Pressionado por investigação da PF, Jaques Wagner deixa liderança do governo no Senado

Senador afirmou que a decisão foi de ‘comum acordo’

Jeniffer Gularte
Bruna Lessa
Sérgio Roxo
Victoria Azevedo
O Globo

Após quase uma semana de crise e pressão pela saída, o senador Jaques Wagner (PT-BA) deixou a liderança do governo no Senado. A mudança foi acertada em uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio da Alvorada e representa a tentativa de estancar o impacto na campanha à reeleição da investigação sobre a suposta atuação do parlamentar a favor do Banco Master em troca de “vantagens indevidas”. O encontro durou cerca de duas horas.

Em publicação nas redes sociais, o senador afirmou que a decisão foi de “comum acordo” e chamou a reunião com Lula de “conversa entre amigos”. O parlamentar foi aconselhado nos últimos dias por aliados próximos, especialmente do PT da Bahia, a deixar o posto para focar em sua defesa e preservar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de desgaste político maior às vésperas da eleição. Interlocutores de Lula afirmam que o senador pediu para deixar o cargo, como desejava o presidente.

CONSTRANGIMENTO – Desde a operação da PF, na última quinta-feira, aliados de Lula no Congresso e no Palácio do Planalto passaram a defender que o senador deixasse a liderança no Senado. Governistas apontaram o “constrangimento” com o cumprimento de mandados de busca e apreensão, o que incluiu a divulgação de uma foto de US$ 49 mil em espécie encontrados em um endereço ligado a Wagner em Brasília. Ao todo, levando-se em conta também o montante em dólares e euros encontrados em um endereço do senador em Salvador, os agentes da PF recolheram o equivalente a R$ 482 mil, de acordo com a cotação atual.

Um integrante do governo que despacha no Planalto afirma que a operação PF tornou “praticamente insustentável” a permanência de Wagner no posto de confiança. Ele afirma que não haverá, por parte do governo federal, uma postura hostil contra o petista, já que ele é um aliado de longa data. Mas poderá ser necessário o afastamento para evitar maior prejuízo à imagem do governo como um todo e da própria campanha à reeleição de Lula.

Aliados também apontam que o fato de Jaques Wagner ter dito diversas vezes que não havia possibilidade de vir à tona relações suas com o Banco Master, também o enfraqueceram no posto. Até mesmo o entorno do senador considerou desastrosa a entrevista de Wagner no dia da operação da PF. À Band News, o senador afirmou que iria continuar no cargo de líder do governo no Senado até decisão contrária de Lula. O parlamentar também disse que o presidente falou com ele para prestar solidariedade após o senador ser alvo de operação.

LOBBY – Em sinais de atuação a favor do Master, a PF citou que o senador do PT também teria feito lobby no governo pela aprovação da compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB) e no Senado pela aprovação de outra emenda, conhecida como “emenda Master”, que foi apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PI-PP) e propunha aumentar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito para investimentos em CDBs.

Os investigadores suspeitam da atuação de Wagner no Congresso a favor do Master em três momentos: a apresentação de emenda a uma Medida Provisória, editada em 2022, sobre o aumento da margem consignável da remuneração disponível para os trabalhadores regidos pela CLT, para os aposentados e pensionistas vinculados ao RGPS, com autorização para empréstimos e financiamentos por beneficiários do BPC e de outros programas federais de transferência de renda; na tentativa de aprovação da PEC nº 65/2023, a “Emenda Master”, com repercussões sobre o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC); na fiscalização da operação de potencial aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB);

REGALIAS – Além disso, segundo a PF, Wagner teria recebido um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador, além de regalias como o uso de aeronaves particulares e o ingresso para o camarote de um show em Los Angeles, ao custo de R$ 63,3 mil.

O ponto de conexão de Wagner com a instituição financeira se dava por meio de um ex-sócio do banco, o empresário Augusto Lima, que também foi alvo da PF ontem e tem boa relação com petistas na Bahia. Além das benesses, uma empresa do núcleo familiar do senador recebeu transferência de R$ 3 milhões de uma financeira vinculada a Lima.

6 thoughts on “Pressionado por investigação da PF, Jaques Wagner deixa liderança do governo no Senado

    • com o traseiro flácido

      Uma amizade de mais de 40 anos desfeita por causa de corrupção, roubalheira,

      Hoje em dia está díficil ser comunista refinado, ou comunista burguês…

      aquele abraço

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