“Basta de feminicídio!” — este é o grito que o país não pode ignorar

Protestos contra feminicídio reúniram milhares de manifestantes

Pedro do Coutto

Centenas de milhares de pessoas foram às ruas no último domingo para dizer, em voz alta e conjunta, aquilo que muitos relatórios frios e números procuram esconder: as mulheres do Brasil vivem sob uma ameaça que mata.

Em São Paulo, a Avenida Paulista reuniu milhares que caminharam com cartazes, flores e histórias — no Rio de Janeiro, pontos como Copacabana viraram ponto de encontro de quem exige medidas reais, não apenas notas oficiais. As imagens e o clamor nas ruas lembram que o problema não é episódico; é estrutural e cotidiano.

GRAVIDADE – Os números confirmam a gravidade que as vozes nas manifestações denunciam. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública e levantamentos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2024 o país registrou um número recorde de mulheres assassinadas por serem mulheres — cerca de 1.492 casos — e, em 2023, já haviam sido contabilizadas 1.463 vítimas. Essas cifras não são meras estatísticas: representam vidas interrompidas, famílias destroçadas e comunidades marcadas por medo.

Há padrões dolorosos por trás desses dados. A maioria esmagadora das vítimas conhece o agressor: em cerca de 8 em cada 10 casos o autor é companheiro ou ex-companheiro. A residência, que deveria ser o espaço de proteção, é o local onde muitas mulheres são mortas — quase dois terços dos casos ocorreram dentro de casa.  A cor da pele também é um indicador brutal da desigualdade: a maioria das vítimas é negra. Esses recortes deixam claro que o feminicídio se entrelaça com desigualdade social, racismo e falhas das redes de proteção.

Dizer que “o Brasil mata mulheres” é chocante — e, por isso, necessário. As explicações não se reduzem a um único fator. Há uma confluência de elementos: uma cultura de normalização da agressão contra a mulher, sistemas de proteção pública muitas vezes ineficientes, ausência de políticas públicas contínuas e investimentos insuficientes em prevenção e atendimento, além de falhas no registro e na resposta imediata quando a mulher denuncia. Quando a denúncia não é seguida por proteção, criam-se condições para que a violência escale.

INDIGNAÇÃO – As ruas mostram algo que os gráficos também apontam: indignação e vontade de mudança. Mas o protesto não é substituto de política pública. Para transformar o grito das manifestações em políticas permanentes são necessárias ações concretas e integradas: formação de profissionais de segurança e saúde para atendimento com perspectiva de gênero; ampliação e qualificação das casas de acolhimento; investimentos em programas de prevenção nas escolas e comunidades; mecanismos ágeis para afastamento do agressor e monitoramento eletrônico quando cabível; e políticas que enfrentem o racismo e a vulnerabilidade econômica que aumentam o risco para tantas mulheres.

Também é preciso melhorar o registro e a coleta de dados: só com informações precisas será possível direcionar recursos e avaliar resultados. A própria evolução dos registros durante a última década mostra que, em parte, o aumento observado também se deve a melhores práticas de notificação — mas nem por isso o número deixa de ser uma tragédia. Entre 2015, quando a Lei do Feminicídio foi sancionada, e os anos mais recentes, contabilizam-se dezenas de milhares de vítimas; cada número carrega uma história que exige memória e justiça.

LONGO PRAZO – No campo da cultura e da educação, a transformação é de longo prazo, mas imprescindível. Campanhas públicas eficazes, educação nas escolas sobre respeito e igualdade, formação de masculinidades não violentas e responsabilização judicial são peças de um quebra-cabeça que, montado, pode reduzir a banalização da violência. Paralelamente, a imprensa, os espaços artísticos e as redes sociais têm papel central em manter a pauta viva e em dar voz às vítimas sem revitimização.

As manifestações recentes — de São Paulo ao Rio, de capitais a pequenas cidades — têm um papel simbólico e prático: mostram que a sociedade não aceita mais a normalização do assassinato de mulheres. Mas essa energia precisa encontrar concretude: projetos de lei que priorizem prevenção e proteção, orçamentos que garantam atendimento e abrigo, sistemas de justiça que agilizem medidas protetivas e uma política pública intersetorial que transforme a raiva em resultado eficaz. A urgência é evidente; a resposta não pode mais ser fragmentada.

Ao final, o que as ruas pedem é simples e humano: que as mulheres vivam. Não como estatística, mas como pessoas com sonhos, trabalho, afeto. É responsabilidade do Estado, da sociedade e de cada um de nós transformar o grito em medidas que salvem vidas — hoje, amanhã e sempre. Se queremos um país que se orgulhe de suas cidades, não podemos aceitar que parte delas continue marcada por medo; é preciso agir, já.

STF vira a página do golpe e mira crime organizado, emendas e filhos de Bolsonaro

Soltura de Rodrigo Bacellar: como votou cada deputado na Alerj

Bacellar foi preso suspeito de vazar informações 

Deu no Estadão

Por 42 votos a favor a 21 contrários – além de duas abstenções -, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou nesta segunda-feira, 8, o Projeto de Resolução 2.116/2025, que prevê a revogação da prisão do presidente da Casa, Rodrigo Bacellar (União). A medida tinha como relator o deputado estadual Rodrigo Amorim (PL).

Bacellar foi preso na última quarta-feira, 3, suspeito de ter vazado informações da Operação Zargun, que capturou o então deputado estadual TH Joias, suspeito de ligação criminosa com a facção Comando Vermelho (CV). A prisão foi determinada após mandado expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que foi cumprido pela Polícia Federal no âmbito da Operação Unha e Carne.

REVOGAÇÃO – O relatório de Amorim, que é líder do governador Cláudio Castro na Alerj, não trata sobre o mérito da prisão e das medidas cautelares impostas por Moraes, apenas sobre a revogação da prisão de Bacellar.

A votação provocou divisão entre os parlamentares. A maioria saiu em defesa do presidente da Alerj e do governador, como o deputado estadual Alexandre Knoploch (PL). Para o parlamentar, a decisão de Moraes “não se sustenta” e, segundo ele, não há envolvimento de TH Joias e Comando Vermelho com Cláudio Castro e Rodrigo Bacellar.

“SIMPLES MEME” – “O que nós temos no que nós recebemos aqui nesta casa? Nós recebemos a decisão do ministro Alexandre Moraes. O que nós temos nessa decisão? Três prints. Um deles, do deputado TH Joias mandando: “Mudei o telefone”. E o presidente Rodrigo Bacelar respondendo com um meme. Um meme simples, um único meme”, disse Knoploch.

Já o deputado Flávio Serafini (PSOL), da oposição, defendeu que os elementos probatórios para a prisão de Bacellar “estão colocados” e são “gravíssimos”. “Até o dia 3 de setembro desse ano, a gente tinha aqui nessa Casa um parlamentar (TH Joias), um suplente de parlamentar no exercício do mandato, acusado de lavar dinheiro, de importar drogas, de importar armas, de importar equipamentos antidrones para para fornecer para as organizações criminosas, para as facções que atuam aqui no estado do Rio de Janeiro”, disse.

VOTOS –  A favor do Projeto de Resolução e, consequentemente, pela soltura de Rodrigo Bacellar: Alan Lopes (PL); Alexandre Knoploch (PL); Andre Correa (PP); Arthur Monteiro (União); Brazão (União); Bruno Boaretto (PL); Carla Machado (PT); Carlinhos BNH (PP); Carlos Macedo (Republicanos); Chico Machado (Solidariedade); Daniel Martins (União); Danniel Librelon (Republicanos); Dr. Deodalto (PL); Dr. Pedro Ricardo (PP); Elton Cristo (PP); Fábio Silva (União); Felipinho Ravis (Solidariedade); Filippe Poubel (PL); Franciane Motta (Podemos); Fred Pacheco (PMN); Giovani Ratinho (Solidariedade); Giselle Monteiro (PL); Guilherme Delaroli (PL); India Armelau (PL); Jorge Felippe Neto (Avante); Julio Rocha (Agir); Lucinha (PSD); Marcelo Dino (União); Munir Neto (PSD); Rafael Nobre (União); Renan Jordy (PL); Renato Miranda (PL); Ricardo da Karol (PL); Rodrigo Amorim (União); Samuel Malafaia (PL); Sarah Poncio (Solidariedade); Thiago Gagliasso (PL); Thiago Rangel (PMB); Tia Ju (Republicanos); Val Ceasa (PRD); Valdecy da Saúde (PL); Vitor Junior (PDT)

Contra a resolução e pela manutenção da prisão: Atila Nunes (PSD); Carlos Minc (PSB); Célia Jordão (PL); Claudio Caiado (PSD); Dani Balbi (PCdoB); Dani Monteiro (PSOL); Elika Takimoto (PT); Flavio Serafini (PSOL); Jari Oliveira (PSB); Lilian Behring (PCdoB); Luiz Paulo (PSD); Marcio Gualberto (PL); Marina do MST (PT); Professor Josemar (PSOL); Renata Souza (PSOL); Renato Machado (PT); Rosenberg Reis (MDB); Sergio Fernandes (PSB); Verônica Lima (PT); Yuri Moura (PSOL); Zeidan (PT)

Piada do Ano! Brasil tornou-se o país mais bagunçado do mundo

Reprodução do site da Rádio Vargem Alegre

Carlos Newton

Quando a gente pensa que a política no Brasil chegou ao fundo do poço, em termos de desrespeito moral, corrupção e indignidade, logo aparece uma notícia confirmando que a situação está piorando ainda mais.

Desta vez foi plenário da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) que aprovou nesta segunda-feira (dia 8) uma resolução para soltar o deputado Rodrigo Bacellar (União), detido preventivamente na Superintendência da Polícia Federal desde a última quarta-feira (dia 3).

ASSUNTO TABU – Impressionante o placar da votação – 42 votos favoráveis à soltura de Bacellar e apenas 21 contrários, além de duas abstenções. Assim, registra-se uma maioria mais que absoluta a favor do domínio da política pelo crime organizado, poque é disso que se trata.

Essas relações perigosas entre o crime organizado e a sociedade civil são um assunto tabu, que raramente é noticiado com o necessário destaque.

Mas esse ocultamento proposital e programado às vezes falha, e assim surge a notícia estarrecedora de que o ministro Dias Toffoli, aquele que jamais conseguiu passar em concurso público para juiz, viajou para Lima no jato de um diretor do Banco Marques, assistiu à vitória do Flamengo e comemorou mandando soltar os criminosos do colarinho imundo e determinando que o processo contra eles corra em sigilo.

E A POLÍCIA? – Ninguém discou 190 para chamar a Polícia, nada aconteceu a Toffoli, que recentemente acabou com a Lava Jato, já está até começando a liberar o dinheiro que os empreiteiros devolveram ao confessar corrupção disseminada.

Agora, entre uma liberação e outra, Toffoli pode fazer biscate em escândalos como o caso do Banco Marques.

Ao mesmo tempo, Gilmar Mendes muda a Constituição a seu bem prazer, como acaba de acontecer na blindagem dos integrantes do Supremo contra centenas de pedidos de impeachment, o que deixa Toffoli ainda mais confortável para esculhambar o trabalho da Polícia Federal, que investiga e prende, ficando na medida para o ministro mandar soltar, incontinente.

SUPREMA PODRIDÃO – O antes respeitado Supremo parece a Gaiola das Loucas. Como se sabe, os  tresloucados ministros deram carta branca para Moraes salvar a democracia.

No entanto, ao invés de seguir as leis, ele se transformou em Napoleão de presídio e inventou até decisões judiciais para serem cumpridas nos Estados Unidos, causando um atrito internacional que o rotulou de “terrorista” junto com sua mulher.

Mesmo assim, o ministro Moraes manteve as insanidades jurídicas que causaram a briga feia com o empresário Elon Muskd.

UM TRAPALHÃO – Em síntese, Moraes é um trapalhão, que abriu contra Musk uma disputa que não vai acabar nunca, pois é igual ao Inquérito do Fim do Mundo, aquele que era sobre fake news e depois incluiu o que aparecia pela frente.

No julgamento de Bolsonaro e Cia, o mais importante processo da História Republicana, Moraes no final se enrolou todo e declarou trânsito em julgado antes do tempo, quando ainda havia petições de Mauro Cid a decidir, assim como prazos abertos para recursos de Bolsonaro e mais sete réus. 

Simplesmente, o destrambelhado Moraes desconheceu tudo isso, encerrou o processo e agora não sabe o que fazer.

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P.S.
– O prazo para Moraes responder ao recurso de Bolsonaro termina dia 13. Faltam só 4 dias. O que farão os advogados de Bolsonaro? Ninguém sabe. A ignorância deles é sesquipedal, como diria João Figueiredo, aquele presidente do “prendo e arrebento”. Mas o despreparo da defesa de Bolsonaro é outro assunto, que logo abordaremos, se deixarem. (C.N.)

Prisão de Bolsonaro e generais é um “marco”, dizem intelectuais, em carta aberta

Grupo diz que “República brasileira respirou”

Deu na Folha

Intelectuais de diferentes áreas divulgaram uma carta aberta em que afirmam que a prisão de Jair Bolsonaro (PL) e de quatro militares da mais alta patente representa uma inflexão histórica no país e demonstra que a democracia brasileira está aprendendo a se defender.

No texto, o grupo ressalta o ineditismo do acontecimento do último dia 25 e diz que o fato de a Justiça ter conseguido processar, julgar e responsabilizar “figuras outrora intocáveis revela um aprendizado institucional raro em países com histórico de tutela militar”.

INTERVENÇÃO – “A República brasileira nasceu sob tutela militar, marcada por golpes, intervenções e tentativas reiteradas de limitar o poder civil. […] Sempre pesou sobre nossa democracia o fantasma do pretorianismo: a intervenção abusiva dos militares na vida democrática, seja explícita, seja silenciosa”, diz a carta.

“A condenação desses quatro expoentes militares [os generais da reserva Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto e o ex-comandante da Marinha Almir Garnier Santos] é, portanto, mais do que uma punição individual. É um marco com pelo menos três significados profundos: verdade, justiça e memória.”

VIGILÂNCIA – “Democracia exige vigilância, responsabilização e compromisso público com a ideia simples e revolucionária de que o poder pertence à população e não às armas”, afirmam os signatários. “Ainda assim, no dia 25 de novembro de 2025, a República brasileira respirou.”

O documento foi organizado pela doutora em ciência política e pesquisadora na Universidade de Lisboa Beatriz Rey e pelo advogado e doutor em Direito pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) Lucas Paulino. Também assinam a carta, entre outros, o escritor e sociólogo Sérgio Abranches, o professor de Ciência Política João Roberto Martins Filho, a antropóloga Maria Filomena Gregori, a cientista política Luciana Gross Cunha e o escritor João Paulo Cuenca.

CARTA ABERTA SOBRE O SIGNIFICADO HISTÓRICO DE 25 DE NOVEMBRO DE 2025

No dia 25 de novembro de 2025, o Brasil viveu um acontecimento inédito: pela primeira vez em nossa história, militares de alta patente foram presos para cumprir pena por crimes contra a ordem democrática. Os generais da reserva Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, assim como o ex-comandante da Marinha Almir Garnier Santos, passaram oficialmente para a condição de condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), com a confirmação do trânsito em julgado do processo que reconheceu a responsabilidade criminal deles pela participação ativa na tentativa golpista que buscou reverter o resultado legítimo das eleições presidenciais de 2022 e usurpar o poder de forma autoritária.

A este grupo soma-se Walter Braga Netto, general quatro estrelas, ex-ministro da Defesa e ex-ministro da Casa Civil, que em 2022 concorreu à vice-presidência na chapa de Jair Bolsonaro (PL), derrotada por Lula e Alckmin. Em setembro de 2025, Braga Netto já havia sido condenado a 26 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Esse fato não pode ser tratado como rotina institucional nem como mero desdobramento processual. Ele representa uma inflexão histórica.

A República brasileira nasceu sob tutela militar, marcada por golpes, intervenções e tentativas reiteradas de limitar o poder civil. Mesmo após 1988, a separação entre o governo eleito e a estrutura militar nunca esteve plenamente consolidada. Sempre pesou sobre nossa democracia o fantasma do pretorianismo: a intervenção abusiva dos militares na vida democrática, seja explícita, seja silenciosa.

A tentativa golpista de 2022 foi o ponto mais recente e mais grave dessa história. Durante o governo de Jair Bolsonaro, setores militares e civis tramaram ações para fragilizar o processo eleitoral, desacreditar a Justiça Eleitoral e fomentar a ruptura institucional. A estratégia incluiu desinformação, sabotagem institucional, uso político das Forças Armadas e estímulo a manifestações antidemocráticas. Não foi improviso: foi projeto.

A condenação desses quatro expoentes militares é, portanto, mais do que uma punição individual. É um marco com pelo menos três significados profundos: verdade, justiça e memória.

Primeiro, o fato do Supremo Tribunal Federal conseguir processar, julgar e responsabilizar figuras outrora intocáveis revela um aprendizado institucional raro em países com histórico de tutela militar. Não estamos diante de uma democracia plena, mas de uma democracia que, aos poucos, está aprendendo a se defender.

Segundo, tentativas de golpe não podem ser tratadas como divergência política ou erro administrativo. São crimes contra a soberania popular. Responsabilizar seus líderes (e não apenas os executores) é condição para quebrar o ciclo histórico de impunidade que, em 1964, custou ao Brasil 21 anos de ditadura.

Terceiro, o ato do dia 25 de novembro não repara o passado sozinho, mas ajuda a construir o futuro. Uma democracia se mantém não apenas por votos, mas também pela memória dos riscos enfrentados e pela coragem de proteger sua integridade institucional.

A condenação desses militares, por mais relevante que seja, não é suficiente para encerrar o ciclo golpista. A permanência do pretorianismo nas Forças Armadas exige reformas profundas, institucionais e culturais, para que a ruptura democrática deixe de ser uma tentação permanente ou um recurso disponível. Sem essa transformação estrutural, o risco de repetição permanecerá vivo, apenas à espera de uma nova oportunidade.

Reconhecer isso é parte do mesmo compromisso democrático que torna possível responsabilizar quem atacou a República. Porque responsabilizar é um passo; transformar é o desafio. E se há algo que a história tem tentado ensinar ao Brasil —e que tantas vezes recusamos aprender— é que nenhuma democracia sobrevive quando seus cidadãos passam a tratá-la como garantida. Não é. Democracia exige vigilância, responsabilização e compromisso público com a ideia simples e revolucionária de que o poder pertence à população e não às armas.

Ainda assim, no dia 25 de novembro de 2025, a República brasileira respirou. Ainda com cicatrizes, ainda com ameaças, ainda com dúvidas, mas respirou. Que este fato não seja exceção. Que seja início. Porque nenhuma democracia sobrevive quando os que a atacam acreditam estar livres de consequências.

Ciro Nogueira descarta Flávio e tenta impor Tarcísio e Ratinho como eixo da direita

É preciso haver penas mais rigorosas para punir a violência contra mulheres

25 de Novembro – Dia Internacional Pela Eliminação da Violência Contra a  Mulher - SITRAEMG

Reprodução do Arquivo Google

Vicente Limongi Netto

O Correio Braziliense enfatiza a indignação do presidente Lula, semelhante ao desespero da sociedade diante da escalada brutal e covarde de feminicídios: “Até a morte é suave para agressor de mulher”, bradou Lula.  Nesta linha, a colunista Ana Dubeux (Correio Braziliense de 7/12) salienta dramático repúdio:

“Mulheres fazem apelos, ensinam, denunciam, levantam bandeiras, escondem-se, fogem, tentam de todo jeito escapar da violência. Mas os homens bárbaros, covardes, nojentos, e assassinos as encontram na rua, no transporte público, no trabalho, principalmente em casa”.

CLAMOR DO MEDO – A dor de Dubeux é infinita. O que escreve é clamor do medo que está atacando e destruindo lares e famílias. Ricas e pobres. Dubeux acrescenta:” Estamos cansadas, amedrontadas e angustiadas. Temos leis. Temos mecanismos de proteção que poderiam funcionar muito melhor”.

Os números das estatísticas de feminicídios são estarrecedores. Até o momento em 2025 somam- se 1.075 mulheres assassinadas. Média inacreditável de 4 mortes por dia. As penas para esta escória de monstros e pervertidos agora chegam a 40 anos de cadeia. Mas elas precisam ser exemplares. Cumpridas com severo rigor. Embora, a meu ver, o melhor para esta corja de canalhas seria pena de morte ou prisão perpétua, como existem em muitos países.  Sem indecorosas saidinhas e muito menos audiências de custódia.

Sem perdão. Porque no Brasil a impunidade destrói tudo de bom que existe. Precisamos ter esperanças e fé. Mas que venham acompanhadas de atitudes exemplares. Que tragam mais paz e respeito às mulheres.

PT ignora pré-candidatura de Flávio e centraliza ataques em Tarcísio como adversário estratégico

Flávio anunciou ter sido escolhido por seu pai

Sérgio Roxo
O Globo

Apesar do anúncio da pré-candidatura a presidente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na última sexta-feira, resolução do diretório nacional do PT aprovado no sábado passado que trata sobre as diretrizes eleitorais para 2026 centra críticas ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Para o partido, Tarcísio é o “principal interlocutor do projeto neoliberal e privatista”.

“Setores da direita brasileira, especialmente governadores, vêm atuando para sabotar políticas do governo Lula, criando obstáculos à ação federativa em áreas estratégicas como segurança pública,infraestrutura, educação e políticas sociais. Entre eles, o governador de São Paulo,Tarcísio de Freitas, se destaca como principal interlocutor do projeto neoliberal e privatista, transformando São Paulo em laboratório da redução radical do papel do Estado, da entrega de bens públicos e do enfrentamento ideológico ao governo federal”, diz o texto, que foi divulgado na manhã desta segunda-feira.

ESCOLHIDO – Na sexta-feira, Flávio anunciou ter sido escolhido por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, como nome do grupo político para disputar o Palácio do Planalto contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tentará a reeleição. A definição foi mal recebida pelo mercado financeiro, com alta do dólar e queda na Bolsa.

Pesquisa Datafolha divulgada no domingo mostra que Flávio perderia para Lula em um eventual segundo turno em 2026 por uma diferença de 15 pontos percentuais. A diferença do petista para Tarcísio, por sua vez, é menor, de 5 pontos.

No documento aprovado no sábado, o partido também assume a bandeira da defesa da implantação do Ministério da Segurança Pública, que chegou a constar no programa de governo de Lula durante a campanha de 2022, mas nunca saiu do papel.

FOCO – “O PT reafirmou que o Brasil precisa de um Ministério da Segurança Pública e uma política de segurança nacional articulada, com foco em inteligência, combate financeiro ao crime e proteção das comunidades”, afirma a resolução.

A pressão pela criação da nova pasta foi reforçada após crises recentes, como a que envolveu a operação nos complexos da Penha e da Maré, no Rio de Janeiro, que deixou 122 mortos. Na ocasião, o governador Cláudio Castro acusou o governo federal de não ajudar os estados no combate à violência.

Direita articula Tarcísio e vê candidatura de Flávio como chantagem por anistia

Datafolha: 54% veem dano à tornozeleira como tentativa de fuga de Bolsonaro

33% acreditam que Bolsonaro teve um “surto paranoico”

Deu no O Globo

A maioria dos brasileiros acredita que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) danificou a tornozeleira eletrônica que utilizava porque pretendia fugir. É o que revela pesquisa Datafolha realizada entre 2 e 4 de dezembro com 2.002 eleitores em 113 municípios. Segundo o levantamento, 54% dos entrevistados veem o episódio como tentativa de fuga, enquanto 33% afirmam acreditar na versão de Bolsonaro, que atribuiu o dano a um “surto paranoico”.

Outros 13% não souberam responder. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou menos. Entre os jovens de 16 a 24 anos, a suspeita de fuga é ainda mais acentuada: 60% afirmam que o ex-presidente tentou escapar.

CONTRASTES – Já a análise por renda mostra que a tese do surto encontra maior acolhida entre os mais ricos, grupo em que 40% dizem acreditar na explicação dada por Bolsonaro. O recorte regional revela contrastes significativos. No Nordeste, 61% veem tentativa de fuga, o maior índice do país. Sul e Norte/Centro-Oeste apresentam os percentuais mais altos de adesão à versão do surto, ambos com 40%, acima da média nacional de 33%.

A prisão do ex-presidente foi considerada justa por 54% dos brasileiros, enquanto 40% discordam da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), também de acordo com o Datafolha. Outros 6% não sabem ou não responderam.

LOCAL – Os pesquisadores também questionaram os entrevistados sobre o local onde o ex-mandatário deveria cumprir a pena, estipulada em 27 anos e três meses de cadeia pela Corte. Para 34%, Bolsonaro deveria cumprir a pena em casa. Já 26% pensam que ele deveria estar em um presídio comum, 20% em uma unidade militar, e 13% disseram na sede da Polícia Federal — onde o ex-presidente se encontra atualmente. Não souberam responder 7%.

O Datafolha aponta também que 36% dos brasileiros entendem que estão bem informados sobre a prisão definitiva de Bolsonaro. O montante é próximo dos 37% que dizem ter conhecimento sobre, mas estão mais ou menos informados. Já 11% apontam que estão mal informados, e 16% afirmam sequer terem tomado conhecimento.

De onde vem a grande ideia que a gente tem, mas não concretiza?

A mão que afaga é a mesma que... Augusto dos Anjos - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

O advogado, professor e poeta paraibano Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (1884-1914), é conhecido como um dos intelectuais mais críticos do seu tempo, e até hoje sua obra é admirada. Embora identificado muitas vezes como simbolista ou parnasiano,  alguns importantes literatos, como o poeta Ferreira Gullar, preferem identificá-lo como pré-modernista, pois encontram-se características nitidamente expressionistas em seus poemas.

A IDEIA
Augusto dos Anjos

De onde ela vem? De que maneira bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?

Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas
Delibera, e, depois, quer a executa!

Vem do encéfalo absconso que a constringe
Chega em seguida às cordas da laringe,
Tísica, tênue, mínima, raquítica…

Quebra a força centrípeta que a amarra
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No mulambo da língua paralítica!

A ofensiva de Michelle acelera rachas no PL e ameaça caciques da direita

Desta vez, a crise entre os três Poderes é grave e ainda vai dar muita briga

Alcolumbre se sentiu traído do Lula e está dando o troco

Roberto Nascimento

As crises institucionais entre os Poderes da República são recorrentes e sistêmicas. Desta vez, porém, a situação se mostra realmente grave, por vários fatores simultâneos. Um deles é a indicação do atual advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga de Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal.

Os senadores devem avaliar o notável saber jurídico e a ilibada reputação, quesitos nos quais Messias é pouco reconhecido e ele chegou ao ponto de “engordar” o currículo na Wikipédia, dizendo ter sido procurador do BNDES, mas o banco é egido pela CLT, tem advogados admitidos por concurso, mas não há vagas de procurador.

ALCOLUMBRE IRADO – No meio do furacão, o senador Davi Alcolumbre, presidente do Congresso, mostra estar muito contrariado com o presidente Lula, que tinha aceitado a indicação do nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), mas recuou e escolheu Messias, sem comunicar a Alcolumbre, que já tinha até comemorado a escolha de Pacheco com um grupo de senadores.

Agora, o presidente do Congresso trabalha abertamente para recusar a indicação de José Messias e já transferiu a sabatina dele para janeiro. Foi uma inabilidade de Lula, que não pode combinar uma coisa com o presidente do

A liquidação do Banco Master, com prisão de vários envolvidos, também irritou Alcolumbre de uma maneira sobrenatural. Ninguém conhece as razões. Os investigados foram soltos, apesar da abundância de provas. Todos são ricos e podem fugir com facilidade para o exterior.

MUITAS TROVOADAS – O clima está mesmo quente e sujeito a chuvas e trovoadas entre os Três Poderes. O ministro Gilmar Mendes extrapolou na decisão cautelar e monocrática de mudança da Lei do Impeachment, de 1950, que serviu para os Impeachments de Collor e de Dilma. Diante da possibilidade de a oposição fazer maioria na composição do Senado na próxima eleição, podendo aprovar impeachments de ministros do STF, Gilmar decidiu aprovar uma blindagem que evite problemas futuros.

A decisão significa uma blindagem dos ministros do STF, porque atribui ao procurador-geral da República, a decisão de processar e cassar integrantes do tribunal. A fundamentação não se sustenta no arcabouço constitucional e trucida a lógica, pois dá um Poder total ao procurador Paulo Gonet, amigo e ex-sócio de Gilmar Mendes na Faculdade IPD,

Ocorre que o mandato de Gonet foi sacramentado pelo Senado em novembro deste ano, para um segundo período de dois anos na PGR. Como não há certeza de que Gonet será reconduzido em 2027, seu sucessor na Procuradoria poderá pautar o impeachment de ministros. Ou seja, Gilmar Mendes pode estar apenas adiando o processo.

ADIVINHAÇÃO – Conforme se constata, Gilmar Mendes se antecipa e blinda um provável processo contra ministro do STF, julgando que a oposição conseguirá maioria no Senado nas eleições de outubro de 2026. Mas o que o ministro Gilmar Mendes realmente sabe do resultado das futuras eleições, que nós, simples mortais, não sabemos?

Parece brincadeira. Os candidatos ainda não foram escolhidos e as campanhas eleitorais nem começaram, mas o mundo político e judicial já sabe quem vai ganhar e quem vai perder as eleições de 2026. Isso é “Incrível, fantástico e extraordinário”, nos moldes do programa do pesquisador e cantor Henrique Fróes, mais conhecido como “Almirante”, grande sucesso de audiência na Rádio Nacional.

O risco de o país legitimar a aliança entre Estado, dinheiro e crime organizado

Dono da Refit, vive em Miami e influencia diferentes órgãos

Pedro do Coutto

As recentes revelações sobre o Grupo Refit — e, em particular, sobre seu proprietário, Ricardo Magro — expõem de modo estarrecedor como o entrelaçamento entre poder econômico, corrupção e possível envolvimento com redes criminosas ameaça corroer a integridade das instituições e o interesse público. Não é apenas mais um escândalo: é um alerta sobre os perigos de um capitalismo de laços em que o trânsito entre negócios, política e ilegalidade se torna quase invisível — até explodir em prejuízo da sociedade inteira.

A “Operação Poço de Lobato”, deflagrada em 27 de novembro de 2025, tornou público o que há muito vinha sendo investigado: o Grupo Refit seria responsável por um gigantesco esquema de sonegação fiscal, fraude tributária e lavagem de dinheiro. O conglomerado é apontado como o maior devedor de ICMS do estado de São Paulo, com débitos que, somados aos passivos de outros estados, ultrapassam a marca de R$ 26 bilhões.

REDE DE EMPRESAS – As autoridades identificaram uma extensa rede de empresas — algumas em outros países — usadas como veículos para ocultar patrimônio, disfarçar lucros ilícitos e blindar bens. Apenas entre 2024 e 2025, segundo a investigação, o grupo movimentou cifras impressionantes: empresas próprias, fintechs, fundos de investimento e offshores foram parte de uma estrutura projetada para driblar a fiscalização e manter níveis de riqueza e poder incompatíveis com a atividade declarada de uma refinaria.

Mas a gravidade do caso não está apenas na fraude tributária. Ricardo Magro não construiu sua fortuna apenas com operações empresariais. Ele tem histórico de articulação política: chegou a ser advogado do ex-deputado federal Eduardo Cunha, figura que carrega um pesado histórico de desvios e corrupção. Essa proximidade indica que o patrimônio e a influência do empresário sempre estiveram inseridos no tabuleiro da política nacional — o que torna mais grave sua ascensão financeira e a eventual reprodução de mecanismos de poder indevido.

Quando um empresário com débitos bilionários, suspeita de lavagem de dinheiro e redes de offshores mantém ligações com figuras influentes e conta com blindagem institucional, abre-se um precedente perigosíssimo: legitima-se a infiltração do dinheiro sujo nas estruturas do Estado, transformando a democracia em fachada para interesses privados e ilícitos.

SONEGAÇÃO – E o cenário se agrava ainda mais quando há suspeitas — já ventiladas em investigações recentes — de que a Refit não só sonegava impostos, mas poderia estar envolvida com o abastecimento de esquemas ligados ao crime organizado, especialmente após o desmonte da cadeia anterior de distribuição de combustíveis apontada em outra operação.

Se confirmada essa conexão, trata-se de algo ainda mais grave: não apenas um crime econômico, mas uma ponte concreta entre o poder econômico formal, o coração do Estado e redes criminosas, com potencial para corroer o tecido institucional e degradar a governança.

É como se um mesmo personagem — o empresário — transitasse simultaneamente por três mundos: o dos negócios, o da política e o do crime. E cada um desses mundos, sozinho, já demanda vigilância intensa; juntos, formam uma bomba combinada para a democracia brasileira.

BENEFICIADOS – Em nome de quem, afinal, foi construída essa fortuna? Quem se beneficiou com a cumplicidade política e com a blindagem institucional? Quantos cofres públicos foram saqueados — enquanto se mantinha a aparência de legalidade? E, acima de tudo: quantos direitos sociais deixaram de ser garantidos, que poderiam ser assegurados com o dinheiro furtado à sociedade?

Cobrar a resposta dessas perguntas não é mero ativismo: é um ato de cidadania. Permitir que continuem sem resposta é abrir caminho para o avanço da impunidade. A justiça e a democracia não podem conviver com privilégios construídos em cigarros apagados, empresas-fantasma e lavagem de dinheiro.

A operação contra a Refit não é apenas mais uma investigação: é um teste para a capacidade do Estado de proteger o interesse público, de garantir transparência e impedir que o crime — financeiro ou organizado — transforme o Brasil num terreno fértil para a corrupção institucionalizada.

Candidatura sob chantagem: Flávio admite desistir se anistia a golpistas avançar

Mais escândalo! Meia Brasília está na folha de pagamentos do Banco Master

Um acordo de R$ 478 milhões que pode custar ainda mais caro a Daniel Vorcaro  | VEJA

Vorcaro comprou meio mundo em Brasília e já está solto

Fernão Lara Mesquita
Site Vespeiro

A infecção generalizada que vazou no abcesso conhecido como Banco Master inclui todos os patógenos da vasta fauna que se desenvolve no caldo de cultura brasiliense. Eis uma lista possivelmente incompleta dos que já foram identificados até este 18 de novembro da prisão de Daniel Vorcaro e seu sócio Augusto Lima pela Polícia Federal, que promete ser o primeiro teste real da capacidade de resistência da proteção por eles contratada, pois já estão soltos.

A lista é longa, encabeçada por Paulo Henrique Costa: presidente afastado do BRB, envolvido nas negociações com o Banco Master, evidenciando a vinculação entre instituições públicas e interesses privados.

OUTROS NOMES – Advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes. Seu escritório de advocacia, que inclui dois filhos do ministro como sócios, foi contratado para atuar em processos do Banco Master, fazendo a ligação jurídica direta entre Vorcaro e o Supremo Tribunal Federal. Em 2025, o escritório foi alvo de sanções americanas, o que impactou sua relação com o banqueiro.

Alexandre de Moraes: Ministro do STF, com relação indireta a Vorcaro via o escritório da esposa. Michel Temer: Ex-presidente da República e consultor de Vorcaro, que indicou Moraes ao STF, exercendo forte influência política e articulando conexões entre o banqueiro e o alto escalão do governo federal.

Ricardo Lewandowski: Ministro aposentado do STF que participou do comitê consultivo estratégico do Banco Master, consolidando vínculos com o Judiciário.

MAIS ENVOLVIDOS  – Ex-ministro e ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles faz parte do comitê de notáveis do Master, influenciando decisões financeiras estratégicas em favor do banco.

Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central, associado a Vorcaro em conselhos e círculos de poder financeiro.

Jaques Wagner: Líder do governo no Senado, aliado próximo de Augusto Lima, sócio de Vorcaro, influenciador na expansão do programa Credcesta na Bahia, que foi fundamental para o crescimento do banco. Davi Alcolumbre: presidente do Congresso, com trânsito facilitado junto a Vorcaro, viabilizando articulações políticas no Legislativo.

OUTRAS FIGURAS – Presidente do PP, o senador Ciro Nogueira foi figura central das negociações para a venda do Banco Master ao BRB, padrinho da indicação do presidente do Cade, Alexandre Cordeiro, e ator político com conexões amplas que unem Vorcaro a diversos grupos de poder.

Ibaneis Rocha: Governador do Distrito Federal, defensor da compra do Master pelo BRB, articulador político que buscava alianças para a eleição de 2026, fortalecendo laços regionais e nacionais.

Guido Mantega: Ex-ministro da Fazenda, consultor de Vorcaro, responsável por apresentar o banqueiro ao presidente Lula, ampliando sua inserção no governo federal. Alexandre Silveira: Ministro de Minas e Energia ligado a Vorcaro, representando conexões com setores estratégicos da economia.

AINDA MAIS – Empresários mineiros e parceiros de Vorcaro, Walfrido dos Mares Guia e Lucas Kallas atuam em setores-chave da corrupção, como educação, saúde e mineração.

Rui Costa: Ministro da Casa Civil e ex-governador da Bahia, amigo de Augusto Lima, ampliou o programa Credcesta, peça-chave para o Banco Master. Fábio Faria: Ex-ministro e interlocutor político de Bolsonaro, facilitou a aproximação de Vorcaro com diversas lideranças.

Antônio Rueda: Presidente do União Brasil, aliado em projetos políticos conjuntos, participando da aliança que apoia a candidatura de Ibaneis ao governo do DF.

Alexandre Cordeiro: Indicado por Ciro Nogueira para o Cade, que aprovou a controversa compra do Banco Master pelo BRB.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Excelente matéria, enviada pelo advogado João Amaury Belém, que exibe a podridão de Brasília, infestada por essa gentalha que hoje domina os três Poderes. Só com todos os participantes desse desgoverno na cadeia é que poderemos começar a moralizar o país. (C.N.)

Moraes está deixando sem resposta as petições de Mauro Cid e Bolsonaro?

Charge de Kleber Sales (Correio Braziliense)

Carlos Newton

O mais importante processo criminal da História Republicana está sendo conduzido de forma totalmente equivocada pelo ministro Alexandre de Moraes, que aparece nos autos como juiz de instrução, relator, julgador e vítima, algo jamais visto no Direito Universal, em nenhum país que possa ser considerado democrático.

O mais grave foi desrespeitar os prazos processuais e declarar o trânsito em julgado no dia 25 de novembro, embora a ação ainda estivesse em andamento e com prazos abertos para apresentação de recursos e outras petições que se fizessem necessárias.

SEM RESPOSTA – Foi uma decisão tão grotesca e ilegal que deixou sem resposta várias petições. Além de Bolsonaro e os demais réus não poderem apresentar os embargos infringentes, Moraes esqueceu (?) de despachar os insistentes pedidos de Mauro Cid para que seja extinta a pena do militar.

O primeiro pedido dos advogados de Mauro Cid foi encaminhado lá atrás, em setembro, pouco depois de iniciado o julgamento do núcleo central da trama golpista.

Naquela ocasião, porém, Moraes negou o pedido, alegando que não era o momento processual adequado para discutir o assunto. Para o ministro, o tema deveria ser analisado após o trânsito em julgado da ação, que é quando se esgotam as possibilidades de recurso.

SEM RECURSO – Tentando acompanhar o estranho raciocínio do relator, os advogados de Mauro Cid decidiram não recorrer. Pela falta de recurso, seu processo transitou em julgado em 28 de setembro e a petição ficou sem resposta.

Mais de um mês depois, em 3 de novembro, a defesa  repetiu a apresentação, renovando o pedido.

A justificativa da defesa é que o tenente-coronel Mauro Cid já cumprira sua pena ao passar cinco meses em prisão preventiva e dois anos sob medidas cautelares que restringem a locomoção, como o uso de tornozeleira eletrônica.

SEM RESPOSTA – Como o período sob cautelares não costuma ser abatido das penas no Supremo, que considera somente o tempo de efetiva prisão, os advogados mencionaram decisões do Superior Tribunal de Justiça, nas quais o tempo das medidas entrou no cálculo.

Somente nessa fase é que Moraes resolveu ouvir a Procuradoria-Geral da República, que opinou contra o pedido da defesa. A recusa ocorreu em 19 de novembro, mesmo assim, até hoje o ministro Moraes ainda não deu uma resposta definitiva sobre o caso de Mauro Cid, apesar de ter extinguido ilegalmente o processo enquanto havia várias pendências.

Da mesma forma, Moraes ainda não despachou a petição da defesa de Bolsonaro, com recursos apresentados dia 28 de novembro, ainda dentro do prazo.

O QUE ACONTECERÁ? – Se o relator Moraes continuar fingindo de morto e não despachar as petições de Mauro Cid e Bolsonaro, o que pode acontecer? Bem, eles têm direito de recorrer à Segunda Turma. Nas regras do Supremo, os julgados de uma turma são revistos pela outra. Veja como funciona, no caso dos embargos:

Art. 334. Os embargos de divergência e os embargos infringentes serão opostos no prazo de quinze dias, perante a Secretaria, e juntos aos autos, independentemente de despacho.

Art. 335. Interpostos os embargos, o Relator abrirá vista ao recorrido, por quinze dias, para contrarrazões. – § 1º. Transcorrido o prazo do caput, o Relator do acórdão embargado apreciará a admissibilidade do recurso.

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P.S. – O Regimento é claro como o dia. Moraes tem obrigação de despachar as petições de Mauro Cid e Bolsonaro, dentro dos prazos previstos. Se não o fizer, terá de sofrer impeachment, por ser um juiz sem caráter e dignidade. (C.N.)  

Crise Messias-Gilmar acirra guerra entre Poderes e fragiliza indicação de Lula ao STF

Integrantes da Corte avaliam que Messias expôs Gilmar

Guilherme Seto
Folha

Em conversas na última quinta-feira (4), ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) adotaram tom de indignação ao comentar a manifestação apresentada pela Advocacia-Geral da União, comandada por Jorge Messias, que pediu que Gilmar Mendes reconsiderasse sua decisão que ajuda a blindar integrantes da corte contra a abertura de processos de impeachment. Gilmar rejeitou o pleito da AGU também nesta quinta-feira.

APOIO – Ministros afirmaram nessas conversas que, em suas avaliações, Messias tentou se aproveitar do atrito entre o Senado e Gilmar para ganhar o apoio de senadores em sua campanha para conseguir aprovação para sua indicação. Ignorou, no entanto, o desgaste que isso geraria para o ministro, que vinha trabalhando insistentemente para vencer a resistência de colegas como Alexandre de Moraes e Flávio Dino ao seu nome.

Moraes apoiava o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que era o preferido também do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil). Dino, por sua vez, desentendeu-se com Messias quando ambos faziam parte do governo petista.

A cronologia do processo também foi destacada nas conversas pelos ministros, que ressaltaram que Gilmar pediu manifestação da AGU no processo em 30 de setembro e a resposta foi apresentada somente agora, em meio à campanha de Messias para uma vaga no STF.

DENÚNCIA – Em sua decisão, Gilmar afirma que apenas o chefe da PGR (Procuradoria-Geral da República), atualmente a cargo de Paulo Gonet, pode apresentar denúncia para abertura de impeachment contra magistrados do Supremo.

A reação no Senado foi imediata. Em nota, o presidente do Senado, Alcolumbre, cobrou respeito do tribunal e falou em mudar a Constituição para defender as prerrogativas do Senado se preciso. Na manifestação rejeitada por Gilmar, a AGU pediu que a decisão tivesse seus efeitos suspensos até o julgamento definitivo pelo plenário do STF.

Falta citar Havelange na homenagem que a Fifa está prestando a Trump

Meu pai comprou passagem no Titanic, mas perdeu o barco que o levaria a bordo. Não fosse isso, eu não estaria aqui" - João Havelange, ex-presidente da Fifa,

Havelange, o maior dirigente esportivo de todos os tempos

Vicente Limongi Neto

A meu ver, João Havelange foi o maior dirigente esportivo da História. Nessa linha, o troféu inédito da FIFA, chamado de “Prêmio da Paz”, que a entidade dará ao presidente Donald Trump, merece ser denominado de Prêmio João Havelange. Uma vida dedicada ao futebol.

Quando assumiu a presidência da FIFA, a entidade era um pardieiro. Com competência e lucidez Havelange transformou a FIFA numa potência esportiva e financeira. Uniu o mundo e raças com o futebol. Em maio de 2026, Havelange completaria 109 anos de idade.

GÊNIO DA BOLA –  Falar e escrever mais o quê sobre Paulo Henrique Ganso? Chamá-lo de gênio é o suficiente. Reitero, sempre, que o cerebral meia continua indispensável a seleção brasileira. Mesmo não sendo titular.

Com toda certeza, ele fortalece o grupo, transmite respeito e liderança. Jogador com a qualidade e a experiência de Ganso, no banco, causa pavor aos adversários.

Partida dura, difícil, adversário fechado e retraído. Em uma jogada própria dos gênios, Ganso acha espaço e resolve.  Abre o olho, Carlo Ancelotti.

SISTEMA S – O governador Ibaneis Rocha destaca os investimentos marcante da Confederação Nacional do Comércio, de Bens de Serviço e Turismo (CNC)  no Distrito Federal, na gestão do presidente da entidade, José Roberto Tadros.

Incluindo a construção de um hospital, um Centro de Distribuição, um hotel e um empreendimento gastronômico que juntos ultrapassam 1 bilhão de reais. Nessa linha, de trabalho operoso, no próximo dia 28, a Fecomércio-DF comemora 55 anos de atuação na defesa do setor do comércio de bens, serviços e turismo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Limongi recebeu uma mensagem do acadêmico Ignacio de Loyola Brandão, sobre os artigos dele aqui na Tribuna da Internet, o que muito nos orgulha. Assim, vale a pena transcrever aqui o texto do festejado imortal. (C.N.)

Amigo, gostaria de assinar alguns artigos seus. Ter essa visão real, perfunctória. Gostou desta palavra? Mas, medíocre como sou, só conseguiria dizer isso: Em que merda estamos!

Abraços,

Ignacio

Da prisão, Bolsonaro impôs apoio de Michelle e do PL à candidatura de Flávio à Presidência