Lula e Flávio: dois candidatos, uma mesma dificuldade em dar explicações

Candidatos embromam sobre os próprios casos

Dora Kramer
Folha

É direito de todo cidadão, eleitor ou não, cobrar franqueza e objetividade de governantes ou de qualquer um que postule o ofício da representação e, assim, pretenda ter poder de decisão sobre a vida da coletividade —em variados graus.

A escolha pela vida pública é livre; já seu exercício implica obrigações entre as quais está no topo da lista a permanente prestação de contas à sociedade dona dos votos e do dinheiro que sustenta a atividade.

CAMINHO DE RISCO – A opção pela mentira, a meia-verdade e a dissimulação é caminho de risco; expõe seus autores ao constrangimento de se verem despidos da virtude fabricada. O enunciado, de tão óbvio, soa a platitude. Anormal é a desfaçatez com que candidatos à Presidência da República fazem da transgressão ao princípio básico uma banalidade.

Não só escolhem ao que (não) responder como se dão ao desfrute de se indignar, mentir, enrolar, tratar perguntas como impertinência ou incompetência de entrevistadores.

Reações que tanto revelam o autoritarismo dos espíritos como podem evidenciar a ausência de explicações plausíveis ou conter a combinação das duas hipóteses: culpa aliada à prepotência. Invertem aí o preceito da submissão de suas conveniências ao direito da população ao conhecimento de tudo o que lhes diz respeito. Direta ou indiretamente.

ESCÂNDALOS – Luiz Inácio da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) escolheram explorar os escândalos que rondam o adversário e reivindicam atenção aos planos de governo. É do jogo, mas se refugiam em evasivas quando confrontados com as respectivas vergonhas, contradições, imprecisões e vazios de ideias.

O presidente recorre ao velho truque de se pôr no lugar daquele que nada vê e nada sabe sobre o que se passa no seu entorno. O senador insiste em dar por superada uma questão que ficará em aberto enquanto ele não explicar para onde foi o dinheiro recebido do “irmão” Daniel Vorcaro. Ambos embromam, não respondem honestamente ao interesse do público nem afastam os fantasmas que os rodeiam.

2 thoughts on “Lula e Flávio: dois candidatos, uma mesma dificuldade em dar explicações

  1. ‘Vamos fazer o diabo para ganhar no primeiro turno’

    Duas semanas atrás, em meio às dezenas de gravações que fez com aliados para o horário eleitoral gratuito que começou anteontem, Lula disse a um senador que tenta a reeleição:

    “Vamos fazer o diabo para ganhar no primeiro turno. Nossas análises indicam que um segundo turno seria muito complicado”.

    O Globo, Política, Opinião, 30/08/2026 10h00 Por Lauro Jardim

    ‘Vamos fazer o diabo para ganhar no primeiro turno’

    Duas semanas atrás, em meio às dezenas de gravações que fez com aliados para o horário eleitoral gratuito que começou anteontem, Lula disse a um senador que tenta a reeleição:

    “Vamos fazer o diabo para ganhar no primeiro turno. Nossas análises indicam que um segundo turno seria muito complicado”.

    O Globo, Política, Opinião, 30/08/2026 10h00 Por Lauro Jardim

    Barba sabe que será difícil ganhar, e vai tentar fazer uma campanha de destruição de Rachadinha.

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