
Governo entrou em campo com excesso de confiança
Deu na CNN
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria subestimado os adversários que enfrentaria no Congresso Nacional, segundo avaliação do especialista em política Rafael Favetti, sócio da Fatto Inteligência Política.
Em entrevista ao WW, Favetti analisou a sequência de derrotas sofridas pelo Executivo no Legislativo, apontando falhas na leitura do cenário político.
EXCESSO DE CONFIANÇA – Para o analista, o governo entrou em campo com excesso de confiança após algumas vitórias recentes, o que teria comprometido sua capacidade de antecipar os movimentos do Congresso. “Me parece que o governo não enxergou muito bem o jogo, ou pelo menos os adversários que ia enfrentar”, afirmou Favetti.
O analista traçou um panorama das derrotas recentes do governo, relacionando-as a um momento de euforia que teria se instalado após conquistas anteriores. “Desde que Odair Cunha (PT-MG) conseguiu a façanha histórica de ser indicado ao TCU, é a primeira vez que um petista é indicado pela Câmara, e a liberação das emendas, me parece que ali o governo deu um respiro. Você tinha um quadro colocado de que o jogo estava muito bom para o governo”, destacou Favetti.
REVESES – Em seguida, porém, o Executivo sofreu reveses significativos. Favetti mencionou a derrota na questão da dosimetria, que, segundo ele, “já estava mais do que contratada”, e o resultado da votação envolvendo Jorge Messias, indicado para o Supremo Tribunal Federal.
“A derrota do Messias era do jogo, mas o placar foi um balde de água fria no governo”, disse o especialista, acrescentando que Zé Guimarães, novo ministro das Relações Institucionais, “sofreu uma derrota no principal jogo do seu campeonato”.
FATIAMENTO DO VETO – Um dos pontos centrais apontado por Favetti foi a decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), de fracionar a votação da queda do veto presidencial. Segundo Favetti, esse procedimento abre espaço para que o governo recorra ao Judiciário. “O fatiamento da queda do veto feito por uma decisão da mesa do Congresso, feita por Davi Alcolumbre, é também algo inédito”, destacou o especialista.
O veto de Lula era total e envolvia duas matérias de natureza distinta: a Lei Antifacção, que endureceu regras sobre progressão de regime para presos, e a Lei da Dosimetria, que, segundo Favetti, “de certa forma, volta atrás”. Essa dicotomia teria motivado Alcolumbre a selecionar apenas parte do veto para votação, gerando indignação na base de apoio do governo.
Favetti avaliou que Lula provavelmente não cumprirá o prazo de 48 horas para promulgar a lei, deixando essa responsabilidade ao Senado. “Se ele promulgar, retira, de certa forma, pelo menos no plano político, essa indignação da sua base de apoio com essa questão”, explicou.
Novos tempos!
Discursos farsescos de Lula e Flávio
Sobre retórica dos líderes da corrida presidencial
Com índices de aprovação frágeis, más notícias nas pesquisas de intenção de voto e uma derrota histórica em sua indicação para o STF, Lula abraçou o populismo em seu pronunciamento por ocasião do Dia do Trabalho.
“Cada vez que damos um passo adiante para melhorar a vida do povo brasileiro, o sistema joga contra. O andar de cima, os bilionários, a elite que só pensa em manter privilégios às custas do povo. Se dependesse do sistema, nem a escravidão teria sido abolida no Brasil”, discursou.
Parece cômica a retórica antissistema vinda de um político com o histórico de Lula —em seu terceiro mandato presidencial graças à anulação pelo STF, por questões formais, de suas condenações por relações promíscuas com grandes empreiteiras. Mas a escolha da palavra não é por acaso.
Duas semanas atrás, falando em um evento de esquerda na Espanha, o petista reclamou da perda da bandeira antiestablishment para a ultradireita. “Nós nos tornamos o sistema. Por isso, não surpreende que, agora, o outro lado se apresente como antissistema”, disse.
É notável que, entre uma declaração e outra do líder, o PT tenha realizado um congresso em que mostrou o objetivo de evitar polêmicas e atrair setores do centro político.
Afinal, se discursos radicais inflamam seguidores fiéis, a disputa presidencial pode ser decidida, mais uma vez, por eleitores avessos à polarização.
Cálculo semelhante é feito nas hostes de Flávio, hoje empatado com Lula nas simulações de segundo turno —e empenhado na missão inglória de parecer mais moderado que o pai condenado por tentativa de golpe de Estado.
Flávio embarca no golpismo paterno ao lançar dúvidas sobre a lisura do processo eleitoral brasileiro em um evento extremista nos EUA, mas por aqui procura parecer um candidato responsável ao discutir com empresários propostas para reformas fiscais vigorosas em 2027.
Nem isso, porém, Flávio se dispõe a defender abertamente, por temer que ideias como interromper o aumento acima da inflação do salário-mínimo e dos gastos com saúde e educação lhe custem votos.
Ao que parece, pretende prometer reequilíbrio orçamentário sem detalhar medidas difíceis, como na proverbial omelete sem quebra de ovos.
Não espantam os malabarismos retóricos numa corrida em que os líderes na preferência dos votantes são também campeões em rejeição.
É provável que radicalismo e moderação venham a ser apresentados conforme as circunstâncias e conveniências, sobretudo ao tratar do imperativo ajuste das contas públicas.
Perdem os eleitores, aos quais serão oferecidos, em vez de opções programáticas, discursos farsescos — e, muito possivelmente, um governo tumultuado.
Fonte: Folha de S. Paulo, Opinião, 3.mai.2026 às 22h00 Por Editorial
Todo narcisista e arrogante um dia tem o seu fim.
E não vai levar “bagagem”…..
Sr. Newton
Não estou entendendo mais nada…
Cadê a Soberania de que tanto fala o BandiDilmo de Nove Dedos….
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A Power Minerals adquiriu o “Morro do Ferro” por cerca de R$ 80 mi. O ativo adquirido ainda está em fase de pesquisa e desenvolvimento