Acesso restrito a Bolsonaro provoca ruídos na montagem dos palanques estaduais

El Niño precisa varrer do mapa esses abutres que infestam a política brasileira

Cartum: quadrinhos, tirinhas e charges - 26/05/2026 | Folha

Charge do Laerte (Folha)

Vicente Limongi Netto

O fenômeno climático El Niño já começou mesmo a fustigar o Brasil. Está a meio caminho. Não se sabe ainda qual será sua intensidade. Deverá mostrar as garras principalmente no Nordeste e Sul do país atingindo quem estiver pela frente.

Mas precisamos de um El Niño diferente, que venha invocado e com tudo para jogar no lixo patifes engomados de todos os coturnos. A fúria do fenômeno deveria ter endereço certo, como ministro assediador e impune, do Superior Tribunal de Justiça (TSTJ).

PASTORES CRETINOS – El Niño precisa arrastar pastores cretinos que escondem mandato parlamentar para saciar seus apetites de enriquecimento ilícito. eleitoreiros. Deveria vir com força para assustar a escória do Tariflávio e de outros políticos do mesmo nível, em todos os partidos.

Vai exigir que o falsário meliante Daniel Vorcaro seja homem. Que conte tudo realmente, sem escamotear nomes de poderosos numa delação que não mereça mais reparos da Policia Federal nem da Procuradoria Geral da República.

El Niño Quer olhar na cara dos candidatos para saber as reais intenções deles com o Brasil.  Os homens de bem querem olhar de perto as caras dos abutres.

CELA NA PAPUDA – El Niño também precisa fustigar o  caolho Ibaneis Rocha, chefão da gang que desgraçou o Banco Regional de Brasília (BRB) e desonra o MDB. A Papudinha tem cela esperando por ele.

A passagem do poderoso El Niño será curta, mas com tTempo suficiente para preparar o caminho do inferno para a corja podre do clã Bolsonaro. A começar pelo destrambelhado chefão Jair Bolsonaro, golpista que infelicitou o Brasil e ensinou os filhos a seguir o mesmo infame caminho.

Caso seja informado pelos meteorologistas que sua rápida viagem não foi convincente, que a ordinarice continua solta, então El Niño garante que volta antes das eleições de outubro. Aí, sim, com sangue nos olhos, para fazer uma limpeza profunda na vida pública brasileira, em todos os partidos.

STM pode reavaliar provas da trama golpista para preservar patentes de generais

Eleitorado pune estratégia de Flávio Bolsonaro e melhora avaliação de Lula

Brecha no Regimento do Supremo pode permitir a libertação de Vorcaro & Cia

Os segredos da Suíte Master. Charge de João Spacca para a newsletter desta segunda-feira (9). #meio #charge #bancomaster #vorcaro

Charge do Sppaca (Arquivo Google)

Jorge Béja

Todos os Tribunais de Justiça nacionais são formados por número ímpar de magistrados. Tanto o plenário quanto os órgãos que compõem as Cortes. O Supremo Tribunal Federal é composto por 11 ministros. E cada uma de suas duas turmas é composta por 5 ministros.

O número ímpar de integrantes das cortes não é superstição. Nem, muito menos, coincidência. A finalidade é evitar que os julgamentos, sejam pelo plenário, sejam por turmas, nunca terminem em empate.

RAZÃO LÓGICA – Diante desta razão juridicamente lógica, conclui-se que a Segunda Turma do STF não pode julgar Daniel Vorcaro, seus comparsas, nem o Banco Master. Esse impedimento acontece porque a Segunda Turma está composta de apenas quatro ministros, em razão do impedimento e suspeição de Dias Toffoli para decidir sobre o Master.

E quando isso acontece a parte a quem aproveita o empate fica em flagrante vantagem. Em qualquer julgamento do caso Master pela Segunda Turma o placar de 2 a 2 favorece Vorcaro & Cia, quer estejam criminalmente investigados acusados, denunciados, ou mesmo réus, em se tratando de ação penal com denúncia já apresentada e recebida.

A vantagem decorre do princípio “in dubio pro réu”, que é fundamental para o Direito Penal e Processual Penal. O placar 2 a 2 deixa a dúvida: inocente ou culpado, E o réu é beneficiado.

E NO PLENÁRIO – E se o julgamento fosse levado ao plenário?  A resposta não seria a mesma, porque, com o impedimento de Toffoli, por ora o plenário estará formado por nove ministros, impossibilitando o empate como resultado.

Outrora, em situação idêntica à que se encontra atualmente o STF, eram chamados ministros do Superior Tribunal de Justiça para a composição integral da Corte. Hoje, não mais.

O Regimento Interno do STF é outro e não admite o que era razoavelmente bom, justo e célere, para o desate dos julgamentos, evitando-se a possibilidade de ocorrer empate, repita-se.

HIPÓTESE ODIENTA – O que vai escrito a seguir deixa qualquer pessoa indignada. Revoltada, mesmo. Mas não se pode desrespeitar a lei, nem contorná-la.

Enquanto perdurar a atual composição da Segunda Turma, Daniel Vorcaro, seus asseclas e o Banco Master não podem ser julgados pelo Supremo Tribunal Federal. Portanto, até que a composição da Corte seja regularizada na forma da Constituição Federal e dos princípios que regem a Ciência do Direito, Vorcaro e sua “gang” teriam até o direito de deixar a prisão.

E não se pode negar que é possível o resultado de 2 a 2 no recurso que está em curso, em que os ministros Mendonça e Fux já votaram a favor de manter a prisão preventiva, e aguarda-se o voto dos ministros Gilmar Mendes e Nunes Marques.

Eleitor com mais de 70 anos pode ser fiel da balança nas eleições de 2026

Aceitar estoicamente o destino não deve impedir nossa evolução política e social

Ilustração de Ricardo Cammarota foi realizada em técnica digital, vetorial, sobre fundo preto com moldura fina dourada de cantos arredondados. A composição é formada por elementos geométricos e símbolos distribuídos horizontalmente. À esquerda, uma linha vertical dourada conecta um círculo serrilhado menor na parte superior, um círculo maior com múltiplos raios ondulados na região central e uma lua crescente na parte inferior. No centro, uma linha curva dourada atravessa a composição formando ondas suaves. Sobre essa linha está uma balança simétrica com haste vertical central e dois pratos triangulares suspensos, ambos preenchidos parcialmente por formas semicirculares douradas. Abaixo da balança aparece o símbolo da letra grega psi (Ψ). À direita, uma linha vertical sustenta uma sequência de formas geométricas. Na parte superior há um círculo contendo triângulos sobrepostos e um triângulo preenchido voltado para baixo. Abaixo aparecem dois triângulos alinhados verticalmente, um deles com um círculo vazado no centro. Mais abaixo há triângulos contornados, alguns com linhas tracejadas. Pequenos pontos e estrelas douradas e brancas estão espalhados pelo fundo, simulando um céu noturno.

Ilustração de Ricardo Cammarota (Folha)

Luiz Felipe Pondé
Folha

Quando escolas filosóficas entram na moda, temos como consequência dois fenômenos. O primeiro, negativo, é o uso abusivo de ideias tiradas de contexto e utilizadas como algum tipo de ferramenta motivacional. Penso que a categoria de conteúdo motivacional é uma das misérias do pensamento em nosso tempo. Viciante, move toda uma economia de ideias empobrecidas a serviço da ignorância e da mentira sistemática.

O segundo ponto, positivo, é a possibilidade de que a escola filosófica que “entra na moda” possa despertar em almas mais consistentes o interesse pela filosofia que está em questão. E a escola filosófica à qual me refiro neste artigo é o Estoicismo.

CONSTATE ESTÓICA – O filósofo espanhol, autor do grande dicionário de filosofia que carrega seu sobrenome, José Ferrater Mora, afirma no verbete “Estoico” que o estoicismo se caracteriza por ser uma “constante estoica”. Esse fato pode ser responsável, em grande parte, pelo seu sucesso entre o senso comum e, mesmo, no uso empobrecido, quando essa constante se despedaça no discurso motivacional.

“Constante estoica” significa que o estoicismo fala com todos nós, independente da época em que vivemos, principalmente, se levarmos em conta o fato que os verdadeiros estoicos viveram na Grécia e em Roma desde o século 4º a.C., com seu fundador Zenão de Cítio, em Atenas, e seguiram até o século 2º d.C. em Roma, com o imperador filósofo Marco Aurélio.

SEIS SÉCULOS – No total, cerca de 600 anos se passaram até que seu último grande representante, Marco Aurélio, viesse a morrer em 180 d.C. Por isso, trata-se de uma escola filosófica cujas fontes são fragmentadas, muitas vezes contraditórias.

O maior acesso que temos a essas fontes são dos três grandes estoicos em Roma, Sêneca, senador romano, Epicteto, escravo liberto grego, mas que viveu parte da sua vida em Roma, e o imperador filósofo Marco Aurélio. Esses poucos dados servem para nos dar alguns parâmetros da complexidade da constituição temporal da escola estoica.

O primeiro problema com relação à banalização do estoicismo é porque se trata de uma filosofia muito distante do discurso de sucesso e controle da vida que marca a nossa época. Muito pelo contrário, um estoico porá em dúvida a validade de pensar a vida como um projeto de controle sobre as coisas e os eventos a nossa volta.

BANALIZAÇÃO – Por outro lado, sem que isso justifique a banalização que toda moda de pensamento carrega consigo, a ideia de que podemos, sem apelos a tradições religiosas práticas, aprender racionalmente a viver com menos sofrimento, pode parecer que se trata de uma espécie de “autoanálise cognitiva” a serviço de uma vida melhor.

O que a faz uma constante também é sua proposta de que podemos, por nós mesmos, nos tornarmos mais sábios, ainda que aprendendo com a tradição filosófica que lhe era anterior. De novo, nada mais distante da ideia contemporânea de que a tradição de nada serve a não ser como afetação vintage.

Vejamos alguns dos temas que marcam, por exemplo, o universo de angústias estoicas —que são constantes entre nós humanos— na abordagem do imperador filósofo Marco Aurélio.

AS ANGÚSTIAS – Misantropia, ou seja, uma desconfiança profunda com relação aos homens e suas ações no mundo, o medo da morte, o sentimento do vazio da existência, a monotonia, a covardia repentina que nos acomete diante da vida e, acima de tudo, a consciência da efemeridade do tempo —a fuga do tempo— e da impotência humana.

Assim, o especialista Pierre-Maxime Schuhl resume as preocupações estoicas centrais. Pergunto: como encarar temas como esses banalizando-os, vestindo-os com a capa da simplificação a favor do sucesso no fim do dia?

Por outro lado, estoicos como Epicteto, seguido por Marco Aurélio, estabelecerão três estratégias ou modos de ação diante dos problemas da vida, conhecidas como “topoi”. Em oposição a eles, identificarão vícios simétricos, já que esses “topoi” serão entendidos como virtudes, por sua vez.

VAZIO DE INTELIGÊNCIA – É preciso entender que tudo tem uma causa que é fruto da natureza e que escapa ao nosso controle e que, portanto, não devemos atribuir uma intenção contra ou a favor de nós. O vicio oposto, por sua vez, é o “vazio de inteligência”, ou seja, a incapacidade de compreender nossa impotência diante da natureza ou do cosmos.

Sempre levarmos em conta aqueles que vivem conosco, portanto, ter um senso de comunidade ativo. O vício oposto é se apartar do vínculo com as pessoas com quem vivemos.

Estar atento a nossa alma, intelecto e corpo, e não fazer deles veículos de desordem. O vício oposto é contaminar, com as agitações da nossa alma e do nosso corpo, o mundo a nossa volta.

Declarações de Eduardo voltam a gerar incômodo no núcleo de Flávio Bolsonaro

Uma viola enluarada que marcou época, fustigando o regime militar

Marcos E Paulo Sérgio Valle Discography: Vinyl, CDs, & More | Discogs

Paulo Sérgio e Marcos Valle, irmãos e parceiros

Paulo Peres
Poemas & Canções

Os irmãos cantores e compositores cariocas Paulo Sérgio e Marcos Kostenbader Valle fizeram em parceria a música “Viola Enluarada”, cuja letra mostra que era preciso lutar, enfrentar a ditadura militar vigente no Brasil desde 1964 e buscar a liberdade. A música intitula o LP Viola Enluarada, lançado por Marcos Valle, em 1967, pela Odeon.

VIOLA ENLUARADA
Paulo Sérgio Valle e Marcos Valle

A mão que toca um violãoSe for preciso faz a guerraMata o mundo, fere a terraA voz que canta uma cançãoSe for preciso canta um hinoLouva à morteViola em noite enluaradaNo sertão é como espadaEsperança de vingança
O mesmo pé que dança um sambaSe preciso vai à lutaCapoeiraQuem tem de noite a companheiraSabe que a paz é passageiraPrá defendê-la se levantaE grita: “Eu vou!”
Mão, violão, canção e espadaE viola enluaradaPelo campo e cidadePorta bandeira, capoeiraDesfilando vão cantandoLiberdade
Quem tem de noite a companheiraSabe que a paz é passageiraPrá defendê-la se levantaE grita: “Eu vou!”Porta bandeiraCapoeiraDesfilando vão cantandoLiberdade… 
Liberdade, liberdade, liberdade

À espera de decisão de Moraes, Michelle mantém distância da campanha de Flávio

Derretimento entre independentes leva Flávio Bolsonaro a redesenhar estratégia eleitoral

Votações simbólicas no Congresso dificultam pressões sobre parlamentares

O cessar-fogo jamais chega ao Oriente Médio, apesar da nova crise do petróleo

Sob a sombra da Ficha Limpa, políticos recorrem à Justiça para disputar eleição

Esquerda está presa à armadilha de pedir sempre apoio do STF, sem debater ideias

charge de Thiago Lucas (@thiagochargista), para o Jornal do Commercio.  #DiasToffoli #bancomaster #justiça #master #STF #lula #moraes #chargejc  #chargejornaldocommercio #chargethiagojc #chargethiagolucas  #chargethiagolucasjc *digital

Charge de Thiago Lucas (Jornal do Commercio)

Maria Hermínia Tavares
Folha

A Parada LGBT+ é hoje o único movimento progressista que mobiliza e leva multidões de brasileiros às ruas. Talvez por ser singular mistura de alegria de festa com afirmação bem-humorada de identidade e combativo engajamento por direitos.

Outros movimentos mais tradicionais do campo da esquerda — por melhorias urbanas; pelo acesso a moradia e à saúde; contra a discriminação racial ou de gênero; ou por direitos trabalhistas, campo de atuação sindical— certamente continuam aí. Há mais de uma década, porém, disputam as ruas e praças com a extrema direita — quase sempre em desvantagem.

EXEMPLO DO PT – O mesmo se pode dizer do PT, cuja militância se confundia em boa medida com ativistas sindicais e de organizações populares. E mais ainda das agremiações partidárias que orbitam em torno da legenda de Lula.

Haverá boas explicações para a dificuldade que o partido e seus movimentos encontram para mobilizar multidões em torno de agendas menos ou mais ambiciosas. Entre elas, a proximidade com o governo federal ocupado pela coalizão encabeçada pelo PT, ensejando que lideranças sociais e ativistas partidários fossem sugados pela máquina pública.

A verdade é que desde a vitória de Bolsonaro, em 2018, a reação extraparlamentar progressista às ameaças à democracia e aos direitos fundamentais não se deu prioritariamente nas ruas. As esquerdas assumiram a judicialização como estratégia principal.

APOIO DO STF – Entre 2019 e 2022, usando instrumentos previstos na Constituição — em especial a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) e a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) —, buscaram barrar no Supremo Tribunal Federal as iniciativas mais reacionárias do Executivo ou do Legislativo.

Naquele período, foram protocoladas cerca de 2.000 ADIs e 600 ADPFs, que trataram de providências relativas à epidemia de Covid 19; meio ambiente e fiscalização ambiental; proteção de povos indígenas durante o surto; operações policiais nas favelas; cerceamento à liberdade de expressão; decretos sobre uso de armas de fogo.

Embora não tendo sido os únicos, os partidos de esquerda foram os principais motores da judicialização. Provocados por movimentos sociais e organizações não governamentais, tornaram-se os maiores litigantes, destacando-se pela frequência de seus recursos à Suprema Corte: pela ordem, PSOL, Rede, PDT, PT, PSB e PCdoB. Não estando habilitadas por lei a usar aqueles instrumentos, as ONGs frequentemente participaram das ações, contribuindo com pareceres técnicos.

SEM IDEIAS NOVAS – Para as forças progressistas, a judicialização é estratégia defensiva com vantagens e limitações, porque pode deixar em segundo plano a organização e a mobilização social em defesa de suas causas. E se beneficiam da diminuição da assimetria de poder quando a disputa se instala no terreno da interpretação legal.

Por outro lado, o recurso à Suprema Corte, além de aumentar perigosamente o poder de seus 11 magistrados, acaba delimitando a agenda das esquerdas.

Esta fica reduzida à batalha pelo programa inscrito na Carta —dispensado o debate de ideias. Especialmente de ideias novas para problemas ausentes do horizonte dos constituintes de 1988. E se algo não falta neste país são problemas.

Quando a Justiça falha, os três Poderes logo se corrompem, diria Montesquieu

BELA, RECATADA E ENVERGONHADA" SOBRE A CHARGE ACIMA RESPONDA: O SIGNIFICADO DA PALAVRA DEMOCRACIA ESTÁ - brainly.com.br

Charge do Duke (Itatiaia)

Carlos Newton

Se ainda estivesse entre nós, o genial Barão de Montesquieu estaria acompanhando a política brasileira com a maior atenção e curiosidade. Logo de início, constataria que o problema deste país continental é que não consegue ter um só poder que funcione a contento. Os três conseguiram apodrecer a um só tempo, levando o Brasil a uma situação muito preocupante, não há a menor dúvida.

Sua famosa obra “Do Espirito das Leis”, em que estabelecia uma relação harmônica entre os poderes para possibilitar o aperfeiçoamento da política, foi publicada em 1748, antes da Independência dos Estados Unidos (1776) e da Revolução Francesa (1789), tornando-se fundamental para o surgimento e a consolidação das democracias.

TEORIA E PRÁTICA – Montesquieu morreu sete anos depois de publicar sua revolucionária tese, sem ter comprovado como a teoria funcionaria na prática, pois viveu num mundo ainda governado por monarcas ou déspotas.

O filósofo iluminista previu a consolidação das democracias, mas não desceu a detalhes, apenas demonstrou que a política somente funcionaria corretamente se houve independência, respeito e harmonia entre os três Poderes.

Essa regra não tem exceção e demonstra ser imutável. Não há como uma democracia transcorrer normalmente se qualquer um dos poderes estiver atuando de forma irregular. Ou seja, Montesquieu acertou em cheio. Quase 300 anos após serem testadas na prática as regras de sua obra-prima, não há como atualizá-la. Nenhum poder pode se desgarrar, e fim de papo.

PRIMADO DA JUSTIÇA -A única novidade que o filósofo francês poderia comprovar é que, na democracia, a regra mais importante mostra ser o funcionamento adequado do Judiciário. Quando a Justiça faz a sua parte na fiscalização mútua dos poderes, o Executivo e o Legislativo são forçados a também atuar a contento, por saberem que qualquer decisão irregular pode ser punida, mesmo que não tenha muita gravidade.

Portanto, quando a Justiça fraqueja e se curva à impunidade dos poderosos, todo o resto desaba, como num castelo de cartas. É justamente o que está acontecendo no Brasil, nesta triste fase que estamos atravessando.

E os exemplos são múltiplos. Um ministro do Supremo pode cobrar R$ 3,6 milhões mensais a um banqueiro criminoso, ser gravado tentando bloquear a intervenção na instituição financeira dele, e não acontece nada, rigorosamente nada.

MAIS EXEMPLOS – Outro ministro recebia R$ 100 mil mensais da mulher, sem declarar ao Imposto de Renda, depois tornou-se dono de um luxuoso resort, ninguém sabe onde arranjou o dinheiro. Em decisões inexplicáveis, devolveu bilhões de reais a empresários corruptos que tinham confessado os crimes, e também não há possibilidade de punição a esse magistrado.

Ao mesmo tempo esses dois ministros consideraram “terrorista” um pequeno empresário que deu R$ 500 numa vaquinha para alugar um ônibus e conduzir manifestantes a Brasília. Sem clemência ou remorso, condenaram-no a 14 anos de prisão e multa vultosa, e a ampla maioria do STF considera normal esse julgamento.

Se constatasse esse deplorável funcionamento da Justiça, o Barão de Montesquieu poderia ter um mal súbito e morrer na hora. Ele jamais conseguiria entender como um regime político de tal nível pode ser considerado democracia. Desse jeito, não há iluminista que resista a tanto obscurantismo.

###
P.S. –
Em meio a esse regime de trevas, o Brasil prepara mais uma eleição presidencial, sob os auspícios de uma imprensa claramente amestrada, que não zela pelos interesses nacionais e se comporta como se o Brasil estivesse funcionando como uma democracia perfeita, Essa situação demonstra que muitos jornalistas, decididamente, não têm medo do ridículo. (C.N.)

Ataques ao STF batem recorde nas redes e revelam nova frente da guerra política digital

No desespero, Flávio Bolsonaro procura mulheres para esquentar sua chapa

A Ministra Damares Alves e eu na luta por um Brasil melhor. Mulher sofrida e guerreira, tem meu apoio.

Bia Kicis e Damares Alves, na mira do Tariflávio

Vicente Limongi Netto

Imprensa do mundo inteiro revela que o candidato Tariflávio Rachadinha está enlouquecido, a procura de  duas mulheres para compor sua equipe.  Uma para vice-presidente e outra para ministra da Fazenda. Para vice, o candidato achocolatado escolheria bem se convidasse a mulher de 37 anos, Amanda Maria,  que enganou a boa fé e a bondade de muitas famílias se passando por adolescente de 12 anos. 

Como a candidatura do achocolatado Tariflávio é uma oceânica empulhação, a vigária seria vice ideal. Com acolhimento total no Partido Liberal. 

Já para o poderoso Ministério da Fazenda, o impoluto Tariflávio poderia consultar seu papaizinho, que certamente indicaria ao filhote mais velho duas fortes e maravilhosas formosuras – a senadora plastificada Damares Alves, versão tupiniquim da Madre Tereza de Calcutá com gripe, e a deputada espaçosa Bia Kicis, jurista de meia pataca. Equipe perfeita.  

COPA DO MUNDO – A Netflix exibe série sobre a conquista do tri. Erra muito, acerta pouco na edição e na produção. Em artigo, craque Tostão retrucou partes referentes à sua convocação. A série erra feio, também, quando trata João Havelange com infâmias. Atitudes indignas, vindas de canalhas e covardes. 

Por fim, o acadêmico Ignácio de Loyola Brandão mandou mensagem acerca de meu ácido comentário no Facebook sobre os chatos e intoleráveis cavalinhos do Fantástico, também presentes na Copa do Mundo. Pena que não fiquem por lá de vez:

“Vicente, desde que apareceram, tenho pavor destes cavalinhos. Bregas, cafonas, chatos, sem graça, rídículos. A TV Globo desce lentamente. Para onde? Sei lá…

Abraços

Ignácio

Governo faz autocrítica e tenta atrair o centro para evitar isolamento no Congresso

Com 250 mil contratos suspeitos, INSS ignora a dimensão das fraudes do Master

Milhares de contratos foram validados sem biometria suficiente

Vinicius Sassine
Folha

O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) afirmou não ter elementos suficientes para dimensionar as fraudes do Banco Master, mesmo com a existência de uma auditoria interna sobre contratos inválidos, de uma auditoria da CGU (Controladoria-Geral da União) e de um acordo prévio para apuração dos danos e cobrança dos valores em benefício de aposentados e pensionistas.

Esse acordo era costurado no âmbito da Procuradoria da República no Distrito Federal, que instaurou um inquérito civil público para investigar as fraudes do Master no crédito consignado a aposentados e pensionistas. Pelo acerto desenhado na Procuradoria, caberia ao INSS apurar o tamanho do dano, e à DPU (Defensoria Pública da União) cobrar do Master a reparação aos aposentados.

INDEFINIÇÃO – O acordo não é mais objeto de negociação, e há uma indefinição sobre o ressarcimento a aposentados lesados pelo banco de Daniel Vorcaro. Contratos foram assinados mesmo sem validação satisfatória da identidade de beneficiários e sem a entrega de documentos equivalentes ao INSS.

A operação de consignado junto a aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC (Benefício de Prestação Continuada) só foi possível em razão da existência de um acordo de cooperação técnica entre Master e INSS, que vigorou entre 2020 e 2025.

Segundo as investigações, há suspeita de descontos indevidos, fraudes em contratos e dúvidas sobre consentimento dos beneficiários. Os casos envolvem empréstimos consignados, especialmente os operados pelo Credcesta, um cartão que incluía benefícios –como desconto em farmácia e auxílio-funeral– e funcionou como carro-chefe do banco de Vorcaro.

IRREGULARIDADES – Uma auditoria sigilosa da CGU chegou a precisar a quantidade de contratos com indícios de irregularidades. O documento foi usado nas investigações da CPI Mista do INSS, encerrada em março no Congresso. Conforme a CGU, 96,6 mil contratos de empréstimo consignado foram validados pelo Master sem reconhecimento biométrico suficiente para confirmar a identidade dos beneficiários, entre 2023 e 2025. Isso equivale a 62,4% dos contratos assinados no período.

No mesmo relatório, a CGU afirmou que 155,1 mil operações do Master, entre 2021 e 2023, foram efetivadas sem o envio necessário dos documentos ao INSS, o equivalente a 84,3% das operações feitas no período. O problema persistiu em 2024 e em 2025.

O próprio INSS apontou falhas graves em mais de 250 mil contratos de crédito consignado entre o Master e aposentados e pensionistas do regime geral de previdência.

DIMENSÃO – No último dia 18, o órgão federal afirmou em um documento enviado ao MPF que não tem elementos suficientes para dimensionar “a existência, a extensão e a liquidez” de créditos de aposentados vítimas de fraudes perpetradas pelo Master na área de consignados, como mostrou a Folha em reportagem veiculada no dia 28. Essa limitação é ainda pior, conforme o documento, no caso dos contratos do Credcesta, o principal produto ofertado na área pelo banco de Vorcaro.

O INSS disse que não tem competência para fazer a representação legal de beneficiários lesados nem para atuar com “cobrança de valores em nome de terceiros”, e que não buscará a habilitação de créditos concursais ou extraconcursais em nome de aposentados, no âmbito da liquidação do Master, decretada pelo BC (Banco Central) em novembro de 2025.

A habilitação de créditos extraconcursais, em nome de vítimas de fraudes, colocaria esses beneficiários no topo das prioridades de pagamentos pelos liquidantes do banco. A Procuradoria da República no DF fez uma recomendação nesse sentido, em fevereiro.

PARCERIA – Em nota, o INSS afirmou que não existe registro de acordo com MPF e DPU para busca por reparação a aposentados. “Contudo, o INSS segue trabalhando em parceria com o MPF e a DPU dentro das competências legais da instituição.” Uma apuração interna avalia a quantidade de operações irregulares, com respeito ao direito ao contraditório e à ampla defesa, disse o órgão. “O INSS segue avaliando todos os indícios de irregularidades apontados pela CGU. O processo ainda não foi finalizado.”

A DPU afirmou, em nota, que beneficiários que se sentirem prejudicados podem procurar o órgão para tratamento individual junto a instituições financeiras. “A Defensoria atua desde 2024 para melhorias no sistema de concessão de empréstimos consignados para aposentados. O objetivo é evitar fraudes, especialmente para a população vulnerável.”

Uma ação civil pública e uma recomendação ao INSS cobram responsabilização por práticas lesivas, disse a DPU. A defesa de Vorcaro diz que o banco respeitou normas e procedimentos estabelecidos pelo INSS. O acordo que vinha sendo desenhado para reparação a aposentados e pensionistas envolveu a PFDC (Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão), que funciona no âmbito da PGR (Procuradoria-Geral da República).

SEM REPARAÇÃO – Entre os participantes das tratativas existe o entendimento de que, sem um acordo, beneficiários podem ficar na mão, sem reparação por fraudes do Master. Também há um risco de a União ter de arcar com esses prejuízos, segundo o mesmo entendimento, uma vez que o INSS pode ser acusado de não ter fiscalizado a execução do acordo de cooperação nem ter exigido cópias dos contratos.

A base de dados usada pelo INSS registra uma explosão da quantidade de contratos do Credcesta via Master, de 104,8 mil contratos em 2022 para 2,75 milhões em 2024, um aumento de mais de 2.500%. O próprio órgão descreve em documentos um “padrão de desconformidades” e riscos aos beneficiários com esses créditos.

A Procuradoria da República pediu que a nova presidente do INSS, Ana Cristina Viana, apresente “a lista definitiva e pormenorizada contendo a identificação dos beneficiários e os respectivos contratos reconhecidos como inválidos”. Ela assumiu o cargo em abril, em substituição ao procurador federal Gilberto Waller Júnior, que exerceu o cargo por 11 meses.