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Flávio Dino pressiona Hugo Motta e os partidos por explicações sobre emendas

Charge do Nado Motta (Brasil 247)

Fernanda Fonseca
CNN

O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), aguarda nesta semana explicações do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e de dirigentes de partidos políticos sobre a distribuição de emendas parlamentares. As cobranças foram feitas pelo ministro em duas decisões relacionadas à apuração sobre a influência do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, na destinação de recursos.

Motta deverá apresentar ao Supremo todos os documentos relativos à tramitação de 21 emendas investigadas pela Polícia Federal. Os registros devem ser entregues de forma individualizada e organizados por indicação. A Câmara também terá de informar quais providências adotou para suspender a execução dos recursos, que somam aproximadamente R$ 119 milhões.

INDICAÇÃO – Segundo a PF, as emendas teriam sido indicadas por Valdemar, embora ele não exerça mandato parlamentar. Deputados teriam sido registrados formalmente como solicitantes dos recursos para ocultar a atuação do dirigente partidário. A investigação apura suspeitas de peculato, desvio e associação criminosa. O caso surgiu a partir da análise de materiais apreendidos na Operação Transparência, que investiga a distribuição de emendas de comissão na Câmara.

Para a PF, servidores e assessores da Casa teriam atuado na elaboração de planilhas, no cadastramento das indicações e no encaminhamento dos recursos conforme orientações atribuídas a Valdemar.

Dino determinou a suspensão imediata da execução das 21 emendas, estejam elas nas fases de empenho, liquidação ou pagamento. O ministro também ordenou o bloqueio de até R$ 119,2 milhões em bens do presidente do PL. Na decisão, Dino afirmou que há indícios de que Valdemar, mesmo sem mandato, teria atuado como responsável pelo direcionamento de valores.

EXPLICAÇÕES DOS PARTIDOS – Dino também determinou que os presidentes de 21 partidos com representação no Congresso esclareçam se participam da definição, gestão, distribuição ou operacionalização de emendas parlamentares. Os dirigentes devem informar se possuem cotas, reservas ou algum outro mecanismo próprio de alocação de recursos. Caso a prática exista, terão de explicar sua finalidade, abrangência, base jurídica e forma de autorização.

O ministro também pediu detalhes sobre os instrumentos usados para formalizar as indicações, como normas internas, atas ou documentos semelhantes. A determinação foi tomada após Valdemar afirmar, em uma entrevista, que presidentes de partidos também participam da indicação de emendas parlamentares.

Pela legislação, porém, a apresentação e a deliberação sobre esses recursos são prerrogativas de deputados e senadores no exercício do mandato. Foram intimados os presidentes de Avante, Cidadania, MDB, Missão, Novo, PCdoB, PDT, PL, Podemos, PP, PRD, PSB, PSD, PSDB, PSOL, PT, PV, Rede, Republicanos, Solidariedade e União Brasil.

RESPEITO ÀS REGRAS –  presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, já encaminhou sua resposta ao Supremo. Ele afirmou que “jamais” indicou emendas ou participou de decisões sobre a destinação dos recursos na condição de dirigente partidário. Kassab disse ainda que não possui cotas ou reservas de emendas e que a orientação do PSD é pelo respeito às regras regimentais do Congresso.

As informações prestadas pela Câmara e pelos partidos serão usadas pelo STF para avaliar eventuais novas providências destinadas a ampliar a transparência e a rastreabilidade das emendas parlamentares.

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“Amigo é coisa para se guardar debaixo de sete chaves, dentro do coração…”

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Fernando Brant e Milton, amigos desde sempre

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor Milton Nascimento, em parceria com  poeta mineiro Fernando Rocha Brant (1946-2015), na letra de “Canção da América”, lembra uma amizade que fez nos Estados Unidos no final da década de 1970.

A letra original foi escrita em inglês, intitulada “Unencounter” (que significa desencontro), e surgiu como uma homenagem músico sul-africano Ricky Fataar, que Milton conheceu em Los Angeles, quando gravava o álbum Journey To Dawn. Durante esse período, ele ficou muito amigo de Fataar (ex-baterista dos Beach Boys).

Tempos depois, Milton retornou a Los Angeles e, ao tentar reencontrar seu amigo na cidade, não conseguiu localizá-lo. Sentindo-se solitário e reflexivo, compôs a melodia e a letra inteiramente em inglês, retratando a falta do amigo.

Ao retornar ao Brasil, Milton mostrou a composição a seu parceiro Fernando Brant, que fez a versão em português. Esta música foi gravada por Milton Nascimento, em 1980, no LP Sentinela, pela Ariola. E deve ser cantada sempre, como se fosse um hino do Dia do Amigo, que se comemora hoje, 20 de julho.

CANÇÃO DA AMÉRICA
Milton Nascimento e Fernando Brant

Amigo é coisa para se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração
Assim falava a canção que na América ouvi

Mas quem cantava chorou
Ao ver o seu amigo partir
Mas quem ficou, no pensamento voou
Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou, no pensamento ficou
Com a lembrança que o outro cantou

Amigo é coisa para se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a distância digam “não”
Mesmo esquecendo a canção
O que importa é ouvir
A voz que vem do coração
Pois seja o que vier, venha o que vier
Qualquer dia, amigo, eu volto
A te encontrar
Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar.

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DIA DO AMIGO
Paulo Peres

Não existe palavra
Que possa definir
O real significado,
A bênção divina
E a felicidade infinda
De tê-lo como amigo.

Lula destrava Minas, enquanto Flávio ainda enfrenta impasses para fechar palanques

Flávio recusa escolta da PF e enfrenta críticas dentro do próprio campo bolsonarista

Flávio troca escolta da PF pela Polícia do Senado

Rafael Moraes Moura
O Globo

A decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de recusar a escolta oferecida pela Polícia Federal (PF) aos candidatos à Presidência da República colocou em alerta alguns integrantes do PL mais pragmáticos, que temem que a medida se volte contra ele próprio e o deixe mais vulnerável a situações de risco.

O filho 01 de Jair Bolsonaro preferiu ficar com a escolta oferecida pela Polícia Legislativa, vinculada ao Senado Federal, responsável pela sua proteção pessoal desde que assumiu o atual mandato, em 2019. O senador não confia numa atuação isenta dos agentes da Polícia Federal durante as eleições, por considerar que o órgão está aparelhado pelo governo Lula.

ARGUMENTO – “A essência da Polícia do Senado é justamente a proteção a autoridades, função na qual a instituição é reconhecida como uma das forças mais bem preparadas e especializadas do país, utilizando inteligência, monitoramento, equipamentos de ponta, veículos blindados e armamentos de grosso calibre para suas atividades”, afirmou em nota a pré-campanha de Flávio.

Mas entre interlocutores com bom trânsito com a família Bolsonaro, a postura de Flávio tem sido duramente criticada por embutir, na visão deles, uma leitura equivocada sobre a atuação institucional da PF e dos riscos envolvidos numa disputa presidencial – que mais uma vez será marcada pela polarização entre lulistas e bolsonaristas, conforme as pesquisas de intenção de voto.

“Mais da metade da PF é bolsonarista”, disse um aliado de Flávio que pediu para não ser identificado, ao rejeitar a tese de que a corporação seria um bloco monolítico alinhado ao PT de Lula. Esse aliado lembra que, durante o governo de Jair Bolsonaro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes abriu um inquérito para apurar as acusações levantadas pelo hoje senador Sergio Moro (PL-PR) de que o pai de Flávio tentou intervir politicamente na Polícia Federal. O caso aguarda um desfecho até hoje.

VAZAMENTO DE INFORMAÇÕES –  Um dos principais temores de Flávio envolvendo o “risco PF” é com o vazamento das agendas, estratégias de campanha e das conversas privadas do parlamentar ao longo da disputa eleitoral. Mas no entorno bolsonarista há quem lembre que o próprio Jair Bolsonaro aceitou a escolta da PF e estava acompanhado por agentes da corporação quando foi alvo de um atentado à faca em Juiz de Fora (MG), durante as eleições presidenciais de 2018.

Nos bastidores, um dos pontos levantados é que, apesar do atentado a Bolsonaro, a PF tem mais expertise que a Polícia Legislativa para mapear situações de risco e garantir a segurança de autoridades em grandes eventos ou diante de multidões, como no corpo a corpo com os eleitores. “Se acontecer algo ruim contra o Flávio – e a gente torce para que não ocorra –, qual vai ser o argumento do Lula? De que o Flávio decidiu abrir mão da escolta e quis correr riscos por conta própria”, afirmou esse mesmo aliado.

Para o presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Edvandir Paiva, abrir mão da escolta da PF “é um risco”. “A Polícia Federal tem todo o aparato e expertise para a segurança de dignatários, promovendo cursos de capacitação técnica para seus quadros permanentemente”, disse Paiva.

O QUE DIZ A PF –  Procurada, a Polícia Federal não comentou a decisão de Flávio, alegando que “não informa detalhes dos procedimentos e das práticas de segurança de autoridades, em função da proteção das próprias autoridades”.

“Em razão disso, detalhes das ações de segurança, incluindo orçamento, quantidade de recursos humanos, tipos de armamento, equipamentos e materiais comumente empregados, estratégias e protocolos de atuação, entre outras informações sensíveis são mantidos em sigilo, haja vista que, se forem divulgadas publicamente, podem comprometer a segurança das pessoas protegidas, prejudicando o desempenho das atividades”, afirmou a corporação.

ÍNTEGRA DA NOTA DA PRÉ-CAMPANHA DE FLÁVIO BOLSONARO

A segurança do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, é feita exclusivamente pela Polícia do Senado Federal. A instituição realiza este trabalho há oito anos e, assim, permanecerá ao longo de 2026. A essência da Polícia do Senado é justamente a proteção a autoridades, função na qual a instituição é reconhecida como uma das forças mais bem preparadas e especializadas do país, utilizando inteligência, monitoramento, equipamentos de ponta, veículos blindados e armamentos de grosso calibre para suas atividades. A equipe conta com formação específica de inteligência, além de inúmeros cursos e treinamentos no Brasil e no exterior, que a capacita para a função de forma destacada.

Suspeito de vazar dados da mulher de Moraes pede que ministro deixe relatoria

Marcelo Conde foi incluído em inquérito das fake news

Isadora Albernaz
Folha

A defesa do empresário Marcelo Conde afirmou ter pedido ao STF (Supremo Tribunal Federal) que o ministro Alexandre de Moraes seja declarado impedido e afastado da relatoria do caso que apura possíveis vazamentos de dados da Receita Federal envolvendo magistrados do tribunal e seus parentes. A informação foi publicada pelo portal Metrópoles e confirmada à Folha.

Os advogados de Conde argumentaram que Moraes não poderia estar à frente do processo porque entre os supostos alvos do vazamento estaria a mulher do ministro, a advogada Viviane Barci de Moraes.

INQUÉRITO DAS FAKE NEWS – Considerado foragido da Justiça brasileira, Marcelo Conde teve sua prisão preventiva decretada pelo Supremo no início de abril e foi incluído no chamado inquérito das fake news. Ele vive atualmente na Espanha e diz ser alvo de uma “ação judicial truculenta” de Moraes.

O Regimento Interno do Supremo estabelece que os questionamentos de impedimento feitos pelos envolvidos no processo sejam direcionados à presidência da corte para a análise de admissibilidade. Se o caso for admitido, o ministro é ouvido e o processo é encaminhado para análise do plenário e julgamento.

SUSPEIÇÃO – O próprio ministro também pode se declarar impedido ou suspeito, como ocorreu com Dias Toffoli no caso do Banco Master após conexões dele com a instituição de Daniel Vorcaro terem sido reveladas.

No caso do pedido da defesa de Conde, ainda não está claro quem vai analisar o pedido. Isso porque, como mostrou a Folha, o então vice-presidente Alexandre de Moraes assumiu na última sexta-feira (17) a presidência do Supremo no esquema de rodízio com Edson Fachin. Durante o recesso do Judiciário, que se encerrará em 31 de julho, também cabe a quem ocupa a presidência decidir sobre questões consideradas urgentes.

A reportagem procurou o STF por mensagem de WhatsApp e perguntou a respeito do pedido de impedimento apresentado. Até a publicação desta reportagem, não foi enviado um posicionamento. É comum que a corte não se manifeste sobre processos sigilosos, como é o caso do inquérito das fake news.

ENCOMENDA ILEGAL – Marcelo Conde foi apontado pelo contador Washington Travassos de Azevedo como o responsável por encomendar de forma ilegal dados de familiares do ministro, como Viviane. Ele teria fornecido uma lista de CPFs e pagado, em espécie, R$ 4.500 para “receber as declarações fiscais obtidas de forma ilícita”. À PF Azevedo também afirmou ter sido um intermediário entre uma pessoa interessada nos dados sigilosos do Fisco e outra que dizia saber como obtê-los.

A mulher de Moraes é um dos centros da crise no STF após a divulgação de informações sobre seu contrato com o Master, que declarou pagamentos que se estenderam por 2025 e chegaram a R$ 80,2 milhões em dois anos ao Barci de Moraes Sociedade de Advogados.

NOTA – Conde divulgou nota no fim de abril em que fala das acusações. Ele negou a condição de foragido e disse que as acusações “descabidas” não correspondem à realidade. “Nunca atuei ou participei de qualquer organização voltada à obtenção de dados sigilosos”, disse.

À época, afirmou que o magistrado age de maneira truculenta e “embaralha os papéis de investigador, acusador, juiz e ofendido, em inquérito sigiloso atinente a pretenso vazamento de dados fiscais da sua mulher”. De acordo com o Supremo, a investigação da PF constatou a atuação de servidores públicos com acesso funcional aos dados, vigilantes, despachantes e intermediários.

Teriam sido acessados dados de 1.819 contribuintes, entre os quais pessoas vinculadas a ministros do STF, do TCU (Tribunal de Contas da União), deputados federais, ex-senadores, ex-governador, dirigentes de agências reguladoras, empresários, entre outros. Conde é presidente da STX Desenvolvimento Imobiliário e da associação Rio Vamos Vencer. Ele é filho do ex-prefeito do Rio de Janeiro Luiz Paulo Conde, que morreu em 2015.

Decisivo na eleição, voto feminino está no centro da disputa bolsonarista

Michelle ajudava o bolsonarismo a dialogar com eleitoras

Pedro do Coutto

A eleição de 2026 começa a revelar uma disputa que vai muito além da corrida presidencial. Dentro do próprio campo bolsonarista, o eleitorado feminino passou a ocupar uma posição estratégica, especialmente diante da distância que ainda separa Flávio Bolsonaro de Lula entre as mulheres. Nesse cenário, a movimentação política de Michelle Bolsonaro e a presença crescente de Fernanda Bolsonaro, mulher do senador, podem transformar a campanha em uma espécie de batalha silenciosa pela representação feminina da direita.

Michelle, que durante anos foi um dos principais ativos eleitorais do bolsonarismo, continua sendo pressionada por aliados a disputar uma vaga no Senado pelo Distrito Federal. A governadora Celina Leão voltou a defender publicamente sua candidatura e afirmou, neste fim de semana, que ainda tenta convencê-la a entrar na disputa. A assessoria da ex-primeira-dama, por sua vez, já negou que ela tenha desistido do projeto eleitoral.

PROTAGONISMO – A questão ganhou outra dimensão porque Michelle se tornou uma personagem central da crise interna que atingiu a família Bolsonaro. O rompimento político com Flávio, marcado por críticas públicas e pela saída da presidência do PL Mulher, retirou da campanha presidencial uma das figuras que mais ajudavam o bolsonarismo a dialogar com eleitoras, especialmente nos segmentos conservador e evangélico. A crise expôs justamente uma dificuldade histórica da direita brasileira: ampliar sua capacidade de comunicação com o eleitorado feminino.

É nesse espaço que a presença de Fernanda Bolsonaro ganha importância. A mulher de Flávio passou a aparecer mais na cena política e eleitoral justamente quando Michelle se afastou do núcleo da campanha. A movimentação não significa necessariamente que Fernanda possa substituir a ex-primeira-dama — são personagens com trajetórias, públicos e capital político diferentes —, mas revela uma tentativa de preencher uma lacuna que se tornou evidente.

O problema é que o eleitorado feminino não funciona como um bloco homogêneo, tampouco pode ser simplesmente transferido de uma liderança para outra. Michelle construiu uma identidade política própria, sobretudo entre mulheres evangélicas e conservadoras, e sua influência não se confunde automaticamente com a candidatura de Flávio.

DIFERENÇAS – A pesquisa Genial/Quaest citada pela Folha mostrou uma diferença expressiva entre os sexos: no cenário de primeiro turno divulgado em junho, Lula aparecia com 41% entre as mulheres, enquanto Flávio registrava 24%. No eleitorado geral, os números eram de 39% e 29%, respectivamente.

A matemática eleitoral ajuda a explicar a tensão. Se a campanha de Flávio precisa avançar entre as mulheres, a ausência de Michelle representa uma perda potencial de interlocução. Não por acaso, o senador declarou recentemente que não mantém relação com a ex-primeira-dama e afirmou que não pretende pressioná-la a apoiar sua candidatura. A declaração expõe uma realidade política difícil de esconder: a campanha presidencial do bolsonarismo terá de lidar com a possibilidade concreta de seguir sem uma de suas principais figuras de comunicação com o eleitorado feminino.

Há, portanto, uma contradição no centro da estratégia. De um lado, Michelle pode fortalecer sua própria trajetória política ao disputar o Senado pelo Distrito Federal e consolidar uma posição independente dentro do campo conservador. De outro, sua eventual candidatura pode acentuar a fragmentação de um eleitorado que o grupo de Flávio precisa conquistar. A disputa deixa de ser apenas familiar ou interna ao bolsonarismo e passa a ter consequências eleitorais.

CAPITAL POLÍTICO – A tentativa de ampliar a presença feminina na campanha, portanto, não deve ser confundida com uma simples substituição de nomes. Fernanda pode ganhar espaço, mas Michelle possui um capital político acumulado que não se transfere por herança familiar. A questão decisiva será saber se a direita conseguirá apresentar uma narrativa capaz de reunir essas diferentes figuras ou se a disputa entre elas acabará aprofundando a divisão de um eleitorado estratégico.

O próprio cenário nacional mostra o tamanho do desafio. Pesquisa Quaest divulgada em julho apontou Lula à frente de Flávio na corrida presidencial, enquanto levantamentos anteriores já indicavam dificuldades maiores do senador entre as mulheres.

DIVISÃO – No fim, a eleição poderá produzir uma resposta para uma pergunta que hoje permanece em aberto: o voto feminino conservador seguirá orbitando uma liderança central ou começará a se dividir entre diferentes nomes e projetos dentro da própria direita?

A resposta terá impacto não apenas sobre a disputa pelo Senado no Distrito Federal, mas também sobre a capacidade de Flávio Bolsonaro de construir uma candidatura presidencial competitiva. Porque, em uma eleição tão polarizada, conquistar o eleitorado feminino não será apenas uma questão de imagem. Será uma questão de sobrevivência eleitoral.

Quando as togas viram protagonistas, a Justiça parece uma disputa de poder

Era moderna degenerou a liberdade para transformá-la em puro e simples egoísmo

Sigmund Freud - Imagens para Facebook e blogs

Charge reproduzida do Arquivo Google

Luiz Felipe Pondé
Folha

Somos livres? Essa pergunta é cansativa. Deixemo-la para os iniciantes. Uma coisa é discutir liberdade no âmbito de algum autor específico, outra coisa é fazê-lo a céu aberto, tipo “liberdade é…”.

Principalmente depois da contracultura, esse assunto se transformou, na melhor das hipóteses, num debate vazio acerca de produtos dentro da esfera do marketing de comportamento —criado na sequência da contracultura—, ou, na pior das hipóteses, coisa de picareta, vendendo dicas infantis de “como ser livre, em sendo mulher…”, por exemplo.

SANTO AGOSTINHO – Quanto a autores, a lista é vasta. Agostinho (354-430) e a fundamental pergunta se temos ou não livre-arbítrio depois da queda e do pecado original, ou se, desde então, nos arrastamos no mundo sob a égide de compulsões como orgulho, luxúria, busca por poder e por aí vai.

Quem tentar provar essa tese como falsa, provavelmente, acabará mentindo ou passando atestado de dano cognitivo.

O liberalismo humanista descendente de gente peso pesado como John Locke, no século 17, criará quase uma religião centrada na ideia de que, agindo de forma livre e racional — e Kant, no século 18, tem seu lugar nessa linhagem do mito da autonomia moral humana —, progredimos para estágios superiores de comportamento político e moral.

LIBERDADE ABSOLUTA – Passamos da tolerância religiosa de Locke para a liberdade individual absoluta de consumo, penso, como um dos mitos típicos da modernidade.

A controvérsia entre a diferença da liberdade dos antigos e a dos modernos, a partir da conferência de 1819 de Benjamin Constant, é seguramente um marco para a ideia de liberdade derivada do liberalismo.

Enquanto para os antigos, a liberdade era a participação nos assuntos da pólis grega ou da república romana —iremos ou não à guerra, decidimos qual forma de governo devemos ter, o orçamento—para os modernos, a liberdade passou a ser a liberdade individual das nossas escolhas na vida privada.

DISTORÇÃO TOTAL – A partir daí, a liberdade ficou identificada com o que compramos, com quem dormimos, gostamos ou não de apanhar no sexo, sou homem ou mulher, qual estilo de roupa usamos, para onde vamos nas férias, se temos filhos ou não, se podemos interromper a gravidez ou a nossa própria vida se assim o quisermos, em quem votamos, acreditamos em Deus, em Elvis ou em ETs, enfim, uma lista enorme de escolhas que, para muitos de nós, chega a ser cansativa. Paremos por aí.

A produção literária, artística, filosófica ou audiovisual, por exemplo, ao redor da ideia de liberdade da mulher é hoje maçante. Para todo lugar para onde se olha, o tema se repete como um samba de uma nota só.

Casar-se ou não, se livrar de um marido tóxico, ver a maternidade como opressão patriarcal, viajar para amar, rezar, transar, beber, viver a menopausa como o melhor período da vida livre, enfim, encontrar a guru definitiva que ensinará a ela a lição única de como ser mulher, livre e feliz —lição esta, evidentemente, que não existe para ninguém. A presença do tema, hoje, na produção cultural, é entediante diante da sua infinita e melosa repetição.

MITO FEMINISTA – A personagem da mulher livre e feliz é, hoje, um mito, como a do novo homem soviético. Não porque todos esses problemas sejam falsos, mas, sim, porque a espécie humana é contraditória, confusa, e dada, desde a pré-história, a soluções imaginárias delirantes.

Freud, em 1930, já havia nos ensinado sobre o mal-estar estrutural da civilização, devido à repressão do desejo, matriz do homem civilizado —”a felicidade é episódica”—, mas como efeito da sociedade que vende tudo, demos uma virada em direção ao culto idiota da felicidade nos últimos tempos. A vida virou um comercial barato.

O que viria a ser um homem, gênero e não espécie, livre? Essa temática ainda é quase inexistente na produção cultural. Muitos tentam dizer que o homem hétero livre deveria ser igual a uma mulher porque ele também seria um oprimido pela masculinidade tóxica. Sei…

SER LIVRE… – Mas, para além desse imperativo, provavelmente, caras diriam que ser livre é não assumir compromissos com mulher nenhuma, não sustentar mulher nenhuma, não engravidar ninguém —crianças hoje, contencioso amanhã—, trabalhar no que gosta, ganhando muito dinheiro ou não.

Além disso, não ter ninguém mandando você fazer coisas em casa, viajar pelo mundo com uma “sugar baby” jovem, bonita, divertida e cara ou buscar autoconhecimento —para os mais sofisticados— no caminho de Santiago de Compostela.

Enfim, no ideal de liberdade de hoje, tanto para mulheres quanto para homens, a liberdade dos modernos degenerou em puro e simples egoísmo e narcisismo. E o resto é blábláblá.

Caiado está subindo nas redes sociais e já tem mais visibilidade do que Flávio

Quem é Caiado, ortopedista e governador de Goiás que será candidato do PSD à presidência - Estadão

Caiado repete Zagallo e ironiza: “Vão ter de me aturar”

Carlos Newton

O avanço de Ronaldo Caiado (PSD) na disputa pela Presidência da República tem sido boicotado nas pesquisas eleitorais, mas agora não será mais possível esconder a virada. Como dizia o poeta Luiz de Camões, outro valor mais alto se alevanta, porque o nome do ex-governador goiano começa a disparar nas redes sociais, segundo levantamento do Instituto AP Exata

Caso esse crescimento nas redes sociais se confirme no decorrer de julho, as possibilidades de Caiado se converter em terceira via estarão aumentando de forma expressiva, antes mesmo do início oficial da campanha, que só ocorre em 15 de agosto, quando as candidaturas não podem mais ser trocadas.

DADOS ANIMADORES – Segundo a repórter Bianca Gomes, do Estadão, que analisou a pesquisa, o dado mais animador é que o aumento da exposição do pré-candidato do PSD nas redes sociais não foi acompanhado por um crescimento proporcional das menções negativas a ele. Ou seja, está crescendo o apoio à candidatura de Caiado e diminuindo as restrições ao nome dele.

A pesquisa AP Exata, divulgada com exclusividade pelo Estadão, mostra que está tendo resultados a mudança de estratégia na campanha do ex-governador goiano. Há duas semanas ele subiu o tom e começou a bater pesado não somente no presidente Lula (PT), mas também no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Com isso, o volume de menções ao nome de Ronaldo Caiado nas redes sociais cresceu 446,3% em apenas cinco dias, segundo levantamento feito na semana passada.

PASSANDO FLÁVIO – Para se ter uma ideia do crescimento de Caiado nas redes sociais, a pesquisa da AP Exata comprovou que no domingo passado, dia 12, o pré-candidato do PSD tornou-se o segundo nome mais citado nas redes entre os presidenciáveis, com 26,2% do volume de menções, atrás apenas de Lula, com 34,3%, e à frente de Flávio, que registrou 25,6%.

Entre os demais pré-candidatos, o ex-governador de Minas Romeu Zema (Novo) apareceu com 4,8% e Renan Santos, da Missão, com 4,7%.

Na média dos  cinco dias pesquisados, o grande destaque foi o surpreendente crescimento do volume de menções a Caiado, que cresceu de 2,85% para 15,57%, com aumento de 446,3%, repita-se.

P.S. 1 – Desde a eleição de 2022, a possibilidade de uma terceira vida está sendo boicotada pelos institutos de pesquisa, que forçam a barra e são pagos para manter a polarização entre lulistas e bolsonaristas. Agora, surge esse levantamento da AP Exata, um indicativo da maior importância. Mostra que ainda há espaço para o crescimento da terceira via, representada por Ronaldo Caiado, que é o mais experiente e qualificado para disputar com Flávio Bolsonaro os votos da direita e do centro. E, cá entre nós, o número de menções nas redes sociais é um demonstrativo muito mais preciso do que essas pesquisas dos autointitulados “institutos”, acredite se quiser. Satisfeito com o levantamento da AP Exata, Caiado repetiu a frase célebre do técnico Zagallo: “Vão ter de me aturar”.

P.S. 2 – A vitória da Espanha foi justa. Sua equipe tinha conjunto, um detalhe importantíssimo que faltou à seleção brasileira. Considero que o Brasil não perdeu o título de “País do Futebol”, por um motivo muito simples somos o maior exportador de jogadores do mundo. Ou seja, temos a maior fábrica de craques, mas falta conjunto. (C.N.)

“Papudinha”: O batalhão que virou a prisão dos grandes escândalos da República

Aliados pressionam Valdemar a assumir articulações da campanha de Flávio

Valdemar disse que quer ajudar, mas evita conflitos

Bela Megale
O Globo

Cresce entre aliados de Flávio Bolsonaro os apelos para que o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, tome frente das costuras políticas da campanha presidencial. A avaliação entre mandachuvas do centrão, como PP e União, e do próprio PL, é que, com Valdemar no comando das tratativas, as conversas com as demais legendas fluirá melhor, inclusive para negociações nos estados.

A leitura é que, ao consolidar bons palanques regionais, o próprio Flávio vai se beneficiar diretamente da estratégia. Valdemar tem jogado parado e faz elogios a Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha que foi incumbido dessa frente. O presidente do PL fala que a missão foi dada a Marinho pelo próprio Bolsonaro.

FORA DE CONFLITOS – Os apelos para que Valdemar tenha uma atuação mais enfática junto a Flávio já chegaram ao presidente do PL. Segundo aliados do mandachuva partidário, ele está disposto a ajudar em tudo que for chamado, mas não entrará em conflitos.

A postura adotada por Flávio na condução de sua campanha tem irritado lideranças do próprio PL e afastado aliados do presidenciável. A principal queixa é que o senador é centralizador, ouve poucas pessoas e decide praticamente tudo sozinho, com seu pequeno núcleo.

Uma das maiores preocupações é que esse isolamento possa comprometer os cenários estaduais. A possibilidade da federação PP e União Brasil seguir a posição nacional e preferir a neutralidade a apoiar o PL no Rio de Janeiro tem preocupado as lideranças do partido.

Resultado foi justo e a Copa do Mundo desta vez ficou com a melhor seleção

A ESPANHA É CAMPEÃ DO MUNDO! 🤩🇪🇸 Lamine Yamal e toda a Espanha são ... |  TikTok

A imagem do jovem craque Yamal personaliza o título

Vicente Limongi Netto

A Copa do Mundo de 2026 ficou com a melhor seleção, que se tornou bicampeã do mundo. A Espanha é afinada em todas suas linhas. Jogam com toque de bola, cansam o adversário. Vão avançando, trocando passes, sufocam os rivais. O gol é questão de tempo.

A Argentina resistiu bravamente. Mas é infinitamente inferir a Espanha. O astro Messi apagado. Nem discreto foi. Parece que percebeu, desde o início, que o sonho do tetra argentino estava distante.

LEGÍTIMO CRAQUE – O grande goleiro argentino foi massacrado. Do início ao fim. Salvou o time de uma goleada. O menino Lamine Yamal fez bom segundo tempo. Sabe jogar. Com mais vigor e experiência, será realmente legítimo craque. O menino Yamal devolveu ao craque Messi o banho que ganhou dele, numa bacia azul, há 19 anos.

O: futebol é exuberante pelos detalhes dentro e fora do campo. Que o Brasil saiba aprender lições dos atuais campeões do mundo. Jogam juntos há vários anos. Garotada já afiada para a Copa de 2030.

O Brasil vai começar do zero. Com muito trabalho, se realmente pretende fazer bonito na próxima Copa. Porque nesta que acabou, foi um medonho vexame. Que só será amainado com conquistas importantes.

AMADA POR TODOS – Fez bonito na Copa. Garbosa, linda e amada no mundo todo. Sem ela, a Copa não existe.  Todos a querem. Os melhores a tratam com carinho. Como uma filha. Mas também sofre, leva pontapés e bicos.

Faz parte de alegrias e tristezas. Antigamente eu era feiosa. Mas está cada vez mais bonita e vistosa, sempre preparada para grandes ocasiões. Hoje, tem cores e padrões variados, que a fazem cada vez mais atraente, como objeto de desejo

Adora dormir em aconchegantes redes. Quando a mandam para a arquibancada dá uma tremenda briga. Todos querem levá-la para casa e ficar com ela, que é vaidosa e famosa, aplaudida nos quintais, na várzea, na praia, nas ruas, em mansões, em favelas, nos presídios e nos estádios suntuosos. Em 2030, novamente vai encantar o mundo.