Moraes arquiva investigação contra Marcos do Val e blogueiros após parecer da PGR

PGR avaliou provas como insuficientes para denúncia

Fernanda Fonseca
Elijonas Maia
CNN

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), arquivou em 4 de setembro a investigação contra o senador Marcos do Val (Avante-ES), os blogueiros Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio e o influenciador Ednardo Raposo. A decisão acolheu parecer da PGR (Procuradoria-Geral da República), segundo o qual as provas não sustentam uma denúncia.

A Polícia Federal havia indiciado os quatro por suspeita de obstrução de investigação de organização criminosa e incitação ao crime. A apuração mirava uma campanha de ataques e exposição de agentes públicos envolvidos em investigações conduzidas no STF, sobretudo pelo delegado da PF Fábio Shor.

LIMITE ULTRAPASSADO – Segundo a PGR, a apuração reuniu postagens em redes sociais, registros telefônicos, conversas, dados fiscais e financeiros e depoimentos. O órgão reconheceu que houve ações voltadas a atingir a imagem de agentes da PF e do STF e que, em alguns casos, foi ultrapassado “o limite da tolerância diferenciada imposta àqueles que servem ao público”.

Para a Procuradoria, os elementos revelaram o “evidente desiderato” de Allan dos Santos, Oswaldo Eustáquio e Marcos do Val de ofender os agentes ligados às investigações no STF.

Apesar disso, a PGR concluiu que o material não bastava para uma denúncia pelos crimes apontados pela PF. No parecer, o órgão afirma que as provas “não lograram demonstrar a existência de articulação estruturada” para incitar crimes contra agentes públicos ou obstruir investigações específicas.

COMPROVAÇÃO –  “O farto material probatório, no entanto, não logrou demonstrar a existência de articulação estruturada para dolosamente incitar a prática de crimes contra os agentes públicos ou obstruir, concretamente, investigações específicas”, diz.

Na avaliação do Ministério Público, os fatos se aproximam mais de crimes contra a honra praticados contra servidores públicos. Para que esses delitos fossem processados, seria necessária representação ou queixa dos próprios ofendidos, o que não ocorreu.

Ao acolher o parecer, Moraes afirmou que cabe ao Ministério Público decidir entre oferecer denúncia ou pedir o arquivamento. O ministro determinou o encerramento do caso, com ressalva para a retomada das apurações caso surjam novas provas.

PL de Bolsonaro agora disputa o comando do Congresso e ameaça Alcolumbre e Motta

Nova composição dará governabilidade ‘com folga’ a Flávio

Victoria Azevedo
Lauriberto Pompeu
O Globo

O avanço do PL no Congresso desafia a recondução dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a partir de fevereiro. Nas duas Casas, o partido de Flávio Bolsonaro terá as maiores bancadas: na Câmara, foram eleitos 121 deputados, número que supera os 99 atuais; no Senado, serão 28, quase o dobro dos 15 integrantes de agora.

O principal desafio de Motta e Alcolumbre será buscar apoio na direita bolsonarista para tentar ficar mais dois anos no comando ou ao menos evitar que parlamentares do centro migrem para candidaturas desse campo político. As duas autoridades se aproximaram do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos últimos dois anos, contrariando a oposição ao petista. O resultado das urnas no domingo também pode criar mais dificuldades aos dois: Lula ficou atrás de Flávio no primeiro turno, com 45,16% dos votos, e o senador, 47,03%.

APOIO – A tendência, hoje, é que os partidos do Centrão deixem a postura de neutralidade e apoiem a candidatura de Flávio. De acordo com relatos, integrantes do União Brasil querem como contrapartida o apoio do PL à recondução de Alcolumbre, cenário considerado improvável. O Republicanos também tende a apoiar Flávio, mas Motta não deverá seguir o partido, de acordo com um aliado próximo dele. A estratégia da sigla será blindar o deputado dessas críticas e evitar que sua nova candidatura à chefia da Câmara desidrate.

A situação de Alcolumbre, no entanto, é mais delicada. Além de ver seus principais aliados no Amapá, seu reduto eleitoral, serem derrotados no domingo, ele está pressionado por parlamentares da oposição, que defendem um discurso contra o Supremo Tribunal Federal (STF), e por governistas, que ainda apresentam desconfiança com a postura do senador.

Alcolumbre foi um dos principais pontos de governabilidade do Lula 3 no Congresso, mas o parlamentar se afastou do próprio presidente e do Planalto após a rejeição de Jorge Messias para uma vaga ao STF. Ele ficou cerca de três meses sem conversar com o petista, retomando o contato às vésperas da eleição. Apesar disso, o PT não deve lançar candidato próprio e integrantes da sigla apostam no apoio a Alcolumbre. A avaliação é que apesar das desconfianças com o senador, há possibilidade maior de diálogo com ele do que um nome bolsonarista.

ESCALA 6 X 1 – Petistas também reconheceram um gesto de Alcolumbre o anúncio de que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6×1 será discutida pelo Senado, às vésperas do primeiro turno. A proposta é considerada uma vitrine eleitoral para o petista. Com o resultado das urnas, a avaliação é que Alcolumbre não recuará, mas poderá dar um ritmo menos célere ao avanço do tema, já que Flávio Bolsonaro se colocou contra o fim da escala 6×1.

Por outro lado, o PL já tem claro que lançará um candidato próprio na disputa com Alcolumbre. O nome mais cotado é Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha de Flávio. Em entrevista nesta segunda, o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, voltou a tratar do tema e disse que Marinho “é candidato à presidência do Senado”. Ao longo do processo eleitoral, integrantes do PL fizeram campanha para que os candidatos do partido ao Senado já declarassem de antemão que não votariam em Alcolumbre caso eleitos.

As principais queixas recaem sobre a resistência do parlamentar em pautar temas que miram o Supremo e seus ministros. Principalmente, o impeachment de magistrados. Alcolumbre é próximo de integrantes de tribunais superiores, como o ministro Alexandre de Moraes, do STF, desafeto do bolsonarismo. Além de Rogério Marinho, também se coloca como possível candidata a senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura de Bolsonaro, .

EQUILÍBRIO –  Na Câmara, Motta foi eleito presidente da Casa em 2025 com apoio do PT ao PL e teve de passar os dois anos de seu mandato buscando se equilibrar entre as demandas de cada um dos partidos. O primeiro ano foi marcado por uma relação de altos e baixos com o Palácio do Planalto e Lula, com desconfiança de parte a parte.

Num momento agudo na relação, Motta chegou a romper publicamente com o então líder do PT na Casa, Lindbergh Farias (RJ). Com a proximidade das eleições, no entanto, passou a fazer mais gestos a Lula, em busca do apoio do presidente à eleição de seu pai, o ex-prefeito Nabor Wanderley (Republicanos) a uma vaga ao Senado pela Paraíba. Wanderley não teve apoio do petista e foi derrotado nas urnas.

Motta também aproveitou o rompimento de Lula e Alcolumbre para se aproximar do presidente da República. Ele aprovou pautas de interesse do Planalto na Câmara, como o fim da escala de trabalho 6×1, e declarou publicamente apoio à reeleição de Lula, além de participar de atos a favor dele na Paraíba. O presidente da Câmara também atuou para evitar que o Republicanos apoiasse formalmente Flávio no primeiro turno.

PRESSÃO INTERNA – Essa aproximação, no entanto, contrariou integrantes do PL, aumentando a pressão interna para que o partido lance um nome para fazer frente a Motta. Um dos lembrados é o líder da sigla, Sóstenes Cavalcante (RJ). Apesar disso, somente a bancada do PL não é suficiente para dar a vitória ao parlamentar, o que indica que outros deputados precisariam acompanhar o nome do PL.

Um aliado próximo de Hugo Motta diz que hoje o cenário mais provável é de partidos do Centrão e da esquerda apoiarem a reeleição dele. Mas ressalta ser importante fazer um trabalho com os novos deputados (são 183 deputados que exercerão mandato pela primeira vez), para amarrar o apoio deles.

Há a avaliação que, estando na cadeira de presidente da Câmara pelo menos até fevereiro de 2027, Motta terá instrumentos à disposição para atrair esses parlamentares novatos. O tamanho da bancada da federação União Brasil-PP e do próprio partido de Motta, o Republicanos, além dos prováveis apoios do PT e do MDB, são usados como estratégia para pressionar o PL na sucessão do comando da Câmara, ainda que o partido de Flávio tenha saído das urnas com uma bancada expressiva.

MESA DIRETORA – A ideia é repetir o que aconteceu na primeira eleição de Motta para comandar a Casa e ameaçar o PL com perda de espaço na Câmara, caso a sigla adote uma posição diferente da maioria dos outros deputados. Nesse cenário, o PL poderia ficar fora da Mesa Diretora, onde ocupa a vice-presidência hoje, e tiraria representantes do partido da divisão do comando de comissões e relatorias de projetos relevantes. Por outro lado, com 121 deputados e na liderança isolada para a bancada da Câmara, o PL vira um dos principais fiéis da balança na eleição para o comando da Câmara.

O cenário no Senado também costuma entrar na contabilidade das articulações dos partidos, e um apoio do PL a outro candidato na Câmara que não o da legenda pode servir para amarrar um acordo para que a legenda de Flávio escolha um representante no Senado. Isso aconteceu, por exemplo, quando o PL apoiou a reeleição de Arthur Lira (PP-AL) para presidente da Câmara em 2023 e, em troca, PP e Republicanos apoiaram Rogério Marinho (PL-RN) para o comando do Senado, eleição que foi vencida por Rodrigo Pacheco.

O processo de sucessão no Congresso também deverá ser afetado pelo diálogo com o governo federal. A expectativa é que, qualquer que seja o presidente eleito, os chefes da Câmara e do Senado irão buscá-lo para um acordo nos próximos dias. Além disso, essa nova configuração do Congresso poderá afetar diretamente a governabilidade do próximo presidente da República: se Flávio for eleito, terá uma base confortável; se Lula for reeleito terá bastante dificuldade em construir maioria para aprovar propostas de interesse.

Flávio mira Constituição, STF e regras eleitorais com novo Congresso

Alcolumbre prevê votação da PEC do fim da 6×1 antes do segundo turno

Senado deve votar PEC em meio à disputa eleitoral

Eduarda Teixeira
CNN

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sinalizou nesta terça-feira (6) que pretende pautar a votação da PEC (proposta de emenda à Constituição) que acaba com a 6×1 logo após a Casa finalizar as cinco sessões de discussão da pauta, na semana que vem.

Em conversa com a imprensa, Alcolumbre disse que a proposta vai “cumprir integralmente o rito” de tramitação, “sem atropelos e sem acelerar nada”. O calendário estabelecido pelo senador começa já nesta semana. Serão realizadas sessões nesta terça, quarta e quinta-feira.

DELIBERAÇÃO – Na semana que vem os debates serão na terça e quarta-feira, para que a votação em primeiro turno seja realizada no dia 15 de outubro. Alcolumbre, porém, não cravou que irá votar os 2 turnos necessários para aprovar a proposta. Há chance de que a deliberação seja finalizada somente depois do segundo turno das eleições, em 25 de outubro, para que a PEC não “contamine” o debate eleitoral.

A PEC do fim da 6×1 determina a redução da escala para 5 dias de trabalho e 2 de descanso por semana, além da redução da jornada para 40 horas semanais. O texto foi aprovado em maio na Câmara dos Deputados, mas está travado na Casa Alta depois de uma tensão envolvendo o Executivo e o Legislativo.

CONTATO DE LULA – Alcolumbre chegou a dizer que esperava um contato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para avançar com a PEC, algo que não aconteceu. A rusga entre os dois só foi distensionada depois de um almoço entre eles e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) em 27 de agosto. Naquele momento, eles acordaram que o Congresso votaria a MP do fim da taxa das blusinhas e o PL dos minerais críticos na primeira semana de setembro.

Eles também deixaram clara a intenção de avançar com a PEC do fim da 6×1 na última semana de esforço concentrado antes do primeiro turno. A proposta, no entanto, só foi aprovada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado durante os trabalhos dos senadores.

Ao comentar o cenário eleitoral, Alcolumbre classificou a disputa como “muito importante” e defendeu que os brasileiros escolham, no segundo turno para presidente e nos estados onde haverá nova votação, “com a sua consciência, livre para escolher o que é melhor para o Brasil”. Como presidente do Congresso Nacional, disse que irá respeitar o resultado das urnas e disse esperar que todos os brasileiros façam o mesmo no segundo turno.

Precatórios entram na mira do Judiciário após caso Banco Master

Celso de Mello reage a Flávio: “Nenhuma maioria pode destruir a democracia”

PT cobra mudanças após resultado de Lula no primeiro turno

Lula deve rever núcleo duro da campanha

Tainá Falcão
CNN

O resultado abaixo do esperado no primeiro turno aumentou a pressão de uma ala do PT (Partido dos Trabalhadores) por mudanças no núcleo duro da campanha de Lula.

A CNN já havia mostrado que interlocutores do presidente defendiam, desde antes, o reforço da equipe, com maior participação de lideranças experientes, além de uma organização mais forte da campanha nos estados.

CRÍTICAS – Entre dirigentes petistas, há críticas à coordenação, à comunicação e à demora da campanha em construir um contraste mais duro com Flávio Bolsonaro. Governadores e candidatos que disputaram governos e o Senado estão sendo chamados para participar da estratégia do segundo turno. A ideia é aumentar a capilaridade da campanha e usar as lideranças regionais para identificar onde há espaço para recuperar votos.

Um dos principais pontos de atenção é Minas Gerais, onde Flávio venceu desta vez. A derrota acendeu um alerta especial porque Minas é o segundo maior colégio eleitoral do país e vinha sendo tratada pelas duas campanhas como um dos estados mais abertos à movimentação de voto.

PL de Bolsonaro conseguiu conquistar a maior bancada da Câmara em 40 anos

PF ouve Galípolo, do Banco Central, na reta final do inquérito do Banco Master

Moraes fica mansinho para ajudar Lula e evitar o impeachment de ministros do STF

Repostdmf @arturpiva #acordabrasil ・・・ Sextou !!! A quem recorrer ??? #stf #moraes #xandão

          Reprodução de Artur Piva (Acorda Brasil)

Roseann Kennedy
Estadão

Decisões do ministro Alexandre de Moraes, no Supremo, e do procurador-geral Paulo Gonet, na PGR, em favor da família Bolsonaro e de réus do 8 de Janeiro, ocorrem depois de Flávio Bolsonaro terminar primeiro turno à frente de Lula

Menos de 48 horas após o resultado do primeiro turno da corrida presidencial, Moraes e parte dos seus aliados no STF adotaram uma repentina “mansidão” em relação aos bolsonaristas.

MULHER DO BATOM – Nesta terça-feira, dia 6, Moraes autorizou a cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos a cumprir pena no regime semiaberto. “Débora do Batom”, como ficou conhecida, foi condenada a 14 anos de prisão por pichar a estátua da Justiça em frente ao STF, durante os atos golpistas de 8 de janeiro.

Ela virou uma espécie de símbolo dos excessos do Supremo na aplicação de penas nesse episódio e foi tema de muita conversa entre eleitores neste ano. Somente agora conseguiu essa progressão.

No mesmo dia, instado por Moraes, o procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, manifestou-se a favor de que o senador Flávio Bolsonaro (PL) possa voltar a visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão domiciliar.

ATÉ GILMAR – Horas depois, o ministro Gilmar Mendes determinou o arquivamento de um pedido de investigação, por suspeita de estupro e suborno, contra o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), que é o vice da chapa à presidencial de Flávio. A desculpa foi de que a  Procuradoria-Geral da República não havia encontrado elementos que justificassem uma investigação.

As três decisões ocorreram em sequência e têm um fator político em comum: foram proferidas depois de a crise do Supremo impactar diretamente no resultado das urnas e Flávio Bolsonaro terminar à frente de Lula no primeiro turno da disputa pela Presidência por 47,03% contra 45,16%.

O comportamento na Corte, entretanto, está longe de significar um ambiente pacificado. Ao contrário disso, mantém alinhamento com os interesses de Lula, que agora elevou o tom contra o Supremo e sabe que a população precisa ficar menos furiosa com os magistrados antes do segundo turno.

IMPEACHMENTS – A estratégia de recuo dos ministros do STF também aponta para o início da dinâmica do “salve-se quem puder”. A Corte já vislumbra um eventual governo de Flávio Bolsonaro e sabe que será muito mais difícil evitar o avanço dos pedidos de impeachment no Senado.

Além disso, o novo presidente da República vai indicar pelo menos mais três ministros para o STF. E se for Flávio, a turma de Moraes terá seu poder ameaçado.

Nesse cenário, o Supremo começou a construir pontes com o bolsonarismo e abriu as portas para o senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio. Detalhe importante: Marinho articula sua candidatura ao comando do Senado Federal, e pode ser responsável por processar os pedidos de cassação dos supremos ministros.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Excelente artigo de Rosean Kennedy, mostrando até onde vai a coragem desses falsos heróis da democracia, como Moraes, Gonet, Gilmar & Cia. Na verdade, são apenas poltrões, que estão encagaçados com a possibilidade de Flávio Bolsonaro ganhar a eleição e o Senado despertar da letargia a que foi levado pelo corruptíssimo Davi Alcolumbre. O mais patético é a desfaçatez de Moraes, que era Tigrão e agora virou Gatinho… (C.N.)

AGU muda de ideia e agora pede ao STF que mantenha proibição das bets

Flávio fala em usar maioria na Câmara e no Senado para mudar Constituição

Para se proteger, o Supremo se antecipa à nova força da direita no Senado

Fachin vai propor projeto de modernização do Judiciário

Valdo Cruz
G1

O resultado do primeiro turno da eleição acendeu um sinal de alerta no Supremo Tribunal Federal (STF). O avanço da direita no Senado tende a fortalecer a ala que defende mudanças no Judiciário e o impeachment de ministros da Corte.

Nesse cenário, o presidente do STF, Edson Fachin, pretende apresentar até o fim de novembro um projeto de modernização do sistema de Justiça. Fachin já havia decidido levar adiante a iniciativa antes mesmo do resultado da eleição deste domingo (4).

GRUPO DE TRABALHO – Em junho, o STF criou um grupo de trabalho para discutir uma reforma estrutural do Judiciário, com propostas de mudanças legislativas e administrativas. O grupo passou a reunir contribuições de juristas, magistrados, acadêmicos e entidades da sociedade civil.

Entre as propostas encaminhadas ao grupo estão: mudanças nas competências do Supremo; adoção de mandato para ministros; restrições a decisões individuais; mecanismos de controle e responsabilização; redução de férias; regras para o teto remuneratório; e medidas relacionadas ao uso de inteligência artificial pelo Judiciário.

PESO POLÍTICO –  Com o avanço da direita nas urnas, porém, a iniciativa de Fachin ganha um novo peso político. Durante a campanha, candidatos defenderam mudanças no Judiciário e no funcionamento do Supremo, incluindo alterações na forma de escolha e no tempo de permanência dos ministros na Corte e limitações às decisões individuais.

Segundo o presidente do STF, o projeto também será uma forma de estabelecer um diálogo com os chefes dos demais Poderes, Executivo e Legislativo. Desde que assumiu o comando do tribunal, Fachin vem defendendo que o próprio sistema de Justiça participe da discussão sobre suas mudanças.

BANCADA – O resultado da eleição mostrou que a bancada de senadores favoráveis ao impeachment de ministros do STF pode chegar a 49 parlamentares — cinco a menos que os 54 votos necessários para aprovar o afastamento de um ministro do Supremo.

Somente o PL elegeu 19 senadores e terá uma bancada de 28 integrantes. Isso dará ao partido peso decisivo na disputa pelo comando do Senado. O atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil), é contrário ao impeachment de ministros do STF e tem impedido o avanço de pedidos contra integrantes da Corte. Agora, segundo senadores do PL, o ambiente político será diferente no próximo ano.

PF investiga interferência na eleição e acende o alerta no bolsonarismo

Investigação pode mudar o clima do segundo turno

Malu Gaspar
O Globo

Um movimento do governo Lula ligou um sinal de alerta na cúpula da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) ainda durante a votação do primeiro turno e com as urnas abertas: a abertura de um inquérito sobre a suposta interferência dos Estados Unidos na eleição.

A decisão, anunciada pelo diretor-geral da Polícia Federal (PF) Andrei Rodrigues, foi motivada pela publicação de uma reportagem do The Guardian segundo a qual um projeto do governo dos Estados Unidos prevê recursos para grupos da sociedade civil que se opõem ao que classificam como abuso de poder judicial e censura por parte do Supremo Tribunal Federal (STF).

CAMINHO DO DINHEIRO – Pelo documento a que o jornal teve acesso, cerca de R$ 5,2 milhões seriam direcionados ao Brasil por meio do projeto “Combate à Litigância Deliberativa e à Censura no Brasil”. Não se sabe, porém, se o dinheiro chegou a ser enviado, quanto e para quem.

Segundo Rodrigues, o inquérito foi pedido pela Advocacia-Geral da União (AGU). A apuração está em andamento na Diretoria de Inteligência da PF, em caráter preliminar.

“Recebemos uma representação da AGU sugerindo apuração de interferência externa. Foi encaminhado para a Diretoria de Inteligência para dar início à apuração. É uma investigação em andamento, um procedimento prévio. Não foi publicada a portaria do inquérito, mas já temos uma investigação em curso”, declarou o diretor-geral no domingo.

MANIFESTAÇÃO – A portaria de instauração do inquérito ainda não foi publicada. Pedido semelhante foi feito nesta semana pelo PT ao Supremo, mas a PF foi mais rápida. Em julho passado, porém, a Procuradoria-Geral da República (PGR) já se manifestou contra um pedido similar apresentado pelo deputado federal Rui Falcão (PT-SP), depois que o mesmo edital do Departamento de Estado do governo Donald Trump abordado na semana passada pelo The Guardian foi reportado pelo site Brasil 247 no fim de junho.

Na ocasião, o procurador-geral, Paulo Gonet, entendeu que não havia evidências mínimas de interferência americana para instaurar um procedimento preliminar com base em uma reportagem. Menos de três meses depois, a PF adotou um entendimento diferente em um caso similar. Nas redes sociais, o advogado-geral da União, Jorge Messias, destacou que a decisão da corporação atendeu a um pedido da AGU.

DESCONFIANÇA – Na cúpula da campanha bolsonarista, espalhou-se a desconfiança de que a medida pode vir a ganhar corpo nas próximas semanas com novas denúncias como forma de justificar alguma nova decisão do STF contra o presidenciável ou seu entorno.

O fato de o PT ter feito o pedido diretamente ao ministro Flávio Dino também fez surgir o alerta na campanha de Flávio Bolsonaro. Os aliados dele têm afirmado que esperam novas decisões do Supremo até a realização do segundo turno. Citam inclusive decisões de Dino que consideram contra a candidatura de Flávio — como chamar para si a investigação da Polícia Civil de São Paulo sobre a destinação dos recursos do filme “Dark Horse”, a respeito da vida de Jair Bolsonaro e determinar que a perícia do material seja feita pela PF.

REINTEGRAÇÃO – Aliado de Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes e antagonista de André Mendonça no STF, Flávio Dino também decidiu reintegrar Andrei Rodrigues ao cargo e pediu ao STF uma investigação sobre elos entre Mendonça e o Banco Master.

Embora o próprio Rodrigues tenha dito na entrevista em que anunciou a abertura do inquérito que não há por ora nenhum indício de interferência estrangeira na eleição, até que as urnas se fechem e o resultado seja anunciado o inquérito vai continuar pairando sobre a campanha e bastante temido pelo bolsonarismo.

Ex-ministros de Lula saem das urnas com muitas derrotas e perdas de espaço

Ex-ministros de Lula sofrem derrotas no Legislativo

Victoria Azevedo
O Globo

Ex-ministros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram derrotados nas urnas nas disputas para o Congresso e governo estaduais no domingo. No total, eram 20 nomes disputando a eleição.

Dentro desse grupo, os resultados mostram que dez já foram derrotados e sete conseguiram se eleger. Ainda há três casos em aberto, porque o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda não informou a totalização dos votos para a Câmara dos Deputados e as Assembleias em São Paulo e Minas Gerais. Doze desses candidatos deixaram a gestão petista neste ano, no limite do prazo para concorrer.

NA DISPUTA – Buscavam uma vaga ao Senado os ex-ministros: André Fufuca (Esportes), Celso Sabino (Turismo), Carlos Fávaro (Agricultura), Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais), Marina Silva (Meio Ambiente), Rui Costa (Casa Civil) e Simone Tebet (Planejamento). Desses, foram eleitos somente Fufuca e Costa. A onda de direita fez com que Marina e Tebet ficassem atrás de Derrite (PL) e André do Prado na disputa pelo Senado em São Paulo, enquanto Gleisi perdeu a vaga para Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo).

Para a Câmara se candidataram Anielle Franco (Igualdade Racial), Jader Filho (Cidades), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário), Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas). A ex-ministra de Cidadania Macaé Evaristo concorreu a deputada estadual por Minas Gerais e deve ser eleita, mas o resultado ainda não foi oficializado. Foram eleitos: Anielle, Sônia Guajajara, Jader Filho, Silvio Costa Filho e Paulo Teixeira

Além desses nomes, outros políticos que chegaram a ocupar um assento na Esplanada petista, mas deixaram o posto em algum momento nos últimos quatro anos também tentaram se eleger. Entre eles Paulo Pimenta (ex-ministro da Secom) que buscou uma cadeira ao Senado pelo Rio Grande do Sul —e não foi eleito.

REELEIÇÃO – O ex-ministro Juscelino Filho (Comunicação), que é deputado, foi reeleito. A ex-ministra Daniela Carneiro (Turismo), também deputada, não foi reeleita. A ex-ministra da Saúde Nísia Trindade, que foi substituída por Alexandre Padilha em fevereiro de 2025, conseguiu uma vaga na Câmara pelo Rio de Janeiro.

O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad e o ex-ministro de Empreendedorismo Márcio França disputaram o Governo de São Paulo na mesma chapa, mas foram derrotados pelo atual governador, Tarcísio de Freitas, no primeiro turno. O ex-ministro dos Transportes Renan Filho se candidatou ao Governo de Alagoas e foi derrotado por João Henrique Caldas, o JHC (PSDB).

Em 2022, 13 ex-ministros de Jair Bolsonaro buscaram vagas no Congresso. No total, 9 deles saíram vitoriosos das urnas. No Senado, dos 8 candidatos, cinco foram eleitos: Damares Alves (ex-ministra de Mulher, Família e Direitos Humanos), Marcos Pontes (Ciência, Tecnologia e Inovações), Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional), Tereza Cristina (Agricultura) e Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública).

FORA DO JOGO – Foram derrotados: Gilson Machado (Turismo), Flávia Arruda (Secretaria de Governo) e Luiz Henrique Mandetta (Saúde). Na Câmara, 5 ex-ministros tentaram uma vaga e 4 foram eleitos: Ricardo Salles (Meio Ambiente), Marcelo Álvaro Antônio (Turismo), Eduardo Pazuello (Saúde) e Osmar Terra (Cidadania). O ex-ministro da Educação Abraham Weintraub não teve votos suficientes.

Além disso, três ex-ministros disputaram governos estaduais —Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), Onyx Lorenzoni (Trabalho e Previdência) e João Roma (Cidadania)—, mas somente Tarcísio foi eleito.

A direita se consolida, e Lula enfrenta o desafio de reconstruir sua maioria, diz diretor da Quaest

Fux será relator de ações contra proibição da jogatina das bets por Lula

WhatsApp lidera casos de assédio eleitoral no trabalho, aponta estudo do TST

Mensagens aparecem em 51 dos 138 processos analisados

Gabriela Cecchin
Folha

O WhatsApp foi o meio digital mais citado nos processos de assédio eleitoral analisados em uma pesquisa do TST (Tribunal Superior do Trabalho) e do CSJT (Conselho Superior da Justiça do Trabalho). O aplicativo apareceu em 51 dos 138 processos que compõem a amostra qualitativa do estudo, enquanto Facebook e Instagram foram mencionados em 20.

O levantamento buscou fazer um diagnóstico do assédio eleitoral nas relações de trabalho por meio de ações judiciais entre maio de 2023 e dezembro de 2025. Ao todo, foram identificadas 93 ocorrências de meios digitais nos processos analisados. A pesquisa considera como meios digitais grupos de mensagens, emails, videoconferências, redes sociais e outras plataformas tecnológicas. Procurada pela reportagem, a Meta, dona das três plataformas mencionadas, afirmou que não vai comentar.

TIPOS DE ASSÉDIO ELEITORAL – A pesquisa classifica o assédio eleitoral em seis modalidades, conforme os mecanismos usados para executar as condutas: verbal, documental, digital, psicológico, comportamental e econômico. O verbal envolve discursos e manifestações destinadas a pressionar ou intimidar politicamente, enquanto o documental pode aparecer em memorandos, circulares, comunicados e materiais corporativos.

O digital inclui grupos de mensagens, emails, videoconferências e redes sociais, e o psicológico envolve a produção de medo e insegurança, inclusive por meio de discursos sobre possíveis consequências econômicas de determinado resultado eleitoral. O comportamental inclui práticas como participação compulsória em reuniões, atos, carreatas, passeatas e panfletagens. Por fim, o econômico relaciona a escolha política a ameaças, perdas ou concessão de vantagens financeiras.

Segundo o estudo, as categorias não são excludentes. Uma mesma situação pode combinar diferentes formas de pressão. “Os meios digitais têm exercido forte protagonismo nas formas contemporâneas de assédio eleitoral”, afirma o estudo.

ANÁLISES –  A pesquisa também analisou 59 sentenças de primeiro grau. Em 18 delas, os pedidos de reconhecimento de assédio eleitoral foram julgados procedentes; em 41, foram rejeitados. Nas 41 sentenças de improcedência, referências à fragilidade da prova apareceram em 31, o equivalente a 75,6%. Considerando todas as 59 sentenças, a fragilidade probatória foi mencionada em 31 decisões, ou 52,5%.

O estudo aponta que não existe um único tipo de prova indispensável para reconhecer o assédio eleitoral. Entre os elementos considerados pelos magistrados estavam depoimentos de testemunhas, documentos, registros digitais, áudios, atas notariais, confissões e provas emprestadas de investigações realizadas por outros órgãos.

A prova digital aparece também entre os elementos considerados em decisões favoráveis. Em um dos processos analisados, por exemplo, mensagens de WhatsApp foram avaliadas junto com uma ata notarial e uma confissão do sócio demandado.

DIFICULDADES – Nos julgamentos que rejeitaram os pedidos, o estudo identifica dificuldades relacionadas especialmente à prova oral. Depoimentos contraditórios, vacilantes ou baseados em informações de terceiros reduziram sua força demonstrativa.

A pesquisa também aponta que o caráter pouco ostensivo de algumas práticas e o receio de consequências para o vínculo de trabalho podem dificultar a obtenção de testemunhos consistentes.

MODALIDADES –  A pesquisa também identificou quatro modalidades segundo os agentes envolvidos: vertical, horizontal, mista e institucional. A modalidade vertical ocorre em relações de poder ou ascendência, como entre empregadores, gestores e trabalhadores. A horizontal envolve pessoas no mesmo nível hierárquico, enquanto a mista combina pressão de superiores e colegas.

O assédio institucional, por sua vez, é definido pela pesquisa como aquele em que a coerção política passa a integrar práticas ou estratégias da própria organização. Quanto aos trabalhadores atingidos, o estudo diferencia situações individuais e metaindividuais, quando a conduta alcança grupos ou coletividades.

Também há uma classificação temporal entre assédio episódico, concentrado em determinado período ou acontecimento, e permanente, quando a prática se prolonga ou se incorpora às relações e práticas organizacionais.

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