Lula avalia defender apuração ao abordar suspeitas
Jeniffer Gularte
O Globo
Até agora em silêncio sobre as mensagens que mostram a relação do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá tratar publicamente do assunto, segundo aliados que acompanham as discussões na campanha petista.
De acordo com esses interlocutores, a ideia é que Lula adote a mesma linha das manifestações feitas em relação às suspeitas envolvendo seu filho mais velho, o empresário Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, e defender tanto as investigações como o direito de o magistrado apresentar sua defesa. Na tarde de terça-feira, o presidente recebeu o ministro do STF Gilmar Mendes para tratar da crise, no Palácio do Planalto.
FALA PÚBLICA – A possibilidade de uma manifestação pública foi debatida pela equipe do candidato à reeleição e o entendimento foi que uma fala pública pode ser uma forma de evitar que a crise na Corte respingue na campanha. Auxiliares do petista ainda discutem o formato em que Lula abordará o assunto.
A ideia, segundo seus aliados, é falar do tema como forma de se distanciar da crise. O presidente tem adotado discurso de que o STF é um poder independente e não cabe a ele interferir nas questões internas da Corte.
Relatório da Polícia Federal mostrou que Vorcaro pediu orientações a Moraes no auge da crise da instituição financeira. Durante um período de 13 dias, mensagens extraídas do celular do banqueiro apontam que ele pediu a intervenção do magistrado para impedir a liquidação do banco e o avanço das investigações. Nas conversas, Vorcaro faz apelos para “sensibilizar” autoridades e pergunta sobre como deveria proceder para “desarmar” e “reverter” a situação.
PERPLEXIDADE – Auxiliares que estiveram com o presidente após as revelações afirmam que Lula ficou “perplexo” com a “forma e conteúdo” das mensagens. Segundo esses interlocutores, Lula avaliou, reservadamente, que essa é uma crise do Poder Judiciário que está tendo reflexos na sociedade. Também considerou que é ruim para a democracia ter um judiciário com sua credibilidade abalada.
Uma ala do STF mais próxima a Moraes, contudo, avalia que antes de debater uma eventual investigação sobre as mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro, a Corte terá de decidir sobre a validade do relatório da PF. O principal argumento desse grupo é que esse tipo de apuração, envolvendo um magistrado do tribunal, precisa ser autorizado pelo colegiado.
Em manifestação nesta terça-feira, a Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu a nulidade do relatório. Segundo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que também é citado nas mensagens, a ordem de Mendonça para que a PF apurasse os destinatários da comunicação de Vorcaro, sem um pedido prévio do Ministério Público ou da Polícia Federal, não é válida por “exceder os limites de competência do magistrado”. Além disso, Gonet pontua que a lei prevê autorização do plenário do STF para que um integrante da Corte seja investigado.
RECEIO – Na terça-feira, logo após a revelação, o entorno presidencial fez uma avaliação inicial de que Lula evitaria, naquele primeiro momento, tratar do assunto publicamente. O presidente tem boa relação com Moraes, que é um dos principais alvos de críticas do bolsonarismo. O temor da campanha é que a crise envolvendo o ministro possa respingar no petista.
Assim, o objetivo de uma fala pública de Lula seria criar uma espécie de vacina ao discurso da oposição de que há ligação entre Lula e Moraes, em um momento em que o magistrado está com sua conduta sob suspeita. Na visão de aliados, qualquer gesto de Lula em direção ao magistrado neste momento, o faria perder votos. O movimento também é feito em meio a um cenário de disputa acirrada com Flávio Bolsonaro (PL), que na terça-feira defendeu a saída de Moraes do STF.
INVESTIGAÇÕES – Ex-ministros de Lula que são candidatos nessa eleição têm adotado a linha de defender investigações, como Gleisi Hoffmann, Simone Tebet, Paulo Pimenta e Fernando Haddad:
— Eu sempre defendi, e vou continuar defendendo, que tudo seja passado a limpo, porque é muito grave o que aconteceu com o Brasil. Não é uma questão menor. Envolva quem envolver — disse Haddad em agenda no interior de São Paulo.
Lula tem uma relação amistosa com Moraes. Porém, houve afastamento entre ambos após a derrota de Jorge Messias no Senado a uma vaga no STF no final de abril. Na época, o presidente recebeu informações de aliados de que o ministro havia trabalhado contra a indicação de Messias à Corte. Recentemente, no entanto, retomaram contato. O ministro do STF foi um dos responsáveis por sua reaproximação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) em um jantar na noite de 4 de agosto na casa de Moraes, em Brasília.
Campanha do Lula está contaminada desde que foi divulgado quanto o Mesadinha recebia e fugiu do país.
Prerplexidade…
Lula nasceu ontem.
Sabe de nada! Inocente! (WASHINGTON, Cumpadi. É o Tchan. Editora Memes Brasil. Eternidade).
Em São Lula
Acredito.
Como SEMPRE abandonará o “cumpanhero” no limbo. Cretino desde o nascimento.
Estranho isso, na calada sa noite se reuniu com ele e outras pessoas para salvar molusquimo e agora o cara não serve mais. Esse cara é um traíra
Planalto já trabalha para Moraes abrir vaga no STF e Lula indicar mais um ministro
Mobilizada no impeachment de Alexandre de Moraes, a oposição tem se surpreendido com discreto apoio de governistas.
É que, temendo impacto do escândalo Vorcaro/Moraes em sua campanha, Lula orientou que, “sem tripudiar”, petistas defendam a investigação do escandaloso relacionamento que transformou um ministro do no STF em consultor e informante de fraudador.
Lula esfrega as mãos de ansiedade pela abertura de nova vaga de ministro do STF.
Lula também sonha com uma terceira vaga, de Dias Toffoli, enrolado com Vorcaro no Tayayá. Para Lula, não se pode “cassar” apenas Moraes.
A bronca de Lula é do tempo de cadeia, quando Toffoli tomou decisões que o revoltaram. Ainda se diz “traído” e quer ver o ministro pelas costas.
Somente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tem a prerrogativa de abrir processo de impeachment de ministro do STF. E ele não quer.
Alcolumbre só abre processo se Lula mandar ou o STF pedir. Alcolumbre é temente a Moraes e ao STF como um todo, nessa ordem.
Fonte: Diário do Poder, 03/09/2026 0:07 Por Cláudio Humberto