Alcolumbre indica Pacheco ao TCU e tenta acelerar aprovação no Senado

Indicaçãoprecisa ser aprovada pelo Senado e pela Câmara

Gabriella Soares
Caetano Tonet
Vinícius Cassela
G1

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), indicou nesta segunda-feira (31) o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), para o Tribunal de Contas da União (TCU). A vaga foi aberta com a saída antecipada do ministro Bruno Dantas.

Bruno Dantas decidiu formalizar sua saída do cargo, em ofício encaminhado nesta segunda-feira (31) ao presidente da Corte, Vital do Rêgo Filho. A indicação foi assinada pelo presidente do Senado e por 19 senadores, incluindo a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), e o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN).

“NOVOS PROJETOS” – Em nota e vídeo divulgados nesta segunda, Bruno Dantas afirmou que decidiu deixar o cargo para se dedicar a “novos projetos” e disse encerrar o ciclo no tribunal com a convicção de que “a rotatividade nos altos cargos do país é uma virtude”.

A vaga de Bruno Dantas é da cota de indicação do Senado Federal. Segundo o blog do Valdo Cruz, Alcolumbre, estava esperando apenas a formalização da decisão de Bruno Dantas para articular a ida de Rodrigo Pacheco para o TCU. Agora, a indicação deve ser encaminhada para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, onde Pacheco passará por uma sabatina e terá que ter o nome aprovado pelos senadores.

APROVAÇÃO – Em seguida, a indicação passará por votação no plenário da Casa. A expectativa é que o nome seja analisado nesta quarta-feira (2). Além disso, o candidato ainda precisa ser aprovado na Câmara dos Deputados. Caso o nome seja aprovado nas duas casas, o presidente da República nomeia o novo ministro.

O presidente do Senado também apresentou um requerimento de urgência para que a indicação siga para o plenário sem passar por sabatina na CAE. Recentemente, o ex-deputado federal Jhonatan de Jesus também foi indicado ao cargo pela Câmara dos Deputados sem que passasse por sabatina.

TSE decide se a inteligência artificial pode falar em nome de Jair Bolsonaro

Mendonça descarta trégua com PF e crise leva Fachin a agir nos bastidores

Ministro se queixa de demora da PF na investigação

Luísa Martins
Catia Seabra
Ana Pompeu
Folha

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), sinalizou a auxiliares que não vê margem para uma trégua com a Polícia Federal nas tensões que envolvem os inquéritos contra o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

A situação tem preocupado o presidente da corte, Edson Fachin, que articula um modo de evitar o agravamento da crise. A interlocutores ele disse que é seu dever preservar as instituições e, com discrição, tentar dialogar com todos os envolvidos.

MOBILIZAÇÃO – O assunto mobilizou os bastidores do Supremo ao longo da última semana, em um cenário classificado por um magistrado aliado de Mendonça como “um corre-corre para baixar a temperatura”. Mendonça se queixa da demora da PF em apurações sobre as fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e vê uma tentativa de impedir que elas avancem sobre aliados e familiares do presidente Lula (PT), candidato à reeleição em 2026.

Já a corporação vê intromissões do relator na sua autonomia para conduzir os trabalhos, ao determinar, por exemplo, que qualquer mudança na equipe de investigadores lhe seja comunicada de antemão. Integrantes da cúpula da PF afirmam que o pedido de abertura de três frentes de investigação contra Lulinha e uma operação policial contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) —no caso do Banco Master— demonstram que não há uso político das apurações.

Também dizem que Mendonça levou menos tempo para autorizar diligências contra Wagner do que contra aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, como o presidente do PP Ciro Nogueira e o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro.

REUNIÕES – Fachin se reuniu recentemente com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, em reuniões descritas por um interlocutor como “audiências para aparar arestas”. Nos dias seguintes, contudo, cresceu o receio de que Mendonça pudesse proferir decisões drásticas, aptas a ampliar a erosão interna que já predomina no STF pelo menos desde o início do ano.

Um ministro chegou a alertar Fachin sobre a possibilidade de Mendonça estar sendo influenciado pelos delegados da PF que estão lotados em seu gabinete, e que são críticos da postura de Andrei como diretor-geral. O relator da Operação Sem Desconto, por outro lado, afirma a pessoas próximas que atua com cautela e independência e que seu objetivo principal é garantir a integridade das investigações, respeitando o devido processo legal.

A mobilização de Fachin continuou quando ele se encontrou novamente com Lima e Silva e com o ministro-chefe da AGU (Advocacia-Geral da União), Jorge Messias, para tratar do assunto, mas não houve encaminhamentos concretos.

RECOMPOSIÇÃO – No início de agosto, Messias intermediou uma audiência entre Mendonça e o ministro da Justiça, que se dispôs a atuar como ponte para a recomposição da relação. Na ocasião, o magistrado do STF se mostrou disposto a isso, mas agora tem dito não ver mais espaço.

O entorno de Messias avalia que, devido ao perfil conciliador e republicano de Fachin, o presidente do Supremo pode ser um bom intermediador na busca de uma solução para esses conflitos.

O filho do presidente Lula (PT) é suspeito de cometer tráfico de influência no âmbito do governo. A defesa dele afirma que setores bolsonaristas da PF apresentaram um “quebra-cabeças de ilações” para tentar prejudicar a campanha do seu pai à reeleição.

CONFRONTO – Os atritos entre Mendonça e o diretor-geral da PF vêm desde o início das apurações da Operação Sem Desconto. Mendonça reclamou, por exemplo, de mudanças feitas na equipe e na estrutura da investigação sem o seu conhecimento prévio.

Uma troca na coordenação dos inquéritos, que levou a uma mudança dos delegados responsáveis, desagradaram o ministro, assim como a saída de um perito e supostos atrasos na juntada de materiais resultantes de ordens de quebra de sigilo.

O magistrado decidiu determinar que todos os atos da investigação sejam imediatamente anexados pela PF ao processo que tramita em seu gabinete, o que incomodou a cúpula da PF.

NOTA DE APOIO – Os 27 superintendentes lançaram uma nota em apoio ao diretor-geral, afirmando ser “indispensável a preservação da independência técnica das investigações e da autonomia necessária à gestão eficiente de seus recursos e prioridades”.

Andrei também pediu que a AGU entre em cena para impedir as medidas ordenadas por Mendonça, por entender que elas representam uma intromissão do magistrado e uma violação à autonomia e à independência da corporação.

Messias, no entanto, resiste a apresentar um recurso formal em nome da PF contra a decisão de Mendonça. O advogado-geral avalia, segundo um auxiliar, que a saída para o atrito não passa por um ato jurídico, mas por uma construção política.

IMPARCIALIDADE – Na última sexta-feira (28), o diretor-geral da PF disse que “a atuação técnica, imparcial e livre de qualquer viés político é o que nos permite defender a instituição de qualquer ataque, não importa de onde venha”. Ele não citou Mendonça.

Em entrevista à TV Globo na última semana, Lula disse que as investigações sobre tráfico de influência são “ilações tiradas de telefonemas”, mas que Lulinha precisa se defender. Afirmou, ainda, que não haverá interferências do seu governo para blindar o filho.

A dívida, os juros e a eleição: o Brasil adia escolhas que já não pode ignorar

Maior praga é a desigualdade social, que preocupa os filósofos desde Platão

Charge do Duke (Rádio Itatiaia)

Hélio Schwartsman
Folha

Gostei de “The Greatest of All Plagues”, de David Lay Williams, em que o autor procura mostrar que a preocupação com a desigualdade socioeconômica se faz presente no cânone filosófico do Ocidente há mais tempo e de forma mais fundamental do que muitos poderiam supor.

Para tentar provar sua tese, Williams resgata passagens francamente igualitárias de um pool bem ecumênico de filósofos. São eles Platão, Jesus Cristo, Thomas Hobbes, Jean-Jacques Rousseau, Adam Smith, John Stuart Mill e Karl Marx. Ok, Cristo entra um pouco de contrabando, já que não é propriamente um filósofo e não deixou obra escrita, mas não vejo maiores problemas nisso.

PEDACILHO – Williams é generoso ao nos fornecer o contexto histórico em que cada um desses autores desenvolveu suas ideias e as expõe com didatismo. Creio, porém, que, ao tentar enquadrar todos esses filósofos em sua tese, ele acabe incorrendo em pecadilhos historiográficos.

Tomemos o caso de Platão. Para vendê-lo como um campeão da igualdade, Williams rebaixa um pouco o estatuto de “A República” para valorizar “As Leis”. É desse texto, aliás, que ele tira o título do livro “A maior de todas as pragas”.

Ocorre que uma das questões mais difíceis nos estudos de Platão é justamente a de como classificar “As Leis”. O texto é tão pouco platônico e diverge tanto do restante da obra que, no século 19, filólogos sugeriram que se tratava de um escrito apócrifo. Não é, mas qual Platão representa Platão?

OUTRO LAPSO – Algo parecido vale para os demais. Em Rousseau e Marx, a igualdade ocupa lugar central, mas será que podemos dizer o mesmo de Hobbes, que defendia poder quase total para o soberano?

Meu ponto é que é legal mostrar os trechos quase esquecidos em que alguns dos mais importantes filósofos do Ocidente criticaram a desigualdade econômica, mas não dá para ignorar os consensos dos comentadores.

Se vários desses filósofos não se celebrizaram como igualitários radicais, isso talvez se deva ao fato de que a questão não teve tanto peso assim na economia geral de suas obras.

Fortunas nas urnas: 15 candidatos concentram R$ 4,7 bilhões em patrimônio

Milionários querem um mandato em 2026

Deu no O Globo

O patrimônio de 15 candidatos entre os mais ricos concorrendo às eleições soma R$ 4,69 bilhões, segundo as declarações enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na média, é como se cada um desses postulantes tivesse cerca de R$ 312 milhões em bens. A lista inclui empresários, herdeiros de grupos empresariais familiares e até um império da educação.
Uma análise preliminar dos 40 maiores patrimônios divulgados inicialmente na base de dados apontou que grande parte das declarações no topo do ranking geral apresentava inconsistências ou evidentes erros de digitação (como inclusão acidental de centavos ou casas decimais adicionais, distorcendo os valores para a casa dos bilhões). Por isso, a reportagem filtrou e validou apenas os candidatos cujos bens declarados são compatíveis com a realidade econômica de seus históricos profissionais e empresariais.
LIDERANÇA – O líder deste recorte é Luiz Osvaldo Pastore (PL-TO), candidato a 1º Suplente de Senador, que declarou ao TSE uma fortuna de R$ 677,7 milhões. Empresário com histórico de participação em chapas majoritárias, Pastore já foi suplente no Senado por outros estados, como Espírito Santo e Distrito Federal, e tem sua fortuna concentrada em investimentos e participações societárias. O tamanho do seu patrimônio chama a atenção pela grande evolução ao longo das últimas décadas.

Pastore ganhou as manchetes no passado por ser proprietário do jatinho que levou o ministro do STF Dias Toffoli e o advogado Augusto Arruda Botelho — defensor de Luiz Antônio Bull, um dos alvos da investigação sobre o Banco Master — dias antes do magistrado assumir decisões sensíveis relacionadas ao caso no Supremo.

Pastore é um empresário paulista radicado no Espírito Santo, com atuação em setores como importação, indústria e administração de imóveis. Apesar da baixa exposição pública, acumula influência na política e no meio empresarial.

SETOR TÊXTIL – Na segunda colocação, desponta Antídio Aleixo Lunelli (MDB-SC), candidato ao Senado, com R$ 613,2 milhões. Lunelli é um empresário catarinense de grande porte, conhecido no setor têxtil, e já ocupou o cargo de prefeito de Jaraguá do Sul (SC) duas vezes. Sua declaração de bens é composta majoritariamente por participações em suas empresas.

Lunelli fundou em 1980 a empresa que deu origem ao Grupo Lunelli, hoje um conglomerado têxtil dono de marcas como Lunender, Lez a Lez e Hagar 33, com mais de 5 mil funcionários diretos e negócios também no agronegócio. Publicamente, ele diz que a fortuna é anterior à sua entrada na política, em 2016.

Logo atrás, na terceira posição, está Otaviano Olavo Pivetta (Republicanos-MT), atual candidato ao governo do Mato Grosso, dono de R$ 575,6 milhões — alta de 52% sobre os R$ 378,9 milhões declarados em 2022. Pivetta é um dos maiores empresários do agronegócio brasileiro e figura histórica na política mato-grossense.

PRODUTOR RURAL – Nascido em Caiçara (RS), Pivetta migrou para o Mato Grosso em 1982 e construiu carreira como produtor rural de soja, milho, algodão, suínos e bovinos, antes de ser três vezes prefeito de Lucas do Rio Verde, deputado estadual e, desde 2019, vice na chapa de Mauro Mendes.

Em quarto lugar está Wilson Picler (PL-PR), primeiro suplente de Deltan Dallagnol na disputa pelo Senado no Paraná, com R$ 478,69 milhões. Fundador do grupo educacional Uninter e ex-deputado federal pelo PDT, Picler foi o maior doador individual do então PSL em 2018 — ano em que declarou um patrimônio de R$ 48,3 milhões, dez vezes menor que o atual. Apoiou a campanha de Jair Bolsonaro naquele ano, mas migrou para o campo de Sergio Moro nas eleições seguintes.

Fechando o “Top 5”, a região Sudeste volta a aparecer com Vittorio Medioli (PL-MG), empresário italiano naturalizado brasileiro e ex-prefeito de Betim por dois mandatos (2017–2024), com R$ 356,81 milhões. Fundador do Grupo SADA, do setor de logística e transporte de cargas, e dono de veículos de comunicação como o jornal O Tempo, Medioli já foi chamado de prefeito mais rico do Brasil ao se eleger em Betim em 2016, e agora concorre a uma vaga na Assembleia Legislativa mineira.

MULTIMILIONÁRIOS –  O clube dos multimilionários que vão disputar as eleições 2026 se completa com perfis variados. Misael Artur Ferreira Varella (PSD-MG), primeiro suplente do senador Carlos Viana e filho do ex-parlamentar Lael Varella, aparece com R$ 315,2 milhões — fortuna ligada à rede de hospitais da Fundação Cristiano Varella, referência em tratamento oncológico na Zona da Mata mineira.

Carlos Eduardo Hammerschmidt (Republicanos-PR), suplente de Alexandre Curi no Senado, é vice-presidente comercial do Grupo Potencial, uma das maiores empresas de energia do país, e declarou R$ 281,04 milhões.

Na disputa presidencial aparecem dois nomes da lista: Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo). O primeiro, psiquiatra e autor best-seller de livros como “O vendedor de sonhos” e “A inteligência multifocal”, declarou R$ 242,28 milhões. A maior parcela do patrimônio de Cury está concentrada em empréstimos concedidos, que totalizam R$ 128,51 milhões.

NA DISPUTA – O psiquiatra figura entre os três postulantes ao Planalto mais ricos da série histórica do TSE. Cury fica atrás apenas do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, que concorreu pelo MDB em 2018 e declarou R$ 377,49 milhões, e do empresário e fundador do Novo, João Amoêdo, que informou patrimônio de R$ 425,06 milhões no mesmo ano, o maior valor já registrado.

Já Zema, ex-governador de Minas Gerais, concorre à Presidência com R$ 178,71 milhões, patrimônio construído à frente do grupo varejista que leva seu sobrenome, antes de entrar para a política em 2018. A maior parcela dos bens corresponde à participação de Zema em uma holding familiar, avaliada em R$ 94,5 milhões. O candidato também declarou R$ 56,2 milhões em um fundo de investimento, R$ 16,8 milhões em participação em uma instituição financeira e R$ 3,96 milhões em aplicações de renda fixa.

Ainda aparecem na lista Ivanildo de Almeida Silva (DC-ES), candidato a deputado estadual, com R$ 230,63 milhões; Prisco Rodrigues Bezerra (União-CE), irmão do ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio e sócio de empresas dos ramos imobiliário e educacional, primeiro suplente de Capitão Wagner ao Senado, com R$ 201,35 milhões; Carlos Cardoso de Oliveira Filho (PRD-GO), empresário do agronegócio e primeiro suplente de Gustavo Mendanha ao Senado, com R$ 157,75 milhões em fazendas e imóveis.

ÚNICA MULHER –  Ruy Adriano Borges Muniz (PV-MG), médico, professor e dono de uma rede de 16 escolas no Norte de Minas através da Associação Educativa do Brasil (Soebras), é candidato a deputado federal e declarou R$ 154,8 milhões; Maria do Carmo Seffair Lins de Albuquerque (PL-AM), empresária e reitora, é candidata ao governo do Amazonas com declaração de bens na casa dos R$ 118,47 milhões, sendo ela a única mulher entre os 15 mais ricos.

Fecha a lista José Lavelli de Lima, candidato a deputado estadual por São Paulo pelo PSD, com R$ 103,93 milhões. Aos 85 anos, é administrador e sócio de empresas dos ramos imobiliário e industrial em Bragança Paulista, cidade do interior paulista que já governou como prefeito. Também foi candidato a prefeito da cidade em 2024, quando declarou um patrimônio de R$ 71,5 milhões.

ERROS RECORRENTES –  A distância entre os 40 maiores valores brutos informados ao TSE e os 15 que resistem à checagem ilustra um problema recorrente nas declarações de bens: erros de preenchimento que multiplicam patrimônios reais por mil, ou que atribuem a itens comuns valores de mercado destoantes.

Entre os casos identificados fora da lista dos 15, um candidato ao Executivo no Centro-Oeste declarou um Volkswagen Polo por R$ 80 milhões e um caminhão de 1987 por R$ 110 milhões; outro, no Norte do país, listou duas chácaras juntas por mais de R$ 1,5 bilhão.

Outro caso que resume bem o fenômeno é o deputado estadual André Silva (MDB-AL), que apareceria entre as maiores fortunas do país com R$ 548,6 milhões declarados originalmente. Procurada pela imprensa, a assessoria do parlamentar confirmou que o valor correto é R$ 548,6 mil.

AUTODECLARAÇÃO – Os valores citados nesta reportagem são autodeclarados pelos candidatos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e refletem a base de dados aberta do órgão na data de fechamento desta matéria. Os números ainda podem ser retificados até o fim do prazo eleitoral.

Das 40 maiores declarações de patrimônio identificadas nacionalmente, pelo menos 25 apresentam inconsistências que sugerem erro de preenchimento — como a troca de “mil” por “milhão” ou a atribuição de valores de mercado incompatíveis a bens como veículos usados — e por isso não constam neste levantamento.

Desde 2003, a política de Lula agrava a desigualdade salarial no serviço público

O Estado como indutor da desigualdade - Blog do Ari Cunha

Charge do Bira (Arquivo Google)

Carlos Newton

O próximo governo tem dois graves desafios. Um deles é a irresponsável elevação da dívida pública, que o governo de Jair Bolsonaro conseguiu reduzir, mas Lula jogou para o espaço novamente; e o outro problema é o agravamento da desigualdade social, que aumentou a favelização nas cidades, agravando a situação da segurança pública, dos transportes, do abastecimento de água e do saneamento básico.

A desigualdade social deriva da disparidade salarial  pois a política oficial do governo é de conceder reajustes sempre lineares, aplicando-se o mesmo percentual para todos os salários, sejam de pequena monta ou de muito maior valor.

QUEM SE INTERESSA? – O problema da desigualdade social é desafiador para o próximo presidente da República, porém nenhum candidato preparou um projeto capaz de diminuir a gravidade da questão, que atinge a imensa maioria dos brasileiros, especialmente por seus efeitos no tocante à segurança pública.

O resultado é que o país chegou a uma situação em que ninguém se sente seguro, não importa a classe social. Os pobres estão literalmente abandonados nas favelas, onde não existe presença da polícia, porque são áreas dominadas por traficantes ou milicianos. A classe média tornou-se refém e vive através das grades que cercam os condomínios. Até os ricos estão inseguros e podem ser assaltados pelos próprios seguranças, porque a desigualdade social traz esses estranhos inconvenientes.

PONTO-CHAVE – A violência e a criminalidade somente podem ser reduzidas no Brasil quando diminuir a desigualdade social. Este é o ponto-chave da questão. Aqui debaixo do Equador, o governo sempre representa a elite, jamais o país como um todo. Por isso, não existe iniciativa concreta visando a reduzir a disparidade de renda, que é a principal causadora da desigualdade social.

Para enfrentar o problema, não basta estabelecer que o salário mínimo tenha aumento real acima da inflação. Atualmente, ele tem reajuste do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) somado ao crescimento do PIB nos dois anos anteriores, com teto de 2,5%. É preciso aumentar esse limite para 5%, pelo menos.

Além disso, é fundamental reduzir a disparidade entre o menor salário (mínimo – R$ 1.621,00) e a maior remuneração (ministro do Supremo – R$ 46.366,19). Não é justo dar o mesmo percentual de reajuste a todas as categorias salariais que recebem mais de um mínimo. É uma perversidade.

ETERNOS PRIVILÉGIOS – O sistema atual é realmente uma desumanidade. Quando o governo concedido um aumento de 10% para os servidores federais, isso significa que os menos qualificados, que recebem dois mínimos mensais (R$ 3.242,00), têm aumento de R$ 324,20, passam a ganhar R$ 3.566,20.

Já o servidor que recebe o teto de R$ 46.366,19, com esse mesmo reajuste de 10% (R$ 4.636,61), passa a ganhar R$ 51.002,80. Ou seja, no Brasil, que é a décima maior economia do mundo, a política trabalhista dos governos do PT, desde 2003, no primeiro governo Lula, é no sentido de agravar a desigualdade social a cada ano no serviço público federal, que serve de paradigma para o país, como um todo.

O fato concreto é que a política salarial do PT, que se proclama Partido dos Trabalhadores, somente beneficia com reajuste acima da inflação quem recebe salário mínimo. Para o servidor que ganha a partir de dois mínimos por mês, o PT trabalha para aumentar cada vez mais a disparidade em relação a quem ganha o máximo. Você sabia?

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P.S.
É pena que nenhum candidato se preocupe com a desigualdade social, neste viés da disparidade salarial. A imprensa, hipnotizada pelo PT, também não se interessa. E assim reina a enganação nessa Terra do Nunca Jamais, onde o papel de Peter Pan, o menino que não queria crescer, é desempenhado ao contrário por Lula da Silva, que não aceita envelhecer e parar de esculhambar este país. E que Deus tenha piedade dos brasileiros que não querem votar no menos ruim, chamado Ronaldo Caiado. (C.N.).