Caso Master: esposa de Moraes representa banco em processo remetido a Toffoli no STF

Boulos diz que Faria Lima quer “bolsonarismo de garfo e faca” e critica Tarcísio

Convergência da direita, fragmentação e a vantagem de Lula na corrida presidencial

Charge do Amorim (Arquivo do Google)

Pedro do Coutto

Nos debates sobre a próxima eleição presidencial no Brasil, um argumento que tem ganhado destaque é o impacto da fragmentação da direita sobre a vantagem do presidente Lula da Silva na corrida de 2026. Essa análise — que emerge nos bastidores políticos e nas interpretações de jornalistas e analistas — não se baseia apenas em retórica: os cenários eleitorais projetados por diversas pesquisas refletem uma realidade em que a dispersão de candidaturas no espectro de centro-direita e direita acaba fortalecendo numericamente o atual ocupante do Palácio do Planalto.

Pesquisas recentes mostram Lula consistentemente à frente em todos os cenários de primeiro turno, com percentuais que variam em torno de 36% a 41% das intenções de voto, enquanto seus principais adversários — incluindo candidatos identificados com a direita — oscilam em patamares substancialmente mais baixos.

DIANTEIRA – Em simulações comparativas, Lula chega a ultrapassar 40% das intenções, com concorrentes como Flávio Bolsonaro, Ratinho Jr. ou Tarcísio de Freitas bem abaixo desse patamar. Essa vantagem permanente, mesmo na ausência de uma candidatura única da oposição, tem duas causas interligadas.

A primeira é matemática e estrutural: quando o eleitorado não converge para um nome ou para um bloco coeso, os votos contrários à continuidade de um governo se dispersam entre múltiplos postulantes, diluindo o potencial de cada um e, na prática, elevando a possibilidade de vitória de quem lidera com folga.

A segunda causa é política: a insistência de diferentes segmentos da direita em lançar pré-candidaturas paralelas — por razões estratégicas ou por falta de consenso — debela a formação de um polo oposicionista forte e unitário, que possa confrontar Lula de maneira competitiva.

PULVERIZAÇÃO – Não por acaso, esse fenômeno tem sido destacado por observadores atentos como um elemento que transcende a simples vantagem numérica. Para alguns estrategistas, essa pulverização não apenas amplia a probabilidade de vitória de Lula no primeiro ou segundo turno, mas também reduz a pressão sobre a candidatura petista em arenas decisivas, como debates e estratégia de alianças.

A reflexão vale tanto do ponto de vista eleitoral quanto do análise política mais ampla. Em regimes democráticos, a força de um candidato ou partido costuma estar associada não só ao desempenho nas pesquisas, mas também à capacidade de construção de uma frente coerente de apoio e de articulação política.

Quando os adversários — especialmente no mesmo campo ideológico — estão fragmentados, essa tarefa se torna mais árdua, e o espaço para disputas internas tende a consumir energia política que poderia ser mobilizada contra o líder dominante. É nesse vácuo que Lula, no cenário atual, tem consolidado vantagem, mantendo uma posição de destaque que pode ser tanto reflexo de sua própria base de apoio quanto do vácuo estratégico à direita.

DINÂMICA POLÍTICA – Importante notar que esse quadro não é estático: a dinâmica política ainda pode se alterar nos próximos meses, seja pela emergência de um nome único capaz de unificar a oposição, seja pela alteração de prioridades eleitorais da sociedade. No entanto, até o momento, a dispersão de candidatos à direita não apenas reflete divergências programáticas e estratégicas, mas também se traduz em vantagem concreta para Lula, que desponta nas pesquisas com folga sobre múltiplos nomes concorrentes.

Em suma, a vantagem de Lula nas pesquisas não é apenas uma fotografia estática, mas o resultado de uma arquitetura competitiva em que a fragmentação da oposição funciona como um multiplicador involuntário de sua liderança eleitoral — uma realidade que, se persistir, pode definir o resultado das eleições de 2026 tanto quanto qualquer outro fator diretamente relacionado ao desempenho do governo.

Polícia Federal avalia se prisão domiciliar é alternativa adequada para Bolsonaro

Moraes enviou lista de perguntas apresentada por defesa

Daniel Gullino
O Globo

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou para a Polícia Federal (PF) questionamentos apresentados pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). As perguntas deverão ser respondidas como parte da avaliação médica que a corporação irá realizar.

A PF deverá responder se a permanência de Bolsonaro na prisão significa “risco aumentado, concreto e previsível de agravamento” das suas doenças e se a prisão domiciliar seria a “melhor alternativa” para “preservar a vida, a integridade física e a dignidade humana”.

JUNTA MÉDICA – Na semana passada, ao determinar a transferência de Bolsonaro, Moraes também ordenou que o ex-presidente fosse submetido a uma junta médica da PF, que deve analisar se ele pode continuar cumprindo a pena na prisão. O ministro deu o prazo de dez dias para apresentação do laudo.

Na sexta-feira, os advogados de Bolsonaro apresentaram uma lista com 39 perguntas. Nesta segunda-feira, Moraes determinou o envio à PF. “Encaminhem-se cópia dos quesitos formulados pela defesa à Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal, para que sejam respondidos pelos peritos no prazo assinalado”, estabeleceu.

Bolsonaro foi levado na semana passada para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF), conhecido como Papudinha, após passar quase dois meses na Superintendência da PF em Brasília.

RESPOSTA – A transferência foi uma resposta às críticas de familiares e aliados do ex-presidente sobre as instalações da PF. Moraes rebateu as reclamações, mas alegou que isso não impedia a mudança “para uma Sala de Estado Maior com condições ainda mais favoráveis”.

O ministro citou que o batalhão da PM-DF permitirá, por exemplo, “o aumento do tempo de visitas aos familiares, a realização livre de ‘banho de sol’ e de exercícios a qualquer horário do dia, inclusive com a instalação de aparelhos para fisioterapia, tais como esteira e bicicleta”.

Piada do Ano! Fachin volta a Brasília para tentar conter o desgaste do STF

Código de conduta no STF provoca mal-estar e abre primeira crise na gestão Fachin @charges_ismecio #fachin #etica #STF #judiciário Curta, compartilhe, salve, comente

Charge do Ismécio (Instagram)

Carolina Brígido
Estadão

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, interrompeu suas férias, que tinha iniciado quinta-feira passada, dia 15, o retorno a Brasília, onde desembarcou na noite de segunda-feira, 19. A interlocutores e ministros, Fachin justificou a volta antes da reabertura do Judiciário com a avaliação de que “o momento exige” sua presença na capital.

O objetivo central de Fachin é gerenciar o desgaste na imagem do tribunal, provocado pelos recentes desdobramentos do inquérito do Banco Master, sob relatoria do ministro Dias Toffoli.

ROTA DE COLISÃO – Fachin, que havia transferido a presidência interina ao vice, Alexandre de Moraes, busca articular uma saída institucional para o impasse que colocou o Supremo em rota de colisão com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Fachin já conversou com Moraes, Gilmar Mendes, Luiz Fux, Nunes Marques, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e o próprio Toffoli. A alguns ministros, o presidente voltou a mencionar a importância de se debater um código de conduta para a Corte.

Nesta terça-feira, dia 20, o presidente do STF cumpre agenda em São Luís, no Maranhão, para um encontro com o ministro Flávio Dino. Fachin decidiu ir para a capital do Maranhão para se encontrar presencialmente com o ministro porque o filho de Dino vai passar por uma cirurgia.

ATAQUES A TOFFOLI – O procurador-geral da República, Paulo Gonet, recebeu quatro representações de parlamentares nos últimos meses para que ele proponha perante ao STF a suspeição de Toffoli como relator do inquérito que investiga fraudes e crimes cometidos pelos proprietários do Master.

Ao longo dos últimos 26 anos, no entanto, não houve nenhuma decisão do Supremo favorável a pedido de afastamento de um ministro.

O foco das preocupações da presidência é a manutenção e o método de condução de Dias Toffoli no caso. Decisões do relator geraram forte desconforto no meio jurídico.

TUDO ERRADO – Toffoli avocou para o STF todas as investigações sobre o Banco Master – incluindo processos que tramitavam na primeira instância sem envolvimento de autoridades com foro privilegiado – e impôs elevado sigilo, impedindo a visualização de atos processuais nos sistemas de consulta pública.

A tensão institucional escalou quando o ministro determinou que todo o material apreendido pela Polícia Federal em novas fases da operação fosse enviado diretamente ao seu gabinete.

A ordem foi revista somente após a PF alertar para o risco de prejuízo à análise das provas e a PGR emitir parecer contrário. Após o recuo, ficou definido que o material permaneceria sob guarda da Procuradoria.

POLÍCIA REAGE – O mal-estar tornou-se público no último sábado, dia 17, quando a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) divulgou nota classificando o cenário como “atípico”.

 A entidade apontou “afronta às prerrogativas” da corporação, citando interferências diretas no planejamento investigativo, como a imposição de prazos exíguos para buscas, a realização de acareações fora do padrão e a escolha nominal de peritos pelo magistrado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É apenas mais uma Piada do Ano. Fachin fala muito e age pouco. Sabe que o tal Código de Ética jamais será adotado. O julgamento do 8 de Janeiro mostrou que todos ministros descumprem as leis com a maior tranquilidade. E o passado condena Fachin, que em 2021 “inventou” uma maneira de “descondenar” Lula e limpar a ficha imunda dele. E agora, quem pode confiar em Fachin? (C.N.)

Advogados de Bolsonaro cometeram graves erros, que Moraes até tentou aproveitar

A resposta de Moraes a alegações de 'tortura' contra Bolsonaro na prisão – CartaCapital

Bolsonaro está preso, mas ainda tem como se defender

Carlos Newton 

Na rotina de acompanhar o processo contra o ex-presidente Jair Bolsorano e os demais incriminados pelo relator Alexandre de Moraes e pelo procurador-geral Paulo Gonet, tivemos oportunidade de constatar erros grotescos nessa reta final da Ação Penal 2.668, a mais importante da História Republicana.

Sinceramente, sentimos a chamada “vergonha vicária”, que acontece quando a gente se constrange diante de erros cometidos pelos outros. No caso,  o relator Alexandre, acobertado pelo procurador Paulo Gonet tiveram tropeções surpreendentes, mas a  defesa de Bolsonaro também participou do festival.

DENTRO DA ROTINA – Esses erros processuais e até judiciários, pode-se dizer, estão incorporados à rotina do Supremo desde 2019. Naquela época, para libertar o corrupto Lula da Silva, o então presidente Dias Toffoli teve a audácia de comandar a transformação do Brasil no único país da ONU onde o condenado em segunda ou terceira instâncias não pode ser preso.

Depois, em 2021, outro vexame internacional. Para limpar a ficha de Lula e permitir sua candidatura, o ministro Edson Fachin inventou uma regra que só existe aqui — a “incompetência territorial absoluta”, que em todos os demais países é apenas “relativa” e não pode ser usada para anular condenações.

Portanto, neste clima de “Barata Voa”, como se dizia antigamente, erros judiciários passaram a ser até intencionais na Suprema Corte do Brasil.

“SETE ERROS” – No caso do processo contra Bolsonaro, é surpreendente que os advogados do ex-presidente, nos últimos recursos apresentados, tenham conseguido completar uma paródia do chamado “Jogo dos Sete Erros”.

1) Primeiro erro — encaminhar embargos infringentes à Primeira Turma, Moraes. quando deveriam ser enviados à Segunda Turma, para indicação do novo relator por sorteio eletrônico;

2) Segundo erro –  requerer envio do processo ao exame do plenário do Supremo, quando o Regimento determina que, a partir dos embargos infringentes, todos os recursos sejam enviados à outra Turma — no caso, a Segunda:

3) Terceiro erro — direcionar os embargos infringentes para o relator da Primeira Turma, Alexandre de Moraes, que jamais poderia recebê-los, estando obrigado a redistribuí-los para a Segunda Turma;

4) Quarto erro — Em seguida, impetrar agravo regimental (ações cíveis), quando o caso era de agravo interno (ações penais).

5) Quinto erro — o agravo (interno ou regimental) jamais poderia ser direcionado ao já ex-relator Alexandre de Moraes, porque, obrigatoriamente, também teria de ser enviado à Segunda Turma do STF, para distribuição ao novo relator.

6) Sexto erro — não prever que, assim, o agravo se transformaria num recurso inútil e destinado ao fracasso — ou “absolutamente incabível”, como ironizou Moraes.

7) Sétimo erro — não se preparar adequadamente para atuar no Supremo em ação penal, através do estudo de suas normas processuais.

Resumindo: após o tempo regulamentar, Moraes tornou-se falso relator e tentou aproveitar ilegalmente os erros da defesa, mas acabou não conseguindo, devido às denúncias da Tribuna da Internet. 

UM BELO ACERTO – É claro que a defesa de Bolsonaro também acertou muito em suas argumentações, especialmente no tocante ao abuso de poder e ao cerceamento da defesa, deve ser destacado.

Porém, a mais brilhante colocação foi a defesa transcrever um voto magistral de Gilmar Mendes, sobre a necessidade de o Supremo analisar melhor a recusa a embargos infringentes baseados em apenas um voto discordante. 

Essa preocupação do decano é procedente. Ao agir assim, recusando embargos no caso de apenas um voto discordante, o STF inviabiliza o reexame de processo penal. Isso significa que a Suprema Corte brasileira descumpre o Código de Processo Penal, o Regimento do próprio STF e o Pacto de San José da Costa Rica, que determinam a revisão de julgamento penal em qualquer instância, inclusive no Supremo.

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P.S.A referência elogiosa à advertência de Gilmar Mendes foi para não dizerem que não falamos em flores, como cantava Geraldo Vandré, naqueles tempos sombrios. (C.N.)

AGU arquiva pedido do Exército para manter sigilo sobre morte de Rubens Paiva

Tarcísio desiste de visitar Bolsonaro, para ter uma conversa definitiva sobre a eleição

Tribuna da Internet | Centrão, agro e evangélicos resistem a Flávio Bolsonaro e Tarcísio avança

Charge do J.Caesar (Veja)

Vicente Limongi Netto

 

A criatura Tarcísio de Freitas voltaria nesta quinta-feira a visitar ao criador Jair Bolsonaro. Agora na nova casa do ex-presidente, condenado e preso na confortável Papudinha. A visita do governador era para cuidar da própria vida. Sair das amarras de Bolsonaro.
O  governador ia perguntar se a candidatura do filho,  Flávio Bolsonaro, abençoada pelo pai, é mesmo para valer. Bolsonaro então ia querer saber se o governador do Estado mais poderoso do Brasil gostaria de abraçar a candidatura de Flávio como candidato a vice-presidente.
SEM ARRISCAR – Estaria formada, então, a dobradinha PL/Republicanos? Claro que não. Tarcísio agradeceria mas prefere não arriscar, já que poderá se reeleger, sem atropelos, governador de São Paulo. Mas estará com Flávio, em todos as  futuras projeções. 
Tarcísio não aceitará o convite do ex-presidente, mesmo se passasse e ser cabeça de chapa, com Flávio de vice. Tarcísio não trocará o certo (reeleição para governador) pelo duvidoso (candidato a vice com Flávio).
O senador, já animado com a candidatura, poderá tentar para vice, os governadores Ratinho Júnior (PSD) ou Zema (Novo).  Será que aceitariam?

Família de Vorcaro criou projeto que inflou fundos do Master ilegalmente

Ataque ao patrimônio. Charge de João Spacca para a newsletter desta segunda-feira (19). #meio #newsletter #charge #bancomaster

Charge do João Spacca (Arquivo Google)

André Borges, Adriana Fernandes e Lucas Marchesini
Folha

A família de Daniel Vorcaro, banqueiro do Master acusado de orquestrar um esquema fraudulento envolvendo fundos de investimento, é a investidora de um projeto bilionário de créditos de carbono realizado sobre terras públicas e baseado em valores inflados, sem lastro na realidade do mercado.

Documentos obtidos pela Folha apontam que os Vorcaro estão envolvidos desde a origem no plano de explorar esses créditos em uma área da Amazônia, por meio da alavancagem financeira realizada com fundos da administradora Reag.

COMO FUNCIONA – Créditos de carbono são certificados que empresas podem comprar para compensar suas emissões de carbono. Projetos de restauração florestal e energia limpa, por exemplo, geram créditos conforme a quantidade de gases evitados ou removidos da atmosfera, que podem ser repassados.

Dois fundos sob gestão da Reag tiveram seu patrimônio reavaliado porque duas empresas das quais eles eram acionistas foram turbinadas em mais de R$ 45,5 bilhões com a geração de carbono advinda de uma área pública da União na Amazônia, o que é irregular. Isso transforma o caso em um dos maiores escândalos do setor.

O elo entre o projeto irregular de carbono e a família Vorcaro se dá por meio de uma empresa chamada Alliance Participações, conforme contratos e laudos aos quais a reportagem teve acesso.

SOCIEDADE FAMILIAR – A Alliance, uma sociedade anônima fechada, é controlada por Henrique Moura Vorcaro, que ocupa a cadeira de presidente, e Natália Bueno Vorcaro Zettel, diretora da empresa e mulher de Fabiano Zettel, alvo de operação na semana passada. Tratam-se do pai e da irmã de Daniel Vorcaro, que sempre negou participação no negócio de carbono na região.

Em agosto de 2022, um Contrato de Opção de Compra e Venda foi assinado entre a Alliance, o fazendeiro Marco Antônio de Melo, que aparece como dono da terra, e José Antônio Ramos Bittencourt, que atuou como mediador da transação comercial.

Com o acordo, a Alliance passou a ser dona majoritária das unidades de carbono associadas à Fazenda Floresta Amazônica, em Apuí (AM), com 80% do que seria produzido, enquanto Bittencourt ficou com 20%. O passo seguinte foi estruturar a engrenagem dos fundos da Reag que assumiriam o projeto.

COTAS DE FUNDOS – Em 2023, com o acordo formalizado, as operações transformam as 168,872 milhões de unidades de estoque de carbono estimadas no território da Fazenda Floresta Amazônica em cotas de fundos. Neste acerto, o intermediário do negócio, José Antônio Ramos Bittencourt, recebeu cotas de dois fundos da Reag como pagamento, ficando com 2,5% do New Jade 2 e 7,5% do Biguaçu.

O arranjo financeiro passou a incluir, ainda, a possibilidade de negociações com tokens de carbono (um tipo de “vale digital” de carbono, um registro certificado usado para tentar transformar uma promessa de crédito ambiental em ativo financeiro) e outros ativos como forma de quitação.

O contrato prevê que o fazendeiro Marco Antônio de Melo seria remunerado por cotas e tokens, mas não detalha os percentuais ou fundos usados para remunerá-lo.

CARBONO VOADOR – Este carbono da Alliance, empresa que agora se sabe pertence à família Vorcaro, foi parar na Global Carbon e na Golden Green, duas companhias da teia que inflaram o patrimônio dos fundos de investimentos sob gestão da Reag.

Os fundos foram usados, segundo os investigadores, para desviar dinheiro do Master e para retroalimentar a ciranda financeira, ampliando o patrimônio do banco, o que permitiu à instituição financeira seguir vendendo CDBs no mercado.

No caso do negócio envolvendo créditos de carbono, a complexidade da trama vai além da sucessão de fundos para inflar patrimônio. O que está por trás da valorização explosiva de empresas que, de uma hora para a outra, passaram a valer dezenas de bilhões de reais, diz respeito à própria natureza do que seria supostamente negociado.

SEM CERTIFICAÇÃO – Enquanto o crédito de carbono tradicional depende de certificação reconhecida e redução comprovada de emissões, as tais unidades de estoque tratadas no contrato e medidas pela Unesp são descritas como estimativas, sem referência de mercado transparente ou preço público. Ainda assim, foram usadas como base para estruturar os fundos e reorganizações que sustentaram a narrativa de um ativo bilionário.

Como mostrou a Folha, as duas empresas controladas por fundos da Reag, a Golden Green e a Global Carbon, passaram a valer R$ 14,5 bilhões e R$ 31 bilhões, respectivamente, mesmo sem vender um único crédito.

Esses R$ 45,5 bilhões não eram dinheiro vivo, não podiam ser sacados por seus cotistas, mas ajudavam a inflar um patrimônio financeiro fictício que poderia turbinar empréstimos e fazer girar a ciranda dos negócios atrelados às suas cadeias de fundos.

ÁREA DA UNIÃO – A própria terra e a floresta que dariam origem a esses créditos sempre estiveram enroladas com papéis e registros cartoriais que comprovam que se trata de uma área da União, impedida de ser negociada por terceiros e destinada à reforma agrária.

Nada disso, porém, teria impedido que auditorias chancelassem os negócios, baseados unicamente no patrimônio financeiro informado pelas próprias empresas, sem nenhum tipo de checagem concreta sobre o que, afinal, poderia produzir aqueles créditos.

A Golden Green tem como investidor o fundo Jade; e a Global Carbon, o New Jade 2, ambos administrados pela Reag e investigados desde a Operação Carbono Oculto, que apura a suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC. O New Jade 2 está na ponta de uma cadeia de controle de fundos que se inicia no Hans 95, um dos seis apontados como fraudulentos pelo Banco Central no caso Master, conforme mostrou a Folha.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Importantíssima matéria da Folha, que indica falhas grotescas na fiscalização que deveria ter sido feita pelo Banco Central, desde a época de Roberto Campos Neto, aquele economista que presidiu o BC mas não acreditava no próprio trabalho, porque mantinha sua fortuna no exterior, como também fazia Paulo Guedes, o então ministro da Fazenda. Ah, Brasil, você não merece essa gentalha… (C.N.)

Decisão anterior de Moraes blindava servidor que vazasse corrupção de autoridades

Prefeito de Camboriú chama candidatura de Carlos Bolsonaro em SC de ‘loucura’

Boulos defende investigação “doa a quem doer” no caso Banco Master

O vento no meio das nuvens, na primorosa visão poética de Paulo Peres

Tribuna da Internet | No colo da mãe natureza, Paulo Peres criou versos nas  nuvens do ateliê do vento

Paulo Peres, no estúdio de gravação

Carlos Newton

O advogado, jornalista, analista judiciário aposentado do Tribunal de Justiça (RJ), compositor e poeta carioca Paulo Roberto Peres  inspirou-se na natureza para escrever o poema “Nuvens, Ateliê do Vento”.

NUVENS, ATELIÊ DO VENTO
Paulo Peres

A caneta do vento escreveu
Poemas de Nuvens

O cinzel do vento esculpiu
Mulheres de Nuvens

O pincel do vento pintou
Jardins de Nuvens

A caneta, o cinzel e o pincel
São veios infindos do vento

Qual estro nos astros vagueiam
Raios de sonhos tangentes

Nuvens no céu,
Ateliê do vento,
No colo da mãe natureza 

Polarização entre Lula e Bolsonaro elimina qualquer chance de um Brasil melhor

Charge do Kleber (Correio Braziliense)


Duarte Bertolini

A direita brasileira pós-ditadura, envergonhada, acostumou-se ao papel de coadjuvante no cenário nacional, utilizando-se e sendo utilizada pela sua capilaridade (considerável número de prefeitos e vereadores bem avaliados) como suporte para engrossar fileiras de coligações governamentais, de forma siamesa.

Esta musculatura foi utilizada como moeda de troca para cargos de primeiro e principalmente segundos e demais escalões, menos vistosos e pavonescos, porém muito mais eficientes para a política partidária, sempre ávida de favores, verbas e outros que tais.

CONTRADIÇÃO – Neste cenário, impressiona-me verificar, há décadas, uma aparente contradição. Pelo menos aqui no Sul, normalmente a direita elege bons prefeitos, vinculados a sua comunidade e reconhecidos pelo bom trabalho. Igualmente vereadores e políticos de nível estadual têm forte identificação com suas comunidades e são por elas reconhecidos.

Entretanto parece que em nível nacional, ocorre uma verdadeira lavagem. Deputados e senadores, aparentemente, são tragados por uma máquina de moer propósitos e boas intenções.

São comandados e manipulados por políticos matreiros, velhas e felpudas raposas, que desde tempos imemoriais dominam, com novas roupagens, o cenário nacional e os destinos do Brasil.

UM NOVO LÍDER – Com o surgimento de Bolsonaro, imaginou-se uma quebra destes consolidados paradigmas. Político obscuro, com discurso forte , sem medo de enfrentar o PT e seus temas espinhosos, parecia o nosso rei Ricardo Coração de Leão que nos levaria à redenção em tempos melhores.

Infelizmente, a melhor qualidade de Bolsonaro e seu entorno era o marketing rasteiro, as lives no estilo de Goebbels, o discurso vazio e bravateiro, que infelizmente conquistou boa parte da população e a manteve cativa a seus devaneios.

Obvio que ajudou nesta adesão ao fenômeno Bolsonaro a visceral necessidade de romper com a dominação de décadas da esquerda, com as manipulações e intromissões na vida do cidadão, cada vez mais profundas, feitas pelo PT e seus aliados.

CEGUEIRA COLETIVA – Mas o fato é que a necessidade apregoada de um forte envolvimento para fazer frente à mare vermelha gerou uma cegueira quase coletiva, que se manifestou nas ruas, em acampamentos permanentes diante dos quarteis, com celulares atraindo extraterrestres, orações a pneus, marchas sobre Brasília etc. etc. etc.

Nesta esteira, muitos políticos que já vinham  combatendo os desvarios petistas, muito anteriores a Bolzonaro, ficaram na chamada escolha de Sofia — ou aderiam à corrente ou seriam chamados de “isentões”

Com isso, muitas figuras naufragaram na insensatez. Tenho exemplo doméstico: Marcel Van Haten, que conhecemos desde adolescente (era colega de minha filha) destacou-se pela combatividade, inteligência, bom discurso e polemista afiado, mas nos últimos tempos resvalou para um feroz cão de guarda do mito chorão Bolsonaro.

FUTURO BRILHANTE – Não sei como continua visto por seus eleitorado, mas meu voto ficou comprometido. Deputado mais votado do RS, combativo e lúcido, teria um brilhante futuro pela frente. Agora, mesmo que se eleja senador, ficará com uma cruz marcada na testa, carimbado como bolsonarista radical.

Abriu mão de ser um conservador evoluído para ser um defensor de golpistas, pilantras e outros iguais. Assim, creio que o bolsonarismo e o lulismo/petismo, infelizmente, ainda estão fortes e atuantes e será muito difícil nos livrarmos deles.

Quem tenta se manter equidistante é acusado (pelos mais próximos e não somente pela internet) de ser “isentão”, caso não combata o petismo cerrando fileiras ao deus chorão, ou de “fascista”, se não endeusar os feitos e glórias da esquerda e do sindicalista condenado.

PERSEGUIÇÃO – Esse preconceito está acontecendo contra mim e creio que tanbém contra a grande maioria dos não-fanáticos ou fanatizados.

São tempos difíceis e o horizonte se mostra escuro e tenebroso. Não consigo entender como brasileiros lúcidos não percebem a imensa possibilidade de uma política de centro-direita e ou de centro, para, talvez, cimentar uma caminho um pouco menos sombrio para este pais.

Insistir em venerar Bolsonaro, fraco, chorão, esquivo dos temas mais fortes, interessado somente na criação de uma fidalguia familiar, ou endeusar um Lula, pavão deslumbrado, profundamente comprometido com a corrupção e assalto ao povo, com a manutenção permanente de escravos do poder central, essa polarização é claramente uma renúncia a qualquer futuro razoável.

Caso Tanure chega ao gabinete de Toffoli após juíza reconhecer conexão entre inquéritos

Flávio Bolsonaro entre a vitrine externa e o desafio interno da direita

Flávio tenta consolidar-se como o polo natural da direita

Pedro do Coutto

Ao iniciar sua movimentação eleitoral com uma viagem ao exterior, o senador Flávio Bolsonaro sinalizou que sua estratégia passa, desde cedo, por dois tabuleiros distintos — e igualmente difíceis. De um lado, busca projetar-se fora do país, tentando atrair simpatias, construir pontes políticas e reforçar um discurso de legitimidade internacional. De outro, enfrenta a tarefa bem mais complexa de organizar, dentro de casa, um campo da direita ainda fragmentado e carente de um nome consensual capaz de enfrentar o presidente Lula da Silva em outubro.

O movimento externo não é fortuito. Em disputas presidenciais recentes, a imagem internacional tornou-se um ativo político relevante, especialmente para candidatos identificados com campos ideológicos que sofreram desgaste fora do país. Ao se apresentar no exterior, Flávio tenta ocupar um espaço simbólico: o de liderança nacional capaz de dialogar além das fronteiras, algo que seu grupo político historicamente teve dificuldade de construir. Trata-se menos de conquistar votos diretamente e mais de enviar sinais ao eleitorado interno, ao mercado e às elites políticas de que ele pode ser visto como um candidato viável.

CONCENTRAÇÃO – No plano doméstico, porém, o cenário é mais árido. As forças de esquerda, após anos de dispersão e conflitos internos, encontram-se hoje fortemente concentradas em torno de Lula. O presidente, além de liderar as pesquisas, dispõe da chamada “chave do poder”: a máquina federal, a visibilidade institucional e a capacidade de pautar o debate público. Em eleições presidenciais, essa vantagem costuma pesar — e muito.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, tenta consolidar-se como o polo natural da direita. O cálculo passa pela leitura do tabuleiro estadual. Governadores frequentemente citados como alternativas — Tarcísio de Freitas, Ratinho Junior, Romeu Zema e Eduardo Leite — não conseguiram, até agora, demonstrar fôlego eleitoral suficiente para ultrapassá-lo nas simulações de disputa nacional.

FATORES QUE PESAM – Além disso, fatores institucionais pesam: Zema e Leite não podem mais disputar a reeleição em seus estados, o que abre espaço para projetos nacionais, mas não garante, por si só, musculatura eleitoral. Ronaldo Caiado, por outro lado, ainda tem um mandato estadual a defender, o que reduz sua disponibilidade política para uma aventura presidencial imediata.

Nesse contexto, Tarcísio de Freitas surge como uma peça central — ainda que paradoxal. Governador de São Paulo, com forte capital político e bom trânsito entre eleitores conservadores e setores do centro, ele seria, em tese, o nome mais competitivo da direita.

Mas sua decisão de disputar a reeleição no estado esvazia essa possibilidade. Ainda assim, sua candidatura paulista cumpre um papel estratégico para Flávio: ajuda a manter mobilizada a base bolsonarista, reforça o discurso de força regional da direita e cria uma aliança tácita que pode ser explorada até o limite permitido pelo calendário eleitoral.

VOTOS – O problema central permanece: votos. As pesquisas do instituto Quaest mostram uma distância relevante entre Lula e Flávio Bolsonaro, distância que não se supera apenas com articulação política ou viagens simbólicas. Exige ampliação de eleitorado, diálogo com setores fora do núcleo ideológico e a construção de uma narrativa que vá além da herança familiar e da identidade oposicionista.

Flávio tenta, assim, reunir correntes diversas sob um mesmo guarda-chuva, apostando na ausência de um rival claro dentro da direita e na fadiga natural de um governo em exercício. Mas a tarefa está longe de ser simples. Unificar um campo político plural, marcado por lideranças regionais fortes e ambições próprias, exige mais do que coordenação: exige concessões, clareza programática e, sobretudo, tempo — um recurso cada vez mais escasso à medida que outubro se aproxima.

A campanha, portanto, começa sob o signo da resistência. Para Flávio Bolsonaro, o desafio não é apenas enfrentar Lula, mas provar que consegue transformar um espólio político poderoso em maioria eleitoral real. É nesse intervalo entre intenção e viabilidade que se decidirá o seu futuro político — e, talvez, o rumo da direita brasileira nas próximas eleições.

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Charge do Baggi (Jornal de Brasília)

Carlos Newton

Hoje, excepcionalmente, vamos mudar de assunto e falar sobre as pesquisas eleitorais. O fato é que esses levantamentos sensacionalistas não têm nem podem ter confiabilidade, mas sempre é possível aproveitar alguns resultados para fazer projeções que estejam dentro da lógica – ou seja, que aparentem estar próximas à realidade.

Como ainda estamos longe das eleições, por enquanto as pesquisas são tremendamente manipuladas, de acordo com o cliente, feitas sob medida para atender a esta ou aquela intenção. 

FORÇANDO A BARRA – Como diria Silvio Santos, é tudo por dinheiro; os chamados institutos precisam pagar as contas e sobreviver, digamos assim. Mas há quem acredite piamente neles, e cada um interpreta os resultados de acordo com o próprio interesse.

Nesta fase, chamam atenção as sucessivas pesquisas indicando que a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) está em crescimento e o senador já teria se tornado o único pretendente com chances de enfrentar Lula.

Essa possibilidade vem sendo exaltada, porque é justamente o cenário que interessa ao presidente Lula da Silva e ao PT. Eles estão convictos de que, se a disputa for contra Flávio, os petistas já podem comemorar antecipadamente a vitória.

OUTRAS PESQUISAS – Em meio a esse fantasioso festival, sempre aparecem outras pesquisas indicando exatamente o contrário.

Foi justamente o que acontece com a pesquisa feita pelo Instituto Ideia para o portal Meio, divulgada na semana passada. Para petistas de raiz, com baixa qualificação e poucos neurônios, os resultados parecem a consagração de Lula, que já estaria mais do que reeleito. O atual presidente lidera com folga todos os cenários de primeiro turno para a eleição presidencial de 2026.

Na pergunta espontânea —em que os entrevistados respondem em quem votariam, sem indicação dos candidatos, Lula aparece com 32% das intenções de voto; o ex-presidente Jair Bolsonaro tem 9,5%, seguido por Flávio (6,6%), Tarcísio (6,1%) e Michelle (3,6%). Os demais ficam abaixo de 2%.

PETISTA DISPARA – Nos outros cinco cenários estimulados de primeiro turno, Lula permanece na frente dos rivais. Contra Tarcísio de Freitas, o petista marca 40,2%, ante 32,7%. Diante de Flávio  (PL), 39,6% a  27,6%.. Na disputa contra Michelle , o petista sobe para 40,1% contra 29,7%.

Sobre a definição do voto para presidente, 64,5% dos entrevistados dizem estar decididos, enquanto 35,5% afirmam o contrário.

A pesquisa ouviu 2.000 pessoas entre os dias 8 e 12 de janeiro de 2026, por meio de entrevistas telefônicas. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.

SEGUNDO TURNO – A grande surpresa da pesquisa Ideia/Meio refere-se ao segundo turno, em que há empate técnico entre Lula e Tarcísio, dentro da margem de erro: o presidente tem 44,4%, enquanto o governador de São Paulo soma 42,1%.

Nos demais cenários de segundo turno testados, Lula aparece à frente dos adversários. Ele marca 46% contra 37% de Ratinho Jr. (PSD), 46,3% contra 36,5% de Ronaldo Caiado (União Brasil), 46% contra 39% de Michelle (PL), 46,3% contra 36,1% de Romeu Zema (Novo) e 46,2% contra 36% de Flávio (PL).

Como Tarcísio de Freitas sequer é candidato, suas chances tornam-se muito altas, porque sua rejeição é baixíssima, apenas 16,2%. Quanto a Lula, 40,8% dizem que não votariam nele em nenhuma hipótese, Enquanto Flávio é rejeitado por 30% e Michelle, por 26,1).

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P.S. 1 – Há outras pesquisas que dão Flávio Bolsonaro disparado na segunda posição, mas não se deve dar atenção, por ser o “rival preferido” pelo PT. Com Flávio, a vitória de Lula estaria garantida. Assim, os resultados da pesquisa Ideia seriam mais confiáveis, e indicam que Tarcísio de Freitas pode disparar, caso aceite a candidatura e consiga chegar realmente ao segundo turno. O mano a mano de Tarcísio contra Lula seria apoteótico.

P.S. 2 – Sobre a questao do Supremo, continuamos na esperança de que os advogados do ex-presidente Bolsonaro permaneçam imobilizados pelos truques jurídicos do ministro Alexandre de Moraes e só apresentem recursos após 0 dia 31, quando ele deixa a presidência interina do Supremo e a ação contra Bolsonaro passa a ser julgada na Segunda Turma. (C.N.) 

Europa reagirá com supertarifas contra ameaça de Trump anexar Groenlândia

CRÉDITO: DAVE GRANLUND_CAGLE CARTOONS

Charge de Dave Granlund (Arquivo Google)

Henry Foy e Mercedes Ruehl
Financial Times

Os membros da União Europeia estão considerando impor tarifas no valor de 93 bilhões de euros aos EUA (cerca de R$ 580 bilhões) ou restringir empresas americanas do mercado do bloco em resposta às ameaças de Donald Trump aos aliados da Otan que se opõem à sua campanha para assumir o controle da Groenlândia. A medida marca a crise mais grave nas relações transatlânticas em décadas.

As medidas de retaliação estão sendo elaboradas para dar aos líderes europeus poder de negociação em reuniões cruciais com o presidente dos EUA no Fórum Econômico Mundial em Davos esta semana, disseram autoridades envolvidas nos preparativos.

OTAN EM RISCO – Eles estão buscando encontrar um compromisso que evite uma ruptura profunda na aliança militar ocidental, o que representaria uma ameaça existencial à segurança da Europa.

A lista de tarifas foi preparada no ano passado, mas suspensa até 6 de fevereiro para evitar uma guerra comercial total. Sua reativação foi discutida no domingo pelos 27 embaixadores da União Europeia, juntamente com o chamado instrumento anti-coerção (ACI), que pode limitar o acesso de empresas americanas ao mercado interno, enquanto o bloco decide como responder à ameaça do presidente dos EUA com tarifas punitivas.

Trump, que exigiu permissão da Dinamarca para assumir o controle da Groenlândia, prometeu no sábado à noite impor tarifas de 10% até 1º de fevereiro sobre mercadorias do Reino Unido, Noruega e seis países da UE que enviaram tropas para a ilha ártica para um exercício militar esta semana.

MÉTODOS MAFIOSOS – “Existem instrumentos claros de retaliação à disposição se isso continuar… [Trump] está usando métodos puramente mafiosos”, disse um diplomata europeu informado sobre a discussão. “Ao mesmo tempo, queremos pedir publicamente calma e dar a ele uma oportunidade de recuar.”

A França pediu que o bloco retalie com o ACI, que nunca foi usado desde sua adoção em 2023. A ferramenta inclui restrições de investimento e pode estrangular exportações de serviços como os fornecidos por grandes empresas de tecnologia dos EUA na UE.

Paris e Berlim estão coordenando uma resposta conjunta, com seus respectivos ministros das finanças se preparando para viajar a Bruxelas e participar de um encontro com seus colegas europeus, disse um assessor do ministério francês. “A questão também terá que ser abordada com todos os parceiros do G7 sob a presidência da França”, acrescentou o informante.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Donald Trump dá sinais evidentes de descontrole mental. Temos um lunático pilotando o planeta Terra e ninguém tem coragem de colocá-lo numa camisa de força e enchê-lo de sedativos, até ele ficar calminho. (C.N.)