Fachin barra pedido de Flávio Bolsonaro para afastar Dino de processos eleitorais

Flávio Bolsonaro divide aliados entre o diálogo e o impeachment de Moraes

Lula compara lobista a Vorcaro e amplia a pressão sobre o caso que envolve seu filho

Supremo e Justiça transformam o voto em uma mesquinha disputa de poder

Apertem os cintos! Os marqueteiros estão loucos e a eleição se tornou uma comédia

Navegar em ondas bravias - Blog do Ari Cunha

Charge do Newton Silva (Arquivo Google)

Carlos Newton

Aqui na Tribuna da Internet, havíamos afirmado que esta eleição seria eletrizante, mas estávamos enganados. Na verdade, é muito mais do que isso, porque os dirigentes das campanhas eleitorais e os marqueteiros perderam completamente o rumo e não sabem mais o que fazer. Assim, pode-se dizer que já se tornou uma eleição alucinante, porque são tantas fakes news e/ou notícias pré-fabricadas que essa disputa eleitoral virou uma tremenda comédia.

Ao contrário do que todos os supostos especialistas esperavam, mais uma vez não houve lugar para uma terceira via. A polarização mostrou-se de tal forma resistente, que ainda não é desta vez que haverá uma verdadeira possibilidade de escolha para o cidadão-contribuinte-eleitor, como dizia Helio Fernandes, e ficou tudo resumido à antiga disputa entre nós e eles.

POBRES MARQUETEIROS – Antigamente, as eleições eram decididas pelos famosos marqueteiros, como Nizan Guanaes, Duda Mendonça, João Santana, Marcelo Vitorino, Duda Lima e Sidônio Palmeira, que reinavam absolutos e exibiam formidáveis planos de governo, que logo após a eleição iam direto para cesta do lixo.

“Oh, coitados!” – diria a humorista Gorete Milagres sobre a situação atual dos marqueteiros, que antigamente encontravam formas de enaltecer os políticos que os contratavam, mas hoje não apitam mais nada, estão completamente desprestigiados. De uns anos para cá, o marketing eleitoral se limita às redes sociais, onde estranhos personagens se dedicam a inventar narrativas depreciativas sobre os adversários.

E assim aumenta ainda mais a eterna dúvida se a vida imita a arte ou é o contrário, com a arte imitando a vida. O que vale agora é inventar notícias para desabonar o concorrente, apenas isso.

PIADA DO ANO – A transformação política chegou a tal ponto que a Tribuna da Internet está pensando em acabar com o consagrado concurso da Piada do Ano, porque talvez seja melhor tentar a premiação da melhor Narrativa do Ano, mas será dificílimo chegar a um resultado justo e perfeito, como dizem os maçons.

Ficou tudo muito complicado, porque as autoridades entraram nessa disputa, que passou a ser importantíssima, porque envolve até entidades outrora respeitáveis, como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Advocacia-Geral da União.

Os bispos católicos, com as igrejas entregues às moscas, saíram em defesa de Nossa Senhora Aparecida, a única santinha verdadeiramente brasileira, de pele morena e que é cultuada exclusivamente aqui, enquanto o ministro da AGU, chamado Jorge Messias ou Bessias, nem mesmo ele sabe de quem se trata, decidiu denunciar uma trama internacional contra Lula da Silva, liderada pelo presidente americano Donald Trump, um verdadeiro filme de cowboy.

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P.S.
–  Para dar seriedade à sua Piada do Ano, Bessias (ou “aquela besta do Messias”, no dizer de Dilma Rousseff) escreveu na quinta-feira uma queixa-crime e entregou cópias à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República, para que iniciem as investigações. Com isso, acabou provocou uma brigalhada enorme, porque todos os policiais federais e os procuradores querem ir aos Estados Unidos, com tudo pago e ganhando diárias em dólar. Todos sabem que não será nada fácil investigar o presidente Trump e o secretário de Estado Marco Rúbio, que são os suspeitos de sempre. E assim, se é para não fazer nada, é melhor ficar lá na matriz do que aqui na filial. Podem perguntar ao Eduardo Bolsonaro. (C.N.)

Lula ataca a biografia de Flávio e diz que ele ‘foi eleito pelo crime organizado’

Senadores americanos acusam Trump de tentar interferência na eleição brasileira

Para não “prejudicar” Lula, a Rede Globo cancelou seu debate entre os candidatos

Ainda sobre o Powerpoint da Globo… #globo #powerpoint #bancomaster #charge  #desenholadino

Charge do Bruno (Arquivo Google)

Pedro Grigori
Metrópoles

A Rede Globo decidiu cancelar o debate entre candidatos para presidente, marcado para a noite desta quinta-feira (1º/10). Menos de uma hora antes da realização do programa, a emissora informou ter recebido duas intimações judiciais relacionadas ao evento que causam “insegurança jurídica” e representam uma “interferência indevida na liberdade” dos veículos de imprensa.

Uma das decisões, assinada pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a TV Globo permita a participação do candidato Renan Santos (Missão) no debate.

CADEIRA VAZIA – Já uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), assinada pela ministra Estela Aranha, impediu que a emissora exibisse o púlpito vazio destinado ao presidente Luiz Inácio Lula da Lula (PT), que decidiu não comparecer ao debate.

Em nota, a emissora informou ter cancelado o debate após “sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate”.

De acordo com a Globo, as decisões de ministros do STF e do TSE causam “insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa tem de organizar os debates eleitorais”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Oportuna matéria enviada por José Perez, sempre de olho no lance. Mais uma vez, a direção da Globo (leia-se Irmãos Marinho) se curva diante de Lula, para evitar o constrangimento de mostrar a cadeira vazia de seu maior patrocinador e protetor, que tem impedido que a Receita Federal e outros órgãos investiguem as maracutaias da família Marinho. Apenas isso. (C.N.)

Datafolha: Lula tem 48% no 2º turno; Flávio, 45%

O Globo diz que Flávio Bolsonaro também desistiu do debate da TV Globo

Decisões de TSE e STF alteram dinâmica do debate

Mariana Muniz
Letícia Pille
O Globo

A menos de três horas do debate presidencial da TV Globo, duas decisões de ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) alteraram a dinâmica do confronto de ideias entre os candidatos. A primeira liminar, da ministra Estela Aranha, proibiu a emissora de exibir de forma destacada a cadeira vazia de Luiz Inácio Lula da Silva, após o petista decidir faltar ao encontro. A segunda, do ministro Gilmar Mendes, determinou a inclusão de Renan Santos (Missão) como um dos convidados do embate.

Logo depois dos despachos, o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, anunciou a sua desistência de participar do embate, denunciado que houve censura do TSE no caso da cadeira vazia de Lula. 

PODCAST – Em decisão do TSE relacionada à ausência de Lula, a magistrada também proibiu que os demais concorrentes façam perguntas dirigidas ao candidato do PT. Lula comunicou na quarta-feira que não participará no debate. Nesta quinta-feira, no mesmo horário do encontro, o candidato à reeleição será entrevistado por um podcast.

A previsão de púlpito vazio é uma das regras acordadas com representantes das campanhas, incluindo a do PT, sobre a realização do debate, além de uma tradição no país para este tipo de evento eleitoral.

Nesta semana, por exemplo, o púlpito reservado a Jerônimo Rodrigues (PT), candidato à reeleição na Bahia, ficou vazio após ele faltar ao debate transmitido na terça-feira. O mesmo ocorreu no Distrito Federal, em que a governadora Celina Leão (PP) também optou por não comparecer.

AUSÊNCIAS – No primeiro debate presidencial do atual ciclo eleitoral, na Band, em agosto, três dos candidatos que haviam sido convidados preferiram não debater com seus concorrentes: Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo). Os três púlpitos a eles reservados ficaram vazios durante todo o confronto, sem que tenha havido contestação.

Em 2006, quando Lula tentava a reeleição pela primeira vez e também optou por não participar do debate da Globo no 1º turno, a cadeira destinada ao petista ficou vazia no palco durante todo o programa e foi mostrada mais de uma vez aos telespectadores, principalmente nos encerramentos de cada bloco.

A ausência foi tema do encontro, que reuniu os então presidenciáveis Geraldo Alckmin, do PSDB, Heloísa Helena, do PSOL, e Cristovam Buarque, do PDT, que chegaram a fazer perguntas que endereçariam a Lula.

FACULTATIVO – Ao conceder a liminar, Estela afirmou que a participação de candidatos em debates eleitorais é facultativa e que o compromisso prévio com as regras do encontro não torna obrigatório o comparecimento. Segundo a ministra, a legislação permite que o debate seja realizado mesmo sem um candidato regularmente convidado, desde que o convite tenha sido feito com pelo menos 72 horas de antecedência.

A decisão foi tomada em uma ação apresentada pela coligação Brasil Pronto Pra Mais, da qual o PT faz parte, contra uma regra prevista para o debate. Na avaliação de Estela, permitir manifestações dirigidas especificamente a um candidato ausente, sem que ele tenha a possibilidade de responder ou se contrapor no próprio debate, pode gerar desequilíbrio entre os concorrentes.

“A cláusula impugnada, ao reservar momento específico da transmissão para que candidatos presentes formulem manifestações dirigidas à candidatura ausente, sem possibilidade de resposta simultânea ou contraposição no próprio ambiente do debate, aparenta ultrapassar o campo meramente organizacional do evento”, escreveu a ministra.

REFERÊNCIAS – Para a ministra, a regra pode dar aos participantes um espaço específico para fazer referências ao candidato ausente sem a dinâmica de contraditório característica de um debate eleitoral. Ela também questionou a exposição reiterada da cadeira vazia, acompanhada da identificação nominal do candidato. “A exposição reiterada da cadeira vazia, associada à identificação nominal do candidato e ao destaque específico de sua ausência durante a transmissão, pode produzir efeitos que transcendem a simples informação ao eleitorado acerca do não comparecimento”, disse.

Já Gilmar Mendes atendeu a um pedido apresentado pelo Solidariedade para estender a Renan os efeitos de uma decisão anterior do ministro sobre liberdade de expressão no período eleitoral. O partido pediu que fosse cassada a decisão do presidente do TSE, Nunes Marques, que havia rejeitado a inclusão do candidato, e que a Globo fosse obrigada a assegurar sua participação na vaga aberta após a desistência de Lula.

EXPECTATIVA – Gilmar também afirmou que a Globo criou uma “legítima expectativa” de participação de Renan ao incluí-lo anteriormente em entrevistas e sabatinas de sua cobertura eleitoral, inclusive no Jornal Nacional. Para o ministro, houve “comportamento contraditório da emissora responsável pela organização do debate”, em violação ao princípio da boa-fé objetiva.

O pedido foi apresentado em uma ação na qual Gilmar havia derrubado, em maio, uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) que determinou a retirada de uma manifestação política sobre a inelegibilidade de Deltan Dallagnol. A defesa do Solidariedade argumentou que o caso de Renan também envolve os limites da intervenção estatal no debate eleitoral e princípios como liberdade de expressão, pluralismo político e direito à informação.

Na decisão, o ministro destacou que a Globo estabeleceu como regra que, em caso de desistência, poderia convidar o candidato mais bem colocado na pesquisa Quaest de 28 de setembro entre aqueles que não tinham participação assegurada pela legislação. Renan aparece com 3% e é o primeiro colocado entre os candidatos nessa situação.

DERROTAS – A ofensiva no Supremo ocorreu depois de Renan sofrer derrotas em outras duas frentes nesta quinta-feira. Mais cedo, Nunes Marques havia mantido o candidato fora do debate ao negar uma tutela de urgência apresentada pelo Missão e por Renan no TSE. Depois, a ministra Cármen Lúcia também rejeitou uma tentativa de levar a discussão ao STF.

Já Flávio desistiu de participar do debate presidencial depois que o TSE proibiu a emissora de exibir o púlpito vazio. Desde que a decisão veio a público, aliados de Flávio passaram a defender que o candidato desistisse. “Acabo de tomar a decisão de não ir ao debate da Globo em função da censura imposta ao evento pelo TSE. A imprensa tem que ser livre e as eleições limpas. Em breve mais detalhes”, escreveu no X.  

Pesquisas eleitorais entram em choque com o TSE na reta final da eleição

Pressão do gabinete de Zanin faz Nunes Marques reconduzir ministro ao TSE

A três dias da eleição, Zanin volta ao TSE

Bela Megale
O Globo

Depois de ser pressionado pelo gabinete do ministro Cristiano Zanin, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, reconduziu o magistrado ao cargo de ministro substituto da corte eleitoral. Zanin assinou o termo de posse na manhã desta quinta-feira (1º), a apenas três dias do primeiro turno das eleições presidenciais.

A recondução, que já estava prevista desde que o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) o elegeu ministro substituto novamente, em 3 de setembro, só ocorreu depois da cobrança formal feita pelo gabinete do ministro.

DESCONFORTO – A demora havia gerado desconforto e chamado atenção de ministros do STF, que consideram normal e automática a recondução dos magistrados indicados pelo Supremo ao TSE.

Como revelou a coluna, a cadeira destinada a Zanin foi mantida oficialmente vaga no site do TSE durante semanas, mesmo após a eleição interna do STF confirmar o nome do magistrado. A assessoria do tribunal chegou a justificar a demora afirmando que estavam ocorrendo uma “sequência de posses”, mas integrantes do STF contestaram essa versão, ressaltando que a cadeira é restrita a membros do Supremo e a posse poderia acontecer a qualquer momento.

A demora na recondução de Zanin assumiu destaque no meio político porque teria reflexos se a ação apresentada pelo partido Solidariedade ao STF prosperar. O partido pede a substituição dos ministros responsáveis pela fiscalização da propaganda eleitoral — entre eles Kassio Nunes Marques e André Mendonça.

RESPONSÁVEIS – Caso o pedido seja acatado, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin assumirão o papel de responsáveis pelo tema no TSE. Para isso, porém, a posse de Zanin no tribunal eleitoral precisava ser oficializada.

A posse de Zanin ocorre em um momento estratégico, a poucos dias do início da votação no primeiro turno, e encerra um novo foco de tensão institucional entre o STF e o TSE.

Vorcaro pediu ajuda para “frear” Joesley e “blindar” Lula

Defesa de Flávio pede suspeição de Dino por relação com Lula

Viagens de Flávio e Vorcaro coincidem com pagamentos do filme de Bolsonaro

Em época de campanha, o poeta Paulo Peres vagueia em sofismas eleitorais

Tribuna da Internet | Um recado a senadores e deputados, numa bem-humorada canção de protesto

Paulo Peres, poeta e compositor carioca

Carlos Newton

O advogado, jornalista, analista judiciário aposentado do Tribunal de Justiça (RJ), compositor, letrista e poeta carioca Paulo Roberto Peres, através do poema “Perguntar”, incentiva o cidadão-contribuinte-eleitor a questionar os candidatos às eleições deste domingo.

PERGUNTAR
Paulo Peres

Meu senhor, minha senhora,
Desculpe por perguntar,
Notícias de toda hora
Que entender faz chorar!

Trabalho o ano inteiro,
Imposto do meu dinheiro
Percentual vem tirar….
Mas tudo bem, eu entendo.
Isto sempre aconteceu
Para necessidades sanar
Do povo em qualquer lugar.

Mas no Brasil tal contrato
Por governantes setores
É rasgado em cada ato
Pela ganância, credores
Do além-mar barganhar….

Em ano de eleição
Surge como panaceia
O voto do cidadão.
Muita promessa semeia
E no fim é sempre igual.
Prestar o serviço essencial,
Federal, estadual, municipal
Pertence a quem, afinal?

A competência passeia
Nas rádios, TVs, jornais, 
Revistas, blogs, portais,  
Sites e pelas redes sociais,
Enquanto o Povo vagueia
No sofisma eleitoral!

Lula agora propõe reformar o Supremo e limitar mandato de ministros

A demora de Nunes Marques empurra a crise eleitoral para o STF

Morosidade do TSE acendeu o alerta na reta final da eleição

Adriana Fernandes
Folha

A demora do presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Kassio Nunes Marques, em pautar o julgamento da decisão do ministro André Mendonça sobre o caso envolvendo a retirada de publicações sobre Nossa Senhora Aparecida das redes sociais acende um alerta vermelho para os próximos dias decisivos até a votação de domingo.

Numa campanha tão inflamada e apertada, o comandante das eleições deste ano preferiu levar a crise para dentro do STF em vez de buscar resolver rapidamente o caso no TSE. Com as eleições transformadas em guerra santa, Nunes Marques poderia ter pautado o julgamento na virada do sábado para domingo. Isso só ocorreu nesta quarta-feira (30).

GRAVIDADE – Ele não o fez com a urgência necessária, apesar da gravidade do problema e dos conselhos de colegas da corte para pautar logo o julgamento no plenário virtual. A demora levou a uma sequência de decisões conflitantes, incluindo as dos ministros Flávio Dino e Luiz Fux, que acirraram a escalada do caso no STF.

Em vez de agir, Nunes Marques foi reclamar com o presidente do STF, Edson Fachin, citando risco de captura institucional, indevida sobreposição de competência do Supremo sobre o TSE e erosão democrática.

A construção dessa narrativa neste momento pode ser incendiária e acaba colocando o tribunal no centro da disputa —contradizendo o próprio discurso de Nunes Marques de que os eleitores, e não a Justiça, devem ser os protagonistas das eleições.

CRISE INSTITUCIONAL – A sua pregação anterior em defesa de uma Justiça Eleitoral menos intervencionista caiu por terra. Só falta o país enfrentar uma crise institucional ainda maior se uma vitória de Lula ou de Flávio Bolsonaro for por uma diferença mínima.

O escândalo do caso Master e as ligações perigosas do ministro e da sua família com Daniel Vorcaro parecem estar desestabilizando as movimentações também na corte eleitoral. A esta altura, a atuação errática de Nunes Marques lança dúvidas sobre se ele e o TSE estão preparados para agir caso algo mais grave aconteça na reta final das eleições.

Desemprego bate “recorde” de baixa, mas 38,8 milhões seguem na informalidade

Quase 4 em cada 10 trabalhadores estão na informalidade

Débora Oliveira
CNN

O governo chega à semana da eleição com um resultado favorável para apresentar: o desemprego está em 5,3%, a menor taxa para um trimestre encerrado em agosto desde o início da série do IBGE, em 2012. Mas a mesma pesquisa traz um número que ajuda a explicar por que a melhora do emprego pode não ter o mesmo peso para todos os eleitores. Quase 4 em cada 10 trabalhadores estão na informalidade. E essa diferença importa na reta final da campanha.

Conseguir uma ocupação pode mudar a vida de uma família. Ainda assim, ter trabalho não significa necessariamente receber o suficiente ou saber quanto dinheiro entrará no mês seguinte. É com esse desafio de conseguir renda e ter segurança que a baixa taxa de desemprego se torna limitada na hora de se transformar em satisfação política.

TENDÊNCIA – A informalidade passou de 37,3% no trimestre encerrado em maio para 37,5% no período de junho a agosto. São 38,8 milhões de trabalhadores nessa condição. A oscilação de 0,2 ponto percentual é pequena e consegue apontar uma tendência de piora. A proporção também permanece abaixo da registrada um ano antes. Porém, a preocupação está, principalmente, no tamanho do grupo que continua exposto à instabilidade.

Para quem trabalha sem carteira assinada ou por conta própria, sem um negócio formalizado, a renda pode depender dos serviços que aparecem naquela semana. Se os clientes somem ou uma doença impede o trabalho, desaparece também a principal fonte de sustento. O problema é que o aluguel e as prestações continuam vencendo, mesmo quando o dinheiro não entra.

PROTEÇÃO  – É importante lembrar que nem todo trabalhador informal ganha pouco. Mas, para muitos, a falta de proteção e a imprevisibilidade tornam mais difícil o planejamento para a vida. Na pesquisa, uma pessoa que começou a fazer trabalhos informais pode deixar de ser considerada desempregada. Só que, no cotidiano, ela pode continuar se sentindo insegura sobre como pagará as contas no mês seguinte.

Isso não diminui a melhora do emprego. O país alcançou o recorde de 103,5 milhões de pessoas trabalhando, com aumento de 774 mil em relação ao trimestre encerrado em maio. Construção e indústria foram os destaques. A ocupação cresceu mais do que o conjunto de pessoas trabalhando ou procurando uma vaga. Portanto, a queda do desemprego nesse período não se explica simplesmente pela desistência de procurar trabalho.

Só que para o bolso, o rendimento médio ficou em R$ 3.777, com ganho de poder de compra de 3,7% em relação a um ano antes, mas estável na comparação trimestral. Ou seja, há melhora em relação ao ano passado, mas sem avanço significativo de um trimestre para o outro. E essa média reúne pessoas com rendimentos muito diferentes.

MAIS OPORTUNIDADES – Para o governo, os números fortalecem o argumento de que a economia tem oferecido mais oportunidades. Para a oposição, a informalidade e a insegurança da renda abrem espaço para questionar a qualidade dessa melhora. E as duas leituras são correspondentes, sem que uma anule a outra.

Afinal, quem conseguiu emprego pode reconhecer uma mudança importante. Quem continua entre os 5,8 milhões de desempregados ou depende de serviços esporádicos pode ter outra percepção. Não é possível deduzir o voto a partir dessa pesquisa, mas ela ajuda a entender por que bons indicadores não produzem uma avaliação mais homogênea da economia.

PRESSÃO – Pensando no cenário de juros, também não há garantia de alívio rápido nas prestações. Mais gente trabalhando sustenta as compras das famílias. Se a oferta de produtos e serviços não acompanha essa procura, os preços podem sofrer pressão, exigindo cautela do Banco Central.

A renda média estável recomenda evitar diagnósticos de aceleração generalizada dos salários, mas o desemprego baixo, sozinho, não assegura cortes mais rápidos dos juros.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Sinceramente, quem ainda pode continuar acreditando no IBGE, dirigido por um petista manipulador como Marcos Pochmann? O IBGE já foi considerado um dos melhores operadores de estatística do mundo, mas nos últimos anos caiu na vala comum do PT. (C.N.)

Brasil ganha nova oportunidade de negociação com Trump sobre tarifaços

Brasil foi alvo de rodadas de tarifaços do governo dos EUA

Filipe Matoso
Rafaela Rosa
G1

Os ministérios das Relações Exteriores (Itamaraty) e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) divulgaram uma nota nesta quarta-feira (30) na qual afirmam que o governo do presidente Donald Trump deve encaminhar “nas próximas semanas” uma nova proposta de negociação acerca do tarifaço contra produtos brasileiros.

A nota foi divulgada após os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (MDIC) terem se reunido em Milwaukee (EUA) com o representante comercial da Casa Branca, Jamieson Greer. Mauro Vieira e Márcio Elias Rosa estão na cidade para participar da reunião ministerial de comércio do G20, grupo do qual Brasil e Estados Unidos fazem parte.

PROPOSTA – “O governo norte-americano deverá encaminhar, nas próximas semanas, um documento com uma proposta para o escopo dos trabalhos, contemplando questões tarifárias e não tarifárias. Também foi acordada a criação de um Grupo de Trabalho para discutir temas relacionados a um possível acordo”, informou a nota.

Conforme a nota divulgada nesta quarta pelos ministérios, o encontro foi uma continuidade da conversa recente dos presidentes Lula e Trump, na qual os dois concordaram em orientar as respectivas equipes a retomar as negociações em torno do tarifaço. Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás somente da China, e integrantes do governo têm dito que a orientação é negociar para que os dois países cheguem a um consenso sobre o tema.

NEGOCIAÇÃO – “Durante a reunião, os ministros brasileiros reafirmaram a disposição do Brasil de avançar, por meio do diálogo e da negociação, na construção de soluções para os temas que afetam o comércio bilateral, sempre tendo como referência a defesa dos interesses brasileiros e a ampliação das oportunidades para empresas e setores produtivos dos dois países”, informou o governo brasileiro.

O Brasil foi alvo de rodadas de tarifaços anunciadas pelo governo dos EUA: de 25%: em razão do entendimento da Casa Branca de que o Brasil adota práticas desleais na economia em relação a empresários americanos em áreas como PIX, etanol e propriedade intelectual; de 12,5%: diante do entendimento dos EUA de que dezenas de países, incluindo o Brasil, falharam ao coibir a importação de mercadorias de países onde há trabalho forçado.

Nesse contexto, o Brasil abriu um pedido de consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC), alegando que ao agir dessa maneira os EUA tratam o Brasil de maneira diferente dos demais parceiros comerciais.

SINAL DE REVERSÃO – Em resposta, os Estados Unidos informaram à OMC estarem à disposição do Brasil para discutir o tema, mas ainda não indicaram, segundo diplomatas brasileiros, qualquer sinal de reversão do tarifaço.

Na semana passada, representantes dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump se reuniram em Genebra, na sede da OMC, para negociar. Com isso, abriu-se o prazo de 60 dias para que os dois países cheguem a um consenso. Se não houver acordo no prazo, uma das partes pode abrir um painel, ou seja, pedir que o tema vá a julgamento pela OMC. O governo da China pediu formalmente à OMC para participar do processo, mas os EUA se manifestaram contra a abertura de espaço para os chineses.

BOA RELAÇÃO –  Em entrevista recente, Lula disse ter “boa relação” com Trump, a quem trata “com respeito” por ter sido eleito pelo povo norte-americano. “Acho que o Trump é uma pessoa sui generis, porque ele muitas vezes não diz nada com nada, você conversa com ele e parece que não conversou, mas ele tem me tratado com respeito e eu trato ele como presidente, com respeito. Gostando ou não gostando dele, ele foi eleito pelo povo americano. Eu vou ser eleito pelo povo brasileiro”, disse.

“Ele não precisa gostar de mim ou não, só tem que ter relação civilizada, relação respeitando a soberania do Brasil”, completou o petista.