
Candidato tenta iludir eleitores com promessas vazias
Vera Magalhães
O Globo
A nova rodada da pesquisa Meio/Ideia, a última antes do segundo turno, traz uma chave para entender o voto em Flávio Bolsonaro e também um alerta para o dia seguinte caso o candidato do PL confirme seu favoritismo e vença a eleição: ela reside na promessa de prosperidade, essa palavra carregada de possibilidades, mas de difícil entrega.
A detalhe aparece numa pergunta nova: o que significa melhorar de vida para você? Para 43,3% dos entrevistados, é ter o próprio negócio, trabalhar por conta própria, enquanto apenas 32% sonham com carteira assinada e direitos trabalhistas. A direita percebeu essa aspiração antes da esquerda, tanto que vem trabalhando promessas para esse público pelo menos desde 2024.
PABLO MARÇAL – A presença mais marcante do coach Pablo Marçal na campanha de Flávio no segundo turno, inclusive como preparador para o debate da Band, embute a ideia de que é preciso acenar a esse contingente. O truque do candidato de falar direto para a câmera e perguntar ao espectador se a vida dele melhorou ou piorou no governo Lula vai direto ao ponto, é a pergunta anterior à incluída na pesquisa.
Nesse grupo de aspirantes a empreendedor, Flávio aparece com 62,3%, segundo o Ideia. Dos que sonham com a CLT, 65,4% vão de Lula. Numa campanha praticamente empatada, esse recorte mostra uma bifurcação crucial para desenhar o que serão os próximos quatro anos do Brasil.
Principalmente porque Flávio promete que a vida dessas pessoas mudará radicalmente, rápido e sem que ninguém perca direitos, uma conta que, como todo mundo sabe, não fecha, mas ninguém entre os encastelados nos escritórios da Faria Lima parece muito preocupado em explicar aos clientes como fechará.
EMBUSTE – A mistura de linguajar de coach com o de pregador religioso que Flávio introjetou com base em muito media training, pôs em prática na entrevista da Globo e, principalmente, no debate é a receita do embuste: confie em mim que tudo dará certo.
Ao falar de um plano mirabolante de moratória nos boletos, ele misturou alhos com bugalhos, não foi questionado por Lula e não gerou nenhum pânico nos analistas de mercado sempre tão horrorizados com as decisões do governo do PT.
Esse papinho à Pablo Marçal costuma convencer aqueles que legitimamente sonham com o passaporte para a vida sem patrão. Assim como convenceu gente sem nenhum treinamento a escalar o Pico dos Marins, há alguns anos, e levou outro grupo de incautos a participar de um triatlo no Paraguai de onde muitos precisaram ser resgatados porque não conseguiam nadar em águas revoltas, Marçal está treinando um presidenciável para os debates e é candidatíssimo a virar ministro da Prosperidade.
SOPA NO MEL – Vender um amanhã maravilhoso, que só depende da sua vontade, é fácil. Com a ajuda das redes sociais, então, sopa no mel. O difícil é entregar a tal prosperidade num país complexo, desigual e profundamente dividido como o Brasil.
O segundo turno devolveu às ruas uma esquerda que parecia ter abdicado a elas desde o impeachment de Dilma Rousseff. Ressurgiu, sobretudo, o jovem de esquerda, cuja presença digital era menos perceptível que a do jovem de direita, talvez por ser menos estridente.
As manifestações do segundo turno foram engrossadas ainda por aquele eleitor de centro que se sentiu meio peixe fora d’água no governo Lula 3, mas que, ainda assim, entende que a volta do bolsonarismo ao poder é um risco para os direitos civis, a democracia, o meio ambiente e outros pilares civilizacionais.
FREIO – Ainda que não consigam a virada em nome da qual saíram de casa, esses grupos não deixarão a arena pública, ainda mais porque, num Congresso com predomínio inédito das forças de direita, caberá em grande medida a eles puxar o tal freio que as instituições normalmente são responsáveis por operar.
Flávio, se eleito, terá em seu cangote os aspirantes a empreendedor cobrando a entrega rápida da prosperidade prometida, os beneficiários de programas sociais que prometeu não desassistir, o mercado que conta com a tesoura escondida no segundo turno e essa oposição revigorada dos exércitos digitais e das ruas. Não será o passeio que o salto alto dele e de seu entorno e a truculência que seus apoiadores já começam a demonstrar em atos violentos país afora parecem fazer crer.
Ainda bem que todas as promessas do molusco se realizaram desde 2003. Hoje qualquer brasileiro quando acorda tem aquela mesa farta do café da manhã com uma ampla variedade de comida, pois o café é uma alimentação importante. Depois vem o almoço com uma mesa com variedades de carnes, saladas, sucos e uma boa sobremesa. Para evitar ficar gordo a jante é um lanche leve com sucos naturais.
Por enquanto, nem banana frita com farofa, segundo o produtor e seu assistente Miguel, em:
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Ouçam o Pinóquio, dm:
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Botem fé, ou teremos que morrer depois da esperança?