Texto amplia gastos fora do teto em 2026
Pedro do Coutto
O Congresso Nacional aprovou uma operação que revela as escolhas econômicas e políticas do Brasil em 2026: o governo poderá utilizar receitas extraordinárias geradas pela alta do petróleo para reduzir tributos sobre combustíveis, ao mesmo tempo em que amplia gastos neste ano e sinaliza um ajuste de cerca de R$ 10 bilhões em 2027.
A lógica econômica é compreensível. Se o petróleo sobe, o Brasil sofre como consumidor, mas também arrecada mais como produtor e exportador. A proposta transforma parte dessa receita adicional em um amortecedor contra a alta dos combustíveis. O problema começa quando uma receita conjuntural passa a sustentar compromissos que podem se tornar permanentes.
COMPETITIVIDADE – Também é preciso separar fenômenos diferentes. O projeto não foi criado especificamente para neutralizar o impacto do tarifaço de Donald Trump sobre a inflação ou compensar diretamente as empresas exportadoras. Seu objetivo formal é enfrentar o choque provocado pela alta internacional do petróleo em meio ao conflito no Oriente Médio. A redução dos combustíveis pode, indiretamente, ajudar a conter a inflação e preservar a competitividade das empresas brasileiras, mas não substitui uma política de resposta à guerra comercial.
O Brasil enfrenta, simultaneamente, choques externos distintos: petróleo mais caro, instabilidade geopolítica e barreiras comerciais americanas. As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 13% no primeiro semestre de 2026, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O problema, portanto, é também comercial e industrial.
É nesse ponto que a proposta ganha dimensão política. Durante a tramitação, o texto passou a incorporar medidas que vão além dos combustíveis, incluindo incentivos a fertilizantes, minerais críticos, bioinsumos, indústria e outros setores. A operação tornou-se, na prática, um veículo para acomodar diferentes demandas em torno de uma receita extraordinária.
EXCEÇÃO – Não significa que todas as medidas sejam equivocadas. Apoiar fertilizantes ou minerais estratégicos pode ter justificativa econômica e geopolítica. O problema é outro: cada benefício precisa ter fonte de financiamento, objetivo mensurável, prazo e critério de saída. Quando uma receita extraordinária começa a financiar políticas permanentes, a exceção deixa de ser exceção.
O segundo ponto sensível é o ajuste prometido para 2027. A proposta permite maior expansão de gastos em 2026 e sinaliza mecanismos de contenção posteriormente. Politicamente, é uma equação conveniente: o governo entrega medidas de impacto imediato e, ao mesmo tempo, apresenta uma promessa de disciplina fiscal para o ano seguinte. Mas responsabilidade fiscal não pode ser apenas uma promessa inscrita no futuro.
PROJEÇÃO – O desafio brasileiro é maior do que os R$ 10 bilhões anunciados. A Instituição Fiscal Independente projeta déficit primário de R$ 60,3 bilhões em 2026 e de R$ 86,1 bilhões em 2027, além de dívida bruta equivalente a 82,5% do PIB neste ano e 86,4% no próximo.
Há ainda um paradoxo: a alta do petróleo gera mais receita para o governo justamente quando aumenta o custo da energia para consumidores e empresas. É racional usar parte desse ganho para amortecer o choque. O que não é sustentável é transformar uma bonança circunstancial em fonte permanente de despesas.
O episódio revela uma característica recorrente da política brasileira: quando surge uma janela fiscal, rapidamente aparecem novas demandas para ocupá-la. O texto começou com combustíveis e terminou envolvendo diferentes setores e interesses. O que está em disputa, portanto, não é apenas o preço na bomba, mas quem poderá gastar, quanto poderá gastar e em que momento.
COLCHÃO FISCAL – O petróleo pode oferecer ao governo um colchão fiscal. Não pode, porém, substituir uma política fiscal consistente. O verdadeiro teste virá em 2027. Se o ajuste prometido resultar de eficiência, revisão de despesas ineficientes e racionalização de benefícios, poderá representar uma ponte entre emergência e equilíbrio. Se recair sobre investimentos e serviços públicos enquanto subsídios e vantagens setoriais forem preservados, teremos apenas empurrado o problema adiante.
O risco não está em gastar excepcionalmente diante de uma crise. Está em transformar a excepcionalidade em método de governo. Receitas extraordinárias acabam. Benefícios e despesas incorporados ao orçamento, quase nunca.
De novo, a sombra da barbárie
Avanço do bolsonarismo traz riscos de retrocesso democrático, perda de soberania e enfraquecimento de direitos fundamentais
Outra vez, o Brasil está numa encruzilhada, e é difícil entender por que o país está passando por isso. Depois dos 4 anos de trevas obscurantistas de um governo fascista, julgávamos estar longe do risco bolsonarista.
O presidente Lula consignou, em 12 de dezembro de 2022, na festa de diplomação, que só havia se candidatado novamente por intuir que era o único capaz de derrotar o desastre do Bolsonaro.
Uma administração sem limites, com caminhões de dinheiro, com fábricas de fake news, sem ética e sem controle, só perderia para os erros do próprio governo; ainda assim, era necessário ter um líder popular, com a história de um Lula, para derrotar o fascismo.
Um candidato inescrupuloso perder uma reeleição era uma tarefa quase impossível. Só o velho Lula poderia fazer tal façanha. E a fez. Foi, na definição correta dele, a vitória da civilização sobre a barbárie.
O que é espantoso é que, mesmo com Bolsonaro preso, com um filho condenado e foragido nos EUA, com os embates públicos entre a mulher e o candidato escolhido, com a cúpula do governo passado recolhida à prisão –generais e ministros cumprindo penas de cadeia– e com os escândalos sobre corrupção, ainda assim, parte da elite brasileira, e grande parte da população, insiste em caminhar para o abismo.
Não estamos tratando de propostas divergentes. Ao contrário: uma proposta é democrática, e a outra, golpista. Agora, o confronto é com um bando de loucos que querem entregar o Brasil ao fascista Trump.
Não estamos decidindo entre modelos de governo que passam por uma discussão possível, entre os mais à direita, os do centro ou os da centro-esquerda.
O que voltamos a discutir é a diferença entre a barbárie e a civilização. É a negação absoluta da política e o predomínio cego da corrupção, do fim das políticas públicas, da negação dos direitos humanos, do predomínio absoluto da misoginia, do fascismo, da violência e do caos.
Agora temos ainda um fator agravante. O bolsonarismo, representado pela família e pelos seus seguidores mais próximos, resolveu escancarar: entregou abertamente o país ao poderio decadente norte-americano.
Não há mais um discurso com um pingo de dignidade. Como sabem os fascistas que estão tratando com um presidente Trump do nível deles, e sabem que precisam negociar a hipótese de não prisão da família Bolsonaro, como um todo, resolveram colocar na mesa a soberania nacional.
Não se discutem mais terras, minerais raros, ouro ou Amazônia. É a chave do país. A entrega absoluta. A rendição. A soberania pela liberdade, o afastamento da Papuda pela humilhação da perda da dignidade. Afinal, o que é dignidade para esse grupo?
Como falar em dignidade, soberania, honra e pátria com um grupo tão reles, tão mesquinho e tão vil? Tristes tempos.
Fonte: Poder360, Opinião, 14.ago.2026 – 5h58 Por Antônio Carlos de Almeida Castro (Kakay), advogado criminal
“Agora temos ainda um fator agravante. O bolsonarismo, representado pela família e pelos seus seguidores mais próximos, resolveu escancarar: entregou abertamente o país ao poderio decadente norte-americano.
Não há mais um discurso com um pingo de dignidade. Como sabem os fascistas que estão tratando com um presidente Trump do nível deles, e sabem que precisam negociar a hipótese de não prisão da família Bolsonaro, como um todo, resolveram colocar na mesa a soberania nacional.
Não se discutem mais terras, minerais raros, ouro ou Amazônia. É a chave do país. A entrega absoluta. A rendição. A soberania pela liberdade, o afastamento da Papuda pela humilhação da perda da dignidade. Afinal, o que é dignidade para esse grupo?”
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MUNDO FINAL:
MUNDO FINAL 🇺🇸❗️ | O prestigiante jornal The Guardian relatou que os marinheiros a bordo do porta-aviões dos EUA, o USS Abraham Lincoln, estão enfrentando uma grave crise de saúde mental, já que foram desembarcados há quase 9 meses contra o Irã sem tocar na terra e com escassez de alimentos e outras provisões, de acordo com The Guardian. Vários marinheiros tentaram tirar a própria vida, um até tentou jogar-se na água, extrema fadiga e a luta interminável contra os míssais e drones iranianos levaram a saúde mental dos marinheiros ao limite, uma esposa de um deles disse ao The Guardian que até mesmo uma rebelião ou uma revolta dos marinheiros contra seus superiores é temida, pedindo-lhes para retornarem a um porto seguro o mais rápido possível, uma situação que deveria ter acontecido em maio deste ano.
De acordo com relatos, a falta de alimentos, lavanderia fora do serviço, banheiros quebrados e enlameados e longas períodos sem água quente, além da tensão da guerra em si, tornam a situação dentro do navio cada vez mais crítica, um marinheiro disse à sua mãe que há quase nenhum sabão, desodorante e pasta de dentes a bordo do navio, que contém 5000 marinheiros, quase como uma cidade flutuante.
Um especialista em saúde mental disse que os militares a bordo do navio estão enfrentando pressão extrema, o desembarque em uma zona de guerra leva os homens ao limite: poucas horas de descanso devido à constante alerta, a incapacidade de ver sua família e entes queridos, que se somam ao constante barulho que o navio produz, juntamente com a escassez de serviços básicos, higiene e alimentos, levam os marinheiros a “implosão”.
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