
Vai durar pouco a ‘bravura’ do candidato derrotado
Adriana Fernandes
Folha
Vai durar pouco a “bravura” do candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL), que se declarou “presidente eleito” do Brasil na primeira versão da carta golpista divulgada após a vergonhosa fuga do país e o seu desembarque em solo americano, com apoio de integrantes do governo Donald Trump.
Apesar da choradeira de que é um perseguido político, em uma eleição sem sinal de fraude, Flávio deverá ser desmoralizado rapidamente pelos fatos, quando começar a pipocar o resultado de pelo menos três frentes de investigações em curso, que podem mostrar a sua participação em vários crimes.
LIGAÇÕES – A mais avançada é a que abarca a ligação de Flávio com Willer Tomaz. Advogado e BFF de Flávio, Willer é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro com bets e envolvimento na operação Sem Desconto, contra fraudes no INSS. Flávio também está sendo investigado no caso do financiamento do filme “Dark Horse”.
Ficará mais claro que o projeto “Palácio do Planalto”, que contou com o apoio de setores empresariais e bancários de peso no Brasil, tinha o propósito de autoproteção.
Grandes operações da Polícia Federal como Carbono Oculto e Sem Refino podem atingir, ainda que indiretamente, interesses da família Bolsonaro. As ações estariam sujeitas à interferência política se Flávio fosse presidente, como alertaram investigadores em documento que circulou antes das eleições.
“SIGA O DINHEIRO” – As investigações seriam paralisadas. O grupo próximo a Flávio sabia que a coleta de provas, no “siga o dinheiro” dos fluxos de recursos ilícitos, corrupção, lavagem de dinheiro e redes criminosas tinha avançado, sobretudo pela Receita Federal. Por isso, a fuga.
Flávio repete Daniel Vorcaro, que propagava que era perseguido. Depois, o dono do Master foi preso e o tamanho das fraudes ficou conhecido. Virou tóxico. No caso de Flávio, já se observam setores da direita envergonhada largando a sua mão, com senadores pensando em deixar o PL.
Só não sabemos qual o tamanho das cartas com as quais o senador conta para se proteger nos Estados Unidos e manejar o bolsonarismo raiz no Brasil.
Irão saber?
Trump diz não ter plano de encontrar Flávio Bolsonaro, mas que o filho do Jair pode ficar nos EUA se quiser (desde que não encha o saco).
Fonte: Folha de S. Paulo, Política, 31.out.2026 às 22h48
Dá para imaginar o tamanho da bronca que Donald Trump deve ter dado em Marco Rubio e Jason Miller após a vergonhosa derrota de Flávio para Lula, de virada.
Os dois — com Rubio à frente — haviam afiançado e vendido uma vitória garantida de um picareta como Flávio, arrastando Trump para uma aventura política que deu com os burros n’água.
Conhecido por não tolerar o fracasso, Trump detesta ter seu nome associado a perdedores, como Flávio, e intermediários incompetentes, e a frustração de ter sido enganado por seus próprios conselheiros certamente transformou os bastidores em um verdadeiro cenário de possíveis demissões e cobranças implacáveis.