Celular de Vorcaro passa por triagem da PF antes de chegar à CPI do INSS

PL ultrapassa PT nas redes e sinaliza nova disputa digital pela hegemonia eleitoral

Perfil do partido de Bolsonaro passou a superar a do PT

Rafaela Gama
O Globo

O Partido Liberal (PL) superou em crescimento no Instagram o Partido dos Trabalhadores (PT) ao longo de 2025, mostra um levantamento obtido pelo O Globo. Ao longo dos últimos 12 meses, a sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro passou de aproximadamente 1,24 milhão para 1,89 milhão de seguidores, com acréscimo de cerca de 640 mil novas contas que passaram a acompanhar o perfil.

No mesmo período, a legenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva cresceu quase a metade do avanço da adversária (330 mil), saindo de 1,37 milhão para 1,67 milhão. Os dados também indicam que, ao longo do primeiro semestre do ano, o PT mantinha mais seguidores que a sigla adversária, mas, de julho a outubro, os dois partidos passaram a acumular números parecidos.

CANDIDATURA – A partir de novembro, no entanto, bolsonaristas passaram à frente da legenda petista. O mês antecedeu o lançamento da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) ao Planalto, escolhido como sucessor do ex-mandatário.

Desde então, o parlamentar tem se colocado como o principal candidato da direita que enfrentará o petista na corrida eleitoral. Dados da última pesquisa Genial/Quaest, divulgados no início deste mês, mostram que Flávio conseguiu fidelizar o voto da direita nas projeções de primeiro turno e registrou melhorias no desempenho na parcela de eleitores considerados “independentes” no segundo turno.

O levantamento também mostra que, desde dezembro, Flávio passou a ultrapassar Lula em ganhos de seguidores nas principais redes sociais (Instagram, X, TiKTok, YouTube e Facebook), mas se manteve abaixo do petista em números totais. Somente no Instagram, por exemplo, o senador tem atualmente 8,9 milhões, enquanto o presidente acumula 14,4 milhões.

ADVERSÁRIOS – Além de Lula, o senador também poderá ter como adversários o governador Romeu Zema (Novo) e um candidato do PSD, que deverá ser lançado pelo presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, como um representante da “terceira via”. O dirigente deverá escolher entre os governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), e do Paraná, Ratinho Júnior (PSD) — tido como preferido. Os três têm 2 milhões, 1,5 milhões e 1,3 milhões de seguidores no Instagram, respectivamente, enquanto Zema acumula 2,3 milhões.

A pesquisa Quaest também indica que eles são os candidatos mais desconhecidos. No quadro geral do levantamento, 23% dizem que “conhecem e votariam” em Ratinho. No mesmo quesito, Caiado pontuou 14%, Zema, 13% e Leite, 10%. Outros 42% afirmam o mesmo sobre Lula, enquanto 36% têm a mesma opinião sobre Flávio.

Jaques Wagner diz que quebra de sigilo de Lulinha na CPMI foi “manipulada”

Senador disse que irá recorrer de decisão final da CPMI

Manoela Carlucci
CNN

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) disse à CNN nesta quinta-feira (26), que a votação sobre a quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha – filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) -, na CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) foi “manipulada”.

“Houve uma manipulação, prefiro não adjetivar e, portanto, não sei exatamente como esse imbróglio vai terminar”, disse. A sessão em que foi aprovada a quebra de sigilo foi suspensa após bate-boca e empurrões entre parlamentares. Durante a entrevista, o líder classificou o ocorrido como “absurdo”, mas disse que não tinha como “se calar”.

CONFUSÃO –  “Um absurdo, realmente foi-se as vias de fato porque as pessoas ficaram indignadas com a proclamação do presidente Carlos Viana sobre o resultado. Não há como negar que o número nosso era 14 e não 7 e quem ganha é a maioria”. afirmou. “Na minha opinião, um horror porque eu acho que o tratamento dentro do Congresso deveria se dar de outra forma, mas não há como se calar”, completou.

Jaques Wagner afirmou que o partido deve recorrer da decisão tomada na Comissão e procurar, inclusive, o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União-AP), para tratar sobre o caso. “Nós estamos muito tranquilos, vamos continuar brigando por aquilo que achamos correto e vamos ver. O presidente Davi deve submeter isso à mesa ou à Comissão de Justiça do próprio Senado, e vamos ver qual a decisão. Na verdade, como essa CPI é mista, o comando é realmente do presidente do Congresso, mas acaba envolvendo também o presidente Hugo Motta”.

De acordo com o líder, Lulinha pode sim prestar esclarecimentos à Comissão, contanto que haja “equilíbrio”. “Ele pode prestar esclarecimento, mas nós não podemos ter uma CPI com cacoete para um lado só. Ele pode prestar depoimento, eu quero saber porque o cunhado do Vorcaro não pode”, acrescentou.

Gilmar reabre ação antiga e impede investigação que incriminaria seu amigo Toffoli

Maridt recorreu a atalho jurídico para ‘ressuscitar’ ação

Rafael Moraes Moura
Johanns Eller
O Globo

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes de anular a decisão da CPI do Crime Organizado que determinou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático da empresa Maridt, ligada à família do ministro Dias Toffoli, foi tomada no âmbito de uma ação que o próprio Gilmar mandou arquivar há três anos. O processo, porém, não chegou a ser efetivamente arquivado pelo STF. Ficou dormitando nas gavetas do tribunal até ser “ressuscitado” nesta sexta-feira.

Na prática, a Maridt “se intrometeu” uma ação movida pela Brasil Paralelo em 2021, buscando um atalho jurídico para ser atendida pelo ministro. Usou para isso argumentações parecidas com as da Brasil Paralelo para anular requerimentos da CPI da Covid que haviam determinado quebras de sigilo bancário, telefônico e telemático da empresa.

VIOLAÇÃO DE DIREITOS – A empresa alegou que a medida violava os direitos à liberdade de expressão, de imprensa, ao sigilo de fonte, à privacidade e à intimidade, além do princípio da legalidade. Em setembro de 2021, Gilmar atendeu o pedido da empresa, suspendendo o afastamento do sigilo telefônico e telemático da empresa. Mas determinou que as demais informações obtidas pela CPI fossem mantidas sob a guarda do presidente, Omar Aziz, e compartilhadas com o colegiado “apenas em reunião secreta e quando pertinentes ao objeto da apuração”.

Em 8 de março de 2023, Gilmar Mendes mandou arquivar a ação por concluir que a medida já havia sido cumprida pelo Senado Federal. O que a Maridt fez nesta semana foi apresentar uma petição dentro da ação do Brasil Paralelo, como se fosse ela mesmo parte do processo, pedindo que Gilmar suspendesse a sua própria quebra de sigilo. Gilmar acatou, considerando que os dois casos são relacionados.

A quebra de sigilo da Maridt foi aprovada pela CPI do Crime Organizado a partir de um requerimento apresentado pelo relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE). A comissão aprovou também a convocação de dois irmãos de Toffoli que constam como sócios da companhia, José, Carlos e José Eugênio. Em outra decisão, o ministro André Mendonça, relator do caso do Banco Master no STF, decidiu que eles não serão obrigados a prestar depoimento.

QUESTIONAMENTOS – A Maridt é uma empresa de sociedade anônima controlada pelos irmãos de Toffoli e que foi sócia do resort de luxo Tayayá em Ribeirão Claro (PR). O ministro do Supremo passou a ser alvo de questionamentos depois da revelação de que a companhia vendeu uma parcela de sua participação para um fundo controlado pelo empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado do CEO do Master, Daniel Vorcaro, em 2021. O magistrado posteriormente admitiu ter sido sócio do empreendimento ao lado dos irmãos, pouco antes de deixar a relatoria do caso Master.

Os pagamentos de Vorcaro para a família Toffoli vieram a tona quando o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, entregou ao presidente do Supremo, Edson Fachin, um relatório com as evidências desconbertas no celular de Voraco indicando as conexões entre o banqueiro e Dias Toffoli que poderiam caracterizar a suspeição do ministro para continuar relatando o caso do banco Master.

Oficialmente, Toffoli negou ter recebido qualquer pagamento de Vorcaro ou de Zettel. Em nota divulgada no último dia 12, após a repercussão do relatório da PF, o gabinete do ministro no STF admitiu pela primeira vez que o magistrado é sócio da Maridt e que recebeu dividendos pela venda da cota para o Arleen, fundo que tem o cunhado do executivo como único cotista, em 2021.

PAGAMENTOS – A versão vai contra o que indicam as conversas entre Vorcaro e Zettel detalhadas pela PF no dossiê. Os diálogos ocorreram em dezembro de 2024, três anos após a venda das cotas para o Arleen. Nas conversas, Zettel pergunta ao banqueiro como deveria proceder em relação aos pagamentos para o ministro. O controlador do Master respondeu que preferia que os repasses se dessem por meio do fundo.

No pedido apresentado à CPI do Crime Organizado, Alessandro Vieira argumentou que a quebra de sigilo era uma medida de “extrema urgência” e tinha como objetivo “desmantelar a complexa rede de influência e lavagem de capitais que orbita em torno do Banco Master e de suas conexões com agentes públicos de cúpula”.

O senador sergipano apontou ainda “suspeitas fundadas de que a Maridt tenha funcionado como um canal de recebimento de vantagens indevidas sob o manto de contratos de consultoria e prestação de serviços mensais pagos por grandes escritórios de advocacia que possuem interesses diretos em causas relatadas pelo próprio ministro Toffoli no STF”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A iniciativa de Gilmar Mendes é uma ação entre amigos, que não soluciona o problema de Toffoli, apenas atrasa a investigação sobre ele e mostra que a sujeirada que envolve o Supremo não tem limites, pois o escândalo já está fedendo a centenas de milhas daqui, como diria Djavan. (C.N.)

Governo e oposição querem defender suas tropas no escândalo do Master

CHARGE ▫ Confira a charge do cartunista Mariosan desta segunda-feira (29). # Charge #OPopular #LeiaAgora

Charge do Mariosan (Instagram)

Elio Gaspari
Folha

O caso do Banco Master tornou-se radioativo. O Banco Central teve mais de um ano para enquadrá-lo e frangou o tamanho da fraude. O ministro Dias Toffoli tomou as rédeas do inquérito e embrulhou-se. O Supremo Tribunal tirou-o do caso, mas, no mesmo lance, solidarizou-se com ele. (Como isso é possível, só o tempo dirá.)

Uma parte do Congresso quer uma CPI, outra prefere apenas interrogar Daniel Vorcaro, dono da encrenca e arquivo vivo de suas ramificações.

CONEXÕES DE VORCARO – Nessa confusão, em Brasília atira-se para todos os lados, menos para o alvo: as conexões de Vorcaro. Não deixa de ser curioso que, enquanto o tiroteio toma conta da agenda, a única instituição que vem investigando com sucesso o material radioativo é mantida ao largo da agenda. Trata-se da Polícia Federal, a quem se devem as poucas novidades saídas da caixa preta do Master.

Por incrível que pareça, a criação de uma CPI traz mais riscos que esperanças. A CPI da fraude das Lojas Americanas ainda está na memória das pessoas. Aquela CPIzza terminou num vexame. Não responsabilizou viv’alma nem ouviu os grandes acionistas da empresa. Quando ela terminou, havia deputados denunciando deputados, e só.

FIM DO SIGILO – Vorcaro quer um microfone para responsabilizar o Banco Central, o governo quer proteger sua tropa e parte da oposição quer manter as investigações longe de seus afortunados parlamentares. Com essas forças chocando-se na discussão do problema, só havia uma resultante possível: o sigilo. O ministro Dias Toffoli bem que tentou. Teve a má sorte de encrencar-se com a Polícia Federal e deu no que deu.

A saída de Toffoli da relatoria jogou na agenda o que seria o vazamento, a partir de um grampo, de uma reunião fechada do STF. Beleza, sorteia-se um novo relator e o crime estaria num provável grampo, que revelou com fidelidade o desfecho do problema.

Ministros do Supremo querem identificar e punir os responsáveis pelo vazamento. Tudo bem, desde que prossigam as investigações da PF.

REDE DE TRAMÓIAS – O estouro do Master começou com um banco fraudando operações e lesando fundos de pensão de servidores. Essa rede de tramoias vinha das conexões de Vorcaro azeitadas por negócios, eventos e festas.

Uma parte dessas conexões está guardada nos 52 aparelhos celulares do banqueiro e de seus diretores. Esse material está com a PF, que até agora não o mostrou, nem ao STF.

É por aí que a maior fraude bancária de Pindorama poderá vir à luz. Nessa trama, Vorcaro é um detalhe, como detalhes foram os Magalhães Pinto do banco Nacional e Calmon de Sá do Econômico.

A MESMA TRAMA – Os banqueiros arruinados são a parte móvel de um elenco. Ora é um, ora é outro, até que chega o próximo.

A trama é sempre a mesma e passa pelas conexões desses bancos com o andar de cima da política de Pindorama. (Na receita do Econômico e do Nacional, havia ex-ministros no pódio.)

Se as combinações de Brasília resultarem numa CPI para o Master, tudo bem, desde que não atrapalhe nem tente obstruir o trabalho da Polícia Federal. Tentou-se e não deu certo.

Piado Ano! Nome da mulher que vale R$ 129 milhões é vendido por apenas R$ 250

Viviane Barci soma 13 derrotas e 8 vitórias no STF

Moraes ficou decepcionado com a baixa contação da mulher

Malu Gaspar
O Globo

O vazamento dos dados de familiares dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), em especial os da mulher do ministro Alexandre de Moraes e os do filho do ministro Luiz Fux, foi realizado por dois funcionários terceirizados de uma agência da Receita Federal no Rio de Janeiro que operavam um esquema mambembe de venda de lugar em fila de atendimentos e informações cadastrais de correntistas.

Em depoimento dado à própria Receita, um vigilante terceirizado e um atendente cedido pelo Serpro que atuavam na agência de Laranjeiras, Zona Sul do Rio, admitiram ter vendido a declaração de imposto de renda dos advogados Viviane Barci de Moraes e Rodrigo Fux para terceiros ao preço de R$ 250 por CPF. Desse valor, R$ 150 ficavam para o servidor e R$ 100 para o atendente.

ERA ROTINA – Os dois admitiram ainda que operavam esse esquema já havia anos. Afirmaram, ainda, que apenas receberam o pedido para o acesso aos CPFs e fizeram a pesquisa, e não sabiam de quem se tratava. A Polícia Federal (PF) ainda investiga quem comprou os dados.

A Receita informou à equipe do blog que o funcionário cedido pelo Serpro retornou à empresa pública e que uma representação foi aberta na corregedoria. Já o vigilante foi devolvido para a empresa terceirizada no último dia 20.

Os depoimentos foram tomados ainda na fase administrativa da investigação, pela própria Receita Federal, depois que o ministro Alexandre de Moraes determinou que fosse rastreado o acesso a dados cadastrais e do imposto de renda de 140 pessoas, ministros do Supremo e seus parentes.

BUSCA E APREENSÃO -Uma vez constatado o acesso irregular e feitos os depoimentos, a informação foi passada a Moraes e à Procuradoria-Geral da República (PGR), que solicitou a busca e apreensão sobre quatro funcionários da Receita. Todos tiveram que passar a usar tornozeleira eletrônica e tiveram os passaportes cancelados.

Além dos dois sediados no Rio, um fiscal de Presidente Prudente (SP), Ricardo Mansano de Moraes, admitiu ter consultado as informações de uma enteada do ministro Gilmar Mendes, mas acessou o imposto de renda dela.

Uma quarta servidora, Ruth Machado dos Santos, do Guarujá (SP), acusada de ter acessado os dados de Viviane Barci, disse que estava em um atendimento presencial na no mesmo momento em que o sistema registrou sua senha acessando dados da advogada, mas foram apenas CPF, nome da mãe, data de nascimento e dados eleitorais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Caramba, foi um anticlímax jamais visto… Moraes meteu os peitos e soprou um vendaval enorme para apagar uma simples velinha de aniversário. O excelentíssimo ministro queria saber quem denunciou o vexaminoso contrato da dra. Viviane com o trambiqueiro Daniel Vorcaro, mas não conseguiu nada, o máximo que conseguiu foi apenas transferir um vigilante e um atendente. E o pior foi saber que sua mulher, a advogada que pensava (?) valer R$ 129 milhões, na verdade está cotada no mercado paralelo por somente 250 reais. É muita desmoralização… (C.N.)

Castro joga com o tempo para fugir da cassação e viabilizar candidatura ao Senado

Cerco a Lulinha, com quebra de sigilo, desarticula a pré-campanha de Lula

CPMI do INSS aprova quebra de sigilo bancário de Lulinha em sessão tumultuada: o que se sabe sobre acusações contra filho do presidente #charge #cartum #caricatura #editorialcartoon #politicalcartoon

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Catia Seabra
Mariana Brasil
Caio Spechoto
Folha

O avanço de investigações conduzidas pela Polícia Federal e o cerco político no Congresso Nacional colocaram Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho de Lula (PT), no centro das preocupações de auxiliares do presidente nesta quinta-feira (26).

Embora Lulinha tenha negado ao pai qualquer irregularidade e o presidente venha repetindo que quem errou tem que pagar, o receio é que as investigações respinguem na campanha à reeleição.

QUEBRAS DE SIGILOS – A pedido da Polícia Federal, o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Lulinha. O pedido da PF foi feito há cerca de um mês. Mas só chegou ao conhecimento do governo nesta quinta, pela imprensa.

A CPI do INSS também decidiu quebrar o sigilo de Lulinha, em uma sessão conturbada nesta quinta-feira e que está sendo questionada pelos governistas. Fábio Luís foi citado em investigações que envolvem Antonio Carlos Camilo Antunes.

Conhecido como Careca do INSS, o empresário se tornou uma das figuras mais emblemáticas do escândalo de descontos em benefícios previdenciários, sob a acusação de supostamente ter facilitado a fraude nas aposentadorias.

LULINHA É CITADO – A PF apura as citações atribuídas a Lulinha nas investigações da Operação Sem Desconto. A informação de que ele estava sendo investigado foi enviada a Mendonça, relator do inquérito sobre o tema.

Menções indiretas a Lulinha por alvos da investigação já tinham sido divulgadas em dezembro do ano passado. À época, segundo pessoas com conhecimento das apurações, essas citações já estavam sendo investigadas.

Em suas conversas, Lula tem dito que as investigações devem prosseguir. Além dessa orientação expressa ao governo, o presidente repete o que já disse em entrevista: “Quem errou tem que pagar”.

DISSE LULA – O próprio Lula contou, durante entrevista ao portal UOL, que chamou seu filho a Brasília para cobrar explicações. O presidente relatou ter dito a Lulinha que ele pagará o preço caso tenha cometido algum delito.

Segundo relatos, essa conversa aconteceu em dezembro. Lulinha disse ao pai que está 100% tranquilo e ironizou rumores que circulam na internet dando conta de sua evolução patrimonial, questionando onde estariam então sua Ferrari de ouro e sua fazenda. Nessa conversa dura, Lula recomendou, então, que o filho se defendesse.

Aliados do presidente vêm insistindo na tese de que, embora as fraudes tenham ocorrido nas gestões passadas, as investigações só aconteceram no governo Lula, ainda que os descontos nas aposentadorias tenham disparado. Mesmo com esses argumentos, os colaboradores do presidente temem o uso do caso pela oposição. Por isso, a blindagem de familiares de Lula era considerada estratégica para os governistas na CPI do INSS.

CULPA DA PF? – O caso também afeta as relações dentro do governo. Apesar de os inquéritos correrem sob sigilo, há quem lance dúvidas sobre a lealdade do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, uma vez que se dizem surpreendidos com a quebra um mês depois do pedido.

Em defesa de Andrei, outra ala do governo alega que o próprio presidente recomendou que levasse adiante as investigações. Também sobram queixas à articulação do governo no Congresso por não ter impedido a confusa votação que culminou na quebra de sigilo de Lulinha na CPI.

Governistas questionam a votação no colegiado e afirmam que a quebra de sigilo foi um golpe do presidente da comissão, o senador Carlos Viana (Podemos-MG). A bancada governista protocolou petição solicitando a anulação.

NA OUTRA CPI – Antes, na quarta-feira (25), a CPI do Crime Organizado já havia aprovado a quebra de sigilo de uma empresa do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli, além do convite para que o próprio ministro, Alexandre de Moraes e a mulher, Viviane Barci, compareçam para dar explicações sobre o escândalo financeiro do Banco Master. Dois irmãos de Toffoli foram convocados a depor.

As convocações e quebras de sigilo desagradaram ao governo. Os convites para ministros do Supremo e o excesso de temas incluídos na investigação são os aspectos mais criticados por aliados de Lula.

A CPI do Crime Organizado foi criada com uma delimitação vaga para o objeto de investigação. Por isso, tem sido possível para o colegiado entrar, por exemplo, no caso do Banco Master.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
–  Embora uma CPI possa aprovar convites para que ministros prestem esclarecimentos (como ocorreu na CPI do Crime Organizado com Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, o comparecimento do magistrado é facultativo. No caso da mulher de Moraes, ela pode ser convocada, mas isso não a obriga a depor. Pode ficar calada e exercer o direito de não se incriminar. (C.N.)

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Nos bastidores do STF, há muitas coisas acontecendo em relação ao caso Master

Tribuna da Internet | Esses ministros do Supremo fazem por merecer algum  respeito da sociedade?

Charge do Bier (|Arquivo Google)

Mario Sabino
Metrópoles

Nos bastidores do STF, há muitas coisas acontecendo em relação ao caso Master, e só parte delas veio à tona nos jornais. Vamos começar pelo que veio à tona: Sim, uma parte dos ministros está irritada com Alexandre de Moraes por ele ter usado o inquérito das fake news para perseguir auditores da Receita Federal em causa própria — a de punir quem divulgou que a sua mulher assinou um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master e que, em função do contrato, ela aumentou exponencialmente a sua fortuna pessoal para quase R$ 80 milhões.

Também é fato que alguns ministros nutrem o medo de que Moraes possa estar montando dossiês contra eles para evitar ser entregue aos leões, juntamente com Dias Toffoli. Moraes sabe que o seu destino é indissociável do ex-dono de resort.

REUNIÃO GRAVADA – Entre os ministros, não é desconfiança, mas certeza de que partiu de Toffoli o vazamento de diálogos da reunião fechada que selou a saída dele do inquérito que investiga as fraudes perpetradas por Daniel Vorcaro à frente do banco.

Alexandre de Moraes desconfia, naquela desconfiança paranoica que é certeza, de que um banqueiro pagou para obter as informações sigilosas sobre a vida financeira dele e da sua família publicadas pela imprensa.

Já vai se consolidando a certeza de que Toffoli vazou as falas da reunião por meio do seu assessor de imprensa informal. A fala do ministro sobre abrir as próprias contas desde que todos o fizessem foi vista como ameaça explícita.

RELATOR CAUTELOSO – Até o momento, André Mendonça dá indicações de que não vai interferir no trabalho da PF, apesar da sua fala contra a corporação na reunião cujos diálogos foram publicados.

É enorme a preocupação com o que poderá ser revelado sobre as festinhas de arromba que Vorcaro organizava. Mais do que os escândalos financeiros, um escândalo sexual é visto como especialmente desastroso para o que resta de reputação ao STF.

A festa que mais preocupa é a que aconteceu em Trancoso, em outubro de 2022, que contou com muitas dezenas de mulheres contratadas para entreter as poucas dezenas de convidados. Em suma, a equipe do STF Futebol Clube joga menos coesa, embora continue favorita para vencer o campeonato.

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Mendonça autorizou quebra de sigilo de Lulinha antes de decisão da CPI do INSS

Miinistro autorizou em janeiro a quebra de sigilo de Lulinha

Mariana Muniz
O Globo

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou em janeiro a quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após um pedido da Polícia Federal.

A quebra já havia sido autorizada antes que a CPMI do INSS tomasse a mesma decisão. A informação sobre a autorização dada por Mendonça foi publicada pelo site Poder 360 e confirmada pelo O Globo.

PACOTE DE REQUERIMENTOS – A CPI do INSS aprovou, nesta quinta-feira, um pacote de requerimentos que inclui a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Além deles, passaram pedidos de novas convocações e solicitações de informações a órgãos públicos e empresas investigadas. Ao todo, mais de 80 requerimentos foram colocados em votação e, por decisão do colegiado, apreciados de uma só vez em bloco.

CONFUSÃO – Após a aprovação, contudo, iniciou-se uma confusão no colegiado, com protesto de parlamentares governistas pela forma como a votação ocorreu, de forma simbólica — em que os votos de cada um não são computados individualmente. A sessão foi interrompida em seguida.

O presidente da CPI, Carlos Viana (PSD-MG), declarou que quem era contra o pacote de requerimentos teria que se levantar. Ele, então, contou sete parlamentares de um quórum de 31. E anunciou a aprovação dos itens da pauta, que incluía a quebra do sigilo de Fábio Luís, de uma empresária amiga dele, de uma ex-publicitária do PT e do ex-sócio do Banco Master.

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Piada do Ano! Lulinha pediu acesso a dados do INSS e ficou à disposição do STF

Defesa do filho do presidente quer ter acesso aos autos

Eduardo Gonçalves
O Globo

A defesa de Fábio Luiz Lula da Silva, o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, protocolou um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para ter acesso aos autos do inquérito que apura irregularidades em descontos do INSS. Lulinha – como é comumente conhecido – não foi alvo de nenhuma fase da operação Sem Desconto, mas teve o nome citado por uma testemunha do caso, segundo a qual ele teria atuado junto com o lobista Antônio Camilo Antunes, o “careca do INSS”, para destravar negócios no Ministério da Saúde.

Segundo nota do advogado Guilherme Suguimori, Lulinha se colocou à disposição do Supremo para prestar “qualquer esclarecimento eventualmente necessário”, com a ressalva de que ele tivesse antes acesso às informações da investigação, que tramita em sigilo. A solicitação foi feita no fim de janeiro, mas ainda não foi respondida pelo ministro do STF André Mendonça, relator do caso na Corte.

ACESSO AOS AUTOS – “Apesar de Fábio Luís não ter sido alvo da operação ‘Sem Desconto’, nem objeto de medidas ou restrições judiciais, entendemos ser necessário pedir ao STF acesso aos autos após a publicação de seguidas matérias de teor acusatório e difamante, contendo trechos isolados do inquérito sigiloso”, diz o texto.

“Ao fazer o pedido, Fábio também se colocou à disposição do tribunal para prestar qualquer esclarecimento eventualmente necessário, o que poderá fazer após a concessão de acesso”, acrescentou. A defesa de Lulinha reiterou ainda que ele não tem nenhuma relação com as “fraudes do INSS, não participou de fraudes ou desvios e não recebeu valores dessa fonte criminosa”.

POSSÍVEL DELAÇÃO –  Alguns alvos da Operação Sem Desconto estão negociando um acordo de delação premiada com a Polícia Federal, que ainda não foi homologado pelo Supremo. É o caso do ex-procurador do INSS Virgílio Oliveira Filho, que é suspeito de envolvimento no suposto esquema de descontos indevidos a aposentados e pensionistas do INSS. Ele está preso desde novembro de 2025.

No fim do ano passado, a PF informou ao Supremo que apurava citações a Lulinha no inquérito. Na representação, os investigadores diziam que o filho do presidente “em tese, poderia atuar como sócio oculto” do careca do INSS. A corporação ressalvou, no entanto, que não “há indícios” de que ele “esteja diretamente envolvido nas condutas relativas aos descontos associativos fraudulentos”. A informação foi veiculada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pelo O Globo.

ÁUDIO – Um pouco antes, O Globo revelou um áudio em que uma empresária próxima de Lulinha discute com o careca do INSS a dispensa de licitação para o fornecimento de remédios à base de cannabis ao Ministério da Saúde. O contrato acabou não indo para frente. A PF apura se, além da atuação no INSS, o careca tentava amplificar a sua rede de negócios para outros órgãos públicos, como o ministério da Saúde.

“É contratação, sim. Ele sabe que é dispensa. É a nova lei das licitações, não sei se você já deu uma lida. Devido ao cenário de emergência, podemos criar um documento bem robusto pedindo a dispensa de licitação”, diz a empresária Roberta Luchsinger ao Careca.

ALVO DA PF – A candidata a deputada estadual pelo PT e amiga de Lulinha, Roberta Luchsinger foi alvo de um mandado de busca e apreensão na última fase da operação da PF. Paralelamente, segundo as investigações, ela prestou serviços de consultoria ao careca do INSS que lhe renderam R$ 1,5 milhão.

Em nota anterior, a defesa de Luchsinger alegou que ela foi procurada por Antunes para atuar no mercado de canabidiol e que as atividades “se mantiveram apenas em tratativas iniciais e não chegaram a prosperar”. “Nenhum contrato público foi jamais celebrado e nem mesmo negociado”, disse, no texto.

MENÇÕES –  Segundo representação da PF, há três menções a Lulinha nos autos – o depoimento de um ex-sócio do careca que relatou que Fabio Luís era “sócio” do lobista em um projeto sobre remédios à base de cannabis e teria recebido 25 milhões, “sem especificar se em reais, euros ou dólares”, para um negócio de “kits de dengue”, além de uma “mesada” de R$ 300 mil por mês.

O segundo indício seria a compra de passagens aéreas em conjunto por Lulinha e Roberta Luchsinger. “Foram identificadas passagens emitidas sob o mesmo localizador (código de identificação da reserva), o que indica a aquisição conjunta dos bilhetes e reforça o vínculo existente entre ambos”, diz a PF. Os investigadores não especificam quem pagou pelas passagens.

E o terceiro seriam possíveis referências a Lulinha em conversas travadas entre Luchsinger e o careca do INSS. Em uma delas, o lobista pede a um funcionário para pagar R$ 300 mil para “o filho do rapaz”. 

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – É Piada do Ano! Lulinha está fora do país, mora na Espanha e não deve voltar, sobretudo quando começar para valer a investigação sobre a sinistra Organização dos Estados Ibero-Americana (OEI), sediada em Madri e que está conseguindo faturar cerca de R$ 1 bilhão por ano no Brasil explorando o governo federal, governos estaduais e até prefeituras. Levou mais de R$ 350 milhões para “organizar” a fracassada COP30 em Belém (C.N.)

CPI aprova quebra de sigilo bancário e fiscal de Lulinha, filho do presidente

CPI do INSS é interrompida após empurra-empurra entre governistas e oposição

Governistas iniciaram o tumulto e a TV Senado saiu do ar

Deu no Estado de Minas

A oposição aprovou a quebra de sigilos bancário e fiscal e a convocação de Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, na CPI Mista do INSS. E o caos se instalou na sessão desta quinta-feira pela manhã. O requerimento sobre Lulinha fazia parte dos 87 pedidos que estavam para ser votados em bloco, todos juntos.

Essa votação em conjunto era uma manobra dos governistas, que não deu certo, para rejeitar em bloco os requerimentos, que incluem também a convocação de Frei Chico, irmão de Lula.

FORA DO AR – Com a confusão, começou um empurra-empurra entre parlamentares, e a transmissão da sessão foi cortada pela TV Senado..

O filho de Lula é investigado por causa da suspeita de que ele teria sido sócio oculto do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Em uma mensagem apreendida pela Polícia Federal, o Careca do INSS pede a um operador que faça o pagamento de uma parcela de R$ 300 mil à RL Consultoria e Intermediações, uma empresa em nome de Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha.

Quando a Frei Chico, irmão de Lula, ele é vice-presidente de um dos sindicatos que lesavam a remuneração de aposentados e pensionistas.

Brazão ganhou R$ 3,5 milhões no TCE-RJ desde a morte de Marielle

Homicídio, propina e "ameaças": o ex-deputado investigado no caso Marielle  - 30/06/2019 - UOL Notícias

Domingos e o irmão Chiquinho pegaram 76 anos de prisão

Deu em O Globo

O conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Domingos Brazão foi condenado nesta quarta-feira por unanimidade pela 1ª turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a 76 anos e três meses de prisão, acusado de ser o mandante do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Os ministros do STF também condenaram a 76 anos e 3 meses de prisão, João Francisco (“Chiquinho”) Brazão, ex-deputado federal, irmão de Domingos. Outros sentenciados foram: Ronald Paulo Alves Pereira pelo duplo homicídio e o homicídio tentado. Robson Calixto, conhecido como Peixe, também foi condenado por organização criminosa. O quinto réu, Rivaldo Barbosa, delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro, foi condenado por obstrução da Justiça e corrupção passiva.

BEM PAGO – Domingos Brazão  recebeu pelo menos R$ 3,5 milhões brutos dos cofres do TCE desde o crime, em março de 2018. Os cálculos foram feitos pelo Globo, com base em dados do portal da transparência a corte

Brazão continuou a receber subsídios (como é conhecida a remuneração dos conselheiros) mesmo estando preso desde março de 2024, sob a acusação de ser um dos mandantes do crime.

Só com essa rubrica de subsídios, ele embolsou R$ 41.845,98 este mês. Outro adicional, que começou a ser pago em junho de 2025 (quando já estava preso), a título de triênios acumulados no cargo, é de R$ 8.369 10.

PENDURICALHOS – Como Domingos Brazão ainda não havia sido condenado, o TCE continuou a depositar não apenas o subsídio e os triênios, mas outras verbas. Uma delas é um auxílio educação mensal fixado em R$ 1.747,42.

Brazão tem uma filha em idade escolar. Pelas regras do TCE, o auxílio-educação é oferecido a dependentes de servidores e membros da corte até os 24 anos de idade.

Este benefício cobre despesas com creche, ensino fundamental, médio e superior. Além disso, Brazão recebe um auxílio saúde no valor de R$ 2.471,18 para desembolsos com planos médico e odontológico.

OPERAÇÃO DA PF – Quando Marielle morreu, Brazão estava afastado do cargo com outros quatro conselheiros desde março de 2017, um ano antes do crime, no resultado da operação Quinta do Ouro, da Polícia Federal, que investigava um esquema de propina que poderia ter desviado até 20% de contratos com órgãos públicos para autoridades públicas, sobretudo membros do TCE-RJ e da Alerj.

Ele ficou afastado do cargo até 2023, quando conseguiu decisão na Justiça favorável à recondução. Na decisão do STF, o conselheiro também foi condenado à perda da função pública. Mas o cumprimento da decisão só vai acontecer após a publicação do acórdão, ainda sem data.

A corte do TCE conta com sete conselheiros, dos quais quatro devem ser escolhidos pela Alerj e três pelo governador. A vaga de Brazão é considerada cota da Alerj.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Os Tribunais de Contas dos Estados são uma esculhambação nacional, integrados por conselheiros sem a menor qualificação. Na Bahia, por exemplo, o ministro petista Rui Costa conseguiu um cargo de conselheira para a atual mulher, que é enfermeira. É cabível isso? Essa gente não tem vergonha na cara, diria Capistrano de Abreu. (C.N.)

 

STF não deveria atuar como cúmplice das intimidações do ministro Moraes

Alexandre de Moraes deveria ser exonerado do Supremo Tribunal Federal -  Combate Racismo Ambiental

Charge do Latuff (Frente Brasil Popular)

Mario Sabino
Metrópoles

A OAB enviou um ofício a Edson Fachin, presidente do STF, no qual pede o fim do inquérito das fakes news. A entidade, um dia gloriosa no combate ao arbítrio, externa “extrema preocupação institucional com a permanência e conformação jurídica de investigações de longa duração” e requer “que sejam adotadas providências voltadas à conclusão dos chamados inquéritos de natureza perpétua”.

Muito bem, finalmente a OAB se manifestou sobre a barbaridade, mas há um problema no ofício: a entidade reconhece a legitimidade inicial do inquérito das fake news ao dizer que “é inegável que a instauração do referido inquérito ocorreu em ambiente de grave tensão institucional, marcado por ataques reiterados à honra e segurança de ministros da Suprema Corte”.

CAUTELA MAIOR – No documento, a OAB acrescenta que “justamente por se tratar de solução institucional extraordinária, concebida para responder a circunstâncias igualmente extraordinárias, sua condução e permanência no tempo reclamam cautela ainda maior”.

É preciso que se repita: assim como os atos institucionais extraordinários da ditadura militar nunca foram legítimos, também jamais houve licitude nessas “soluções institucionais extraordinárias, concebidas para responder a circunstâncias igualmente extraordinárias”, que o STF inventou a partir de 2019, ofendendo os princípios constitucionais que deveriam reger o Brasil.

Afirmar que a democracia brasileira não dispunha de mecanismos legais suficientes para combater ameaças circunstanciais e que, por isso, era preciso encontrar atalhos inconstitucionais, é discurso falacioso de gente oportunista, destinado a amedrontar um rebanho de ingênuos. O reconhecimento de qualquer legitimidade no inquérito das fake news e nos seus assemelhados é deixar o caminho aberto para que a história se repita.

UMA ESPERANÇA – De qualquer forma, a iniciativa — tardia — da OAB aponta para uma luz no final do túnel, e esperemos que a maioria dos ministros do STF caia em si para que saiamos deste período obscuro.

O ofício é especialmente feliz ao reclamar a necessidade urgente de se voltar ao chamado leito constitucional: “A defesa da democracia (…) se completa com a observância estrita do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da liberdade de expressão. Tais garantias não representam obstáculos à atuação estatal legítima, mas condições de sua validade e de sua aceitação pública.”

“Quando a persecução se prolonga indefinidamente ou se torna excessivamente abrangente em sua formulação, surgem efeitos que transcendem os investigados formais e atingem o ambiente institucional como um todo, com reflexos sobre autoridades, agentes públicos, profissionais da imprensa e cidadãos. A persistência desse quadro alimenta um tom intimidatório incompatível com o espírito democrático, republicano e institucional consagrado pela Constituição de 1988.”

DEFESA DA LIBERDADE – Nessa linha, a OAB reputa indispensável reafirmar a proteção ao livre exercício profissional e às garantias constitucionais de todos aqueles que exercem funções essenciais à vida democrática, com menção à atividade jornalística e, com especial ênfase, às prerrogativas de advogados e advogadas, que constituem garantia da cidadania e da própria administração da Justiça.

Sejamos ainda mais claros: a mais alta corte do país não pode continuar a ser cúmplice do ministro Alexandre de Moraes, que há sete longuíssimos anos vem usando o inquérito das fake news, onde tudo cabe, para cercear o direito à liberdade de expressão, decretar prisões arbitrárias e intimidar cidadãos, como fez na semana passada com o presidente do sindicato dos auditores fiscais.

Ele passou a ser investigado por ter ousado criticar o tribunal pela perseguição movida a profissionais da Receita Federal acusados de violar o sigilo fiscal dos ministros do STF e das suas famílias — fato abordado pela OAB, apesar de a entidade não ter citado os envolvidos nominalmente.

EXCRESCÊNCIA JURÍDICA – Se antes Alexandre de Moraes usava o inquérito no qual se coloca como vítima, investigador, relator e juiz para enjaular supostos golpistas, o ministro agora lança mão da excrescência jurídica, inexistente até mesmo sob o nazifascismo, para amedrontar quem dele exige explicações sobre as suas ligações com o banqueiro do Master, que proporcionou um contrato de inacreditáveis R$ 129 milhões ao escritório de advocacia da mulher do ministro.

Era previsível: a história ensina que o arbítrio nasce a pretexto de defender nações, povos, liberdades, e morre inevitavelmente no lodo de interesses individuais que se opõem ao do que ele se propunha ser a defesa.

É preciso sair logo desta fase vergonhosa ou a democracia brasileira se tornará definitivamente um sistema de fancaria, em que manda quem pode, obedece quem tem juízo.