Brasileiros perderam a vergonha e passaram a idolatrar políticos altamente corruptos

Na corda bamba - Blog do Ari Cunha

Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton

Nos filmes e nos seriados de TV produzidos no exterior, é comum que haja menções à corrupção no Brasil, sempre identificado como o país da impunidade, e os criminosos sonham em fugir para cá, porque confiam que jamais serão presos.

Essa visão internacional sobre o Brasil tem razão de ser, embora haja exceções, como em 1983, com a prisão do chefe mafioso Tommaso Buscetta pelo delegado federal Pedro Luis Berwanger, que escreveu um livro a respeito do caso.

CASO BATTISTI – São poucas exceções. Lembrem-se que o criminoso italiano Cesare Battisti, que se fantasiava de perseguido político, teve sua extradição vetada pelo presidente Lula da Silva, mesmo sabendo que ele havia confessado três assassinatos…

A fama de país da impunidade é causada pela corrupção que atinge a Polícia e a Justiça, um problema que perdura até hoje, mas a política não era tão contaminada. Basta lembrar os presidentes brasileiros nos últimos 100 anos.

As gestões de Washington Luís (1926-1930) e seu antecessor Artur Bernardes (1922-1926), por exemplo, não ficaram marcadas por escândalos sistêmicos de desvio de dinheiro público ou enriquecimento ilícito dos presidentes.

OUTRAS ACUSAÇÕES – Naquela época, eram outras as acusações feitas pelos movimentos de contestação — como o tenentismo, a partir do episódio dos 18 do forte, em julho de 1922, contra a posse de Bernardes, que teve seguimento com a Revolta de 1924 em São Paulo. A oposição acusava o governo de repressão política, fraudes eleitorais, censura à imprensa e eventuais estados de sítio, mas não citava casos de corrupção financeira.

Em 1925, surgiu a Coluna Prestes, que percorreu cerca de 25 mil quilômetros pelo interior do Brasil. Liderada por Luiz Carlos Prestes e Miguel Costa, a marcha tentou derrubar Washington Luís e expôs a fragilidade da República Velha, cujo maior crime, não era desviar recursos públicos da forma como ocorre hoje.

A Revolução de 1930 depôs Washington Luis e implantou uma ditadura, que iria durar 15 anos, mas Getúlio Vargas jamais foi acusado de corrupção. Voltou para a fazenda no Rio Grande do Sul, sem nenhum sinal de riqueza.

PÓS-DUTRA – Depois de Vargas, o marechal Eurico Dutra. Despreparado para governar, porém incorruptível. Só fez esquentar a cadeira para a volta de Vargas em 1951. Em seu governo constitucional, houve alguns casos de corrupção, envolvendo seu irmão Benjamin, o filho Lutero e o segurança Gregório Fortunato, e Carlos Lacerda transformou num “mar de lama” que levou Vargas ao suicídio, mas a corrupção naquela época não tinha a gravidade de  hoje, que desmoraliza os três poderes.

Assumiu o vice Café Filho, que governou até novembro de 1955, quando teve um ataque cardíaco e se licenciou. Apoiado pelos militares udenistas, Lacerda tentou um golpe, mas fracassou diante do legalismo do Ministro da Guerra, Henrique Lott, que pôs ordem na casa, digamos assim, e Café Filho voltou ao poder.

POLÍTICO POBRE – Naquela época, era difícil enriquecer na política. Café Filho não tinha renda nem aposentadoria. Morava num modesto apartamento térreo em Copacabana. Ao saber da penúria do ex-presidente, Lacerda se compadeceu e o nomeou ministro do Tribunal de Contas da Guanabara, onde Café Filho trabalhou até se aposentar.

Em 1956 Juscelino chegou à Presidência e podia ter enriquecido, mas não o fez. O única bem que adquirira foi uma pequena fazenda em Luziânia (GO), de baixo valor. Não se corrompeu, mas aceitou um presente do industrial Sebastião Paes de Almeida, que presidiu o Banco do Brasil e foi fornecedor dos vidros a construção de Brasília.

O amigo doou ao ex-presidente a cobertura num prédio que construíra em Ipanema (Edifício JK), que Juscelino depois de cassado teve de vender para evitar a ruína. A cobertura mudou de dono várias vezes e mais recentemente um deles foi Caetano Veloso.

DITADOR – Jânio Quadros e João Goulart, os presidentes seguintes, ficaram pouco tempo no poder e passaram longe da corrupção. A partir de 1964, o regime militar teve muitos defeitos, mas não caiu na tentação. Nenhum general enriqueceu na Presidência. Na época, falava-se muito na corrupção do coronel Mário Andreazza, ministro dos Transportes, mas eram denúncias falsas.

Depois, veio Sarney, que já tinha enriquecido no governo do Maranhão e não precisou se corromper no Planalto. Mas seu sucessor Fernando Collor não soube resistir à tentação. Já era rico de nascença, mas queria mais. Acabou sofrendo impeachment e foi sucedido por Itamar Franco, um governo limpo e exemplar.

Depois de Itamar, o caos. O sucessor Fernando Henrique Cardoso privatizou o governo “no limite da irresponsabilidade”, como admitiu o tucano Ricardo Sérgio de Oliveira, diretor do Banco do Brasil. E o Brasil nunca mais escapou da corrupção, da qual Lula da Silv até hoje é um do expoentes.

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P.S. 1
Nos governos de Lula e Dilma Rousseff, a corrupção realmente se institucionalizou, com mensalão, petrolão, maquiagem nas contas públicas, emendas parlamentares e tudo o mais.

P.S. 2Em 2018, o ex-deputado Jair Bolsonaro já chegou ao poder ostentando um histórico de enriquecimento ilícito, a partir das rachadinhas, das aquisições de imóveis em dinheiro vivo e das relações com milicianos, hábitos que ele passou de pai para filhos, ou seja, criou uma família de moral altamente comprometida.

P.S. 3Esta é a realidade brasileira. Tudo isso que está relatado neste artigo não é novidade, são informações de domínio público. Assim, fica demonstrado que os brasileiros realmente se acostumaram à corrupção e passaram a idolatrar duas famílias que estão completamente apodrecidas. Uma delas continuará no poder. E os brasileiros terão de esperar mais quatro anos para decidir se preferem votar num político que não se dedique à corrupção, sem confundir a vida pública com a privada. (C.N)

9 thoughts on “Brasileiros perderam a vergonha e passaram a idolatrar políticos altamente corruptos

  1. O maior mal é a corrupção moral. Muito pior que a corrupção material que é apenas a ponta do iceberg.

    Senão vejamos, o sujeito nunca rouba materialmente, mas permite ou é conivente com medidas que penalizam a maioria em detrimento de uma minoria. A isso eu chamo de corrupção moral.

    E quase sempre apontamos o dedo para o chefe do Executivo, mas esquecemos de quem faz as leis, o Legislativo. E esse esquecimento ou ignorância, talvez aé pela pouca importância que a mídia dê, para mim é a maior causa de nossos problemas.

    Por exemplo, esses casos de corrupção que sempre existiram, sem exceção, poderiam ter existido se uma grande parte do Legsilativo não participasse ativamente?

    Claro sempre é mais fácil e dá mais repercussão culpar uma só pessoa por essa mazela ou outras quaisquer. E assim vamos, empurrando.

  2. Flávio sonega explicações sobre Dark Horse

    Em maio foram divulgadas conversas estarrecedoras entre Flávio e Vorcaro, o ex-dono do Banco Master.

    Flávio pedia que o banqueiro pagasse os R$ 134 milhões que havia prometido para a produção do filme “Dark Horse”, uma biografia do ex-mito.

    No dia da prisão de Vorcaro, em novembro de 2025, enviou a mensagem: “Irmão, estou e estarei contigo sempre”. Ao fim, foram repassados R$ 61 milhões.

    Logo após o vazamento dos diálogos, o presidenciável afirmou que estava “100% disposto” a tornar público o contrato do filme com Vorcaro.

    Como, até o momento, tal documento não foi apresentado, a Folha questionou o candidato sobre o assunto na segunda-feira (24).

    Flávio finge não ver a gravidade do caso. “Vocês vão parar no tempo? (…) Vocês querem insistir com relação de fundo privado, que não tem contrapartida pública de nada?”, questionou.

    Por óbvio, o problema é o tal fundo privado fazer parte de uma rede que operou a maior fraude financeira do país, gerando um custo à sociedade estimado em ao menos R$ 60 bilhões.

    (Editorial da Folha, 25.08.2026)

  3. As servis e para tanto khazarianamente locupletas “Mãe da Impunidade & Congêneres & Ecumênicas Meretrizes”, multilaterais e apátridamente, provocam incessantes e cotidianamente o que os mantem na “crista da vermelha onda”: Caos e desordens!

  4. Lula não consegue dizer que ‘não sabia’ sobre escândalo envolvendo Lulinha, Marcola e lobista

    A dificuldade de Lula (PT) em enfrentar o escândalo de corrupção e tráfico de influência no núcleo mais íntimo de seu governo ficou escancarada nesta terça (25), durante sua visita ao QG do Exército.

    No evento, ele mesmo se ofereceu aos jornalistas, mas, indagado sobre revelações devastadoras envolvendo principalmente seu próprio filho Lulinha em negócios milionários no seu governo, simplesmente caiu fora.

    Constrangedor. Pensava estar em “ambiente controlado”, só que não.

    Lula condiciona presença em eventos e entrevistas, como definem seus assessores, a “ambientes controlados”, sem riscos de “surpresas”.

    Nos bastidores, a falta de respostas convincentes sobre o escândalo é vista como a principal razão para Lula fugir do debate da Band, domingo.

    Quando Lula foge de perguntas sobre o próprio filho e seus amigos de décadas, o discurso de “não haverá privilégio” soa mais uma lorota.

    Lula já tentou a tática do “não sabia”, mandou Lulinha “provar inocência”, mas não consegue dizer, olho no olho, que nada tem com o esquema.

    Diário do Poder, Opinião, 26/08/2026 0:16 Por Cláudio Humberto

  5. Bom dia, excelente artigo mas triste constatação. Preciso concertar um armário e instalar um aparelho de ar-condicionado em casa há alguns anos porém todos que chamei até hoje para fazer orçamento tentaram me enganar. Todos sem exceção. Para começar não perguntam do serviço mas em qual bairro o mesmo será prestado. Depois vem a criação de dificuldades em sequência para então te dar um preço exorbitante. Para arrumar meu carro tenho que levá-lo até quase o fim do mundo depois da água mineral (parque nacional) onde os donos não me roubam. Maior contra mão e muito tempo esperando carro de aplicativo que sai bem caro em função da distância. Muitos cancelam a corrida por receio já que o lugar é ermo. Os advogados quando precisei me deram até informações falsas è orientações erradas para prolongar o martírio e cobrarem o máximo possível sendo que um é ex delegado federal e o outro ex promotor de justiça. Passo o dia assistindo desrespeito às leis de trânsito e as regras mínimas de civilidade. Não se respeitam mais sequer as vagas destinadas aos deficientes. A polícia não faz nada pois também está habituada a cometer irregularidades e extorquir quem estiver errado mas puder pagar algum trocado. Presenciei um furto semana passada e só avistar uma viatura parada no setor hospitalar sul fui até os policiais e relatei a situação inclusive apontando o meliante porém os dois policiais embarcados estavam assistindo futebol pelo celular com fones de ouvido e de semblante fechado disseram que não poderiam sair dali pra nada. Acabou! A cultura das transgressões chegou a um limite intolerável. Todos (ou quase todos) querendo levar vantagem. Não há a mínima coesão social. Um brasileiro não se identifica com o outro. Não se vê “no mesmo barco”. Lei de Gerson impera atualmente. Como 8 em cada 10 brasileiros são analfabetos funcionais não vejo saída. Nem a fila da padaria é respeitada mais hoje em dia. Impera a lei do mais forte. Institucionalmente o país acabou. Os três poderes de mãos dadas em prol da corrupção impune. Ninguém investiga nem pune como deveria acontecer. O jantar na casa do Moraes diz muita coisa sobre nossa situação atual. Dá nojo!!!

  6. A notícia mais frequente nesta semana no Rio de Janeiro foi:

    CRIMINOSOS FECHAM VIAS

    Na Avenida Brasil

    Na Baixada Fluminense

    Na Zona Norte

    Na Cidade de Deus…

    A mesma coisa está acontecendo em Brasília há décadas.

    O Brasil deseja e precisa de estrada, ferrovia, hidrovia, caminhos de infraestrutura para fluir.

    Mas…

    CRIMINOSOS FECHAM VIAS!!

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