Lula agora tem condições de criar uma frente ampla pró-soberania

O Brasil negociará como país soberano, diz Lula no New York Times | Agência  Brasil

Brasil negocia como país soberano, disse Lula ao NYT

Josias de Souza
do UOL

Na política, a diferença entre a genialidade e a estupidez é que a genialidade tem limites. Segundo o Datafolha, quase nove em cada dez brasileiros (89%) avaliam que o tarifaço de Trump trará algum prejuízo para a economia brasileira. Para 77% o impacto negativo afetará as finanças pessoais.

Quer dizer: a pesquisa indica que, se a estupidez matasse, os políticos que defendem as sanções de Trump contra as exportações do Brasil teriam que colocar pontes de safena no cérebro. Mais da metade dos eleitores (57%) considera que o presidente americano erra ao pedir que a Justiça interrompa o julgamento de Bolsonaro.

DIZ A PESQUISA – A um ano e três meses da eleição presidencial, usar os dados da pesquisa para decifrar as urnas seria um exercício de quiromancia.

Mas fechar os olhos para os sinais de fumaça emitidos pelo Datafolha seria um desserviço à audiência.

Em 2018, o antipetismo soprou os ventos que formaram a onda que elegeu Bolsonaro. Decorridos quatro anos, a precariedade de Bolsonaro fez surgir o fator democrático que impulsionou em 2022 a vitória de Lula por pequena margem.

FRENTE-AMPLA – O tarifaço de Trump fornece pano para que Lula restaure a frente ampla que ele negligencia desde que tomou posse. Sai o risco à democracia.

Entra a ameaça à soberania. Se for bem-sucedido na troca, pode seduzir novamente o eleitor minoritário de centro que definiu a sucessão passada.

Para impedir o movimento, a direita precisaria se endireitar. Acorrentar-se a Bolsonaro não parece boa ideia. A essa altura, quem mata o tempo comete suicídio.

O tarifaço de Trump e a reação brasileira: Entre improviso e o desafio da soberania

Charge do J.Bosco (O Liberal)

Pedro do Coutto

A imposição de tarifas comerciais elevadas contra produtos brasileiros pelo presidente norte-americano Donald Trump acendeu uma luz vermelha no governo brasileiro. Com forte impacto sobre setores estratégicos da economia — como o agronegócio, a siderurgia e a indústria de base —, o tarifaço não é apenas um gesto isolado de política econômica dos Estados Unidos. Ele representa uma inflexão no relacionamento comercial entre os dois países e evidencia, sobretudo, o grau de vulnerabilidade da política externa e comercial do Brasil frente a ações unilaterais vindas de Washington.

O governo Lula, ao que tudo indica, está ciente da gravidade da situação. No entanto, a resposta brasileira tem sido marcada por improvisações, com foco em medidas emergenciais, em vez de uma estratégia de longo prazo. Entre as alternativas em discussão, está o uso de recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para sustentar o capital de giro de empresas exportadoras que serão diretamente afetadas pela perda de competitividade. Em outras palavras, a ideia é compensar, com dinheiro público, a queda das receitas causadas pelas tarifas americanas.

LONGO PRAZO – A proposta, embora bem-intencionada no curto prazo, levanta sérias questões. Primeiro, porque substitui receitas privadas — fruto de exportações — por gastos públicos. Segundo, porque se trata de uma medida episódica, insustentável ao longo do tempo.

O tarifaço é permanente. O aporte do BNDES, por sua vez, é um movimento único, pontual. Não se pode esperar que o banco estatal injete capital nas empresas brasileiras a cada novo gesto de protecionismo internacional. Isso comprometeria os fundamentos fiscais do país, além de gerar uma distorção perigosa: o Brasil assumiria os prejuízos impostos por decisões políticas de outra nação.

Por trás dessa reação apressada, está uma contradição estrutural: o Brasil ainda é demasiadamente dependente de poucos parceiros comerciais, e os Estados Unidos ocupam lugar central nesse cenário. A falta de uma estratégia eficaz de diversificação de mercados deixa o país exposto a riscos externos que poderiam ser mitigados.

FRAGILIDADE – Com mais alternativas de exportação, os impactos de medidas protecionistas vindas de Washington seriam diluídos. Mas o que se vê, infelizmente, é uma insistente fragilidade no comércio exterior brasileiro, que segue refém de velhas rotas e de relações assimétricas.

O comportamento errático de Donald Trump, por sua vez, já é conhecido no cenário global. Desde seu primeiro mandato, o magnata republicano vem utilizando o protecionismo como instrumento político, não apenas econômico. Tarifas, barreiras, boicotes e sanções são aplicados com o objetivo de fortalecer sua imagem de líder nacionalista e intransigente.

No caso brasileiro, não é diferente. Ao anunciar tarifas contra produtos brasileiros, Trump não busca apenas equilibrar a balança comercial — ele busca palco. Quer provocar reações, gerar controvérsia e aparecer nos noticiários como o presidente que “não abaixa a cabeça para ninguém”.

AUMENTO DE PREÇOS  – Mas enquanto Trump faz política para sua base eleitoral, o Brasil colhe prejuízos. A elevação de tarifas significa aumento de preços para os consumidores americanos, sim, mas principalmente significa redução do volume exportado pelos produtores brasileiros. Com isso, perdem as empresas, perdem os trabalhadores, perde o Estado — que vê sua arrecadação encolher. E perde o país, que se vê acuado diante de uma medida que poderia ser enfrentada com mais vigor diplomático e mais preparo técnico.

O episódio evidencia um ponto sensível: o Brasil carece de uma política comercial robusta, ativa, propositiva e menos dependente de improvisos. É urgente que o país invista na ampliação de seus acordos bilaterais e multilaterais, estreite relações com mercados da Ásia, África e América Latina e diversifique sua pauta exportadora. Além disso, é preciso modernizar as estruturas de defesa comercial, capacitar empresas para atuar em mercados internacionais mais sofisticados e aumentar a presença do país em fóruns globais de negociação, como a OMC.

POSTURA SOBERANA – Do ponto de vista diplomático, o governo brasileiro precisa atuar com mais firmeza e clareza. A política externa não pode ser apenas reativa. É necessário recuperar uma postura soberana, assertiva e estratégica. O Itamaraty, que por décadas foi referência em atuação técnica e respeitada no mundo, precisa reassumir protagonismo no debate internacional, em vez de correr atrás dos danos causados por gestos impulsivos de outras lideranças.

O tarifaço imposto por Trump não é apenas um entrave econômico — é um alerta geopolítico. Mostra que o mundo está cada vez mais volátil e que a dependência excessiva de um único parceiro pode custar caro. A resposta brasileira precisa ir além do paliativo. É hora de planejar o futuro com menos dependência, mais estratégia e mais coragem. Porque soberania não se sustenta com empréstimos emergenciais. Sustenta-se com visão, preparo e liderança.

Trump acordou o Brasil da fantasia do isolamento e caímos num pesadelo

Um homem com cabelo loiro e terno escuro está falando em um microfone, apontando com a mão direita. Ao fundo, há uma bandeira dos Estados Unidos e uma pintura. Um outro homem está visível atrás dele, observando.

Trump desfez o sonho de não-alinhamento do Brasil

Vinicius Torres Freire
Folha

A agressão do governo de Donald Trump contra o Brasil parece nos ter acordado de um sonho tranquilo. Isto é, da fantasia de que o país fazia tempo não corria grandes riscos de sofrer ataques diretos no jogo bruto da política mundial (como em 1964).

Sujeitos às idas e vindas da economia mundial e a ações e derivas dos países dominantes, sempre estivemos levados pelas correntes de geoconomia e geopolítica, de um modo inadvertido, para ser gentil.

VOLTAREMOS A SONHAR – A dúvida agora é saber se vamos voltar a dormir, se é que Trump e outros fatores de conflito mundial não vão nos deixar insones. Vamos ter de pensar naquele clichê, na nossa “inserção mundial”.

Temos de pensá-lo agora em marcha forçada, em situação mais perigosa, em um mundo em rápida degradação no que diz às relações políticas, de força bruta, talvez guerra, e de racionalidade econômica alguma.

Uma medida da nossa posição na economia mundial pode ser a do total das exportações brasileiras nas exportações mundiais. É medida precária, limitada, mas serve para estas curtas e modestas colunas de jornal.

SUBINDO, DEVAGAR – Considere-se a participação brasileira nas exportações do mundo de 1982, desde quando há dados melhores, a 2001, quando a China entrava na Organização Mundial de Comércio e crescia como nunca se viu na história. Foi em média de 1,06% do total.

Nas duas décadas seguintes, ficou em torno de 1,2%. De 2022 a 2024, pós-pandemia, a participação brasileira foi para os picos da série, para 1,44%.

As exportações brasileiras aumentaram por causa da ascensão da China. O aumento da oferta de produtos foi possível por causa de vantagens típicas do país, desenvolvidas por meio de pesquisa científica e tecnológica —trata-se do tão sabido e excelente caso da Embrapa; depois, da Petrobras.

DEPENDÊNCIA MÚTUA – De início, entre 1990 e 2000, a participação brasileira fica estagnada também porque o comércio internacional crescia em ritmo muito maior do que o do PIB mundial: 2,3 vezes. Perdemos esse bonde. Na década seguinte, essa relação cai para perto de 1,5, mas ainda é forte. De 2011 a 2023, o comércio cresce menos do que o PIB mundial: 0,9.

Tamanho não é o único documento do comércio. Nesse período de liberalização e expansão comercial, houve deslocamento de produção para a Ásia e desenvolvimento maior das tais “cadeias globais de valor”. Isto é, fazer um produto depende da importação de insumos, partes, peças e serviços de vários lugares do mundo.

No Brasil, um exemplo raro disso é o da Embraer, de início também desenvolvida por investimento em formação e ciência.

PERDEMOS O BONDE – E daí? Perdemos o bonde do aumento do comércio em um período regido por regras multilaterais. Perdemos o bonde da integração nas tais “cadeias de valor” por sermos uma economia fechada; não investimos o bastante em pesquisa (gastamos em subsídios).

Hipóteses de industrialização ou fomento de atividades de produtividade mais alta não foram aproveitadas, um dos fatores da “reprimarização” da pauta de exportações e da baixa da indústria no PIB. Vamos para um mundo sob risco de guerra, de nacionalismo econômico, de política econômica internacional orientada por motivos de segurança. Perdemos oportunidades, mas isso é custo afundado.

O que fazer, além das fantasias, como participar da coalizão para desbancar o dólar ou de abrir sem mais a economia, ou de ideias lunáticas como largar nossa produção de commodities? O que vamos ser agora que precisamos crescer?

Imprensa brasileira pensou (?) que Trump já estava derrotado por Lula e Moraes

Análise: Como um comandante derrotado, Trump declara vitória na luta contra o vírus e volta para casa - Jornal O Globo

Datafolha mostra que maioria apoia sanções a Moraes

Felipe Frazão
Estadão

O governo Donald Trump voltou a criticar nesta quinta-feira, 31, a conduta do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O Departamento de Estado afirmou que Moraes é um “juiz ativista”, como classificou um porta-voz da diplomacia americana, ao defender a sanção aplicada ao ministro.

“Moraes é um juiz ativista, que abusou de sua autoridade ao se engajar em um esforço direcionado e politicamente motivado para silenciar críticos políticos através da emissão de ordens secretas obrigando plataformas online, incluindo empresas de mídia social dos EUA, a banir contas de indivíduos por postarem discursos protegidos”, disse o porta-voz Tommy Pigott, durante coletiva de imprensa do Departamento de Estado, a chancelaria americana.

PRISÕES INJUSTAS – “Moraes ainda abusou de sua posição para autorizar prisões injustas antes do julgamento e minar a liberdade de expressão. As ações tomadas por Moraes impactam cidadãos e empresas dos EUA. Os Estados Unidos não toleram atores estrangeiros malignos que abusam de suas posições de autoridade para minar a liberdade de expressão de cidadãos americanos”, justificou o diplomata.

Ele havia sido questionado sobre a razão principal para o ministro ter sido penalizado com base na Lei Magnitsky, com uma espécie de banimento financeiro. O porta-voz negou comentar futuras medidas do governo, sejam sanções com impacto econômico ou restrição de viagens, relacionados aos vistos, que já haviam sido revogados para ministros do Supremo e seus familiares.

Segundo Pigott, no entanto, as decisões contra Moraes mostram como o assunto é “levado a sério” na diplomacia dos EUA. O diplomata, no entanto, repetiu a mensagem do secretário de Estado, Marco Rubio, e disse que “nossas ações são um alerta àqueles que atropelam os direitos fundamentais de seus cidadãos e togas não podem protegê-los“.

MAIS SANÇÕES – Em paralelo, um partidário trumpista no Câmara dos Representantes, o congressista Rick McCornick, da Geórgia, afirmou que “os aliados dele são os próximos”, em referência a novas sanções a ministros do STF, com base na Lei Magnitsky. Ele foi um dos que fez campanha ativa junto ao governo Trump por punição a Moraes.

“Após meses insistindo em ações, o governo Trump sancionou Alexandre de Moraes com base na Lei Globlal Magnitsky. Um grave violador de direitos humanos e corrupto, a justiça finalmente está sendo feita. Seus aliados são os próximos. O OFAC (Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros) aplicará a lei com todo o rigor”, disse o congressista republicano, no X.

Os ministros Luís Roberto Barroso, presidente do Supremo, e Gilmar Mendes, se pronunciaram em solidariedade a Moraes após a sanção. Barroso articulou uma nota pública em nome da Corte. E Gilmar usou suas próprias redes sociais para se manifestar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Como se vê, o governo Trump está confiante nas acusações que faz a Moraes e agora avisa que os “aliados” do ministro sofrerão novas sanções. Onde se lê “aliados”, por favor leia-se “os outros sete ministros” que já perderam o visto e não podem mais visitar o Pateta na Disneylândia. Mas a imprensa brasileira segue outra narrativa e diz que Moraes e Lula já conseguiram derrotar Trump, o que seria a Piada do Milênio, conforme a pesquisa Datafolha acaba de comprovar. (C.N.)

55% concordam com tornozeleira em Bolsonaro, diz o Datafolha

Datafolha: maioria dos brasileiros apoia uso de tornozeleira eletrônica por  Bolsonaro | Política | cbn

Jair Bolsonaro fica sabendo que a tornozeleira tem apoio

Lucas Schroeder,
da CNN

A maioria dos brasileiros concorda com as restrições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no mês passado, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (1º).

Levantamento divulgado nesta sexta-feira (1º) ouviu 2.004 pessoas em todo o país; margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos

TORNOZELEIRA – No último dia 18, Bolsonaro foi alvo de uma operação da PF (Polícia Federal), autorizada pela Suprema Corte, que apura os crimes de coação no curso do processo, obstrução à Justiça e ataque à soberania nacional. Na ocasião, Moraes ordenou que o ex-mandatário passasse a utilizar uma tornozeleira eletrônica, além de cumprir recolhimento domiciliar no período noturno e finais de semana, entre outras medidas cautelares (confira os detalhes aqui).

55% APOIAM – O levantamento de hoje destaca que 55% dos brasileiros apoiam às restrições a Bolsonaro (44% dizem concordar totalmente, e 11% em parte).

Ao mesmo tempo, 41% dizem discordar das determinações (32% totalmente, e 9% em parte). Outro 1% não concorda, nem discorda; e 3% não souberam responder.

Ainda conforme o Datafolha, 55% dos entrevistados acham que Bolsonaro tinha a intenção de deixar o Brasil. Para 36%, o ex-presidente não pretendia sair do país. Já 10% não souberam responder.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– O Datafolha traz duas informações importantíssimas. A primeira indica que a maioria dos brasileiros é a favor das sanções impostas pelos EUA ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo. E a segunda é que a maioria apoia a tornozeleira em Jair Bolsonaro. Cruzando-se as duas indicações, surge uma terceira, mais importante ainda – a maioria dos brasileiros não apoia Lula nem Bolsonaro. Isso significa que está aberto o caminho para uma terceira via que nos livre dessa maldita polarização. Que assim seja. (C.N.)

Datafolha! Maioria dos brasileiros (47%) apoia sanções a Moraes e ao STF

Caroline Batista de Britto Gallo - Consultora Jurídica/Gestão Comercial |  LinkedIn

Charge do Latuff (Brasil 247)

Deu na CNN

A revogação do visto americano do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), é aprovada por 47% dos brasileiros, enquanto é reprovada por 42%. Outros 10% não sabem como avaliar a medida.

Os números são de pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (1º). O levantamento tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

SOMA DE ITENS – O índice de aprovação à medida do governo americano, sob a presidência de Donald Trump, é calculado somando o número de brasileiros que “concordam totalmente” (33%) e “em parte” (14%) com a revogação.

Já o índice de reprovação é alcançado pela soma do número de pessoas aptas a votar (com 16 anos ou mais) que “discordam totalmente” (29%) ou “em parte” (13%) sobre a medida.

O apoio à revogação do visto americano de Moraes é maior entre pessoas declaradamente apoiadoras do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com um índice de 68%. Já entre os petistas, o número cai para 32%.

O levantamento do Datafolha foi realizado entre 29 e 30 de julho e ouviu 2.004 pessoas em 130 municípios.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– É surpreendente esse resultado da pesquisa Datafolha. Com o governo Lula e a grande mídia (imprensa, rádio e televisão) atacando incessantemente Trump e as sanções a Moraes, jamais se esperaria esse resultado tão expressivo contra Lula, Alexandre de Moraes e o Supremo, pois somente 29% dos pesquisados discordam totalmente das sanções aos oito ministros. E há outros indicativos muito fortes na pesquisa, que analisaremos em seguida, enquanto vocês compram pipocas. (C.N.)

Indenização ignóbil concedida a Lula exibe putrefação do Poder Judiciário

PL - Araraquara - Sim no Brasil o crime compensa! | Facebook

Charge do Zappa (humortadela.com)

Deltan Dallagnol
Gazeta do Povo

Condenações de Lula: anuladas. Condenações de José Dirceu: anuladas. Condenações de Antônio Palocci: anuladas.  Condenações de Marcelo Odebrecht: anuladas. Condenações de Léo Pinheiro: anuladas. Condenações de Eduardo Cunha: anuladas. Condenações de Alberto Youssef: anuladas. Condenações de Sérgio Cabral: várias anuladas e outras são questão de tempo. E eu, procurador que investigou e processou todos eles, fui condenado a pagar uma indenização de mais de R$ 135 mil a Lula em menos de um mês.

Sim, leitor, você não leu errado. Eu, Deltan Dallagnol, terei que indenizar o presidente da República, Lula, em mais de R$ 135 mil por conta do PowerPoint que apresentei durante a primeira acusação criminal que ofereci contra ele, no âmbito da operação Lava Jato, em 2016. Você certamente se lembra do PowerPoint: várias bolinhas menores com expressões como “propinocracia”, “enriquecimento ilícito”, “maior beneficiado”, “perpetuação criminosa no poder”, entre outras, com setas apontando para uma bolinha maior no centro: entre outras, com setas apontando para uma bolinha maior no centro: Lula.

NADA DE ERRADO – Rigorosamente, não havia nada de extraordinário naquele PowerPoint: àquela altura, a Lava Jato estava a todo vapor havia dois anos, e já tínhamos feito dezenas de coletivas de imprensa com apresentações similares. A ideia da força-tarefa era simplificar as informações sobre as investigações para a sociedade: muitos jornalistas não entendiam nada de corrupção, lavagem de dinheiro ou crimes de colarinho branco. As coletivas ajudavam a traduzir o juridiquês para o público em geral, que passou a entender o tamanho do esquema de corrupção que investigávamos.

Contudo, quando apresentamos a denúncia contra Lula, usando o PowerPoint como recurso visual para facilitar a compreensão dos fatos, o mundo desabou. Lula jamais engoliu o PowerPoint e me processou pessoalmente, na pessoa física – mesmo com o Direito brasileiro proibindo que funcionários públicos respondam diretamente por atos praticados no exercício de suas funções. Lula perdeu em primeira e segunda instâncias: juízes técnicos e concursados julgaram a ação improcedente, porque eu estava apenas fazendo o meu trabalho. Aplicaram a lei.

Mas bastou o caso chegar ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) – corte composta por 33 ministros politicamente indicados pelo presidente da República – para tudo mudar. Muitos daqueles ministros foram indicados pelo próprio Lula ou por Dilma.

JÁ ERA ESPERADO – Alguém realmente se surpreendeu ao ver que, só ali, no STJ, eu fui condenado a pagar uma indenização de R$ 135 mil a Lula, mesmo contra a jurisprudência do próprio STJ? Eles reviraram fatos e provas, atropelando um entendimento sumulado (consolidado) da própria Corte de que ela não pode fazer isso nesses casos.

E alguém se espanta que meu recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF) tenha sido rejeitado? O Supremo tem uma orientação vinculante para todos os tribunais, incluindo STJ e o próprio STF, de que ações de indenização como aquela que Lula moveu contra mim jamais pode ser direcionada contra a pessoa física, mas apenas contra a pessoa jurídica, no caso, a União.

Contudo, a lei não vale para os inimigos da corte. A relatora foi a ministra Cármen Lúcia, aquela do “censura é proibido, mas vou permitir só até o fim das eleições”. Já são mais de seis anos sob o regime de censura de Moraes.

BEM ESCASSO – Justiça virou um bem escasso para a direita e para quem enfrenta o sistema. E agora chegou o dia de tirar o dinheiro do bolso para pagar Lula. O dia em que o promotor tem que indenizar o bandido. Leia estas duas frases novamente, respire fundo e deixe seu corpo e sua mente absorverem lentamente essa informação. É a inversão completa de valores, a degradação total da justiça, a desmoralização plena das nossas instituições – muito mais do que xingamentos vazios a ministros do STF nas redes sociais.

Estou indignado, sim – e muito, como tanta gente que me enviou mensagens de solidariedade –, mas não preocupado. E a primeira razão é o seu apoio. Agradeço a todos que não me deixaram sozinho e protegeram minha família de pagar o preço por lutar por justiça num país onde os corruptos mandam. Quando fui condenado, mais de 12 mil brasileiros doaram, sem que eu pedisse, pequenos valores que somaram mais de meio milhão de reais, em apenas 48 horas. Vocês me fortalecem e me inspiram a não desistir de lutar pelo Brasil.

A segunda razão pela qual não estou preocupado é que diante das provas que tínhamos eu acusaria e colocaria Lula na cadeia de novo, mil vezes, se tivesse mil vidas. Faria tudo novamente, e lutaria sem cessar para colocar na cadeia – e não na presidência – aqueles contra quem existem fortes provas de corrupção.

VERGONHA DELES -Fiz o que era certo, não me arrependo, e quem deveria ser condenado são os corruptos e aqueles que lhes garantem a impunidade suprema. “Shame on them” – a vergonha está sobre eles.

 Como me comprometi publicamente, todo o valor excedente das doações será doado a hospitais filantrópicos que tratam crianças com câncer e com transtorno do espectro autista. Oportunamente, prestarei contas de todos os valores. Assim, o que nasceu como uma injustiça será transformado em um bem: a tentativa de vingança de Lula será revertida em solidariedade. Vamos juntos concretizar o que Paulo disse em sua carta aos Romanos e digo a vocês: “Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem.”

Que a reação da sociedade a essa decisão sirva de lembrete: os brasileiros não querem viver num país em que o promotor é condenado a indenizar o bandido. Em que o policial tem que pedir desculpas para o criminoso. Em que o STF joga na cadeia por mais de uma década pessoas simples por picharem uma estátua, mas premia com a impunidade quem rouba o nosso futuro. Os pixs que recebi, a solidariedade das pessoas, as mensagens de apoio só me fazem pensar uma coisa: os maus não vencerão os bons. O bem ainda triunfará.

(Artigo enviado por Mário Assis Causanilhas)

Agora na Itália, ex-assessor de Moraes ameaça fazer “revelações” contra ele

Eduardo Tagliaferro (à esquerda) foi assessor do ministro Alexandre de Moraes

Tagliaferro percebeu que Moraes não agia com isenção

Leandro Magalhães
da CNN

O ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, Eduardo Tagliaferro afirmou nas redes sociais nesta quarta-feira (30) que irá revelar os bastidores do gabinete do magistrado. Ele se mudou para a Itália. “Destruiu minha vida e a de várias pessoas, isso é pouco, logo eu estarei mostrando para o Brasil quem é Alexandre de Moraes e os bastidores do seu gabinete”, escreveu em post com a foto de Alexandre de Moraes ao fundo. “Eu tenho bastante coisa”, disse, sem revelar detalhes.

Perito, Tagliaferro é formado em engenharia e direito pela Universidade Paulista. Foi assessor-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação, no TSE, tendo sido nomeado por Moraes para o cargo em 2022.

FOI INDICIADO – Em maio, a Polícia Federal indiciou Tagliaferro por violação de sigilo funcional com dano à administração pública. O ex-assessor de Moraes foi investigado pela divulgação de diálogos do ministro com servidores do TSE e do STF.

Para a PF, Tagliaferro “praticou, de forma consciente e voluntária, a violação do sigilo funcional – sendo que ele ocupava função de confiança na Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação no Tribunal Superior Eleitoral”.

No começo de julho, o ministro Alexandre de Moraes negou que houvesse depoimento de Tagliaferro como testemunha de Filipe Martins, que responde à ação no STF pela trama do golpe. O ministro justificou dizendo que há jurisprudência na Suprema Corte que impede depoimento de investigados.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Alexandre de Moraes tem muitos problemas. Um deles se chama Eduardo Tagliaferro, o perito que foi impedido de prestar depoimento aqui no Brasil. Mas nada impede que ele deponha na Itália, no processo de Carla Zambelli, julgada com rigor excessivo. Dez anos de cadeia e multa de R$ 2 milhões parece brincadeira. Tagliaferro começou a brigar com Moraes com motivos sérios: “Tem algumas coisas fraudulentas que foram feitas (….) e comecei a questionar”, afirmou em outro post, acrescentando que “só entravam coisas de direita no gabinete e nada de esquerda e isso me chamou muito a atenção”. (C.N.)

Deputados europeus de direita pedem o congelamento dos bens de Moraes

O que é o Parlamento Europeu? Conheça sua história e principais funções

Parlamento Europeu começa a se interessar pelo caso

Deu na CNN

Um grupo de 16 parlamentares conservadores europeus protocolou um pedido ao Parlamento Europeu solicitando sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O documento, que se estende por três páginas, foi apresentado por congressistas de diversos países, incluindo Polônia, Portugal, França e Itália.

No texto, os eurodeputados alegam que Moraes tem violado direitos humanos e princípios democráticos. O grupo também questiona o que classificam como medidas judiciais contra a liberdade de expressão e afirmam que o ex-presidente Jair Bolsonaro estaria sendo julgado sem provas.

FALTA APOIO – Apesar da iniciativa, não há apoio suficiente no Parlamento Europeu para implementar medidas retaliatórias contra Moraes. Mesmo parlamentares de centro-direita consideram exagerada a imposição da Lei Magnitsky.

O líder empresarial britânico William Broder, responsável pela campanha global pela Lei Magnitsky, manifestou-se contrário à aplicação das sanções. Em suas redes sociais, ele declarou:

“Passei anos lutando para que a lei Magnitsky fosse aprovada para acabar com a impunidade contra abusadores graves de direitos humanos e cleptocratas. Pelo que eu sei, o juiz brasileiro Alexandre de Moraes não se enquadra em nenhuma dessas categorias”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– O pior são os que nada sabem sobre o assunto, apenas ouviram falar e ficam dando peruadas sem o menor fundamento. É o caso desse empresário britânico, que não sabe que Moraes é muito capaz, quer dizer, é capaz de tudo. (C.N.)

Trump não tem como salvar Jair e Eduardo Bolsonaro de condenação e prisão

Eduardo Bolsonaro será investigado porque há a suspeita de que esteja articulando, nos EUA, ações contra autoridades brasileiras — Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

Eduardo será acusado de fazer ataque à soberania do país

Vicente Limongi Netto

Donald Trump é o maior e mais poderoso amigo do contra da família Bolsonaro. Exagerou na punição ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Avançou completamente o sinal do bom senso. Abissal tiro no pé.

Ministros da Suprema Corte repudiaram a decisão do presidente norte-americano. Manifestações dos Três Poderes da República saíram em defesa de Moraes. A começar pelo chefe da nação.

Alguém precisa mandar para Trump a íntegra do volumoso processo tramitando no STF envolvendo até o pescoço o ex-presidente Bolsonaro nos acontecimentos do 8 de janeiro. Os autos são claros. Não mentem. Bolsonaro e o filho fujão Eduardo não vão se safar das pesadas acusações.

A quadra política e econômica brasileira precisa avançar dialogando. Espetáculos de bazófias não caem bem para o Brasil nem para os Estados Unidos.

Livro destrincha a Primeira Guerra, e há paralelos com o mundo de hoje

Os sonâmbulos

Clark faz uma análise e compara com os dias de hoje

Hélio Schwartsman
Folha

“Aqueles que não lembram o passado estão condenados a repeti-lo”, escreveu George Santayana. Tenho sérias dúvidas em relação à validade universal da máxima. No mínimo, “condenados” é um termo forte demais.

Acompanho, porém, o filósofo na ideia mais geral de que conhecer o passado é uma coisa positiva. Mesmo que não funcione como vacina contra erros pretéritos, o conhecimento da história nos ajuda a entender o presente, o que pode ou não afetar o futuro.

PRIMEIRA GUERRA – Não acho que estejamos na iminência de uma guerra mundial nem que um evento dessa magnitude poderia ser prevenido pela leitura de livros, mas, mesmo assim, recomendo “Os Sonâmbulos” de Christopher Clark, uma obra já meio antiga (2012) que destrincha a eclosão da 1ª Guerra Mundial.

Há semelhanças entre o contexto geopolítico de hoje e o do início do século 20 que fazem valer a pena revisitar o passado. Em ambas as situações tínhamos um mundo relativamente próspero, no qual potências antigas davam sinais de decadência enquanto as ascendentes se esforçavam para projetar força e liderança.

Nos dois casos, vivia-se um período de radicalismo retórico, no qual nacionalismos e a defesa da soberania davam o tom da política interna de vários países.

POLÍTICA DE ALIANÇAS – Ali mais do que aqui, uma política de alianças entre nações ajudou a manter a estabilidade global até o dia em que deixou de funcionar assim e começou a empurrá-las para o conflito. 

Clark mostra que a maior parte dos líderes (excluídos alguns generais prussianos) queria a paz, ainda que não a qualquer preço. Eles também se empenharam em tomar decisões racionais, equilibrando objetivos internos com os das alianças. Só que o fato de todos agirem mais ou menos do mesmo modo levou a erros e armadilhas das quais esses mesmos líderes depois não conseguiam recuar.

Havia, é claro, desde atores ignorantes e impetuosos até sumidades intelectuais com amplo conhecimento de história e diplomacia. Não se notam diferenças importantes de desempenho entre eles, o que nos traz de volta a Santayana.

Quando um violeiro toca, a vida muda sempre para melhor

Inspiração caipira | VEJA

Almir Sater e Renato Teixeira, dois mestres

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor paulista Renato Teixeira de Oliveira, um dos mais destacados cantores da música regionalista, e seu parceiro Almir Sater explicam que, quando “Um Violeiro Toca”, a natureza compartilha  suas emoções. Esta música faz parte do LP Renato Teixeira, Pena Branca e Xavantinho Ao Vivo em Tatuí, lançado em 1992, pela Kuarup.

UM VIOLEIRO TOCA
Almir Sater e Renato Teixeira

Quando uma estrela cai
No escurão da noite
E um violeiro toca suas mágoas
Então os olhos dos bichos
Vão ficando iluminados
Rebrilham neles estrelas
De um sertão enluarado

Quando um amor termina
Perdido numa esquina
E um violeiro toca sua sina
Então os olhos dos bichos
Vão ficando entristecidos
Rebrilham neles lembranças
Dos amores esquecidos

Tudo é sertão, tudo é paixão
Se um violeiro toca
A viola e o violeiro
E o amor se tocam

Quando um amor começa
Nossa alegria chama
E um violeiro toca em nossa cama
Então os olhos dos bichos
São os olhos de quem ama
Pois a natureza é isso
Sem medo, nem dó, nem drama…

Moraes finge que não quer defesa nos EUA, mas a coisa é séria

A imagem mostra três homens vestidos com ternos, caminhando em um espaço interno iluminado. Eles estão em um corredor ou área com grandes janelas, e ao fundo há cortinas brancas. A iluminação é suave, e é possível ver um ambiente moderno e elegante.

Encontro no Palácio da Alvorada foi festival de vaidades

Catia Seabra e Cézar Feitoza
Folha

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), informou ao governo Lula (PT) que descarta, por ora, uma ação em sua defesa nos EUA. O magistrado afirmou, segundo relatos, que, neste momento, não pretende levar adiante um processo em solo americano.

Por determinação de Lula e por sugestão de ministros do STF, a AGU (Advocacia-Geral da União) representaria Moraes diante da Justiça dos Estados Unidos para questionar a sanção financeira imposta pelo presidente Donald Trump.

POR ENQUANTO – O uso da estrutura da AGU em favor de Moraes tinha sido sacramentado após encontro fora da agenda de Lula com ministros do Supremo na noite de quarta-feira (30).

Moraes disse, no entanto, que dispensaria, por enquanto, a oferta. Durante jantar na noite desta quinta-feira (31), no Palácio da Alvorada, ele afirmou que não pretende estabelecer relação com os EUA. Não está descartada, no entanto, uma atuação da AGU em seu favor em âmbito internacional.

Mostrando-se tranquilo, segundo relato dos participantes do jantar, Moraes também minimizou a possibilidade de sofrer as sanções impostas pelo governo americano em território brasileiro. O magistrado disse ainda que não deixará de exercer seu trabalho diante da ameaça.

SINTONIA COM STF – Presente ao jantar, o advogado-geral da União, Jorge Messias, disse que respeitará a decisão de Moraes. A proposta do governo foi interpretada como mais um sinal da sintonia com o STF diante da interferência de Trump nos assuntos internos —especialmente em relação ao processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e os pedidos por anistia para livrá-lo da possível condenação.

Como a ideia de um processo não foi descartada, o governo ainda espera o curso das decisões nos EUA. São duas hipóteses estudadas no governo para entrar com uma ação nos EUA contra a aplicação da Lei Magnitsky contra Moraes.

Em uma delas, o Executivo pode contratar um escritório de advocacia nos EUA para representar diretamente o ministro. Outra possibilidade é levar a Suprema Corte dos EUA a debater uma tese sobre a soberania das instituições brasileiras, incluindo o Judiciário, no contexto das sanções americanas contra o Brasil.

OUTROS CONVIDADOS – Participaram do jantar desta quinta, além de Moraes, Luís Roberto Barroso, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Edson Fachin, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, Jorge Messias, e o procurador-geral, Paulo Gonet.

A reação do governo brasileiro à sanção financeira anunciada por Trump contra Moraes tem sido calculada em detalhes. É resultado de articulações entre Lula, ministros do Supremo, representantes de bancos brasileiros e políticos.

Lula se posicionou com firmeza contra a interferência dos Estados Unidos, segundo um dos participantes do encontro. O petista disse que o momento é crucial para definir o tamanho do Brasil na geopolítica.

SOBERANIA NACIONAL – Além de deixar claro que o Brasil não aceitaria negociar temas que podem afetar a soberania nacional, Lula disse aos ministros do Supremo que o governo fará uma defesa incondicional do STF e de Moraes.

A ordem foi repassada aos ministros do núcleo duro de Lula. Gleisi Hoffmann (PT), ministra das Relações Institucionais, tem sido uma das responsáveis por vocalizar o apoio ao ministro do Supremo.

“O STF atua rigorosamente no devido processo legal: os réus tiveram garantia do contraditório e direito de defesa, que entra agora na fase de alegações finais antes do julgamento. É assim que funciona a Justiça, algo que nem Trump nem Bolsonaro querem aceitar”, disse.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– A vaidade é o mal dessa gente, especialmentente em tempo de bravatas nacionalistas. No entanto, quando o processo contra Moraes começar a andar, Lula e sua patota vão entender o tamanho da trolha, como se dizia antigamente. Nada acontecerá a Moraes, apenas a perda da dignidade e a humilhação internacional. Quanto a Lula, está destruindo o que ainda restava de positivo em sua imagem pública, e o Brasil vai de roldão, como um país importante, mas de baixa confiança e credibilidade zero. Os erros judiciais e excessos autoritários cometidos por Moraes e seus aliados são inacreditáveis e para sempre serão lembrados. (C.N.)

Trump, tarifas e sanções: o vai e vem de uma diplomacia imprevisível

Ação de Trump transforma julgamento de Bolsonaro em reação por soberania

por: @ultralafa03 SOBERANIA NACIONAL. #PutzGrilah #hospíciobrasil  #lobotomiadigital #charge #cartoon #lesapátria #brasil #br #gado  #patriotários #soberanianacional #brasilsoberano

Charge do Lafa (Arquivo Google)

Cézar Feitoza e Ana Pompeu
Folha

A tentativa de interferência de Donald Trump nos rumos do processo da trama golpista no STF (Supremo Tribunal Federal) que mira Jair Bolsonaro (PL) deve ter efeito reverso e dar ainda mais evidência para o julgamento. A expectativa é que os ministros da Primeira Turma do STF, responsável pelo caso, incluam em seus votos manifestos em defesa da soberania nacional e da independência do Supremo.

Os ministros da corte refutam a possibilidade de suavizar o julgamento e eventuais penas dos réus diante da ofensiva do governo dos Estados Unidos contra o Brasil e magistrados do tribunal, segundo quatro integrantes do Supremo ouvidos pela Folha.

OUTRO PROCESSO – Eles destacam ainda que a atuação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, para conquistar apoio do governo Trump para a aplicação de sanções contra o ministro Alexandre de Moraes e outros integrantes do tribunal será analisada em outro processo.

Eduardo é alvo de inquérito da Polícia Federal por suspeita de obstrução de Justiça e coação. Agentes da PF têm mantido publicações dele nas redes sociais sob custódia, por entender que o próprio deputado produz provas contra si.

A investigação contra o deputado não deve se prolongar por muito tempo. A expectativa no Supremo é preparar o recebimento de eventual denúncia contra o deputado após o término do processo sobre a tentativa de golpe de Estado.

NA RETA FINAL – O julgamento contra o núcleo central da trama golpista deve ocorrer em setembro. O processo está na fase de alegações finais, e as defesas dos réus têm até 13 de agosto para se manifestar pela última vez antes do ato final no Supremo.

Quatro advogados de réus afirmaram à Folha considerar inócua a ação de Trump. Eles destacam que o Supremo não vai recuar do processo sobre a trama golpista. Uma das defesas avalia até que a situação jurídica de Bolsonaro pode ficar pior, com possível aumento na contagem das penas —até agora, não houve qualquer recuo de Moraes no caso.

Um dos representantes dos réus do processo diz acreditar que a ofensiva crescente de Trump contra Moraes e o STF reduz as chances de ponderações nas penas ou indulto.

CORPORATIVISMO – O movimento dos EUA ainda reanima um espírito de corporativismo entre os ministros, especialmente entre os da Primeira Turma, composta por Moraes, Cristiano Zanin (presidente da Turma), Flávio Dino e Luiz Fux, único até o momento a apresentar alguma divergência em relação ao relator —ele foi contra as medidas impostas a Bolsonaro.

As reações do Supremo às interferências dos EUA no processo contra Bolsonaro tiveram estágios diferentes. A primeira ação do tribunal foi autorizar uma investigação contra Eduardo Bolsonaro quando o deputado anunciou que ficaria nos Estados Unidos para buscar apoio da Casa Branca por sanções contra ministros do Supremo.

Quando as críticas de Trump eram por meio de redes sociais, os ministros minimizaram o movimento e avaliaram que as declarações eram parte de uma narrativa política e, assim, não mereciam reação institucional da corte. Pouco depois de Trump anunciar a sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, que foi efetivada nesta quarta (30), Moraes decretou medidas cautelares contra Bolsonaro, como o uso de tornozeleira eletrônica e restrições para sair de Brasília.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– A sorte do Supremo foi Trump ter confundido as coisas, misturando as “caças às bruxas bolsonarianas” e os erros judiciais de Moraes no inquérito do fim do mundo e em muitos outros. O lamentável mix dos assuntos desfaz o foco preciso sobre as trapalhadas de Moraes no caso das big techs, que incluem empresas de Elon Musk e do próprio Trump, perseguindo estrelas nascentes do bolsonarismo, que surgiram devido à putrefação do PT, faz parte da democracia a alternância do poder. Agora a sujeirada dos desmandos de Moraes está sendo varrida para debaixo do tapete do nacionalismo nauseabundo, e Moraes não mais será perseguido pela cadeia que presenteou à terrorista que passou batom na pedra fria da estátua. E neste verão em Albion, o grandioso Samuel Johnson está se revirando na Abadia de Westminster, repetindo que eles não entenderam nada… Descanse em paz, mestre, todos entenderam. À exceção dos canalhas, é claro, que sempre encontram um refúgio… (C.N.)

Na verdade, Moraes não tem como se defender das acusações do governo Trump

Secretário de Estado da Casa Branca, Marco Rubio, durante evento na Casa Branca

Marco Rubio citou as acusações que são feitas a Moraes

Deu em O Globo

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, publicou nota para apresentar as alegações do governo americano na aplicação da lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O republicano justificou a medida com o que chamou de “graves abusos de direitos humanos, incluindo detenções arbitrárias”, além de “violações da liberdade de expressão”.

“O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o Departamento do Tesouro, sancionaram o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do programa de sanções Global Magnitsky por graves violações de direitos humanos. Que este seja um aviso para aqueles que atropelam os direitos fundamentais de seus compatriotas — as togas judiciais não podem protegê-los”, escreveu Rubio no X.

ABUSOS SEGUIDOS – Em nota publicada no site da Departamento de Estado, Rubio acrescenta que Moraes cometeu abuso de autoridade ao agir nos processos judiciais de forma “politicamente motivada” e com objetivo de silenciar críticos.

O comunicado também menciona que “ordens secretas” do magistrado brasileiro “obrigavam plataformas online, incluindo empresas de mídia social dos EUA, a banir as contas de indivíduos que postassem discursos protegidos” (pela primeira emenda da constituição americana).

“Moraes abusou ainda mais de sua posição ao autorizar prisões preventivas injustas e minar a liberdade de expressão”, prossegue o texto. A nota finaliza com a afirmação de que os EUA vão usar “todos os instrumentos diplomáticos, políticos e legais” para proteger “a liberdade de expressão dos americanos de atores estrangeiros malignos como Moraes”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
O ministro Moraes se apressou a distribuir a informação de que não possui bens nem contas bancárias nos Estados Unidos, como se estivesse a proclamar que as punições não o atingem. Na verdade, as sanções acertam em cheio no que os magistrados precisam ter de mais sagrado – a dignidade, a imparcialidade e a isenção. Sua situação é grotesca e ele nem tenta se defender, porque seus erros judiciais realmente não têm explicação. (C.N)

Abusos cometidos no Supremo já passaram a ser notícias no mundo inteiro

O WSJ publicou duas matérias denunciando Moraes

Alexandre Garcia
Gazeta do Povo

 
Documentários e textos jornalísticos estão divulgando no exterior os arbítrios cometidos pelo STF. A política brasileira, incluindo as “extravagâncias” do Judiciário, como qualificou o ministro aposentado do Supremo Marco Aurélio Mello, já ultrapassou os limites da Praça dos Três Poderes e ganha o mundo. Além do futebol e carnaval, temos as “extravagâncias”.

O editorial da edição de domingo de The Wall Street Journal confirma essa expansão para o mundo. É o diário de maior reputação nos Estados Unidos, sendo conhecido como The Journal. Ou seja, é “o jornal”, publicado pelos produtores do índice Dow Jones, e tem a idade da nossa república.
VAREJO DO STF– Pois o editorial entrou no varejo do Supremo, com o caso Filipe Martins, instando Donald Trump a investigar com transparência a falsificação da entrada de Martins nos Estados Unidos.
Na Europa, será lançado em agosto um documentário com cerca de duas horas sobre o Supremo brasileiro, produzido pelo jornalista português que ficou detido quando veio participar de manifestação na Paulista.
Volta e meia o Washington Post dá opinião criticando a suprema corte brasileira. E Trump dá ao Brasil um tratamento especialmente duro, deixando claro que é por causa da “caça às bruxas”, uma perseguição à direita brasileira, e por falta de transparência na apuração de eleições.

LEI MAGNITSKY
– Estamos às vésperas de vigorar a tarifa de 50% sobre as importações americanas do Brasil e, além disso, paira sobre algumas cabeças como espada de Dâmocles a Lei Magnitsky – nome que todo jornalista já pronuncia com familiaridade.
Por aqui, vamos ajudando a inflar esse noticiário estrangeiro. O presidente, todos os dias, desafia, debocha, provoca o presidente dos Estados Unidos. Parece desejar ter uma desculpa para todos os males provocados pela administração Lula, desde a falta de picanha até os juros, a dívida gigantesca e os déficits.

No Supremo, o ministro Alexandre de Moraes recrudesce a cada dia. Até nos detalhes, como não admitir militar fardado em audiência. Se a intenção do deputado Helio Lopes, ao acampar na Praça dos Três Poderes, era jogar uma isca para ver se Moraes a abocanharia, funcionou: o ministro a mordeu e arrastou a Constituição.
RIGOR ILEGAL – Moraes não deu a mínima para os pétreos direitos de reunião, manifestação, de ir e vir, e mandou o governador tirar de lá o deputado, ainda que tivesse de tirá-lo da cama, como aconteceu. Não foi inédito; esses direitos já haviam sido infringidos na pandemia – e por prefeitos.

A retirada do deputado Hélio Lopes das proximidades da Câmara Federal passou a fazer parte do inquérito das “fake news”, de 2019. Profético, o ministro Marco Aurélio Mello o chamou de “inquérito do fim do mundo”.
As inconstitucionalidades são conhecidas há meia dúzia de anos; conhecidas da mídia, da OAB, dos juristas, dos professores – mas são escondidas nas consciências.

PELO MUNDO
– Vergonha nossa estarem nos principais jornais norte-americanos e europeus, mas não nos nossos, com a veemência com que devem ser tratadas infrações graves a direitos fundamentais. Vergonha nossa estarem na boca do secretário de Estado e do presidente norte-americano, mas não na boca do presidente da OAB nacional ou do presidente de um Senado omisso.

Alguns senadores foram pedir socorro a Trump. Alegamos que Trump ataca nossa soberania, mas não mostramos soberania suficiente para defender nossa própria Constituição, a maior das leis, a que limita o poder do Estado para que a nação seja livre para pensar, debater, criticar, fiscalizar, eleger.

Agora temos uma extravagância histórica: um chefe de Estado estrangeiro defendendo nossa Constituição sem ter jurado defendê-la – como jurou Lula.
(Artigo enviado por Mário Assis Causanilhas)

Problema de Moraes é grave, porque envolve sua “isenção” como ministro

Visto cancelado? Entenda projeto de lei nos EUA que tem Alexandre de Moraes  na mira

Deputada americana perguntou: “É socialista ou um tolo?”

Deu em O Globo

O anúncio da sanção do governo americano contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, por meio da aplicação da Lei Magnitsky, repercutiu na imprensa internacional. A decisão ocorre após a escalada da crise entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o governo e Judiciário brasileiros.

A Bloomberg noticiou que a sanção ocorre no momento em que os EUA intensificam a “perseguição” ao juiz relator das ações judiciais que têm como réu o ex-presidente Jair Bolsonaro, que “tentou um golpe após sua derrota nas eleições de 2022”.  Reuters contextualizou o anúncio da sanção com o tarifaço de Trump. “O presidente dos EUA, Donald Trump, vinculou as novas tarifas ao Brasil ao que chamou de ‘caça às bruxas’ contra seu aliado de direita”, segundo a agência de notícias.

MAIS REPERCUSSÃO – O argentino La Nacion noticiou que a “punição do juiz faz parte da repressão do governo Trump ao governo brasileiro devido ao julgamento em andamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe”.

Em Portugal, a RTP afirmou que a decisão representa mais uma “escalada da guerra comercial e diplomática” que o governo Trump iniciou contra a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, “a dois dias das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos ao Brasil entrarem em vigor”.

‘Supremo deve ser respeitado não só no Brasil, mas em todo mundo’, diz Lula ao New York Times sobre sanções de Trump a ministros. A decisão de Trump mostra um retrocesso na tentativa de diálogo entre os governos do Brasil e dos EUA para um acordo comercial, afirmam interlocutores do governo brasileiro ouvidos pelo GLOBO. A avaliação é que foi dado “um passo atrás” na crise entre os dois países escalou e os desdobramentos são imprevisíveis.

DEFESA PELA AGU – Ministros do STF defendem que a Advocacia-Geral da União (AGU) conteste nos tribunais internacionais a aplicação da Lei Magnitsky contra Moraes. Na avaliação desses magistrados, essa ação pode ser tanto na Justiça dos Estados Unidos quanto em outras Cortes internacionais. Nesta quarta-feira, o governo Donald Trump anunciou ter incluído o magistrado na lista de pessoas alvo de sanções previstas na legislação do país.

A AGU já acompanha o caso envolvendo Moraes nos EUA. O órgão responsável pela defesa jurídica dos Três Poderes acionou seu escritório em solo americano para acompanhar ações movidas pelas plataformas Rumble e a Trump Media & Technology Group contra o magistrado.

Na ação judicial, as empresas acusam o magistrado de violar a Primeira Emenda da Constituição americana, que garante a liberdade de expressão, ao ordenar a remoção de contas de influenciadores brasileiros de direita na Rumble e por outras “tentativas de censura”.

ATO ADMINISTRATIVO – Para integrantes da Corte brasileira, os Estados Unidos descumprem a própria lei ao aplicar as sanções ao ministro do Supremo. A Magnitsky é aplicada por decisão do Executivo, sem necessidade de condenação em processo judicial, e prevê uma série de sanções que, na prática, extrapolam as fronteiras dos EUA.

A rigor, basta um ato administrativo do governo americano, que pode ou não ser lastreado em informes de autoridades e organismos internacionais. No caso, já existe investigação contra Moraes na Câmara dos Deputados.

Há expectativa de que os ministros do Supremo se manifestem sobre as sanções dos Estados Unidos a Moraes na reabertura dos trabalhos da Corte, nesta sexta-feira.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– A investigação contra Moraes partiu inicialmente da Câmara dos Deputados americana, ainda no governo de Joe Biden. A gestão de Trump viu o cavalo passar encilhado e montou em cima dele, ampliando as investigações, ao nelas incluir empresas do atual presidente Trump. Agora a coisa virou bola de neve, com as acusações da Lei Magnitsky, e não faltam violações de direitos humanos a serem investigadas pelos três poderes dos Estados Unidos – Executivo, Legislativo e Judiciário. Com a foto de Moraes nas mãos, a deputada republicana Maria Salazar perguntou: “Ele é socialista ou um tolo?”. E a resposta certa seria: “Sim, e ambos”. (C.N.)

O agro já está pronto para reconhecer que Bolsonaro não é o seu campeão?

Lula defende eleição em 2017 e diz 'nós voltaremos' em ato do MST -  11/01/2017 - Poder - Folha de S.Paulo

Lula defende os sem-terra e também os latifundiários

Diogo Schelp
Estadão

O sentimento antipetista predominante entre empresários do campo era perfeitamente compreensível. Os tempos das frequentes invasões de propriedades por movimentos sem-terra, apoiados pelo PT, estão vivos na memória de produtores rurais e alimentam a sensação de insegurança que muitos sentem até hoje.

As primeiras gestões petistas também ficaram no imaginário de agricultores e pecuaristas como o ápice da “indústria da multa”. Cada um deles tem pelo menos uma história para contar sobre algum excesso cometido pelos órgãos fiscalizadores ambientais.

ERAM FASCISTAS – A retórica petista sempre endossou essas percepções, ao tratar o pessoal do agro em geral como latifundiário, improdutivo, desmatador e reacionário. Não é preciso ir muito longe no tempo. Em 2022, na qualidade de candidato, e em 2023, já como presidente, Lula usou a palavra “fascista” para se referir a integrantes do agronegócio.

O ex-presidente Jair Bolsonaro sempre foi hábil em capitalizar para si o sentimento antipetista, mas nunca fez nada de muito extraordinário em favor do agro.

À parte o cacoete ideológico e da militância radical, contudo, Lula e o PT não rasgam dinheiro. Eles sabem que o agro é a locomotiva da economia brasileira, responsável pela entrada de divisas e pela geração de empregos. Por isso, nunca faltaram estímulos ao setor nos governos petistas.

BOLSONARO AVANÇOU – O ex-presidente Jair Bolsonaro sempre foi hábil em capitalizar para si o sentimento antipetista, mas nunca fez nada de muito extraordinário em favor do agro. O número de invasões de terra, por exemplo, já havia caído para menos de 15 no último ano do governo de Michel Temer — e manteve-se nesse patamar ao longo do mandato de Bolsonaro.

O total de crédito rural concedido no Brasil em 2023 por Lula, por sua vez, superou em mais de 13% o montante que foi disponibilizado para os produtores em qualquer ano durante a gestão Bolsonaro.

Também houve grande fanfarra em relação às multas ambientais, além de toda a conversa sobre “passar a boiada”, mas as verdadeiras dores dos ruralistas nunca foram efetivamente enfrentadas.

MADEIREIROS ILEGAIS – Quem se beneficiou, mesmo, foram os poucos que andavam fora da linha, como os madeireiros ilegais. Afinal, a esmagadora maioria dos produtores rurais respeita as leis ambientais.

No ano passado, por exemplo, todo o desmatamento ilegal registrado no país ocorreu em apenas 1% das propriedades.

A ideia de que Bolsonaro é o campeão do agro é uma ilusão. Agora que sua família está em campanha para que os exportadores brasileiros sejam punidos com sanções americanas, fica claro que os interesses dos homens e das mulheres do campo nunca estiveram no centro das suas preocupações.

Lula, o pequeno ditador, sonha em criar a Sociedade das Ideias Mortas

Arquivos #HistóriadeBrasília - Página 57 de 168 - Blog do Ari CunhaJ.R. Guzzo
Revista Oeste

Menos de 80 anos atrás, como lembra o artigo de capa de Adalberto Piotto na última edição de Oeste, o Brasil era um país ficha limpa na comunidade das nações. Mais que isso: era o exemplo do bom elemento, como dizia a polícia da época, um sujeito decente o necessário para presidir os trabalhos da sessão da ONU que criou o Estado de Israel.

O tempo passa, o tempo voa, e o que acontece? Em vez de melhorar, como melhorou a maioria dos membros da ONU, o Brasil piorou tanto que virou um país-bandido.

OFICIALMENTE LADRÃO – Como poderia ser diferente? O presidente da República é um corrupto passivo e lavador de dinheiro condenado em três instâncias, e por nove juízes diferentes, na Justiça Penal brasileira. Nunca foi absolvido dos seus crimes; é o único presidente oficialmente ladrão entre os quase 200 chefes de Estado que há hoje no mundo.

É o único semianalfabeto entre eles todos. O seu governo está morto e a sua política externa tem sido um crime serial. Somos hoje o aliado do terrorismo, do crime e das ditaduras mais sórdidas do planeta.

É duro, mas também é o que dizem os fatos. O Brasil que entrou para a história como um dos fundadores de Israel é hoje seu inimigo de morte — não por decisão dos brasileiros, mas por ter um governo antissemita e empenhado, como propõem as tiranias muçulmanas, no genocídio do povo judeu.

DEFESA DA SELVAGERIA – Lula, a extrema esquerda e as classes culturais jogaram o Brasil na defesa da selvageria. Sai Oswaldo Aranha. Entram Celso Amorim e os seus anões, como essa nulidade que executa ordens no Itamaraty. Deu nisso.

Não sobrou, no fim dessa história, nem o filé Oswaldo Aranha — quem, em sã consciência, poderia imaginar um filé Celso Amorim? Não dá. O governo Lula e a gente que está nele não têm o nível mínimo que é preciso para criar nada; tem o ministro Sidônio e os seus bilhões, mas está em processo de morte cerebral, e quando fica assim nada resolve.

DÉCADAS PERDIDAS – O Brasil que poderia ter resultado do que fomos em 1947 não existe. Foi, de colapso em colapso e de naufrágio em naufrágio, roído por 40 anos de política em torno, em função e em reação permanente a Lula.

Não poderia ter dado em nada de diferente do que deu — quatro décadas seguidas, desde os anos 1980, de um câncer em metástase. Como na Itália fascista de Mussolini ou na Argentina de Perón, o Brasil vive há 40 anos de Lula, Lula e mais nada.

UMA DITADURA – Vive, agora, a pior fase desses 40 anos. Na frente de todo mundo, e sem nenhuma preocupação em disfarçar o que quer, Lula está enfim construindo o que sempre quis: uma ditadura no Brasil.

Se vai conseguir ou não é coisa que ainda não está resolvida, mas a tentativa nunca foi tão intensa como agora. É um golpe de Estado em fases. A primeira, com o STF no papel que normalmente é do Exército, foi tirar Lula da cadeia, sem julgamento algum, e entregar a ele a Presidência da República — “missão dada, missão cumprida”, disseram eles mesmos.

A fase atual é a anulação do Congresso como Poder independente e a elevação do consórcio Lula-STF à posição de Poder Supremo.

PEQUENOS TIRANOS – Não é apenas um golpe de Estado, com a cumplicidade das Forças Armadas — ou com a sua escalação para o papel de pintar calçadas, o que dá na mesma. É o esforço para criar toda uma doutrina fascista no Brasil. Como diz a ministra Cármen Lúcia, num grande outdoor do pensamento oficial, ter uma opinião pessoal é crime — coisa de “pequenos tiranos”, diz ela.

Os deputados eleitos são “inimigos do povo”, prega o governo na internet. “Todos aqui admiramos o modelo da China”, diz o ministro Gilmar.

É a confirmação do apronto, como se dizia antigamente no turfe. Lula sempre disse essas coisas em público — e a cada vez que dizia o comentário era: “Ah, coitado, o Lula é só um idiota, deixa ele”. Mas o que Lula tinha na cabeça, o tempo todo, era a ditadura que hoje desfila na avenida. “Sempre soube que a gente não chegaria ao poder pelo voto”, disse ele.

(Artigo enviado por Mário Assis Causanilhas)