PF investiga dinheiro que envolve Flávio e Vorcaro
Rafael Moraes Moura
O Globo
Ao dar um prazo de 10 dias para a Agência Nacional do Cinema (Ancine) apresentar esclarecimentos sobre o polêmico longa-metragem “Dark Horse”, a Polícia Federal deu pistas das informações que devem subsidiar a investigação que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) sob a relatoria do ministro André Mendonça.
A Ancine é responsável pela regulação e fiscalização do mercado audiovisual brasileiro e, por isso mesmo, desempenha um papel-chave ao analisar o registro da produção, que precisa do aval da agência para ser exibida nos cinemas nacionais. O lançamento está previsto para depois das eleições, a partir de novembro.
ESCLARECIMENTO – No ofício de duas páginas da Polícia Federal, os investigadores pedem que a Ancine “esclareça a situação jurídica atual” do filme perante a agência, “bem como o cronograma de execução da obra eventualmente informado ao órgão regulador”. Outro ponto que a PF quer elucidar é quais são as pessoas físicas e jurídicas vinculadas ao filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, além de produtores, coprodutores, distribuidoras, representantes legais e demais participantes do projeto que constam no banco de dados da Ancine.
“Dark Horse” abriu uma crise na campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República após virem à tona mensagens do senador cobrando dinheiro do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, supostamente para o financiamento da produção. Uma das linhas de investigação da PF é saber se os milhões de reais despejados por Vorcaro foram usados para bancar as despesas do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) durante autoexílio nos Estados Unidos.
No ofício assinado no último dia 18, a Polícia Federal pediu informações sobre o registro de “Dark Horse”, além de “comunicação de produção, certificação ou qualquer outro procedimento administrativo relacionado à obra cinematográfica”. A PF também quer que a Ancine esclareça se o filme recebeu incentivos fiscais, recursos públicos federais ou “quaisquer benefícios vinculados às políticas públicas de financiamento do setor”.
FILMAGEM IRREGULAR – Em 28 de julho, a Ancine abriu um processo administrativo e autuou a produtora Go Up Entertainment por irregularidades na gravação do filme, o que deve constar na resposta que está sendo elaborada para a PF.
O auto de infração, emitido pela Superintendência de Fiscalização e Combate à Pirataria, informa a conduta que levou à intervenção da agência: “produzir no Brasil a obra cinematográfica estrangeira Dark Horse sem comunicar o fato à Ancine.”
Segundo as regras da agência, a filmagem de uma produção internacional no Brasil deve ser feita sob a responsabilidade de empresa registrada na própria Ancine, que além de comunicar sobre a obra tem que apresentar uma série de documentos, como cópia do contrato, plano de filmagem e passaporte de cada profissional estrangeiro contratado.
MULTA – Nada disso, no entanto, foi feito pela produtora no caso de “Dark Horse”. Na prática, com a autuação da Go Up, a Ancine sinaliza a aplicação futura de uma multa que varia entre R$ 2 mil e R$ 100 mil.
A Go Up informou que “pretende colaborar com as investigações e esclarecer no que for necessário dentro das possibilidades da produtora”, mas frisou que “se reserva nos seus direitos constitucionais e legais, especialmente quanto à vedação de” fishing expedition”.
“O filme ‘Dark Horse’ é uma produção cinematográfica norte-americana e encontra-se, neste momento, em uma nova etapa de estruturação comercial. A Europa Filmes está trabalhando no início do planejamento de comercialização e distribuição da obra no mercado brasileiro. Simultaneamente, nos Estados Unidos, também estão em andamento os procedimentos de registro e classificação indicativa da obra, como parte da preparação para sua exploração comercial. A expectativa é de que essa etapa seja concluída nos EUA até o final deste mês”, afirmou o advogado da Go Up, Ricardo Sayeg.
PRODUTORA NUNCA LANÇOU FILME – Não apenas a filmagem e o financiamento de “Dark Horse” são cercados de interrogações. Proprietária da Go Up Entertainment, a jornalista Karina Ferreira da Gama, nunca lançou nenhum filme, nem no Brasil e nem no exterior.
Karina entrou no projeto do filme pelas mãos do deputado federal Mário Frias (PL-SP), que assina o roteiro de “Dark Horse”. A jornalista também preside o Instituto Conhecer Brasil, que entrou na mira do Supremo Tribunal Federal (STF) pelo repasse de R$ 2 milhões em emendas enviadas pelo deputado para a produção de filmes. O instituto tem registro na Ancine desde 2020 mas também nunca lançou um filme nem no Brasil nem no exterior.
O filme se tornou munição para aliados de Lula – e virou uma dor de cabeça para a campanha do senador bolsonarista, respingando no seu desempenho nas pesquisas de opinião, antes de surgirem as mais recentes revelações de que o líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), teria recebido um imóvel de R$ 2,45 milhões em Salvador como propina do Master.
CAPTAÇÃO – Após uma série de reportagens do Intercept Brasil, Flávio reconheceu ter captado R$ 61 milhões de Vorcaro, pagos por meio de uma empresa ligada a ele a um fundo administrado pelo advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro.
Nenhum deles explicou por que era necessária a intermediação do fundo, o que levantou a suspeita de que o dinheiro na verdade estivesse sendo usado para financiar o autoexílio do filho 03 nos Estados Unidos.
LANÇAMENTO – Em 22 de junho, a Europa Filmes entrou com um pedido de “registro de obra estrangeira” (ROE) para lançar “Dark Horse” nos cinemas brasileiros. A distribuidora planeja um lançamento de grande porte para o filme, com a exibição em pelo menos 650 salas – no patamar do fenômeno de bilheteria “Tropa de Elite 2” – e cópias dubladas espalhadas por todo o país.
O trailer de “Dark Horse” indica que a produção foi filmada no Brasil, com diálogos em inglês e um elenco predominantemente estrangeiro, capitaneado pelo ator americano Jim Caviezel (célebre pelo papel de Jesus Cristo em “A Paixão de Cristo”, de Mel Gibson), que interpreta o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em meio à polarização política que pode invadir os cinemas, o diretor-geral da Europa Filmes, Wilson Feitosa, trabalha com três cenários para a performance comercial de “Dark Horse”.
CENÁRIOS – Na pessimista, o filme sobre Bolsonaro repete o fraco desempenho de “Lula, o Filho do Brasil”, lançado em 2010, e atrai 800 mil espectadores. Na realista, faz entre 1,5 milhão e 2 milhões de espectadores. Na otimista, supera os 2 milhões – um patamar alcançado por poucos filmes nacionais lançados no pós-pandemia, especialmente os voltados para o público adulto.
Para efeito de comparação, “O agente secreto” atraiu 2,4 milhões de espectadores ao longo de quatro meses em cartaz, turbinado pelo mar de premiações e as quatro indicações ao Oscar – algo que “Dark Horse” não deve ter a seu favor, como admite o próprio Feitosa.
Segundo Feitosa, “Dark Horse” não é uma peça de propaganda bolsonarista, ainda que o trailer disponibilizado indique um tom de thriller político, ambientado durante as eleições presidenciais de 2018, com destaque para o episódio da facada em Juiz de Fora (MG).
“ESPAÇO” – A dor de cabeça que “Dark Horse” causou a Flávio Bolsonaro é inversamente proporcional ao “espaço” que o longa-metragem reserva ao senador. No filme, o personagem de Flávio é secundário, com pouquíssimos diálogos – diferentemente do espaço reservado à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que tem um papel muito mais relevante na trama.
Após conferir o filme, a avaliação do QG da campanha de Flávio é a de que “Dark Horse” está mais para um thriller policial sobre a facada em Jair Bolsonaro em 2018 do que para uma cinebiografia propriamente dita. O personagem de Flávio tem participação discreta na trama, o que na tese de seus assessores deveria esvaziar os argumentos da campanha lulista de que o filme pode ser usado para promover a sua candidatura.
O filme recria cenas como um debate presidencial, mas sem usar os nomes dos adversários que enfrentaram Bolsonaro naquele pleito, como Fernando Haddad (PT) e Marina Silva (Rede). O autor do atentado em Juiz de Fora (MG) é retratado como um militante de esquerda, mas não se chama Adélio Bispo
Caros tribunários:
Como vamos nos livrar dessa oligarquia zero km que estamos engendrando com as próprias mãos?
Já não bastam as dinastias centenárias que há gerações dominam o Brasil? Agora estamos fabricando uma nova, ainda mais perigosa, e empurrando para a Presidência o seu representante mais truculento. Essa família é perigosíssima. Nenhum membro dela pode voltar e sentar-se na cadeira presidencial, pois nunca mais vamos tirá-los de lá.
Só com muito derramamento de sangue.
Não podemos permitir isso, em hipótese alguma.
Pensem bem no que já temos: um ladrão instalado em Curitiba, outro ladrão que provavelmente chegará ao Senado da República e que já roubava no Rio de Janeiro, um ladrão autoexilado que conspira 24 horas por dia contra o Brasil, e um ladrão que quer ser presidente da República.
Todos com viés autoritário. Todos cheirando a ditadura de cabo a rabo.
Como é possível acreditar que essa família tem condições de consertar o complexo Brasil?
Eles são um bando de oportunistas atrás de dinheiro e de poder duradouro. Nada além disso.
E ainda tem a Michele. Mulher que nunca trabalhou de verdade e, mesmo assim, declara no Imposto de Renda quase um milhão de dólares. Como isso é possível?
Só tem uma explicação:
Fruto de roubo!
Ela finge ser uma fundamentalista religiosa. Apenas finge. É uma impostora que usa a fé como disfarce e tem potencial real de criar um caos teocrático.
Uma verdadeira bomba atômica.
Não esqueço da Janja também. Arrivista política que vai tentar ficar com o espólio do Lula. Mas isso é bem mais complicado e, pelo menos, não cheira a oligarquia familiar.
Do lado de lá, o Lula também se lambuzou. Todos sabemos.
O Lulinha e os outros filhos aproveitaram o poder do pai e vivem tranquilos graças ao dinheiro roubado. A diferença é que esses outros filhos estão desativados, fora do baralho político.
Sobra o Lulinha, que quando o Lula largar o osso, também será o seu fim de linha.
O consolo é que não há uma dinastia pronta para se perpetuar. O lulismo e o PT tendem a se desintegrar.
Nada de oligarquia!
Já do outro lado, o que se constrói é exatamente o contrário:
Uma família inteira se posicionando para ficar décadas no poder, com mão pesada, truculência e a mesma velha fome de dinheiro e mando.
O destino do Brasil está nas mãos dos brasileiros sensatos.
Confesso sem rodeios: troco mais quatro anos do Lula por cem anos dessa nefasta família.
José Luis
Confesso sem rodeios: troco mais quatro anos do Lula por cem anos dessa nefasta família.
Amigão, não faça isso com o povo brasileiro, (33%) aquele que acorda 4 horas da madrugada para pagar o aluguel do filho do Narcola em Madri…
As duas Famiglias não valem o que tem dentro do penico….
Defender um bandido como o Narco-Ladrão em detrimento da outra que não vale nada, não faz sentido..
Narcola está destruindo o Brasil, é só ver o que acontece todos os dias no Páis..
Seu voto é sagrado, o Narco-Ladrão não merece.
aquele abraço
A verba talvez desse também para filmar um roteiro biográfico de “Flávio no País das Rachadinhas”.
HA!HA!HA!HA!HA!HA!HA!HA!HA
CÂMARA
Dos 513, 485 são eleitos com ajuda da cota partidária, que inclui os votos dados ao partido ou coligação
Só 28 deputados são “donos’ do mandato
DENISE MADUEÑO
da Sucursal de Brasília
Dos 513 deputados federais eleitos, apenas 28 receberam votos suficientes para se eleger sozinhos, independentemente dos seus partidos. O restante conseguiu sua vaga na Câmara com a ajuda da cota partidária, que inclui os votos dados ao partido ou coligação e aos seus candidatos.
Em São Paulo, que tem 70 deputados federais, apenas os petistas José Genoino (306.988 votos) e Aloizio Mercadante (241.559 votos) podem se sentir donos dos seus mandatos.
Como outros 26 deputados eleitos no país, eles receberam mais votos do que o quociente eleitoral do seu Estado. Essa é a primeira condição, segundo a lei, para preencher as vagas na Câmara.
O quociente eleitoral é o resultado da divisão do número de votos válidos pelo número de vagas do Estado na Câmara. O quociente de São Paulo foi de 223.017 votos.
“O mandato é do partido, do cidadão e do deputado. A votação expressiva aumenta a respeitabilidade no Congresso e a responsabilidade na atuação parlamentar. Não represento só os eleitores do PT”, afirmou Genoino. O PT tem cerca de 100 mil filiados no Estado.
Fidelidade partidária
O líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves (MG), outro deputado que integra o grupo seleto de donos do mandato, considera que o levantamento mostra a importância de criar mecanismos de fidelidade partidária.
“A regra mostra que os parlamentares se elegem com os votos do partido e, portanto, é necessário que as questões programáticas sejam respeitadas por eles”, disse.
Aécio afirmou ainda que a mudança de partido durante o mandato se transforma em “estelionato eleitoral”, porque o parlamentar é eleito com o partido.
Como Genoino, Aécio se elegeu em outras ocasiões com a ajuda do voto partidário. O líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), outro “dono” do mandato, afirmou que sua votação expressiva foi resultado da ação do partido. “Foi o PMDB que me ofereceu os instrumentos para essa votação”, disse.
Com voto, sem mandato
A divisão do quociente eleitoral pela soma de todos os votos dados à legenda (partido e coligação) e a seus candidatos resulta no quociente partidário, o número de vagas a que cada partido ou coligação tem direito.
Nesse cálculo, os deputados mais votados (chamados puxadores de votos) contribuem com a eleição de outros da mesma coligação. O partido ou coligação que não atingir o quociente eleitoral não tem direito a vaga na Câmara.
O deputado Lindberg Farias (PSTU-RJ), por exemplo, foi um dos deputados que receberam grande número de votos (73.791 votos). Só que seu partido no Rio de Janeiro não atingiu o número mínimo de 154.652 votos (o quociente eleitoral).
Na bancada de 46 deputados eleitos pelo Rio de Janeiro, 25 obtiveram votação menor do que a de Lindberg, mas, por causa do quociente partidário, conseguiram se eleger.
O grande número de votos não concede direitos especiais ao deputado. Todos representam apenas um voto durante as sessões na Câmara.
É muita pressão sobre o André Mendonça!!!!
https://revistaoeste.com/no-ponto/dino-e-gilmar-pressionam-pessoas-ligadas-a-andre-mendonca/