
Crise entre Flávio e Michelle poderia ter sido evitada
Rafael Moraes Moura
O Globo
Antes da crise deflagrada com a divulgação do vídeo de Michelle Bolsonaro, o pré-candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (RJ), ignorou conselhos de aliados para tentar pacificar a conturbada relação com a madrasta.
A convivência dos dois sempre foi marcada por um clima de ressentimento e desconfiança mútua, mas chegou a um patamar inédito de desgaste com a divulgação do vídeo em que Michelle acusa o enteado de tê-la desrespeitado e maltratado por conta das críticas que ela fez à aliança entre o PL e o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) no Ceará.
“HUMILHAÇÃO” – Segundo relatos, não faltaram candidatos a bombeiro para tentar apaziguar os ânimos antes que se chegasse ao vídeo postado nas redes sociais na última quarta-feira (24), em que Michelle diz ter sofrido uma “humilhação” de Flávio, que a teria acusado de não entender “nada de política”.
Entre os diferentes atores políticos que tentaram aparar as arestas no clã Bolsonaro estão o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), a ex-ministra Damares Alves (Republicanos), e o próprio presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, que estava em Miami para acompanhar o jogo da Seleção Brasileira contra a Escócia quando a guerra foi deflagrada. Após o episódio, Valdemar alterou os planos e antecipou o retorno ao Brasil.
“A verdade é que, quando Michelle se firmou como liderança no PL, os filhos do Bolsonaro se sentiram ameaçados”, afirmou um interlocutor do clã ouvido em caráter reservado. “Faltou para o Flávio o raciocínio de que a Michelle pode até não ajudá-lo a ganhar as eleições, mas pode ajudá-lo a perder. Qual a mulher brasileira que rivalizaria hoje com a proporção da popularidade da Michelle? Só a Anitta.”
GESTO DE EGOÍSMO – Já a tropa de choque bolsonarista viu na ofensiva midiática de Michelle um gesto de “egoísmo” e “vaidade pessoal”, atitude de quem ainda não admitiu ter sido preterida na composição de uma eventual chapa presidencial com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
“O problema é que ela nunca engoliu a história de ela não ser a candidata a vice do Tarcísio. E qual a saída pro Bolsonaro? Que o Flávio se eleja e faça uma anistia, mas ela não pensa nisso”, afirmou um parlamentar que pediu para não ser identificado.
“Ela chama Alexandre de Moraes de irmão [Michelle chamou o ministro de “irmão em Cristo” durante evento em Brasília] e continua tendo o coração duro com o Flávio porque a candidatura dela foi inviabilizada pela dele. Jair Bolsonaro está dormindo com o inimigo.”
ELEITORADO FEMININO – Entre integrantes do PL, há o temor de que o embate público entre madrasta e enteado atrapalhe a estratégia de Flávio de angariar votos no eleitorado feminino, principalmente entre as indecisas e independentes, que podem selar o resultado das urnas. Isso porque o cabo de guerra entre Flávio e Michelle, ainda que tenha respingado mais na imagem da ex-primeira-dama nas redes sociais, traz à tona questões como machismo e misoginia, dois tópicos que ressoam no eleitorado feminino.
Os números dos levantamentos mais recentes expõem os desafios no caminho do senador. Segundo a última pesquisa do instituto Datafolha, enquanto Flávio lidera entre homens (50%, ante 41% de Lula) numa eventual disputa de segundo turno, o presidente da República tem vantagem entre as mulheres (52% a 37%).
“Numa eleição, você vende a imagem de uma família exemplar e o que temos aqui é uma família em pé de guerra. Como que Flávio vai se eleger presidente da República para unir o país se não consegue garantir a paz nem dentro da própria família?”, questiona um aliado de Bolsonaro.
Crise torna Micheque “bode expiatório” de inferno astral de Flávio
São poucos os aliados e integrantes da campanha de Flávio que acreditam hoje numa vitória contra Lula. Mas um bode expiatório para seu inferno astral e até uma eventual derrota já existe: Michelle Bolsonaro.
Na avaliação desse grupo, embora o PL concorde que a disputa será bem mais difícil para Flávio do que seria para Tarcínico, Michelle surge como a “culpada perfeita” num cenário de fracasso.
O vídeo gravado pela ex-primeira-dama expondo as desavenças com Flávio caiu como a justificativa ideal para quem busca blindar Rachadinha diante das dificuldades que ele enfrenta para atrair o eleitorado feminino. Desafio que herdou do pai.
A falta de habilidade do senador para se aproximar de Micheque — peça-chave para conquistar esse voto — antes do “caldo entornar” será atribuída à intempestividade de Michelle.
Mas Flávio cada vez mais é descrito por lideranças da direita e aliados como um “candidato pesado”, com um passado marcado pelo escândalo das rachadinhas, enterrado pela Justiça, e a revelação das suas ligações com Vorcaro.
Ainda assim, por ser o escolhido do ex-presidente, a alternativa é aceitá-lo.
O Globo, Política, Opinião, 27/06/2026 04h00 Por Bela Megale
Após desgaste de Flávio, Faria Lima já começa a tratar Lula como favorito
As últimas pesquisas e o mais recente tropeço de Flávio — a novela mexicana encenada por ele e Micheque — levaram a turma do topo da Faria Lima a começar a ver Lula como o favorito para vencer em outubro.
Ficou para trás a esperança numa arrancada de um candidato de terceira via, como Ronaldo Caiado, bastante ansiada até há pouco tempo — assim como arrefeceu algum ânimo com a candidatura de Flávio.
Tudo isso somado tem levado esses executivos a outro movimento: ainda que muito contrariados, querem tentar entender melhor como seria um quarto mandato de Lula e quem seriam os escolhidos para os postos-chaves.
O Globo, Política, Opinião, 28/06/2026 05h40 Por Lauro Jardim
Tem um ditado antigo que diz, roupa suja se lava em casa
Flávio é rifado pelo pai para evitar que a crise engula toda a família
A exposição do conflito atende a um cálculo político: impedir que o desgaste consuma toda a família e deixe Bolsonaro sem alternativa
São inúmeras as versões para o vídeo de Michelle Bolsonaro detonando o enteado. Por que divulgá-lo agora se o diálogo narrado ocorreu em dezembro? Por que torná-lo público poucos minutos antes do jogo do Brasil? Por que escolher justamente um dia ruim para a campanha de Lula? E por que Jair Bolsonaro autorizou a divulgação?
A direita não costuma dar um passo sem combinar o jogo. E prospera em ambientes de polêmica.
O país não pararia para ouvir Michelle Bolsonaro a poucos minutos do jogo da Seleção se não houvesse os ingredientes de um enredo irresistível: drama, treta familiar, traição e bate-boca – tudo o que o brasileiro adora acompanhar em uma novela.
Pode parecer contraditório que a família se beneficie da própria autofagia. Mas é assim que a direita atua. Se alguém ainda duvida de que Flávio será atingido pelo “furacão Vorcaro”, o vídeo de Michelle mostrou que a família tem certeza.
Ao “romper” com o enteado, Michelle evita que a lama respingue sobre todo o clã. Não há outro nome no banco de reservas da família na disputa eleitoral. Carlos, Eduardo e Jair Renan dispensam comentários.
A narrativa busca separar o casal do escândalo. O problema é apresentado como sendo do enteado, não de Michelle e Jair Bolsonaro. Por isso, espalha-se a história de que o ex-presidente chorou ao descobrir, pela televisão, que o filho havia recorrido a dinheiro de Vorcaro para bancar um filme sobre sua trajetória política.
Não significa que se tolerem. Significa que ligaram o modo sobrevivência.
Metrópoles, Política, Opinião, 26/06/2026 09:33 Por Andreza Matais
Se a repórter Andreza Matais não estiver ‘boiando’, a matéria e sua a manchete, principalmente, não deixa de ter alguma relevância.
Se a colunista Andreza Matais estiver correta em seu artigo ao afirmar que “Flávio foi rifado pelo pai para evitar que a crise engula toda a família”, isso indica uma profunda mudança de paradigma no clã Bolsonaro.
Alguém está a saborear a “Bílula da Inteligência” que era distribuída na Praça Lauro Muller, em Joinville SC, pelo saudoso amigo Libanês Shemann Akrouche, ao objetivar com sucesso, enganar tb o lendário “Machadinho”, que ao revirar o produto na boca teria exclamado: Brimo, isso tá com gosto de M, logo retrucado por Shemann: Tá vendo, tá começando a ficar inteligente!
PS. Brimo, usou tal meio(piada) para vingar-se dos brasileiros, que o haviam enganado e falido seu comércio!
Basta. Chega dos me$mo$. Fora todo$. Vem comigo vc tb, Michelle Bolsonaro. Nunca, jamais, em tempo algum, a Humanidade necessitou tanto da intercessão das Igrejas fieis a Jesus Cristo, e tementes a Deus que certamente não se alegra com mentiras e nem com falcatruas, para não ser extinta pela loucura por dinheiro, poder, vantagens e privilégios, sem limite$. SEJA BEM-VINDO AO BRASIL, Leão de Deus, da verdade, da boa-fé, do ser humano, da Humanidade, da Justiça maior e das boas novas. Igrejas que se deixam dominar por partidos e pela loucura por dinheiro, poder, vantagens e privilégios, sem limite$, a nosso ver não são Igrejas de Jesus Cristo mas isto sim hospícios anticristo perigosíssimos para o sucesso do bem-estar do conjunto da Humanidade. NESTE MUNDÃO que acredito seja de Deus, nosso Senhor, embora pareça do diabo, Trump e seu quadrilhão internacional, loucos por dinheiro, poder, vantagens e privilégios, sem limite$, assaltantes fortemente armados, até os dente$, de países desgovernados por larápios, traíras, babacas e afin$, temem apenas uma pessoa, que tem autoridade moral para chamá-los às falas e às responsabilidades, tal seja o tb norte-americano, Papa Leão XIV, que, aliás, conta com mais de 1, 5 bilhão de seguidores em todo o mundo, que crescem vertiginosamente inclusive dentro dos EUA, sua terra natal, na ordem inversa do apoio popular a Trump que só despensa, só desce a ladeira na sua própria casa. https://tribunadainternet.com.br/…/rubio-ignora…/… https://www.facebook.com/photo?fbid=1483089203831193&set=pcb.1483089743831139
Foi só ‘mimimi’ da Michelle, ou ela quer mesmo assumir a vaga de Flávio?
Bolsonaristas e petistas se unem numa pergunta que não quer calar: Michelle está se insinuando na disputa presidencial, depois de avaliar o tamanho do estrago na campanha de Flávio, tanto pelo “Dark Horse” quanto pelas novas ameaças de Trump?
Ou seu vídeo contra Flávio foi só um “mimimi”, como diria o ex-mito?
O governo Barba comemora capacidade dos bolsonaristas de darem tiros nos próprios pés e os dois lados quebram a cabeça para saber de que lado o ex-mito está, se apoiou ou liberou o ataque de Michelle na internet e, afinal, quão grave está, neste momento, a velha crise familiar, que é também política e eleitoral.
Michelle conquistou um papel relevante na extrema direita e o que disse no vídeo, para quem quisesse ouvir, combina com a história e as posições do ex-mito e seus filhos nas questões de gênero – apesar do slogan “Deus, Pátria e Família”.
Ela disse que foi “apunhalada”, “maltratada”, “humilhada” e “desrespeitada” por Flávio e que seus irmãos “vieram juntos, de forma coordenada, com textos bem parecidos, o que pareceu combinado, premeditado”. E lamentou que “eles” a tratem como “idiota”, “que não entende nada de política”.
Como Lula teve uma vitória muito apertada em 2022, com 50,9% do total dos votos válidos, não é preciso ser um gênio em matemática, política ou qualquer coisa para reconhecer que o voto feminino fez diferença. As mulheres são em torno de 53% do eleitorado. Lula teve 54% e Bolsonaro, 46%, entre elas.
Além de ativa presidente do PL Mulher, Michelle tem influência entre os evangélicos, outro recorte poderoso nas eleições. O TSE não detalha votos por religião, mas, segundo institutos independentes, com base no cruzamento entre resultados e pesquisas de boca de urna, Bolsonaro chegou a 2/3 entre eles em 2022. Se dependesse só desse segmento, teria sido reeleito.
Flávio corre o risco de, sem Michelle, não apenas espantar novos votos femininos como, ainda, perder votos evangélicos. Ou seja: não ganhar o que não tem e ainda perder o que tem. Logo, ele precisa mais dela do que ela, dele e deveria refletir melhor antes de cutucar a onça com vara curta.
Chamado à razão pelos aliados, no meio do jogaço Brasil X Escócia, Flávio tentou se desculpar, mas não significa muito. Primeiro, porque não foi nada convincente. Segundo, porque ele já foi pego na mentira ao dizer que não tinha nada a ver com Vorcaro. Por fim, e principalmente, porque as acusações de Michele contra ele e seus irmãos fazem sentido.
Foi a mulher de Dudu Bananinha, Heloísa, que é psicóloga, quem disse num encontro de mulheres que “não há mulher insubmissa e livre” e defendeu “homem masculino, com testosterona”.
Faltou acrescentar: “e armado…” Ao depor na PF sobre manter a posse de uma pistola, apesar de condenado e preso, o ex-mito saiu-se com uma justificativa e tanto: “Eu tinha três mulheres em casa, não podia ficar desarmado.”???
Será que essa família admite o protagonismo de Michelle? E ela tem biografia, história e consistência para disputar a Presidência?
Cada um responda como quiser, mas o que realmente interessa é: quem o ex-mito considera melhor candidato e quem Lula teme mais como adversário.
O Estado de S. Paulo, Opinião, 25/06/2026 | 20h00 Por Eliane Cantanhêde
Ela tem o controle do ex-mito na mão, literalmente. E manobra o ‘joystick’ como quiser, obviamente.