Flávio Bolsonaro demonstra não ter o menor preparo para se tornar presidente

CHARGE – Blog do Cardosinho

Charge do Fr@nk (Arquivo Google)

Carlos Newton

Há diversas versões sobre a briga entre herdeiros de Jair Bolsonaro ainda em vida, que é tão espetacular quanto a disputa na família de Chico Anysio. No caso da discórdia que afeta a eleição, uma das informações é de que tudo começou lá atrás, quando o ex-presidente anunciou que o filho Flávio seria o nome da família para concorrer à Presidência.

Os outros dois legatários, Eduardo e Michelle não gostaram nada, porque ambicionavam a cabeça de chapa e não foram comunicados previamente sobre os motivos da escolha.

OUTRAS VERSÕES – Uma segunda versão diz que a atitude de Michelle, divulgando um vídeo agressivo e tudo o mais, foi determinada pelo próprio Bolsonaro, para tentar preservar a família do escândalo que ainda está por vir, devido às relações de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro, com detalhes explosivos, ainda não revelados.

Essa versão é radical, porque revela que Boldonaro estaria disposto a detonar a candidatura de Flávio, o que significaria apoiar a própria Michelle ou algum candidato de outro partido, como Ronaldo Caiado (PSD), com quem o ex-presidente sempre teve excelentes relações.

Há também uma terceira versão, lembrando que enteado e madrasta jamais tiveram um convívio amistosa, Flávio se sentiu o máximo com a indicação feita pelo pai e não tentou prestigiar ao máximo a candidatura de Michelle ao Senado no Distrito Federal, para evitar problemas de relacionamento na família.

ENTREGUISTA – Seja qual for a versão verdadeira, já nem importa mais. O fato concreto é que Flávio Bolsonaro acaba de abalar a própria candidatura, ao enviar mensagem a Marco Rubio, secretário norte-americano de Estado, agradecendo o fato de os Estados Unidos considerem como terroristas as fações CV e PCC, além de colocar à disposição do governo dos Estados Unidos sua equipe de transição, caso seja eleito, para negociar acordos comercias com os EUA.

Portanto, Flávio Bolsonaro adiantou que se portará como um presidente entreguista, como se dizia antigamente, que se mostra disposto a permitir interferência externa em assuntos internos.

Em poucas e mal traçadas linhas, o candidato mostrou que não pode ser confiável às classes produtoras agrícolas, comerciais e de serviços, além de perder apoio da Faria Lima, pois defender o Brasil não significa se rebaixar perante os Estados Unidos.

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P.S.
– Se for verdadeira a versão de que Bolsonaro está convicto de que errou ao indicar Flávio à Presidência, o melhor que o ex-presidente poderia fazer é apoiar o candidato Ronaldo Caiado, que sem dúvida é o menos ruim entre os 14 pré-candidatos já lançados. Mas quem se interessa?  (C.N.)

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38% dos brasileiros não lembram em quem votaram para governador em 2022

Para presidente, apenas 7% afirmam que não se recordam

Deu no O Globo

A nova pesquisa Datafolha, divulgada no último domingo, mostra que mais de um terço (38%) da população brasileira diz que não se lembra em quem votou para governador em 2022. Outros 9% afirmaram não ter votado em ninguém e 54% declararam que sabem o seu escolhido na eleição passada. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

O Datafolha mostra ainda que mulheres (46% das entrevistadas) esquecem mais do que os homens (28%). Em relação à faixa etária, o grupo de 20 a 24 anos (45%) se destaca. Já 63% de quem tem entre 45 a 59 anos se recorda do voto para governador. Na eleição para presidente, por sua vez, apenas 7% afirmaram que não se lembram do voto. A grande maioria (85%) se recorda, e 8% afirmaram não ter votado em ninguém. Entre os simpatizantes do PL, 97% se lembram do voto. Já entre os do PT esse índice cai para 90%.

INTENÇÃO DE VOTO –  O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conta com 41% de intenções de voto para o primeiro turno da eleição presidencial, contra 31% de Flávio Bolsonaro, segundo levantamento do Datafolha da semana passada, o mais recente disponível. Em um eventual segundo turno, o cenário de estabilidade se repete: Lula aparece com 47% das intenções de voto contra 43% para o bolsonarista.

O levantamento apontou que Lula possui sua maior vantagem entre donas de casa, com 56% contra 38% de Flávio, e estudantes, em que a disparidade está entre 55% para o petista e 38% para o senador. Já Flávio lidera no segmento dos empresários, com ampla vantagem. O senador bolsonarista registra a preferência de 69% do setor, enquanto que o presidente marca 25%.

LIDERANÇA – Com 61% das intenções de voto no Nordeste, Lula lidera entre os mais pobres, negros e integrantes da comunidade LGBTQIA+, enquanto que Flávio tem desempenho melhor no Sul, com 54%, e lidera entre os mais ricos, brancos e evangélicos.

O Datafolha ouviu 2.004 eleitores, com mais de 16 anos, em todo o país. O nível de confiança na amostra é de 95% e representa a quantidade de vezes em que se espera que a coleta realizada represente de fato o pensamento médio da população brasileira, considerando a margem de erro. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o código BR-09956/2026.a

Após crise pública, Bolsonaro pede a Flávio que encerre embate com Michelle

Milei recebe Flávio Bolsonaro e sinaliza apoio à candidatura do senador ao Planalto

Flávio e Milei discutiram sobre aliança da direita

Luísa Marzullo
O Globo

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reuniu nesta segunda-feira com o presidente da Argentina, Javier Milei, na Quinta de Olivos, residência oficial da Presidência argentina, em Buenos Aires. O encontro durou cerca de uma hora e, segundo integrantes da pré-campanha, foi marcado por manifestações de apoio do presidente argentino à candidatura do senador ao Palácio do Planalto.

Durante a conversa, Milei teria afirmado que tem “certeza de que a onda azul vai chegar ao Brasil neste ano”, em referência ao avanço de governos de direita na América Latina. Milei também teria perguntado sobre a saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro. Interlocutores ouvidos pelo O Globo descreveram o encontro como uma “conversa entre amigos”, sem grandes formalidades.

APROXIMAÇÃO POLÍTICA – Segundo integrantes da pré-campanha, a reunião serviu para aprofundar a aproximação política entre os dois. Entre os assuntos discutidos estiveram o cenário político da América Latina, a cooperação entre governos conservadores, temas ligados à segurança pública, economia, os Acordos de Isaac e a relação bilateral entre Brasil e Argentina. Flávio, por sua vez, afirmou a Milei que a eleição brasileira de outubro representa “a última peça que falta no mapa da direita no continente”.

Após o encontro, Milei publicou em sua conta na rede social X uma foto ao lado do senador acompanhada da mensagem: “Se viene la marea azul para Brasil de la mano de Flávio Bolsonaro” (“Vem aí a maré azul para o Brasil pelas mãos de Flávio Bolsonaro”). Em outra publicação, a Presidência argentina identificou o parlamentar brasileiro como “candidato a presidente da República Federativa do Brasil”. A pré-campanha do senador pretende explorar a reunião como demonstração do alinhamento entre os dois líderes e como mais um capítulo da estratégia de aproximação com nomes da direita internacional.

CONSERVADORISMO – A agenda com Milei ocorreu um dia depois de Flávio participar da Latin America Chairmen’s Conference, evento da comunidade judaica global realizado na capital argentina. Em discurso, o senador defendeu o avanço de governos conservadores na América Latina e afirmou que o Brasil é o próximo país que deve integrar esse movimento.

— Nós, brasileiros, olhamos para esse mapa hoje com um pouco de inveja. Porque enquanto nossos vizinhos, um a um, escolhem a liberdade e a ordem, o Brasil ainda está preso ao passado. Somos a peça que falta nesse mapa. E estou aqui para dizer, sem rodeios: em outubro, isso muda — afirmou, durante evento realizado em um hotel de luxo de Buenos Aires.

Flávio também elogiou as reformas econômicas implementadas por Milei, criticou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e prometeu estreitar a relação entre os dois países caso seja eleito presidente. O presidente argentino voltará a se encontrar com o senador na noite desta segunda-feira, durante o jantar de encerramento da Latin America Chairmen’s Conference, em Buenos Aires, da qual Flávio é convidado de honra. Milei fará a palestra principal do evento antes de embarcar para o Paraguai, onde participará da cúpula do Mercosul.

ESTRATÉGIA INTERNACIONAL – A agenda na Argentina dá continuidade à estratégia internacional adotada pela pré-campanha. Em maio, Flávio viajou aos Estados Unidos, onde se reuniu com o presidente Donald Trump e integrantes do governo americano. Dias depois, a decisão do governo dos EUA de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas passou a ser explorada por aliados como demonstração da capacidade de articulação internacional do senador. Agora, o encontro com Milei é tratado pela campanha como mais um passo na construção de uma rede de apoio entre lideranças conservadoras no exterior.

A viagem a Buenos Aires ocorreu uma semana após a crise provocada pela divulgação de vídeos em que Michelle Bolsonaro fez críticas públicas ao senador. Na avaliação de aliados, compromissos internacionais ajudam a recolocar a campanha em torno de temas como segurança pública, economia e política externa, reduzindo o espaço dedicado às disputas internas do bolsonarismo e reforçando a imagem de Flávio como interlocutor da direita latino-americana.

Após a passagem pela Argentina, Flávio seguirá para os Estados Unidos no início de julho para participar de uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), no âmbito da investigação comercial aberta contra o Brasil. O senador pretende defender que eventuais medidas comerciais adotadas pelos americanos atinjam o governo Lula, mas preservem exportadores brasileiros e setores da economia.

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Desse jeito, o retranqueiro Ancelotti vai levar à loucura os torcedores brasileiros

Endrick diz que sentiu 'leveza impressionante' em 1ª vez no Bernabéu

Endrick entrou e mudou totalmente o desenrolar do jogo

Carlos Newton

O Brasil já ganhou duas copas com treinadores retranqueiros – Carlos Alberto Parreira e Luiz Felipe Scolari – e essa realidade demonstra que o fator sorte também pode ser decisivo. De qualquer forma, quando a torcida começa a vaiar o técnico e chamá-lo de burro, como já é o caso de Carlo Ancelotti, isso significa que tem algo errado na condução da equipe.

Como sempre acontece, em matéria de craques, a seleção do Brasil não fica a dever a nenhuma outra. O problema é a escalação. O retranqueiro Ancelotti fez questão de convocar veteranos que conhece de outros carnavais na Europa e montou uma defesa fraca, porque não ataca.

AMIGO DANILO – Devido à contusão de Wesley, ficou sem opção na lateral direita e escalou o amigo Danilo, que é reserva no Flamengo, uma equipe que tem uma das melhores defesas e foi vice-campeão mundial perdendo nos pênaltis contra o PSG, base da seleção francesa.

O agora lateral Danilo, que não viu a bola em nenhum dos jogos e apenas teve uma iluminação no lançamento para Casemiro fazer o primeiro gol, foi justamente ele quem deu o passe errado ao atacante japonês Sano, que chutou de fora da área e abriu o placar. Detalhe: o goleiro Alisson, que não inspira muita confiança, estava mal colocado no lance.

O central Marquinhos, outro protegido de Ancelotti, também errou um passe que possibilitou um perigoso ataque japonês, mas felizmente não saiu gol.

OUTRAS NULIDADES – Do lado esquerdo, Gabriel Magalhães jamais será melhor do que Léo Pereira, que sabe avançar, bate faltas à perfeição e faz gols. E o lateral Douglas Santos é um apagão e até hoje ninguém sabe por que tem sido escalado.

No segundo tempo, com Endrick no lugar de Paquetá e Martinelli substituindo Matheus Cunha, o jogo mudou de figura e ficou fácil, o Brasil deu um baile. Se Neymar tivesse entrado, ficaria mais fácil ainda.

Agora vamos aguardar o próximo adversário. Podemos ganhar o hexa, não há dúvida, mas Ancelotti vai levar os torcedores brasileiros à loucura, porque aqui sempre queremos que os melhores sejam escalados.  E haja Rivotril.

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P.S. 1 – Se Ancelotti tiver juízo e escalar no ataque Vini Jr, Endrick e Luiz Henrique, com Neymar entrando no segundo tempo, quem irá à loucura são os times adversários.

P.S. 1 –Já ia esquecendo: Casemiro, mais uma vez, não jogou nada. Ficou naqueles passinhos para os lados, no dois pra cá, dois pra lá, em homenagem à Elis Regina. Só fez o gol, e por isso foi escolhido o melhor do jogo pelos gênios da TV Globo. O melhor em campo foi Bruno Guimarães.  (C.N.)

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O destino do homem bêbado, na poesia dura e realista de Cruz e Sousa

poesia.net - CARTÃO POÉTICO - JOÃO DA CRUZ E SOUSA | FacebookPaulo Peres
Poemas & Canções

O poeta João da Cruz e Sousa (1861-1898) nasceu em Desterro, atual Florianópolis, tornou-se conhecido como o “Cisne Negro” de nosso Simbolismo, seu “arcanjo rebelde”, seu “esteta sofredor”, seu “divino mestre”. Procurou na arte a transfiguração da dor de viver e de enfrentar os duros problemas decorrentes da discriminação racial e social.

No poema “Canção do Bêbado”, Cruz e Souza relata a degradação de um homem em decorrência do alcoolismo, do pessimismo, da tragédia afetiva, da opção pela vida fantasiosa, da depressão associada a bebida e da dúvida que, consequentemente, o levará à morte. 

CANÇÃO DO BÊBADO
Cruz e Sousa

Na lama e na noite triste
aquele bêbado vil.
Tu’alma velha onde existe?
Quem se recorda de ti?

Por onde andam teus gemidos,
os teus noctâmbulos ais?
Entre os bêbados perdidos
quem sabe do teu – jamais?

Por que é que ficas à lua
contemplativo, a vagar?
Onde a tua noiva nua
foi tão cedo depressa enterrar?

Que flores de graça doente
tua fronte vem florir,
que ficas amargamente
bêbado, bêbado a vir?

Que vês tu nessas jornadas?
Onde está o teu jardim
e o teu palácio de fadas,
meu sonâmbulo arlequim?

De onde trazes essa bruma,
toda essa névoa glacial
de flor de lânguida espuma,
regada de óleo mortal

Que soluço extravagante,
que negro, soturno fel
põe no teu doudejante
a confusão da Babel?

Ah! das lágrimas insanas
que ao vinho misturas bem,
que de visões sobre-humanas
tua alma e teus olhos têm!

Boca abismada de vinho,
olhos de pranto a correr,
bendito seja o carinho
que já te faça morrer!

Sim! Bendita a cova estreita
mais larga que o mundo vão
que possa conter direita
a noite do teu caixão!               

Missão de Costa Neto será fingir que Flávio e Michelle reataram a amizade

27/06/2026 - Cláudio de Oliveira | Folha

Charge do Cláudio de Oliveira (Folha)

Vicente Limongi Netto

O chefão do PL e do cofre, Valdemar Costa Neto, bateu na mesa. Cansou das infantilidades de dois manjados destaques do partido.  Estragaram as férias dele. Voltou uma arara de Miami. Na verdade,  Flávio e Michelle parecem crianças mimadas se mordendo e arranhando pelo melhor pedaço do bolo.

Valdemar é profissional. Vai trocar tudo. A começar pelas propagandas caras do partido nas televisões. Mandou remover as imagens singelas e alegres de brasileiros pela cruel realidade política do PL.

Melosa e dramática, a madrasta Michele entra em cena, enxugando as lágrimas, com áudio semelhante a Waldick Soriano, “eu não sou cachorro não, pra viver tão humilhada, por ser tão desprezada”.

ENTRANHAS IMUNDAS – Valdemar está decidido. Vai mesmo mostrar as entranhas imundas do rico Partido Liberal. Não vai parar. Assim, o azedo Flávio  Rachadinha terá hora e vez de pedir desculpas a Michelle.

Com imagens do Tariflávio arrependido, poderia ser ouvido Reginaldo Rossi tentando convencer que Flávio é decente,  cantando: “Eu não presto, mas eu te amo. Se você brigar novamente eu vou embora”.

Valdemar Costa Neto leva fé na nova e milionária propaganda do PL. Confia nas duas letras fortes das duas músicas amadas pelo público. Breve em todos os lares dos brasileiros.

LEITE CONDENSADO – Na desesperada tentativa de sensibilizar o eleitor de que o clã Bolsonaro respira amor, Valdemar vai tentar jogada difícil, pedirá ao ministro Alexandre de Moraes permissão para Jair Bolsonaro, golpista condenado e preso, dar uma palinha na propaganda. Apenas comendo pão com leite condensado, sem xingar ninguém.

Mas mostrando que quem manda no tumultuado clã ainda é ele. Flávio também aparecerá, com apoio da Inteligência Artificial, ajoelhado, beijando a mão de Trump e jurando amor eterno ao facínora Daniel Vorcaro.

Valdemar vem com tudo. É do ramo.  Desta vez a propaganda política do PL não vai escamotear a verdade.

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Charge do Zappa (humortadela)

Carlos Newton

A imprensa finge se surpreender com a notícia de que Supremo Tribunal Federal formou maioria para liberar o pagamento de penduricalhos retroativos, destinados a engordar os contracheques de juízes, procuradores e promotores do Ministério Público.

Com o voto do ministro Luiz Fux durante julgamento virtual neste sábado (27), o placar está 5 votos a 0 pela liberação. Mas será que alguém esperava outra posição de Fux? Claro que não.

AUXÍLIO-MORADIA – Foi justamente Fux o ministro que, em 15 de setembro de 2014, proferiu decisão liminar que assegurou direito ao auxílio-moradia a todos os juízes federais em atividade no país.

Mesmo com esse pecado original de ter sido o grande incentivador dos penduricalhos, Fux deve ser reconhecido como maior (ou único) jurista da atual leva de ministros. Realmente, ele fez carreira brilhante como advogado, professor universitário e juiz, tornando-se o maior civilista brasileiro, principal responsável pela reforma do Código de Processo Civil, apelidado de “Código do Fux”.

Até permitir o escabroso auxílio-moradia, o currículo de Fux só tinha uma mancha – o esforço extraordinário que fez para a filha ser nomeada desembargadora no Tribunal do Rio de Janeiro.

CARREIRA ADMIRÁVEL – Penduricalhos à parte,  Fux estava fazendo uma carreira admirável no Supremo, votando sempre na forma da lei. Assim, foi contra a libertação do presidiário Lula da Silva em 2019, depois foi voto vencido também na anulação das condenações do político petista em 2021.

Em todas as ocasiões, somente escorregou ao aprovar o penduricalho inicial; ao permitir que o filho abrisse um escritório de advocacia em Brasília; e ao votar a favor daquelas penas absurdas que o relator Alexandre de Moraes conseguiu ilegalmente impor aos envolvidos no 8 de Janeiro, ao “duplicar” leis e inventar a “formação de quadrilha armada” por pessoas que nem se conheciam e jamais portaram armas.

Fux só viria a se arrepender na chamada undécima hora, no final de 2025, quando percebeu que esses julgamentos políticos precisavam ter fim, e então redigiu uma obra volumosa – as 429 páginas de seu voto pela absolvição de Bolsonaro na Primeira Turma.

PENDURICALHOS – Agora, Fux vota novamente a favor dos penduricalhos e acompanha os ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Edson Fachin e Flávio Dino, que propuseram limite de 35% do teto salarial para o pagamento das chamadas “indenizações”, termo utilizado para criar novos penduricalhos, a pretexto de excesso de trabalho.

Quanto à qualificação de Fux como melhor integrante do STF, essa menção agora é ameaçada por dois ministros que nunca tiveram notório saber nem reputação ilibada, até porque eram praticamente desconhecidos – Nunes Marques e André Mendonça, que têm votado sempre na forma da lei. No entanto, se aprovarem os penduricalhos, também entrarão no bloco dos sujos, é claro.

O julgamento virtual segue até esta terça-feira (30), mas os penduricalhos já estão vergonhosamente aprovados, porque empate de 5 a 5 beneficia o réu.

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P.S.
– No Japão, ocorre justamente o contrário. Lá os juízes não ganham altos salários e os tribunais mantêm alojamentos com quitinetes para abrigar os que ainda não possuem casa própria. Os magistrados também não têm salas próprias, trabalham junto com os escrivães. Mas quem se interessa? (C.N.)

Brasil é favorito, mas o time do Japão tem exibido uma invejável disciplina tática

Copa: Vini Jr. sobe para 4º lugar no ranking da Fifa de melhores atacantes | CNN Brasil

Vini Jr. sabe se multiplicar e sempre faz a diferença em campo

Tostão
Folha

O Japão possui um ótimo conjunto, bons jogadores, pressiona bastante para recuperar a bola, alterna a troca curta de passes com as jogadas em velocidade, mas não tem a improvisação e o talento individual da seleção brasileira, especialmente de Vinicius Junior.

A equipe japonesa se posiciona com um trio de zagueiros, dois alas que atacam e defendem, dois meio-campistas hábeis e um trio de atacantes. Os jogadores mudam bastante de posição, com enorme disciplina tática. Será um jogo difícil, porém o Brasil tem mais chances de vencer.

MESMO TIME – Ancelotti deve manter a escalação e a formação tática, com quatro defensores, um trio de meio-campistas (Casemiro pelo centro, Bruno de um lado e Paquetá do outro), Rayan pela direita, atacando e voltando para marcar, formando um quarteto no meio-campo na proteção aos defensores. Matheus cunha centralizado, sem precisar voltar para marcar pela esquerda, atua mais próximo de Vini livre, que se movimenta por todo o ataque. Contra a Escócia, faltou mais compactação e mais intensidade para recuperar a bola.

O gol no início da partida, após falha grave do zagueiro, pressionado por Rayan, mudou todo o planejamento da Escócia. Eles, que provavelmente iriam marcar muito atrás para contra-atacar, tiveram que avançar. Deixaram enormes espaços na defesa e continuaram fracos no ataque.

IMITA A VIDA – Os detalhes mudam a história dos jogos. Hélio Schwartsman, na sua coluna “Dribles do acaso”, relatou que no livro “Os Números do Jogo”, publicado em 2013, os autores Chris Anderson e David Sally, depois de um rigoroso trabalho estatístico e analítico, concluíram que o acaso explica 50% dos resultados. Hélio completou: “Meu palpite é que gostamos do futebol porque ele imita a vida”.

Eu, que sempre valorizei o acaso no futebol, sem diminuir a enorme importância da estratégia, do planejamento e do talento individual, tenho agora o amparo da ciência para minha convicção, embora ache que 50% de gols por causa do acaso é um exagero.

Os grandes craques estão brilhando na Copa. Craques não são apenas os atacantes que fazem muitos gols. São craques também os excepcionais goleiros, como Courtois, da Bélgica, zagueiros como Van Dijk, da Holanda, laterais como Nuno Mendes, de Portugal, meio-campistas como Bruno Fernandes, de Portugal, Pedri, da Espanha, e outros.

CRAQUE ARTISTA – Vini evoluiu. Está com uma técnica mais precisa, tenta menos jogadas impossíveis sem diminuir a inventividade, a fantasia e o bailado em campo. Assim como Maradona, Vini é um craque artista, diferentemente de Messi, que é muito mais craque que artista.

Kane é o craque discreto, coletivo, excepcional nas finalizações. Mbappé é o craque veloz, talentoso, com muita força física. Cristiano Ronaldo é o magistral finalizador, de todos os jeitos. Haaland é o gigante veloz e artilheiro. Lamine Yamal é o Vini pela direita, craque do presente e do futuro. Cada um tem seu jeito de fazer.

MATA-MATA – Entramos na fase do mata-mata, em que o futebol simboliza a vida e a morte. Quando ganha, é o êxtase. Quando perde, morre e renasce.

No livro “A Terra É Redonda” (editora Nós), de Milly Lacombe e Jamil Chade, a jornalista escreveu:

“O futebol em seu estado mais puro faz isso com a gente: aponta para a vida e lida com a morte. Dá sentido à existência, eleva o lugar de mais significado e ensina que tudo acaba. Morremos, renascemos, tornamos a morrer. Começo, meio e recomeço. Não existe fim, o tempo não é linear, depois de acabar volta a começar”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Vamos torcer, vamos vibrar, mas sempre lembrando que é um péssimo sinal, quando a torcida começa a chamar o técnico de burro. Convenhemos, porém, que ter no elenco três dribladores fantásticos, como Vini Jr., Luiz Henrique e Neymar, e só escalar um deles, é sinal de quê? O retranqueiro Ancelotti pode até ganhar a Copa, como aconteceu com o retranqueiro Felipão, mas nos fará sofrer um bocado. (C.N.)