Corrupção, Moraes e evangélicos: o novo risco que ronda a campanha de Lula

Caso Moraes acende alerta no Planalto

Míriam Leitão
O Globo

A corrupção vai desempenhar um papel importante nesta eleição. A pesquisa da Quaest mostra, por exemplo, que 66% dos entrevistados souberam do caso Dark Horse e 52% consideram que Flávio Bolsonaro não deu explicações suficientes. Mas é importante observar que, nos últimos tempos, o que ganhou mais evidência foram as informações sobre as relações de Fábio Luís, filho do presidente, com Roberta Luchsinger.

É esse o caso que está mais recente na memória dos eleitores. E, nesse episódio, os números são muito semelhantes ao do envolvendo os Bolsonaros: 66% tiveram conhecimento e 54% consideram que as explicações não foram convincentes.

MORAES E VORCARO – Agora veio à tona o relatório da Polícia Federal que revela diálogos e encontros do ministro do STF Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, mudando novamente o cenário. Quero fazer um cruzamento dessa questão com o eleitorado evangélico.

Apesar de os evangélicos não poderem ser vistos como um grupo monolítico, 30% dizem ter escolhido Lula — um terço, portanto, é um dado importante. Mas é  preciso lembrar também que, à frente desse questionamento envolvendo Alexandre de Moraes, está o ministro André Mendonça, que é evangélico.

ASSOCIAÇÃO – Isso pode, de alguma forma, influenciar esse eleitorado, sobretudo pela associação que se estabelece entre Alexandre de Moraes e Lula. Ou seja, o episódio pode afastar esse grupo da candidatura do presidente.

Afinal, a tendência é que parte desse eleitorado se identifique mais com André Mendonça, que já se declarou “terrivelmente evangélico” e é pastor de uma Igreja Presbiteriana, ligada à tradição da Reforma. Nos últimos anos, porém, esse segmento religioso também passou a ser fortemente marcado pela participação política de direita.

2 thoughts on “Corrupção, Moraes e evangélicos: o novo risco que ronda a campanha de Lula

  1. Com Vorcaro no foco, pior para Flávio; com Moraes, Lula que se cuide

    A crise sem precedentes no Supremo (…) afeta as eleições. Sem programas de governo que tenham propostas reais e factíveis, a base de eleitores para votar é o mar de lama e a nociva sensação de que “são todos iguais, ninguém presta, não temos para onde correr”.

    O escândalo bilionário do onipresente Daniel Vorcaro atinge direita, esquerda e principalmente Flávio Bolsonaro, que se jogou na rede ao pedir a bagatela de R$ 134 milhões para o banqueiro, a quem chamou de “irmão”.

    O estrago contra Flávio já foi feito (…). Se há ainda estrago a ser feito é contra Lula, que (…) embolou-se irresponsavelmente com Moraes, como aliados políticos.

    Lula não só tomou partido e se meteu onde não devia durante o julgamento da trama do golpe, reforçando o discurso bolsonarista de que havia motivação político-partidário na decisão, como fez negociações políticas com Davi Alcolumbre na casa de Moraes.

    O time de Moraes na crise do Supremo inclui Gilmar Mendes, Dias Toffoli, e o próprio Alcolumbre, que está mergulhado em tudo. Como dizer que Lula não faz parte desse time?

    Logo, o fator Xandão pode enfraquecer Lula, exatamente quando sua vantagem sobre Flávio no segundo turno vai se esvaindo, evolui para empate e já não é impossível que as duas linhas se cruzem, com Flávio à frente.

    Arrogante e voluntarioso, Moraes não explica, nem tem como explicar, o contrato de R$ 131 milhões com Vorcaro, jato Legacy, helicóptero e cartão de crédito com limite de R$ 300 mil para os filhos.

    Muito menos, as 51 mensagens que recebeu do então banqueiro em 21 dias, em que fica óbvio que passava informações sigilosas e agia para tentar salvá-lo, tanto da prisão quanto da liquidação do Master.

    Sem defesa, Moraes ataca o relator do caso Master, André Mendonça, até com rascunho sem timbre, assinatura ou qualquer valor, o que só revela seu desespero e foi descartado pelo presidente do STF, Edson Fachin.

    O antes todo-poderoso Xandão está nos estertores e se permite arrastar o Supremo e as instituições com ele, transformando-se, de defensor, em ameaça à democracia.

    O efeito eleitoral, a ser conferido nas novas pesquisas, parece claro. Com o foco do escândalo Master em Vorcaro, o principal prejudicado na campanha era seu “irmão” Flávio.

    Quando esse foco desvia para Moraes, que se debate em movimentos primários e descoordenados, quem tende a pagar o pato é Lula.

    Conclusão: Xandão e Lulinha são o maior risco a um quarto mandato de Lula e, portanto, os maiores cabos eleitorais de Flávio, no bordão da campanha petista, “o pior dos Bolsonaro”.

    Fonte: O Estado de S. Paulo, Política, Opinião, 05/09/2026 | 14h14 Por Eliane Cantanhêde

    • Em sua coluna de hoje, Eliane Cantanhêde faz um esforço danado para tentar minimizar o efeito negativo do caso Moraes na campanha de Lula.

      No entanto, a tentativa frustra-se, pois Lula já está sendo ultrapassado por Flávio em pesquisas atuais de segundo turno.

      Com o Brasil, as empresas e as famílias tão endividadas como estão, fica praticamente impossível de Lula se reeleger em outubro.

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