Flávio cogitou auditoria das urnas, mas aliados frearam ofensiva

Senador foi aconselhado a não repetir erros do pai

Rafael Moraes Moura
O Globo

Após se recusar a reconhecer o resultado das urnas, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi aconselhado por aliados a calibrar o discurso, mudar de estratégia e não repetir os erros de seu pai. A guinada no discurso nesta segunda-feira (26), em que adotou um tom menos beligerante, anunciando que vai pedir a cassação da chapa Lula-Alckmin sem falar em anular as eleições, foi interpretada nos bastidores como uma vitória da ala pragmática da campanha do PL, que pretende agora concentrar na arena política a artilharia contra o presidente Lula.

Ainda contrariado com a derrota para Lula, Flávio almoçou na segunda-feira (26) em Brasília para definir os rumos da oposição com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o coordenador da campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL-RN), e o senador eleito Guilherme Derrite (PP), além dos advogados Maria Claudia Bucchianeri e Tracy Reinaldet.

AUDITORIA – Uma das propostas cogitadas por Flávio foi a de pedir uma auditoria nas urnas, como tentaram Aécio Neves (PSDB) e Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2014 e 2022, respectivamente. Mas ele foi aconselhado a não seguir adiante com nenhuma ofensiva contra o sistema eletrônico de votação, utilizado pela população brasileira desde 1996 e sem nenhuma acusação de fraude comprovada até hoje.

Um dos argumentos usados por participantes do almoço para implodir a ideia foi a de que o PL pagou um preço caro ao contestar o resultado das eleições presidenciais de 2022, com a imposição de uma multa de R$ 22,9 milhões por litigância de má-fé (acionar a Justiça de forma irresponsável), por decisão do então presidente do TSE, Alexandre de Moraes. Ou seja, qualquer tentativa de reeditar a estratégia de 2022 não só seria condenada ao fracasso, como poderia custar caro aos cofres do partido, mais uma vez.

CASSAÇÃO DA CHAPA – “Flávio foi aconselhado a reconhecer o resultado e a não cometer os mesmos erros lá atrás do pai. E por isso mesmo questionar o abuso de poder político e econômico e buscar a cassação da chapa de Lula e Alckmin, ao invés de buscar a anulação do processo eleitoral”, relata um aliado.

Em 2023, Jair Bolsonaro foi condenado pelo TSE por abuso do poder político e uso indevido dos meios de comunicação por utilizar uma reunião com embaixadores no Palácio da Alvorada para atacar o sistema eletrônico de votação.

CAMINHO ALTERNATIVO –  Para não repetir os passos de Jair, o PL optou então pelo caminho de entrar com uma ação de investigação judicial eleitoral (Aije) para cassar Lula e apurar eventuais abusos de poder político e econômico do presidente reeleito.

Assim, ao invés de colocar em xeque a lisura do processo eleitoral, o partido de Flávio decidiu contestar o uso da máquina pública para favorecer Lula, um caminho de menos confronto com o Judiciário, mas que ainda serve para marcar oposição ao PT e manter uma espécie de “faca no pescoço” do presidente ao longo de seu quarto mandato.

“Eu vou pedir, sim, a cassação da chapa do Lula por todos os abusos que ele cometeu. A lei tem que valer para todo mundo. A competição tem que ser justa e igual, o que não aconteceu. O Lula injetou quase meio trilhão de reais de dinheiro público para fazer a maior compra de votos da história das eleições no Brasil”, disse Flávio em vídeo postado nas redes sociais.

PROCESSO ARQUIVADO – Foi esse tipo de ação que assombrou Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB) no segundo mandato da petista. O processo acabou arquivado pelo TSE pelo placar apertado de 4 a 3, quando Dilma já tinha sido alvo de impeachment.

No entorno de Flávio, a leitura é a de que o atual TSE tem composição mais pró-Lula, o que afasta os riscos de condenação do presidente da República, pelo menos na atual conjuntura política e jurídica.

10 thoughts on “Flávio cogitou auditoria das urnas, mas aliados frearam ofensiva”

  1. Há algum outro exemplo em todo o mundo democrático em que o candidato derrotado numa eleição presidencial tenha seus passaportes apreendidos e seja proibido de sair do país no dia seguinte à votação, por ordem de um juiz alinhado ao candidato vencedor?

    Estou procurando precedentes históricos e, até agora, não encontrei nenhum. A medida é ainda mais extrema considerando que Flávio sequer foi denunciado criminalmente.

    Além disso, se a apreensão de passaportes é justificada sempre que alguém é suspeito de envolvimento em crimes graves, os passaportes de Alexandre de Moraes e Viviane Barci também não deveriam ser apreendidos, diante das investigações sobre suas relações com os Vorcaro, dos R$ 200 milhões em valores garantidos e da exclusão, por Moraes, de suas mensagens enviadas a Vorcaro depois que este lhe perguntou quando e como deveria fugir?

    Gleen Greenwald
    26/10/2026

    • DELTAN, VOCÊ É O PRÓXIMO ALVO!

      Viva a “democracia”, eles disseram.

      Não deu nem 24 horas depois da eleição, o PT já ameaça os 3 milhões de votos que o Paraná confiou a mim.

      Enquanto isso, parlamentares da esquerda pedem a apreensão do passaporte de Flávio Bolsonaro e prometem ir atrás de outras lideranças da direita.

      Esse é o “governo do amor”: ódio, vingança e perseguição contra quem ousa enfrentar o sistema.

      Aos mais de 59 milhões de brasileiros que não escolheram o PT, vocês não estão sozinhos. Não vamos abaixar a cabeça nem abandonar o Brasil.

      Se você também vai continuar lutando, deixe a sua mensagem nos comentários!

      Deltan Dallagnol
      26/10/2026

  2. Os preteridos “Tarcísio” e “Micheque”, o “Boy de Mogi” e o “Malafaia” bem que tentaram se conter, mas foi impossível disfarçar o sorriso de satisfação diante da derrota de virada do “Rachadinha”, para quem correram “para não chegar” durante a campanha.

    • O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, reconhece a vitória de Lula. Essa declaração entra em direta contradição com a postura isolada de Flávio Rachadinha, que insiste em questionar a legitimidade do resultado das urnas.

  3. Flávio Rachadinha ficará sem cargo eletivo pela primeira vez em mais de 20 anos

    Filho do ex-mito vinha de eleições seguidas na esteira da influência de seu pai

    Derrotado por Lula, neste domingo, na disputa pela Presidência da República para o mandato de 2027 a 2030, o ainda senador Flávio não terá um cargo público para ocupar após mais de 20 anos.

    O filho mais velho de Jair Bolsonaro vem ocupando cargos eletivos desde 2003, na esteira da influência do pai, que decidiu fazer da política o ganha-pão da família. Também há o registro de que Flávio tenha ocupado cargos comissionados na Câmara dos Deputados antes das eleições que obteve.

    Flávio exerceu quatro mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, de 2003 a janeiro de 2019. Nas eleições de 2018, quando o pai foi eleito presidente, o advogado foi eleito senador da República.

    Seu mandato no Senado ia de 2019 a 31 de janeiro de 2027. Como decidiu concorrer à Presidência — e não se elegeu —, Flávio dará lugar a Carlos Jordy como um dos senadores a representar o Rio de Janeiro. Os mandatos de Jordy e Carlos Portinho começam em 1º de fevereiro de 2027.

    Fora da política, Flávio é formado em direito. O ex-senador também diz que é empresário. Rachadinha fica sem cargo público pela primeira vez em mais de 20 anos

    Fonte: O Globo, Rio, 25/10/2026 21h14 Por Nelson Lima Neto / Ancelmo Gois

  4. Flávio ia se mudar para os EUA

    Rachadinha disse há pouco que foi intimado pela PF a entregar seus passaportes e que está oficialmente proibido de deixar o Brasil.

    Entre seus aliados mais próximos, a possibilidade dele se mudar para os EUA era um dos vaticínios mais ouvidos desde a noite de domingo.

    Motivo: Flávio está prestes a perder a imunidade parlamentar e é alvo de duas investigações da PF que correm no STF.

    Esses bolsonaristas têm repetido o que disse na semana passada Dudu Bananinha, que já escapuliu para os EUA desde o ano passado para não ser preso.

    Pois Flávio, segundo a versão do bolsonarismo, seria perseguido pelo governo Lula e por Moraes, relator de um dos inquéritos no Supremo.

    Eduardo defendeu que o irmão deixasse o Brasil caso perdesse a eleição presidencial.

    — Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor que deixe o país com certeza.

    O Globo, Política, Opinião, 26/10/2026 17h14 Por Lauro Jardim

  5. PF apura se Flávio Bolsonaro teria deixado o país rumo aos EUA

    A partir de uma notícia publicada pelo site argentino Infobae, de que Flávio Bolsonaro teria fugido do Brasil nesta madrugada a Polícia Federal apurou que o senador não passou por nenhum ponto regular de migração brasileira.

    Segundo a informação publicada, Flávio teria decolado rumo aos EUA a partir de Puerto Iguazú, na Argentina, às 2h da manhã, a bordo de um jato Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, pertencente à empresa Baires Fly.

    Neste momento, a PF está checando com as autoridades argentinas se existe alguma confirmação sobre um suposto ingresso de Flávio Bolsonaro naquele país.

    A assessoria do senador foi contatada pela coluna sobre o caso, mas ainda não se pronunciou.

    O Globo, Política, Opinião, 27/10/2026 08h45 Por Lauro Jardim

  6. “O partido de Flávio decidiu contestar o uso da máquina pública para favorecer Lula.” O que tem que parar é essa molecagem que os donos do transporte público faz com a população em dia de eleição. O que se deve corrigir são as atitudes de alguns candidatos, que se acham acima do país e de seu povo, prometendo doar a nação brasileira a outra nação. Isto sim, deveria ser punido com prisão perpétua ou fuzilamento em praça pública, por traição ao país,

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