Com Bolsonaro afastado, indicação dos filhos ao Senado enfrenta resistência

Aliados resistem em acatar indicação de Flávio e Eduardo

Bruno Ribeiro
Ana Luiza Albuquerque
Folha

A primeira decisão política tomada pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sem aval público do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), enfrenta resistências da direita.

Aliados do ex-presidente criticam a escolha do presidente da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), André do Prado (PL), para o Senado em São Paulo, feita por Eduardo com a concordância de Flávio. O argumento principal é de que André não pertenceria ao grupo político —seria um integrante do centrão.

SEM JUSTIFICATIVA – Um membro do grupo disse à reportagem, sob reserva, que não há nada que explique a indicação do deputado estadual para a chapa e que, portanto, não há uma justificativa plausível para se apresentar ao eleitor.

Bolsonaro já havia externado, segundo aliados, que, caso Eduardo não pudesse disputar o cargo, seu indicado seria o vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo (PL). Eduardo, contudo, atendendo a pedidos do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e de Tarcísio de Freitas (Republicanos), optou por André.

Enquanto esteve detido na unidade conhecida como Papudinha, em Brasília, Bolsonaro vinha sendo procurado por aliados para dar aval a candidaturas estaduais e resolver conflitos internos no bolsonarismo. Em fevereiro, levantamento da Folha mostrou que, no período de um mês, o STF (Supremo Tribunal Federal) havia recebido 25 pedidos de visitas de políticos interessados na chancela a suas candidaturas.

FORA DAS ARTICULAÇÕES – Desde que passou para a prisão domiciliar, no fim de março, o ex-presidente está impedido de receber visitas, com exceções dos filhos, de advogados e de médicos. Na última terça (12), Prado disse, durante um evento em São Paulo sobre segurança pública promovido por Tarcísio, que ele foi escolhido “pelo Eduardo Bolsonaro, pelo Flávio Bolsonaro, pelo governador Tarcísio de Freitas e pelo Partido Liberal”.

“No dia a dia, essas pessoas [que criticam] vão me conhecer e vão saber por que o Eduardo me escolheu, o que eu agrego para a campanha do Flávio Bolsonaro em São Paulo”, disse o deputado estadual, afirmando ainda que é uma pessoa “leal”.

“Jamais o Eduardo, juntamente com Flávio, faria um anúncio de apoio à minha candidatura se não tivesse o aval do presidente Bolsonaro. Estou muito tranquilo em relação a esse apoio”, completou André, reconhecendo, porém, que o nome preferido do ex-presidente era o de Mello Araújo. À Folha o vice-prefeito paulistano disse: “Se o Tarcísio gosta tanto do André do Prado, por que não o levou para ser vice, que seria o certo?”

PEDIDO NEGADO – Mello Araújo afirmou que não fez lobby por sua candidatura ao Senado nem mantém contato com os filhos do ex-presidente, mas que tentou marcar uma visita a Bolsonaro para o próximo dia 18, o que foi negado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes. Como não renunciou ao cargo dentro do prazo, o vice-prefeito não pode mais se candidatar neste ano.

“O PL tem um papel importante [na eleição], deveria sim ser protagonista [em São Paulo], e ficou de fora. E aí o Tarcísio, para amenizar, começou a fazer campanha para André do Prado para ser senador”, disse Mello Araújo.

O deputado federal Ricardo Salles (Novo), que também pretende concorrer ao Senado por São Paulo, deve disputar os votos do eleitorado da direita contra André e o também deputado federal Guilherme Derrite (PP). No último fim de semana, Salles insinuou que a indicação foi fruto de um acordo financeiro.

“FILHOTE DO VALDEMAR” – Em uma publicação no X (ex-Twitter) no sábado (9), disse que, caso tirassem da chapa “o filhote do Valdemar” —em referência à aliança entre André e o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto—, ele retiraria sua candidatura. “Se fizer isso, abro mão na hora. Se não fizer, é porque realmente não querem devolver a grana do tal acordo com o centrão.” A Folha procurou o deputado para perguntar sobre a publicação, mas ele não quis dar detalhes.

No evento desta terça, André respondeu: “O Salles tem que saber que eu fui escolhido do grupo bolsonarista”. Valdemar foi procurado via WhatsApp, mas não respondeu. Eduardo publicou um vídeo no YouTube em resposta, com o título: “Aqui não, Salles”. “Ele [Salles] começou partindo para calúnia, dizendo que eu sou bandido, que eu sou corrupto, que eu estou aceitando dinheiro em troca do voto, de indicar as pessoas votarem no André do Prado.”

MOTIVOS DA INDICAÇÃO – Aliados de Tarcísio, sob reserva, citam três fatores que levaram o governador a trabalhar pela indicação de André: a lealdade demonstrada pelo presidente da Alesp até o momento, o passado de atritos entre o governador e Mello Araújo —que já fez uma série de críticas públicas a seu trabalho— e a perda de esperança na vitória de Derrite.

A reportagem procurou Tarcísio via email ao Palácio dos Bandeirantes, mas não teve resposta. No fim da semana passada, após confirmar a escolha de André, em entrevista à rádio Jovem Pan, ele disse que o presidente da Alesp seria o candidato mais votado ao Senado. “Ele é muito agregador. Vai ter os votos da direita, vai mobilizar os votos do centro”, afirmou. A Folha procurou a equipe de Flávio para tratar da indicação de André, mas não teve resposta.

Tarcísio reagiu com desconforto ao caso Vorcaro e questionou condução da crise bolsonarista

O “Zero Um” na linha de fogo: escândalo com Vorcaro ameaça afundar candidatura

Lei da Dosimetria já se transformou em símbolo da batalha por poder em Brasília

Charge dp Gilmar Fraga (Zero Hora)

William Waack
CNN

Quando foi aprovada, no fim do ano passado, a dosimetria surgiu como um compromisso político para evitar um confronto ainda maior entre Judiciário, que não iria deixar passar uma anistia, e um Congresso com clara maioria para aliviar de alguma maneira a situação dos condenados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por conta da trama golpista.

De lá para cá, com vetos e derrubada de vetos, o confronto só piorou e está escalando com a decisão monocrática do ministro Alexandre de Moraes de suspender a Lei da Dosimetria aprovada no Congresso. O confronto entre Judiciário e Legislativo vai piorando, pois a natureza dele não é simplesmente técnica ou baseada na interpretação de normas da Constituição ou no entendimento do regimento interno do Congresso, embora também seja.

DISPUTA DE PODER – Ela é uma disputa de poder entre um Parlamento que se vê ainda mais empoderado diante da perspectiva de aumentar a proporção de centro-direita nas próximas eleições, e nem estamos falando do resultado das presidenciais. E um Supremo cujos supremos poderes estão sendo erodidos por pressão política-pública, que é resultado em boa medida do comportamento político e pessoal de integrantes da própria Suprema Corte.

E aí não importa o que sejam as justificativas jurídicas para a decisão de Moraes, nem o que o Congresso possa apontar de falhas nelas para se propor a peitar o juiz Alexandre de Moraes. O Supremo encara seu papel como o supremo poder – e, se necessário for, impondo limites aos outros, especialmente o Legislativo, que está claramente disposto a devolver na mesma moeda.

Documentos apontam Eduardo como produtor-executivo e gestor financeiro de “Dark Horse”

Contrato liga Eduardo Bolsonaro a filme

Deu na Folha

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) atuou como produtor-executivo do filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e assinou um contrato com poderes sobre a gestão financeira do projeto, de acordo com o site The Intercept Brasil. Os documentos obtidos contradizem declarações públicas de Eduardo de que ele teria apenas cedido direitos de imagem, sem exercer nenhum cargo de gestão na produção.

Segundo o Intercept, o contrato, datado de novembro de 2023 e assinado digitalmente por Eduardo em 30 de janeiro de 2024, designa ele e o deputado federal Mario Frias (PL-SP) como produtores-executivos, ao lado da produtora GoUp Entertainment, sediada nos Estados Unidos. A função conferiria poder para lidar diretamente com o controle de orçamento e a gestão financeira de um projeto audiovisual.

RESPONSABILIDADE – Ainda de acordo com o site, os produtores-executivos teriam responsabilidade sobre decisões estratégicas de financiamento, preparação de documentação para investidores e identificação de fontes de recursos para o filme —que, na época, se chamava “O Capitão do Povo”.

Também haveria uma minuta de aditivo contratual, datada de fevereiro de 2024, citando Eduardo como “financiador” da produção. O Intercept ressalva que não há confirmação de que o aditivo tenha sido, de fato, assinado. Procurado pela Folha, Eduardo não se manifestou até a publicação deste texto.

Em entrevista à CNN na tarde desta sexta (15), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o contrato mostrado pelo Intercept é antigo e que Eduardo publicaria um vídeo para explicar a situação. Segundo o senador, seu irmão nunca fez a gestão dos recursos do filme.

REPASSE – Na quarta-feira (13), o Intercept revelou que Flávio articulou com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, o repasse de R$ 134 milhões para financiar a produção, dos quais R$ 61 milhões já foram pagos. Um áudio de setembro de 2025 mostra o senador cobrando mais recursos ao banqueiro. Flávio confirmou ter pedido dinheiro a Vorcaro para o filme, mas negou ter recebido ou oferecido vantagens em troca.

Nesta sexta, o Intercept também publicou mensagens em que Eduardo orienta o empresário Thiago Miranda, intermediário entre Vorcaro e a família Bolsonaro, sobre como enviar recursos aos Estados Unidos. “O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para o EUA é tranquilo”, teria dito Eduardo. Em outra mensagem, sugere: “Enviar o máximo possível ainda neste sistema atual, com o remetente atual”.

As mensagens indicam que parte dos valores negociados por Flávio com Vorcaro foi transferida ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas (EUA) e controlado por aliados de Eduardo —entre eles Paulo Calixto, advogado responsável pelo processo imigratório do ex-deputado nos Estados Unidos.

DESPESAS NOS EUA – A Polícia Federal apura se o dinheiro de Vorcaro para o filme teria custeado despesas de Eduardo nos EUA, para onde ele se mudou em fevereiro de 2025 alegando perseguição do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

Em postagem em redes sociais na quinta (14), Eduardo negou ter recebido recursos do fundo e afirmou que a suspeita “não se sustenta e é tosca”. Disse ainda que seu status migratório nos EUA não permitiria tal operação. Já Mario Frias informou ao Intercept que “Eduardo Bolsonaro não é e nunca foi produtor-executivo” do filme.

O orçamento total da produção, segundo documentos obtidos pelo site, está estimado entre US$ 23 milhões e US$ 26 milhões —valor que condiz montante que Flávio Bolsonaro negociou com Vorcaro: US$ 24 milhões.

O caso Vorcaro abre o baú de esqueletos da sucessão bolsonarista

PF investiga elo entre recursos do filme de Bolsonaro e estadia de Eduardo nos EUA

O testamento poético da criança que existe em nós, segundo Hilda Hist

Obsceno Hilda HilstPaulo Peres
Poemas & Canções

A ficcionista, dramaturga, cronista e poeta paulista Hilda Hilst (1930-2004), no poema “Testamento Lírico”, faz um lírico balanço sobre o que pediu e o que recebeu durante a vida.

TESTAMENTO LÍRICO
Hilda Hilst

Se quiserem saber se pedi muito
Ou se nada pedi, nesta minha vida,
Saiba, senhor, que sempre me perdi
Na criança que fui, tão confundida.
À noite ouvia vozes e regressos.
A noite me falava sempre sempre
Do possível de fábulas. De fadas.
O mundo na varanda. Céu aberto.
Castanheiras douradas. Meu espanto
Diante das muitas falas, das risadas.
Eu era uma criança delirante.
Nem soube defender-me das palavras.
Nem soube dizer das aflições, da mágoa
De não saber dizer coisas amantes.
O que vivia em mim, sempre calava.

E não sou mais que a infância. Nem pretendo
Ser outra, comedida. Ah, se soubésseis!
Ter escolhido um mundo, este em que vivo,
Ter rituais e gestos e lembranças.
Viver secretamente. Em sigilo.
Permanecer aquela, esquiva e dócil.
Querer deixar um testamento lírico
E escutar (apesar) entre as paredes
Um ruído inquietante de sorrisos
Uma boca de plumas, murmurante.

Nem sempre há de falar-vos um poeta.
E ainda que minha voz não seja ouvida
Um dentre vós, resguardará (por certo)
A criança que foi. Tão confundida.           

“Merecia o benefício da dúvida”: Flávio tenta conter desgaste após ataque de Zema

Crise de Flávio Bolsonaro transforma CPI do Master em nova guerra política no Congresso

Aliados de Alcolumbre descartam destravar comissão

Luísa Marzullo
O Globo

A crise provocada pela revelação das negociações entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro uniu governistas e oposicionistas no Congresso na defesa pública da criação de uma CPI para investigar o Banco Master.

Nos bastidores do Senado, porém, aliados do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmam que a ofensiva é vista mais como instrumento de disputa política e comunicação pública do que como uma articulação real para instalar uma comissão investigativa e, por isso, descartam destratar a criação do colegiado.

NEGOCIAÇÕES – A nova onda de pressão ocorre após a divulgação, pelo Intercept Brasil, de mensagens, áudios e documentos que apontam negociações entre Flávio e Vorcaro para financiar “Dark Horse”, filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a publicação, a negociação previa aportes de US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões — para a produção cinematográfica.

Depois da repercussão do caso, Flávio decidiu transformar a defesa da CPI numa das principais linhas de reação política da pré-campanha presidencial. Em nota divulgada após uma reunião de emergência com integrantes do núcleo político e jurídico do PL, o senador afirmou que buscava apenas “patrocínio privado para um filme privado” sobre a história do pai e voltou a cobrar a instalação da comissão parlamentar. “Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero: CPI do Master já”, afirmou.

Nos bastidores da campanha, a avaliação é que a defesa da investigação parlamentar pode ajudar Flávio a tentar se dissociar politicamente do escândalo e deslocar parte do desgaste para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No campo governista, a reação caminhou na mesma direção, ainda que com objetivo oposto.

“BOLSO MASTER” – Integrantes da base passaram a intensificar a tentativa de associar o escândalo do Banco Master ao bolsonarismo, numa ofensiva apelidada de “Bolso Master”. O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) afirmou que o caso reforçou a necessidade de instalação imediata da comissão. “Agora está claro o acordão no Congresso para aliviar corruptos do Centrão e da extrema-direita”, disse.

Apesar do endurecimento do discurso público dos dois lados, lideranças do Congresso avaliam que o tema se transformou sobretudo numa disputa sobre quem ficará politicamente associado ao escândalo do Banco Master às vésperas da corrida presidencial de 2026.

A resistência de Alcolumbre em relação à CPI do Banco Master antecede a crise envolvendo Flávio Bolsonaro e segue, até agora, inalterada. Na última sessão conjunta do Congresso, realizada há duas semanas, o presidente da Casa optou por não fazer a leitura do requerimento de criação da comissão, passo necessário para oficializar a instalação do colegiado.

TENSÃO – Nos bastidores, a decisão foi interpretada como um movimento para evitar a abertura de uma nova frente de instabilidade política num momento em que o Congresso já enfrentava tensão com o avanço de investigações relacionadas ao sistema financeiro. Na semana seguinte, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), aliado de primeira hora de Alcolumbre, se tornou alvo de um mandado de busca e apreensão, esfriando ainda mais qualquer chance de instalação.

Ao não ler o requerimento, Alcolumbre criou também um precedente político importante: mostrou que, mesmo diante de pressão pública e de assinaturas suficientes, a instalação de uma CPI pode continuar dependendo da conveniência política da presidência do Congresso.

Segundo interlocutores próximos ao senador, o cenário permanece o mesmo mesmo após a explosão do caso envolvendo Flávio e Vorcaro. Aliados afirmam que não existe previsão de nova sessão conjunta do Congresso no curto prazo e tampouco disposição política de Alcolumbre para destravar a comissão neste momento.

DESGASTE – Esses aliados afirmam que há receio de que uma CPI do Master produza desgaste transversal sobre lideranças do Centrão, contaminando as eleições deste ano. A avaliação no entorno do presidente do Senado é que tanto governistas quanto oposicionistas passaram a defender a CPI mais como ferramenta de discurso político do que como prioridade institucional real.

Interlocutores afirmam que nenhum senador procurou diretamente Alcolumbre nas últimas 24 horas para fazer um pedido efetivo de instalação da comissão, apesar da escalada pública das cobranças após a divulgação da reportagem do Intercept.

Aliados do presidente do Congresso também lembram que, nas semanas anteriores, a própria oposição havia concordado reservadamente em não pressionar pela leitura imediata do requerimento durante negociações internas no Senado. Houve um acordo para que o veto da dosimetria aos envolvidos no 8 de janeiro de 2023 pudesse ser votado sem a deliberação do colegiado.

Bolsonaro dobra a aposta em Flávio mesmo diante de revelações envolvendo Vorcaro

A bomba que abalou a candidatura de Flávio Bolsonaro

Flávio cobrou repasses milionários de Vorcaro

Pedro do Coutto

A campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro entrou abruptamente em sua fase mais delicada. Em poucas horas, a divulgação de áudios, mensagens e documentos envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro transformou o ambiente político da direita brasileira e produziu um dos maiores abalos da corrida eleitoral até agora.

As revelações publicadas pelo Intercept Brasil, repercutidas por veículos como O Globo, Folha de S.Paulo, Reuters e Associated Press, mostram diálogos em que Flávio cobra repasses milionários para a produção de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo as reportagens, pelo menos R$ 61 milhões já teriam sido transferidos ao projeto, embora o valor negociado pudesse chegar a R$ 134 milhões.

REFLEXO – O impacto foi imediato porque a crise atingiu justamente o principal esforço político da pré-campanha bolsonarista: transformar Flávio em um candidato mais moderado, menos ideológico e mais aceitável para setores empresariais, financeiros e do centro político.

Nos últimos meses, aliados trabalhavam intensamente para afastá-lo da imagem mais radical associada ao pai. A estratégia buscava vender a ideia de um político mais pragmático, capaz de dialogar com o mercado e ampliar alianças. Mas os áudios revelados desmontaram parte dessa construção.

Mais do que o pedido de recursos para o filme, chamou atenção o grau de proximidade entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Em uma das mensagens divulgadas, o senador chama o banqueiro de “irmão” e afirma que estaria “sempre” ao lado dele. O problema político é evidente: Vorcaro tornou-se o epicentro de uma das maiores investigações financeiras recentes do país, envolvendo suspeitas de fraude bilionária, corrupção, lavagem de dinheiro e relações obscuras entre empresários, agentes públicos e operadores políticos.

COBRANÇAS – A situação ganhou dimensão ainda maior porque não se trata apenas de uma relação pessoal ou informal. Os diálogos revelam cobranças financeiras diretas, preocupação com pagamentos atrasados e tentativas de garantir continuidade ao projeto cinematográfico justamente em meio ao avanço das investigações contra o antigo controlador do Banco Master.

O dano político não decorre apenas da existência do filme. Em campanhas eleitorais, produções audiovisuais, documentários e estratégias de comunicação são comuns. O problema está no contexto. O financiamento teria ocorrido por meio de um banqueiro posteriormente preso pela Polícia Federal e investigado em um esquema que já alcança integrantes do sistema financeiro, operadores políticos e até agentes públicos. Isso muda completamente a percepção pública do episódio.

A repercussão explodiu dentro da própria direita. Governadores como Romeu Zema e Ronaldo Caiado, ambos presidenciáveis, passaram imediatamente a avaliar os efeitos da crise sobre o tabuleiro eleitoral. Nos bastidores, aliados enxergam uma oportunidade rara de enfraquecimento do favoritismo interno de Flávio Bolsonaro dentro do campo conservador.

JOGO VIROU – O timing da crise também foi devastador. Poucas horas antes da explosão do caso, pesquisas mostravam recuperação do presidente Lula da Silva e manutenção de um cenário de empate técnico com Flávio em projeções de segundo turno. O escândalo deslocou o centro do debate político e alterou completamente o ambiente da campanha.

No mercado financeiro, a reação foi instantânea. O dólar disparou e a Bolsa brasileira caiu fortemente após a divulgação das reportagens, num movimento interpretado por analistas como demonstração de nervosismo diante da possibilidade de desorganização do principal projeto eleitoral da direita.

Há outro aspecto importante. Durante anos, o bolsonarismo construiu parte de sua identidade política em torno do discurso anticorrupção e da crítica às relações entre empresários, bancos e poder político. A revelação de negociações milionárias envolvendo um banqueiro investigado produz um desgaste simbólico profundo justamente porque atinge um dos pilares narrativos mais importantes do grupo político.

DUAS VERSÕES – A reação inicial de Flávio agravou o problema. Antes da divulgação completa das mensagens, o senador negou a existência dos contatos. Depois, diante da publicação dos áudios e documentos, passou a admitir que buscava “patrocínio privado” para um filme privado sobre o pai, negando ilegalidades. A mudança de versão produziu desconforto até entre aliados próximos, que passaram a considerar a condução inicial da crise um erro político relevante.

A grande questão agora é saber até onde essa crise irá. Em campanhas presidenciais, escândalos podem perder força rapidamente ou produzir efeitos acumulativos devastadores. Tudo dependerá da existência — ou não — de novos vazamentos, do avanço das investigações da Polícia Federal e da capacidade da oposição de manter o tema vivo no debate público.

ALÍVIO POLÍTICO – Por enquanto, o episódio produziu algo raro na política brasileira recente: abalou simultaneamente a estabilidade da candidatura bolsonarista, abriu espaço para adversários internos da direita e ofereceu ao governo Lula um inesperado alívio político num momento em que o Planalto enfrentava desgaste crescente.

A eleição ainda está distante. Mas algumas crises possuem capacidade de alterar permanentemente a percepção pública sobre um candidato. E é exatamente isso que preocupa hoje os aliados de Flávio Bolsonaro.

Partidos torram bilhões do Fundão e entram no vermelho às vésperas de nova eleição

O que irá acontecer com Ciro Nogueira e Flávio Bolsonaro, amigões de Vorcaro?

Vice dos sonhos” de Flávio Bolsonaro, Ciro Nogueira é alvo da PF por  suspeita de propina ligada ao Banco Master - Fundação Perseu Abramo

Nogueira e Flávio também cobravam por protegerem Vorcaro

Vicente Limongi Netto

Quando a Polícia Federal flagrou o senador socialista Chico Rodrigues (PSB-RR) com míseros dólares na cueca, foi um Deus nos acuda. Tiraram o couro do destrambelhado parlamentar. Inclusive este repórter, aqui na Tribuna da Internet. Tiveram de desinfetar cômodos do Senado.

E agora, com os dois sujos, emporcalhados e farsantes senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desmascarados como amigões do meliante Daniel Vorgaro? O que acontecerá?

PROVIDÊNCIAS? – O perfumado Davi Alcolumbre (União-AP) não vai tomar providências enérgicas em benefício da higiene e bem estar dos servidores e parlamentares? Não vai mandar tirar a sujeira dos carpetes, tapetes, cadeiras, garagem, plenário e banheiros por onde passam Flávio e Ciro? Nem desavisados sentam nas poltronas dos dois. Mas certamente não lhes acontecerá nada…

Os turistas estão espantados. Não voltam tão cedo ao Senado. O fedor nos rastros de Ciro e Flávio faz mal aos pulmões. Quando os desprezíveis e fedorentos senadores Flávio Bolsonaro e Ciro Nogueira entram no plenário, o busto de Ruy Barbosa tapa o nariz.

Falando de imundície, a Policia Federal prendeu o pai do meliante ex-banqueiro. Só escapou a mãe. Resta saber quanto tempo ficarão presos. Leis frouxas humilham e debocham do cidadão de bem. Políticos como Flávio Bolsonaro e Ciro Nogueira, envolvidos com o ex-banqueiro facínora, estão sangrando, caminhando a jato para a desmoralização. E o Brasil apodrecendo.

CANHOTINHA – O colunista Severino Francisco (Correio Braziliense- 12/05) traçou com irretocável precisão as características marcantes do cerebral meia Gerson Nunes, o notável e inigualável canhotinha de ouro do tri no México. Com invejável e apurada técnica, Gerson encantou estádios do mundo inteiro.

O botafoguense Severino Francisco recordou os lançamentos precisos de Gerson, na copa de 70, que consagraram Pelé e Jairzinho. Gerson foi eleito pela Fifa, depois de Pelé, o melhor jogador daquela copa. Até hoje, passados mais de 60 anos, a seleção brasileira não tem meia com as qualidades e a personalidade de Gerson. Triste constatação.

“Quando Gerson recebia passes de virada pelo alto, a matada de bola no peito valia o ingresso. A bola vinha torta, era amortecida e morria lentamente na ponta da chuteira”. Recorda Severino com justificável emoção.

É triste ver o STF manipular o Regimento para impedir a absolvição de Bolsonaro

Tribuna da Internet | Depois de superado o golpismo, é preciso impor limites severos ao Supremo

Charge do Alpino (Yahoo Notícias)

Carlos Newton

O jurista Jorge Béja recentemente citou aqui na Tribuna da Internet a “anarquia jurídica” que reina no país. Realmente, nunca se viu nada igual. Além das tais “reinterpretações” das leis pelo Supremo, um fenômeno recente que envergonha a Justiça do Brasil perante o resto do mundo, a esculhambação chega a tal ponto que o Supremo cometer erros propositais ao informar sobre seu Regimento Interno no caso de Jair Bolsonaro.

No dia 15 de maio, quando os novos advogados do ex-presidente deram entrada à ação de revisão criminal, o próprio site da Suprema Corte divulgou uma explicação oficial sobre o processo, citando dispositivos do Regimento Interno que absolutamente não se aplicam à questão, vejam até onde vai a desfaçatez. E o objetivo claro é afastar de imediato qualquer possibilidade de absolvição de Bolsonaro.

MANIPULAÇÃO – A matéria teve o título “Ex-presidente Bolsonaro apresenta revisão criminal contra condenação por tentativa de golpe de Estado, acrescido do ardiloso subtítulo que já induz a manipulação, ao destacar: “Instrumento processual é utilizado contra condenações definitivas, e competência para julgamento é do Plenário.

No texto, é equivocamente citado o artigo 6º do Regimento, inciso I, alínea c, determinando que compete ao Plenário “julgar a revisão criminal de Julgado do Plenário”.

A que ponto chegamos… É óbvio que os responsáveis pelo site do STF jamais tomariam a iniciativa de cometer erros propositais, em assunto de tal magnitude, porque poderiam ser demitidos. Portanto, algum ministro encarregou sua equipe de manipular as informações e passá-las aos editores do portal.

“REINTERPRETAÇÃO” – Fica claro que o grupo de ministros ligados a Lula deu início à “reinterpretação” do Regimento, para evitar a correção dos erros judiciários e processuais cometidos pelo relator Alexandre de Moraes e pela Primeira Turma, que os consagrou.

Esses ministros de forjado saber e reputação nebulosa tentam fingir que o artigo 6º se aplica ao caso, mas é grotesco fazê-lo, pois Bolsonaro não foi julgado pelo Plenário, até porque foi processado muito depois de ser presidente.

Eles procuram esconder também que em 7 de dezembro de 2023 aprovaram, por 10 votos a 1, a competência das Turmas para processar e julgar ações penais. As alterações no Regimento, que racionalizaram a distribuição dos processos criminais e reduziram a sobrecarga do Plenário, também acabaram com a figura do revisor nessas ações.

NOVA REALIDADE – Originalmente, a competência para julgar ações penais era do Plenário. O congestionamento da pauta no “Mensalão” motivou em 2014 o deslocamento para as Turmas, para acelerar a resolução das ações criminais no menor tempo possível.

Em 2020, o STF restaurou a competência do Plenário, que retomou a atribuição de processar e julgar, nos crimes comuns, o presidente e o vice-presidente da República, os presidentes do Senado e da Câmara, os ministros do STF e o procurador-geral da República, mas exclusivamente em relação aos crimes praticados no exercício e em razão da função pública.

Justamente por isso, Bolsonaro foi julgado pela Primeira Turma, sem possibilidade de recorrer ao Plenário, o que seus advogados até tentaram fazer, sem êxito. Mas agora os ministros (aqueles de sempre) querem melar o jogo e fazer Bolsonaro ser julgado no Plenário, onde a derrota dele é certa. Na Segunda Turma, porém, a absolvição tem chances de prevalecer, com o voto que Fux já deu, somados aos de Nunes Marques e André Mendonça, deixando Gilmar Mendes e Dias Toffoli como votos vencidos, conforme há meses temos afirmado aqui na Tribuna, com absoluta exclusividade.

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P.S. 1
Cabe aqui uma ressalva importantíssima. Ao trazer a debate esses erros propositais do site da Suprema Corte, o editor da Tribuna da Internet não tem a menor intenção de defender Jair Bolsonaro, a quem conhece pessoalmente e sempre o considerou um completo idiota, comparável a Lula da Silva, um político enganador de renome internacional. O que importa, no caso, é revelar como as leis podem ser manipuladas à vista de todos, como ocorreu em 2019, na libertação ilegal de Lula, e em 2021, na limpeza também ilegal de sua ficha, para que pudesse se candidatar.

P.S. 2Amanhã, vamos analisar a conturbada campanha eleitoral entre dois políticos de ficha suja – Lula da Silva, condenado sempre por unanimidade até no STJ, e Flávio Bolsonaro, o rachadista que só comprava imóveis com dinheiro vivo, para esconder a origem criminosa. Mas depois a gente volta a falar do Supremo e seu mar de lama, é claro. (C.N.) 

Um em cada cinco brasileiros diz já ter recebido oferta para vender o voto

Charge do Bennett (Instagram)

Maria Magnabosco
Estadão

Um em cada cinco brasileiros (22%) afirma já ter recebido oferta para vender o voto em alguma eleição, segundo pesquisa Ipsos-Ipec realizada em conjunto com o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) e divulgada nesta semana.

O levantamento faz parte da campanha “Voto não tem preço, tem consequências” e mostrou que a maioria dos entrevistados, ou seja, 62% da população, não se sente segura para denunciar o crime eleitoral, tampouco sabe como fazê-lo.

COMPRA DE VOTOS – A pesquisa mostra que três quartos da população consideram a oferta de dinheiro uma forma de compra de votos. Segundo a socióloga Adélia Franceschini, consultora do levantamento, porém, essa não é a única maneira de abordar os eleitores. “Há muitas outras formas de compra de voto que não chegam nem a 30%, como oferecer consultas médicas, facilitar o acesso a benefícios sociais, oferecer churrasco ou festa, entre outras”, explica.

“Temos dois problemas: um é a compra de votos em si, porque 22% já é muita gente. O outro é que cerca de 70% não entendem muitas moedas de troca como compra de voto, mas sim como um ‘favorzinho’”, afirma a socióloga.

A pesquisa também mostra que candidatos a cargos municipais são os que mais motivam tentativas de coação de eleitores. Os vereadores correspondem a 59% dos relatos de pessoas que afirmam já terem sido abordadas por candidatos ou cabos eleitorais com esse tipo de proposta. Os prefeitos aparecem em seguida, com 43%. Além disso, mesmo entre os que não foram diretamente abordados para vender o voto, 39% relatam que essa prática ocorre “sempre” onde moram. A soma dos que dizem que isso acontece “frequentemente” ou “às vezes” chega a 30%.

MAIOR INCIDÊNCIA – O levantamento mostra que o Nordeste é a região com maior incidência de entrevistados que apontaram ter recebido abordagens para vender o voto: 32%, dez pontos a mais que a média nacional e bem acima dos 18% do Sudeste, a mais populosa do país.

“Quanto menor a cidade, mais compra de votos. Mais gente depende de emprego na prefeitura, por exemplo. O dinheiro também é mais ‘útil’, ao permitir mais facilmente a satisfação de necessidades. Já nas cidades maiores, as cestas básicas são mais ‘práticas’ para os candidatos”, diz o cofundador do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, Chico Whitaker.

COMO DENUNCIAR –  Um dos objetivos da campanha do MCCE é incentivar denúncias de compra de votos ao Ministério Público e à Justiça Eleitoral. A pesquisa mostra, porém, que 62% dos brasileiros não sabem como denunciar o crime, enquanto 52% afirmam não se sentir seguros para fazer a denúncia.

A compra de votos, chamada pela legislação de “captação ilícita de sufrágio”, pode ser denunciada por meio do aplicativo Pardal, da Justiça Eleitoral e do Ministério Público, além de delegacias, promotorias, e-mails e ouvidorias. O crime inclui oferecer dinheiro, benefícios ou vantagens em troca de votos e pode levar a até quatro anos de prisão.

A pesquisa foi feita pelo Ipsos-Ipec entre 4 e 8 de dezembro do ano passado, com 2000 entrevistas em 131 municípios. O nível de confiança utilizado é de 95%. A margem de erro para as perguntas que englobam toda a amostra é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

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Tostão
Folha

Na lista final dos convocados para a Copa do Mundo, Ancelotti ainda deve ter algumas dúvidas, especialmente do meio para frente, com quatro jogadores (Andrey, Paquetá, Rayan e Neymar) para duas vagas. A polarização sobre Neymar, se ele deve ou não ir ao Mundial, está tão radical quanto à da política brasileira.

Carlo Ancelotti será o juiz e espero que tenha sabedoria para decidir. Ou a melhor solução seria jogar a moeda para cima e ver se dá cara ou coroa?

MUITA TENSÃO – Os jogadores que ainda não estão certos na Copa certamente estão tensos. Nos dois Mundiais em que atuei, 1966 e 1970, corri risco de ficar de fora por motivos diferentes. Em 1966, foram convocados 44 jogadores e apenas 22 estariam na Inglaterra.

Alguns foram cortados durante treinos e amistosos. Passamos 20 dias na Suécia e a lista final só ia sair dias antes da ida para a Inglaterra. Eu tinha 19 anos, era reserva de Pelé, e havia outros concorrentes.

Na véspera do anúncio dos 22 que iriam para o Mundial, encontrei no hall do hotel o supervisor Carlos Nascimento, um homem austero e de poucas palavras. Eu, por distração, convicção ou prepotência, perguntei a ele sobre o horário da viagem para a Inglaterra. Ele me olhou duramente e não disse nada. Não dormi, com medo de ser cortado por causa da gafe cometida. No outro dia, felizmente, estava na lista para a Copa.

MAIS PROBLEMAS – Em 1970, corri risco de não ir ao Mundial porque tinha sido operado de descolamento da retina e teria de ficar seis meses em completo repouso. Havia uma discussão nacional se eu poderia ou não jogar a Copa. Eu tinha sido artilheiro das Eliminatórias.

Fui convocado por João Saldanha, mas só me apresentei depois dos outros jogadores e fazia treinamento separado. Com a liberação médica, demonstrei que tinha condições de jogar.

Faltava convencer Zagallo de que eu deveria ser o titular, ao lado de Pelé. O time do Mundial foi escalado após um jogo-treino em Guanajuato, no México.

TIME ESCALADO – Pela primeira vez, Zagallo escalou o time com o volante Piazza de zagueiro, o meia Rivellino mais recuado e pela esquerda, formando um trio no meio-campo com Gerson e Clodoaldo, e eu de centroavante, ao lado de Pelé e Jairzinho.

Quando acabou o jogo-treino, Zagallo entrou no campo todo sorridente e disse, pelo olhar, que aquele time seria o da Copa.

A história, com o tempo, é contada de maneiras diferentes. Muitas pessoas deturpam a realidade e narram as coisas como elas gostariam que tivessem ocorrido. As versões costumam ser mais interessantes que as verdades.

MUITOS CRAQUES – A seleção brasileira de 70 encantou o mundo porque tinha muitos craques, era muito coletiva, organizada, equilibrada, com um trio no meio-campo e outro no ataque. Era uma equipe revolucionária para a época, pois marcava e atacava com muitos jogadores.

Porém, o que mais se diz e se repete é que era uma seleção extremamente ousada, ofensiva, que tinha cinco meias-atacantes (camisas 10) e que os jogadores tinham liberdade para fazer em campo o que queriam.

Logo após o título, mesmo os ativistas políticos que diziam que não iriam torcer pela seleção por causa da nefasta ditadura, e até os corruptos que roubavam dinheiro público, saíram pelas ruas comemorando, enrolados na bandeira nacional.

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