
Vitória de Lula foi resultado de uma mobilização histórica
Pedro do Coutto
A vitória de Lula da Silva nas eleições de 25 de outubro representa muito mais do que a conquista de um quarto mandato presidencial. Ela encerra uma das trajetórias eleitorais mais extraordinárias da história política brasileira e, ao mesmo tempo, revela um fenômeno que ultrapassa a biografia de um candidato: o encontro de diferentes gerações em torno de uma escolha política capaz de atravessar quatro décadas.
Lula chegou à sua quarta vitória presidencial depois de uma campanha em que precisou superar uma desvantagem de mais de 2 milhões de votos no primeiro turno. Terminara aquela etapa atrás de Flávio Bolsonaro, mas conseguiu inverter o resultado e terminou o segundo turno com 51,79% dos votos válidos, diante de 48,21% do adversário. A virada é inédita na história das eleições presidenciais brasileiras: nunca antes um candidato que havia terminado o primeiro turno em segundo lugar conseguira vencer a disputa definitiva.
UNIÃO DE EXTREMOS – Mas a dimensão da vitória não está apenas nos números. Ela está também na capacidade de Lula de reunir eleitores que pertencem a momentos muito diferentes da história brasileira. Há quem tenha votado nele pela primeira vez em 1989 e há jovens que chegaram agora à sua primeira eleição presidencial. Entre esses extremos estão milhões de brasileiros que acompanharam diferentes fases de sua trajetória: a ascensão do sindicalismo no ABC, a fundação do PT, as derrotas de 1989, 1994 e 1998, as vitórias de 2002 e 2006, a longa passagem pelo poder, a prisão, o retorno às urnas em 2022 e, finalmente, a nova vitória em 2026.
Essa continuidade ajuda a explicar a singularidade política de Lula. Poucos líderes conseguem permanecer competitivos durante tanto tempo em uma democracia marcada por profundas mudanças sociais, econômicas e tecnológicas. Lula atravessou diferentes ciclos da política brasileira e disputou a Presidência em momentos completamente distintos, enfrentando adversários, conjunturas e expectativas que mudaram radicalmente ao longo do período. Sua primeira disputa presidencial ocorreu em 1989, na primeira eleição direta para presidente depois da redemocratização. Trinta e sete anos depois, ele volta a vencer uma eleição presidencial, agora aos 80 anos, para exercer um quarto mandato.
Há ainda outro dado expressivo: Lula não apenas voltou a vencer, como estabeleceu seu próprio recorde de votação. A apuração de 2026 registrou mais de 64 milhões de votos para o presidente reeleito, acima dos cerca de 60,3 milhões obtidos em 2022. É a maior votação já alcançada por um candidato em uma eleição presidencial brasileira.
MOBILIZAÇÃO – A campanha, porém, esteve longe de ser uma marcha tranquila. O primeiro turno expôs dificuldades e mostrou que a força eleitoral de Lula não era suficiente, por si só, para garantir uma vitória. Foi necessário ampliar a mobilização, disputar eleitores indecisos e recuperar terreno em diferentes regiões do país. A redução da abstenção no segundo turno também teve importância: cerca de 3 milhões de eleitores a mais compareceram às urnas, levando a taxa de abstenção ao menor nível em duas décadas.
Na reta final, o debate promovido pela TV Globo ganhou peso nesse processo. O confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro ocorreu apenas dois dias antes da votação e ofereceu ao eleitor uma última oportunidade de comparar propostas, posições e estilos dos dois candidatos. Não se trata de atribuir a uma única aparição televisiva uma vitória construída ao longo de uma campanha inteira, mas é razoável reconhecer que o debate ocupou um espaço importante na definição dos últimos votos.
A eleição também mostrou que o resultado não pode ser compreendido apenas como uma escolha entre dois nomes. Lula venceu uma disputa extremamente polarizada, na qual milhões de brasileiros votaram não apenas pela continuidade de um projeto de governo, mas também pela rejeição à possibilidade de retorno do bolsonarismo ao Palácio do Planalto. Ao mesmo tempo, os quase 60 milhões de votos recebidos por Flávio Bolsonaro demonstram que a direita conserva uma força eleitoral expressiva e que a vitória de Lula não significa o desaparecimento dessa corrente política.
RESPONSABILIDADE – É justamente aí que está uma das principais responsabilidades do novo mandato. A vitória dá a Lula uma autoridade eleitoral renovada, mas não elimina as divisões que atravessam a sociedade brasileira. Ao contrário, a votação apertada mostra que o país continua profundamente dividido e que governar será diferente de vencer. A capacidade de transformar uma vitória eleitoral em uma agenda capaz de dialogar com setores que não votaram no presidente será um dos grandes testes de seu quarto mandato.
Ainda assim, a conquista de domingo tem um significado que ultrapassa a disputa imediata. Lula conseguiu fazer algo que parecia cada vez mais improvável: depois de mais de três décadas de protagonismo político, derrotas, vitórias, crises e reviravoltas, voltou a conquistar a Presidência pela quarta vez e o fez numa eleição em que começou atrás. Sua história eleitoral, portanto, não termina apenas com mais um mandato. Ela incorpora uma virada inédita, uma votação recorde e, sobretudo, a capacidade de conectar diferentes gerações de brasileiros em torno de uma mesma liderança política.
A vitória de Lula pertence ao presente, mas também é resultado de uma trajetória que atravessou boa parte da democracia brasileira. É esse talvez o aspecto mais extraordinário da eleição de 2026: quando uma nova geração chegou às urnas para decidir o futuro do país, encontrou ainda no centro da disputa o mesmo personagem que havia começado essa caminhada quando muitos desses eleitores sequer haviam nascido. E, desta vez, foi essa combinação entre memória política, renovação geracional e mobilização eleitoral que conduziu Lula novamente ao Palácio do Planalto.
Texto do Versículo (Isaías 5:20)
“Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo!” (Almeida Revista e Corrigida)
Significado e Contexto
• Inversão de Valores: O texto critica a confusão moral e ética em que a sociedade ou os líderes de uma época perdem a capacidade de distinguir o que é certo do que é errado, legitimando práticas ruins e desprezando o que é correto.
• Alerta Espiritual: A expressão “Ai dos que…” indica uma advertência ou juízo divino contra a hipocrisia, a corrupção e a distorção da verdade e da justiça.”
Responsabilidade? Todos sabemos o quanto essa cara é um irresponsável, já tem décadas de experiência.
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