Moraes pauta para 7 de novembro o julgamento da denúncia contra Tagliaferro

Piada do Ano! O Globo elogia Milei como um “exemplo para o Brasil”

Presidente da Argentina, Javier Milei, discursa em Buenos Aires após vitória de seu partido nas eleições legislativas de meio de mandato

O Globo elogia Milei, porém jamais critica Lula da Silva

Deu na TimeLine

Até o jornal O Globo publicou editorial defendendo os ajustes fiscais tocados por Javier Milei. O título é: “Voto de confiança em Milei é recado para toda a América Latina”. O subtítulo: “Apoio ao programa de ajuste fiscal mostra eleitor consciente de que déficit não deve ser tratado com leniência”.

Logo no início, o texto diz o seguinte: “A Argentina não pode desperdiçar a oportunidade que seus eleitores deram ao presidente Javier Milei nas eleições do último domingo”.

VOTO DE CONFIANÇA – “O resultado foi um voto de confiança renovado no programa de ajuste fiscal — ambicioso e doloroso, mas necessário — de Milei”, diz o editorial, acrescentando:

“Seu êxito não apenas encerraria a sucessão de ciclos da incúria fiscal que amaldiçoa os argentinos, mas também serviria de exemplo a toda a América Latina, em especial ao Brasil, onde déficits públicos têm sido tratados com leniência, alimentando o endividamento de modo irresponsável e pondo em risco qualquer perspectiva de crescimento sustentado e desenvolvimento duradouro”.

Neste editorial, O Globo, que tanto apoia o presidente Lula da Silva, esqueceu de destacar que déficit e dívida pública são justamente as principais marcas do governo brasileiro.

LULA DESCONTROLADO – Os editores da família Marinho esqueceram que o governo Lula terá gastos de pelo menos R$ 399 bilhões acima dos limites legais de 2023 a 2026. A conta inclui tudo o que ficou fora da conta do teto de gastos em 2023 e do marco fiscal em 2024 e 2025. Também considera o que já está contratado ou prestes a ser liberado para ser gasto a mais em 2026.

Houve licença especial do Congresso para acomodar gastos em 2023, na chamada PEC fura-teto. Depois, no ano seguinte, foi aprovado o novo marco fiscal. O estouro do teto ficou em R$ 31,8 bilhões. Mas chegará a R$ 47 bilhões em 2025. E subirá mais, para R$ 67 bilhões, em 2026.

O governo Lula também  retirará R$ 208,4 bilhões das regras fiscais se desconsiderados os precatórios (sentenças judiciais) de 2023 a 2026. A PEC fura-teto representa 69,6% deste valor.

DÍVIDA ASSUSTA – A dívida bruta do governo estava em 75,3% do PIB em dezembro de 2018, no último mês do governo Michel Temer. Houve aumento na pandemia, mas depois baixou.

Encerrou 2022 a 71,7% do PIB. Agora, está em 77,5% do PIB (com dados de agosto, os últimos disponíveis).

O resultado dessa deterioração é que a confiança dos investidores diminui, e eles exigem juros mais altos dos papéis do governo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGCom a grana do governo irrigando os cofres dos irmãos Marinho, os jornalistas da organização Globo são obrigados a fazer contorcionismos para elogiar Mieli sem criticar Lula, pois cada um é o avesso do outro. Nesse contexto, o editorial elogiando Milei vira Piada do Ano. (C.N.)

Trump arma ofensiva diplomática na Ásia e tenta equilibrar poder entre China e América Latina

Trump tem em sua agenda um encontro decisivo com Xi Jinping

Pedro do Coutto

Após o encontro cordial com o presidente Lula da Silva na Malásia, Donald Trump segue ampliando sua estratégia global de reaproximação comercial. O presidente norte-americano tem agora em sua agenda um encontro decisivo com Xi Jinping, na China, onde pretende firmar acordos que possam redefinir a balança de poder econômico entre Washington e Pequim.

Segundo fontes diplomáticas, Trump oferecerá isenções tarifárias a países do Sudeste Asiático — entre eles Tailândia, Vietnã, Camboja e a própria Malásia — numa clara tentativa de reforçar a presença dos Estados Unidos na região e conter a influência crescente da China sobre seus vizinhos.

“NEGOCIADOR GLOBAL” – O movimento é típico do estilo político de Trump: pragmático, transacional e fortemente voltado à imagem de “negociador global”. A visita à Ásia acontece em meio a uma série de reviravoltas na política comercial americana, que nos últimos meses impôs e agora revisa tarifas com objetivos de pressão diplomática.

A nova rodada de viagens presidenciais tem um duplo propósito — reposicionar os Estados Unidos como centro das cadeias produtivas globais e reconstruir pontes com parceiros estratégicos afetados por medidas protecionistas anteriores.

A China, por sua vez, teria aceitado um acordo parcial envolvendo o mercado da soja, um dos pontos de maior atrito entre as duas potências. Para Trump, a concessão chinesa representa uma vitória simbólica: ela sinaliza que Pequim está disposta a flexibilizar barreiras em troca de estabilidade e previsibilidade no comércio bilateral. Esse gesto também tem impacto direto sobre o Brasil, já que o país é um dos maiores exportadores de soja para o mercado chinês e pode ver o equilíbrio global desse setor se modificar.

APROXIMAÇÕES – A ofensiva asiática de Trump é parte de um jogo mais amplo de aproximações simultâneas. Ao estender a mão a Lula da Silva e acenar positivamente à China, o presidente norte-americano tenta redesenhar um mapa de alianças comerciais que combine política de resultados com pragmatismo geoeconômico.

Em um contexto global de tensões e disputas, Trump aposta em sua capacidade de negociar com todos os lados, mesmo com líderes ideologicamente opostos, para consolidar um novo eixo de influência baseado em vantagens econômicas e parcerias seletivas.

OPORTUNIDADE – Para o Brasil, esse novo tabuleiro representa tanto uma oportunidade quanto um desafio. Se Lula souber aproveitar o canal de diálogo aberto na Malásia, poderá garantir espaço para o país em futuras negociações multilaterais e até equilibrar sua posição entre Washington e Pequim.

O fato é que Trump, em seu retorno ao centro do poder mundial, parece disposto a usar a diplomacia econômica como principal arma para reposicionar os Estados Unidos. E cada gesto seu, da América Latina à Ásia, tem o potencial de redefinir a dinâmica comercial global nas próximas décadas.

Bolsonarismo cobra Tarcísio por omissão diante de Trump e teme avanço diplomático de Lula

Tarcísio não demonstrou interesse em atuar nessa frente

Bela Megale
O Globo

Aliados de Jair Bolsonaro passaram a criticar Tarcísio de Freitas por não atuar na construção de uma relação direta com a gestão Donald Trump. Há algumas semanas, o governador foi aconselhado a buscar contato com o presidente dos Estados Unidos por meio de empresários que teriam trânsito junto ao governo americano.

Segundo aliados do ex-presidente, Tarcísio não demonstrou interesse em atuar nessa frente e sinalizou que sua prioridade é cuidar dos temas ligados ao estado de São Paulo. A possibilidade de entrar em rota de colisão com Eduardo Bolsonaro (PL-SP) também não teria animado o governador, segundo pessoas próximas à família do capitão reformado.

“VENCEDORES” – A leitura dos bolsonaristas é que a esquerda e Lula saem “vencedores” com a crescente aproximação e troca de acenos entre Lula e Trump — por mais que o discurso público do grupo, especialmente do clã Bolsonaro, siga em direção oposta.

A avaliação é que Tarcísio poderia fazer uma espécie de contraponto a Lula se conseguisse abrir um canal direto com a gestão Trump. Para os bolsonaristas, se o governador pretende se cacifar como opção para disputar a Presidência contra o petista em 2026, será necessário atuar nesse segmento internacional. Tarcísio, no entanto, segue afirmando que seu plano é concorrer à reeleição ao governo de São Paulo.

Crise no Rio força reunião de emergência: governo transfere presos e envia ministros ao estado

Pesquisas que já indicam “vitória” de Lula são grotescamente manipuladas

Charge do Newton Silva (Arquivo Google)

Carlos Newton

Em meio ao festival de pesquisas anunciando não somente que Lula recuperou sua antiga popularidade, mas também que a maioria dos brasileiros aprova sua maneira de governar e que a reeleição dele já é considerada certa, acaba de ser discretamente divulgada uma pesquisa que aponta justamente o contrário.

Esse levantamento foi feito pelo Ibespe, instituto criado pelos especialistas do antigo Ibope, que passou a funcionar dedicado apenas à audiência das TVs abertas, com base naqueles aparelhinhos plugados em receptores de TV, que ninguém sabe onde estão instalados, é um segredo maior do que a morte de Odete Roitman ou o assassinato de Marielle Franco.

GOVERNO SABIA… – O fato concreto é que a maioria dos brasileiros acredita que o esquema fraudulento de descontos em aposentadorias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi feito com conhecimento do governo do presidente Lula da Silva. O levantamento mostra que 53,1% dizem que há envolvimento do governo petista, enquanto 31% discordam. E 16% não sabem ou não responderam.

De acordo com a pesquisa Ibespe, a maioria aumenta entre os que não votaram nem em Lula (PT) nem no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nesse segmento que busca a terceira via, 55,1% acreditam que o governo Lula tem relação com os desvios, enquanto 20,3% pensam o oposto, e 24,6% não sabem ou não responderam.

Entre os evangélicos, que é o novo alvo eleitoral de Lula, a maioria aumenta bem mais, pois 66,2% acreditam que o governo petista tem envolvimento no esquema, e apenas 18,7% deles não creem nisso. Não sabem ou não responderam, dentro desse segmento, 15%.

ALTA AUDIÊNCIA – Os entrevistados também responderam se acompanham ou não a CPI do INSS, no Congresso Nacional. Segundo a pesquisa, 55% deles afirmam que estão. Já 41% dizem que não, e 3,2% não sabem ou não responderam.

No Estadão, reportagem de Levy Teles e Vinicius Valfré mostra que, devido à alta audiência, os integrantes da CPI do INSS usam os trabalhos para turbinar suas redes sociais e ganhar seguidores.

A pesquisa ouviu 1.012 pessoas entre os dias 1.º e 4 de outubro. A amostra tem margem de erro de 3,1 pontos porcentuais para cima ou para baixo.

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P.S. –
Ora, se 53,1% dos eleitores dizem que há envolvimento do governo petista no escândalo do INSS, enquanto somente 31% discordam, como explicar esse festival de pesquisas que indicam vitória de Lula em 2026. Como dizia o macaco que trabalhava no programa “O Planeta dos Homens”, eu só queria entender… Bem, a única explicação que resta é o dinheirão que o governo e o PT estão injetando nos institutos de pesquisa. Como dizia a intelectual Dilma Rousseff, “a gente faz o diabo para ganhar eleição”. (C.N.)

Lei da Menoridade Penal é um escracho num país como o Brasil

Aiden Fucci confessou o crime em fevereiro deste ano

Aiden, que deu 112 facadas na colega, confessou o crime

Vicente Limongi Netto

A sociedade brada, com indignação e revolta. Passou da hora de trocar o verbo apreender pelo verbo prender. Menores de 16 anos, segundo a lei, estão aptos para votar. Ao mesmo tempo, menores de 16 anos, chegando a 12 e até 10 anos, seguem livres, matando, roubando e sequestrando.

Não são presos, apenas apreendidos. Por isso, são frios. Jamais mostram arrependimento, pois sabem que logo estarão soltos.

PRISÃO PERPÉTUA – Nos Estados Unidos, há pouco tempo, Aiden Fucci, um menor de 16 anos, foi condenado a prisão perpétua, porque matou uma colega de escola quando tinha 14 anos e ela apenas 12 anos. Sem direito a infames saidinhas ou agravos.

O Brasil precisa também de leis duras, severas, justas, para menores bandidos e assassinos. Matam para roubar celular, mochila ou bicicleta.

Agora, em Brasília, a justiça (Eu disse justiça? Perdão, foi mal) soltou um menor que participou do assassinato de uma jovem, em que esquartejaram o corpo da vítima.

MAIS SEVERIDADE – Justiça infame é isso. Menores destroem famílias e continuarão impunes, assassinando sem dó e piedade, homens, mulheres, idosos e jovens da idade deles.

Deputados e senadores precisam tratar do tema com severidade. Alterando a idade penal. O pleito é de interesse público.

Não é possível, será triste e lamentável que só tomem providências quando um conhecido ou membro da família for vítima dos monstros menores de idade.

A lógica por trás da migração e do isolamento de Luiz Fux no Supremo

PL cogita Cleitinho para o governo de Minas e amplia racha com Eduardo Bolsonaro

Cleitinho disse que Eduardo perderia para Lula em 2026

Bela Megale
O Globo

Alvo de críticas de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) é tratado como uma das principais opções do PL para concorrer ao governo de Minas Gerais no ano que vem. Neste mês, o parlamentar chegou a conversar com o presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, sobre o tema.

Segundo correligionários do PL, Cleitinho queria saber se o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) pretende disputar o governo de Minas em 2026. O senador tem deixado claro que, caso Nikolas se candidate, ele não pretende entrar na disputa.

REELEIÇÃO – No PL, a avaliação é que o melhor caminho para Nikolas — e para a própria legenda — seria disputar a reeleição como deputado federal. Reservadamente, Valdemar e lideranças do partido no Congresso avaliam que o deputado mineiro exerce um papel importante como oposição na Câmara e apontam que um eventual mandato mal conduzido como governador de Minas poderia prejudicar a carreira política de Nikolas, que ainda é jovem, com apenas 29 anos.

A chance de o PL apoiar a candidatura de Cleitinho ao governo do estado é grande, caso Nikolas decida ficar de fora da corrida pelo Palácio da Liberdade. Se esse caminho se consolidar, o partido deverá enfrentar mais um embate com Eduardo Bolsonaro.

CONFRONTO – Após Cleitinho afirmar que o filho de Jair Bolsonaro perderia para Lula em 2026 e se posicionar contra a candidatura do deputado à Presidência, por ele estar nos Estados Unidos, considerando a hipótese “imprudente”, Eduardo reagiu. Na sexta-feira (24), o filho do ex-presidente escreveu no X que “imprudente foi darmos a vaga do Senado para você”, em referência a Cleitinho.

“Mas muitos dos nossos erros iremos corrigir”, acrescentou. O comentário, no entanto, também veio após o senador ter declarado que “pagou pela gratidão” ao ex-presidente Jair Bolsonaro ao apoiá-lo em 2022.

Caos no Rio, com uma megaoperação policial que já causou 64 mortos

Rio vive cenário de guerra: CV lança bombas por drone; operação tem ao menos 20 mortos - Portal Nosso Dia

Acossado, o CV respondeu utilizando drones com bombas

 

Carlos Newton

O governador Cláudio Castro admite que Estado teve ultrapassada sua capacidade de combater o crime e lamentou que pedidos de blindados das Forças Armadas foram negados. Mas integrantes do governo Lula rebatem Castro e negam que pedidos de colaboração tenham sido rejeitados

Os criminosos do Comando Vermelho usaram drones para lançar bombas durante a megaoperação. Entre mortos e feridos há pessoas inocentes, atingidas nos confrontos.

RIO PARADO – Em consequência da investida policial contra o Comando Vermelho, vias importantes tiveram interdições intermitentes, e transportes sofrem alterações

O Aeroporto Internacional do Galeão, na Zona Norte do Rio, segue funcionando normalmente, mas há interdições provocadas por criminosos nas vias de acesso ao terminal. Quem desembarca na cidade tem medo de deixar o aeroporto.

A microempresária Patrícia Nogueira, que voltava de férias com o marido e o filho de 4 anos em um voo de Curitiba, desembarcou no Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão) por volta das 14h30 e decidiu permanecer no terminal, sem condições de se deslocar.

PARA ONDE? – “Chegaram a me oferecer um táxi, mas vou pegar um táxi para onde?” — questionou Patrícia, moradora da Zona Sudeste, entrevistada pelo O Globo.

Ela relatou que, após esperar com a família na praça de alimentação, tentou se hospedar no hotel do aeroporto, mas o local já estava lotado por outros passageiros que também optaram por aguardar no próprio terminal até que a situação nas ruas fosse normalizada.

A Polícia Civil atualizou há pouco os principais números da megaoperação realizada no Complexo do Alemão e na Pena, na Zona Norte do Rio. Há informações de que ainda há confrontos em uma zona de mata da região.

DELEGADO MORTO – Até o final da tarde, foram registradas 64 mortes (de pessoas tratadas como suspeitas pela polícia), sendo 4 delas de policiais. Entre os mortos está um delegado. Há também 9 policiais feridos.

Foram apreendidos 75 fuzis com criminosos. Houve também 81 prisões.

Com poucos ônibus rodando no Rio, após as repercussões da megaoperação policial no Alemão, por conta de bloqueios em várias partes da cidade, quem busca transporte rodoviário no Centro tem dificuldades.

SEM CONDUÇÃO – Em frente ao terminal da Presidente Vargas, centenas de pessoas aguardam. Uma delas é a auxiliar administrativo Flávia Melo, se 47 anos. Ela conta estar no ponto desde às 16h aguardando um ônibus para Del Castilho, na Zona Norte. Flávia disse que o trem e o metrô, que seriam uma opção, estão cheios. Ela pensou na moto de aplicativo, mas os preços dinâmicos dispararam com a alta demanda.

— Tentei o trem e o metrô, mas tá muito cheio. O carro e a moto de aplicativo estão com valores altos. Uma corrida tá dando R$ 53. O jeito é esperar o ônibus. Costumo pegar as linhas 298, 292 ou 302, mas não passou nenhum desde às 16h. Estou há 40 minutos aqui — afirmou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– As informações são de O Globo, que revelam uma guerra civil, não declarada. Durante décadas, as autoridades deixaram o crime crescer, com a cumplicidade da Justiça, inclusive do Supremo, basta lembrar a soltura de André do Rap, um dos líderes do PCC, que está foragido há cinco anos. Agora, é preciso enfrentar as facções e milícias, mas ninguém sabe o que fazer. Brizola e Darcy Ribeiro construíram escolas. Os demais preferiram erguer presídios… (C.N.)

Eduardo Bolsonaro perde fôlego nas redes: discurso mostra sinais de esgotamento

O ainda deputado federal fica a cada dia mais isolado

Valdo Cruz
G1

A postagem do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) minimizando o encontro entre os presidentes Lula e Donald Trump, dos Estados Unidos, teve baixo engajamento — sendo que, a maior parte das reações foi negativa, 62,8%.

Monitoramento realizado pela Ativaweb nesta segunda-feira (27) nas principais redes sociais, Instagram, Facebook, X e Tik Tok, mostra que o conteúdo de engajamento caiu em relação à média anteriormente registrada em publicações do deputado. Neste caso, a taxa de engajamento ficou em 0,49%. Índice inferior à média histórica do perfil, que oscilava entre 0,8% e 1,2%.

QUEDA PROGRESSIVA – Segundo o diretor da Ativaweb, Alek Maracajá, o conteúdo mostra queda progressiva no engajamento e redução da capacidade de viralização, sinalizando fadiga de discurso e desconexão com o público. Isso mostra, segundo ele, que o deputado Eduardo Bolsonaro fala basicamente para seu público, não conseguindo nem mais gerar grandes ondas e sensibilizar o eleitorado moderado.

“Eduardo Bolsonaro fala hoje apenas para os convertidos. Seu discurso já não mobiliza, apenas ecoa dentro de um corredor ideológico. Enquanto o mundo fala em diplomacia e reaproximação, ele insiste em transformar fatos políticos em guerra cultural”, afirmou Maracajá.

REAÇÕES –  Ainda no domingo (26), depois do encontro, políticos usaram as redes sociais para se manifestar sobre a primeira reunião presencial entre Lula e Trump. Os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmaram nas redes sociais que o encontro é muito positivo. Ministros do governo Lula também celebraram o encontro.

Críticos do governo, Eduardo Bolsonaro e Carlos Bolsonaro se manifestaram contra a reunião. Assim como o deputado federal Alexandre Ramagem, condenado pela trama golpista. Vale lembrar que apesar da sinalização positiva de Trump em discursos à imprensa, nenhum acordo foi firmado sobre a retirada das tarifas ou de sanções a autoridades brasileiras até esta terça-feira (28).

Bolsonaro busca brecha no STF e tenta evitar prisão definitiva por trama golpista

Julgamento dos pedidos deve ocorrer dos dias 7 a 14 de novembro

Daniel Gullino
Sarah Teófilo
O Globo

Após a condenação a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tenta reverter a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) com uma nova rodada de recursos. O julgamento dos pedidos deve ocorrer dos dias 7 a 14 de novembro, a pedido do ministro relator do caso, Alexandre de Moraes. Cabe ao ministro Flávio Dino, presidente da Primeira Turma, confirmar as datas.

Enquanto aguarda o resultado, Bolsonaro segue em prisão domiciliar — medida relacionada a outro inquérito, sobre suposta tentativa de coação ao Judiciário. Abaixo, veja ponto a ponto o que acontece agora no processo da trama golpista, e quais são as chances reais de o ex-presidente ser preso de forma definitiva.

EMBARGOS –  Foram apresentados os chamados embargos de declaração, utilizados para esclarecer dúvidas, omissões ou contradições de uma sentença. Em geral, os embargos de declaração não alteram o resultado central de um julgamento, apenas aspectos secundários.

Além de Bolsonaro, foram condenados por integrar o chamado “núcleo crucial” da trama golpista o deputado federal Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin); o almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; o ex-ministro da Justiça Anderson Torres; o ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional Augusto Heleno; o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira; o ex-ministro da Casa Civil e da Defesa Walter Braga Netto; e o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. Cid foi o único que não recorreu. Ele conseguiu manter os benefícios da delação premiada e foi condenado a apenas dois anos de prisão em regime aberto.

DATAS DO JULGTAMENTO –  Depois da apresentação dos recursos, cabe ao relator, ministro Alexandre de Moraes, solicitar uma data para o julgamento. O ministro vai pedir as datas do dia 7 a 14 de novembro. O presidente da turma, Flávio Dino, é o responsável por confirmar o dia.

Pelo rito considerado normal por integrantes da Corte, após os embargos de declaração, os réus ainda têm direito a apresentar um segundo embargo do mesmo tipo. Somente então, no caso de rejeição dos pedidos, Bolsonaro poderá começar a cumprir pena.

COAÇÃO –  Hoje, o ex-presidente já está em prisão domiciliar, mas a medida está relacionada a outro caso: a investigação sobre a ação de seu filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para coagir a Justiça brasileira a partir da articulação de sanções editadas pelo governo de Donald Trump.

No caso da condenação na trama, Moraes decidirá se Bolsonaro cumprirá a pena em casa ou em outro lugar. Algumas hipóteses são uma unidade militar ou um prédio da Polícia Federal (PF). A defesa pode pedir o cumprimento em domicílio, alegando os recorrentes problemas de saúde.

Além dos embargos de declaração, as defesas devem recorrer aos embargos infringentes. O entendimento do STF, no entanto, é que esse segundo tipo de recurso só é válido contra uma decisão da turma se houver dois votos pela absolvição. No caso de Bolsonaro e da maioria dos réus, só houve um, o do ministro Luiz Fux.

Proteja-se! O aumento da insanidade mental na vida moderna não tem cura

A ilustração de Ricardo Cammarota foi executada em técnica manual, com pincel e tinta nanquim aguado sobre papel. A composição mostra cinco perfis humanos estilizados em preto, cinza e tons intermediários, com contornos irregulares que lembram manchas ou recortes. Todos os rostos têm um ponto branco no lugar do olho, criando contraste intenso com o fundo branco. Os perfis variam de tamanho: dois grandes em destaque ocupam as laterais esquerda e direita, voltados um para o outro, enquanto três menores aparecem distribuídos ao fundo, sugerindo diferentes presenças ou vozes em diálogo.

Ilustração de Ricardo Cammarotta

Luiz Felipe Pondé
Folha

Com a superficialidade que caracteriza a modernidade no seu estágio avançado no século 21, é óbvio que temas como a saúde mental também se transformariam em superficialidade e mercado, dois substantivos que caminham lado a lado como gêmeos siameses.

Quando a saúde mental se torna efeméride jornalística e commodity de mercado como hoje, a tendência é lidar com ela como oportunidade de negócio, logo, como contencioso jurídico.

GRANDES CIDADES – Autores como Georg Simmel (1858-1918) já escreveram sobre “O Impacto das Cidades Grandes no Espírito” —título do seu artigo publicado em 1904. Simmel, entre todos os fundadores da sociologia —Durkheim, Marx, Weber e, ele mesmo, Simmel—, é, sem dúvida, o mais sutil e sofisticado no tratamento dos seus objetos. Seu método de escrita ensaística será caracterizado por Adorno como “pensar com o lápis”.

A vida do espírito sempre teve como característica sobreviver ao meio circundante. Desde sempre, a natureza e seus elementos exigiram do espírito humano a capacidade de resistir às diversas formas de “agressão”.

Não será diferente quando os seres humanos passarem a viver em grandes cidades industriais. É deste lugar que parte a análise de Simmel acerca da vida do espírito na modernidade e seu caráter urbano em larga escala.

VIDA NERVOSA – Para nosso sociólogo sutil, o que marca a vida psicológica nas grandes cidades é “a intensificação da vida nervosa”. A aceleração das mudanças faz mal a alma. Tanto a vida interior quanto a exterior é exposta à necessidade de estabelecer discernimentos —que é parte essencial da vida do espírito— cada vez mais em maior intensidade.

Aceleração e intensidade marcam a qualidade das exigências modernas ao espírito, em si pré-histórico, dos seres humanos. À semelhança do seu contemporâneo, o metafísico francês Henri Bergson, Simmel entendia que a vida psíquica tem dois níveis de realidade. Uma profunda, interior, outra superficial, exterior, esta propriamente sendo o entendimento que lida com as mudanças da realidade do mundo.

Diferentemente de Bergson, Simmel, em sendo sociólogo, vincula esta vida psíquica exterior a elementos concretos da realidade social. Enquanto o “eu superficial” responde às demandas da vida exterior, o “eu interior” mergulha na profundidade que tende a temporalidade lenta.

VIDA RURAL – A geografia e a temporalidade da vida rural fazem poucas demandas ao entendimento —espírito voltado ao exterior— e se acomodam à lentidão do espírito voltado ao interior.

Quando o homem passa a habitar as grandes cidades, com sua aceleração e aumento de intensidade das transformações externas, o espírito interior se faz um tanto apátrida, sem lugar, enquanto o exterior é obrigado a trabalhar cada vez mais. Esse processo é a “intensificação da vida nervosa”, porta de entrada do adoecimento moderno da alma. Como é decorrente da dinâmica social, não tem cura.

Por sua vez, essa “vida nervosa” é equivalente, na linguagem de Simmel, ao aumento das demandas à consciência —dimensão do espírito essencialmente voltada ao mundo exterior. Se no campo a vida passava através de mudanças e nuances insignificantes, quase imperceptíveis, nas grandes cidades, essas mudanças se intensificam gerando um aumento gigantesco da atividade consciente, causando a “vida nervosa”.

MAIS SOFRIMENTO – Mais consciência, mais sofrimento subjetivo e inquietação. A sociologia aqui explica o aumento da submissão da vida do espírito à vida da consciência, por sua vez, submetida à violência da velocidade das rupturas modernas, rupturas essas não só no sentido grandioso da história, mas também no cotidiano individual minutal.

A coisa não para aí. Para Simmel, a vida do entendimento ou da consciência voltada ao mundo exterior das mudanças aceleradas — no caso das grandes cidades modernas — é a dimensão mais distante da vida interior profunda, esta mais consistente com a singularidade da personalidade individual.

Quanto mais exigências de atenção consciente, mais afastamento da personalidade, gerando de forma mais clara ainda, a “intensificação da vida nervosa” como psicopatologia.

SEM CURA – O entendimento —aqui sinônimo de consciência— tem vocação ao impessoal, “as decisões objetivas da lógica monetária”, numa palavra, ao dinheiro, e, por isso mesmo, fere a personalidade profunda, afeita à singularidade da “pouca consciência” cotidiana, vinculada à vida mais inconsciente e encaixada na lentidão da “longue durée” —longa duração— do historiador francês Braudel.

Portanto, o problema é “mais embaixo” do que a maldição dos celulares. O aumento da insanidade mental na modernidade não tem cura.

No braço de sua viola, Rolando Boldrin contava os “causos” de amor

Rolando Boldrin, ator, cantor, compositor e apresentador, morre em SP aos  86 anos

Rolando Boldrin era o ídolo dos violeiros

Paulo Peres
Poemas & Canções

O ator, cantor, poeta, contador de causos, radialista, apresentador de televisão e compositor paulista Rolando Boldrin (1936/2022), na letra de “Amor De Violeiro”, expressava os sentimentos humanos na visão simples de um homem do interior. Esta música foi gravada pelo próprio Rolando Boldrin no LP O Cantadô, em 1974, pela Continental.

AMOR DE VIOLEIRO
Rolando Boldrin

No braço de uma viola
Eu faço meu cativeiro
Eu choro, a dor me consola
E doa a quem doa, parceiro

Eu vim de um mundo levado
Misturado por inteiro
Fez o amor mais procurado
Que moeda, que dinheiro

Vejo a vela que se apaga
Vejo a luz, vejo o cruzeiro
Vejo a dor, vejo a vontade
Do amor de um violeiro

No braço de uma viola
Verdade seja bem-vinda
Que acabe o choro, que seja
O amor a coisa mais linda

Eu sou de agora e de sempre
Cantador de mundo afora
Padeço se estou contente
Me dói a dor de quem chora

Por isso eu sou violeiro
E num braço de uma viola
Quem quiser me abrace forte
Ou eu abraço primeiro

Sinto a vida, sinto a morte
Do amor de um violeiro
Salve a vida, salve a morte
Salve a hora de eu cantar

Deus me deu tamanha sorte
Não sair do meu lugar
No braço de uma viola
Eu faço meu cativeiro

Saída de Zambelli é alegar que estava sendo vítima de “perseguição política”

Centrão desafia o Planalto, mas Lula mantém força com medidas de apelo popular

Lula e Trump abrem nova frente diplomática para encerrar guerra tarifária

Governo Lula pagou$ 12 milhões ilegais à uma empresa de Sidônio 

Ficheiro:28.08.2024 - Lançamento do livro “Brasil da Esperança - O Marketing Nas Eleições Mais Importantes do País”, do marqueteiro Sidônio Palmeira (53954931766).jpg – Wikipédia, a enciclopédia livre

Sidônio fatura com Lula por dentro, por fora e pelos lados

Aguirre Talento e Gustavo Côrtes
Estadão

A empresa de um sócio do ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, recebeu R$ 12 milhões da execução de contratos de publicidade de duas estatais do governo Lula nos últimos dois anos, a Caixa Econômica Federal e a Embratur.

Procurado, o ministro disse que não interferiu em favor das contratações e que se afastou da gestão de suas empresas após assumir o cargo público.

MACACO GORDO – Os pagamentos foram feitos para a produtora Macaco Gordo, que pertence ao empresário Francisco Kertész, sócio de Sidônio em uma outra empresa: a M4 Comunicação e Propaganda — que depois mudou de nome para Nordx.

A M4 foi aberta no ano de 2022 para trabalhar na campanha eleitoral de Lula e, atualmente, sob o nome de Nordx, presta serviços para o diretório nacional do PT. Questionado, o empresário disse que a produtora foi escolhida em processos de concorrência por “adequação técnica” e pela oferta de menor preço.

Chico Kertész, como é conhecido, atualmente é sócio-administrador da agência Nordx. Sidônio ainda integra o quadro societário. Por ser ministro, porém, ele não pode mais ser sócio-administrador da empresa, função que também exercia quando a agência foi aberta.

LIGAÇÃO COM PT – A relação comercial entre Chico e Sidônio é anterior a essa empresa. A produtora Macaco Gordo presta serviços há diversos anos para a agência de publicidade de Sidônio, a Leiaute, na execução dos contratos de publicidade do governo petista da Bahia, mas não trabalhava para o governo federal.

Com a vitória de Lula na disputa à Presidência da República, Sidônio passou a ser consultado em assuntos vinculados à imagem do governo. Em maio de 2024, por exemplo, quando o governo lançou campanha “Fé no Brasil”, Sidônio recebeu crédito de idealizador. Em janeiro deste ano, foi nomeado para a Secom da Presidência da República.

Chico também passou a frequentar eventos políticos em Brasília. Em 2025, com Sidônio já no posto de ministro, o dono da Macaco Gordo fez 13 visitas ao Palácio do Planalto entre janeiro e junho. Todas para se encontrar com Sidônio. Ao Estadão, Chico disse que os encontros foram “de cunho pessoal, sem que jamais tenha sido tratado das atividades da Macaco Gordo”.

RÁDIO EM SALVADOR – Ele também é dono de uma rádio em Salvador, que tem uma linha de cobertura elogiosa a Lula e é ancorada por seu pai, o ex-prefeito de Salvador Mário Kertész.

No caso da Caixa, os pagamentos se intensificaram em 2025, após Sidônio ter se tornado ministro. A produtora do seu sócio foi a que recebeu os maiores valores para executar as peças publicitárias da estatal neste ano, em um total de R$ 4,3 milhões. Procurada, a Caixa diz que as contratações seguiram as normas legais.

Os pagamentos das estatais ao sócio de Sidônio ocorrem de forma indireta. Assim como outros órgãos públicos, a Caixa e a Embratur mantêm contratos com agências responsáveis por criar campanhas publicitárias sob demanda, que foram contratadas por meio de licitação.

PAGANDO POR FORA – Quando esses serviços são executados, as agências subcontratam produtoras de vídeo, mas sem um processo licitatório formal. A partir de 2024, a Macaco Gordo foi contratada para produzir oito campanhas – seis delas do banco estatal e duas da empresa de turismo.

O órgão público não transfere o dinheiro diretamente para a produtora. Os valores são pagos às agências de publicidade, que ficam com o lucro correspondente e repassam parte dos recursos para as produtoras. Por isso, essas produtoras não aparecem nos portais do governo federal como empresas contratadas.

Não existe exigência de licitação para contratar essas produtoras. A agência de publicidade, porém, precisa fazer uma cotação de preços no mercado com no mínimo três diferentes propostas para justificar a contratação da mais barata.

LIBEROU GERAL – Mesmo assim, nem sempre a regra dos orçamentos é cumprida. Os documentos obtidos pelo Estadão mostram que o maior pagamento recebido pela Macaco Gordo, para realizar uma campanha sobre renegociação de dívidas atrasadas para a Caixa, no valor de R$ 2,3 milhões, teve um aditamento com a dispensa na pesquisa de preços. A contratação foi em 2025.

A agência Calia, responsável pela campanha, fez uma cotação para produzir filmes publicitários de 30 segundos. A Macaco Gordo arrematou o serviço com uma proposta de R$ 1,6 milhão. Em seguida, a agência complementou o serviço contratado da Macaco Gordo e pediu a produção de outros filmes, que acrescentaram R$ 687 mil ao custo do contrato.

No governo da Bahia, o Tribunal de Contas já apontou suspeitas de irregularidades no processo de escolha da Macaco Gordo para executar serviços da Leaiute, a agência de publicidade de Sidônio.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O governo federal jamais poderia contratar uma empresa que tem um ministro como sócio e ex-administrador. Mas essa gente tem um apetite por recursos públicos que chega a ser vicioso, como confessou Sérgio Cabral.  É tudo crime, pois envolve peculato e corrupção, mas não haverá punição, porque o PT tem licença para roubar, digamos assim. (C.N.)

No Brasil, até as elites militares se tornam exploradoras do povo

Generais na bolha do 1% mais rico do Brasil, e o soldado de salário mínimo — Como a hierarquia foi se tornando desigualdade

Charge reproduzida da Sociedade Militar

JB Reis
Sociedade Militar

As Forças Armadas brasileiras enfrentam uma crise silenciosa que transcende as questões mediatas de defesa nacional e que se mostra como um crise emergente: a crescente disparidade salarial dentro de suas fileiras.

Enquanto um general de Exército pode receber até 27 vezes mais do que um soldado, militares da reserva – majoritariamente praças – convivem com reduções em seus proventos e perda de poder aquisitivo.

CONTRADIÇÕES – Essa realidade expõe as contradições marcantes numa instituição que se baseia nos princípios de hierarquia e disciplina, mas que tem ao longo das últimas décadas tem visto essa mesma hierarquia transformar-se em motivo de desigualdade sistêmica.

Durante o regime militar, o salário mínimo perdeu mais de 50% de seu valor real, política que se refletiu na remuneração dos escalões médios e inferiores das Forças Armadas. Paradoxalmente, enquanto os militares implementavam o arrocho salarial para a sociedade civil, criavam-se as bases para futuras distorções internas na carreira militar.

Durante o período, a contenção dos salários foi uma das principais estratégias para combater a inflação, afetando não apenas os trabalhadores civis, mas também os próprios militares, principalmente aqueles de posição hierárquica mais inferiores, isto é, os suboficiais, sargentos, cabos e soldados.

PRIVILÉGIOS DA ELITE – A análise dos dados dos últimos dez anos revela a explosão das desigualdades. Entre 2012 e 2022, vistos em conjunto, os militares das Forças Armadas tiveram o maior aumento salarial entre os servidores federais: 29,6% de ganho real acima da inflação. No entanto, esse aumento não se distribuiu de forma equitativa, já que a profissão não é de forma nenhuma um bloco homogêneo.

Certamente o dispositivo que guindou a classe como um todo para o topo dessa estatística foi a Lei nº 13.954/2019. Promoveu aumentos entre 35% e 41% para oficiais generais e suas pensionistas, mas concedeu apenas 9% em duas parcelas para a tropa em geral.

A nova ordem legal não apenas não corrigiu as distorções anteriores, como ainda contribuiu para agravá-las.

ABISMO SALARIAL – Um soldado recebe como soldo R$ 1.177 (após reajuste de 2025). Um terceiro-sargento controlador de tráfego da FAB aéreo ou um submarinista da Marinha recebem menos de 5 mil reais.

Matéria recente da Revista Sociedade Militar mostrou que com adicionais e gratificações, um general pode receber mais de R$ 55.000 mensais, equivalente ao salário de 42 soldados.

No Exército norte-americano, “considerado como paradigma pelos oficiais brasileiros, a diferença entre o maior e menor salário é de apenas 9 vezes.“ No Brasil, essa diferença, que pode chegar a 27 vezes, coloca os oficiais generais brasileiros dentro da bolha intocável do 1% mais rico da população.

TRABALHO EXTRA – Ainda de acordo com a Revista Sociedade Militar, soldados, cabos e sargentos têm precisado trabalhar como motoristas de aplicativos ou em outras atividades paralelas para complementar a renda familiar.

O desequilíbrio nos vencimentos transcende a dimensão meramente econômica, configurando-se como elemento potencialmente capaz de comprometer, em horizonte temporal não imediato, o ânimo das forças e repercutir em aspectos como a unidade institucional, valores fundamentais para a doutrina castrense.

A assimetria remuneratória dentro das instituições militares brasileiras extrapola a esfera das relações de trabalho, constituindo-se, em última instância, como mais um desafio à segurança nacional.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Excelente matéria da revista “Sociedade Militar”, enviada por José Guilherme Schossland. A carreira militar é uma das mais rentáveis e menos rigorosas do país. Os oficiais reclamam que têm de se mudar de um Estado, para outro, mas é tudo gratuito para eles. O melhor é que pouco ou nada têm a fazer. Jogar pelada, banho de piscina, vôlei na quadra etc. Quando deixam a ativa, recebem bônus de R$ 1 milhão e passam a ganhar soldo de “marechal”, patente que nem existe mais. Que maravilha viver, diria Vinicius de Moraes. Só quem trabalha é o pessoal lotado na Amazônia, os soldados que ficam de guarda e os pilotos que servem aos políticos nos jatinhos. Às vezes eu tenho vergonha de ser brasileiro. (C.N.)

Lula diz que Bolsonaro é coisa do passado, mas sabe que isso não é verdade

Lula afirma que Trump foi enganado com informações falsas sobre Bolsonaro

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton 

Para disfarçar a saia justa na qual foi colocado no domingo durante a reunião com Donald Trump em Kuala Lumpur, nesta segunda-feira o presidente Lula da Silva (PT) tentou minimizar a importância que seu antecessor Jair Bolsonaro (PL) ainda tem na política brasileira, dizendo “rei morto é rei posto” e acrescentando que o ex-presidente agora “faz parte do passado da política brasileira”.

Ao contrário de Lula, o presidente Donald Trump é um ator que ensaia suas falas. Sabia o que estava fazendo ao indagar a Lula sobre sua prisão. Segundo o chanceler Mauro Vieira, o presidente americano chegou a perguntar a Lula sobre quanto tempo ele ficou preso no Brasil antes de ter o seu processo anulado.

“BEM INFORMADO” – Segundo o repórter Douglas Porto, da CNN, que entrevistou o chanceler, Trump estava bem informado sobre a história de Lula e seu perfil político.

“O presidente Trump declarou admirar o perfil da carreira política do presidente Lula, já tendo sido duas vezes presidente da República, tendo sido perseguido no Brasil, se recuperado, provado sua inocência para voltar a se apresentar e conquistar seu terceiro mandato à Presidência”, disse o ministro Mauro Vieira.

Trump também se referiu aos processos a que próprio respondeu na Justiça americana, assinalando que foram promovidos como uma perseguição política contra ele.

E A INTENÇÃO? – Com esse papo-cabeça, Trump fez ver a Lula que Bolsonaro é igual aos dois, porque também estaria sofrendo perseguição política no Brasil.

Lula ficou encurralado com o tema Bolsonaro e forçou o presidente americano a encerrar o assunto. Somente na segunda-feira é que esboçou reação, com essa história de que Bolsonaro “faz parte do passado da política brasileira”.

Se Lula tivesse dito isso na reunião, Trump teria retrucado, porque seu governo acompanha atentamente o que se passa no Brasil e não aceitaria essa versão, que todos sabem não ser verdadeira. Bolsonaro está inelegível, mas se faz presente na política e vai influir muito na próxima sucessão.

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P.S
. 1Ninguém ganha eleição de véspera. Por enquanto, Lula voa em céu de brigadeiro. Aproveitou bem o nacionalismo brasileiro, está distribuindo muito dinheiro  à mídia tradicional e à mídia digital, usando recursos da União e das estatais, especialmente através do BNDES e da Petrobras. Comprar a mídia ajuda, é claro, porém não decide disputa eleitoral.

P.S. 2Ainda faltam onze meses para a eleição e Lula completou 80 anos nesta segunda-feira. Está velho e decadente. Já não diz coisa com coisa. Se continuar falando que “narcotraficante é vítima do usuário”, Lula pode ser levado a abandonar a política antes de Bolsonaro. (C.N.)