Governistas veem chance de reeditar parceria
Catia Seabra
Augusto Tenório
Folha
Em um ambiente ainda marcado por tensão entre Poderes, o governo Lula lançou uma ofensiva para convencer o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a levar à votação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do fim da escala 6×1. O resultado dessa articulação pode pavimentar o apoio do PT à reeleição do amapaense na presidência da Casa.
Alcolumbre ainda não verbalizou o desejo a Lula, mesmo em conversa com o presidente nesta quarta-feira (12). Mas, segundo aliados, a reaproximação visa assegurar o apoio do PT à sua manutenção no comando do Senado em 2027. O governo também não trata do tema abertamente, mas entende que a reeleição do amapaense é de seu interesse. Interlocutores de ambos dizem que uma nova reunião pode ocorrer esta semana.
PARCERIA – A cúpula bolsonarista quer eleger Tereza Cristina (PP-MS) para a presidência do Senado. Nesse sentido, o fim da 6×1 é a pauta que pode fazer retomar a parceria de Lula e Alcolumbre, rompida em abril com a rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal).
Mesmo depois de dois encontros em um esforço de reconciliação, Lula e Alcolumbre não chegaram a um acordo sobre a proposta trabalhista no Senado. Segundo relatos, o presidente insiste para que Alcolumbre submeta o texto ao plenário antes das eleições. Mas o parlamentar resiste, argumentando que os pares não desejam votá-lo até lá.
Para pressionar Alcolumbre, aliados de Lula afirmam que ele pagará o preço político pelo travamento de pautas de interesse popular em pleno ano eleitoral. As outras prioridades de Lula são a PEC da Segurança, permitindo maior atuação do governo no combate à criminalidade, e o projeto que cria Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. As três iniciativas já foram aprovadas pela Câmara.
RESPONSABILIDADE – “É ruim o presidente Alcolumbre estar segurando essas pautas, porque fica sobre as suas responsabilidades, nas costas dele, né?”, afirmou o líder do PT no Senado, Camilo Santana (CE), após um almoço com Lula. Ex-ministro da Educação, Camilo afirma que a paralisação da pauta é prejudicial tanto para o país como para Alcolumbre.
A relação com o senador chegou a ser uma aposta do governo, no tom de pacificação no Congresso Nacional. Mas azedou depois de o presidente do Senado bater pé, pressionando pela indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para o STF.
Alcolumbre atuou pela rejeição de Jorge Messias, o indicado do presidente. Ele foi derrotado no plenário do Senado em abril, o que foi encarado no Planalto como uma tentativa de usurpação do poder do presidente da República. Desde então, aliados dos dois trabalharam pela reconciliação.
RESSENTIMENTO – Na semana passada, Lula e Alcolumbre jantaram. Segundo relatos, esse encontro não foi para retomar a parceria. Foi um primeiro passo, um momento para os dois apararem as arestas e voltarem, pelo menos, a conversar. Lula ainda estava muito ressentido.
Nesta quarta-feira, se reuniram para discussão da agenda do Congresso. Essa reunião foi testemunhada pelo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT), e a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE).
“A reunião foi muito positiva. Desde que assumimos, o presidente me deu a tarefa de destravar essas três pautas. Estou muito feliz em destravar a pauta. Nada está vetado, tudo pode ser debatido, e a autonomia do Senado dirá como a Casa vai atuar”, afirmou Teresa Leitão à Folha.
SINTONIA – O ministro José Guimarães, após a reunião, disse que “Davi está absolutamente sintonizado com a reeleição do Lula e com o nosso palanque lá no Amapá”. Ainda segundo relatos, não houve compromisso do senador com a pauta nem de Lula pela reeleição de Alcolumbre no Senado. Lula deixou claro que Alcolumbre pode resolver tudo direto com a liderança do governo, mas que agora o contato está retomado.
A partir da retomada do diálogo, o governo passou a ponderar que Alcolumbre não tem mais justificativas para segurar o fim da escala 6×1. Agora, aliados de Lula vislumbram uma pequena chance de votação das prioridades antes do pleito. O Palácio do Planalto planeja focar investimentos na aprovação do fim da escala 6×1, sustentando o discurso de que o recesso parlamentar acabou oficialmente e que há tempo hábil para a realização de reuniões de comissão.
VOTAÇÃO – A expectativa dos governistas é de que a proposta seja enviada ao menos para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) nos próximos dias. Haverá pressão para que ela seja votada na primeira semana de setembro. Embora Alcolumbre argumente que a resistência parte dos próprios senadores, a avaliação no governo é de que o passo mais difícil já foi dado com a realização da reunião de Lula com Alcolumbre. No encontro, ele indicou que nenhuma matéria está vetada para debate.
Para aumentar a pressão, centrais sindicais prometem intensificar a mobilização popular pela proposta. Lula reiterou a aliados sua intenção de transformar a jornada de trabalho em tema central de campanha. O PT avalia que a pauta constrange a direita, uma vez que o PL de Flávio Bolsonaro, seu adversário na eleição presidencial, foi contra o fim da escala 6×1.
A estratégia governista para destravar o texto passa por convencer Alcolumbre a “se livrar” logo da votação e da repercussão negativa de trancar essa pauta. A narrativa utilizada é de que manter a proposta represada desgasta a imagem da Casa como um todo.
IMPOPULARIDADE – Para convencimento, a base de Lula afirmará a Alcolumbre que uma alta taxa de renovação no Senado provocada pela impopularidade da paralisação de pautas sociais não interessa ao senador, pois poderia ameaçar sua própria recondução à presidência da Casa.
Por fim, os episódios envolvendo o STF e o nome de Jorge Messias ficaram de fora da pauta do encontro, sendo relegados para um segundo momento. Aliados de ambos os lados avaliam, contudo, que a resistência de Alcolumbre ao AGU já é hoje consideravelmente menor do que no início da crise.
A CUT encontra-se neste momento na Via N2, em frente a entrada da biblioteca do SF fazendo manifestação com faixas e carro de som pela aprovação da escala 6 por 1.
Nas eleições, Trump deseja que o Brasil volte a ser quintal dos EUA
O Brasil é grande demais para virar marisco na briga entre os EUA, uma superpotência marítima, e a China, a grande potência continental emergente, que ameaça a hegemonia norte-americana e amplia sua influência na América Latina.
Entretanto, o governo Lula pode não passar ileso pela guerra comercial, tecnológica e geopolítica entre as duas maiores economias do planeta.
A China (…) dispõe de armas nucleares, controla cadeias industriais estratégicas e possui um gigantesco mercado interno, além de riquezas minerais estratégicas, como as terras raras.
Além disso, tornou-se a principal parceira comercial de grande parte da América do Sul, inclusive do Brasil.
(…)
É nesse contexto que ocorrem as eleições no Brasil. Nossa aproximação com a China, a participação no Brics, a defesa do multilateralismo e a autonomia da política externa contrariam Washington.
A nova Doutrina Monroe já não se dirige às antigas potências coloniais europeias, mas à presença econômica chinesa. Trump deseja que os países latino-americanos aceitem a liderança dos EUA ou serão tratados como plataformas de expansão de Pequim.
A crescente interferência norte-americana nas eleições brasileiras nasce dessa lógica. Não se trata apenas de afinidade ideológica de Trump e do secretário de Estado Marco Rubio com a família Bolsonaro e a direita brasileira.
Existe uma disputa concreta sobre a futura orientação do Brasil. Um governo alinhado a Washington poderia rever acordos tecnológicos, limitar investimentos chineses, enfraquecer o Brics e apoiar a estratégia dos Estados Unidos na região.
Já um governo comprometido com a autonomia diplomática, mesmo mantendo boas relações com os norte-americanos, preservaria espaço para negociar simultaneamente com Pequim e União Europeia.
Para isso, Trump impõe tarifas, sanciona autoridades, critica o Supremo Tribunal Federal (STF) e já não esconde o apoio da Casa Branca à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).
Às favas as normas diplomáticas. O presidente Lula é considerado um estorvo pelos estrategistas da Casa Branca. Quando Washington relaciona medidas comerciais a decisões da Justiça brasileira ou ao andamento da campanha presidencial, transforma as tarifas em armas eleitorais.
Como a balança comercial com os EUA representa apenas 2% do nosso Produto Interno Bruto (PIB), essa interferência pode ir além das tarifas, por meio de manipulação do ambiente digital, pressões sobre empresas de tecnologia e campanhas de desinformação.
A maior ameaça é a nova tentativa de desacreditar o sistema eleitoral, que constrói a perigosa narrativa segundo a qual o resultado das urnas eletrônicas somente será legítimo se reconhecido por Trump.
Fonte: Correio Braziliense, Nas Entrelinhas, 13/08/2026 – 07:22 Por Luiz Carlos Azedo
“É nesse contexto que ocorrem as eleições no Brasil.
Nossa aproximação com a China, a participação no Brics, a defesa do multilateralismo e a autonomia da política externa contrariam Washington.”
“A maior ameaça é a nova tentativa de desacreditar o sistema eleitoral, que constrói a perigosa narrativa segundo a qual o resultado das urnas eletrônicas somente será legítimo se reconhecido por Trump.”
Acorda, Brasil! Presta Atenção!
Amigão
O Pais do Xing Pinga coloca no Mundo um monte de porcarias, produtos de péssimas qualidade, lixos tóxicos, muita muamba, tudo falsificado, contrabando e Afins….
Quero distância desse Páis…..
aquele abraço
As porcarias não têm jeito acabam se unindo
Governistas veem chance de reeditar parceria
Facção 9F mais Centrão, mais Mensalão, tudo a ver..
A Academia da Fumaça e Pó vai ter um troço..
HA!HA!HA!HA!HA!HA
A China é o principal parceiro comercial e um grande investidor em infraestrutura e energia no país.
O Brasil fornece grãos, minérios e carne em larga escala para atender ao mercado chinês.
Empresas da China aplicam recursos em setores estratégicos como transmissão de energia, mobilidade e automotivo.
O Estado brasileiro define suas leis, conduz sua política interna e mantém relações diplomáticas e comerciais com diversas outras nações, incluindo os EUA e países europeus.
Analistas apontam vulnerabilidades caso ocorra uma retração abrupta na economia chinesa, visto que a pauta exportadora brasileira se concentra em produtos primários.
A política externa do Brasil busca manter margem de manobra entre as grandes potências globais sem alinhamento automático ou exclusividade de parceiros.
Para todos os fins.
A presença da China no Brasil é profunda e lidera a balança comercial desde 2009, mas especialistas divergem sobre se isso configura um “domínio” ou uma forte interdependência estratégica.
O Brasil fornece commodities essenciais, enquanto a China investe em infraestrutura, energia e manufatura avançada.
A China é o principal destino das exportações brasileiras, destacando-se a venda de soja, minério de ferro e petróleo bruto.
Aportes chineses concentram-se em setores vitais como transmissão de energia elétrica, portos e mineração.
Há debates sobre o risco de o Brasil consolidar um papel subalterno de exportador de recursos naturais, enquanto absorve produtos manufaturados de maior valor agregado.
Analistas apontam que a aproximação atende a interesses econômicos mútuos, mas exige cautela para evitar dependência excessiva em relação a uma única potência.
O governo brasileiro busca negociar transferências tecnológicas e parcerias em áreas como semicondutores para mitigar desequilíbrios na balança comercial.
“Há debates sobre o risco de o Brasil consolidar um papel subalterno de exportador de recursos naturais, enquanto absorve produtos manufaturados de maior valor agregado.
Analistas apontam que a aproximação atende a interesses econômicos mútuos, mas exige cautela para evitar dependência excessiva em relação a uma única potência.”