Haddad, Lula e o intrincado xadrez político rumo à eleição de 2026

Haddad confirma que pode deixar a Fazenda

Pedro do Coutto

A entrevista recente concedida pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, acendeu um novo capítulo no já movimentado tabuleiro político brasileiro. Com tom sereno, mas carregado de sinais, Haddad admitiu que pode deixar o comando da Economia para atuar diretamente na campanha de reeleição do presidente Lula da Silva em 2026. A fala, embora envolta em cautela, deixou no ar a sensação de que a decisão está mais encaminhada do que o ministro quis admitir explicitamente.

Segundo relatou, essa foi a primeira vez em que conversou abertamente com Lula sobre a possibilidade de sair da pasta para colaborar com o projeto eleitoral. O presidente, em resposta, adotou uma postura compreensiva e amistosa, afirmando que respeitará qualquer escolha de Haddad. Não houve menção a datas, tampouco a uma decisão formal, mas ficou evidente que o ministro deseja participar diretamente da elaboração do programa de governo e da estruturação da campanha — não como candidato, e sim como colaborador estratégico.

ESPECULAÇÕES – A sinalização da possível saída de Haddad naturalmente abre espaço para especulações dentro do governo sobre quem poderia assumir o Ministério da Fazenda. Ainda que o ministro não tenha citado nomes, o ambiente político observa atentamente os movimentos internos, já antecipando mudanças que podem remodelar a equipe econômica.

Durante a entrevista, Haddad também abordou temas que têm exigido atenção constante do governo, entre eles a situação delicada dos Correios. Ele reconheceu que a estatal vive um momento que “inspira cuidados”, diante de um rombo financeiro expressivo e de uma necessidade urgente de reinvenção. Para o ministro, será indispensável que a empresa busque novos modelos de negócio e parcerias, alinhando-se a tendências internacionais para sobreviver em um mercado em transformação.

Outro ponto que ganhou destaque foi sua avaliação sobre o relacionamento com o Congresso. Haddad admitiu que, em alguns momentos, o Legislativo acabou engessando a execução orçamentária, dificultando a capacidade do governo de remanejar recursos e avançar com as políticas planejadas. Em um ambiente onde o debate eleitoral já se insinua nos bastidores, essas tensões tendem a se intensificar, pressionando tanto o Executivo quanto os parlamentares.

POLÍTICA MONETÁRIA – No pano de fundo, paira também o debate sobre a condução da política monetária. Embora Lula tenha sido um crítico ferrenho dos juros elevados durante a gestão anterior do Banco Central, permanece o silêncio presidencial diante do patamar atual — mais alto do que aquele que criticava. A leitura política é complexa e envolve desde a autonomia do Banco Central até os efeitos da política econômica sobre o humor dos mercados e da opinião pública.

O cenário institucional brasileiro, já congestionado por disputas entre poderes, ganhou novos contornos com a controvérsia envolvendo o mandato da deputada Carla Zambelli. A decisão do ministro Alexandre de Moraes de anular a manutenção do mandato pela Câmara, diante de uma condenação que deveria, segundo interpretação constitucional, acarretar sua cassação, aprofundou as tensões entre Judiciário e Legislativo. O episódio reforça a sensação de que 2026 não será apenas mais uma eleição, mas um marco decisivo sobre o equilíbrio de poderes no país.

Alguns movimentos partidários também começam a redesenhar as projeções eleitorais. A articulação que busca lançar Ratinho Junior e Romeu Zema como alternativa ao Planalto reorganiza peças no campo da centro-direita e pressiona candidaturas já declaradas. Essa reestruturação amplia a complexidade do tabuleiro político e evidencia que a disputa presidencial já está em curso, mesmo que oficialmente ainda distante.

IMPACTOS – Nesse contexto, a posição de Haddad se torna ainda mais estratégica. Sua eventual saída não representaria apenas uma mudança administrativa: teria impactos na economia, na articulação política e na própria campanha de Lula. Por outro lado, sua permanência poderia garantir estabilidade à condução da política fiscal em um momento de volatilidade política e incertezas institucionais.

O que a entrevista deixa claro é que o Brasil já respira o clima pré-eleitoral. Entre ajustes econômicos, tensões políticas e rearranjos partidários, o país se prepara para uma disputa que promete ser uma das mais complexas e imprevisíveis desde a redemocratização. E Haddad, seja como ministro ou como articulador de campanha, permanecerá no centro dessa travessia.

Bolsonaristas se voltam contra Trump após retirada de Moraes da Magnitsky

Câmara vai mesmo cumprir a ordem de Moraes para cassar Carla Zambelli?

O ministro da Justiça e sua "delação verdadeira". Por Jânio de Freitas - TIJOLAÇO

Charge do Kacio (Arquivo Google)

Carlos Newton

Do alto de sua empáfia e arrogância, o corruptíssimo ministro Alexandre de Moraes, aquele que “vendeu” proteção ao fraudulento banqueiro Daniel Vorcaro por R$ 129,6 milhões, em 36 parcelas de R$ 3,6 milhões, deu 48 horas de prazo para a Câmara Federal cumprir sua ordem de cassar o mandato da deputada Carla Zambelli.

Moraes não tem caráter, escrúpulos, ética e dignidade para dar ordem a ninguém. Aliás, deveria curvar a cabeça em respeito, toda vez que cruzasse na rua com um trabalhador brasileiro que o sustenta e paga as contas de sua família, quando meliantes como Vorcaro por acaso não o fizerem.  

POR UNANIMIDADE – Como sabe que não tem moral para dar ordens a ninguém, o desmoralizado ministro teve de se socorrer na Primeira Turma do STF, para pedir que sua decisão fosse aprovada, e conseguiu que isso ocorresse por unanimidade, o que demonstra o baixíssimo nível dos ministros que hoje integram a Suprema Corte, que já não faz jus ao nome.

Mas não se esperava outra coisa, em função do deplorável corporativismo reinante, já que foram eles que condenaram Carla Zambelli, apesar de não existir nos autos uma só prova material contra ela, salvo o depoimento de um criminoso notório e reincidente, e não fica bem ministros admitindo que se equivocaram.

Em nenhum país civilizado que respeite a democracia, representante do povo é cassado sem haver provas contundentes contra ele. Mas aqui em Pindorama, como dizia Ivan Lessa, a democracia é relativa, e por isso ele pegou o avião e foi morar na Inglaterra.

DIZ A LEI – Até deputados antibolsonaristas ficaram preocupados com a interpretação da Constituição que Moraes tenta impor, sem qualquer base legal. Sabem que podem ficar na mesma posição de Zambelli, no vaivém da política.

Não está em jogo apenas a independência dos Poderes. O que vai se discutir é a imposição do Supremo como poder máximo.  A Constituição é clara, em seu artigo 55, inciso VI, ao dizer que perde o mandato o parlamentar condenado criminalmente.

Mas em seguida, no parágrafo segundo, faz importantíssima ressalva, ao prever que a última palavra é da casa legislativa: “a perda do mandato será decidida pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado Federal, por maioria absoluta, mediante provocação da respectiva Mesa ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa”.

PODE REVERTER – Isso significa, por óbvio, que a Câmara pode reverter a cassação e, consequentemente, a condenação criminal, caso seja considerada equivocada, como é o caso. Se a Câmara mantém o mandato, o parlamentar tem de exercê-lo livremente, não pode ser preso, é óbvio.

Na Comissão de Constituição e Justiça, o parecer do deputado Diego Garcia (Republicanos-PR) esmiuçou os autos por inteiro e não há nenhuma prova de que Carla Zambelli tenha ela contratado o hacker para gravar autoridades. Não existe essa prova, que o relator Moraes jamais apontou.

“A decisão do ministro Alexandre sobre Carla Zambelli nos mostra, outra vez, um Judiciário que deixou de aplicar a lei e passou a criar sua própria lei para interferir na política”, disse a deputada federal Bia Kicis (PL-DF).

ABUSO DE PODER – “Quando um ministro substitui a Constituição por seus pensamentos, não há Justiça, há abuso de poder. Cassar um mandato sem provas é uma grande injustiça e será também uma abertura de um precedente extremamente perigoso”, argumenta Bia Kicis.

Para a parlamentar do PL, a decisão da Câmara pode ser fundamental para que Carla Zambelli seja liberada na Itália, onde foi presa o pedido da Justiça brasileira.

“Lá na Itália, o julgamento dela é dia 18. E ela vai poder levar a informação de que a Câmara dos Deputados não coincide com a cassação dela porque sabe que a busca dela, que a específica é fruto de perseguição política”, salienta Bia Kicis.

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PS –
O prazo de 48 horas dado por Moraes termina neste sábado, dia 13. É evidente que não será cumprido, pois a Câmara não funciona nos finais de semana. O Jornal Nacional já anunciou que o suplente vai tomar posse. Será mesmo. Acredito que o presidente Hugo Motta irá convocar sessão para ouvir os deputados. E isso só pode acontecer terça-feira, na última semana antes do recesso. Posso estar errado, mas o plenário tentará manter o mandato de Carla Zambelli, abrindo assim uma gravíssima crise institucional. (CN)

Após remover Moraes da Magnitsky, aliados de Trump cobram Brasília por ‘correção de rumo’

Eduardo Bolsonaro culpa direita brasileira por retirada de sanções a Moraes

Clima de Natal é sempre bem-vindo e devia ser permanente, o ano todo

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É precisa que a paz e a solidariedade e o amor prevaleçam

Vicente Limongi Netto 

Clima natalino parecendo alcançar os corações. Indícios fortes de tolerância no ar.  Hora de retemperar ânimos. Políticos pegam leve nas críticas aos adversários. Guardam os insultos no sapato velho. Juram que o bem-estar do povo é prioridade. São indícios de Natal. 

Gentilezas nos elevadores, bancos, hospitais e transportes coletivos. Idosos são tratados com respeito e consideração. Casais enamorados de sexos variados não são achincalhados. São bem-vindos em todos os lugares. Fortes e maravilhosos indícios natalinos.

OUTRO CLIMA – Seguranças de mercados são mais humanos com famintos pegando algo para alimentar os filhos. Ricos comerciantes não ficarão endividados. Saudável indício natalino. Fazer o bem, sem ver a quem.

Governantes são tomados pelo fervor cívico. Prometem melhorias para a população. Garantem maravilhas. Palanques montados. Como estivessem fazendo favores aos cidadãos pagadores de impostos. Policiais não extrapolam em suas funções.

Fortes indícios natalinos. Carinho e atenção para crianças. Pérolas de nossas vidas. Motoristas de aplicativos e passageiros se unem na irmandade cristã. Respeito mútuo.  Moradores de rua merecem atenção. Ganham alimentos, agasalhos e gestos de afagos.

TUDO DE BOM – Bons Indícios de Natal no ensolarado cotidiano. Ex-maridos ou companheiros tratem de viver. Joguem fora a estupidez e a covardia. Mulher é o que não falta no mundo. Parem de ser trouxas. Respeitem as mulheres e os filhos. 

Torcedores deixem as bandeiras do rancor em casa. Seria bom se a cordialidade permanecesse acessa. Servindo ao próximo, mesmo depois das festas natalinas. A vida seria mais feliz e agradável.

Nada melhor do que sair para trabalhar e voltar feliz para casa. Que o amor vença o destempero. Que a prosperidade alcance todos os lares. 

INTERCÂMBIO – Membros do Science Museum Group, entidade responsável pelo Museu de Ciências de Londres e por outros centros de divulgação científica na Inglaterra, visitaram o Sesc-DF. O encontro, no entender do presidente da Fecomércio-DF, José Aparecido Freire, pode servir para proveitoso intercâmbio de conhecimento e treinamento para crianças e adolescentes de Brasília.

No futebol, domingo tem outro jogo do meu Tricolor. Mais noventa minutos em campo. O Fluminense deu mole no primeiro jogo. O Vasco é brioso, aproveitou o vacilo tricolor. Ganso e Acosta deveriam jogar juntos. Sabem os atalhos do campo. Sabem pensar. 

AMOR, AMOR – Joana, filha mais nova, completando 44 anos de idade. Guerreira indomável. Mãe dedicada dos meus dois netos. Deus e Maria com ela. Amo demais minha família. 

Suspensão das sanções a Moraes vira vitória política de Lula e esquerda comemora

Retirada de sanções foi anunciada nesta sexta-feira

Rafaela Gama
O Globo

Parlamentares de esquerda e integrantes do governo comemoraram nas redes sociais a suspensão da aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e à mulher dele, a advogada Viviane Barci de Moraes.

O comunicado da remoção das sanções foi publicado pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos EUA sem descrever quais foram as razões para a retirada.

GRANDE VITÓRIA – Após o anúncio, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que a retirada das sanções “é uma grande vitória do Brasil e do presidente Lula”.

“Foi Lula quem colocou esta revogação na mesa de Donald Trump, num diálogo altivo e soberano”, escreveu na publicação. Ela também acrescentou que o movimento é “uma grande derrota da família de Jair Bolsonaro, traidores que conspiraram contra o Brasil e contra a Justiça”.

O mesmo argumento foi repetido pelo líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), que disse que a remoção das sanções são “uma derrota histórica dos traidores da Pátria que tentaram negociar sanções internacionais, revogação de vistos, tarifas e a chamada “pena de morte financeira” contra o ministro relator do STF no caso da trama golpista”. “Fica cada vez mais claro quem estava do lado do Brasil e quem atuava contra o país”, afirmou.

PF mira ex-assessora de Lira e depoimentos apontam direção política para Alagoas

Governo Trump retira Moraes e família de sanção da Lei Magnitsky

Ascensão de Michelle reconfigura o PL e inquieta os herdeiros do clã

Com suas canções de protesto, Gonzaguinha afrontava o regime militar

GonzaguinhaPaulo Peres
Poemas & Canções

O economista, cantor e compositor carioca Luiz Gonzaga do Nascimento Junior (1945-1991), mais conhecido como Gonzaguinha é, sem dúvida, um dos maiores talentos da música brasileira em seus diversos estilos populares.

Sua obra teve, inicialmente, como característica sua postura de crítica à ditadura militar. Cantor de si e do mundo ao redor, ele cantava as lutas individuais e coletivas. Cantar, para ele, era estar à disposição do próprio canto: da vida, da alegria, da dor e tudo sangra, para o bem e para o mal.

A música “Sangrando” faz parte do LP Gonzaguinha: de volta ao começo, gravado ainda no regime militar, em 1980, pela EMI-Odeon.

SANGRANDO
Gonzaguinha

Quando eu soltar a minha voz
Por favor entenda
Que palavra por palavra
Eis aqui uma pessoa se entregando

Coração na boca
Peito aberto
Vou sangrando
São as lutas dessa nossa vida
Que eu estou cantando

Quando eu abrir minha garganta
Essa força canta
Tudo que você ouvir
Esteja certa
Que estarei vivendo

Veja o brilho dos meus olhos
E o tremor nas minhas mãos
E o meu corpo tão suado
Transbordando toda a raça e emoção

E se eu chorar
E o sal molhar o meu sorriso
Não se espante, cante
Que o teu canto é a minha força
Pra cantar

Quando eu soltar a minha voz
Por favor, entenda
É apenas o meu jeito de viver
O que é amar    

Corrupção ideológica conseguiu destruir a democracia no Brasil

Charge do Cláudio Oliveira (Folha)

Luiz Felipe Pondé
Folha

O testamento político do século 21 até agora é um mau presságio. Vivemos no Brasil um drama em dois polos. A esquerda é autoritária, a direita é incapaz. No primeiro caso vemos uma forma sofisticada de cegueira cognitiva e moral: aquela causada pela ideologia política. Não importa a realidade, ela deve prestar contas à estupidez ideológica.

Associado a isso, o drama moral que caracteriza todo um universo de pessoas que dizem representar o bem, mas que, no final do dia, só querem manter o poder e usufruir dele, como quase todo mundo nesse “mercado político”.

INCOMPETÊNCIA – Na direita, formada, normalmente, por gente tosca como o bolsonarismo, o problema hoje é a incompetência dos seus candidatos as eleições de 2026, marcados pela incapacidade de superar o bolsonarismo. Enquanto a direita não escapar da contínua chantagem emocional que a família Bolsonaro faz com o destino político do país, Lula será reeleito até completar cem anos.

O uso do vocabulário religioso por parte do bolsonarismo só humilha aqueles que buscam opções à gangue do PT. O país se afoga na delinquência política. Os bolsonaristas querem transformar uma figura cada vez mais patética como o Bolsonaro num “mito”. Não fica longe da esquerda querendo fazer de um inepto como o Lula um Ghandi ou um Mandela.

A COP30 do Lula é a imagem de um país à deriva institucional: muita bravata, nenhuma infraestrutura, muita propaganda petista, quilos de leviandade. Aliás, a leviandade brasileira atingiu o nível institucional. Nenhum dos poderes da República escapa mais. O Estado brasileiro despreza seu povo e cuida muito mal dele. O resto é blábláblá. O Estado opera contra o cidadão.

IMPRENSA INÚTIL – E pensar que toda essa patifaria conta com a anuência da maior parte da imprensa que lambe as botas do Lula, descaradamente. Fosse um presidente que não pertencesse à gangue, a imprensa teria descascado essa coisa ridícula que foi essa balada em Belém, com direito a incêndio, falta de água nas privadas e bate boca com o chancelar alemão, que nada disse além da verdade nua e crua sobre o evento e sua organização. O Brasil nunca foi um país sério.

Diga-se de passagem, que as COPs em geral não servem para nada, a não ser para coquetéis intermináveis que sempre morrem na praia, afinal, elas não têm nenhuma soberania, quem a tem são os estados nacionais. Neste sentido são ainda mais inúteis do que os concílios bizantinos do cristianismo antigo.

Há problemas estruturais no Brasil. Por exemplo, a possibilidade legal de uma pessoa, pouco importa de qual partido, se candidatar várias vezes ao cargo de presidente só destrói a saúde institucional do STF. No caso de Lula ser reeleito para um quarto mandato em 2026, ele terá a chance de indicar mais três ministros para as vagas de Carmén Lúcia, Gilmar Mendes e Luiz Fux.

“IRMANDADE” – Dos 11 membros, nove serão petistas. E não tentem nos enrolar dizendo que “a competência os torna independentes”. No Brasil de hoje, a independência de ação e pensamento se conta nos dedos. E é passível de punição legal e profissional. A independência gera demissões. A “irmandade ideológica” destruiu a vida política nacional e o intelectual público, aliada a clássica corrupção de caráter.

Há outros elementos estruturais, que transcendem o Brasil em si, mas, que se somam a catástrofe institucional que se abateu sobre o Brasil. Vejamos. Democracia é um regime em que a sociedade organiza uma competição legítima por votos. Quem vence, manda.

A democracia atribui a maior parte da sua soberania via essa competição por votos.
consequência inevitável desse procedimento de atribuição da soberania: nenhum candidato viável será virtuoso até o fim das eleições pois fará de tudo para vencer a competição por votos.

BRIGA EXTREMA – Toda vez que há uma disputa séria para se conquistar o poder legítimo, ocorre violência para valer, a briga é para matar. E num quadro em que, cada vez mais, o Estado só cresce e enfia seus tentáculos e suas patas adentro de toda a estrutura social, política e histórica, a tendência é que essa competição por votos se torne mais selvagem, para abocanhar mais territórios de poder na sociedade e na vida das pessoas.

Se o país for estruturalmente corrupto como o nosso, a tendência é a baixaria moral reinar absoluta. O Brasil permanece um sistema de capitanias hereditárias, e a família Bolsonaro gostou de fazer parte do grupo de capitães hereditários e não quer lagar o osso, mesmo que condenem o país a mais quatro anos de tortura sob as botas do casal Lula-Janja.

Suspeito que estão dispostos a rifar 2026 a fim de melhorar as chances do clã em 2030.

Ordem de Moraes sobre Zambelli acua Motta e complica estratégia para julgar Ramagem

A crise institucional gerada por Motta e o ataque à Imprensa no Parlamento

Moraes atuava como um miliciano, ao “vender proteção” ao Banco Master

José Medeiros on X: "A charge economiza palavras. https://t.co/foNQZz4SIf"  / X

Charge do José Medeiros (Arquivo X)

Carlos Newton

A comparação é forte e inevitável. Na prática, o ministro Alexandre de Moraes comporta-se como um criminoso vulgar a assim deve ser tratado, sem ser chamado de Excelência e coisas tais. Seu comportamento é semelhante ao dos milicianos que “vendem” proteção às comunidades carentes, para conseguir explorá-las.

No caso, como ficou provado, Moraes “vendia” proteção para que criminosos do colarinho branco do Banco Master pudessem operar com tranquilidade no mercado financeiro. E cobrava caro.

EXAGERO – Pode-se dizer que a comparação com milicianos é um exagero, mas oferecer proteção a um fraudador como Daniel Vorcaro é algo tão audacioso e arriscado que até levanta a possibilidade de o ministro do Supremo estar com desequilíbrio mental.

O mais surpreendente é que não há como Moraes e sua mulher Viviane alegarem que foram enganados, ou não sabiam que Vorcaro era um meliante da pior espécie. Agora, a briga é entre marido e mulher.

Daqui para a frente, o clima na mansão da família estará em temperatura máxima. Moraes certamente culpa a mulher, alegando que ela destruiu sua carreira no Supremo ao aceitar um cliente de tal categoria. Mas ele gostou muito quando ela comprou em agosto, por 12 milhões, a mansão em Brasília, com quase 800 metros quadrados.

BOLA DA VEZ – Quem diria? O poderoso condutor do Inquérito do Fim do Mundo agora é a bola da vez. Depois de aprovar a Lei da Dosimetria, para desfazer as perversidades nos julgamentos do 8 de Janeiro e dos núcleos do golpe, em que Moraes dobrou ilegalmente os crimes para aumentar as penas, agora a Câmara se prepara para votar a nova Lei de Impeachment de ministros de tribunais superiores.

Com a mesma facilidade que Moraes criou mais de 1,5 mil terroristas, integrantes da mesma “organização criminosa armada”, agora ele e a mulher são V terroristas pelo governo dos EUA, com apoio do Parlamento americano.

Agora, Moraes e Viviane vão cair na realidade e enfrentar um inferno astral sem fim, que fizeram por merecer, em função de sua ganância desmedida e de seus abusos de poder. Como dizem os árabes, assim estava escrito

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Ação coordenada por grupos bolsonaristas no Telegram e no WhatsApp impulsionou postagens contra Moraes nas redes sociais | Sobral em Revista

Charge do Duke (Arquivo Google)

Carlos Newton

Como ocorre em assustadora frequência, o ministro Alexandre de Moraes errou novamente ao tentar “decretar” a perda do mandato da deputada Carla Zambelli, considerando inconstitucional a decisão da Câmara Federal nesta quarta-feira, que preservou esse direito da parlamentar do PL paulista, por ampla maioria.

Ao invés de dar pitaco na decisão do Legislativo, Moraes deveria ter vergonha de continuar como ministro do Supremo depois dos escândalos envolvendo seu nome e de sua mulher. Mas ele procura aproveitar a situação para fingir que continua a mandar nesse país, como se fosse um Napoleão de hospício.

DIZ A LEI – A Constituição, em seu artigo 55, realmente afirma que o deputado ou senador perderá o mandato se “sofrer condenação criminal em sentença transitada em julgado” (Inciso VI), mas faz importante ressalva no seu parágrafo 2º, ao determinar que “a perda do mandato será decidida pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado Federal, por maioria absoluta, mediante provocação da respectiva Mesa ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa”.

A redação dessa ressalva foi feita em 2013 pelo Congresso, ao aprovar e promulgar a Emenda Constitucional nº 76, justamente para evitar essa polêmica que o trêfego e corrupto Moraes agora tenta recriar.

A ressalva existe para corrigir justamente erros judiciários, como os que o Supremo tem cometido seguidamente, graças às decisões interpretativas do ministro da cabeça brilhante e da moral decaída.

PRECISA DESENHAR? – Repita-se, ad nauseam, como diriam os verdadeiros juristas: “A Emenda Constitucional nº 76 é uma ressalva, estúpido!”. Será que os congressistas precisam desenhar, para Moraes entender (?) que ninguém pode exercer mandato estando preso? Ou seja, se a Câmara tem o direito de manter o mandato, obviamente é para que ele seja exercido pelo parlamentar, que precisa estar solto, ufa!

A condenação de Zambelli foi absurda. A prova usada foi a declaração de um criminoso notório e reincidente, sem a existência de prova material. É pouco para justificar a cassação de uma representante do povo. Por isso, existe a ressalva, estúpido!

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P.S. – 
Em tradução simultânea, Moraes se faz de burro para comer capim. Seu “decreto” enviado à Câmara não tem o valor de uma nota de três reais. Ele tenta se fazer de importante, mas sabe que está liquidado. Por causa da careca, tinha um futuro brilhante, que depois do caso Master não vale um tostão furado. (C.N.)

Moraes tenta derrubar ato da Câmara e cassa mandato de Zambelli

A lógica torta do clã Bolsonaro e a barganha eleitoral de Flávio