Ao violar sigilo da fonte, Moraes blinda Flávio Dino e desmoraliza a democracia

Alexandre de Moraes ultrapassa todos os limites e se consolida como a “ditadura da toga” - Jornais em Foco

Reprodução do site Jornais em Foco

Eliane Cantanhêde
Estadão

É inacreditável a insistência de ministros do Supremo para tentar confirmar as acusações do governo Donald Trump de que Alexandre de Moraes, o STF e o próprio Brasil não são democráticos. Moraes não para de atrair chuvas e trovoadas, não apenas contra si, mas contra um poder vital para a democracia que ele tanto defendeu.

A última ação de Moraes, excessiva e desnecessária, foi determinar que a PF vasculhasse o repórter e a fonte da informação de que o também ministro Flávio Dino e sua família usam carro oficial e blindado do Estado quando estão no Maranhão. A fonte vazou e o repórter publicou dentro das regras e da rotina do jornalismo.

TUDO VERDADE – Independentemente de quem sejam o repórter e a fonte, se têm ou não credibilidade ou folha corrida, o que importa é que a informação é verdadeira, não foi inventada. Aliás, especialistas em direito nem veem nada demais no uso de carro oficial por um ministro do STF, que tem boa imagem, foi governador e sofre ameaças.

Há uma regra do jornalismo, pragmática e importante para o ofício: quem conhece corrupção e escândalos não habita conventos. Logo, não se escolhem fontes pelo caráter e pureza, mas sim pelo peso da informação, se ela é verídica ou não e é comprovada por provas, documentos, fotos… Se há interesses políticos ou financeiros, isso pode ser citado na reportagem, sem quebrar o sigilo da fonte.

Ao jogar a polícia em cima do jornalista Luís Pablo Conceição Almeida, apreender seu celular e dali quebrar o sigilo da fonte – o ex-secretário de Estado Raimundo Cutrim –, Moraes fez um favor para o colega Flávio Dino e um desfavor à institucionalidade e à democracia, numa coleção de erros distantes do Estado Democrático de Direito.

EXEMPLOS DE ERROS – Jornalistas que cometem injúria, por exemplo, são sujeitos a processos normais; Luís Pablo e sua fonte não têm foro no STF; liberdade de imprensa e sigilo da fonte não são privilégio, estão na Constituição.

Moraes usou o inquérito das fake news, que se “eterniza” há sete anos, em favor dos próprios ministros; por último, tudo isso para servir a um colega.

Moraes, aliás, já tinha servido ao seu próprio interesse, ao abrir investigação para descobrir a fonte que revelou à mídia o contrato de R$ 130 milhões do escritório da sua família com Daniel Vorcaro, do Master. Também não era fake news, mas sim um fato que Moraes jamais desmentiu.

ESCÂNDALOS – Imagine-se se o STF e a PF tivessem perseguido as fontes e os jornalistas investigativos que vêm informando a sociedade sobre escândalos como Petrolão, mensalão, golpe, rachadinhas, INSS, “empréstimos” milionários, Master, Dark Horse, viagens e piscinas promíscuas…

Não haveria mais fontes, jornalismo investigativo, nem mesmo jornalismo e estaríamos não numa democracia, mas num regime autoritário, em que castas podem tudo, quem denuncia é penalizado e a verdade é sonegada aos cidadãos e jogada debaixo do tapete.

Moraes cria um precedente grave. Se a contestação à liberdade de imprensa e a quebra do sigilo da fonte valem em favor de ministros do STF, por que não para todo o Judiciário, Congresso e Planalto? Adeus jornalismo! Poderosos de todos os quilates e ideologias dormirão em paz e o injusto e perigoso Trump poderá comemorar: “Bem que eu disse, quem ri por último ri melhor”.

10 thoughts on “Ao violar sigilo da fonte, Moraes blinda Flávio Dino e desmoraliza a democracia”

  1. Se o que diz Rodrigo Pimentel é verdade, significa que 1/4 do território do Brasil é na prática território separado, autogovernado e independente do Brasil. Eis a façanha do regime brasileiro: fazer com que o Brasil deixe de existir como país. https://revistaoeste.com/politica/governo-lula-abriu-mao-de-retomar-territorios-dominados-pelo-crime-diz-ex-capitao-do-bope/

    Cara, eu tava num fórum essa semana onde ele palestrou disso… Até difícil de acreditar que o MEXICO tem apenas 9% de territórios controlados e, o Brasil, uns 23-25%

    Tomando como base os imperadores togados embriagados pela grana fácil, temos 100% do território dominado pelos bandidos que ocupam Brasília.

    • Uma dupla de ridículos togados pode perseguir jornalistas para encobrir os próprios crimes?

      Quanto mais esses autoritários sem moral tentarem disfarçar a própria podridão, mais ela precisa ser divulgada e feder.

      Isso é democracia.

      • Mas um jornalista pode? Eis a questão. A liberdade de imprensa, assim como a liberdade de expressão não deve ser ilimitada. Esse caso do Maranhão parece envolver muita gente que possui poder..

        • Não vamos falar do uso de veículo público de forma totalmente indevida, pois é café pequeno. Vamos falar do consórcio nordeste que comprou respiradores que nunca foram entregues e que o Flávio Dino foi conivente com os atos de 8 de janeiro e, deveria ter sido preso com todos os outros. Foi conivente ou participou da farsa? Nos dois casos, cadeia para ele. Quanto ao jornalista, basta o poder investigativo da polícia. No caso em epígrafe, o jornalista nunca poderia ter sido preso e só um débil mental aceitaria o fato.

  2. “Depois da experiência bíblica de 50, passamos a rosnar, por todas as esquinas e por todos os botecos do continente, o seguinte juízo final sobre nós: — ‘O brasileiro é bom de bola, mas frouxo como homem.” Nelson Rodrigues em “À sombra das chuteiras imortais”.

    Correto. Principalmente as FFDD. Desarmadas por opção. Ou por dinheiro.

  3. A IMPRENSA FALADA, ESCRITA E TELEVISIONADA, INFELIZMENTE, NÃO É NENHUMA VIRGEM IMPOLUTA, IMACULADA, salvo exceções, tal como e pratica no Brasil do velho FEBEAPÁ (Festival de Besteiras que Assola o País ), protagonizado pelo militarismo e o partidarismo, politiqueiro$, e seus tentáculos velhaco$, patrocinado pela república dos me$mo$, que dominam o país há 136 anos, de modo quer dentro das cercanias do dito-cujo, fomentado pela loucura por dinheiro, poder, vantagens e privilégios, sem limite$, tudo é possível. Não foi à toa que a banda boa, honesta, do bem, justa, séria, consciente e responsável do conjunto da sociedade, em Junho de 2013, gritou firme e forte, alto e em bom som, nas ruas do país: ” sem partidos, sem violência, sem corrupção, sem golpes, sem ditaduras, sem estelionatos eleitorais, basta, chega dos me$mo$, vocês não nos representam ” e, ato continuo, após dar o recado capital, mostrando o seu grau de consciência evoluído, a sua boa índole e mentalidade política do bem, coerentemente, devolveu a bola para o “congresso nacional” para as providências políticas necessárias, que, por sua vez, salvo exceções, respondeu com fundos partidários bilionários, emendas impositivas, etc., etc. e tal., tudo com o país operando no vermelho, depositando tudo na conta da gigantesca dívida pública, já elevada à sua enésima potência, mostrando assim a sua péssima índole e mentalidade política equivocada, dominada pela loucura por dinheiro, poder, vantagens e privilégios, sem limite$, com a imprensa falada, escrita e televisionada na mesma balada, jogando de conservadora do sistema de gastança, comilança e impostança, agindo em causa própria, em defesa dos próprios interesses, abiscoitando para si todos os bônus possível, e o país, a política e a vida da população que se dane com os ônus…, fatos que demonstram que não temos mais a quem recorrer senão a Deus no céu e a nós mesmos aqui na terra, como nos propõe a Democracia Direta, com Meritocracia e Deus na causa, no bojo da RPL-PNBC-DD-ME, pela qual urge continuarmos lutando, pacificamente… https://tribunadainternet.com.br/2026/08/15/ao-violar-sigilo-da-fonte-moraes-blinda-flavio-dino-e-desmoraliza-a-democracia/#comments

    • Senhor Freire, “atenda ao seu nível” é a forma correta. Isto posto, devo lembrar que tanto posso responder “vai à” quanto “vai pro”, quando não estou a pedir alguma opinião. Parafraseando NR, os frouxos – além de o serem – saem.

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