Casos definem até onde vai o poder de Mendonça e Gonet
Felipe Recondo
O Globo
André Mendonça e Paulo Gonet serão cobrados pelo resultado das investigações dos casos Master e INSS. Mas o que é de cada um? Qual a responsabilidade do relator e qual a parte que cabe ao procurador-geral da República?
À distância, parece que Gonet e Mendonça hoje são adversários ou que o relator quer tomar o comando do inquérito que compete ao procurador-geral. Mas é preciso recordar o que é o processo para que cada um seja cobrado pelo que lhe é de dever.
JUIZ DE GARANTIAS – Foi o STF quem reforçou, no julgamento da ação referente à criação do juiz de garantias, que o nosso sistema criminal é acusatório — com a divisão entre as funções de acusar, defender e julgar. E é preciso ressaltar que o STF também delimitou a aplicação da lei do juiz de garantias, não existindo nos tribunais dois juízes para uma investigação — um que vela pela proteção às garantias dos investigados e outro que julga o processo.
Sendo assim, o relator de um processo no STF — ou no STJ ou nos tribunais — pode determinar “a realização de diligências voltadas a dirimir dúvida sobre ponto relevante”, como registrou o STF. O relator não substitui a acusação. Ele pode, no máximo, apontar eventuais omissões cometidas pelo Ministério Público.
Alguns relatores interferem mais; outros menos. Geralmente a ingerência maior se dá em processos de grande repercussão, como são os casos do Master e do INSS. O PGR pode ter uma estratégia de investigação que deixe de fora algo que o relator poderia enxergar como importante. Ou o PGR pode traçar um cronograma diferente do que o relator pensa.
IMPACIALIDADE – O PGR tem o dever de avaliar não só o mérito das investigações, mas o momento de levá-las adiante. Não é a polícia ou o juiz quem deve dizer o momento de o MP agir. E o MP está no sistema para garantir a imparcialidade dos juízes.
Quando o relator passa a desconfiar que o procurador não quer fazer o seu papel (ou quando o PGR não faz o que o relator pensa que deveria ser feito), cria-se um clima de desconfiança. O relator não quer ser visto como responsável pela eventual impunidade. É nesse ponto que a biografia do juiz passa a pesar mais que os limites institucionais.
Sepúlveda Pertence costumava dizer que o que dita o comportamento de um ministro do STF é sua biografia. Nelson Jobim distingue sempre os que chegaram ao tribunal com biografia daqueles que chegam para construí-la.
BIOGRAFIA – Para Mendonça, as máximas valem — o fato é que sua biografia o dita. E na entrevista que concedeu recentemente, isso ficou claro quando perguntei sobre ser o ministro “terrivelmente evangélico”.
“Talvez eu seja, dentre os evangélicos, a pessoa do Brasil que ocupa o cargo de maior relevância nacional”, disse. Para acrescentar: “Queira ou não, eu tenho a responsabilidade de representar toda uma comunidade no comportamento, na forma de falar, nos meus atos do dia a dia e nos meus atos públicos também.”
RESPONSABILIDADE – Mendonça talvez não queira pagar a conta por uma investigação sem os resultados prognosticados —inclusive por ele. Mas é aqui que chegamos ao mote deste texto: se a investigação não levar à condenação deste ou daquele nome, de quem é a responsabilidade?
Antonio Fernando de Souza foi o PGR que denunciou o mensalão. E a conta por deixar Lula de fora foi calculada e assumida por ele. Joaquim Barbosa, o relator no STF, nada fez em sentido contrário.
Gonet precisa estar à frente da apuração para tomar suas decisões, arcar com os custos da denúncia que vai fazer e pagar o preço dos arquivamentos que (e se) vier a pedir. Mendonça, ao final, pode até expor divergências, mas não será dele o texto final. As denúncias que vêm pela frente já têm assinatura: de Paulo Gonet. Se algo ficar de fora da denúncia, o responsável será o PGR. Se a investigação for arquivada por eventual nulidade, a culpa será arremessada no colo de Mendonça. Cada um com seus riscos, cada um com suas responsabilidades.
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ARSENAL NUCLEAR DE “ISRAEL” EXPÕE A HIPOCRISIA DA ORDEM INTERNACIONAL
Há mais de sete décadas, o regime israelense mantém um dos arsenais nucleares mais sofisticados do mundo sem aderir ao Tratado de Não Proliferação Nuclear nem se submeter às inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica. Sua política de “ambiguidade nuclear” constitui, na prática, um privilégio sustentado pelo silêncio das potências ocidentais.
Esse excepcionalismo, respaldado principalmente pelos Estados Unidos e pela França, compromete a estabilidade regional e esvazia a credibilidade do sistema global de desarmamento. Como advertiu o representante iraniano em Viena, a posse de armas nucleares por “Israel” e sua recusa em aderir ao TNP estão entre as maiores ameaças ao regime internacional de não proliferação.
A tolerância ocidental revela uma ordem jurídica submetida à conveniência geopolítica, que separa potências nucleares “aceitáveis” e “inaceitáveis”. Denunciar essa hipocrisia estrutural é indispensável para impedir que as instituições internacionais continuem protegendo “Israel” enquanto são instrumentalizadas contra os países que desafiam seu privilégio.
30/08/2026
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Sinceramente prefiro um incrivelmente evangélico do que, um incrivelmente comunista, um incrivelmente incomPTente que não passou em concurso e por aí vai