Aliados apontam irregularidades em relatório de Mendonça
Márcio Falcão
O Globo
A ala de Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF) tem defendido que a análise do relatório da Polícia Federal sobre a suposta relação entre o ministro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro comece por questões processuais, as chamadas “preliminares”, que têm o condão, inclusive, de barrar a abertura de uma investigação.
Entre os pontos que poderão ser alegados com essa finalidade na sessão marcada para a próxima terça-feira (15), está uma eventual nulidade do relatório feito pelo ministro André Mendonça sobre o caso e, até mesmo, a falta de acesso a todo conteúdo extraído do celular de Vorcaro pela PF.
RELATORIA – Neste sábado (12), o presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, assumiu a relatoria da discussão sobre a situação de Moraes. A Procuradoria-Geral da República já se manifestou, no Supremo, a favor de que o relatório produzido por Mendonça seja arquivado sob o argumento de que a sua produção foi irregular.
Isso porque, conforme a PGR, a elaboração foi determinada pelo ministro, dentro das investigações do caso Master, sem comunicação prévia à Presidência, sem submissão ao plenário e com suposto direcionamento.
Um vício, ou seja, uma falha na origem do relatório, poderia fazer com que os ministros sequer discutissem se as mensagens justificam a abertura de uma investigação, ou se seria necessário ter acesso às mensagens de Moraes em resposta a Vorcaro para a apuração ser aberta.
52 MENSAGENS – Ao longo das investigações, a PF localizou 52 mensagens de 21 de dezembro de 2023 a 17 de novembro de 2025 – data em que o banqueiro Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez. O relatório da PF afirma que o ministro atuou diretamente na análise e na edição de um contrato de R$ 130 milhões, assinado entre o Banco Master e o escritório de advocacia Barci de Moraes, de Viviane Barci, esposa do ministro.
Segundo a Polícia Federal, em uma mensagem enviada dois dias antes de ser preso, o dono do Master perguntou ao ministro do Supremo Alexandre de Moraes se tinha que deixar o Brasil. Ainda de acordo com a PF, Daniel Vorcaro pediu ajuda ao ministro para conter ações da PF e do Ministério Público Federal contra o banco. O relatório afirma que Vorcaro e Moraes se encontraram oito vezes.
Nesta segunda-feira (14), termina o prazo para que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, se manifestem sobre a produção do relatório.
CELULAR DE VORCARO – Outra discussão que se tornou central às vésperas da sessão é o acesso a todo material extraído do celular de Vorcaro. Os ministros Cristiano Zanin, Moraes e Gilmar Mendes defendem que a análise do material é fundamental para uma ampla avaliação do caso de Moraes pelo plenário.
A PGR também reforçou que o acesso à integralidade dos dados é necessário “para a formação de juízo sobre o tema posto em debate”. O presidente do STF, Edson Fachin, deu prazo de 24 horas para a PF prestar informações sobre o celular. O eventual acesso ao aparelho poderia adiar a sessão até que os gabinetes possam fazer uma varredura.
André Mendonça, por sua vez, Mendonça afirma que a cópia repassada pela PF segue lacrada em seu gabinete. Fachin ainda não anunciou o rito da sessão da próxima terça-feira (15). O caso é inédito no Supremo. Há dúvidas, por exemplo, se o próprio Moraes e a Procuradoria-Geral da República vão se manifestar na sessão.
SESSÃO ABERTA – Há a expectativa de que a sessão seja aberta, com alguma restrição de acesso do público ao plenário. Não está descartada a hipótese de algum ministro apresentar uma questão de ordem para que o julgamento seja fechado. Até agora, seis votos são considerados mais prováveis. Os ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino, e Cristiano Zanin são apontados como alinhados com Moraes.
André Mendonça contaria com o apoio de Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. Nos bastidores, há incerteza sobre os votos de Fachin e Cármen Lúcia, que estão recebendo acenos e pressões dos dois lados.
O ministro Dias Toffoli teria indicado a colegas que a tendência é a de ele não participar, já que o caso é desdobramento do caso Master, do qual deixou a relatoria no início do ano após revelações de possível relação com Vorcaro.
PT pede ao STF investigação de possível financiamento de organização trumpista para Flávio
O PT protocolou no STF um pedido de abertura de inquérito policial que investigue o suposto financiamento ilegal da campanha presidencial de Flávio Rachadinha pela Rockbridge Network, organização norte-americana fundada pelo atual vice-presidente dos EUA, J.D. Vance.
As acusações se baseiam nas afirmações do também candidato à Presidência Renan Santos (Missão) e falam de uma possível operação clandestina de apoio financeiro associada a interesses estratégicos no setor de terras raras no Brasil.
O documento ressalta que a legislação brasileira impede o financiamento de campanhas por recursos estrangeiros e que eventuais comprovações dessas denúncias poderiam configurar graves crimes eleitorais e de corrupção.
Além da abertura do inquérito, o pedido inclui medidas severas como quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático, busca e apreensão, e cooperação internacional para aprofundar o esclarecimento dos fatos, destacando a relevância e a gravidade do caso para a integridade do processo eleitoral brasileiro e a soberania nacional.
O mesmo pedido será protocolado no Tribunal Superior Eleitoral, na Polícia Federal e na Procuradoria-Geral da República.
Empresários como Tallis Gomes e Pedro Sang foram citados como possíveis intermediários entre a organização trumpista dos EUA e à campanha de Flávio devido suas ligações com a Rockbridge.
“O financiamento noticiado representaria burla às normas contábeis de campanha e/ou à obrigação de declarar receitas e despesas à Justiça Eleitoral, bem como possível interferência estrangeira organizada na eleição presidencial brasileira.
A gravidade é ainda maior diante da afirmação de que o apoio estaria relacionado a interesses na exploração de terras raras.
Caso demonstrada alguma contrapartida, estar-se-á diante da possível instrumentalização de uma candidatura presidencial em benefício de interesses econômicos”, diz o PT na peça.
Fonte: O Globo, Política, Eleição 2026, 12/09/2026 19h37 Por Bela Megale
Haveria alguma dúvida quanto à uma possível intervenção trumpista nas eleições 2026 em favor de Flávio Rachadinha?
A estratégia do grupo de Alexandre de Moraes para melar julgamento
Aliados de ministro pretendem questionar tudo: formato de sessão, quórum, licitude das provas, participação de Fux e Nunes Marques, e ainda exigir julgamento conjunto com Mendonça
Diante do risco de ser alvo de uma inédita abertura de investigação, o ministro do STF Alexandre de Moraes aposta na estratégia, a ser executada pelos seus aliados, de lançar uma série de questões preliminares para tentar melar o julgamento previsto para esta terça-feira (15).
A “prévia” desse roteiro já veio à tona nos últimos dias, com a guerra de ofícios que partiu da exigência do levantamento do sigilo do caso Master, inclusive de frentes de investigação sem relação com Moraes, além do acesso ao material extraído do celular de Vorcaro.
O objetivo do grupo, formado pelos ministros Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Flávio Dino, é levantar uma série de questões preliminares – a equipe da coluna mapeou pelo menos sete – para tentar impedir que o julgamento chegue à análise do mérito sobre as 52 mensagens trocadas pelo ministro com Vorcaro.
Numa delas, em 15 de novembro de 2025, o ex-banqueiro questiona Moraes: “Acha que segunda já tenho que estar fora?” Dois dias depois, numa segunda-feira, Vorcaro foi preso no aeroporto de Guarulhos tentando embarcar para Dubai.
Não está descartado que seja feito um pedido de vista, que poderia interromper o julgamento por tempo indeterminado.
Mas nas conversas entre eles, os ministros do grupo têm uma lista de questões preliminares a apresentar na sessão. Nessa lista, a prioridade é o formato da sessão.
(…)
O Globo, Opinião, 14/09/2026 00h00 Por Rafael Moraes Moura — Brasília / Malu Gaspar
Ilustres partícipes da TI , essa guerra de interesse exclusive de Israel contra o IRÃ , que conseguiu arrastar os EUA junto e terminou com Israel tirando o corpo fora e deixando os EUA com o abacaxi sozinho , que esta prejudicando vários países , mundo afora , quem vai arcar com esses prejuízos causados por Israel x EUA .
Os Personagens envolvidos,praticaram PREVARICAÇÃO/Corrupção PASSIVA.
Para se safarem,usam o rótulos ideológicos numa verdadeira pirotecnia.
https://youtube.com/shorts/fCz66YJZN7s?is=7YNUEF5fV-7hAzJu.
se gritar corrupção não sobra um meu irmão.
Motivos, para aderentes à facada e aos subsequentes destrambelhamentos:
““DANIEL”: BOLSONARO SABIA DEMAIS? POSTAGEM ENIGMÁTICA DE 2021 VOLTA A REPERCUTIR EM MEIO AO CASO MASTER
Publicação feita pelo ex-presidente há cinco anos mencionava personagem chamado “Daniel” em situação hipotética envolvendo chantagem contra uma autoridade; não há comprovação de que referência fosse a Daniel Vorcaro
Uma publicação feita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em 4 de julho de 2021 voltou a circular nas redes sociais em meio às revelações envolvendo o Banco Master e seu ex-controlador, Daniel Vorcaro.
Na mensagem publicada quando ainda ocupava a Presidência da República, Bolsonaro apresentou uma situação hipotética na qual uma autoridade teria sido filmada em circunstâncias comprometedoras e posteriormente passaria a sofrer chantagem.
“Vamos supor uma autoridade filmada numa cena com menores — ou com pessoas do mesmo sexo ou com traficantes — e esse alguém (‘Daniel’) passe a fazer chantagem, ameaçando divulgar esse vídeo”, escreveu Bolsonaro na ocasião.
A publicação repercutiu na imprensa em 2021, mas Bolsonaro não revelou publicamente quem seria a autoridade mencionada nem explicou por que escolheu o nome “Daniel” para o personagem apresentado no texto.
CINCO ANOS DEPOIS, O NOME VOLTA AO DEBATE
Em 2026, o trecho ressurgiu nas redes sociais em razão dos desdobramentos do caso Banco Master e da exposição de mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro que envolvem diferentes personagens dos meios empresarial, político e jurídico.
A coincidência entre os nomes passou, então, a alimentar uma pergunta nas redes: Bolsonaro estava simplesmente utilizando um nome fictício para construir sua hipótese ou possuía, já em 2021, alguma informação que não era de conhecimento público?
Até o momento, não há comprovação documental conhecida de que o “Daniel” citado por Bolsonaro naquela publicação fosse Daniel Vorcaro.
Também não está demonstrado que o episódio mencionado pelo então presidente tenha relação com as investigações atuais envolvendo o Banco Master.
BOLSONARO SABIA DE ALGO?
É justamente a ausência de uma explicação definitiva para aquela postagem que mantém o episódio cercado de questionamentos.
A publicação existe, o nome “Daniel” foi efetivamente utilizado por Bolsonaro e o texto tratava de uma hipótese de chantagem envolvendo uma autoridade. O que permanece sem resposta é a identidade do personagem ao qual Bolsonaro pretendia se referir — caso estivesse falando de uma pessoa real.
Por isso, qualquer tentativa de identificar Daniel Vorcaro como o “Daniel” de 2021 permanece, neste momento, no campo das hipóteses e coincidências, e não dos fatos comprovados.
A resposta capaz de encerrar o enigma provavelmente teria que partir do próprio ex-presidente.
Afinal, cinco anos depois, a pergunta voltou à cena: quem era “Daniel” — e o que Jair Bolsonaro sabia quando decidiu publicar aquela mensagem?
Reportagem e análise: Anderson Barbosa
Jornalista independente – O Brasil Não Pode Parar
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Para não morrer, Bolsonaro teria à convite “extraido Moro da Lava Jato e obediente, sumido do Brasil e mesmo assim sendo emudecido e preso?
Ficou fácil deduzir quem bancou Adélio e seus advogados e calou todos os órgãos de investigações?