
Charge do Baggi (Jornal de Brasília)
William Waack
Estadão
A guerra no Oriente Médio virou um problemão eleitoral para Lula em duas dimensões: custos e endividamento. É possível tentar mitigar os efeitos de cada um desses fatores negativos. Mas não dá para controlá-los.
A questão de custos é bastante óbvia, mas nem um pouco até onde vai o encarecimento de energia e fertilizantes. O custo imediato para evitar desabastecimento e picos de preços é estimado em R$ 20 bilhões – para um horizonte de ainda haver quatro meses de guerra.
RENÚNCIAS FISCAIS – O governo agiu para “acomodar” esse impacto através de um mix de renúncias fiscais (junto de Estados) e subvenções.
É bastante provável que tenha de ampliar e estender essas medidas, pois mesmo que Trump declare imediatamente o fim da guerra, antecipa-se que não haverá uma volta ao “status quo ante” em termos de fluxos de energia.
Considerado de forma isolada, o aumento do preço de combustíveis é catastrófico para a reputação de qualquer político em qualquer lugar, e o que torna a questão no Brasil particularmente preocupante do ponto de vista eleitoral (visto da perspectiva de Lula) é sua combinação com o endividamento das famílias.
ACORDOU TARDE – O governo acordou bastante tarde para um estrago que, numa abordagem mais abrangente, ele mesmo criou. Expansão fiscal para sustentar crescimento da economia via consumo das famílias tem seus limites impostos por essa mesma política, uma das principais causas dos juros intoleravelmente altos.
O resultado é essa “malaise” tão claramente detectada pelas pesquisas de opinião. As benesses destinadas a produzir benefícios político-eleitorais não estão funcionando num quadro no qual prevalece a sensação, tão importante do ponto de vista da formação do voto, de que as coisas estão piorando. Em outras palavras, o endividamento devorou a isenção do IR até R$ 5 mil.
A resposta para a questão do endividamento vem do único tipo de ferramenta que o governo lulo-petista conhece: crédito subsidiado para pagar dívidas.
MAIS CONSUMO? – Em princípio, a ala “econômica” do governo gostaria de limitar o uso desse tipo de alívio apenas para tratar de dívidas, mas a ala política defende sem pudor algum que as linhas subsidiadas possam ser utilizadas também para mais… consumo, o que só agravaria a questão.
Até aqui as respostas ao problemão de custos e dívida têm sido a adoção de medidas emergenciais com alvos claros (evitar desabastecimento ou custo excessivo de diesel, por exemplo).
Mas a linha que separa “gerenciamento de crise” de “manobras eleitorais”, na definição da consultoria Eurasia, vai se tornando difusa, e depende de um número mágico: é a aprovação do presidente estar caindo para o patamar de apenas 40%. É quando os modelos estatísticos informam que a reeleição seria impossível.
Lula, cauteloso ou inconsequente e desastrado?
É chocante a forma com que certos jornalistas de renome douram a pílula. Adornam seus artigos com rapapés desnecessários, tratando Lula como se algum dia essa triste figura tenha sido a salvação da lavoura.
Às provações do povo brasileiro já basta de embustes.
Estaria então o lula no mato e sem cachorro? Eis a questão. Teria algum dia ele entrado em um mato? E se o fez, teria levado um cachorro? Parece que não.
O indivíduo anda mais perdido que cego em tiroteio, nunca verdadeiramente soube o que representa o poder de um presidente da república, sempre achou que o cargo se assemelhava a dirigir um sindicato.
O francês “Noblesse Oblige”, nunca se aplicou a ele,
que sempre foi vulgar.
Agora, é tentar sair com alguma dignidade, se for possível.