
Charge do Duke (Arquivo Google)
José Paulo Cavalcanti Filho
Jornal do Commercio
Em 1992, na eleição contra o então presidente dos Estados Unidos George W. Busch, o estrategista–chefe da campanha de Bill Clinton, James Carvílle, disse frase que acabou famosa: “It’s the economy, stupid” (É a economia, estúpido).
Queria referir, para aquela eleição, ser mais relevante a situação da economia do país; que, depois da guerra do Golfo, sofria recessão severa. Daí ao vício de alargar seu sentido para dizer que tudo no mundo se resume à economia, foi um pulo.
CALDO DE CULTURA – Nesse artigo, pretendo afirmar algo diferente. Que os países se explicam por uma espécie de caldo de cultura que corre dentro deles. No sangue. No coração. Por dentro da alma.
Na linha da definição de Ortega y Gasset (“Rebelião das Massas”), para quem essa cultura seria um “o sistema de ideias vivas que cada época possui”.
Mais amplamente dizia Fernando Pessoa (texto sem título e publicado, em 1926, na Revista de Comércio e Contabilidade) ser “uma interpretação artística e filosófica das sociedades, quando os povos atingem seu ápice”. Isso, o “ápice” dos países. Aqui, comparo nosso amado Brasil a dois outros. Vamos juntos
EXEMPLO SUÍÇO – Em 05/06/2016 realizou-se referendo, por lá, para que a população definisse uma questão. É algo comum, no país. Entre os últimos referendos, por exemplo, tivemos a definição pelos eleitores dos horários em que hotéis poderiam fechar suas portas, à noite. Ou idade mínima para o serviço militar.
Agora se decidiria sobre uma “Renda Mínima”, que seria garantida a todos os suíços e também aos estrangeiros residentes no país. Trata-se de uma ideia antiga, pela primeira vez lembrada por Thomas Morus no seu livro “Utopia”. Depois Morus perdeu a cabeça, literalmente, mas essa é outra história.
O que se discutia, no parlamento suíço, era uma desassociação entre o trabalho e a renda, algo que para muitos será inevitável no futuro. A partir da tecnologia que, pouco a pouco, irá substituir a atividade humana, começando pelos países desenvolvidos. Nesse quadro, a Suíça seria o primeiro país a sagrar a tal “Renda Mínima”. Depois, acreditavam, outros a seguiriam.
SALÁRIO MENSAL – A proposta era de 2.500 francos suíços (9 mil reais) para cada habitante do país. Crianças, 625 francos (2.300 reais). Argumento contrário é que a medida seria cara demais, exigindo aumento de impostos, desorganizando a economia e desencorajando a população de trabalhar.
Seja como for, cada suíço deveria dizer, no tal referendo, se o governo lhe deveria pagar, todo santo mês, quase 10 mil reais. Resultado, 76,9% votaram NÃO à medida. Indicando que recusavam essa dádiva.
Volto ao Brasil e pergunto qual seria o percentual do SIM, por aqui. E já respondo, quase 100%.
EXEMPLO JAPONÊS – Finda a Segunda Guerra, era um país destroçado. O general Douglas MacArthur, Comandante Supremo das Forças Aliadas entre 1945 e 1951, liderou sua reconstrução. E fez muito. Implantou uma Reforma Agrária avançada (ela e a do México, pouco depois, foram as últimas vistas no mundo; sem contar a do Brasil, mais tarde), definiu novos direitos para as mulheres (incluindo o do voto), desfez os poderosos Zaibatsus locais (conglomerados industriais), legalizou os sindicatos. Mas faltava uma nova Constituição.
Não há registros históricos de quem a redigiu. Conta-se que foi um amigo de MacArthur, professor de Harvard. Quando estudei nessa universidade tentei saber qual seria seu nome, sem sucesso. Não há registros históricos por lá do feito, pois.
Certo é que, em 03/11/1946, acabou aprovada pelo parlamento japonês a tal Constituição trazida, dos Estados Unidos, por MacArhur. Substituindo a antiga Constituição Meigi, de 1889.
PAÍS DESARMADO – Entrou em vigor logo depois, em 03/05/1947. Entre seus artigos estranhos, o 9º, pelo qual o país renuncia à guerra. Tanto que não pode, até hoje, ter forças armadas, único país do planeta em que isso ocorre.
E esse Japão, um país arruinado pela guerra, é agora uma das 5 maiores potências do mundo. Mas o que aconteceu à sua Constituição?, eis a questão. Nada, é a resposta. Não foi tocada, nesses 80 anos contados desde sua promulgação. Nem um artigo solitário. Trata-se da única Constituição, do mundo, que não teve uma só alteração a partir da Segunda Guerra.
Penso no Brasil. E logo imagino líderes populistas, de parte a parte (da direita ou da esquerda), em discursos nacionalistas e inflamados, que já teriam exigido uma nova Constituição. Em defesa da soberania, diriam. E da Democracia. Só que o Japão não precisou disso, para se desenvolver.
Nos dois casos, Suíça e Japão, subsiste uma razão simples e fundamental. O de haver, dentro desses dois países, o tal caldo de cultura que vai além das regras formais. Um sentimento coletivo do que é, e não é, importante para o país. Do que realmente precisa ser feito. E do que não deve ter mudado. Suíça e Japão sabem.
O Brasil, algum dia, saberá?
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Excelente artigo, enviado por Duarte Bertolini. O autor José Paulo Cavalcanti Filho é advogado, escritor, ex-ministro da Justiça e membro da Academia Brasileira de Letras. Comparado a países como Suíça e Japão, o Brasil mostra ser uma esculhambação ambulante. É pena. (C.N.)
Com o nível de nossa educação, não devemos esperar coisas melhores daqui para frente. Basta ver a qualidade de nosso ensino, cada vez mais descendo a ladeira. Já inventaram um sistema de aprovarem os alunos sem serem condições.
Basta ver a classificação do Brasil no sistema de avaliação Pisa:
https://g1.globo.com/educacao/noticia/2023/12/05/ranking-da-educacao-brasil-esta-nas-ultimas-posicoes-no-pisa-2022-veja-notas-de-81-paises-em-matematica-ciencias-e-leitura.ghtml
Comparado a países como Suíça e Japão, o Brasil mostra ser uma esculhambação ambulante. É pena. (C.N.)
Sr. Newton,
Este Páis tem tudo e não tem nada….
E o Assassino de Pacas prometeu transformar o Brasil numa Suiça, Japão, Noruega, Dinamarca, mas depois de 5 mandatos deixou um rastro de destruição e uma dívida impágavel ….
E nem conseguiu jogar um pedaço de picanha no prato do preto, branco, pobre e favelado….
Brasil tinha tudo para virar uma Nação e acabou nas mãos de Ladrões……
aquele abraço
Sr. Newton
Será que este trabalhador quer ver famigerada escravagista CLT.. pela frente..??
Ele vende café no trânsito de SP e confia no cliente para pagar depois…
https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2026/05/13/bom-dia-e-pix-da-confianca-vendedor-viraliza-com-cafe-em-rodovia-de-sp.ghtm?cmpid=copiaecola
PS.
Enquanto o Casal Assassino de Pacas dorme, o Brasil cresce um pouquinho…
Senhor JC , por ironia e por incrível que pareça , tal obrigatoriedade de se aprovar alunos sem que tenha condições , foi criada e institucionalizada pelo professor , sociólogo e então presidente da república Fernando Henrique Cardoso – FHC , para fazer média junto ONU – UNESCO , visando reduzir as reprovações e evasões escolares no país como num toque de mágica , com o agravante de que também instituiu premiações ” monetárias ” com aumentos de verbas ás escolas que mais aprovavam (passavam de série) o maior números de alunos sem condições , expondo tais alunos a humilhações , chacotas e escárnios por não conseguirem acompanhar seus colegas melhor preparado para série subsequente , obrigando-os a retornarem a série em que estava ou até mesmo abandonando a escola , por ter passado vergonha e humilhações , tais como seus pais .
Esse referendo na Suiça foi realizado em 2016 e não foi pelo parlamento e sim por um grupo de pessoas independentes e que substituiria uma série de benefícios sociais Tanto o parlamento como o governo foram contra a proposta, fazendo muita propaganda contra, alegando que seria um custo insuportável ao país. à época 20% foram a favor, como seria hoje?
Atualmente, no mundo, há discussão sobre uma renda básica universal, devido às consequências advindas da IA. Se num futuro próximo realmente houver a substituição de pessoas por máquinas, acho que essa alternativa é bastante concreta.
A Suiça guarda, em seus bancos, fortunas ilegais.
A dívida pública do Japão é de mais de 200% do PIB.
kkkkk
apenas para registro: o problema nao é só o volume mas o custo de rolagem.
no brasil 14.5 % ao ano
no Japão aumentou para 0.75 % ao ano
assim 1 bilhao ( sem capitalização) levaria 6.89 anos no Brasil para dobrar
no japao mais 133 anos
se for a mesma coisa……
…
…, e o zelo por manter a corrupção vantajosa assídua, mais que guerra, destrói tudo, tudo.
Senhor José Vidal , eu trabalhava na Marinha Mercante como mecânico , quando da substituição de boa parte da tripulação pela automação , culminando numa rápida deterioração e redução da vida útil do maquinário do navio , por falta de operadores e mantenedores suficientes , substituídos pelas maravilhas da automação digital , impedindo quaisquer reação hábil durante uma ressaca e tempestade no mar , quando do navio atracado e arrebentado suas amarrações , e jogado o navio em cima do cais num porto da Alemanha , devido a pane na automação de controle do sistema eletrônico de amarração dos navios no cais , causando enormes danos e obrigando os armadores a reverem suas decisões , recompondo operadores e mantenedores humanos na condução de seus navios .