
Radicalização assusta indeciscos, ao invés de atrair
Fabiano Lana
Estadão
Em um país simetricamente cindido em divisões formadas por milhões de eleitores, é muito fácil pregar para os adeptos – principalmente os fanáticos. Irão rapidamente para as redes, para as avenidas. Carregarão bandeiras, irão atormentar os integrantes de seus grupos de conversa, em busca de virar votos.
Mas a diminuta parcela de indecisos, em torno de 2%, que serão cruciais para determinar a vitória, segue como plano C ou D dos candidatos ou equipes de campanha. Não conseguem conversar com quem irá definir as eleições.
TUDO MUITO ÓBVIO – Os movimentos do petismo e do bolsonarismo foram óbvios nesse sentido de falar para os seus. Na primeira semana, enquanto Flávio Bolsonaro, embevecido pelo resultado preliminar, angariava apoios burocráticos, o PT deitou-se no divã da frustração.
Na segunda semana, houve a relargada de forte mobilização petista, com anúncios populistas, manifestações por todo o Brasil, pressão para pessoas públicas se posicionarem e a consolidação do tal exército do deputado André Janones, um político a quem pesam acusações comprovadas de machismo, de misoginia, mas a quem a maioria dos apoiadores de Lula perdoou em nome da vitória.
Flávio, por sua vez, parecia algo apático (fora anunciar outras medidas também de cunho “popular”, nos moldes de seu adversário).
NA RUA E NA TV – Na terceira semana, o bolsonarismo acorda com uma grande manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, e a participação bélica de Flávio Bolsonaro no debate Band/Estadão – com mentoria do coach Pablo Marçal.
Fora mais uma demagogia, como a antecipação do pagamento de parcela reajustada referente ao programa Bolsa Família, na véspera do pleito. Ainda não se sabe qual será a cartada final do petismo, ainda abalado com a pancaria do último domingo.
Trazer pessoas histriônicas e retoricamente agressivas para a campanha, como Janones e Marçal, chantagear personalidades a declarar votos, insistir em medidas eleitoreiras e imediatistas, investir em hostilidade em encontro presencial de candidatos, tudo isso espanta o tal indeciso. Até porque esse tipo de eleitor é de fato fugidio. Não está nas ruas com bandeira, pode não se manifestar nem mesmo entre a família, não acredita que declaração de voto seja prova de virtude. E, pasmem, talvez goste de fazer contas para saber se promessas cabem no orçamento.
DEBATE CHATO – O debate é uma porcaria – mas os eleitores querem algo diferente? De fato, é bastante difícil fazer campanha para essa minoria neste momento.
Teria de ser necessário, por exemplo, discutir projetos e propostas de maneira racional, o que parece inviável em conjuntura de histeria generalizada.
Exigiria sobriedade quando a onda é de contundência e assertividade. Seria algo considerado frio e calculista quando os grupos mobilizados pedem incêndios e fervuras. Mas poderia ser o caminho mais eficiente.
BRICS – A NOVA ORDEM MUNDIAL – BRASIL – RÚSSIA – INDIA – CHINA – ÁFRICA
A Sarcástica Gramática de Ivanildo Debochara
45 mil seguidores
Tratado até hoje como semianalfabeto (ou mesmo analfabeto) por adversários e detratores, o presidente Lula usou corretamente, durante o debate da Band no domingo, o verbo “auscultar”, que o falso cristão Sóstenes Cavalcante, em seu tuíte, citou erradamente como “auscutar”, por ignorar até então a existência da palavra.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Geralmente é assim: o brasileiro devoto da cultura corretiva (frequentemente usada como instrumento de preconceito linguístico) tem sempre a sanha de corrigir, mas nunca a de (procurar) conhecer. Esse deputadozinho é só um exemplo dos zilhões de brasileiros que conhecem meia dúzia de regras e não dominam a língua culta, mas a-d-o-r-a-m arrotar arrogância diante de qualquer uso que julgam errado.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Aproveitemos a ocasião para ensinar uma lição a quem se acha mais culto que o Lula:
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
“Em nenhum momento eu culpei o presidente Bolsonaro, porque ele não era obrigado a saber as coisas. A única coisa que ele tinha que fazer era AUSCULTAR a ciência, AUSCULTAR os médicos.”
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Esse verbo chegou ao português por meio do francês “ausculter”, derivado do latim “auscultāre” = ‘escutar, ouvir com atenção’. Foi no francês, com o médico René Laennec, no início do século XIX, que ganhou o sentido clínico de “escutar (determinada parte do organismo) para identificar e diagnosticar os ruídos, aplicando o ouvido diretamente sobre a parte, ou utilizando um aparelho” (Houaiss); em português, há também as acepções de “procurar saber”, “inquirir”, “sondar” e “investigar”. Vejamos agora os contextos em que Lula usou – com muita propriedade – a palavra:
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
1) “Auscultar a ciência”: ouvir e levar em consideração o conhecimento e as orientações científicas.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
2) “Auscultar os médicos”: ouvir os profissionais da medicina e considerar suas avaliações e recomendações.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Ou seja, Lula estava corretíssimo tanto em forma quanto em conteúdo. Apesar do baixo nível do candidato de Sóstenes, o debate acabou lhe proporcionando uma lição gramatical oriunda justamente de quem ele considera inculto.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Certas ironias da vida são uma delícia.
A eleição já está definida. Só falta enterrar o bebum analfabeto. Para os que pretendem sair do Brasil com a eleição do Flávio não esqueçam de providenciar o atestado sanitário. Jumento é um animal e o porte do atestado é obrigatório.
A análise do jornalista nada vê de positivo na campanha do Flávio Bolsonaro. Até o amplo apoio de políticos e personalidades representativas é criticado. Ao dos políticos, ela chama de “apoio burocrático”; ao das personalidades, “apoio histriônico”. Desonesto, nivela o ‘clickbait’ do Marçal às ‘fake-news’ (crime eleitoral) do Jan Nones, o Jim Jones do Exército do Lula.
Como eleitor do Flávio, não gosto dos apoios desses caciques oportunistas. Para a vitória final, os votos do Caiado, Cury, Renan, PP, União, Progressistas viriam naturalmente; mas, o Flávio presidente vai precisar de uma boa base na Câmara dos Deputados e o apoio, neste momento, é um primeiro passo para alianças durante o governo, principalmente para fazer frente aos narcotraficantes da facção PT/STF. Flávio tem que se cuidar com as contrapartidas oferecidas.
O infernal “fervoroso” é que não!
https://www.facebook.com/share/v/1CPzfp19Xu/