Sem grandes craques e dispensando Neymar, está difícil Ancelotti trazer a taça

Charge do Duke | A convocação de Ancelotti para a Seleção Brasileira | Rádio Itatiaia

Charge do Duke (Rádio Itatiaia)

Vicente Limongi Netto

Se dependesse do estrategista Golbery do Coutto e Silva haveria Copa do Mundo de futebol todo ano e Carnaval várias vezes por ano. Dizia que Copa do Mundo e Carnaval são as válvulas de escape do povo. Com Copa e Carnaval, os graves problemas da Pátria são esquecidos.

Bem, a Copa será em julho, com eleições em outubro. Tempo de sobra para os candidatos se fantasiarem de vibrantes torcedores. Camisas da seleção serão vendidas aos montes, para alegria dos comerciantes e camelôs, que esperam o Brasil finalmente conquistando o sonhado hexa, façanha nada fácil.

TAPAS E SAFANÕES – Os candidatos a presidente da República vão disputar no tapa e safanões o direito de ser aquele que nunca negou apoio moral e financeiro aos craques da almejada conquista.

Mas o clima de euforia que deverá tomar conta do país, não alcança os jogadores da seleção. A safra é fraca. Adversários não respeitam mais a seleção brasileira como antigamente.

Naquela época, a torcida sabia de cor a escalação do time  principal. Hoje a seleção é repleta de atletas razoáveis, bons apenas em clubes. A amarelinha pesa sobre eles e não assusta os adversários, que antigamente tremiam.

MONSTROS SAGRADOS – Muita quantidade, pouca qualidade. Nao temos mais monstros sagrados como Pelé, Tostão, Zico, Gerson, Rivelino, Garrincha, Didi, NIlton Santos, Zito, Romário, Ronaldo, Ronaldinho ou Zagalo. Craques que encantavam estádios do mundo inteiro.

Eram jogadores com personalidade. Sem tatuagens pelo corpo, brincos, cabelos pintados e carros milionários na garagem. Antigamente os craques notáveis primeiro jogavam para ganhar. Depois, sim, cobravam e exigiam merecidos prêmios pelas conquistas. 

O técnico atual, o italiano Carlo Ancelotti, chegou cheio de marra. Dono do Brasil. Ainda não ganhou nada, mas já exige renovação do contrato. Seria cretino, se não fosse gaiato e patético. Caso não traga o hexa na bagagem, é mais prudente que Ancelotti não volte ao Brasil. Do aeroporto mesmo, deve retornar à Itália.

Na igrejinha dos sonhos de Rachel de Queiroz, a imagem de São Francisco de Canindé

rachel de queiroz – @frasespoesiaseafins on TumblrPaulo Peres
Poemas & Canções

A romancista, contista, tradutora, jornalista e poeta cearense Raquel de Queiroz (1910-2003) no poema “São Francisco do Canindé” lembra uma época vivida, com certa ironia, tendo em vista que era muito jovem, metida num ambiente religioso. A poeta mantém um certo distanciamento, narrando impessoalmente, perpassando certa irreverência com muita sutileza. Sabe-se que acabou assumindo seu ateísmo, ou o agnosticismo. Dizem que uma vez foi interrogada sobre religião e teria confessado mais ou menos nestes termos: “Deus não me deu toda esta fé”…

SÃO FRANCISCO DE CANINDÉ
Rachel de Queiroz

Ele estava lá no céu,
junto de Nosso Senhor…
Mas um dia lembrou-se de vir cá
pra dentro daquela igreja,
pra cima daquele altar…

Ficou tão vistoso e rico
todo cercado de luz,
todo cercado de flor!
Amostrando as mãos feridas,
as rosas presas num laço,
e o pé chagado de roxo
que é mode a gente beijar…

E milagre?
Hoje só sofre quem quer…
—Tem bouba no pé?
E esipra?
Um catarrão incansado
lhe cerra a arca do peito?
— Por que é que não promete
a são Francisco das Chagas,
tão bom e tão milagroso,
uma perna de cera?
ou o dinheiro do legume
que você apurou depois das águas?

Veja o quarto dos milagres,
dava para um rio de cera.
E na galeria de uma banda,
aquele cofre:
só de prata de paroara
chegou pra o santo enricar!…

“Meu irmão me dê uma esmola
pela luz que Deus lhe deu!
Que já tive pra morrer
são Francisco me valeu
porque eu prometi a ele
tudo o que tinha de meu…
E dei o que prometi,
ao depois vim esmolar.”

“Ah, meu irmão me socorra!
E queira Deus lhe livrar
de um dia lhe acontecer
fazer promessa e pagar…”

Nunca mais
que são Francisco quer voltar pró céu!…
Acha tão bom lá na igreja
no altar enfeitado!
Ou pelo tempo na festa
dar um passeio no andor!…
Tão bom no Canindé!…

PT celebra derrota de Viktor Orbán e amplia ataque ao bolsonarismo

Políticos falam em fim de ciclo da extrema-direita

Júlia Cople
O Globo

Políticos do PT celebraram a derrota de Viktor Orbán, líder da extrema direita global, nas eleições da Hungria no último domingo. O então primeiro-ministro admitiu ter sido superado pela oposição no pleito e abriu caminho para uma transição de poder no país da Europa Central, que por 16 anos enfraqueceu instituições democráticas e tornou Budapeste em uma frente de resistência aos valores liberais no coração da União Europeia com seu modelo de “democracia iliberal”. O vencedor da votação foi o líder da oposição, Péter Magyar, do Tisza (Respeito e Liberdade).

Em novembro do ano passado, Orbán se reuniu com o então deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), em Washington, nos Estados Unidos, e criticou as supostas “caças às bruxas políticas” contra Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. (O ex-presidente, aliás, passou dois dias na Embaixada da Hungria após ser alvo de uma operação da Polícia Federal, em 2024.) No encontro nos EUA, o húngaro disse estar “firmemente ao lado dos Bolsonaros”. Eduardo, por sua vez, destacou que Orbán compartilhava da mesma “visão de mundo” de Donald Trump.

ALIADO DE BOLSONARO – Escolhido do Lula recentemente para comandar a articulação política do governo, José Guimarães (PT-CE) classificou Orbán como “aliado de primeira hora de Bolsonaro”. Ele ressaltou que o resultado do pleito na Hungria “representa uma vitória da democracia e um recado claro: o obscurantismo e o extremismo de direita, que atingiram seu ápice nas bolhas de desinformação das redes sociais, começam a entrar em declínio no mundo”.

Para Guimarães, que antes de assumir a Secretaria de Relações Institucionais era líder do governo Lula na Câmara, acrescentou que “a verdade e a democracia prevalecem sobre a mentira e o atraso organizado” e sugeriu que a derrota da extrema direita seria um prenúncio da eleição no Brasil.

“O Brasil também saberá reafirmar, nas urnas, seu compromisso com a democracia e seus valores. Mostrará que o governo do presidente Lula retomou o crescimento econômico, alcançou recordes de emprego e renda, ampliou investimentos em programas sociais e infraestrutura e resgatou a soberania nacional, reconquistando o respeito do país nos fóruns internacionais”, escreveu.

PÁGINA HISTÓRICA – Já o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou nas redes sociais que a Hungria “escreveu uma página histórica”. “Com participação recorde, o povo derrotou Viktor Orbán e impôs uma derrota devastadora à extrema-direita, encerrando um ciclo de 16 anos de autoritarismo, obscurantismo e ataque à democracia”, destacou o petista, para quem “o mundo se torna mais feliz quando a extrema-direita perde”.

Lindbergh avaliou que a vitória na Hungria mostrou que “nenhum projeto de ódio é invencível, nenhum autoritarismo é eterno e nenhum governo fundado no medo consegue calar para sempre a vontade popular”. Assim como Guimarães, ele também citou o clã Bolsonaro e a expectativa por um resultado parecido em outubro.

“Que a derrota histórica de Orbán sirva de recado para o Brasil: em outubro, vamos derrotar a extrema-direita aqui também. Com voto, com povo e com coragem, vamos vencer o ódio, defender a democracia e enterrar o bolsonarismo”, disse.

DERROTA DO FASCISMO – O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) compartilhou um vídeo em que opositores de Orbán celebram o resultado das eleições nas ruas de Budapeste. “A derrota do fascismo é contagiante! Vamos repetir no Brasil em outubro derrotando a extrema direita bolsonarista e seus aliados do Centrão”, acrescentou.

Já o ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República Marcio Macedo também exaltou a derrota “do aliado de Bolsonaro”. “Representa uma vitória da democracia e indica um enfraquecimento da extrema-direita no mundo. Encerra assim, um ciclo de 16 anos de autoritarismo, perseguições e obscurantismo”, destacou

Eduardo Bolsonaro falta a interrogatório no STF e abre mão de se defender pela segunda vez

Processo seguirá a tramitação normal

Pepita Ortega
O Globo

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro faltou, na tarde desta terça, ao interrogatório da ação em que é réu por coação no curso do processo. A ausência não implica em qualquer prejuízo para o ex-parlamentar e o processo vai seguir a tramitação normal. Por outro lado, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro abre mão, pela segunda vez, de se defender no âmbito do processo.

VIDEOCONFERÊNCIA – O procedimento ao qual Eduardo Bolsonaro faltou aconteceu por videoconferência. Trata-se de uma audiência de instrução que, em razão da ausência, durou apenas dois minutos. Após o interrogatório ser considerado prejudicado, o juiz auxiliar do gabinete do relator, Alexandre de Moraes, determinou que a defesa do ex-deputado e a Procuradoria-Geral da República apresentem, em até cinco dias, possíveis requerimentos de outras diligências a serem feitas no bojo da ação.

O magistrado ainda anotou que, Moraes abrirá o prazo para as alegações finais – quando a defesa e a acusação apresentam os últimos argumentos antes do julgamento de mérito do caso. Para que se passe a tal momento processual, o relator terá que determinar o encerramento da etapa de produção de provas do caso.

INTIMAÇÃO – O STF tentou intimar Eduardo Bolsonaro da decisão que marcou a audiência, mas não teve sucesso. Em fevereiro, Moraes determinou a citação por edital do ex-deputado, em razão de ele se encontrar, “de forma transitória, fora do território nacional”.

O ex-deputado, no entanto, não apresentou a defesa prévia nem constituiu advogados para representá-lo. Por essa razão, a Defensoria Pública da União passou a defender o ex-parlamentar.

O ex-deputado é acusado de articular sanções contra autoridades brasileiras — incluindo tarifas de exportação, suspensão de vistos e até a aplicação da Lei Magnitsky — em um esforço para pressionar e intimidar o STF às vésperas do julgamento que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

Aécio convida Ciro Gomes a disputar a Presidência e tenta reposicionar o PSDB em 2026

Trump, o Papa e o mundo em tensão: quando política e fé entram em rota de colisão

Sem limites, Trump resolveu atacar até o Papa Leão XIV

Pedro do Coutto

A política internacional vive momentos em que os conflitos deixam de ser apenas geopolíticos e passam a assumir contornos simbólicos — e até civilizatórios. A recente escalada de tensão envolvendo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder da Igreja Católica, Papa Leão XIV, é um desses episódios raros em que poder político e autoridade moral se chocam de forma aberta, pública e com repercussões globais.

No centro da crise está o agravamento do conflito no Oriente Médio, especialmente após medidas duras adotadas por Washington, como a ameaça de bloqueio militar no estratégico Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial. A decisão, vista por analistas internacionais como altamente arriscada, provocou reações imediatas de países europeus e da Ásia, além de acirrar a retórica com o Irã, que classificou a iniciativa como um ato de “pirataria internacional”.

ESCALADA DESUMANA – Mas o elemento que elevou o episódio a um novo patamar foi a entrada do Vaticano no debate. Ao condenar a ofensiva militar e classificar a escalada como “desumana”, o Papa não apenas fez uma crítica moral — ele desafiou diretamente a lógica de poder que tem orientado a política externa americana.

Em resposta, Trump partiu para o ataque, acusando o pontífice de ser “fraco” e “progressista demais”, em uma retórica que revela mais do que um simples desentendimento: expõe uma disputa de narrativas sobre o papel da força, da fé e da liderança global. A reação do Papa, ao afirmar que não se intimida e que a mensagem cristã não pode ser instrumentalizada para justificar a guerra, recoloca a Igreja em um papel histórico: o de contraponto moral em tempos de conflito.

Não é a primeira vez que o Vaticano assume essa posição. Ao longo do século XX, papas como João XXIII e João Paulo II intervieram simbolicamente em momentos críticos da Guerra Fria. A diferença agora é o contexto: um mundo multipolar, hiperconectado e profundamente polarizado, em que declarações se transformam rapidamente em armas políticas.

RUPTURA – Do ponto de vista geopolítico, o bloqueio no Estreito de Ormuz representa uma ruptura com a tradição recente de contenção estratégica. Especialistas têm alertado que qualquer tentativa de controle militar direto da região pode desencadear um efeito dominó, envolvendo potências como China e Rússia, além de comprometer cadeias globais de energia. Não por acaso, países como França, Alemanha e Reino Unido já sinalizaram desconforto com a medida, defendendo soluções multilaterais e diplomáticas.

Nesse cenário, o embate entre Trump e o Papa ganha uma dimensão ainda mais complexa. De um lado, um líder político que aposta na força como instrumento de afirmação global e que dialoga com uma base eleitoral sensível a discursos de autoridade e segurança. De outro, uma liderança religiosa que insiste na centralidade da paz, da dignidade humana e do diálogo — valores que, embora universais, muitas vezes parecem deslocados em contextos de guerra.

DISPUTAS IDEOLÓGICAS – Há também uma camada interna nesse confronto. Ao atacar o Papa, Trump mobiliza não apenas a política externa, mas também disputas culturais e ideológicas dentro do próprio Ocidente, especialmente entre conservadores e progressistas. A Igreja Católica, por sua vez, ao se posicionar, corre o risco calculado de tensionar relações com governos, mas reafirma sua relevância como ator global.

O resultado é um quadro de instabilidade que vai além das fronteiras do Oriente Médio. A escalada militar, combinada com o confronto simbólico entre Washington e o Vaticano, contribui para um ambiente internacional mais imprevisível, onde o risco de erro de cálculo aumenta — e com ele, o custo humano.

O que está em jogo não é apenas um conflito regional ou uma troca de declarações entre líderes. Trata-se de uma disputa mais profunda sobre os rumos do mundo: entre a lógica da força e a lógica da contenção, entre o poder e a responsabilidade, entre a política e a ética. E, como a história já demonstrou, quando essas dimensões entram em choque, os efeitos dificilmente se limitam ao campo das ideias.

STF reage à CPI e pressiona PGR por investigação sobre possível abuso de poder no Congresso

Preso nos EUA, Ramagem expõe contradição de quem aplaudia deportações de Trump

“Bets” de Haddad são um escândalo que poderá prejudicar a reeleição de Lula

Charge do Orlando (Arquivo Google)

Carlos Newton

Não bastassem as preocupações dos principais assessores do presidente Lula da Silva com a ligação entre o governo  e alguns ministros do STF, em meio às denúncias de corrupção e de fraudes no INSS e na derrocada do Banco Master, surgiu agora um novo alerta: a regulamentação das bets, promovida pelo ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Essa iniciativa, realizada a pretexto de turbinar a arrecadação federal em alguns bilhões de reais com o produto da jogatina, vem sendo interpretada pela população como apoio da administração pública a jogos de azar. 

DINHEIRO DO POBRE – Nessa operação de apostas descontroladas, com a expressiva participação de grupos e cassinos estrangeiros, não há diversão nem responsabilidade social, resultando apenas na perda de dinheiro do programa Bolsa Família, que reduz as compras de alimentos e remédios, sem esquecer a ludopatia, o devastador vício que arruína a saúde dos apostadores e a convivência familiar, com endividamento definitivo, sem recuperação judicial.

Lula já sentiu que nada tem a ganhar com essa liberalidade da Secretaria de Prêmios e Apostas, vinculada ao Ministério da Fazenda, e já externou  desconforto com a enrascada em que se meteu ao sancionar a Lei 14.790/2023, fazendo pouco da ainda vigente Lei das Contravenções Penais.

Em entrevista no último dia 8, Lula defendeu a proibição dos jogos de apostas online. Mas, para escusar-se de responsabilidade, disse que a decisão depende também do Congresso. E frisou que, se pudesse agir sozinho, sem depender dos deputados e senadores, “as bets seriam banidas. Não é possível a gente continuar com essa jogatina desenfreada no Brasil”.

“INVESTIMENTOS” – A solução, porém, não é tão simples como imaginado por Lula. Para operar essa modalidade de aposta fixa, grupos internacionais que mantêm sites de jogos e cassinos na Europa, América e África pagaram à Receita Federal R$ 30 milhões por cada outorga recebida e para tanto se coligaram com empresas brasileiras de jogos. Só neste item, o fisco nacional faturou perto de R$ 3 bilhões.

Caso as bets sejam banidas, quem devolverá essa fortuna aos investidores que aqui desembarcaram e estão devastando as economias de mais de 30 milhões de apostadores que só perdem?

Dados oficiais apontam que em 2024 as bets tomaram cerca de R$ 200 bilhões dos brasileiros, capturados por insistente e pouco ética propaganda na TV, especialmente na Globo.

BOLSA FAMÍLIA – Oportuno artigo do jornalista Fernando Castilho, no UOL, revela que o Ministério do Desenvolvimento Social identificou não só a transferência de quantias bilionárias do Bolsa Família para as bets, mas também que as mulheres que têm o controle do recebimento do Bolsa Família passaram a representar 37% do total de apostadores no país, considerando-se apenas as casas esportivas legalizadas.

Lula prometeu agir rápido, pois acredita que o dito endividamento das famílias (80,45%), que em março tinham alguma dívida a vencer ou já estavam inadimplentes, é reflexo da decisão de apostar.

Para o candidato à reeleição que está com os concorrentes nos calcanhares, o cenário mudou radicalmente com a popularização das apostas online. “O cassino entrou dentro de casa da gente, para crianças de 10 anos pegar o telefone do pai e jogar com essa quantidade de bets que foram criadas aí, que estão tomando conta do futebol, tomando conta da publicidade e tomando conta da corrupção desse país”.

TRATAMENTO NO SUS – A situação é tão grave – epidêmica, mesmo – que o Ministério da Saúde lançou o Guia de Cuidados para Pessoas com Problemas Relacionados a jogos de Apostas, programa que orienta profissionais do SUS no acolhimento e tratamento das pessoas afetadas pela ludopatia, conforme esclarecimento prestado pelo Setor de Comunicação do próprio PT.

O fato concreto é que a publicidade intensa, que enriquece as TVs, especialmente a Globo, estimula o consumo contínuo do produto destruidor de famílias e causador de endividamento irreversível. Porém, o então ministro Haddad não pensou nisso quando abriu a guarda para viciar o povo, em troca de um punhado de dólares.

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P.S –
O arrependido Lula é o principal culpado. Foi ele quem sancionou a lei das bets e deu vida a uma legislação que dificulta ações de restrição e de impedimento de apostas.  O faturamento das bets é tão atraente que a Organização Globo, maior grupo de comunicação do Brasil, já se associou nessa empreitada a um dos maiores exploradores de cassino dos Estados Unidos e juntos operam a Bet MGM. Os filhos de Roberto Marinho não têm escrúpulos e são viciados em ganhar dinheiro, não importa a origem. (C.N.)

Hungria: a queda de Viktor Orbán e o fim de um ciclo de poder na Europa

Longevidade da direita radical expõe a sua fragilidade

Marcelo Copelli
Revista Visão (Portugal)

A derrota de Viktor Orbán expõe, com nitidez, o desgaste acumulado de um modelo político que, durante 16 anos, se apresentou como resistente à alternância e imune à erosão interna. O que emerge das urnas húngaras não é apenas a substituição de uma liderança, mas a evidência de que a consolidação prolongada de autoridade — baseada na concentração institucional, na influência indireta sobre o espaço informativo e na compressão dos mecanismos de equilíbrio democrático — entra, inevitavelmente, em fase de saturação.

O resultado eleitoral na Hungria traduz um ponto de ruptura dentro desse processo. O comparecimento recorde às urnas, próximo dos 78%, identificado como um dos mais elevados da história recente do país, não reflete apenas a mobilização cívica. Indica um momento de ativação do eleitorado diante de um sistema que deixou de absorver o desgaste que ele próprio produziu. Em contextos de normalidade democrática, a participação eleitoral tende à estabilidade; quando essa lógica é quebrada, o que se observa é um mecanismo de correção em funcionamento.

SEM SUSTENTABILIDADE – O El País enquadra esse momento como uma decisão estrutural sobre o modelo de governança, enquanto o The Guardian destaca o caráter excepcional da mobilização. A convergência dessas leituras aponta para um diagnóstico preciso: o sistema perdeu capacidade de se sustentar sem recorrer de forma crescente a instrumentos de condicionamento.

Durante mais de uma década e meia, o ex-primeiro-ministro húngaro não se limitou a governar; reconfigurou o funcionamento do Estado. A designação de “democracia iliberal” não foi apenas retórica política, mas a expressão de um método consistente de reorganização institucional. A capacidade de moldar o espaço informativo, a reengenharia do sistema judicial e a construção de redes de dependência política e econômica criaram um ambiente de estabilidade dirigida, no qual a alternância se tornava progressivamente improvável.

Esse modelo, amplamente analisado por observadores internacionais, consolidou-se como uma referência para setores da direita que procuram conciliar legitimidade eleitoral com domínio estrutural do aparelho de Estado. Sua derrota altera esse enquadramento de forma direta.

FRAGILIDADES – O que está em jogo não é apenas a substituição de uma liderança, mas a exposição das fragilidades inerentes a sistemas que dependem de um equilíbrio artificial entre legitimidade democrática e acumulação de influência. A longevidade de Orbán funcionava como argumento empírico a favor da viabilidade desse modelo; sua queda transforma esse argumento em uma contingência histórica. A dependência do consentimento eleitoral se mantém, mesmo em estruturas altamente concentradas — e se revelou determinante.

No plano europeu, as implicações são imediatas e estratégicas. Orbán representou, durante anos, um dos principais fatores de instabilidade interna da União Europeia, bloqueando decisões, relativizando consensos e introduzindo um padrão de confronto permanente com Bruxelas.

Sua saída do poder não elimina automaticamente essas tensões, mas reduz significativamente sua capacidade de projeção. A Reuters identifica nesse resultado um potencial ponto de reequilíbrio institucional, com impacto direto na previsibilidade política do bloco, na gestão de fundos europeus e na articulação de posições comuns em temas sensíveis, como a relação com a Rússia.

INSTABILIDADE –  Esse reposicionamento tem uma dimensão que ultrapassa a geografia europeia. A trajetória de Orbán foi frequentemente invocada por Donald Trump e por setores do conservadorismo norte-americano como demonstração da eficácia de modelos políticos baseados na concentração de autoridade e no confronto com instituições tradicionais. Sua derrota introduz um elemento de instabilidade nessa leitura.

A longevidade deixa de garantir continuidade. Esse fator reduz a margem de previsibilidade de estratégias baseadas na permanência prolongada no poder. Do ponto de vista analítico, a transição que se segue não deve ser interpretada como linear. Sistemas moldados ao longo de um ciclo prolongado não se desconstroem por via eleitoral imediata.

Estruturas administrativas, redes de influência e mecanismos de condicionamento permanecem ativos e continuarão a moldar o funcionamento do Estado. A fase subsequente exigirá capacidade de reconfiguração institucional em um contexto ainda marcado por assimetrias acumuladas, o que introduz complexidade e risco no processo de governança.

LIMITES OPERACIONAIS – Ainda assim, o ponto crítico já foi atingido. A derrota de Orbán redefine os limites operacionais de modelos políticos baseados na concentração prolongada de poder. Ao evidenciar a capacidade de resposta do eleitorado diante de um sistema em desequilíbrio, o caso húngaro reintroduz um elemento frequentemente negligenciado nas análises contemporâneas: a resiliência funcional dos mecanismos democráticos.

Em um contexto internacional marcado por tendências de polarização, contestação institucional e fortalecimento de lideranças personalistas, o resultado húngaro altera o enquadramento estratégico de forma silenciosa, mas substantiva. A Hungria deixa de ser apresentada como exemplo de continuidade ininterrupta de um modelo iliberal e passa a integrar o conjunto de sistemas nos quais a alternância permanece uma possibilidade concreta.

FIM DE UM CICLO – A derrota de Viktor Orbán não encerra um ciclo político; expõe a fragilidade estrutural de uma arquitetura construída sobre a acumulação contínua de autoridade. Durante anos, apresentou-se como estável, resistente e replicável. Quando essa aparência se rompe, sua premissa deixa de se sustentar.

O que emerge não é apenas o fim de uma liderança, mas a evidência de que a concentração prolongada de influência, quando submetida ao teste democrático, encontra inevitavelmente seu ponto de ruptura. A partir daí, o desfecho deixa de ser hipótese — torna-se consequência.

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Zema ataca PL, fala em “frutas podres” e descarta a aliança com Flávio Bolsonaro

Zema tem reiterado que pretende manter sua pré-candidatura

Bruna Barboza
O Globo

O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência pelo Novo Romeu Zema fez críticas diretas ao campo da direita nesta segunda-feira e disse que o PL tem “frutas podres”. A declaração ocorre em meio a especulação de que Zema poderia abrir mão de ser cabeça de chapa para ser alocado como vice do senador Flávio Bolsonaro (PL) na corrida pelo Planalto.

— Eu sou uma direita que não tem corrupção, não tem escândalo. E tem direita aí que também está envolvida com coisas erradas. Então eu sou de direita, mas sou diferente. No PL eu acho que tem algumas frutas podres lá. No Novo, se tiver, a gente coloca para fora — disse Zema após participação em evento da Associação Comercial de São Paulo.

VÍDEO NAS REDES – O ex-governador também foi questionado sobre um vídeo publicado nas redes sociais ao lado do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência pelo PL. A gravação segue um viral nas redes, chamado “Será?”, em que os dois brincam com a possibilidade de formar uma chapa presidencial, invertendo especulações recorrentes sobre Zema ser vice.

No vídeo, o mineiro aparece ao lado de Flávio e sugere, em tom descontraído, que o senador poderia ser seu vice, ao que o parlamentar responde com a frase “será?”, antes de ambos rirem. A publicação ocorre em meio a discussões sobre possíveis alianças para 2026.

Questionado sobre o conteúdo, Zema desconversou e afirmou que se tratou apenas de um momento de descontração. Apesar disso, nos bastidores, o nome do ex-governador é citado como possível vice em uma eventual candidatura de Flávio Bolsonaro. Ele, no entanto, tem reiterado que pretende manter sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto.

CRÍTICAS AO JUDICIÁRIO – Zema também defendeu a prisão de dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e elevou o tom das críticas ao Judiciário, mirando principalmente Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.

A fala ocorre em meio aos desdobramentos das investigações do caso Master, que apontam ligações entre o banqueiro Daniel Vorcaro e integrantes da Corte. O caso motivou pedidos de impeachment no Senado contra Toffoli e Moraes por crimes de responsabilidade. Contra Toffoli, pesa a acusação de julgar processos nos quais seria suspeito; já Moraes é acusado de conduta incompatível com o cargo.

— Os intocáveis são aqueles que se consideram acima da lei (…). Principalmente dois ministros, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Esses dois, para mim, não merecem só processo de impeachment, merecem prisão — disse Zema a jornalistas.

Prisão de Ramagem nos EUA testa influência do bolsonarismo junto a Trump

Ramagem estava nos EUA em situação irregular

Deu na CNN

A prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduana dos Estados Unidos (ICE) nesta segunda-feira (13) coloca em xeque a real influência do bolsonarismo junto ao governo de Donald Trump. O analista de política Pedro Venceslau vê o caso como um teste para a relação entre o movimento político brasileiro e as autoridades norte-americanas.

Ramagem estava nos Estados Unidos em situação irregular após ter seu passaporte cancelado, apesar de ter solicitado asilo político. “O fato de ele não ocupar o cargo de parlamentar no Brasil fragiliza o pedido de asilo político e também o discurso, a narrativa de perseguição no Brasil”, explicou o analista durante o CNN 360º desta segunda-feira.

DESAFIO – A detenção de Ramagem representa um desafio para Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, que têm se apresentado como articuladores políticos com acesso à Casa Branca. “Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro são os responsáveis pela articulação política com a Casa Branca, até onde é possível chegar na Casa Branca e também no Capitólio. Os dois foram os responsáveis por articular as sanções da Lei Magnitsky”, destacou Venceslau.

Paulo Figueiredo, jornalista aliado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e sócio da empresa Imigrex, está representando Ramagem no caso. Em nota, Figueiredo afirmou estar prestando assistência ao ex-deputado e sua família, com expectativa de que seja liberado rapidamente, sem risco de deportação. No entanto, há contradição entre esta versão e as informações das autoridades brasileiras, que confirmaram cooperação entre os dois países.

Embora a prisão tenha sido realizada como parte da rotina da polícia imigratória americana, sem aparente decisão política inicial, o caso pode evoluir para uma questão diplomática. “Num segundo momento, a partir do fato de que existe um pedido de asilo feito pelo deputado, que está em algum escaninho da Casa Branca, passa, então, a ser uma decisão política de Donald Trump”, explicou o analista.

DILEMA – Segundo Venceslau, o dilema para os apoiadores de Ramagem é significativo: criticar a prisão sem criticar a gestão Trump seria contraditório, já que a detenção reflete justamente a política de “tolerância zero contra a imigração” que é considerada o “principal cartão de visitas” do presidente norte-americano.

Ramagem estava vivendo abertamente nos Estados Unidos, em um condomínio de luxo em Miami, participando de encontros políticos e reunindo-se com Eduardo Bolsonaro em diversas ocasiões.

“Depois dessa fuga por Roraima, usando o passaporte diplomático que ele tinha, ele não fez questão de se esconder no País, ele estava atuando politicamente, aparentemente se sentindo seguro de estar nos Estados Unidos, achando que não estaria no radar do ICE”, acrescenta Venceslau.

Documento dos EUA aponta visto vencido e coloca Ramagem sob risco de deportação

Datafolha: maioria vê poder excessivo, mas reconhece papel do STF na democracia

75% afirmam que ministros do STF têm poder demais

Deu no O Globo

Uma pesquisa Datafolha mostra que 75% dos brasileiros afirmam que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) têm poder demais, enquanto 71% consideram a Corte essencial para a proteção da democracia. O levantamento foi divulgado em meio às investigações do caso do banco Master, que levaram magistrados da cúpula a uma crise inédita de confiança

Segundo a sondagem, publicada na noite desta segunda-feira, apenas um quinto dos entrevistados discorda do excesso de poder dos ministros do STF e quase um quarto (24%) discorda do papel essencial do Supremo para a defesa democrática. Outros 3% não souberam responder, e 2% disseram não concordar nem discordar das duas afirmativas.

MARGEM DE ERRO – O Datafolha ouviu 2.004 pessoas, de 7 a 9 de abril, em 137 municípios do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03770/2026.

As perguntas integraram questionários do instituto pela primeira vez, logo não há série histórica comparativa. A pesquisa aponta ainda que 75% dizem que as pessoas acreditam menos no STF agora do que antes, e 20% discordam disso.

O descrédito é maior entre os que votaram no segundo turno de 2022 em Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo STF a mais de 27 anos de prisão pela participação na trama golpista: neste estrato, 88% disseram que os ministros têm poder demais. No entanto, mesmo entre os eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quase dois terços veem excesso de poder na Corte (64%). (Nestes recortes da pesquisa, a margem de erro é de quatro e de três pontos, respectivamente.)

PAPEL DO STF – Os que votaram em Lula no segundo de 2022 tendem a defender em maior proporção o papel essencial do Supremo para a proteção da democracia: 84%. O percentual chega a 60% entre aqueles que declararam voto em Bolsonaro, apesar da ofensiva do bolsonarismo contra ministros da Corte desde o andamento do inquérito das fake news e das apurações sobre o 8 de janeiro.

Aqueles que afirmaram ter votado em branco, ter anulado o voto ou não ter escolhido nenhum candidato, 67% disseram que os ministros do STF têm poder demais, e 73% apontaram que a cúpula do Judiciário nacional é essencial para a democracia.

A ironia poética de Raul de Leoni pode ser transformada em filosofia de vida

Tribuna da Internet | Uma antiga história antiga, na poesia do mestre Raul  de LeoniPaulo Peres
Poemas & Canções

O advogado, diplomata, deputado e poeta Raul de Leôni (1895-1926), nascido em Petrópolis (RJ), embora tenha morrido muito cedo, aos 31 anos, é considerado um dos maiores autores do neoparnasianismo brasileiro, embora alguns prefiram identificá-lo como simbolista.

Publicou apenas um livro de poemas, intitulado “Luz Mediterrânea”, no ano de 1922. Numa das poesias, Leoni faz uma reflexão sobre a importância da ironia, que pode até funcionar como se fosse uma filosofia de vida.

IRONIA
Raul de Leôni

Ironia! Ironia!
Minha consolação! Minha filosofia!
Imponderável máscara discreta
Dessa infinita dúvida secreta,
Que é a tragédia recôndita do ser!
Muita gente não te há de compreender
E dirá que és renúncia e covardia!

Ironia! Ironia!
És a minha atitude comovida:
O amor-próprio do Espírito, sorrindo!
O pudor da Razão diante da Vida!

Imaginem como seria o mundo, se o Papa trocasse de lugar com Donald Trump…

charge de Thiago Lucas (@thiagochargista), para o Jornal do Commercio. #papa #trump #pope #LeãoXIV #orientemedio #war #usa #eua #chargejc #chargejornaldocommercio #chargethiagojc #chargethiagolucas #chargethiagolucasjc *Thiago Lucas

Charge de Thiago Lucas (Jornal do Commercio)

 Vicente Limongi Netto

Bem feito, Trump, quem mandou você tirar o Papa Leão XIV do anonimato vazio e improdutivo? O mundo hipócrita agora volta-se contra você. Até padres de igrejinhas do interior do sertão, como ávidos desocupados, aproveitaram os pingentes dos holofotes para tirar pedaços de você e fazer média com o Sua Santidade.

Como outros pontífices costumavam fazer, também Leão XIV aproveita momentos de barulheira grossa no mundo,  com balas, canhões, drones etc., e vai altivo para a sacada do suntuoso Vaticano clamar pela paz. Pedindo mais pão, menos canhão.

TROCA DE POSIÇÕES – Em algum instante do arranca rabo inútil, que não vai acabar com a guerra nem baratear a gasolina, muito menos eliminar com a miséria no mundo, seria engraçado, nessa linha, se analistas católicos, padres, bispos, cardeais, coroinhas e carpideiras, botassem Trump no Vaticano e o Papa na Casa Branca.

As ações nas bolsas do planeta iriam explodir.  Seria engraçado o Papa que é cidadão americano, na Casa Branca, de terno e gravata.  Como presidente do país mais poderoso do mundo, o Sumo Pontífice combateria a guerra com orações entusiásticas, rezas brabas e crucifixo em riste, completamente rouco, enxugando gelo com missas, discurseiras e leituras da Bíblia, enfrentando bombas na Ucrânia, no Irã e no Libano. 

Enquanto isso, no Vaticano, Trump tomaria altos porres, dizimando a riquíssima adega da Santa Igreja…

 

Lula enfrenta um isolamento inédito e faz crescer as dúvidas sobre sua candidatura