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A classe C virou o fiel da balança e desconfia de ambos
Caio Sartori
O Globo
Referência em pesquisas de consumo e opinião pública, Renato Meirelles analisa em novo livro, “Brasil da maioria: 25 anos de classe C” (Record), a trajetória dessa parcela de brasileiros chamada por ele de “centro de gravidade” do país. Segundo o fundador do Instituto Locomotiva e colunista do O Globo, a classe C ainda não se reconectou com a política depois do baque sofrido a partir de 2013, ano em que a “década de otimismo” acabou.
Meirelles afirma que Lula e Flávio Bolsonaro não são lidos pela maioria como “passaporte para um futuro melhor”. No caso do presidente, observa, chama atenção como ele pena para lidar com um segmento que ele próprio impulsionou.
O senhor diz no livro que a classe C não é só uma faixa de renda. O que define esse grupo e qual é o tamanho dele?
Estamos falando de 53% da população brasileira, pessoas com renda média de R$ 3,5 mil. No entanto, mais importante que isso é que a classe C representa uma parcela que tinha aprendido a sonhar, mas bateu a cara no muro. É uma classe que surgiu por uma série de questões. O Bolsa Família, por exemplo, não fala com a classe C, mas o beneficiário vai ao mercadinho que tem como dono alguém da classe C; foi a base de um círculo virtuoso que levava ao aumento da verdadeira classe média brasileira. Outro ponto é que foi uma classe C que cresceu com emprego formal, baixíssimos índices de desemprego e, principalmente, aumento real do salário mínimo.
Como foi que esses brasileiros passaram a ficar insatisfeitos?
Foi prometido à classe C um processo contínuo de melhora de vida, e ninguém achava que precisaria diminuir a velocidade. Quando a economia parou de crescer tanto, quem estava a 120km/h desacelerou. A sensação, então, é de que está parado, e a classe C começou a ficar insatisfeita. O fim do que chamo de década de otimismo se deu em 2013, quando essas pessoas começaram a culpar o governo por não estar respondendo às demandas que elas projetaram e que o próprio governo ajudou a projetar.
Soa paradoxal justamente pelo papel que o governo teve nessa ascensão.
O salário aumentou menos, o desemprego começou a crescer. Foi quando se deu a desconexão entre governantes e governados. Porque esse eleitor, por mais grato que fosse às políticas econômicas, sentia que tinha crescido por conta própria. Quem acorda cedo para trabalhar é ele, quem conseguiu ser o primeiro universitário da família foi ele, mesmo sabendo que o governo gerou oportunidades. Começamos a ver o crescimento do sentimento antissistema, a partir de uma frustração da classe C. A política passou a ser vista como responsável pela perda de qualidade de vida dessas pessoas e fez a classe C ficar mais revoltada.
Na eleição, como esses eleitores vão decidir o voto?
A pergunta é pragmática: vale a pena trocar o certo pelo duvidoso? E eles não encontram algo que responda isso. Lula só oferece uma manutenção, e a família Bolsonaro oferece a aglutinação do ressentimento. Ninguém na classe C enxerga Lula ou Flávio como passaporte para um futuro melhor. O problema é de oferta mesmo. Eles estão dizendo que confiam mais em si mesmos ou em Deus, mas gostariam de confiar mais na política.
Qual é a causa dessa falta de confiança e como recuperá-la?
Não recuperamos ainda a conexão entre governantes e governados que perdemos em 2013. Foi uma grande ruptura, que gerou baixíssimo índice de reeleição, queda na aprovação de prefeitos recém-eleitos. Depois as pessoas provaram o antissistema, não gostaram, voltaram para o “sistema”, mas ainda não se sentem conectadas. O que pesquisas mostram é que precisa ser feita uma escuta radical dos eleitores, chamar as pessoas para avaliar os serviços públicos. O cidadão não quer saber de Estado grande ou pequeno; quer um Estado que funcione.
O senhor fala muito, no livro, da relação das pessoas com o tempo. Como isso mudou a visão sobre trabalho?
O tempo passou a ser um grande ativo econômico. O que vale dinheiro é o tempo. A jornada da CLT, como foi concebida ou como era vista quando o PT foi fundado, previa vender seu tempo em troca de um dinheiro que chegava de forma “quadrada”. As pessoas querem trabalhar, mas o que se paga já não serve totalmente. O PT ainda não entendeu que trabalho não é mais sinônimo de emprego. Lula não consegue se conectar com a classe C que ele mesmo criou.
Lula tem duas bandeiras populares na seara econômica e do trabalho, que são o fim da escala 6×1 e a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil. Elas ajudam nessa conexão?
São bandeiras fundamentais, em especial o fim da jornada 6×1. É importante até do ponto de vista simbólico, porque recorda ao eleitorado qual foi o campo de batalha em que o PT sempre jogou. Mas o que a 6×1 não resolve é a questão do brasileiro que quer empreender, ser trabalhador autônomo.
Quais são as principais diferenças do Brasil da primeira vitória de Lula, em 2002, para o de agora?
A tecnologia e a relação com o tempo. Não existiam plataformas capazes de desintermediar o trabalho. Quem queria empreender precisava abrir loja, ter um capital inicial. Junto com a tecnologia, vem uma mudança no valor do tempo. Com o tempo mais valorizado, a pessoa não o vende mais em troca de um salário mínimo.
Apesar de liderar nas intenções de voto, Lula pena para fazer a aprovação ao governo superar a desaprovação. O que explica?
Lula prometeu picanha e cerveja. A aprovação sempre é de acordo com a expectativa, e a expectativa era de que se voltasse ao Lula que entregou o governo em 2010 com mais de 80% de aprovação. Isso não aconteceu por questões econômicas e por razões políticas, a radicalização não permite mais esse tipo de diálogo. E também porque Lula ainda não foi capaz de oferecer o novo sonho, que é o de ser dono do próprio tempo.
E por que a oposição não consegue capitalizar isso?
A oposição não entrega proposta, também não promete futuro. Em 2014, as pessoas queriam mudança, mas Aécio Neves não entregava promessa de futuro, só falava mal da Dilma (Rousseff). Como ela tinha marcas, o povo optou por não trocar o certo pelo duvidoso, mesmo odiando Dilma. Em 2018, durante o governo Michel Temer, não existia mais o “certo”. Entendeu-se que o antissistema tinha que vencer, e Bolsonaro foi eleito. Em 2022, a disputa foi por um “certo” e outro, com Lula reativando a memória dos outros mandatos.
Enquanto dependermos de exportação de de produtos primários, não cresceremos e a renda média ficará estagnada. Teemos que focar na reindustrialização e tecnologia própria. isso demora e exige um plano de longo prazo e que todos os governantes remem na mesma direção. E não é priorizando a macroeconomia, sacrificando a microecnomia que muitos do mercado querem que a população se sentirá melhor, ao conytrário.
Infelizmente, os candiatos não falam sobre isso. Talvez somente Lula comente sobre a necessidade de agregarmos valor às exportações e produzirmos as coisas aqui..
Sinceramente acreditar no que essa turma fala tem que ser muito alienado, especialmente acreditar no molusco
Carlos Newton
Na vida tudo tem limites, inclusive minha paciência para aturar desaforos. Aqui no Blog, temos poucas regras. Não aceitamos palavrões nem ofensas a ninguém, inclusive aos articulistas e comentaristas. Assim, é fácil conviver por aqui.
Mas há quem não aceite opiniões contrárias e ofenda os demais participantes que não comunguem as mesmas ideias e teses.
DISSE JACO – O comentarista que se assina Jaco é um robô do PT que passou os limites e ofendeu justamente o editor do blog, na seguinte postagem:
Qualquer pessoa com o mínimo de informação,sabe quem são os aliados do Flávio Bolsonaro. Nem vou perder meu tempo.
O CN, no RJ, apoia essa rapaziada….gente de bem…que paga em dinheiro e faz o bem protegendo as pessoas… mediante a pagamento é claro. Ninguém é de ferro.
CN é um pessoa de bem,temente a Deus e desapegado.
Quase uma Madre Teresa de Calcutá.
DESCARTÁVEL – Essas coisas as pessoas como Jaco falam de longe, fica fácil. Não ligo a mínima para idiotas como ele, que não me conhece e não sabe que sou mais perverso do que Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, somados.
Então, com um prazer quase sexual, estou deletando do blog esse imbecil, que é um robô pago pelo PT para passar o dia inteiro lendo a Tribuna, é um reles viciado em opinar e vai ter de arranjar outro espaço para vomitar suas depressões.
E vamos em frente, sempre respeitando a opinião dos outros.
Vento virou, favoritismo se esvaiu e Lula tenta mudar de assunto
Não tem muito de onde buscar votos na segunda etapa da corrida
O vento virou, e o favoritismo que vinha sendo atribuído a Lula desde o escândalo “Dark Horse” e os entreveros na família Bolsonaro se esvaiu diante das revelações das andanças de Lulinha por gabinetes estrelados de Brasília.
Levado de volta ao incômodo tema da corrupção às vésperas do início da campanha na TV, e sem ter mais como se esquivar de debates e sabatinas como fez até aqui, o petista busca desesperadamente mudar de assunto.
O irônico é ter de contar com o Congresso, que já está em ritmo de letargia eleitoral, para ter alguma boa notícia para apresentar ao eleitor.
Os conselheiros da campanha petista sabem que o presidente não tem muito de onde buscar votos na segunda etapa da corrida
(…)
Fonte: O Globo, Política, Opinião, 26/08/2026 01h00 Por Vera Magalhães
Lula ignora sinais de uma economia doente
Grandes empresas estão na chuva
Num espaço de duas semanas, a grande rede varejista Casas Bahia e a gigante petroquímica Braskem anunciaram que entrarão em recuperação judicial ou extrajudicial.
Querem repactuar suas dívidas com bancos e fornecedores. Uma deve R$ 17,3 bilhões, a outra renegociará um espeto em dólares equivalente a R$ 56,5 bilhões. A economia brasileira está doente.
Antes delas, foi a vez da varejista Marabraz. Noutro grupo, ficaram a Raízen, produtora de açúcar e distribuidora de combustíveis, mais o grupo Pão de Açúcar. Em outros tempos, ele teve 800 lojas e mostrava-se como modelo de expansão e vitalidade do empresariado brasileiro. Até em Angola se meteu.
Como o governo e o empresariado são maus pacientes, só admitem a doença quando precisam ir para o hospital. As Casas Bahia, como a Braskem, foram vítimas de encrencas com que conviveram, julgando-se onipotentes.
Antes fossem. As repórteres Maeli Prado e Maria Clara Matos mostraram que, entre o segundo trimestre de 2023 e o deste ano, as empresas que recorreram à recuperação judicial saltaram de 3.823 para 6.341.
A taxa Selic está acima dos dois dígitos desde 2022, e o crédito para capital de giro bateu em 23%. A consequência disso foi uma alta na taxa de inadimplência das pessoas jurídicas, que saiu do patamar de 1,5% em 2020 para 4%. Com menos gente pagando em dia, a banca acautela-se e empresta menos.
A doença da economia pegou o varejo, os setores de transporte e infraestrutura, até mesmo o agronegócio. Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, estima que haja hoje 9,1 milhões de empresas no vermelho, 8,6 milhões das quais micro ou pequenas. Algumas perderam competitividade, outras não.
Em qualquer caso, não era isso que o ministro Fernando Haddad prometia durante a campanha pelo Lula 3.0. A redução nos gastos públicos reduziria a pressão inflacionária e permitiria a queda dos juros, mas até hoje esse tema só aparece, às vezes, durante a campanha. Nesta, nem isso.
Crises como a da dívida externa (1982) e a do câmbio (1999) só acordaram as fábricas de felicidade do governo quando elas chegaram-lhes ao queixo.
Nos dois casos, a dificuldade foi desmentida durante períodos pré-eleitorais e reconhecida logo que as urnas mantiveram no governo os mestres-cucas das omeletes.
O déficit do governo federal duplicou nos últimos 12 meses, indo de 0,7% para 1,4% do PIB. Vem o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e diz que isso se deve aos juros.
Ouça-se e o presidente do Banco Central, e ele dirá que os juros estão onde estão porque o governo gasta além de suas posses. Arrecadou 5,6% acima da inflação e gastou 6,3% além do que podia.
Lula 3.0 não trata dos maus sinais que a economia lhe manda. Como a eleição pode tirar do caminho os candidatos derrotados, mas não removerá um único problema, caso ele seja reeleito, entregará o paciente doente a si mesmo.
De novo, ele só ofereceu seus simpáticos chapéus, que não resolvem problema algum.
Fonte: O Globo, Política, Economia, Opinião, 26/08/2026 00h05 Por Elio Gaspari
Nunca tantas empresas deveram tanto ao mesmo tempo no Brasil; o que acontece?
Com a Braskem, o Brasil bate recorde de R$ 180 bi em dívidas em recuperação judicial e extrajudicial
Empresas de diferentes setores recorrem a mecanismos de reestruturação de dívida, refletindo o impacto de juros altos e mudanças de mercado
(…)
O Estado de S. Paulo, Economia, 26/08/2026 | 05h30 Por Camila Farani
https://www.estadao.com.br/economia/camila-farani/com-a-braskem-o-brasil-bate-recorde-de-r-180-bi-em-dividas-em-recuperacao-judicial-e-extrajudicial/
A Braskem é um caso à parte. Empréstimos em dólar para construir plantas no exterior e que deram prejuízo, foi a maior causa dessa dívida.
Sr. Panorama
Pesquise sobre o filho do Don FHCorleone e a Braskem….
“colunista do O Globo”
Se é colunista do Globo, o puteiro alugado pela facção PT/STF, não tem autoridade moral para falar sobre nenhum Bolsonaro.