Em crise, Correios anunciam venda de imóveis para arrecadar até R$ 1,5 bilhão

Primeira etapa terá 21 imóveis em 12 estados

Vinícius Cassela
G1

Em crise financeira, os Correios anunciaram nesta sexta-feira (6) que vão colocar imóveis próprios à venda em diferentes estados do país como parte do plano de reestruturação da estatal. A expectativa da empresa é arrecadar até R$ 1,5 bilhão até dezembro com a venda de ativos considerados ociosos.

Os primeiros leilões estão marcados para os dias 12 e 26 de fevereiro. Nesta etapa inicial, serão ofertados 21 imóveis. Segundo os Correios, os certames serão 100% digitais e poderão ter participação de pessoas físicas e jurídicas. A empresa afirma que a venda de imóveis faz parte de um conjunto de medidas para reorganizar as finanças, reduzir custos fixos e recuperar capacidade de investimento.

PROPRIEDADES – De acordo com os Correios, os imóveis desta primeira fase estão localizados em 12 estados: Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte e São Paulo. O portfólio inclui diferentes tipos de propriedades, como prédios administrativos, galpões, terrenos, lojas e apartamentos funcionais. Os valores iniciais variam de R$ 19 mil a R$ 11 milhões, segundo a estatal.

Os Correios dizem que as alienações não devem afetar a prestação de serviços à população e que outros imóveis ainda estão em fase de preparação para venda. As informações sobre os leilões — como editais, fotos dos lotes e regras de participação — estão disponíveis nos canais oficiais da empresa e da leiloeira responsável.

CRISE –  A venda de imóveis ocorre em meio a uma crise financeira considerada histórica dentro dos Correios. Como parte do plano de recuperação, a estatal abriu prazo no início de 2026 para funcionários aderirem a um programa de demissão voluntária.

Segundo a empresa, a expectativa é reduzir em cerca de 15 mil o quadro atual, de aproximadamente 90 mil empregados. O programa prevê também reorganização de cargos e mudanças em benefícios, como plano de saúde e previdência. Os Correios informaram que ainda não têm um balanço de quantos funcionários aderiram. A estatal afirma que pretende economizar R$ 2 bilhões por ano a partir de 2027 com as medidas.

Um gráfico produzido pela própria empresa mostra que os gastos com pessoal cresceram nos últimos anos. Em 2022, as despesas foram de R$ 15,2 bilhões. Em 2024, subiram para quase R$ 20 bilhões. De acordo com os Correios, 60% da receita hoje é usada para pagar salários, plano de saúde e outros custos ligados ao quadro de funcionários.

FECHAMENTO DE AGÊNCIAS – Ao mesmo tempo, a empresa perdeu participação no mercado de entrega de encomendas. Há seis anos, os Correios detinham cerca de metade desse segmento. No fim de 2025, encerraram o ano com aproximadamente 20%, segundo dados citados pela estatal. O plano para 2026 prevê, além da venda de imóveis, o fechamento de agências. A empresa informou que já fechou 121 unidades, de um total de mil previstas no plano de reestruturação.

Os números do balanço também mostram deterioração acelerada. Em 2022, os Correios registraram prejuízo de mais de R$ 700 milhões. Em 2024, o déficit subiu para R$ 2,5 bilhões. O resultado de 2025 ainda não foi fechado oficialmente, mas a empresa calcula um rombo de R$ 10 bilhões.

Para manter as operações, os Correios contrataram um empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco bancos e receberam no início de 2026 R$ 10 bilhões desse total. A operação só foi concluída após o Tesouro Nacional oferecer garantias, segundo a estatal. O dinheiro será usado para quitar dívidas imediatas e sustentar a operação, mas a empresa admite que pode precisar de mais R$ 8 bilhões ao longo do ano.

DIFICULDADES – No fim de 2025, o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, disse que o resultado negativo de 2026 pode chegar a R$ 23 bilhões se o ciclo de perdas não for interrompido. Especialistas afirmam que a estatal enfrenta dificuldades para competir com empresas privadas do setor. O economista Raul Velloso defendeu uma redução do peso dos gastos para tornar o funcionamento da empresa mais sustentável.

“Nós temos de arrumar as coisas de tal forma que o setor público saia desses segmentos e nós adequemos o funcionamento deles a um índice de gasto bem mais razoável do que o que se tem em nosso país”, disse. Já o economista Armando Castellar, pesquisador associado do FGV Ibre, avaliou que os Correios estão em uma corrida contra o tempo e deveriam considerar a hipótese de privatização.

“Não tem agilidade de um setor que é cada vez mais competitivo, cada vez mais ágil. Empresas estatais no passado fecharam exatamente porque o governo hesitou muito. É muita hesitação em termos de você privatizar. Demorou, demorou, acabou tendo que fechar porque o prejuízo simplesmente era grande demais e não havia condição de competir”.

Mourão afirma que a opinião pública exige a punição de ministros do STF

Este é o general Hamilton Mourão - 11/12/2018 - General Mourao - Fotografia  - Folha de S.Paulo

“As pessoas me cobram punição de ministros, diz Mourão

Marcela Rahal
Veja

O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), ex-vice-presidente da República, afirmou que tem sido cobrado com frequência pela sociedade para que o Senado avance com pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi feita em entrevista ao programa Ponto de Vista, de Veja, ao comentar o papel da oposição sobre o tema.

“Não tem um único lugar que eu vá em que não seja cobrado por não termos colocado para frente o impeachment de algum ministro”, disse Mourão, ao relatar que a pressão vem de eleitores em diferentes regiões do país.

SENADO APROVA… – O senador destacou que, embora a indicação dos ministros do STF seja feita pelo presidente da República, a nomeação só se efetiva após aprovação do Senado.

Segundo ele, essa etapa representa a vontade da sociedade. “A chancela do Senado não é individual. É a chancela do povo brasileiro, que nós representamos”, afirmou.

Nesse sentido, Mourão defendeu que o Congresso tem o dever de agir, por haver respaldo popular para o afastamento de magistrados. “Os ministros estão lá por obra do povo brasileiro. E, se o povo entender que algum deles deve ser retirado, compete a nós cumprir aquilo que o povo deseja”, declarou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Mourão está certíssimo e concorda com o que diz outro senador influente, Alessandro Vieira (MDB-SE), que afirma: “Já está na hora de ministro do Supremo ir para a cadeia”. Concordo em gênero, número e grau, como se dizia antigamente. (C.N.)

Dino retira emendas de Eduardo Bolsonaro e Ramagem e entrega aos suplentes do PL

Suplentes indicarão beneficiários e remanejarão recursos

Mariana Muniz
O Globo

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que deputados que assumiram mandatos após a perda de cargo de Alexandre Ramagem e Eduardo Bolsonaro passem a controlar as emendas individuais vinculadas às vagas ocupadas por eles no orçamento de 2026.

A decisão libera os parlamentares Missionário José Olímpio (PL-SP) e Dr. Flávio (PL-RJ) , atuais titulares dos mandatos, a indicar beneficiários e remanejar recursos das emendas que haviam sido apresentadas quando Ramagem e Eduardo Bolsonaro ainda figuravam formalmente como deputados.

PRESENÇA INSTITUCIONAL – Ao analisar o caso, Dino reiterou o entendimento de que a apresentação de emendas parlamentares pressupõe o exercício efetivo do mandato, com presença institucional. Segundo o ministro, nem Eduardo Bolsonaro nem Ramagem estavam nessa condição no período de tramitação do Orçamento de 2026, já que ambos se encontravam fora do país e, no caso de Ramagem, já havia condenação criminal com perda do mandato.

Apesar disso, o ministro considerou que manter o bloqueio integral das emendas resultaria em prejuízo desproporcional aos deputados que assumiram posteriormente e, sobretudo, às populações representadas por eles. Para evitar esse efeito, aplicou por analogia um dispositivo da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 que trata da substituição do autor da emenda em caso de mudança de titularidade do mandato.

Na decisão, Dino afirma que a demora da Câmara dos Deputados em formalizar a perda dos mandatos contribuiu para a distorção no processo orçamentário. Segundo ele, os suplentes “em verdade já deveriam ter sido os autores das indicações”, não fosse a procrastinação administrativa.

DESBLOQUEIO – Com isso, o ministro determinou o desbloqueio das emendas e deixou claro que os novos deputados não ficam vinculados às indicações feitas pelos ex-parlamentares, cabendo à Câmara estabelecer os procedimentos para o exercício regular da prerrogativa.

Situação distinta foi reconhecida no caso da ex-deputada Carla Zambelli. Dino negou o pedido para que o suplente pudesse apresentar emendas relativas ao mandato, ao argumento de que nenhuma proposta foi apresentada dentro do prazo legal. Para o ministro, reabrir o período de indicação violaria o princípio do planejamento orçamentário, que estrutura o ciclo fiscal.

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Lira prepara reação ao STF após Dino determinar acareação sobre emendas

Processo apura irregularidades na distribição de emendas 

Caio Junqueira
CNN

O deputado federal Arthur Lira prepara uma reação ao Supremo Tribunal Federal após o ministro Flávio Dino determinar uma acareação entre ele e o deputado José Rocha (PL-BA) em um processo que apura irregularidades na distribuição de emendas parlamentares.

A ideia, por ora, é apresentar uma petição à corte apontando que a acareação é descabida por diversos motivos. Primeiro, porque Lira não foi sequer ouvido neste processo e não caberia de acordo com a legislação uma acareação entre uma testemunha que já foi ouvida, como José Rocha, e outra que não.

CONTESTAÇÃO – Segundo, porque a avaliação no entorno do ex-presidente da Câmara é de que o depoimento de José Rocha, no qual aponta irregularidades na distribuição de emendas parlamentares, foi contestado pelos outros depoentes que prestaram informações no processo, caso por exemplo do deputado Marangoni (União-SP).

A leitura no entorno de Lira é também de que o critério de distribuição das emendas nas bancadas é político e obedece portanto a uma série de critérios políticos, em especial a posição do parlamentar na estrutura interna da Câmara. Assim, líderes e presidentes de comissão por exemplo têm, segundo esses critérios, direito a mais recursos.

INTERFERÊNCIA – O entendimento é de que Dino tenta com o processo no STF interferir em questões políticas internas da Câmara e que baseia essa apuração em um único depoimento de um parlamentar, José Rocha, que por sua posição na hierarquia da Cãmara tinha direito a menos recursos, o que o teria levado a reclamar ao STF.

Esses entendimentos foram manifestados já pela Advocacia-Geral da Câmara em dezembro após uma operação de busca e apreensão contra Mariângela Fialek, a Tuca, ex-assessora do gabinete de Lira. Mas deverão ser reforçados em nova manifestação a ser apresentada pelo deputado.

Tebet aumenta pressão e diz que Haddad “não pode fugir” da disputa em São Paulo

Ministra  deve concorrer ao Senado no estado

Sérgio Roxo
O Globo

Depois de Camilo Santana (Educação) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), agora foi a vez da ministra do Planejamento, Simone Tebet, cobrar a entrada do colega da Fazenda, Fernando Haddad, na eleição de São Paulo.

Nesta semana, Tebet, ao comentar o cenário da eleição no estado, disse que Haddad não tem como fugir da missão. “Não tem como o ministro Haddad fugir dessa missão. Não dá. O quadro não fecha sem ele. E ele precisa ter essa consciência e acho que tem”, afirmou.

DOMICÍLIO ELEITORAL – A ministra do Planejamento já definiu com Lula que concorrerá ao Senado por São Paulo. Publicamente, porém, Tebet tem dito que se colocou à disposição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para concorrer tanto no estado como no Mato Grosso do Sul. Ela tem até 4 de abril para transferir o seu domicílio eleitoral.

Para a ministra, na eleição são necessários pelo menos dois nomes de peso. Outra possibilidade, segundo Tebet, seria o vice-presidente Geraldo Alckmin concorrer no estado. “Não há possibilidade de ter pelo menos uma dupla em São Paulo. Uma andorinha não faz verão”, disse.

Indagada se poderia concorrer ao governo de São Paulo, a ministra respondeu: “Os melhores nomes para o governo de São Paulo, por toda história, por conhecerem, por estarem mais atrelados à própria figura do presidente Lula, são o Haddad, por ser do PT, e o Alckmin, por ser vice. Se estamos falando em angariar votos para a majoritária federal, esses dois no governo do estado puxam mais votos”, afirmou.

NOVAS CONVERSA – Tebet deve ter uma nova conversa com Lula sobre a eleição antes do carnaval. Ainda de acordo com a ministra, neste momento o presidente tem discutido o tema com Alckmin e Haddad.

Para disputar o Senado nem São Paulo, a ministra do Planejamento pode ser obrigado a mudar de partido. Ela recebeu convite do PSB. Lideranças petistas, porém, alimentam a expectativa de que ela possa permanecer no MDB.

Entre Bolsonaro e o Planalto, Tarcísio perde o bonde e fica refém em São Paulo

Antecedentes e ataques à democracia pesam contra Bolsonaro e Braga Netto no STM

Bolsonaro e Braga Netto enfrentam cenário mais adverso

Ana Flor
G1

Dentro do Superior Tribunal Militar (STM), o julgamento dos condenados por tentativa de golpe no STF é considerado imprevisível, mas dois dos réus que podem ter a perda de patente por indignidade determinada pelos ministros têm situação considerada mais grave: o ex-presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro da Casa Civil e da Defesa, Walter Braga Netto.

Na análise do caso de Bolsonaro, segundo ministros, ex-ministros da Corte e especialistas na Justiça Militar afirmaram que pesará o antecedente de já ter sido julgado no STM por conduta irregular. Entre 1987 e 1988, Bolsonaro foi julgado duas vezes, por diferentes Conselhos de Justificação. Condenado por unanimidade na primeira instância, foi considerado não culpado em 1988 por maioria do STM.

SEGUNDA VEZ – “Antecedentes pesam na análise dos ministros militares”, afirmou o professor da UFRJ e historiador Carlos Fico. “Sempre existe a aura de ser ‘uma segunda vez’”, diz ele. No caso de Braga Netto, a imagem chamuscada dentro das Forças Armadas se dá pelos ataques orquestrados a militares do alto comando, na tentativa de mobilizar apoio para a tentativa de reverter o resultado das eleições de 2022, segundo mensagens e documentos encontrados pelos investigadores.

Em tese, a decisão do STM é apenas dizer se pessoas que foram condenadas em última instância por ataque à democracia e tentativa de golpe de Estado não são dignas do oficialato. Uma reação aos crimes graves a que os cinco, agora réus no STM, foram condenados. Além deles, Mauro Cid foi condenado, mas a uma pena de até dois anos, que não leva o caso à análise do STM. A pena do tenente-coronel foi diminuída pelo acordo de colaboração.

COM CAUTELA – No tribunal, entretanto, o caso de Augusto Heleno e até de Almir Garnier será visto com cuidado por ministros militares. Heleno, pela saúde e idade, mas sobretudo por ser admirado dentro do tribunal. Já Garnier, lembra um analista que acompanha o tribunal, tem entre ministros ex-colegas de almirantado.

“De qualquer forma, um ministro terá que buscar muitos argumentos para dizer que não concorda que aquelas pessoas são indignas para o oficialato mesmo com uma condenação porque conspiraram contra a democracia”, pondera.

Dino dá uma “aula” aos ministros do STF e suspende penduricalhos em todo o país

Dino suspende “penduricalhos” do serviço público nos Três Poderes

Dino mostra que ainda há ministros que merecem respeito

Samantha Klein
CNN Brasil

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu liminar para suspender os chamados “penduricalhos” do serviço público nos Três Poderes da República, no país inteiro.

A decisão dele vem no bojo da aprovação, nesta semana, do projeto da Mesa Diretora que abre brecha para o pagamento de verbas indenizatórias acima do teto do funcionalismo para alguns cargos.

PRAZO PARA REVER – A cautelar determina que, em até 60 dias, órgãos de todos os níveis da Federação revisem as verbas pagas e suspendam aquelas que não possuam base legal. Além disso, cobra do Congresso Nacional a edição da lei que regulamente quais verbas indenizatórias são efetivamente admissíveis como exceção ao teto.

A decisão será submetida ao Plenário, em data ainda a ser definida pela Presidência do STF.

Na decisão, o ministro alerta para o uso indevido de verbas “indenizatórias” que, na prática, servem para turbinar salários e ultrapassar o limite previsto na Constituição. Apenas parcelas indenizatórias expressamente previstas em lei podem ficar fora do teto, conforme entendimento já consolidado pelo STF.

TETO CONSTITUCIONAL – Segundo Dino, a medida, baseada em decisão da Corte de fevereiro do ano passado, reforça o cumprimento do teto constitucional de remuneração.

O ministro também citou o presidente Lula, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, para dar ciência da decisão com o objetivo de que sejam adotadas medidas políticas e legislativas para cumprir a determinação.

Na prática, todos os penduricalhos ilegais, sem previsão legal, precisam ser suspensos. Segundo líderes da Câmara ouvidos pela reportagem da CBN, além de derrubar os “penduricalhos”, uma das metas é rediscutir uma revisão do teto constitucional, evitando que valores sejam pagos fora da legislação. Ou seja, trata-se de um repasse, já que esses auxílios não sofrem desconto de imposto de renda.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Flávio Dino elaborou um voto histórico. Está tentando eliminar um dos maiores problemas do país, que é a exploração do Estado pelo homem. O serviço público não pode nem deve ser fator de enriquecimento ilícito de servidores. O jovem que pretende ser rico deve disputar no mundo dos negócios. Tentar ficar rico como funcionário público é uma distorção escatológica, digamos assim, algo verdadeiramente repugnante. Vamos apoiar Flávio Dino, que pode se transformar num exemplo para o STF. (C.N.)

Lula diz que cobrou explicações de Lulinha após citação em CPI do INSS

Antes da liquidação e da prisão, Daniel Vorcaro esteve 17 vezes no Banco Central

Após recados de Moraes, Fachin cancela encontro sobre Código de Ética no STF

Lula escala ministros e arma palanques para evitar perder eleitores nos maiores estados

Haddad é pressionado para disputar o governo de SP

Jeniffer Gularte
Victoria Azevedo
Sérgio Roxo
O Globo

Com dificuldade para montar palanques competitivos em estados estratégicos, o governo intensificou a pressão para que o ministro Fernando Haddad dispute o governo de São Paulo e já consolidou a candidatura da ministra do Planejamento, Simone Tebet, ao Senado no estado. A movimentação faz parte de uma estratégia do Palácio do Planalto para evitar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegue à eleição com apoios frágeis nos maiores colégios eleitorais do país.

A preocupação do Planalto é que Lula fique com alianças frágeis em estados com grande densidade eleitoral, o que poderia comprometer o desempenho da campanha à reeleição. Auxiliares avaliam que é necessário atuar localmente para impedir que partidos de centro hoje presentes na Esplanada se alinhem às candidaturas bolsonaristas. Diante da dificuldade de atrair essas legendas formalmente, a estratégia tem sido dialogar com setores dessas siglas e evitar que fechem alianças estruturadas com o campo adversário.

MISSÕES REGIONAIS – Um interlocutor de Lula afirma, sob reserva, que o presidente não quer correr riscos e deverá escalar ministros com força política para missões regionais, sobretudo em áreas consideradas estratégicas. A ideia, diz esse aliado, é manter um “banco de reservas” com nomes competitivos à disposição.

Em entrevista ao O Globo, o ministro Camilo Santana (Educação) elevou o tom da cobrança e afirmou que Haddad não pode se dar ao “luxo” de tomar uma decisão individual. Mesmo com a resistência do titular da Fazenda, que já disse mais de uma vez que não deseja se candidatar, o PT mantém Haddad como plano A ao governo paulista e avalia que Lula avançou no processo de convencimento.

Haddad tem afirmado que deseja participar da coordenação da campanha e da formulação do programa de governo. Petistas próximos ao presidente dizem que Lula não pretende impor uma decisão, mas atua diretamente na construção de consensos.

DISPUTA PELO SENADO – A definição mais concreta até o momento em São Paulo, segundo auxiliares, envolve Simone Tebet. Após conversas recentes com Lula, ela aceitou disputar o Senado pelo estado e deve deixar o ministério até o fim de março para viabilizar a mudança de domicílio eleitoral. No entorno do presidente, a avaliação é que a presença de Tebet amplia o alcance do palanque lulista, sobretudo junto ao eleitorado de centro.

Tebet passou a ser tratada no Planalto como peça estruturante da chapa majoritária em São Paulo, num cenário em que Haddad segue como principal nome ao governo. Ainda não está definido se ela permanecerá no MDB ou migrará para outra legenda da base.

O vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, também é citado como alternativa para reforçar o palanque paulista. Parte dos aliados defende que ele concorra ao governo caso Haddad dispute o Senado.

CONVERSA COM PARTIDOS – Alckmin, no entanto, tem dito a interlocutores que não pretende disputar cargos eletivos. Já a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, passou a se movimentar para ocupar uma das vagas ao Senado por São Paulo. Ela conversa com partidos da base e de fora dela e indicou estar disposta a participar da construção eleitoral no estado, o que pode ampliar a disputa interna no campo lulista.

No Nordeste, Camilo Santana anunciou que deixará o MEC para ajudar na articulação de alianças e na reeleição do governador Elmano Freitas (PT), que enfrenta a ameaça de Ciro Gomes (PSDB). Camilo é visto como plano B ao governo estadual caso Elmano não avance nas pesquisas — Lula já disse a assessores que não “aceita” perder o Ceará.

Em 2024, Fortaleza foi a única capital conquistada pelo PT, com a vitória de Evandro Leitão sobre o bolsonarista André Fernandes (PL). Camilo é apontado como um dos responsáveis pela articulação que garantiu o resultado. Na Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) terá o ex-prefeito ACM Neto (União Brasil) como principal adversário. O ministro Rui Costa (Casa Civil) deve deixar o cargo em abril e, a princípio, disputar o Senado, mas há discussões sobre a possibilidade de concorrer ao governo caso Jerônimo enfrente dificuldades.

REDUÇÃO DA DIFERENÇA – Aliados destacam que o Nordeste foi a única região em que Lula superou Bolsonaro em 2022 e consideram essencial repetir o desempenho. Já no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a avaliação é que a esquerda dificilmente terá maioria, mas deve buscar reduzir a diferença.

No Paraná, Lula escalou a ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) para disputar o Senado. O plano inicial era a reeleição à Câmara, mas, a pedido do presidente, ela deve tentar a Casa Alta para fortalecer a chapa em um estado considerado difícil.

Desde que assumiu o ministério, Gleisi intensificou o diálogo com lideranças regionais para aproximar o governo de partidos estratégicos. Sua equipe prepara um mapa das candidaturas competitivas e das possíveis alianças. Um aliado resume que o plano de Lula é escalar o melhor time possível nos estados e até reabilitar nomes que estavam fora da política, desde que tenham potencial eleitoral.

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“Saiu da costela do Bolsonaro”, diz Flávio, defendendo apoio à reeleição de Tarcísio

Flávio diz que Tarcísio foi a maior revelação política

Deu no O Globo

O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) voltou a defender a união da direita em torno de um projeto nacional, seja no primeiro ou no segundo turno das eleições. Em entrevista ao blogueiro Paulo Figueiredo Filho, o senador ressaltou o alinhamento do clã com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), depois de um mal-estar recente gerado a partir de declarações suas sobre os planos eleitorais do chefe do Executivo paulista.

“O Tarcísio talvez seja a maior revelação política dos últimos anos. É do grupo do Bolsonaro. Saiu da costela do Bolsonaro”, disse Flávio.

PESSOA SÉRIA – O senador avaliou que o pai, Jair Bolsonaro, que está preso sob acusação de tramar um golpe de Estado, “enxergou na figura do Tarcísio uma pessoa séria, gestor competente e inteligente, e que é a cara que o eleitor de São Paulo escolhe”.

Flávio rejeitou alegações de que a pulverização de candidaturas direitistas possa enfraquecer as chances da oposição em 2026. 

“Estou feliz com o caminho que as coisas estão seguindo. Estão nos integrando. Respeito o tempo de cada um, mas sempre vou buscar unidade, seja agora, no meio da eleição ou no segundo turno, se houver”, destacou.

LONGO PRAZO – Cotado por figuras do espectro da direita e por parte do empresariado como um adversário mais competitivo contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador de São Paulo afirmou, na quinta-feira, após visitar o ex-presidente na prisão, que mantém um “projeto de longo prazo” no estado e que seu papel no grupo político é disputar a reeleição — também para ajudar Flávio na corrida ao Planalto.

Segundo Tarcísio, a visita teve como objetivo prestar solidariedade ao ex-presidente e levar manifestações de apoiadores. Ao ser questionado sobre 2026, o governador voltou a afastar uma candidatura presidencial e afirmou que sua prioridade é o estado.

“O meu interesse é ficar em São Paulo. Isso não tem controvérsia nenhuma. A gente tem um projeto de longo prazo e quer ver esses projetos se materializando. Apoio Flávio, sem dúvidas. Como eu tenho afirmado constantemente, vamos entrar muito fortes, muito unidos, agregando mais pessoas e falando de projeto para o país”, afirmou.

CUIDAR DO ESTADO -Tarcísio afirmou que sua atuação será em um arranjo mais amplo da direita e defendeu a unidade do campo conservador.

“Eu tenho um papel importante dentro do time, que é cuidar do estado, que é o maior colégio eleitoral do Brasil. O grupo tem uma tarefa importante, que é proporcionar para o Brasil um projeto diferente”,  declarou, ao mencionar que o país enfrenta, em sua avaliação, uma crise fiscal e moral.

A visita de Tarcísio a Jair Bolsonaro ocorreu após o cancelamento de um primeiro encontro, na semana anterior, quando uma declaração de Flávio Bolsonaro antecipando o teor da conversa gerou mal-estar no entorno do governador. Na ocasião, o senador afirmou que Bolsonaro diria ao chefe do Executivo paulista que sua prioridade deveria ser a reeleição em São Paulo e que uma candidatura presidencial estaria “descartada” para ele.

ENQUADRAMENTO – Aliados do governador interpretaram a fala como tentativa de enquadramento público. Horas depois, Tarcísio desmarcou a visita sob justificativa formal de compromissos no estado, mas interlocutores relataram incômodo com a repercussão.

Nos bastidores, a avaliação é que a visita funcionou como gesto de distensão após o ruído, mas não encerrou a disputa sobre o papel de Tarcísio no arranjo de 2026. Publicamente, ele mantém a posição de que é candidato à reeleição em São Paulo.

Bolsonaro, mesmo preso, segue como ponto de convergência do campo conservador. No PL, Valdemar Costa Neto defende que decisões eleitorais passem pelo crivo do ex-presidente.

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