PF indicia Silvio Almeida e leva ao STF denúncia mais delicada da gestão Lula

Planalto reage a Motta após relatoria de Derrite no PL Antifacção

Um desesperado poema de amor, na inspiração de Adalgisa Nery

FCO-2940 - Retrato de Adalgisa Nery | Obras | Portinari

Adalgisa, retratada por Portinari

Paulo Peres
Poemas & Canções

A jornalista e poeta carioca Adalgisa Maria Feliciana Noel Cancela Ferreira (1905-1980), mais conhecida como Adalgisa Nery, por seu casamento como pintor Ismael Nery, criou o “Poema da Amante”, em que faz ardentes confissões amorosas.

POEMA DA AMANTE
Adalgisa Nery

Eu te amo
Antes e depois de todos os acontecimentos,
Na profunda imensidade do vazio
E a cada lágrima dos meus pensamentos.

Eu te amo
Em todos os ventos que cantam,
Em todas as sombras que choram,
Na extensão infinita dos tempos
Até a região onde os silêncios moram.

Eu te amo
Em todas as transformações da vida,
Em todos os caminhos do medo,
Na angústia da vontade perdida
E na dor que se veste em segredo.

Eu te amo
Em tudo que estás presente,
No olhar dos astros que te alcançam
E em tudo que ainda estás ausente.

Eu te amo
Desde a criação das águas,
desde a ideia do fogo
E antes do primeiro riso e da primeira mágoa.

Eu te amo perdidamente
Desde a grande nebulosa
Até depois que o universo cair sobre mim
Suavemente.

STF divulga ata do julgamento que manteve condenação de Bolsonaro e núcleo golpista

Análise dos recursos foi concluída na sexta-feira

Sarah Teófilo,
Mariana Muniz e
Daniel Gullino
O Globo

O Supremo Tribunal Federal (STF) publicou a ata do julgamento que confirmou a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros seis réus por tentativa de golpe de Estado. A Primeira Turma concluiu na última sexta-feira a análise dos recursos apresentados pelas defesas, abrindo prazo para novas contestações.

Os quatro ministros da Primeira Turma já haviam votado no dia 7, o do julgamento, para rejeitar os embargos de declaração, tipo de recurso utilizado. Entretanto, a análise continuou no plenário virtual por uma semana.

RECURSOS – Os ministros também decidiram rejeitar os recursos dos ex-ministros Walter Braga Netto (Defesa e Casa Civil), Anderson Torres (Justiça e Segurança Pública), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Paulo Sérgio Nogueira (Defesa), do ex-comandante da Marinha Almir Garnier Santos e do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ).

Dos oito condenados, apenas o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, não recorreu. Ele foi condenado a dois anos de prisão em regime aberto. Ainda será publicado o acórdão, documento que oficializa o resultado do julgamento. A partir daí, começa o prazo para a apresentação de novos recursos. Os advogados podem optar por protocolar novos embargos de declaração (os chamados “embargos dos embargos”). Nesse caso, o prazo é de cinco dias.

Outra possibilidade é a interposição dos embargos infringentes. Os dois recursos têm finalidades diferentes. Os embargos de declaração servem para esclarecer dúvidas, contradições ou omissões de uma sentença.

SEM ALTERAÇÃO – No julgamento que terminou, os ministros da Primeira Turma já consideraram que não havia o que ser alterado no resultado do julgamento que condenou Bolsonaro e aliados. As defesas, contudo, podem tentar insistir que alguns dos seus questionamentos não foram abordados.

Não existe um limite definido para os embargos de declaração, mas o Código de Processo Civil estabelece que não serão admitidos novos recursos desse tipo quando os dois anteriores tiverem sido considerados “meramente protelatórios”.

Já os embargos infringentes servem para questionar julgamentos não unânimes. O entendimento atual do STF, no entanto, é que esse tipo de recurso só pode ser apresentado quando houver dois votos divergentes, nas análises pelas turmas. No caso de Bolsonaro e da maioria dos réus, só houve um voto pela absolvição, do ministro Luiz Fux. Por isso, uma tentativa nesse sentido não deve prosperar.

Trump admite negociar com Maduro enquanto intensifica pressão militar no Caribe

Facções ocupam o vácuo do Estado, que se transforma em refém do crime

Serviços irregulares tornaram-se negócios altamente lucrativos

Pedro do Coutto

A reportagem de Patrick Camporez e Sarah Teófilo, publicada em O Globo, neste domingo, revela um retrato devastador da fragilidade institucional brasileira: facções criminosas passaram a ameaçar servidores, empresas concessionárias e agentes públicos para impedir a interrupção de serviços ilegais, consolidando um sistema paralelo que hoje opera em pelo menos quatro estados — Rio de Janeiro, Pernambuco, São Paulo e Mato Grosso.

Os relatórios da Polícia Federal mostram que, em diversas regiões, o Estado deixou de ser autorizado a funcionar. Não é apenas a polícia que enfrenta restrições: técnicos de energia e internet, equipes de manutenção, fiscais e funcionários de serviços essenciais relatam ser impedidos de entrar em áreas dominadas por milícias e facções, que tratam bairros inteiros como territórios sob jurisdição própria.

CONTROLE –  A situação é tão grave que, segundo o material obtido pela reportagem, há locais onde criminosos não apenas controlam a oferta clandestina de serviços, mas também determinam que nenhuma intervenção oficial — mesmo quando necessária — seja realizada. É o crime ocupando não só o espaço físico, mas a própria função regulatória do Estado.

Esse fenômeno, antes associado sobretudo ao Rio de Janeiro, agora se espalha por outros estados com características locais distintas, mas com o mesmo padrão: grupos armados que operam como administradores de áreas urbanas, cobrando taxas, gerenciando redes clandestinas de internet e energia, impondo regras de circulação e ameaçando qualquer funcionário público que tente restabelecer a legalidade.

A reportagem mostra que serviços irregulares, como a distribuição clandestina de sinal de internet ou o fornecimento ilegal de energia, tornaram-se negócios altamente lucrativos, e que suas interrupções são tratadas pelas facções como afrontas diretas à sua autoridade, justificando ameaças e ataques.

PARADOXO – Essa realidade estabelece um paradoxo perverso: quanto mais o Estado se vê incapaz de entrar, mais a população fica dependente da estrutura criminosa que ocupa seu lugar. Moradores convivem com a ambiguidade de serem, simultaneamente, vítimas e reféns de modelos ilegais que suprem, ainda que de forma precária, necessidades básicas que o poder público não conseguiu garantir.

O avanço dessa governança criminosa expõe, de forma nua e crua, uma falência parcial das instituições responsáveis por assegurar a ordem, a cidadania e a presença territorial do Estado. Não se trata apenas de violência armada ou tráfico de drogas, mas de uma disputa por autoridade e legitimidade.

Quando uma facção determina que técnicos não podem desligar uma conexão clandestina ou realizar um reparo essencial, ela está afirmando, na prática, que sua palavra vale mais que a lei. E quando essa lógica se repete em diferentes regiões do país, o problema deixa de ser local para se tornar um desafio nacional.

POLÍTICAS PÚBLICAS –  A ausência prolongada de serviços formais cria um ecossistema em que o poder paralelo se fortalece, e a retomada desses territórios se torna progressivamente mais difícil, pois não exige apenas força policial — exige políticas públicas, investimentos contínuos e reconstrução de confiança.

A situação descrita pelos documentos da PF e pela reportagem não é fruto de um episódio isolado, mas de décadas de negligência, de políticas descontínuas e de um Estado que sempre oscilou entre a presença armada e a ausência cotidiana. O resultado é a formação de enclaves onde a legalidade foi substituída pela lógica econômica e coercitiva do crime.

O desafio que se coloca agora é enorme e exige coragem política: retomar áreas dominadas por facções não é apenas entrar com operações pontuais, mas fincar raízes, reconstruir serviços públicos, garantir segurança de forma permanente e devolver à população a ideia de que o Estado existe para protegê-la e servi-la. A reportagem apenas confirma o tamanho da encruzilhada — e do dever que o país tem pela frente.

Se você perguntar se a democracia acabará um dia, a resposta será sim

Charges sobre democracia - 07/08/2020 - Política - Fotografia - Folha de  S.Paulo

Charge do Benett (Folha)

Luiz Felipe Pondé
Folha

O que é a história? Vejamos o que diz o historiador francês Fernand Braudel. “A história não é outra coisa senão uma constante interrogação feita ao tempo passado em nome de problemas e curiosidades —e mesmo de inquietações e angústias— do tempo presente que nos cerca e nos assola”. O trecho está na coletânea “La Méditerranée”, pela editora Flammarion, apresentada pelo historiador François Hartog, que tem um ensaio de Georges Duby e cinco textos do próprio Braudel, que a organizou.

Braudel dirá que se trata de um diálogo entre os tempos. Diálogo este em que o tempo presente busca no tempo passado as causas do que ele é. “Ter sido é uma condição para ser.” Quem não conhece o passado não sabe o que ele é no presente. Quem não tem passado não existe propriamente. E sabemos que quando falamos de tempo em Braudel, falamos da “longue durée” — longa duração —, uma história que se declina mesmo em tempo geográfico.

VOCAÇÃO AO VAZIO – A partir desse enquadre historiográfico, percebemos que a modernidade tem um problema estrutural com relação ao conhecimento de si mesma, devido à dinâmica que a caracteriza como aquele tempo que despreza a priori o passado. Sendo assim, poderíamos dizer que a modernidade tem uma vocação intrínseca ao vazio em termos de identidade.

Indicativo dessa dinâmica está presente de forma evidente no manifesto futurista de 1909, escrito pelo italiano Fillippo Tommaso Marinetti, em que a velocidade, a modernidade e a máquina são celebradas como valores de um tempo voltado ao novo e despreza o passado.

Tratava-se de um daqueles movimentos artísticos bobos em que a partir do seu discurso estético escorria um gozo com a “destruição regeneradora” que deveria caracterizar o tempo futuro. Apesar de não se poder reduzir o futurismo ao fascismo, muitos futuristas aderiram a Mussolini como representante dessa modernidade violenta e regeneradora da Itália e do mundo.

SOMBRA FASCISTA – O elemento fascista na modernidade é algo que lhe é intrínseco, e temos que lembrar disso. Quando se celebra a modernidade há que se dar conta da sombra fascista que a acompanha. O culto da transformação violenta e do novo como valor em si, integra a dinâmica moderna tanto no fascismo italiano e alemão quanto na revolução bolchevique na Rússia.

Há um vínculo essencial entre modernidade, progresso e movimentos políticos totalitários, independentemente da bandeira ideológica que os anima.

Quando se interrompe o diálogo com o passado, como diz Braudel, interrompe-se o conhecimento do presente. Por isso mesmo, a modernidade carrega uma condição zumbi. Inquietações, angústias, curiosidades, problemas giram no vazio sem a capacidade de produzir consciência de si mesmos, principalmente na “longue durée” que caracteriza as questões humanas.

PASSADO/PRESENTE – Outro historiador, Dan Edelstein, professor em Stanford, no seu essencial livro “Revolution to Come: A History of an Idea from Thucydides to Lenin”, da Princeton University Press, indaga acerca da história da ideia de revolução desde a guerra do Peloponeso —século 5º a.C.

Num vasto trabalho de erudição, Edelstein dá um exemplo primoroso do que Braudel chamaria de diálogo entre o passado e o presente no qual, ao sabermos o que fomos, podemos melhor lidar com o que somos. No caso de Edelstein, se trata especificamente da história política ocidental.

Quando nos perguntamos sobre o conceito e valor das revoluções modernas, devemos saber de onde vem a expressão. O termo de origem é “stasis” em grego, usado por Tucídides, significando conflito, catástrofe social.

VALOR DO NOVO -A noção de progresso ou do valor intrínseco do novo como critério absoluto do que é bom é coisa do século 18 iluminista —como no caso do ingênuo e guilhotinado Condorcet. Mas mudanças políticas nem sempre foram vistas como valor positivo para a vida política de um povo. Durante a maior parte da história, mudanças políticas foram vistas como tragédia.

Segundo Políbio (200-118 a.C.), historiador grego radicado em Roma, autor de “Histórias”, os gregos e romanos viam os sistemas políticos como necessariamente perecíveis e vocacionados, antes de degenerar, a evitar que a sociedade ficasse pior do que já era, ao contrário de nós modernos, que vemos na política um modo de fazer o mundo melhor. Haveria algo de entrópico na ordem política. Concordo com os antigos: não há avanço.

No espírito de Braudel —e dos antigos—, se alguém se perguntar angustiado se a democracia acabará um dia, a resposta é, evidentemente, que sim. Olhando para o passado, vemos que tudo que é humano é efêmero.

Orçamento secreto não morreu e a emenda panetone faz a festa de Natal

Charge do Sinfrônio (Arquivo do Google)

Ranier Bragon
Mateus Vargas
Folha

Apesar de o Congresso Nacional controlar a destinação do valor recorde de cerca de R$ 50 bilhões em emendas parlamentares, a Comissão Mista de Orçamento do Legislativo negocia com o governo Lula (PT) uma palavra extra de fim de ano para cada um de seus membros, chamada por alguns de “emenda panetone”.

Sob o argumento de que essa é uma tradição não escrita, mas sempre cumprida todos os anos, os valores planejados são de R$ 3 milhões para cada membro da comissão, sendo R$ 5 milhões para os relatores setoriais. Além do valor final ainda não estar definido, a fonte do recurso também é objeto de disputa.

EMENDAS DE COMISSÃO – Segundo relatos de parlamentares ouvidos pela Folha, o governo quer que a verba seja retirado das chamadas emendas de comissão, dinheiro que teoricamente deveria ter a aplicação decidida pelas comissões temáticas da Câmara e do Senado, mas que na prática é usado pelo governo, líderes partidários e a cúpula do Congresso para obter apoio às suas demandas.

Já os membros da Comissão de Orçamento defendem que uma “emenda panetone” seja realizada no Orçamento do próprio governo, na rubrica RP2, em mais um drible à tentativa de fiscalização e rastreabilidade das emendas parlamentares.

REPÚDIO – Em nota, a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, comandada por Gleisi Hoffmann, afirmou que “nega e repudia as denúncias que a reportagem atribuída a fontes anônimas”. A Folha comprovou a existência de negociação com oito parlamentares, quatro deles do PT, partido de Gleisi. Todos falaram na condição “off the record”, jargão jornalístico que significa que a fonte consultada passou a informação através de uma condição de não ser identificada.

A Comissão Mista de Orçamento do Congresso é composta por 30 deputados federais e 10 senadores titulares, com igual número de suplentes. Ela tem como função a cada ano analisar e aprovar a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), que serve como base para a LOA (Lei Orçamentária Anual). As duas ainda não foram votadas, mas o objetivo é concluir a análise até dezembro. A reportagem também contou com os relatores da LDO, Gervásio Maia (PSB-PB), e da LOA, Isnaldo Bulhões Jr.

Há R$ 50,3 bilhões reservados no Orçamento de 2025 para emendas parlamentares. Deste valor, o governo já envolveu R$ 32,23 bilhões e pagou R$ 21,9 bilhões. Cerca de R$ 38,8 bilhões são de emendas impositivas individuais e das bancadas estaduais. Ainda há R$ 11,5 bilhões de verbas definidas pelas comissões temáticas do Congresso, a parcela mais vulnerável aos cortes e ao ritmo de execução imposto pelo Planalto.

SALTO – A explosão de palavras de emendas parlamentares ocorreu a partir de 2020, quando o recurso empenhado saltou de R$ 18,2 bilhões para R$ 50 bilhões de um ano para o outro. O aumento restringiu o orçamento dos ministérios, que tem até 70% dos recursos de custódia e investimentos definidos por parlamentares. Mesmo com controle inédito dos parlamentares, o governo federal tem negociado com o Congresso, não só no fim do ano, verbas extras que não ficam marcadas como emendas.

Na prática, os recursos também fogem dos controles de impostos pelo STF (Supremo Tribunal Federal), como critério de plano de trabalho ou de criação de contas únicas para receber determinados tipos de emendas.

EMENDA INFORMAL – No Ministério da Saúde, repasses que se aproximam de R$ 5 bilhões são tratados nos bastidores como emenda informal. O governo nega que a palavra seja usada em negociações com o Congresso, ainda que os próprios parlamentares se refiram à palavra como uma indicação própria em ofícios, redes sociais e diálogos com os estados e municípios, como mostrado a Folha.

Nos anos 1990, uma comissão foi o epicentro de um dos principais escândalos políticos do final do século passado, o chamado esquema dos anões do Orçamento —a CPI que apurou o caso apontado que um grupo de deputados recebeu a propina de prefeitos e empresas para direcionar suas emendas.

Entenda como Fux pode atuar no Supremo para conseguir “descondenar” Bolsonaro

Imprensa internacional repercute condenação de Bolsonaro; veja destaques - Estadão

A possibilidade de prisão leva Bolsonaro ao desespero

Carlos Newton

Existem semelhanças e diferenças entre os casos da “descondenação” de Lula da Silva em 2021 e agora a tentativa de anular também a condenação de Jair Bolsonaro, no próximo julgamento da Segunda Turma.

Conforme já explicamos aqui, a grande imprensa, sem se preocupar em estudar o caso, aceitou a justificativa do ministro Gilmar Mendes, de que existe jurisprudência para arquivar o recurso de embargos infringentes, a ser apresentado pela defesa de Bolsonaro.

APENAS PRECEDENTES – Mas as aparências enganam, porque o que existe são apenas precedentes, que não têm a força vinculante da jurisprudência ou da súmula.

Note-se que, em 2021, a “descondenação” de Lula foi feita inteiramente fora da lei, porque baseada em “incompetência territorial absoluta”, uma invenção feita pelo relator Edson Fachin, que criou um dispositivo que não existe em nenhuma lei no Brasil e não é adotado em nenhum dos demais 2016 países do mundo.

Na época, houve poucas críticas e hoje Fachin é até considerado um excelente jurista, vejam a que ponto chegamos em matéria de esculhambação jydiciária.

A HISTÓRIA SE REPETE – Agora, a tentativa de “descondenar” Bolsonaro será feita na Segunda Turma, que analisa e decide os recursos contra julgamentos da Primeira Turma, onde o ex-presidente pegou prisão de 27 anos e três meses.

A informação espalhada por Gilmar Mendes afasta de pronto qualquer possibilidade de Bolsonaro ser “descondenado”, mas nossa política surrealista costuma desmentir Karl Marx e tem demonstrado que, do lado de baixo do Equador, a História se repete não somente como farsa, mas também como realidade.

DIZ GILMAR – O precedente citado por Gilmar Mendes – e repetido pelos jornalistas que o representam nas redações da grande imprensa – menciona o julgamento da ação penal 863/SP, tendo como réu o ex-prefeito Paulo Maluf, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro.

Decidida pelo plenário, a tese adotada foi no sentido de que um voto vencido não autorizaria o cabimento de embargos infringentes. Seria necessário haver dois votos vencidos pela absolvição para justificar o referido recurso. Assim, a ementa do julgado apresenta a seguinte tese:

“O cabimento de embargos infringentes em face de decisão penal condenatória, proferida pelas Turmas do Supremo Tribunal Federal, exige divergência consubstanciada em ao menos dois votos absolutórios próprios“.

PRISÃO DE BOLSONARO – É com base nessa justificativa, divulgada por Gilmar Mendes, que a imprensa amestrada engoliu a isca e passou a desmentir a existência de qualquer chance de recurso para Bolsonaro na Segunda Turma do Supremo, mesmo tendo três ministros a seu favor: Nunes Marques, André Mendonça e Luiz Fux.

Os jornalistas esquecem de citar que já houve uma mudança no precedente, sugerida por Fux na ação penal 929/AL, para possibilitar que plenário aceitasse apenas um voto absolutório para analisar e aprovar embargos infringentes. A proposta foi aprovada em 2018, depois do precedente citado por Gilmar.

É possível esperar que, entre as razões apresentadas em seu voto de 429 páginas, Fux encontre  argumentos que possam justificar o recebimento dos embargos infringentes, em função do enorme número de irregularidades processuais cometidas pelo relator Alexandre de Moraes.

A principal falha de Moraes foi cerceamento de defesa, uma ilegalidade cometida repetidas vezes, inclusive por não permitir que os advogados de defesa tivessem acesso total dos autos.

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P.S. –
Por óbvio, trata-se de um julgamento político. Justamente por isso, terá também um desfecho político. E o resultado final, para o país, será trágico. Mais uma vez, nas eleições, teremos de escolher entre um criminoso condenado por dez magistrados, sempre por unanimidade, e um outro criminoso, rei das rachadinhas, condenado por 10 votos a um. Por isso, ao votar no ano que vem, não esqueça de tampar o nariz. A fedentina será insuportável. (C.N.)

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O mito do sucesso armado: a opinião pública e o preço da morte no Rio

Guardas municipais reivindicam que sejam considerados como “policiais”

Guarda Municipal recebe mais de 300 armas para renovar armamento da  corporação | Prefeitura de Porto Alegre

Reinvindicação dos guardas municipais é justa e necessária

Da Agência Câmara

Representantes das guardas municipais reivindicaram nesta terça-feira (11), durante audiência pública na Câmara dos Deputados, mudanças na Constituição que levem ao reconhecimento desses agentes de segurança como policiais.  Segundo o presidente do Conselho Nacional das Guardas Municipais, Gerson Nunes, decisões recentes do Supremo Tribunal Federal reconheceram as guardas municipais como força policial. “Já somos a polícia municipal nas ruas”, afirmou.

“O reconhecimento das guardas municipais como polícia não é mudar nada, não é inventar a roda, é reconhecer aquilo que já é e sempre foi”, disse o presidente da Associação Nacional de Guardas Municipais, Reinaldo Monteiro da Silva. Por sua vez, Reinaldo Silva explicou que “a palavra ‘polícia’ significa ‘guarda da cidade’, é usada para designar corporações e indivíduos cuja principal função é o exercício de poder de polícia. Então, por que não fazer essa correção no texto constitucional?”, indagou

HÁ 30 ANOS – “Precisamos do reconhecimento constitucional do que fazemos há 30 anos e de isonomia nas regras previdenciárias”, completou a diretora jurídica da Federação Nacional de Sindicatos de Guardas Municipais do Brasil, Rejane Soldani.

O deputado Alberto Fraga (PL-DF), um dos que sugeriram a audiência pública na comissão especial que analisa a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública (PEC 18/25), ponderou: “Sou favorável, sim, ao avanço das guardas municipais. Agora, não da forma como vocês estão querendo. Temos que ter algumas regras. Para ser polícia, tem o ônus e o bônus, não é assim, da noite para o dia”.

O relator da comissão especial, deputado Mendonça Filho (União-PE), também pediu prudência. “A transformação nessa área ocorrerá de forma lenta e gradual. Eu me reservo o dever de buscar os avanços na direção correta”, disse.

MUDANÇAS – Elaborada pelo governo federal, a PEC 18/25 altera a estrutura de segurança pública no Brasil, buscando maior integração e coordenação entre diferentes níveis federativos e órgãos de segurança.

São três alterações principais: o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), hoje previsto em lei ordinária (Lei 13.675/18), passará a fazer parte da Constituição; as competências de alguns órgãos de segurança, como a Polícia Federal, serão ampliadas; e o papel do governo federal no planejamento e na coordenação da segurança pública acabará fortalecido.

Além de Alberto Fraga, a audiência pública foi proposta também pelos deputados Capitão Alden (PL-BA), Delegada Adriana Accorsi (PT-GO), Delegada Ione (Avante-MG) e Sanderson (PL-RS). Os deputados Sargento Fahur (PSD-PR) e Célio Silveira (MDB-GO) participaram da reunião.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– A reivindicação dos guardas municipais é muito justa e necessária. Eles estão sendo autorizados a andar armados. A decisão do STF pacificou o entendimento de que as guardas municipais têm direito ao porte de arma de fogo, pois integram o sistema de segurança pública. Bem, se andam armados e fazem o trabalho de polícia, têm de ser considerados policiais. Isso é apenas o óbvio ululante que Nelson Rodrigues tanto exaltava. (C.N.)

O mundo ficou caro demais, mas os políticos ainda não perceberam

O amor distante, a meio pau, na poesia ousada de Adélia Prado

Frases, - Boa Noite !!! 🌙🌟 “Estremecerei de susto até dormir. E no  entanto é tudo tão pequeno. Para o desejo do meu coração, o mar é uma  gota.” Adélia Prado (1935) #Paulo Peres
Poemas & Canções

A professora, escritora e poeta mineira Adélia Luzia Prado de Freitas, no poema “A Meio Pau”, fala sobre um amor distante e não correspondido, que não aconteceu.

A MEIO PAU
Adélia Prado

Queria mais um amor. Escrevi cartas,
remeti pelo correio a copa de uma árvore,
pardais comendo no pé um mamão maduro
– coisas que não dou a qualquer pessoa –
e mais que tudo, taquicardias,
um jeito de pensar com a boca fechada,
os olhos tramando um gosto.
Em vão.
Meu bem não leu, não escreveu,
não disse essa boca é minha.
Outro dia perguntei a meu coração:
o que há durão, mal de chagas te comeu?

Não, ele disse: é desprezo de amor.

Sóstenes defende equiparar facções a terrorismo e cobra votação ainda em 2025

Reação forte impediu que Derrite revivesse a PEC da Bandidagem

A aliados, Derrite diz que alterou PL Antifacção para driblar "narrativas"  | Blogs | CNN Brasil

Derrite alterou a emenda para favorecer os governadores

Roberto Nascimento

O capitão Derrite, eleito deputado federal em 2022, licenciado do cargo de Secretário de Segurança de São Paulo pelo governador Tarcísio de Freitas, para relatar a PEC Antifacções enviada pelo governo ao Congresso em regime de urgência, em dois dias conseguiu causar uma polêmica federal.

Ele deturpou o texto, que havia sido feito após seis meses de consultas à sociedade, ao Ministério Público e a outras autoridades.

OBJETIVOS  – A destrambelhada mexida do Capitão Derrite se fixou em dois pontos da proposta inicial:

1- Submeter a Polícia Federal ao controle dos governadores. Qualquer investigação, inquérito, operações contra o tráfico internacional de armas e drogas, contrabando, descaminho na esfera estadual, qualquer dessas iniciativas só poderia começar ou avançar com a aprovação ao dos governadores.

2- Equiparar as organizações criminosas (tráfico de drogas e de armas, lavagem de dinheiro, fraude em licitações, prejuízo a Fazenda Nacional) ao terrorismo.

LETRAS MORTAS  – O Art. 144, parágrafo primeiro e incisos, I, II, III e IV da Constituição Federal se tornariam letras mortas.

Ora, senhor Derrite, a Polícia Federal é uma Instituição de Estado, portanto, não pode ser subordinada ao governo federal e muito menos aos Governadores.

Bem, além de absurdamente ilógico, abriria a porta para intervenção de potência estrangeira, a pretexto de combater o terrorismo e o tráfico de drogas, aliás e a propósito, o que Trump está fazendo nas costas do Caribe, próximo da Venezuela e nas costas do Pacífico em frente a Colômbia. Será que o Brasil seria a bola da vez?

REDES SOCIAIS – Bem, esse risco de ataque a soberania nacional, ficaria na conta de Hugo Motta, presidente da Câmara, e do capitão Derrite, que aceita ser manipulado.

A sociedade, mais uma vez, protestou nas redes sociais contra o monstrengo que queriam aprovar, fazendo Motta e Derrite desistirem de trair o Brasil.

Deputados e senadores querem usar o dinheiro público, sem transparência e sem controle. Por isso, tentaram reviver a PEC da Blindagem, porque, sem aprovação dos governadores, a Polícia Federal não poderia investigar o destino das emendas parlamentares. Seria a derrocada da República.

Uma vitória apenas parcial no tarifaço, mas estratégica para o governo Lula

Trump reduz tarifas que atingem café, carne bovina e frutas

Pedro do Coutto

A decisão de Donald Trump de reduzir as tarifas sobre produtos brasileiros como carne bovina, café, frutas tropicais e suco de laranja representa uma vitória parcial — mas politicamente relevante — para o governo Lula.

Depois de meses de tensão causada pelo tarifaço americano, que havia elevado impostos de importação para até 50% e ameaçava diretamente setores cruciais do agronegócio brasileiro, o recuo de Washington trouxe um alívio imediato tanto para produtores quanto para exportadores.

RESTRIÇÕES – O suco de laranja, por exemplo, um dos produtos mais afetados pela taxação e responsável por cerca de US$ 1 bilhão anuais em vendas para os EUA, deixa de sofrer a restrição extrema que limitava seu consumo no mercado americano. A mesma lógica vale para o café, para a carne bovina e para as frutas tropicais, que voltam a competir com mais equilíbrio dentro de um dos maiores mercados consumidores do mundo.

Na prática, Trump retirou diversos produtos da tarifa de 50%, recolocando-os na alíquota base de 10%, o que devolve previsibilidade às operações e reduz o impacto imediato no fluxo de comércio.

Mesmo sendo um alívio parcial, o gesto tem efeitos políticos significativos. Para Lula, o recuo americano serve como demonstração de capacidade diplomática em um ambiente global marcado por disputas comerciais agressivas. É também uma vitória simbólica contra o discurso de grupos internos que apostavam na ideia de que apenas uma postura submissa a Washington traria benefícios ao Brasil — muitos dos quais chegaram a erguer bandeiras dos Estados Unidos em manifestações domésticas, como se um alinhamento automático fosse suficiente para garantir vantagens econômicas.

FLEXIBILIZAÇÃO – Nesse episódio, o que se viu foi justamente o oposto: foi a insistência diplomática brasileira, aliada à pressão sobre o governo americano — que enfrenta aumento de preços internos e descontentamento do consumidor — que abriu espaço para a flexibilização tarifária.

Ainda que não resolva tudo, o desfecho mostra a essência da política internacional: raramente se conquista tudo de uma só vez; avança-se por etapas, acumulando pequenos ganhos que, somados, produzem efeitos concretos. Há muito a ser negociado, ajustado e redefinido entre Brasil e Estados Unidos, especialmente em um cenário de volatilidade econômica e forte carga eleitoral nos dois países.

Mas o movimento de Trump, ainda que limitado, reposiciona o Brasil com mais vantagem no tabuleiro comercial e oferece a Lula uma narrativa politicamente valiosa — a de que, mesmo em tempos difíceis, a diplomacia ainda funciona, e que resultados reais podem surgir mesmo quando a vitória, à primeira vista, parece apenas parcial.

Julgamento de Castro vira jogo de espera até Nunes Marques assumir

Imprensa esconde a possibilidade de Bolsonaro ser absolvido no STF

Gilmar Mendes diz que STF pode ajustar decisão sobre penalização de jornais

Gilmar não sabe o que fazer para condenar Bolsonaro

Carlos Newton

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) terminou de julgar nesta sexta-feira, dia 14, os primeiros recursos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros seis réus do chamado núcleo central contra a condenação deles pela tentativa de golpe de Estado.

Com o término do julgamento, o relator proclama o resultado, o que deve ocorrer nesta segunda-feira, dia 17. Depois, será publicado o acórdão, documento que divulga o resultado do julgamento. A partir daí, começa a correr mais um prazo para a apresentação de recursos.

Os advogados podem apresentar novos embargos de declaração (os chamados “embargos dos embargos”). Nesse caso, o prazo é de cinco dias. Outra possibilidade é interposição dos embargos infringentes, que possuem efeito modificativo, ou seja, podem confirmar, derrubar ou reformar a decisão anterior. O prazo para esse recurso é de 15 dias.

TUDO DE NOVO – No julgamento que terminou, os ministros da Primeira Turma já consideraram que não havia o que ser alterado no resultado do julgamento que condenou Bolsonaro e aliados. As defesas, contudo, podem insistir que alguns dos seus questionamentos não foram abordados e até pedir absolvição.

No caso dos embargos infringentes, é como se o julgamento começasse de novo, com outros juízes e novo relator – ou seja, desta vez Alexandre de Moraes está de fora, junto com seus colegas da Primeira Turma – Cármen Lúcia, Edson Fachin, Cristiano Zanon. Tudo agora está a cargo dos ministros da Segunda Turma, e será escolhido novo relator, entre Gilmar Dantas, Dias Toffoli, Nunes Marques, André Mendonça e Luiz Fux, que passou a ocupar a vaga de Luís Roberto Barroso, que se aposentou.

E claro que agora é outra realidade. O placar na Primeira Turma foi de 4 a 1 pela condenação de Bolsonaro e dos demais. Com a entrada de Fux na Segunda Turma, a expectativa passou a ser de 3 a 2 a favor de Bolsonaro & Cia. Parece algo irreal, mas Bolsonaro só será condenado se Nunes Marques ou André Mendonça votarem contra ele, que os nomeou para o Supremo.

IMPRENSA AMESTRADA – Nas redes sociais, essa possibilidade de Bolsonaro ser absolvido é muito comentada, determinados influenciadores entram em êxtase ao “analisar” a questão. Mas a imprensa amestrada tenta desconhecer o assunto e repete a versão que Gilmar Mendes espalha, sempre em “off”.

Gilmar admite que os embargos infringentes servem para questionar julgamentos não unânimes, mas destaca que “o entendimento atual” do STF é de que esse recurso só pode ser apresentado quando houver dois votos divergentes no julgamento pelas turmas, e no caso de Bolsonaro e da maioria dos réus, só houve um voto pela absolvição, emitido pelo ministro Luiz Fux. Por isso, uma tentativa nesse sentido não deverá prosperar.

Contudo, Gilmar não explica que se trata apenas de um “precedente”, numa votação apertada, de 6 a 5, sobre Paulo Maluf, e também não esclarece que qualquer precedente pode ser desprezado em votação de turma ou de plenário, por não ter efeito vinculante, o que somente ocorre com jurisprudência ou súmula.

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P.S. 1 –
A situação é tão surrealista que um dos assuntos preferidos da imprensa amestrada é a possibilidade de Bolsonaro ser preso na penitenciária da Papuda. Mas como ser preso, se o julgamento ainda vai acontecer e ele tem maioria absoluta na Segunda Turma, de 3 a 2, com os votos de Fux, Marques e Mendonça?

P.S. 2 – Se a votação fosse este ano, com Gilmar Mendes presidindo a Segunda Turma, ele iria lutar como um leão para manter a condenação de Bolsonaro. Mas essa possibilidade “non ecziste”, diria Padre Quevedo, porque um dos três (Fux, Marques ou Mendonça) poderia pedir vista e transferir a votação para janeiro, quando o próprio Nunes Marques será o presidente da Segunda Turma. Comprem bastante pipocas. (C.N.)