CPI do INSS notifica Coaf e fixa prazo para envio de dados fiscais de Lulinha

Envio do pedido ocorreu mesmo com questionamentos 

Camila Turtelli
O Globo

A CPI do INSS notificou o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para que envie Relatório de Inteligência Financeira (RIF) sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no prazo de cinco dias úteis. O ofício foi encaminhado após a aprovação, pela comissão, de 87 requerimentos que incluíram a quebra de sigilo do empresário.

O envio do pedido ao Coaf ocorreu mesmo com questionamentos apresentados por parlamentares da base do governo sobre a regularidade da votação. O presidente da CPI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), já encaminhou os requerimentos aprovados às autoridades competentes e afirmou que não aguardará eventual decisão da presidência do Senado para dar seguimento às medidas.

ANÁLISE DE IMAGENS – Paralelamente, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), determinou que a Polícia Legislativa, a Secretaria-Geral da Mesa e a Advocacia da Casa analisem imagens da sessão, registros oficiais e o regimento interno antes de decidir se mantém ou anula a deliberação da comissão. Governistas se reuniram com ele e pediram a invalidação da votação, sob o argumento de que houve erro na contagem dos votos durante a sessão.

Segundo relatos de participantes do encontro, Alcolumbre orientou que todas as alegações fossem formalizadas por escrito, com fotos, vídeos e demais documentos. O pedido foi protocolado no fim do dia, com anexos. A presidência informou que o material será submetido à análise técnica das áreas responsáveis pelo cumprimento das normas internas e pela segurança institucional do Senado. Não há prazo definido para a decisão.

RESULTADO DIFERENTE – A controvérsia começou quando a CPI decidiu votar em bloco os 87 itens da pauta. A primeira votação, nominal, registrou 18 votos favoráveis e 12 contrários. Em seguida, houve deliberação simbólica. Parlamentares governistas afirmam que 14 integrantes se manifestaram contra o pacote e sustentam que o resultado deveria ter sido diferente, considerando o número de presentes naquele momento.

Viana, por sua vez, argumenta que o quórum válido era o da primeira votação, com 31 parlamentares registrados, e que, nesse cenário, não houve maioria suficiente para rejeitar os requerimentos. Ele declarou que os atos já foram praticados e que a tramitação dos pedidos segue curso normal.

CPI do INSS: o tumulto que revela a guerra política por trás das investigações

Charge do Gilmar Frga (Zero Hora)

Pedro do Coutto

A cena que marcou a sessão da CPI do INSS foi menos institucional e mais sintomática do ambiente político que cerca a investigação: gritos, acusações cruzadas, suspeitas de fraude na contagem de votos e até agressões físicas.

No centro do embate, a aprovação da quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O episódio não é apenas mais um capítulo de um inquérito parlamentar; é um retrato vivo da disputa narrativa que hoje atravessa o Congresso e o próprio sistema político brasileiro.

REUNIÃO TENSA – A decisão de quebrar os sigilos ocorreu em meio a uma reunião tensa, marcada por protestos de parlamentares governistas que contestaram o resultado da votação simbólica e acusaram a presidência da comissão de distorcer a contagem dos votos. O presidente da CPI, senador Carlos Viana, sustentou que o procedimento seguiu o regimento e que a verificação de quórum, registrada eletronicamente, validava a aprovação dos requerimentos em bloco.

Para além do tumulto, o ato possui forte peso político. A quebra de sigilo foi solicitada no contexto das investigações sobre um amplo esquema de fraudes em descontos indevidos sobre benefícios previdenciários, que teriam causado prejuízo bilionário a aposentados e pensionistas ao longo dos últimos anos, envolvendo associações, empresas e agentes diversos ligados ao mercado de crédito consignado.

O ponto sensível, porém, não está apenas na investigação em si, mas na escolha do alvo. Ao incluir o filho do presidente entre os nomes alcançados pela medida, a CPI eleva a temperatura política e amplia o alcance simbólico de suas ações. Em política, decisões jurídicas ou investigativas raramente são neutras em seus efeitos; elas dialogam com disputas mais amplas, especialmente quando atingem o entorno familiar do chefe do Executivo.

COLABORAÇÃO – Os parlamentares contrários à quebra de sigilo argumentaram que Lulinha demonstrou disposição para colaborar voluntariamente com as investigações, o que tornaria a medida coercitiva desnecessária. A defesa do empresário sustenta exatamente essa tese: afirma que ele não participou de fraudes e que forneceria espontaneamente documentos ao Supremo Tribunal Federal, classificando a quebra como “dispensável”.

Esse argumento revela um dilema clássico das comissões parlamentares de inquérito: investigar ou politizar? Na prática, CPI é instrumento híbrido — jurídico na forma, político na essência. Quando decide quebrar sigilos, a comissão busca ampliar o leque probatório; quando o faz em meio a tumultos e acusações de fraude na votação, acaba por reforçar a percepção de que a arena investigativa se transformou também em palco de disputa simbólica entre governo e oposição.

O episódio ainda expõe outro aspecto recorrente da política brasileira contemporânea: a disputa pelo controle da narrativa pública. Para a oposição, a quebra de sigilo reforça a imagem de rigor investigativo e amplia a pressão sobre o governo. Para a base governista, o tumulto e as dúvidas sobre o quórum alimentam a tese de que há instrumentalização política da CPI. Nesse contexto, cada gesto processual — um requerimento aprovado, um voto contestado, uma acusação de fraude — ganha dimensão estratégica.

ESPAÇO DE BATALHA – Mais do que esclarecer fatos, a CPI tornou-se espaço de batalha discursiva sobre responsabilidade, corrupção e legitimidade institucional. O Brasil já assistiu a esse roteiro em outros momentos: investigações que nascem técnicas, mas rapidamente se transformam em arenas de confronto ideológico, onde a verdade factual disputa espaço com a verdade política.

No fundo, o que se viu naquela sessão foi o retrato de um sistema em permanente tensão: de um lado, a necessidade legítima de apurar fraudes que afetaram milhões de beneficiários da Previdência; de outro, o risco constante de que investigações sejam capturadas pelo calendário eleitoral e pela polarização. Quando tapas na mesa substituem argumentos e suspeitas sobre a contagem de votos eclipsam o debate substantivo, o processo investigativo perde parte de sua autoridade moral.

A quebra de sigilo de Lulinha, portanto, transcende a figura do investigado. Ela simboliza o momento em que a CPI deixa de ser apenas instrumento de apuração e se converte em arena política plena, onde cada decisão é interpretada não apenas à luz da legalidade, mas da conveniência e da disputa pelo poder. E é justamente nesse ponto que reside o risco: quando a política invade por completo o espaço da investigação, o esclarecimento dos fatos deixa de ser o único objetivo — e passa a ser apenas uma peça no tabuleiro maior da guerra política brasileira.

Celular de Vorcaro passa por triagem da PF antes de chegar à CPI do INSS

Na guerra fria na família Bolsonaro, a disputa pelo espólio do poder

Bolsonarismo entra em fase aberta de autodevoração política

Marcelo Copelli
Revista Fórum

A candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, apresentada como herança direta de Jair Bolsonaro, está longe de constituir consenso no próprio clã e muito menos no campo conservador que orbitou o ex-presidente desde 2018. O que se projeta para 2026 não é uma transição orgânica de liderança, mas um movimento defensivo para preservar um capital político em evidente perda de capacidade agregadora. A tentativa de naturalizar a sucessão esbarra numa realidade incômoda: sem o vértice indiscutível que antes organizava o grupo, tensões acumuladas emergem e transformam a pré-candidatura em foco explícito de disputa doméstica.

Não se trata de continuidade, mas de administração de espólio. O bolsonarismo, frequentemente descrito como bloco monolítico, sempre operou como coalizão pragmática de interesses heterogêneos — militares, liberais radicais, lideranças evangélicas, antipetistas históricos e operadores do Centrão — unificados menos por um programa consistente do que pela força agregadora de uma liderança personalista. Enquanto esse poder arbitral se mantinha intacto, divergências eram contidas. Com a inelegibilidade e o afastamento do jogo eleitoral direto, porém, a engrenagem perdeu o eixo e as fissuras deixaram de ser silenciosas.

APOSTA ARRISCADA – A escolha de Flávio, nesse cenário, não surge como solução consensual, mas como aposta arriscada numa lógica dinástica que parcela relevante da própria direita considera politicamente contraproducente. A contradição é direta: o movimento que se construiu como antítese das “velhas oligarquias” passa a flertar com a reprodução hereditária de poder. A promessa de ruptura converte-se, assim, em continuidade familiar — e essa inversão simbólica é percebida com crescente desconforto por aliados estratégicos.

Entre os primeiros sinais de tensão, destacam-se críticas oriundas do próprio campo ideológico. O pastor Silas Malafaia, figura central na mobilização do eleitorado evangélico, já indicou preferência por alternativas consideradas mais competitivas e chegou a avaliar que intervenções públicas de Eduardo Bolsonaro prejudicam mais do que contribuem para a viabilidade eleitoral do irmão. A mensagem implícita é inequívoca: lealdade ao fundador não implica adesão automática ao herdeiro designado.

A equação torna-se mais complexa com o fortalecimento do capital político próprio de Michelle Bolsonaro. Consolidada como liderança com linguagem mais moderada e forte apelo entre mulheres e evangélicos, ela deixou de ser mera extensão simbólica do ex-presidente para tornar-se alternativa real dentro do campo conservador. Seu apoio público ao nome de Flávio, nesse contexto, soa menos como aclamação espontânea e mais como gesto de disciplina familiar diante de um processo sucessório ainda indefinido.

REORGANIZAÇÃO – A disputa alcança também a nova geração da direita. O protagonismo digital e eleitoral de Nikolas Ferreira evidencia que o conservadorismo brasileiro já não gravita exclusivamente em torno da família Bolsonaro, mas se reorganiza como ecossistema competitivo de lideranças que disputam legitimidade junto à base ideológica. Nesse ambiente, a candidatura do herdeiro não produz unidade automática; torna-se apenas mais um polo na corrida por hegemonia no campo conservador.

As fricções estendem-se à estrutura partidária. Divergências entre Carlos Bolsonaro e o comando do Partido Liberal (PL), liderado por Valdemar Costa Neto, revelam um conflito estratégico nítido: enquanto o partido busca ampliar alianças e dialogar com setores moderados, o núcleo ideológico insiste numa linha permanente de confronto. O dilema é estrutural — moderar-se para ampliar viabilidade ou radicalizar para preservar identidade mobilizadora.

Esse ambiente de disputa doméstica produz um efeito decisivo: a cautela pragmática do Centrão. Diferentemente do bolsonarismo ideológico, esse bloco opera por cálculo frio de viabilidade eleitoral e governabilidade futura. Nesse horizonte, a candidatura de Flávio surge como ativo incerto: carrega o peso do sobrenome, mas carece de experiência executiva robusta e enfrenta resistências no próprio campo que deveria sustentá-lo. Para atores pragmáticos, herança familiar não substitui densidade política nem probabilidade concreta de vitória.

COMPETIÇÃO DOMÉSTICA – O próprio clã, por anos apresentado como núcleo indissociável, revela agora dinâmica competitiva doméstica. A política familiar, antes extensão direta do projeto presidencial, converte-se em arena de protagonismos paralelos. Cada integrante busca preservar ou ampliar espaço, e a escolha de um sucessor prioritário altera inevitavelmente esse equilíbrio. Divergências públicas, recados indiretos e movimentos autônomos indicam que a lealdade convive, de forma cada vez mais evidente, com rivalidades latentes.

No plano eleitoral, a fragilidade torna-se ainda mais visível. Sem trajetória executiva de grande porte, Flávio enfrenta o contraste com governadores conservadores que acumulam resultados administrativos concretos e ambições presidenciais próprias. Instala-se, então, um dilema silencioso: entre fidelidade ao sobrenome e pragmatismo eleitoral, qual escolha maximiza as chances reais de poder? A ausência de resposta unânime aprofunda a fragmentação.

O ponto central é inequívoco: a candidatura de Flávio não emerge de convergência natural, mas de uma decisão verticalizada para preservar a centralidade de um nome no imaginário político da direita. Contudo, hegemonia não se transmite por herança; constrói-se por legitimidade reconhecida pelos pares e pela base social. Sem essa validação, a tentativa de sucessão tende a intensificar, e não pacificar, as disputas no interior do próprio campo.

RESERVAS – A ausência de unanimidade, portanto, não é detalhe periférico — é o elemento definidor dessa pré-candidatura. As reservas de lideranças evangélicas, a autonomia crescente de Michelle, o protagonismo de quadros jovens, os atritos entre irmãos e as tensões com a direção partidária compõem um mosaico que desmonta a imagem de coesão automática. O bolsonarismo já não opera sob comando incontestável.

Nesse contexto, a candidatura de Flávio Bolsonaro simboliza menos a continuidade de um projeto do que a exposição de sua crise estrutural. O que se apresenta como sucessão revela-se, na prática, uma guerra fria doméstica pelo controle de um capital político em progressivo desgaste.

No fim, a tentativa de transmissão dinástica explicita a fragilidade estrutural do movimento: privado do eixo que lhe garantia unidade, o bolsonarismo passa a enfrentar o peso das próprias ambições que o sustentaram — e que agora, sem mediação central, operam como força centrífuga de fragmentação.

Gilmar agravou escândalo, ao anular quebra de sigilo que incrimina Toffoli

Tribuna da Internet | Segunda Turma: recurso final de Bolsonaro não será  decidido na gestão de Gilmar

Charge do Cláudio Aleixo (Arquivo Google0

Carlos Newton

Ninguém pode saber como essa crise vai acabar, mas já se pode dizer, sem medo de errar, que as tentativas de blindar os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes estão destinadas a agravar um inevitável confronto entre o Congresso e os outros poderes, porque o governo e o Supremo funcionam como se estivessem em conluio para proteger autoridades envolvidas em gravíssimos episódios de corrupção.

A decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo, ao anular nesta sexta-feira, entre outras medidas, a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático da empresa Maridt, que iria incriminar o ministro Dias Toffoli, vai funcionar como um tiro no pé e provocar revolta na maioria dos parlamentares.

LULA EM MINORIA – Em recente artigo aqui na Tribuna da Internet, destacamos o fato de que o governo Lula da Silva, que já era minoritário no Senado, agora está também em minoria na Câmara, conforme fica comprovado na atuação da CPMI do INSS, que também quer mergulhar de cabeça no caso do banco Master, seguindo o comportamento a CPI do Crime Organizado e da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, .

Para socorrer Dias Toffoli e impedir sua imediata incriminação no caso Master., o ministro Gilmar Mendes tomou a iniciativa de incentivar a reabertura de um antigo processo que ele próprio mandara arquivar no Supremo em 2021. 

Deu certo a jogada ensaiada, como se diz no futebol, mas o jogo ainda não terminou. Pelo contrário, está apenas começando e Gilmar Mendes é apenas o árbitro do VAR. O verdadeiro juiz em campo é André Mendonça, que não gosta de regras criadas de surpresa e deve responder à altura.

UMA RESPIRADA – De qualquer forma, com essa audaciosa e criativa decisão de Gilmar Mendes, ressuscitando um processo que ele próprio arquivara, o ministro Tofolli vai dar uma respirada até terça ou quarta-feira, quando as CPIs voltam a se reunir, para apertar ainda mais o cerco a Toffoli e também a Moraes, que tem 129 milhões de motivos para estar envolvido no caso Master, como diz o jornalista Mário Sabino, do Metrópoles.

Além disso, há várias maneiras de quebrar sigilo, e não se pode esquecer que o ministro André Mendonça pode ser acionado pela Polícia Federal ou pela própria CPI do Crime Organizado para devassar o sigilo fiscal e bancário da empresa Maridt e dos irmãos de Toffoli, o que deixará Gilmar Mendes de calças arriadas, como se dizia antigamente.

Aliás, a direção da CPI do Crime Organizado – comandada por dois delegados de polícia, o presidente Fabiano Contarato (PT-ES) e o relator Alessandro Vieira (MDB-SE), e tendo como vice-presidente o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que é general de quatro estrelas – já anunciou que vai recorrer da blindagem feita por Gilmar Mendes.

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P.S. –
Conforme afirmamos recentemente, o Supremo é comandado informalmente por uma troika, formada por Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, que se impõem aos demais ministros. Mas todo reinado ilegítimo tem vida curta. Hoje, a maioria do Senado apoia a CPI do Crime Organizado e pode acabar pressionando e obrigando o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) a votar impeachments de ministros do Supremo, algo que já se tornou objeto de desejo da opinião pública brasileira e vai influenciar as eleições deste ano, quando o consumo de pipocas tende a aumentar. (C.N.)

PL ultrapassa PT nas redes e sinaliza nova disputa digital pela hegemonia eleitoral

Perfil do partido de Bolsonaro passou a superar a do PT

Rafaela Gama
O Globo

O Partido Liberal (PL) superou em crescimento no Instagram o Partido dos Trabalhadores (PT) ao longo de 2025, mostra um levantamento obtido pelo O Globo. Ao longo dos últimos 12 meses, a sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro passou de aproximadamente 1,24 milhão para 1,89 milhão de seguidores, com acréscimo de cerca de 640 mil novas contas que passaram a acompanhar o perfil.

No mesmo período, a legenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva cresceu quase a metade do avanço da adversária (330 mil), saindo de 1,37 milhão para 1,67 milhão. Os dados também indicam que, ao longo do primeiro semestre do ano, o PT mantinha mais seguidores que a sigla adversária, mas, de julho a outubro, os dois partidos passaram a acumular números parecidos.

CANDIDATURA – A partir de novembro, no entanto, bolsonaristas passaram à frente da legenda petista. O mês antecedeu o lançamento da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) ao Planalto, escolhido como sucessor do ex-mandatário.

Desde então, o parlamentar tem se colocado como o principal candidato da direita que enfrentará o petista na corrida eleitoral. Dados da última pesquisa Genial/Quaest, divulgados no início deste mês, mostram que Flávio conseguiu fidelizar o voto da direita nas projeções de primeiro turno e registrou melhorias no desempenho na parcela de eleitores considerados “independentes” no segundo turno.

O levantamento também mostra que, desde dezembro, Flávio passou a ultrapassar Lula em ganhos de seguidores nas principais redes sociais (Instagram, X, TiKTok, YouTube e Facebook), mas se manteve abaixo do petista em números totais. Somente no Instagram, por exemplo, o senador tem atualmente 8,9 milhões, enquanto o presidente acumula 14,4 milhões.

ADVERSÁRIOS – Além de Lula, o senador também poderá ter como adversários o governador Romeu Zema (Novo) e um candidato do PSD, que deverá ser lançado pelo presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, como um representante da “terceira via”. O dirigente deverá escolher entre os governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), e do Paraná, Ratinho Júnior (PSD) — tido como preferido. Os três têm 2 milhões, 1,5 milhões e 1,3 milhões de seguidores no Instagram, respectivamente, enquanto Zema acumula 2,3 milhões.

A pesquisa Quaest também indica que eles são os candidatos mais desconhecidos. No quadro geral do levantamento, 23% dizem que “conhecem e votariam” em Ratinho. No mesmo quesito, Caiado pontuou 14%, Zema, 13% e Leite, 10%. Outros 42% afirmam o mesmo sobre Lula, enquanto 36% têm a mesma opinião sobre Flávio.

Jaques Wagner diz que quebra de sigilo de Lulinha na CPMI foi “manipulada”

Senador disse que irá recorrer de decisão final da CPMI

Manoela Carlucci
CNN

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) disse à CNN nesta quinta-feira (26), que a votação sobre a quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha – filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) -, na CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) foi “manipulada”.

“Houve uma manipulação, prefiro não adjetivar e, portanto, não sei exatamente como esse imbróglio vai terminar”, disse. A sessão em que foi aprovada a quebra de sigilo foi suspensa após bate-boca e empurrões entre parlamentares. Durante a entrevista, o líder classificou o ocorrido como “absurdo”, mas disse que não tinha como “se calar”.

CONFUSÃO –  “Um absurdo, realmente foi-se as vias de fato porque as pessoas ficaram indignadas com a proclamação do presidente Carlos Viana sobre o resultado. Não há como negar que o número nosso era 14 e não 7 e quem ganha é a maioria”. afirmou. “Na minha opinião, um horror porque eu acho que o tratamento dentro do Congresso deveria se dar de outra forma, mas não há como se calar”, completou.

Jaques Wagner afirmou que o partido deve recorrer da decisão tomada na Comissão e procurar, inclusive, o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União-AP), para tratar sobre o caso. “Nós estamos muito tranquilos, vamos continuar brigando por aquilo que achamos correto e vamos ver. O presidente Davi deve submeter isso à mesa ou à Comissão de Justiça do próprio Senado, e vamos ver qual a decisão. Na verdade, como essa CPI é mista, o comando é realmente do presidente do Congresso, mas acaba envolvendo também o presidente Hugo Motta”.

De acordo com o líder, Lulinha pode sim prestar esclarecimentos à Comissão, contanto que haja “equilíbrio”. “Ele pode prestar esclarecimento, mas nós não podemos ter uma CPI com cacoete para um lado só. Ele pode prestar depoimento, eu quero saber porque o cunhado do Vorcaro não pode”, acrescentou.

Gilmar reabre ação antiga e impede investigação que incriminaria seu amigo Toffoli

Maridt recorreu a atalho jurídico para ‘ressuscitar’ ação

Rafael Moraes Moura
Johanns Eller
O Globo

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes de anular a decisão da CPI do Crime Organizado que determinou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático da empresa Maridt, ligada à família do ministro Dias Toffoli, foi tomada no âmbito de uma ação que o próprio Gilmar mandou arquivar há três anos. O processo, porém, não chegou a ser efetivamente arquivado pelo STF. Ficou dormitando nas gavetas do tribunal até ser “ressuscitado” nesta sexta-feira.

Na prática, a Maridt “se intrometeu” uma ação movida pela Brasil Paralelo em 2021, buscando um atalho jurídico para ser atendida pelo ministro. Usou para isso argumentações parecidas com as da Brasil Paralelo para anular requerimentos da CPI da Covid que haviam determinado quebras de sigilo bancário, telefônico e telemático da empresa.

VIOLAÇÃO DE DIREITOS – A empresa alegou que a medida violava os direitos à liberdade de expressão, de imprensa, ao sigilo de fonte, à privacidade e à intimidade, além do princípio da legalidade. Em setembro de 2021, Gilmar atendeu o pedido da empresa, suspendendo o afastamento do sigilo telefônico e telemático da empresa. Mas determinou que as demais informações obtidas pela CPI fossem mantidas sob a guarda do presidente, Omar Aziz, e compartilhadas com o colegiado “apenas em reunião secreta e quando pertinentes ao objeto da apuração”.

Em 8 de março de 2023, Gilmar Mendes mandou arquivar a ação por concluir que a medida já havia sido cumprida pelo Senado Federal. O que a Maridt fez nesta semana foi apresentar uma petição dentro da ação do Brasil Paralelo, como se fosse ela mesmo parte do processo, pedindo que Gilmar suspendesse a sua própria quebra de sigilo. Gilmar acatou, considerando que os dois casos são relacionados.

A quebra de sigilo da Maridt foi aprovada pela CPI do Crime Organizado a partir de um requerimento apresentado pelo relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE). A comissão aprovou também a convocação de dois irmãos de Toffoli que constam como sócios da companhia, José, Carlos e José Eugênio. Em outra decisão, o ministro André Mendonça, relator do caso do Banco Master no STF, decidiu que eles não serão obrigados a prestar depoimento.

QUESTIONAMENTOS – A Maridt é uma empresa de sociedade anônima controlada pelos irmãos de Toffoli e que foi sócia do resort de luxo Tayayá em Ribeirão Claro (PR). O ministro do Supremo passou a ser alvo de questionamentos depois da revelação de que a companhia vendeu uma parcela de sua participação para um fundo controlado pelo empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado do CEO do Master, Daniel Vorcaro, em 2021. O magistrado posteriormente admitiu ter sido sócio do empreendimento ao lado dos irmãos, pouco antes de deixar a relatoria do caso Master.

Os pagamentos de Vorcaro para a família Toffoli vieram a tona quando o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, entregou ao presidente do Supremo, Edson Fachin, um relatório com as evidências desconbertas no celular de Voraco indicando as conexões entre o banqueiro e Dias Toffoli que poderiam caracterizar a suspeição do ministro para continuar relatando o caso do banco Master.

Oficialmente, Toffoli negou ter recebido qualquer pagamento de Vorcaro ou de Zettel. Em nota divulgada no último dia 12, após a repercussão do relatório da PF, o gabinete do ministro no STF admitiu pela primeira vez que o magistrado é sócio da Maridt e que recebeu dividendos pela venda da cota para o Arleen, fundo que tem o cunhado do executivo como único cotista, em 2021.

PAGAMENTOS – A versão vai contra o que indicam as conversas entre Vorcaro e Zettel detalhadas pela PF no dossiê. Os diálogos ocorreram em dezembro de 2024, três anos após a venda das cotas para o Arleen. Nas conversas, Zettel pergunta ao banqueiro como deveria proceder em relação aos pagamentos para o ministro. O controlador do Master respondeu que preferia que os repasses se dessem por meio do fundo.

No pedido apresentado à CPI do Crime Organizado, Alessandro Vieira argumentou que a quebra de sigilo era uma medida de “extrema urgência” e tinha como objetivo “desmantelar a complexa rede de influência e lavagem de capitais que orbita em torno do Banco Master e de suas conexões com agentes públicos de cúpula”.

O senador sergipano apontou ainda “suspeitas fundadas de que a Maridt tenha funcionado como um canal de recebimento de vantagens indevidas sob o manto de contratos de consultoria e prestação de serviços mensais pagos por grandes escritórios de advocacia que possuem interesses diretos em causas relatadas pelo próprio ministro Toffoli no STF”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A iniciativa de Gilmar Mendes é uma ação entre amigos, que não soluciona o problema de Toffoli, apenas atrasa a investigação sobre ele e mostra que a sujeirada que envolve o Supremo não tem limites, pois o escândalo já está fedendo a centenas de milhas daqui, como diria Djavan. (C.N.)

Governo e oposição querem defender suas tropas no escândalo do Master

CHARGE ▫ Confira a charge do cartunista Mariosan desta segunda-feira (29). # Charge #OPopular #LeiaAgora

Charge do Mariosan (Instagram)

Elio Gaspari
Folha

O caso do Banco Master tornou-se radioativo. O Banco Central teve mais de um ano para enquadrá-lo e frangou o tamanho da fraude. O ministro Dias Toffoli tomou as rédeas do inquérito e embrulhou-se. O Supremo Tribunal tirou-o do caso, mas, no mesmo lance, solidarizou-se com ele. (Como isso é possível, só o tempo dirá.)

Uma parte do Congresso quer uma CPI, outra prefere apenas interrogar Daniel Vorcaro, dono da encrenca e arquivo vivo de suas ramificações.

CONEXÕES DE VORCARO – Nessa confusão, em Brasília atira-se para todos os lados, menos para o alvo: as conexões de Vorcaro. Não deixa de ser curioso que, enquanto o tiroteio toma conta da agenda, a única instituição que vem investigando com sucesso o material radioativo é mantida ao largo da agenda. Trata-se da Polícia Federal, a quem se devem as poucas novidades saídas da caixa preta do Master.

Por incrível que pareça, a criação de uma CPI traz mais riscos que esperanças. A CPI da fraude das Lojas Americanas ainda está na memória das pessoas. Aquela CPIzza terminou num vexame. Não responsabilizou viv’alma nem ouviu os grandes acionistas da empresa. Quando ela terminou, havia deputados denunciando deputados, e só.

FIM DO SIGILO – Vorcaro quer um microfone para responsabilizar o Banco Central, o governo quer proteger sua tropa e parte da oposição quer manter as investigações longe de seus afortunados parlamentares. Com essas forças chocando-se na discussão do problema, só havia uma resultante possível: o sigilo. O ministro Dias Toffoli bem que tentou. Teve a má sorte de encrencar-se com a Polícia Federal e deu no que deu.

A saída de Toffoli da relatoria jogou na agenda o que seria o vazamento, a partir de um grampo, de uma reunião fechada do STF. Beleza, sorteia-se um novo relator e o crime estaria num provável grampo, que revelou com fidelidade o desfecho do problema.

Ministros do Supremo querem identificar e punir os responsáveis pelo vazamento. Tudo bem, desde que prossigam as investigações da PF.

REDE DE TRAMÓIAS – O estouro do Master começou com um banco fraudando operações e lesando fundos de pensão de servidores. Essa rede de tramoias vinha das conexões de Vorcaro azeitadas por negócios, eventos e festas.

Uma parte dessas conexões está guardada nos 52 aparelhos celulares do banqueiro e de seus diretores. Esse material está com a PF, que até agora não o mostrou, nem ao STF.

É por aí que a maior fraude bancária de Pindorama poderá vir à luz. Nessa trama, Vorcaro é um detalhe, como detalhes foram os Magalhães Pinto do banco Nacional e Calmon de Sá do Econômico.

A MESMA TRAMA – Os banqueiros arruinados são a parte móvel de um elenco. Ora é um, ora é outro, até que chega o próximo.

A trama é sempre a mesma e passa pelas conexões desses bancos com o andar de cima da política de Pindorama. (Na receita do Econômico e do Nacional, havia ex-ministros no pódio.)

Se as combinações de Brasília resultarem numa CPI para o Master, tudo bem, desde que não atrapalhe nem tente obstruir o trabalho da Polícia Federal. Tentou-se e não deu certo.

Piado Ano! Nome da mulher que vale R$ 129 milhões é vendido por apenas R$ 250

Viviane Barci soma 13 derrotas e 8 vitórias no STF

Moraes ficou decepcionado com a baixa contação da mulher

Malu Gaspar
O Globo

O vazamento dos dados de familiares dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), em especial os da mulher do ministro Alexandre de Moraes e os do filho do ministro Luiz Fux, foi realizado por dois funcionários terceirizados de uma agência da Receita Federal no Rio de Janeiro que operavam um esquema mambembe de venda de lugar em fila de atendimentos e informações cadastrais de correntistas.

Em depoimento dado à própria Receita, um vigilante terceirizado e um atendente cedido pelo Serpro que atuavam na agência de Laranjeiras, Zona Sul do Rio, admitiram ter vendido a declaração de imposto de renda dos advogados Viviane Barci de Moraes e Rodrigo Fux para terceiros ao preço de R$ 250 por CPF. Desse valor, R$ 150 ficavam para o servidor e R$ 100 para o atendente.

ERA ROTINA – Os dois admitiram ainda que operavam esse esquema já havia anos. Afirmaram, ainda, que apenas receberam o pedido para o acesso aos CPFs e fizeram a pesquisa, e não sabiam de quem se tratava. A Polícia Federal (PF) ainda investiga quem comprou os dados.

A Receita informou à equipe do blog que o funcionário cedido pelo Serpro retornou à empresa pública e que uma representação foi aberta na corregedoria. Já o vigilante foi devolvido para a empresa terceirizada no último dia 20.

Os depoimentos foram tomados ainda na fase administrativa da investigação, pela própria Receita Federal, depois que o ministro Alexandre de Moraes determinou que fosse rastreado o acesso a dados cadastrais e do imposto de renda de 140 pessoas, ministros do Supremo e seus parentes.

BUSCA E APREENSÃO -Uma vez constatado o acesso irregular e feitos os depoimentos, a informação foi passada a Moraes e à Procuradoria-Geral da República (PGR), que solicitou a busca e apreensão sobre quatro funcionários da Receita. Todos tiveram que passar a usar tornozeleira eletrônica e tiveram os passaportes cancelados.

Além dos dois sediados no Rio, um fiscal de Presidente Prudente (SP), Ricardo Mansano de Moraes, admitiu ter consultado as informações de uma enteada do ministro Gilmar Mendes, mas acessou o imposto de renda dela.

Uma quarta servidora, Ruth Machado dos Santos, do Guarujá (SP), acusada de ter acessado os dados de Viviane Barci, disse que estava em um atendimento presencial na no mesmo momento em que o sistema registrou sua senha acessando dados da advogada, mas foram apenas CPF, nome da mãe, data de nascimento e dados eleitorais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Caramba, foi um anticlímax jamais visto… Moraes meteu os peitos e soprou um vendaval enorme para apagar uma simples velinha de aniversário. O excelentíssimo ministro queria saber quem denunciou o vexaminoso contrato da dra. Viviane com o trambiqueiro Daniel Vorcaro, mas não conseguiu nada, o máximo que conseguiu foi apenas transferir um vigilante e um atendente. E o pior foi saber que sua mulher, a advogada que pensava (?) valer R$ 129 milhões, na verdade está cotada no mercado paralelo por somente 250 reais. É muita desmoralização… (C.N.)

Castro joga com o tempo para fugir da cassação e viabilizar candidatura ao Senado

Poética e amorosamente, Flora Figueiredo criou a “Ave Maria dos Amantes”…

Flora Figueiredo - a poética da vivência | Templo Cultural Delfos

A poeta Flora Figueiredo em evento literário

Paulo Peres
Poemas & Canções

A tradutora, cronista e poeta paulista Flora Figueiredo, no poema “Reza”, suplica pela existência de um espaço em que o cotidiano do amor e suas contradições possam coexistir, abençoados pela Ave Maria dos Amantes.

REZA
Flora Figueiredo

Tem que haver um espaço pra nós dois
onde caibam nossos amores,
nossos temores,
nossos dilemas.

Tem que haver pra nós um tema
que fale de flores.
Tem que haver uma canção
de versos sofridos, amargos e doces.

Tem que haver uma oração
que fale de ciúme, de saudade, de perdão,
que abençoe os beijos
e os desejos retumbantes.

Para quando declinada ao fim do dia,
possa ser a Ave Maria dos amantes.

Cerco a Lulinha, com quebra de sigilo, desarticula a pré-campanha de Lula

CPMI do INSS aprova quebra de sigilo bancário de Lulinha em sessão tumultuada: o que se sabe sobre acusações contra filho do presidente #charge #cartum #caricatura #editorialcartoon #politicalcartoon

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Catia Seabra
Mariana Brasil
Caio Spechoto
Folha

O avanço de investigações conduzidas pela Polícia Federal e o cerco político no Congresso Nacional colocaram Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho de Lula (PT), no centro das preocupações de auxiliares do presidente nesta quinta-feira (26).

Embora Lulinha tenha negado ao pai qualquer irregularidade e o presidente venha repetindo que quem errou tem que pagar, o receio é que as investigações respinguem na campanha à reeleição.

QUEBRAS DE SIGILOS – A pedido da Polícia Federal, o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Lulinha. O pedido da PF foi feito há cerca de um mês. Mas só chegou ao conhecimento do governo nesta quinta, pela imprensa.

A CPI do INSS também decidiu quebrar o sigilo de Lulinha, em uma sessão conturbada nesta quinta-feira e que está sendo questionada pelos governistas. Fábio Luís foi citado em investigações que envolvem Antonio Carlos Camilo Antunes.

Conhecido como Careca do INSS, o empresário se tornou uma das figuras mais emblemáticas do escândalo de descontos em benefícios previdenciários, sob a acusação de supostamente ter facilitado a fraude nas aposentadorias.

LULINHA É CITADO – A PF apura as citações atribuídas a Lulinha nas investigações da Operação Sem Desconto. A informação de que ele estava sendo investigado foi enviada a Mendonça, relator do inquérito sobre o tema.

Menções indiretas a Lulinha por alvos da investigação já tinham sido divulgadas em dezembro do ano passado. À época, segundo pessoas com conhecimento das apurações, essas citações já estavam sendo investigadas.

Em suas conversas, Lula tem dito que as investigações devem prosseguir. Além dessa orientação expressa ao governo, o presidente repete o que já disse em entrevista: “Quem errou tem que pagar”.

DISSE LULA – O próprio Lula contou, durante entrevista ao portal UOL, que chamou seu filho a Brasília para cobrar explicações. O presidente relatou ter dito a Lulinha que ele pagará o preço caso tenha cometido algum delito.

Segundo relatos, essa conversa aconteceu em dezembro. Lulinha disse ao pai que está 100% tranquilo e ironizou rumores que circulam na internet dando conta de sua evolução patrimonial, questionando onde estariam então sua Ferrari de ouro e sua fazenda. Nessa conversa dura, Lula recomendou, então, que o filho se defendesse.

Aliados do presidente vêm insistindo na tese de que, embora as fraudes tenham ocorrido nas gestões passadas, as investigações só aconteceram no governo Lula, ainda que os descontos nas aposentadorias tenham disparado. Mesmo com esses argumentos, os colaboradores do presidente temem o uso do caso pela oposição. Por isso, a blindagem de familiares de Lula era considerada estratégica para os governistas na CPI do INSS.

CULPA DA PF? – O caso também afeta as relações dentro do governo. Apesar de os inquéritos correrem sob sigilo, há quem lance dúvidas sobre a lealdade do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, uma vez que se dizem surpreendidos com a quebra um mês depois do pedido.

Em defesa de Andrei, outra ala do governo alega que o próprio presidente recomendou que levasse adiante as investigações. Também sobram queixas à articulação do governo no Congresso por não ter impedido a confusa votação que culminou na quebra de sigilo de Lulinha na CPI.

Governistas questionam a votação no colegiado e afirmam que a quebra de sigilo foi um golpe do presidente da comissão, o senador Carlos Viana (Podemos-MG). A bancada governista protocolou petição solicitando a anulação.

NA OUTRA CPI – Antes, na quarta-feira (25), a CPI do Crime Organizado já havia aprovado a quebra de sigilo de uma empresa do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli, além do convite para que o próprio ministro, Alexandre de Moraes e a mulher, Viviane Barci, compareçam para dar explicações sobre o escândalo financeiro do Banco Master. Dois irmãos de Toffoli foram convocados a depor.

As convocações e quebras de sigilo desagradaram ao governo. Os convites para ministros do Supremo e o excesso de temas incluídos na investigação são os aspectos mais criticados por aliados de Lula.

A CPI do Crime Organizado foi criada com uma delimitação vaga para o objeto de investigação. Por isso, tem sido possível para o colegiado entrar, por exemplo, no caso do Banco Master.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
–  Embora uma CPI possa aprovar convites para que ministros prestem esclarecimentos (como ocorreu na CPI do Crime Organizado com Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, o comparecimento do magistrado é facultativo. No caso da mulher de Moraes, ela pode ser convocada, mas isso não a obriga a depor. Pode ficar calada e exercer o direito de não se incriminar. (C.N.)

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A teia que se fecha: a CPI, Dias Toffoli e o desgaste institucional

Atuação judicial e vínculos empresariais produzem desgaste 

Pedro do Coutto

A recente decisão da Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado Federal sobre o crime organizado de convocar familiares do ministro Dias Toffoli para prestar depoimento e determinar a quebra de sigilo de empresa associada ao seu entorno empresarial recoloca no centro do debate uma questão recorrente na política brasileira: a delicada fronteira entre relações privadas, negócios e responsabilidades públicas.

Mais do que um episódio isolado, o caso expõe as fragilidades de um sistema que, por vezes, parece incapaz de separar com clareza o exercício da função institucional de interesses particulares, ainda que indiretos. A empresa sob escrutínio, citada em investigações jornalísticas e alvo de suspeitas de irregularidades, coloca o ministro em uma posição de evidente desconforto político e jurídico.

DÚVIDAS PÚBLICAS – Embora tenha admitido participação societária e afirmado ter declarado corretamente as operações financeiras à Receita Federal, o encadeamento dos fatos — somado à convocação de familiares ligados ao empreendimento — cria um ambiente em que a explicação formal já não basta para dissipar dúvidas públicas. No terreno político, a percepção frequentemente pesa tanto quanto a prova.

O problema ganha dimensão maior quando se observa que o ministro, integrante do Supremo Tribunal Federal, já atuou em processos relacionados a instituições financeiras também citadas no noticiário, como o Banco Master e o Banco Regional de Brasília. Ainda que não haja condenação ou responsabilização formal, o simples cruzamento entre atuação judicial e vínculos empresariais indiretos é suficiente para produzir desgaste institucional. Em democracias maduras, a aparência de conflito de interesses pode ser tão nociva quanto o próprio conflito.

A saída do ministro da relatoria de um dos casos após a entrega, pela Polícia Federal, de material apreendido em investigação adiciona outro elemento à narrativa: a percepção de que as instituições funcionam sob pressão constante de revelações sucessivas. Esse movimento, embora tecnicamente justificável, reforça a sensação de que a situação escapou ao controle político do próprio magistrado, tornando mais difícil qualquer estratégia de contenção de danos.

HIPEREXPOSIÇÃO – Há, ainda, um componente estrutural que não pode ser ignorado. O Brasil vive, desde a Operação Lava Jato, um período de hiperexposição das relações entre Judiciário, política e mercado financeiro. Nesse contexto, decisões judiciais passaram a ser lidas também sob lentes políticas, ampliando o custo reputacional de cada controvérsia. Toffoli, que participou de julgamentos decisivos e revisões de processos emblemáticos, já vinha sendo alvo de críticas por despachos considerados difíceis de explicar sob o prisma da coerência jurisprudencial. Agora, a sobreposição entre controvérsias judiciais e questionamentos empresariais cria um quadro mais complexo.

O impacto não se limita à figura do ministro. Ele atinge o próprio tribunal, que passa a conviver com ruídos que fragilizam a imagem de imparcialidade — um dos pilares de qualquer corte constitucional. Em um ambiente de polarização, cada crise individual rapidamente se converte em crise institucional. O STF, já tensionado por disputas políticas e pela judicialização crescente da vida pública, vê-se novamente arrastado para o epicentro de um debate que mistura legalidade, ética e credibilidade.

No campo financeiro, as repercussões também são relevantes. A menção a dificuldades de capitalização e a movimentações para recomposição patrimonial em instituições ligadas ao caso indica que a crise extrapola o plano jurídico e alcança o sistema bancário regional. Quando operações societárias passam a ser interpretadas sob a suspeita de irregularidades, o risco reputacional contamina negociações, investidores e, por consequência, a estabilidade do próprio mercado.

PRESSÃO POLÍTICA – Em termos políticos, o episódio evidencia a força das CPIs como instrumento de pressão pública. Ao convocar familiares e quebrar sigilos, a comissão transforma suspeitas em narrativa institucionalizada, obrigando os envolvidos a se posicionarem continuamente. Ainda que o resultado final dependa de provas concretas, o processo em si já produz efeitos duradouros na opinião pública — e esse é um elemento central da política contemporânea.

A situação do ministro, portanto, não se resume a um problema jurídico a ser resolvido nos autos. Trata-se de uma crise de confiança. Mesmo que as explicações apresentadas sejam tecnicamente plausíveis, a sucessão de vínculos, participações societárias e decisões judiciais relacionadas a agentes econômicos sob investigação constrói a percepção de uma teia difícil de desfazer. Em política, percepções moldam destinos.

Resta saber se o desfecho virá pela via institucional, com esclarecimentos robustos que afastem definitivamente as suspeitas, ou se o caso permanecerá como mais um capítulo do desgaste contínuo entre Poderes, mercado e opinião pública. O certo é que, enquanto a investigação avança, a sombra da dúvida já se projeta sobre a mais alta corte do país — e, quando isso ocorre, o dano ultrapassa indivíduos e alcança a própria confiança nas instituições republicanas.

Nos bastidores do STF, há muitas coisas acontecendo em relação ao caso Master

Tribuna da Internet | Esses ministros do Supremo fazem por merecer algum  respeito da sociedade?

Charge do Bier (|Arquivo Google)

Mario Sabino
Metrópoles

Nos bastidores do STF, há muitas coisas acontecendo em relação ao caso Master, e só parte delas veio à tona nos jornais. Vamos começar pelo que veio à tona: Sim, uma parte dos ministros está irritada com Alexandre de Moraes por ele ter usado o inquérito das fake news para perseguir auditores da Receita Federal em causa própria — a de punir quem divulgou que a sua mulher assinou um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master e que, em função do contrato, ela aumentou exponencialmente a sua fortuna pessoal para quase R$ 80 milhões.

Também é fato que alguns ministros nutrem o medo de que Moraes possa estar montando dossiês contra eles para evitar ser entregue aos leões, juntamente com Dias Toffoli. Moraes sabe que o seu destino é indissociável do ex-dono de resort.

REUNIÃO GRAVADA – Entre os ministros, não é desconfiança, mas certeza de que partiu de Toffoli o vazamento de diálogos da reunião fechada que selou a saída dele do inquérito que investiga as fraudes perpetradas por Daniel Vorcaro à frente do banco.

Alexandre de Moraes desconfia, naquela desconfiança paranoica que é certeza, de que um banqueiro pagou para obter as informações sigilosas sobre a vida financeira dele e da sua família publicadas pela imprensa.

Já vai se consolidando a certeza de que Toffoli vazou as falas da reunião por meio do seu assessor de imprensa informal. A fala do ministro sobre abrir as próprias contas desde que todos o fizessem foi vista como ameaça explícita.

RELATOR CAUTELOSO – Até o momento, André Mendonça dá indicações de que não vai interferir no trabalho da PF, apesar da sua fala contra a corporação na reunião cujos diálogos foram publicados.

É enorme a preocupação com o que poderá ser revelado sobre as festinhas de arromba que Vorcaro organizava. Mais do que os escândalos financeiros, um escândalo sexual é visto como especialmente desastroso para o que resta de reputação ao STF.

A festa que mais preocupa é a que aconteceu em Trancoso, em outubro de 2022, que contou com muitas dezenas de mulheres contratadas para entreter as poucas dezenas de convidados. Em suma, a equipe do STF Futebol Clube joga menos coesa, embora continue favorita para vencer o campeonato.

Líder do PSB reage a pressão do PT e defende Alckmin na chapa de Lula

Em minoria no Senado, Lula não terá como impedir impeachments no STF  

charge de Thiago Lucas (@thiagochargista), para o Jornal do Commercio. #DiasToffoli #bancomaster #justiça #master #STF #lula #chargejc #chargejornaldocommercio #chargethiagojc #chargethiagolucas #chargethiagolucasjc *digital

Charge de Thiago Lucas (@thiagochargista)

Carlos Newton

A histórica sessão da CPI do Crime Organizado, nesta quarta-feira, comprovou uma realidade que dificultará muito o governo Lula da Silva em pleno ano eleitoral. A aprovação das quebras dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático do Master, da empresa Maridt Participações e da Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários representou uma brutal derrota para o Planalto.

O fracasso da base aliada demonstra que o governo está em franca minoria no Senado e mais à frente Lula não terá como impedir os impeachments de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, fato que jamais aconteceu no Supremo.

FORMIDÁVEIS PRESSÕES – Conforme informamos aqui na Tribuna da Internet, houve formidáveis pressões sobre os senadores para blindar o caso Master na CPI do Crime Organizado, que foi convocada originalmente para investigar as principais facções criminosas do país.

Além de Toffoli e Moraes, diretamente interessados, também fizeram pressões sobre a CPI o próprio presidente Lula; o ministro Rui Costa, da Casa Civil; os senadores Jaques Wagner, ex-líder do PT, Randolfe Rodrigues, líder do governo, e Davi Alcolumbre, presidente do Congresso. Mesmo com essa tropa de choque e a caneta nas mãos, Lula não conseguiu formar maioria na CPI nem no Senado.

E o pior é que a CPI mista do INSS, integrada por senadores e deputados, também está em maioria contra Lula e aprovou a quebra de sigilo dos documentos sobre a fraude contra aposentados e pensionistas, além da quebra do sigilo bancário e fiscal do filho Lulinha, nesta quinta-feira, numa sessão tumultuada pela minoria governista, que ia votar também a quebra de sigilo de Frei Chico, irmão de Lula.

REELEIÇÃO DIFÍCIL – Quando ocorre uma situação dessa natureza num ano em que o presidente está se lançando candidato, é sinal de que não será nada fácil conquistar a reeleição.

Nas duas CPIs, daqui para frente, o tempo todo será paulada nas cacundas da Lula, Moraes e Toffolli. E já alertamos aqui na Tribuna que os dois delegados de polícia que comandam a importantíssima CPI do Crime Organizado – Fabiano Contarato (PT-ES) e Alessandro Vieira (MDB-SE) – são imunes a pressões e têm apoio irrestrito do vice-presidente da CPI, Hamilton Mourão (Republicanos-RS), um general de quatro estrelas.

Detalhe importante: Contarato não é petista-raiz. Estreou na política em 2018 e foi logo conquistando uma cadeira no Senado, como o mais votado no Espírito Santo. Entrou no PT em 2021, porém jamais foi submisso a Lula. Ele saberá levar a CPI a bom termo, podem acreditar.

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P.S.
Para os eternos descrentes, que não acreditam em CPIs, recordo uma das mais importantes, a CPI Atos de Corrupção, que funcionou na Câmara durante o regime militar e provocou a extinção de duas importantes autarquias – a Superintendência Nacional da Marinha Mercante (Sunamam) e o Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA). O presidente da CPI era o deputado paulista João Cunha, do chamado MDB autêntico, famoso pela coragem. Ele esteve em visita oficial ao Chile durante a ditadura de Augusto Pinochet, foi entrevistado e declarou que o general deveria subir de joelhos a escadaria do Palácio de La Moneda, para pedir perdão ao povo chileno. Foi um escândalo internacional, mas Pinochet não teve disposição para prendê-lo, devido à interferência do embaixador brasileiro. Recordar é viver e CPI às vezes funciona. (C.N.)  

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