que seja, está completamente preparado para enfrentar sozinho calamidades de grandes proporções. Fenômenos naturais desafiam capacidades logísticas, pressionam sistemas de saúde, comprometem infraestruturas e exigem mobilização internacional quase imediata. A ajuda externa deixa de ser um gesto protocolar para se transformar em instrumento concreto de preservação da vida.

DIMENSÃO SIMBÓLICA – Há ainda uma dimensão simbólica que não pode ser ignorada. Em tempos marcados pela polarização política e pela radicalização do debate público, ver países com diferentes posicionamentos ideológicos unindo esforços em favor de vítimas de uma tragédia envia uma mensagem poderosa à comunidade internacional. Demonstra que existem valores que precisam permanecer acima das disputas circunstanciais, entre eles a dignidade humana, a compaixão e a responsabilidade coletiva.

Naturalmente, nenhuma operação humanitária é capaz de eliminar a dor de quem perdeu familiares, amigos, moradias ou o patrimônio construído durante toda uma vida. O sofrimento permanece. As cicatrizes emocionais e materiais acompanharão milhares de venezuelanos por muitos anos. Ainda assim, a solidariedade cumpre um papel essencial: ela oferece esperança quando tudo parece perdido, reduz o isolamento das vítimas e reafirma que nenhuma sociedade deve enfrentar sozinha uma tragédia dessa magnitude.

PRIMEIRO PASSO – A reconstrução da Venezuela exigirá tempo, investimentos, planejamento e cooperação permanente. Mas o primeiro passo já foi dado pela comunidade internacional ao reconhecer que a resposta humanitária deve prevalecer sobre qualquer divergência política. Essa talvez seja a maior lição deixada por esta tragédia: em um mundo frequentemente dividido por interesses nacionais, ainda existe espaço para que a humanidade fale mais alto.

Que esse espírito solidário não permaneça restrito aos momentos de calamidade. Ele deveria servir de inspiração permanente para as relações entre os povos, lembrando que a verdadeira grandeza das nações não se mede apenas por sua força econômica ou militar, mas também pela capacidade de estender a mão quando outra sociedade mais precisa. É justamente nesses momentos que a solidariedade deixa de ser um discurso e se transforma em um dos mais elevados compromissos da civilização.

Inquérito contra Flávio avança no STF após PF apontar calúnia contra Lula

Moraes deu 15 dias para PGR se manifestar

Luísa Marzullo
O Globo

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) o inquérito em que a Polícia Federal concluiu que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cometeu o crime de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e abriu prazo de 15 dias para manifestação do órgão. A decisão foi assinada nesta segunda-feira, após a conclusão das investigações e o envio do relatório final ao Supremo.

Com o encerramento da investigação, o caso entra agora na fase de análise da PGR. Como Flávio possui foro por prerrogativa de função, caberá à Procuradoria avaliar o relatório da Polícia Federal e decidir se apresenta denúncia, pede novas diligências ou requer o arquivamento do inquérito. A manifestação será encaminhada a Moraes, que decidirá os próximos passos do processo.

PUBLICAÇÃO NAS REDES – O caso tem origem em uma publicação feita por Flávio no X, em janeiro deste ano, após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos. Na postagem, o senador compartilhou uma montagem com a foto de Maduro ao lado da frase “Cayo Maduro – Capturado ” e de uma manchete sobre uma reunião convocada pelo governo brasileiro após a prisão do venezuelano. Na legenda, escreveu: “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas…”.

No relatório encaminhado ao STF na última sexta-feira, a Polícia Federal sustentou que Flávio extrapolou os limites da crítica política ao atribuir falsamente a Lula a prática dos crimes de tráfico internacional de drogas, tráfico internacional de armas e lavagem de dinheiro. Para os investigadores, a publicação não representou mera manifestação de opinião, mas a imputação direta de condutas criminosas ao presidente da República.

Segundo a PF, ao afirmar que Lula “será delatado”, o senador faz referência ao instituto da colaboração premiada e pressupõe a participação do presidente nos crimes listados na sequência da publicação. “Tendo em vista o teor da postagem (…), fica claro que o senador afirma que a delação seria feita por Nicolás Maduro e que, no entendimento do senador, os crimes pelos quais o presidente Lula seria delatado estão listados na sequência da postagem”, afirma o relatório.

COMETIMENTO DE CRIMES – A corporação concluiu que Flávio imputou falsamente ao presidente o cometimento dos crimes citados e o indiciou pelo crime de calúnia, previsto no Código Penal, com o agravante previsto para ofensas dirigidas ao presidente da República e praticadas por meio que facilite sua divulgação.

A defesa de Flávio contestou a conclusão da investigação. Em manifestação apresentada ao Supremo, os advogados afirmaram que o inquérito foi concluído “em tempo recorde”, sem a realização de oitivas ou diligências relevantes. Também sustentaram haver “dúvidas legítimas” sobre a condução do procedimento e disseram esperar que “a instauração e a condução desse procedimento não tenham sido influenciadas por interesses políticos”.

Sem recuar no Ceará, Flávio deve oferecer novos espaços a Michelle, avaliam aliados

Flávio Bolsonaro demonstra não ter o menor preparo para se tornar presidente

CHARGE – Blog do Cardosinho

Charge do Fr@nk (Arquivo Google)

Carlos Newton

Há diversas versões sobre a briga entre herdeiros de Jair Bolsonaro ainda em vida, que é tão espetacular quanto a disputa na família de Chico Anysio. No caso da discórdia que afeta a eleição, uma das informações é de que tudo começou lá atrás, quando o ex-presidente anunciou que o filho Flávio seria o nome da família para concorrer à Presidência.

Os outros dois legatários, Eduardo e Michelle não gostaram nada, porque ambicionavam a cabeça de chapa e não foram comunicados previamente sobre os motivos da escolha.

OUTRAS VERSÕES – Uma segunda versão diz que a atitude de Michelle, divulgando um vídeo agressivo e tudo o mais, foi determinada pelo próprio Bolsonaro, para tentar preservar a família do escândalo que ainda está por vir, devido às relações de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro, com detalhes explosivos, ainda não revelados.

Essa versão é radical, porque revela que Boldonaro estaria disposto a detonar a candidatura de Flávio, o que significaria apoiar a própria Michelle ou algum candidato de outro partido, como Ronaldo Caiado (PSD), com quem o ex-presidente sempre teve excelentes relações.

Há também uma terceira versão, lembrando que enteado e madrasta jamais tiveram um convívio amistosa, Flávio se sentiu o máximo com a indicação feita pelo pai e não tentou prestigiar ao máximo a candidatura de Michelle ao Senado no Distrito Federal, para evitar problemas de relacionamento na família.

ENTREGUISTA – Seja qual for a versão verdadeira, já nem importa mais. O fato concreto é que Flávio Bolsonaro acaba de abalar a própria candidatura, ao enviar mensagem a Marco Rubio, secretário norte-americano de Estado, agradecendo o fato de os Estados Unidos considerem como terroristas as fações CV e PCC, além de colocar à disposição do governo dos Estados Unidos sua equipe de transição, caso seja eleito, para negociar acordos comercias com os EUA.

Portanto, Flávio Bolsonaro adiantou que se portará como um presidente entreguista, como se dizia antigamente, que se mostra disposto a permitir interferência externa em assuntos internos.

Em poucas e mal traçadas linhas, o candidato mostrou que não pode ser confiável às classes produtoras agrícolas, comerciais e de serviços, além de perder apoio da Faria Lima, pois defender o Brasil não significa se rebaixar perante os Estados Unidos.

###
P.S.
Se for verdadeira a versão de que Bolsonaro está convicto de que errou ao indicar Flávio à Presidência, o melhor que o ex-presidente poderia fazer é apoiar o candidato Ronaldo Caiado, que sem dúvida é o menos ruim entre os 14 pré-candidatos já lançados. Mas quem se interessa?  (C.N.)

Mesmo após a proibição do TSE, IAs ampliam as “recomendações” de candidatos

Jovens lideram rejeição à polarização e impulsionam busca por terceira via em 2026

Lula troca seu líder no Senado, mas a crise com Davi Alcolumbre permanece

38% dos brasileiros não lembram em quem votaram para governador em 2022

Para presidente, apenas 7% afirmam que não se recordam

Deu no O Globo

A nova pesquisa Datafolha, divulgada no último domingo, mostra que mais de um terço (38%) da população brasileira diz que não se lembra em quem votou para governador em 2022. Outros 9% afirmaram não ter votado em ninguém e 54% declararam que sabem o seu escolhido na eleição passada. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

O Datafolha mostra ainda que mulheres (46% das entrevistadas) esquecem mais do que os homens (28%). Em relação à faixa etária, o grupo de 20 a 24 anos (45%) se destaca. Já 63% de quem tem entre 45 a 59 anos se recorda do voto para governador. Na eleição para presidente, por sua vez, apenas 7% afirmaram que não se lembram do voto. A grande maioria (85%) se recorda, e 8% afirmaram não ter votado em ninguém. Entre os simpatizantes do PL, 97% se lembram do voto. Já entre os do PT esse índice cai para 90%.

INTENÇÃO DE VOTO –  O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conta com 41% de intenções de voto para o primeiro turno da eleição presidencial, contra 31% de Flávio Bolsonaro, segundo levantamento do Datafolha da semana passada, o mais recente disponível. Em um eventual segundo turno, o cenário de estabilidade se repete: Lula aparece com 47% das intenções de voto contra 43% para o bolsonarista.

O levantamento apontou que Lula possui sua maior vantagem entre donas de casa, com 56% contra 38% de Flávio, e estudantes, em que a disparidade está entre 55% para o petista e 38% para o senador. Já Flávio lidera no segmento dos empresários, com ampla vantagem. O senador bolsonarista registra a preferência de 69% do setor, enquanto que o presidente marca 25%.

LIDERANÇA – Com 61% das intenções de voto no Nordeste, Lula lidera entre os mais pobres, negros e integrantes da comunidade LGBTQIA+, enquanto que Flávio tem desempenho melhor no Sul, com 54%, e lidera entre os mais ricos, brancos e evangélicos.

O Datafolha ouviu 2.004 eleitores, com mais de 16 anos, em todo o país. O nível de confiança na amostra é de 95% e representa a quantidade de vezes em que se espera que a coleta realizada represente de fato o pensamento médio da população brasileira, considerando a margem de erro. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o código BR-09956/2026.a