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Eduardo está disposto a sacrificar os interesses nacionais
Pedro do Coutto
Enquanto as tarifas punitivas de 50% sobre produtos brasileiros impostas por Donald Trump entram em vigor, marcando mais uma reviravolta nas relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos, o cenário político interno do país mergulha ainda mais na instabilidade.
Em uma entrevista publicada pela colunista Bela Megale, em O Globo, foi aceso um novo sinal de alerta: Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, declarou abertamente estar trabalhando para que Washington aumente as sanções contra o Brasil e insinuou que poderá passar “décadas no exílio”, caso não consiga seu objetivo de desestabilizar o governo Lula.
APOSTA – As palavras do deputado federal licenciado são tão reveladoras quanto perturbadoras. Ao dizer que “ou vence com 100% ou é derrotado com 100%”, Eduardo não apenas admite o caráter extremado de sua agenda, como também deixa claro que aposta na desordem como estratégia política.
Mais grave ainda: ele afirma que seu objetivo é derrubar o atual governo por meio de um movimento internacional liderado por Donald Trump — uma ação que, se concretizada, configuraria traição à Pátria, nos termos mais elementares do princípio da soberania nacional. A entrevista desmonta qualquer tentativa de manter um verniz democrático sobre as ações do clã Bolsonaro. Aqui, não se trata mais de divergência ideológica ou oposição institucional. Trata-se de sabotar, do exterior, a democracia brasileira com o auxílio de uma potência estrangeira.
A tentativa de Eduardo Bolsonaro de internacionalizar a guerra política brasileira, transformando o governo dos Estados Unidos em instrumento de retaliação contra Lula, não é apenas irresponsável — é perigosa. Em qualquer democracia madura, declarações como essas gerariam repúdio unânime, investigações formais e possíveis sanções jurídicas.
TENSÃO – No Brasil, ainda enfrentamos a naturalização do absurdo. A entrevista escancara a estratégia de tensionamento contínuo adotada por figuras ligadas à extrema-direita, que preferem ver o país isolado, punido economicamente e socialmente dividido, a aceitar os resultados de um processo democrático.
Ao buscar na figura de Trump um fiador para seus planos de poder, Eduardo Bolsonaro assume o papel de agente de uma agenda que nada tem de brasileira. As tarifas impostas por Washington, supostamente articuladas com seu apoio, não atingem Lula — atingem produtores rurais, empresários, trabalhadores e a população em geral.
CONTRADIÇÃO – O patriotismo que seus aliados tanto pregam se dissolve diante da realidade: Eduardo Bolsonaro está disposto a sacrificar os interesses nacionais em nome de um projeto pessoal de revanche política. O exílio voluntário que ele menciona, caso não alcance seus objetivos, soa menos como um drama pessoal e mais como a consequência lógica de quem aposta contra seu próprio país.
Em um momento em que o mundo assiste com preocupação o avanço de projetos autoritários disfarçados de populismo, o Brasil precisa reafirmar seus compromissos com a democracia, a soberania e a responsabilidade institucional. A entrevista de Eduardo Bolsonaro não é apenas uma declaração — é um alerta. Ignorá-lo é correr o risco de naturalizar o inaceitável.

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Fellipe Gualberto

Paulo Peres







