Michelle impõe autoridade e reordena o bolsonarismo após ataque dos filhos

Na memória de Drummond, eternizou-se um caso de amor perdido

O cofre do banco contém apenas... Carlos Drummond de Andrade - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

O bacharel em Farmácia, funcionário público, escritor e poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), um dos mestres da poesia brasileira, no poema “Memória”, relembra o amor perdido.

MEMÓRIA
Carlos Drummond de Andrade

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.

Congresso precisa colocar Gilmar Mendes no seu devido lugar

Curitiba lança movimento: Gilmar Mendes persona no grata

Gilmar Mendesnão se aprimora e fica fazendo beicinho

Vicente Limongi Netto

O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, esticou a corda demais. Brincou com fogo. Em liminar monocrática, burra e estúpida, decidiu que ministros da Suprema Corte não podem mais ser alvos de processos de impeachment pelo Congresso Nacional. Gilmar com a arbitrária medida, é merecedor, sem fazer força, do troféu bola murcha de 2025.

Com a excrescência jurídica, Gilmar Mendes conseguiu outra façanha, unir senadores e deputados de todos os partidos. A indignação é geral. Ganhou a unanimidade do contra. Outro troféu pelo qual Mendes deveria se envergonhar.

PROVOCAÇÃO – O clima de guerra entre judiciário e congresso ficou mais tenso. Há quem diga que a desnecessária provocação de Gilmar Mendes acende outro fósforo na gasolina. Gilmar visou cortar as asas do Congresso, porque muitas vezes, nas recentes quadras políticas do país, senadores e deputados se arvoram de dono de tudo. Costumam-se colocar abertamente contra atos e providências do Supremo Tribunal Federal.

De toda forma, com o inacreditável gesto, Gilmar atingiu gravemente a Constituição e a democracia, porque não existe democracia plena com instituições desunidas. Com tiros inconsequentes de todos os lados. Registre-se que Lula colaborou para deixar os ânimos mais exaltados, mandando para o Senado, açodadamente, o nome do obscuro Jorge Messias para ministro do STF.

Lembro e enfatizo por necessário: com o vigoroso baiano Antônio Carlos Magalhães presidente do Congresso Nacional, Gilmar Mendes não se atreveria fazer nada contra as atribuições do congresso. Caso tentasse, levaria bons puxões de orelha e bicos na virilha do saudoso e idolatrado político da Bahia. 

MANUAL DE REDAÇÃO – Brasileirão na reta final, em cena, brilhando, em campo, entre narradores e repórteres, o inacreditável, patético e pornográfico “matematicamente”, ao invés de “aritmeticamente”.

É um vício medonho e irritante que não tem fim.  Falam errado na maior cara de pau. Enchem a boca. Dói nos bons ouvidos. Ano que vem tem mais. Os manuais de redação foram jogados no lixo.

Quando a vingança parlamentar vira ameaça à democracia e ao meio ambiente

Charge do Gilmar Fraga (Zero Hora)

Míriam Leitão
O Globo

A democracia brasileira não permite descanso. Na mesma semana em que o Brasil atravessou uma fronteira histórica para fortalecer os pilares do regime das liberdades, o Congresso humilha o país mostrando que é capaz de tudo para atender a interesses menores. Não foi o governo que o Congresso derrotou com suas pautas-bomba e destruição das leis de proteção ambiental e do patrimônio histórico. Foi o país.

O Brasil nunca havia punido golpistas. Passou toda a história republicana assombrado por golpes, tentativas de golpes, quarteladas e pela ideia dos militares de que lhes cabia tutelar o poder civil. Prender generais e um ex-presidente condenados após o devido processo legal por tentativa de golpe é um passo gigante. Os que têm a democracia como valor supremo poderiam, quem sabe, depois disso, descansar um pouco da grande batalha.

CONSPIRAÇÃO – Foi doloroso atravessar o tempo em que Jair Bolsonaro e seus ajudantes civis e militares diuturnamente atentaram contra a democracia. Nós que vivemos os dolorosos 21 anos de ditadura sabíamos o risco que o país corria a cada dia, entendíamos todos os gestos da conspiração, ouvimos todas as ameaças. Vivemos quatro anos a iminência de nova tragédia cívica.

A prisão inédita na História de generais, almirante e ex-presidente não pode ser vista como um acerto de contas com o passado, tem que ser um pacto com o futuro. É a chance do fim do golpismo crônico, um acordo entre dessemelhantes em torno de princípios comuns. A democracia é assim. A concordância tem que ser sobre valores republicanos, mas não a imposição do pensamento único. É bem-vinda a discordância.

Discordar não é usar o Parlamento como vingança, alegando estar em briga com o governo para ferir o país, seu patrimônio e sua chance de futuro. O PL da Devastação que o Congresso restabeleceu, ao derrubar os vetos do presidente Lula, é um retrocesso brutal. É a demolição de leis, normas, limites criados em décadas de esforço. É colocar em risco preciosidades.

ERRA NO ATACADO – O governo errou no varejo. O Congresso erra no atacado. Lula tem a prerrogativa de indicar o nome de ministros do STF. Portanto, não tinha mesmo que se curvar à vontade do senador Davi Alcolumbre. Mas deveria ter feito diferente. Perto do recesso do Judiciário, o governo poderia ter deixado a nomeação de Jorge Messias para o ano que vem.

E em qualquer tempo de sua escolha deveria ter comunicado ao senador antes de tornar a decisão pública. Na Câmara, poderia ter agido com mais temperança e estratégia diante do risco da desfiguração, com propósitos político-eleitorais, do projeto antifacção. Aliás, o próprio envio do projeto é discutível. Mais eficientes contra o crime têm sido as operações de inteligência financeira como a Carbono Oculto.

O governo errou nos modos, o Congresso errou o alvo. Não foi por estar “de mal” com o Executivo que o Congresso fez o que fez. É o que ele quis fazer desde sempre. Há muito tempo, grupos de parlamentares, lobbies do agronegócio e de empreiteiros querem demolir as leis ambientais do país. Há anos conspiram. O conflito com o governo foi pretexto.

OPORTUNISMO – É oportunismo. A votação dos vetos estava marcada quando houve a reação à PEC da Blindagem. Eles recuaram, temendo a impopularidade. Depois decidiram esperar a COP. Não foi resposta na briga com o Executivo. Foi crime premeditado.

Estamos agora andando sobre os escombros do edifício de proteção construído com zelo e luta. Tudo está em risco. A Sociedade de Arqueologia Brasileira alerta que todos os sítios arqueológicos do país estão correndo perigo de serem destruídos antes de serem descobertos. Empreendedores podem iniciar a maioria das obras sem qualquer licenciamento. Não precisam ouvir o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Se a lei valesse em 2011, não teríamos preservado o Cais do Valongo.

A partir de agora se um grileiro declarar um Cadastro Ambiental Rural em terra pública, pode fazer qualquer coisa, e não precisa esperar a validação por órgãos ambientais. A preciosa e frágil Mata Atlântica poderá ter vegetação suprimida. Perdeu a blindagem. Obras em terras indígenas ainda não homologadas podem ser iniciadas sem ouvir os indígenas. Pareceres do Ibama, ICMBio e Funai tornaram-se facultativos. Estados e municípios podem fazer suas normas ambientais ignorando leis federais. É um erro dizer que o Congresso derrotou o governo. Ele atirou na democracia.

Na disputa pelo poder no Brasil, um simples detalhe vira crise nacional

“Não há Judiciário tão forte quanto o do Brasil”, diz Moraes, elogiando a solidez institucional

Articulação silenciosa de senadores evangélicos pode salvar Messias

Bastidores da disputa definirá o futuro de Messias

Malu Gaspar
O Globo

Enquanto mapeiam votos e fazem as costuras políticas no Senado, aliados de Jorge Messias acreditam que ele vá contar com um apoio importante, mas silencioso, na batalha para driblar a resistência do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e conseguir os 41 votos necessários para confirmar a sua indicação para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Pelo menos cinco aliados de Messias ouvidos reservadamente pelo blog calculam que muitos senadores evangélicos, inclusive os bolsonaristas, podem votar favoravelmente mesmo que nunca admitam em público. A análise da indicação de Messias está marcada para o próximo dia 10 e o voto é secreto, o que abre margem para traições de todos os lados.

PRESSÃO – “Os senadores não podem declarar apoio ao Messias para não se queimar com os seus eleitores bolsonaristas nem se indispor com Davi”, resume um integrante da Frente Parlamentar Evangélica ouvido reservadamente pelo blog. “A pressão está grande e ninguém quer sofrer represália do Alcolumbre.”

Um estudo do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), aponta que a bancada evangélica saltou de 7 para 13 senadores entre as eleições de 2018 e 2022. No foco desses parlamentares estão temas como aborto, união homoafetiva, pesquisas com células tronco, “Escola sem Partido” e “ideologia de gênero”, todos já judicializados perante o STF.

“Esse apoio pode fazer a diferença, porque nossa previsão é de um placar apertado”, afirmou um interlocutor de Messias, que aposta numa aprovação na faixa entre 45 e 48 votos – para ser confirmado no cargo, o advogado-geral da União precisa de, ao menos, 41 votos favoráveis.

GUERRA DE NÚMEROS –  Do lado de Alcolumbre na “guerra dos números”, a conta é que Messias só tem hoje entre 28 e 31 votos e conseguiria baixa adesão entre os evangélicos, apesar do empenho de uma de suas principais aliadas na Casa, a senadora evangélica Eliziane Gama (PSD-MA).

Uma das dificuldades no caminho de Messias é superar a resistência de uma ala de parlamentares que o vê como um “quadro ideológico do PT” e “homem de confiança do Lula e da Dilma”, e para quem o “rótulo de evangélico não cola”.

“Não convence esse aspecto de Messias ser evangélico, isso não vira voto para ele aqui, porque as condutas dele demonstram alinhamento ideológico político ao PT e ao Lula, não religioso”, alfineta um parlamentar da tropa de choque bolsonarista.

CABOS ELEITORAIS –  Um dos principais cabos eleitorais de Messias para angariar apoio entre os senadores evangélicos é o ministro do STF André Mendonça, indicado ao cargo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em 2021. Os dois chefiaram a Advocacia-Geral da União (AGU), são evangélicos – Messias é membro da Igreja Batista, enquanto Mendonça é pastor da Igreja Presbiteriana – e também sofreram nas mãos de Alcolumbre.

No caso de Mendonça, Alcolumbre, que era na época presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, segurou por mais de quatro meses a realização da sabatina e articulou nos bastidores não só pela rejeição do “terrivelmente evangélico”, mas também para emplacar na vaga o então procurador-geral da República, Augusto Aras.

BLOCO CONSERVADOR –  Além de Mendonça, o ministro Kassio Nunes Marques – que também foi indicado ao cargo por Bolsonaro e possui bom trânsito entre parlamentares conservadores – também está ajudando a campanha de Messias no Senado.

Lideranças evangélicas apostam na confirmação de Messias para reforçar o “bloco conservador” do STF e impedir o avanço de pautas progressistas, como a descriminalização do aborto e a participação de crianças e adolescentes em paradas do orgulho LGBTQIA+.

Para esses aliados de Messias, o advogado-geral da União pode se aliar a uma ala mais conservadora do STF, que incluiria Cristiano Zanin, Dias Toffoli, Luiz Fux (que já disse que a Corte precisa “decidir não decidir” em casos que seriam de responsabilidade do Congresso) e os dois ministros indicados ao tribunal por Bolsonaro – Nunes Marques e Mendonça.

ALINHAMENTO – Esses ministros não atuam como um bloco homogêneo que vota sempre alinhado em temas como aborto, descriminalização das drogas e pautas de interesse da comunidade LGBTQIA+. Mas são magistrados que os conservadores identificam como sendo mais alinhados a seus valores – e que são mais resistentes à interferência do Poder Judiciário em temas que seriam de competência do Congresso.

Na história da República, apenas o presidente Floriano Peixoto teve indicações rejeitadas pelo Senado — cinco ao todo, todas em 1894, entre elas a do médico Barata Ribeiro, que batiza rua no bairro de Copacabana, no Rio.

Jorge Messias mostra que é servil a Lula, ao invés de servir à União

O telefonema que Messias precisará fazer em sua campanha por votos no Senado

Messias é um bajulador, sem condições de chegar ao STF

Carlos Newton

Uma das principais obrigações do ministro da Advocacia Geral da União, cargo hoje ocupado pelo ministro Jorge Messias, é a de defender o patrimônio público, os interesses da União, de suas autarquias e fundações públicas, ajuizando ações e defendendo os interesses federais. Tudo isso com zelo e celeridade.

Indicado pelo presidente Lula da Silva para integrar o Supremo Tribunal Federal, na vaga de Luís Roberto Barroso, o ministro Jorge Messias está se omitindo em sua função na AGU.

CASO DOS PRESENTES – As falhas de Messias ficam patentes nos autos do processo no. 5001104-15, de 2017, que está no Tribunal Regional Federal, em São Paulo, e que tem o presidente Lula da Silva como autor e recorrente, já que foi derrotado em primeira instância. 

A ré é a União Federal. Porém, com o retorno de Lula à chefia do governo brasileiro, em janeiro de 2023, desde então não ocorreu nenhum pedido da AGU para que o processo seja concluído. Situação complexa. Como poderia o ministro da AGU, em nome da União, voltar-se contra quem o nomeou para o cargo?

Na condição de vitoriosa no processo, caberia à União requerer a rápida tramitação e sua conclusão no TRF 3. Qualquer advogado em ação privada seria cobrado por semelhante e injustificável inércia.

PREVARICAÇÃO – No seu recurso, apresentado em setembro de 2019, o hoje presidente Lula mostrou-se inconformado com a sentença do juiz federal de São Bernardo do Campo, Carlos Alberto Loverra. Mas a AGU, intimada a apresentar as razões finais em nome da União, para que a ação seja concluída, simplesmente não cumpriu a intimação. 

Em seguida e sem explicações, o processo saiu da pauta de julgamento no final de abril de 2023, no início do governo Lula, e permanece engavetado no gabinete do desembargador Nery Júnior, naquele Tribunal.

DESISTIR DA AÇÃO – Algum assessor poderia ousar sugerir a Lula que desistisse dessa ação que move contra a União, da qual é o chefe máximo. 

A sentença do juiz federal Carlos Alberto Loverra é claríssima. Diz ele: “A todos os órgãos da administração pública, em especial ao Presidente da República, cabe observar os princípios constitucionais de moralidade e impessoalidade, tendo em mente, como já mencionado, que os presentes recebidos em mãos pela pessoa do Chefe de Estado e de governo brasileiros são destinados ao país, ressalvados aqueles de caráter personalíssimo ou consumíveis”. 

E acrescentou: “Se assim não fosse, ou seja, se à pessoa do Presidente pertencesse todo e qualquer presente recebido em cerimônias, por certo ao mesmo também caberia adquirir, com seus próprios recursos, os presentes oferecidos aos mandatários estrangeiros, do que nem se cogita”.

IMPROCEDENTE – O juiz então deu a decisão contrária a Lula: “Posto isso, e considerando o que mais dos autos consta, JULGO o pedido. Custas pelo Autor, que pagará honorários advocatícios arbitrados em 10% do valor da causa atualizado”.

É uma ação que envergonha o país, com o presidente da República querendo usurpar presentes valiosíssimos, que recebeu de mandatários estrangeiros, especialmente do mundo árabe.

E o amigo Jorge Messias, que tem obrigação funcional de evitar que isso aconteça, mostra que a AGU serve ao presidente ao invés de servir à República. É uma situação verdadeiramente indecorosa.

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P.S. – O Senado precisa colocar logo em votação e vetar o nome de Jorge Messias para o Supremo, por falta de dignidade pessoal e institucional. (C.N.)

Allan dos Santos acusa Michelle de ignorar Bolsonaro e inflamar crise na direita

Vereador do PT aciona Justiça para tirar benefícios de Bolsonaro preso

Bolsonaro mantém assessores e veículos oficiais

Deu na Folha

O vereador de Belo Horizonte Pedro Rousseff (PT), sobrinho-neto da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), entrou com uma ação na Justiça Federal da capital mineira para pedir a suspensão de benefícios do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por não haver, em lei, situação de ex-mandatário privado de liberdade.

A ação foi protocolada na Vara Cível da Seção Judiciária de Belo Horizonte. O documento cita reportagens que mostraram que Bolsonaro, mesmo condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a 27 anos e três meses de prisão pela trama golpista, segue tendo acesso a quatro servidores para atividades de segurança e apoio, dois veículos oficiais com motoristas e dois assessores comissionados. O ex-presidente também tem despesas administrativas correlatas —passagens, diárias, combustível e manutenção de veículos.

VIDA PÚBLICA – Segundo o texto, a lei não contempla, “em nenhuma hipótese, a situação de ex-presidente condenado criminalmente e privado de liberdade”. A ação prossegue e diz que o decreto que regulamenta a lei “partiu do pressuposto de que o ex-chefe de Estado permaneceria em vida pública, sofrendo riscos específicos, deslocando-se, participando de compromissos e exercendo atividades que justificassem logística, segurança e assessoramento”.

“Uma vez preso, nenhum desses fundamentos subsiste”, prossegue. “A manutenção de servidores, assessores e veículos oficiais para indivíduo privado de liberdade constitui desvio de finalidade, uma vez que a estrutura custeada pelo Estado destina-se a proteger ex-chefes de Estado em atividade civil, não pessoas encarceradas sem participação na vida pública.” O vereador também fala em lesão ao erário, por “gastos sem causa pública, sem finalidade constitucional e sem utilidade para a sociedade”.

De crítico a entusiasta: Eduardo Bolsonaro celebra diálogo Lula–Trump

Deputado defendeu avanços nas relações bilaterais

Junio Silva
Correio Braziliense

Eduardo Bolsonaro publicou no X, nesta terça-feira (2/12), que recebeu com otimismo a notícia sobre a ligação entre o presidente dos Estados Unidos Donald Trump e o presidente Lula.

O deputado, que atualmente vive nos EUA, afirma que confia no republicano para negociar com o Brasil “um entendimento que proteja os interesses estratégicos dos Estados Unidos no hemisfério e, ao mesmo tempo, reconheça a urgência da restauração das liberdades civis e do Estado de Direito para o povo brasileiro”.

ELOGIO – A avaliação do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro vem após Trump elogiar novamente o presidente Lula. Mais cedo, os dois líderes conversaram por telefone sobre o comércio entre Brasil e EUA, combate ao crime organizado e sanções contra autoridades brasileiras.

“Tivemos uma conversa muito boa. Eu gosto dele, muito bom. Tivemos algumas boas reuniões, como você sabe, mas hoje tivemos uma conversa muito boa”, afirmou o norte-americano.

MUDANÇA DE POSTURA – Eduardo, que comemorou as sanções de Washington impostas à economia brasileira e autoridades, desta vez afirma que o diálogo entre os dois países pode abrir caminhos importantes.

“Qualquer avanço real nas relações bilaterais exige enfrentar, com honestidade, a atual crise institucional do Brasil e reafirmar a liberdade como fundamento essencial entre nações democráticas”, escreveu. Os demais filhos de Jair Bolsonaro não comentaram a aproximação entre Trump e Lula até o momento.

Lula dobra a aposta no STF e diz que indicará Messias mesmo após rejeição

Presidente reforçou que não tem plano B

Jeniffer Gularte
Sérgio Roxo
O Globo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não trabalha com outro nome para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) e tem afirmado a pessoas próximas que vai indicar o ministro Jorge Messias (Advocacia-Geral da União) novamente em caso de rejeição pelo Senado. Após a ampliação da tensão entre a Casa e o Palácio do Planalto no final de semana, Lula reforçou ao seu entorno que não cogita um plano B para o posto vago após a aposentadoria de Luís Roberto Barroso.

Lula também sinalizou que não levará adiante especulações sobre outros cotados que poderiam ser escolhidos à Corte na hipótese de Messias ser derrotado no Senado. O presidente tem cuidado pessoalmente da articulação política do governo na crise.

DIÁLOGO DIRETO – Com comunicação bloqueada entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), desde a comunicação da escolha de Messias ao STF, em 20 de novembro, Lula trouxe o assunto para si e tem falado com senadores em busca de apoio para Messias. Há expectativa de que Lula e Alcolumbre tenham uma conversa nos próximos dias.

— Minha relação com o Alcolumbre está boa. Ainda não conversamos, mas isso está sendo trabalhado. Tem muita gente no meio fazendo essa movimentação, vice-líderes, líderes de outros partidos. A conversa está andando — disse Wagner nesta terça-feira.

De acordo com relatos, em almoço a sós com senador Weverton Rocha (PDT-MA, relator da indicação de Messias ao STF, na segunda-feira, Lula afirmou ao parlamentar que estava feliz com a escolha e não pretendia mudar de ideia. Weverton indicou na conversa que deve apresentar um parecer favorável na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

MAIS TEMPO – O Palácio do Planalto reconhece as dificuldades de Messias na Casa e atua para conseguir mais tempo para a articulação do ministro junto aos parlamentares. Sem o envio formal da mensagem oficial ao Congresso que comunica a decisão do presidente Lula, o governo trabalha com a possibilidade de adiar em alguns dias a sabatina marcada para 10 de dezembro. Outro cenário à mesa é deixar o escrutínio da CCJ apenas para 2026.

Messias tem se deparado com um campo minado no seu roteiro pelo Senado. Nesta terça-feira, também a pedido de Messias, haveria um almoço com integrantes do bloco parlamentar ‘Vanguarda’, formado pelos 16 parlamentares do PL e do Partido Novo. A agenda, no entanto, foi desmarcada.

O advogado-geral da União também pediu um encontro com o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), o preferido da Casa para a vaga de Luís Roberto Barroso e que acabou preterido por Lula. A expectativa, no entanto, é que um encontro entre Pacheco e Messias ocorra apenas quando a tensão entre Planalto e Senado arrefecer.

Prisão de presidente da Alerj : Moraes aponta captura do Legislativo por facção criminosa

“Atiraste uma pedra no peito de quem só te fez tanto bem…”

David Nasser era capaz de produzir uma letra de música em questão de  minutos - Jornal Opção

Herivelto e Nasser criaram grandes sucessos

Paulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista, escritor e letrista, nascido em Jaú (SP), David Nasser (1917-1980), autor de diversos clássicos do nosso cancioneiro popular, entre os quais “Atiraste uma Pedra”, em parceria com Herivelto Martins, retratando o sofrimento que a separação da pessoa amada acarreta. Este belo samba-canção teve sua primeira gravação feita por Nelson Gonçalves, em 1958, pela RCA Vitor.

ATIRASTE UMA PEDRA
Herivelto Martins e David Nasser

Atiraste uma pedra
no peito de quem
Só te fez tanto bem
E quebraste um telhado
Perdeste um abrigo
Feriste um amigo
Conseguiste magoar
Quem das mágoas te livrou

Atiraste uma pedra      
Com as mãos que esta boca
Tantas vezes beijou.
Quebraste o telhado
Que nas noites de frio
Te serviu de abrigo.

Perdeste um amigo
Que os teus erros não viu
E o teu pranto enxugou
Mas acima de tudo
Atiraste uma pedra
Turvando esta água
Esta água que um dia
Por estranha ironia
Tua sede matou.

Michelle e Ciro, entre tapas e beijos, preparam-se para a eleição de 2026

Michelle Bolsonaro rechaça aliança do PL com Ciro Gomes no Ceará

Reprodução do Arquivo Google

Vicente Limongi Netto

Ciro Gomes e Michelle Bolsonaro. Vem aí uma chapa imbatível para tirar a campanha presidencial de 2026 do marasmo. Ciro truculento, Michelle doce e elegante. Eleitor gosta de candidatos que não se fazem de rogados. Ciro garante que amadureceu. Não xinga mais ninguém. Antes tinha raiva, agora tem ódio dos adversários.
Ciro é cotado para voltar ao governo do Ceará. Foi ministro e deputado. Se derem chance a ele de formar boa chapa para disputar, novamente, a Presidência da República, ano que vem, poderá dar trabalho aos adversários.
 
NÃO ENGOLE – Michelle já disse que não engole Ciro nem pintado de ouro. Precisa saber que eleição é dureza. Não é disputa para entrar em convento nem para freiras. Michelle sabe bem que o marido, ex-presidente Bolsonaro, também nunca foi de esconder o que pensava. O que vinha na telha, mandava ver.
 
O filho vereador, enteado de MichelLe, Carlos Bolsonaro, revelou que a entrada de Ciro Gomes no time bolsonarista é determinação do próprio Bolsonaro. Michele que trate de deixar em casa o constrangimento e o pudor se realmente sonha com voos maiores como política.
 
Se o clã Bolsonaro recusar Ciro Gomes, quem perde mais é a própria Michelle, porque Ciro dificilmente deixará de voltar a ser governador do Ceará, se quiser. Outro nó que Michele tem que desatar: ela brigou com o chefão do PL, Valdemar Costa Neto, veterano tinhoso e dono do cofre.

Foragidos, Eduardo e Ramagem mantêm R$ 80 milhões em emendas no orçamento de 2026

Bolsonarismo em rota de colisão: a implosão familiar que expõe a crise no PL

Relator desafia Moraes e defende manter mandato de Zambelli, mesmo presa na Itália

Toffoli impõe sigilo absoluto em caso ligado ao Master e incomoda ministros

Acredite se quiser! Processo contra Jair Bolsonaro ainda não está concluído

 Ilustração: Kleber Sales/Estadão

Ilustração do Kleber Sales (Estadão)

Carlos Newton

O retrocesso institucional e intelectual vivido hoje pelo Brasil é de tal nível que chega a assustar aos mais velhos, como o editor que aqui vos fala, pois a gente chega a duvidar de nossa democracia. Basta conferir os levantamentos feitos pela Organização das Nações Unidas, ao festejar em 15 de setembro o Dia Internacional da Democracia.

Na verdade, pouco havia a ser comemorado e há muito a fazer para evoluir nesse quesito. Entre os 167 países avaliados, apenas 24 são apontados como democracias plenas pelo índice da ONU, atualizado a cada ano pela União da Inteligência Econômica, órgão especialmente criado  para acompanhar essa evolução ou involução, como está ocorrendo no Brasil.

PODRES PODERES – Como diz Caetano Veloso, no Brasil os homens exercem seus podres poderes de uma forma realmente negativa. Com toda certeza, o país vai continuar caindo nesse importante ranking, porque desde a ditadura de 1964 não se via tamanha esculhambação.

Neste contexto, sabe-se que a maior contribuição negativa tem sido o trabalho do ministro Alexandre de Moraes, que se mostra incansável na tarefa de destruir a democracia. E tudo começou em março de 2014, quando ganhou a missão de relatar o inquérito sobre fake news, criado pelo então presidente Dias Toffoli para bloquear as críticas a ministros do STF e suas famílias.

O resultado é que Moraes montou em cima disso o Inquérito do Fim do Mundo, desrespeitando as leis e prorrogando indefinidamente as investigações, algo inexistente em qualquer democracia.

VIROU TERRORISTA – Moraes vem brincando com a verdade, aqui e lá fora. Entrou na mira das autoridades americanas ao pedir prisão e deportação de bolsonaristas ao governo Lula.

Depois, inventou decisões judiciais brasileiras a serem cumpridas pela Justiça americana, levando o empresário americano Elon Musk a contra-atacar.

Mesmo assim, Moraes insistiu na insanidade jurídica e acabou incriminado na Lei Magnitsky, passando a ser considerado “terrorista” pelo governo Trump e pelo Congresso americano, e levou junto com a mulher, a advogada Viviane Barci Moraes.

AINDA APRONTANDO – O mais incrível é que o destrambelhado ministro não se emenda. Na semana passada, declarou concluído o processo contra Jair Bolsonaro antes que se consumasse o prazo para recursos, a defesa apresentou embargos infringentes na sexta-feira, mas o ministro insiste em dizer que o processo acabou, e a imprensa acredita (?) nesse disparate que a Primeira Turma aprovou por unanimidade, vejam a que ponto chegamos.

Na verdade, o processo não terminou e o ministro tem prazo para responder. No caso, 15 dias, que eram o limite para a defesa de Bolsonaro apresentar o recurso.

Se o relator Moraes não tem pressa, isso é problema dele e não significa que deixa de ser obrigado a responder, aceitando ou negando, dentro do prazo.

BALANÇO DE NOVEMBRO – Como sempre fazemos, vamos divulgar agora o balanço das contribuições feitas para manutenção do blog, cuja edição há dois meses vem sendo compartilhada com o excelente jornalista Marcelo Copelli, ex-editor e colunista da antiga Tribuna da Imprensa.

Já perto dos 82 anos, o editor-chefe não tem mais condições de preparar sozinho o blog, 365 dias por ano. A idade pode até nos engrandecer em termos intelectuais e morais, porém cobra um preço alto no que diz respeito às condições físicas. Mas saibam que ainda pretendo ficar muito tempo por aqui.

De início, as contribuições feitas na Caixa Econômica Federal:

DIA  REGISTRO   OPERAÇÃO             VALOR
08    881133        DEP DIN LOT……….200,00
27    271501        DEP DIN LOT……….100,00
28    281202        DEP DIN LOT……….230,00

Agora, os depósitos feitos no Banco Itaú/|Unibanco:

03  PIX TRANS JOSÉ FR 9014…………150,00
03  PIX TRANS PAULO ROB 9126……100,00
05  TED 001.5977 JOSE APJ……………305,11
10  PIX TRANS JOAO ANT 9014……….50,00
14  TED 001.4416 MARIO ACRO…….300,00
28  TED 033.3591 ROBER SD…………200,00

Agradecemos muitíssimo a todos os que acompanham nosso trabalho, que é pelo bem do Brasil e não apoia, de forma alguma, políticos como Lula e Bolsonaro. E vamos em frente, sempre juntos.

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P.S.
– Quanto à classificação do Brasil no ranking da democracia, a pontuação geral foi de 6,68, sendo classificado na 51ª posição na lista, uma vergonha nacional. A nota mais alta que recebeu foi 9,58 no quesito processo eleitoral e pluralismo, já as notas mais baixas foram 5,0 por cultura política, 5,36 pelo funcionamento do governo, 6,11 pela participação política e 7,35 por liberdades civis. Estamos mal, minha gente, e os três podres poderes não ajudam em nada. (C.N.)