Gilmar mantém quebra de sigilos em investigação de ‘rachadinha’ ligada a Flávio Bolsonaro

Charge do Clayton (Instagram)

Mariana Muniz
O Globo

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou nesta terça-feira uma reclamação apresentada por Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, ex-assessora de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), e manteve a decisão que autorizou a quebra de seus sigilos bancário e fiscal em uma ação de improbidade que apura um suposto esquema de “rachadinha”.

A investigação trata da suspeita de que servidores recebiam salários pagos pela Alerj sem efetivamente trabalhar e, em alguns casos, repassavam parte dos vencimentos a Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio. A quebra de sigilo de Danielle, autorizada em 6 de maio pelo juiz Ricardo Cyfer, da 2ª Vara da Fazenda Pública do Rio, foi limitada pela Justiça fluminense ao período em que ela ocupou cargo comissionado na Assembleia.    

MENSAGENS – Na decisão, Gilmar também reproduz uma série de mensagens encontradas no celular de Danielle e usadas pelo Ministério Público do Rio (MPRJ) como elementos da investigação. Segundo o ministro, os diálogos, obtidos na Operação Intocáveis e posteriormente compartilhados por autorização judicial, constituem fontes de prova autônomas e independentes de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) cuja utilização é questionada pela defesa.    

Entre as conversas citadas estão mensagens trocadas com Queiroz. De acordo com o MPRJ, elas indicariam que o ex-assessor entregava a Danielle contracheques e comprovantes de rendimentos da Alerj e cobrava documentos dela. Em outro diálogo, Queiroz pede informações sobre a movimentação financeira da então assessora e afirma que precisava “prestar contas” sobre o valor depositado naquele mês.

A decisão também menciona diálogos de Danielle com Adriano da Nóbrega, seu ex-marido. Segundo a descrição feita pelo Ministério Público e reproduzida por Gilmar, Adriano teria sido responsável por “arrumar” a nomeação dela na Alerj. Em outra conversa, ao reclamar de sua exoneração, Danielle teria tratado os vencimentos como uma espécie de pensionamento proporcionado pelo ex-PM. O documento afirma que Adriano respondeu que também “contava com que vinha do seu tmbm”, trecho interpretado pelo MPRJ como indicação de que ele também se beneficiaria dos valores.

QUEBRA DE SIGILO – Na decisão, Gilmar afirma que esses elementos poderiam sustentar a quebra de sigilo mesmo que fosse acolhida a contestação da defesa contra o Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Coaf. Além das mensagens, o ministro citou dados funcionais e relatórios financeiros encaminhados pela Alerj. Segundo documento da Assembleia reproduzido na decisão, Danielle recebeu R$ 846,2 mil brutos entre setembro de 2007 e dezembro de 2018.

O ministro destacou ainda que, segundo as informações prestadas pela Justiça do Rio, o RIF foi enviado espontaneamente pelo Coaf e não foi produzido a pedido do Ministério Público. O relatório também não estava entre os documentos declarados nulos pelo próprio STF em uma decisão anterior relacionada às investigações.

A defesa de Danielle alegava que o compartilhamento de informações financeiras sem autorização judicial prévia contrariava uma decisão do Supremo, no chamado “Tema 990 da repercussão geral”. Gilmar, porém, afirmou que o precedente tratou especificamente do compartilhamento de relatórios do Coaf para fins criminais e não decidiu sobre a possibilidade de utilização dessas informações em ações de improbidade administrativa. Para o ministro, essa é uma questão “inteiramente nova” que ainda deverá ser enfrentada pelo STF.

AGRAVO PENDENTE – Gilmar também apontou um obstáculo processual para a reclamação. Segundo ele, Danielle ainda tem um agravo pendente de julgamento no Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ). Pela jurisprudência do STF, uma reclamação baseada em precedente de repercussão geral não pode ser usada para antecipar a chegada do caso ao Supremo antes do esgotamento das instâncias inferiores.

O ministro afastou ainda, neste momento, as alegações de que a quebra de sigilo representaria uma investigação exploratória — a chamada fishing expedition — ou violaria uma decisão anterior já transitada em julgado. A ordem da Justiça do Rio restringiu o acesso aos dados bancários e fiscais ao período em que cada investigado manteve vínculo com a administração pública.

ARQUIVAMENTO – A decisão de Gilmar ocorre anos depois de o próprio ministro ter sido determinante para o arquivamento da investigação criminal sobre o suposto esquema de “rachadinha” que atingia Flávio Bolsonaro. Em fevereiro de 2021, a Segunda Turma do STF determinou, por maioria, o arquivamento das investigações, ressalvando a possibilidade de reabertura caso surgissem novas provas. Gilmar foi o redator do acórdão e votou pelo encerramento das apurações.

A discussão sobre o uso de relatórios do Coaf também já havia chegado ao Supremo a partir de uma iniciativa da defesa de Flávio. Em julho de 2019, o então presidente da Corte, Dias Toffoli, atendeu a um pedido feito pelo senador e determinou a suspensão nacional de processos e investigações criminais que envolvessem o compartilhamento, sem autorização judicial prévia, de dados de órgãos como Coaf, Receita Federal e Banco Central. A medida atingiu a investigação sobre Flávio e outras apurações em andamento no país.

Lula deve se arrepender, se realmente desprezar o debate eleitoral na Globo

Cadeira: a nova ferramenta de debate! | Jornal de Brasília

Charge do Baggi (Jornal de Brasília)

Elio Gaspari
O Globo

Lula desistiu de ir ao debate desta quinta-feira na TV Globo. Com isso, o primeiro turno ficará sem debate entre os candidatos competitivos. É pena, mas os nomes de uma terceira via tiveram meses para romper a barreira do dígito e não conseguiram. Essa monotonia fez da eleição presidencial um evento burocrático, sem ideias, plataformas ou desafios. Lula 4.0 seria uma continuação de Lula 3.0 que nada foi além dos Lulas passados. Há um candidato do PT, outro contra o PT, e estamos conversados.

A ideia de faltar a mais esse debate é arriscada. Numa eleição apertada como essa, a imagem da cadeira vazia pode ter um efeito desastroso, mesmo para o segundo turno.

PRINCIPAL ALVO – Num debate com quatro candidatos, Lula será o principal alvo. Se as chances de cada um fossem semelhantes, tudo bem. Mas não: Lula e Flávio disputam uma eleição apertada, e os demais tornaram-se figurantes. Está na memória de todos a figura patética do padre Kelmon em 2022. Só com quatro candidatos esse risco estaria reduzido, mas não eliminado.

Ir ao debate seria a melhor ideia. No caso de Lula, teria a vantagem adicional de espanar a ideia segundo a qual está cansado.

Com Flávio Bolsonaro a situação se agrava. Ele é o pai, que por sua vez personifica pouco mais que um renitente sentimento antipetista. O Brasil é maior que essa mixaria, e os desafios estão aí.

CRISE DO SUPREMO – A novela da corrupção na alta magistratura continuará sendo assunto nos próximos meses e é bom que seja assim, mas o país de farofeiros deslumbrados está ofuscando outro país, que anda.

Nele constroem-se novas linhas de metrô em São Paulo, mais o túnel Santos-Guarujá. Na semana passada zarpou do porto de Lüsi, na China, o maior bate-estacas marítimo do mundo. Ele vem para a obra da ponte que ligará Salvador à Ilha de Itaparica, com 12,4 quilômetros de extensão, um pouco maior que a Rio-Niterói.

Com obras desse tamanho, os charutos do procurador-geral Paulo Gonet são apenas fumaça, produzida por um burocrata deslumbrado, escoltado por um banqueiro espertalhão.

NÍVEL DE INDIGÊNCIA – O Brasil é muito maior do que a arena onde pontificam esses doutores. Por isso é pena que a sucessão presidencial esteja num nível inédito de indigência. Parece até que a eleição é uma formalidade. Temas abundam, mas falta disposição aos candidatos, sobretudo a Lula e Bolsonaro, para debatê-los.

Como não há debates, ideias nem propostas, Nossa Senhora Aparecida ocupou o espaço vazio. Se algum político ou religioso quiser retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil, terá uma surpresa: a fé popular manterá o título. A ideia de destronar Nossa Senhora é velha e inútil.

Os poderosos da ocasião tomam carona na história da santa que atrai milhões de peregrinos a cada ano. Mexer com devoções populares nunca deu certo. A hierarquia católica tentou enquadrar a devoção dos napolitanos por San Gennaro ou a dos nordestinos por Padre Cícero. Pura perda de tempo.

Eleições são importantes porque decidem se o Brasil será quintal dos EUA

Confira a charge deste domingo (7) por Thyagão (@historiassemquadrinhos)  #DiáriodoNordeste #dn

Charge do Thyagão (Diário do Nordeste)

Vicente Limongi Netto

A campanha de Flávio Bolsonaro é dirigida ao eleitor que ignora a política, sem ter a mínima ideia do que está acontecendo no Brasil e no mundo. Parte desses eleitores é convencida e levada para um mundo paralelo, através de informações fake news pelo WhatsApp e a outra parte é de fiéis de algumas igrejas evangélicas neopentecostais que votam em quem o pastor mandar.

As eleições de outubro  são para decidir se o Brasil vira um fundo de quintal dos Estados Unidos ou continua independente e determinado a transformar o país numa futura potência. É disso que se trata essas eleições. 

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Se faltar ao debate da Globo, Lula terá cadeira vazia questionada três vezes

Lula não confirmou ainda participação no evento

Carlos Petrocilo
Gabriela Echenique
Folha

As regras para o debate da TV Globo, na próxima quinta (1º), preveem que os candidatos presentes terão direito de fazer perguntas aos ausentes, o que pode afetar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Lula não confirmou ainda participação no evento e vem dando indicações de que deve faltar. A pergunta à cadeira vazia do petista seria feita no segundo bloco, em que candidatos podem se questionar livremente.

DINÂMICA – “Na primeira rodada de tema livre, os candidatos presentes, se quiserem, antes de escolher o candidato a quem farão a pergunta, poderão fazer, em 30 segundos, a pergunta que fariam ao candidato que se ausentou”, dizem as regras enviadas pela emissora às campanhas. “Depois de feita a pergunta, escolhem um candidato presente e segue-se a dinâmica do debate”.

Assim, Lula poderá ser questionado três vezes por adversários presentes. Devem comparecer Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante). A Globo promete dar visibilidade em diversos momentos a uma eventual cadeira vazia de Lula.

LUGAR VAZIO – “Se algum candidato convidado faltar ao debate, o seu lugar permanecerá vazio com uma placa que o identifique pelo nome. Na vez em que, pelo sorteio, faria a pergunta, seu lugar será mostrado com mais destaque e o mediador lembrará que ele não compareceu ao debate”, dizem as regras.

A campanha de Lula não bateu o martelo ainda sobre a presença no encontro. Aliados do presidente temem que ele fique em desvantagem por ser atacado por três oponentes.

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Jussara Soares
CNN

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o candidato do PL ao Planalto, senador Flávio Bolsonaro, entram na última semana da campanha reforçando o discurso pelo voto útil. Empatados tecnicamente na preferência dos eleitores e também na rejeição, ambos apostam na resistência ao principal adversário para sair à frente nas urnas no próximo domingo (4).

A estratégia é convencer o eleitor que não vê em nenhum dos dois seu candidato ideal a escolher aquele que tem mais chances de derrotar o nome que rejeita. Embora as pesquisas indiquem pouca chance de vitória já no primeiro turno, as duas campanhas devem insistir na possibilidade para atrair votos de outros candidatos nesta reta final.

PESO POLÍTICO – Mesmo que a disputa vá para o segundo turno, a ordem de chegada no domingo tem peso político. Sair à frente pode dar impulso à campanha e fortalecer as negociações por apoios para a etapa seguinte.

Na campanha de Lula, a orientação é ampliar a comparação entre os dois candidatos e reforçar a rejeição a Flávio. A campanha pretende explorar a investigação do senador no caso Master, relacionada ao financiamento do filme “Dark Horse”, além de retomar o caso da “rachadinha”, sobre o suposto desvio de salários de servidores de seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), e as suspeitas de ligação com a milícia.

Outra aposta é comparar o governo Lula com a gestão de Jair Bolsonaro. O presidente deve apresentar a eleição como uma escolha entre manter programas e conquistas de seu governo ou correr o risco de perdê-los.

DEMOCRACIA E NEGACIONISMO – É uma linha próxima à adotada em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, quando Lula disse que, em 4 de outubro, os brasileiros escolherão entre “democracia e negacionismo” e entre avançar para um futuro com mais oportunidades ou retornar a um “passado de exclusão”.

Flávio, por sua vez, vai reforçar a aposta no sentimento antipetista do eleitor de direita e insistir que é o único candidato da oposição com condições de vencer Lula. O alvo são, sobretudo, eleitores de Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), que podem decidir pelo voto útil antes do primeiro turno.

A campanha do senador vê maior dificuldade para atrair os eleitores de Renan Santos. A avaliação é que o candidato do Missão tem uma base mais consolidada, ligada ao MBL, e menos inclinada a mudar de voto nesta reta final.

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Lauro Jardim
O Globo

Oficialmente, Lula ainda não bateu o martelo sobre a participação no debate da TV Globo na quinta-feira, para o qual foram convidados outros três candidatos: Flávio Bolsonaro, Augusto Cury e Ronaldo Caiado. Desde a pré-campanha, Lula repete a aliados que acha o formato dos debates eleitorais “contraproducente”, “muito engessado” e que “eles funcionam como uma armadilha”.

Na coordenação da campanha, é consenso que o presidente deve enfrentar os adversários diretamente pela primeira e única vez neste primeiro turno. Não parece razoável que Lula vá deixar sua cadeira vazia na quinta-feira, mesmo com todas as restrições que faz aos debates.

COMPARECIMENTO OBRIGATÓRIO – Ele está praticamente obrigado a comparecer por pelo menos dois motivos. Primeiro, porque sua situação nas pesquisas não lhe permite fugir do confronto com os adversários. Numa situação de empate técnico, a ida ao debate torna-se imperativa. E também porque ontem Flávio fez um desafio de forma agressiva, que não lhe deixa alternativa. Disse o filho de Jair:

“Vou no debate da Globo. Está confirmado. Ele que lute. Eu quero ir para lá debater com ele. Eu estou chamando o Lula para o debate: ‘Lula, eu quero você no debate da Globo, vem debater comigo porque eu vou esfregar a verdade na sua cara e vou mostrar que o meu projeto de Brasil é melhor que o seu”, afirmou”. O tom de desafio usado por Flávio sugere que ele sabe que Lula irá à Globo, mas não quis perder a oportunidade de provocá-lo.

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