Não é crime ser antissemita, mas o líder do PSTU foi condenado por “cometê-lo” 

Zé Maria, do PSTU, ousou defender a extinção de Israel

Demétrio Magnoli
Folha

“Liberdade é sempre, exclusivamente, a liberdade de quem pensa diferente de nós” (Rosa Luxemburgo). A esquerda brasileira, que vive pregando a repressão judicial à palavra “errada”, não tem o direito moral de contestar a condenação de José Maria de Almeida, líder do PSTU, por sua conclamação à eliminação do Estado de Israel. Eu tenho, porque estou entre os que concordam com a revolucionária comunista alemã.

Sim: o discurso de Zé Maria foi antissemita, por mais que ele invista no truque vulgar de vesti-lo nas roupagens do “antissionismo”. As acusações que utiliza contra Israel (Estado “racista”, “colonialista”, que pratica “genocídio”) não são suas verdadeiras motivações para bradar por sua extinção. O problema dele é que Israel é um Estado judeu.

MUITAS DÚVIDAS – Israel, Estado “racista”? Falso. Mas, e se fosse? Por que nunca se exigiu a extinção dos EUA, que manteve leis de discriminação racial até 1967?

Estado “colonialista”? Simplificação ginasiana. E se fosse? Jamais sugeriu-se varrer do mapa os EUA, novamente, junto com Canadá, Austrália, Brasil e vários etc., nações de colonos implantadas sobre as ruínas de povos autóctones.

Israel pratica “genocídio”? Debate válido. Contudo, ninguém teve a ideia de remover do planeta a Turquia, a Alemanha, o Camboja ou Ruanda, que conduziram os maiores genocídios da história contemporânea.

PECADO ORIGINAL – As acusações de Zé Maria, que são as da esquerda antissemita em geral, singularizam Israel, descrevendo-o como síntese de uma perversidade inigualável: o fruto podre de um pecado original. O “pecado”, para eles, é sua natureza judaica.

O Estado judeu não é Netanyahu, mas um contrato nacional que garante direitos políticos e civis para seus 10,1 milhões de cidadãos. Com que autoridade moral um não israelense brada pelo cancelamento do contrato dos outros?

Um cidadão israelense, judeu ou árabe, exerceria seu direito ao propor a seus concidadãos um plebiscito destinado a substituir Israel pela improvável “Palestina laica e democrática” invocada por José Maria. Duvido do êxito da iniciativa –mas o rolo é lá com eles. Por outro lado, quando um estrangeiro (mesmo que fosse judeu!) clama pela supressão do Estado judeu, está batendo bumbo para uma guerra de aniquilação nacional.

DOIS ESTADOS – Zé Maria não gritou contra a ocupação dos territórios palestinos para exigir a partilha da Terra Santa em dois Estados. Não argumentou que, se Israel rejeita a partilha, restaria apenas uma solução democrática: a concessão de cidadania plena a todos os palestinos dos territórios ocupados. Escolheu, no lugar disso, desfraldar na avenida Paulista a bandeira do Hamas: a Palestina “do rio até o mar”. Mesmo assim, deve conservar a liberdade de expressar ideias abomináveis.

O Brasil “progressista” inventou diversos subterfúgios legais para reprimir a opinião política, criminalizando discursos que podem ser interpretados como racistas, homofóbicos ou misóginos. A criminalização obviamente fracassa em ensinar boas maneiras à sociedade –e, algumas vezes, deflagra um curto-circuito, provocando a condenação de um “progressista” antissemita acusado de racismo.

A decisão judicial é um erro amparado pela lei. Liberdade para Zé Maria! Que o antissemitismo saia da toca, mostre suas faces direita e esquerda, para que possamos combatê-lo à luz do dia.

8 thoughts on “Não é crime ser antissemita, mas o líder do PSTU foi condenado por “cometê-lo” ”

  1. Zé Maria, coaduna com a mórbida idéia de quem para tal fim criou e mantem mundialmente provocativa e belicisticamente, àquela usurpada nação, tendo como “administradora” tida e havida “Décima Terceira Tribo”, segundo Arthur Koestler!
    Adendos, em:
    https://www.henrymakow.com/

    • Sim. Sem foi um dos três filhos de Noé (ao lado de Cam e Jafé) que sobreviveu ao Grande Dilúvio dentro da Arca. Ele é uma figura central no livro de Gênesis, considerado o ancestral dos povos semitas e o herdeiro da promessa divina, cuja linhagem leva até Abraão. Sem viveu 600 anos e desempenhou papel chave no repovoamento da Terra.

      Por serem descendentes de Abrahão, os árabes são semitas também.

  2. Senhor Demétrio Magnoli (Folha) , pois é virou moda no mundo acusar as pessoas que criticam os Estados Terroristas Israelenses x norte – americanos por seus crimes cometidos mundo afora , matando milhões de pessoas , destruindo e mutilando nos quatros cantos do mundo , logo são chamados de ” narcotraficantes , terroristas e antissemitas ” , tudo para defenderem o indefensável de que de fato são estados terroristas e nocivos á paz mundial .

  3. Quem é esse novo Nabucodonosor, esse Faraó do Egito redivivo ou um novo Hitler?
    Seu Zé, Israel sobreviveu a gente muito mais importante e poderosa que você, um mero borra botas.

  4. Demétrio pode ir ao STF pleitear a anistia ampla geral e irrestrita do cara que acha que Israel tem que ser varrido do mapa.
    É um injustiçado que quer o justiçamento dos judeus.
    Esse Magnoli está entre os que concordam com a revolucionária comunista alemã. Disse a que veio.
    Hehehehe
    Rosa Luxemburgo era nascida em uma família judia.
    E por rejeitar o marxismo e o comunismo foi fuzilada e jogada numa vala.

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