Ação de Dino sobre penduricalhos serve para sepultar Código de Ética de Fachin

Charge: Questão de ética - Blog do AFTM

Charge do Cazo (Blog do AFTM)

Luísa Martins
Ana Pompeu
Folha

A decisão do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), de suspender os penduricalhos nos salários de servidores públicos foi vista como um recado ao presidente da corte, Edson Fachin, expondo um embate interno em torno de uma agenda ética para o tribunal.

Interlocutores de Dino afirmam que, com a decisão, o ministro quis mostrar que o verdadeiro código de conduta para a magistratura passa pela revisão dos chamados supersalários e que fixar regras para a realização de palestras, por exemplo, é algo secundário nesse contexto.

APOIO A DINO – Cinco ministros ouvidos reservadamente pela Folha afirmam que a tendência é de que o plenário confirme a liminar de Dino, ainda que com ressalvas pontuais no sentido de que a regulamentação do tema fique a cargo do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). A sessão para o referendo foi marcada pelo próprio Fachin para o dia 25, no modo presencial.

Assim como ocorreu no julgamento sobre as diretrizes fixadas pelo CNJ para o uso de redes sociais por juízes, a expectativa é de que os magistrados aproveitem o tema dos penduricalhos para passar recados sobre a necessidade ou não de se estabelecer parâmetros para a atuação dos ministros.

O código de conduta é uma aposta de Fachin para tentar recompor a imagem do Supremo, que está em crise devido aos desdobramentos da investigação sobre o Banco Master. Os ministros Dias Toffoli, relator do caso, e Alexandre de Moraes, estão no centro dos desgastes.

Toffoli tem tido sua conduta questionada desde que viajou de jatinho com um dos advogados da causa e impôs um severo regime de sigilo ao processo, passando por negócios familiares que associam seus irmãos a um fundo de investimentos ligado ao Master.

R$ 129 MILHÕES – Já em relação a Moraes, pesa o fato de que o escritório de sua esposa, a advogada Viviane Barci, firmou um contrato de R$ 3,6 milhões mensais com a instituição financeira para representá-la na Justiça. O ministro disse, na semana passada, que qualquer juiz está impedido de julgar casos cuja banca de advogados inclua um parente.

Como mostrou a Folha, a estratégia de Fachin para avançar com um código de conduta para a corte divide até mesmo ministros favoráveis à iniciativa. Mesmo entre esses apoiadores, há hesitações em relação ao momento escolhido para o debate e um temor de que a discussão fragilize a corte em um momento de vulnerabilidade.

Um desses ministros é o próprio Dino. De acordo com auxiliares do ministro, ele é receptivo à ideia de implementar um código de conduta para a magistratura, mas não concorda integralmente com a postura que vem sendo adotada pelo presidente da corte para fazer valer a sua proposta.

HÁ UM IMPASSE – Embora Fachin tenha conversado com os ministros ainda no período das férias, avisado previamente aos colegas que anunciaria Cármen Lúcia como relatora do código e pregado a necessidade de um consenso, a medida segue com ares de imposição para uma ala do tribunal. A leitura é de que Fachin ignorou as sugestões sobre aguardar um “timing” melhor.

Na decisão em que suspende os penduricalhos, expedida na quinta (5), Dino disse que os supersalários afrontam o princípio da moralidade e os caracterizou como um “fenômeno da multiplicação anômala das verbas indenizatórias” que alcançou “patamares absolutamente incompatíveis” com a Constituição Federal.

Sob reserva, um ministro mais inclinado a rejeitar o código de conduta afirma que os penduricalhos, assim como o combate à corrupção na magistratura, deveriam ser o foco prioritário de Fachin para recuperar o prestígio do Judiciário, não medidas que restrinjam pronunciamentos públicos ou a participação em eventos.

SUPERSALÁRIOS – Apesar das críticas, auxiliares de Fachin afirmam que a decisão sobre os supersalários não foi interpretada pelo presidente do Supremo como um recado negativo, já que ele próprio enfrenta o tema no CNJ no âmbito do Observatório da Transparência, criado no primeiro dia de sua gestão. O presidente do tribunal também chefia o Conselho Nacional.

Interlocutores do ministro também afirmam que, cerca de duas horas depois da decisão de Dino, no intervalo da sessão plenária de quinta-feira, Fachin conversou com os pares e decidiu marcar para breve a sessão para o referendo da liminar, com base em um entendimento de que o melhor seria lidar com o tema o quanto antes.

O nome de Cármen como relatora do código é visto como positivo por magistrados do tribunal, para que as discussões ocorram de forma ponderada, construtiva e com um distanciamento da “paixão” com que Fachin tem tratado do assunto. Ela é considerada uma magistrada habilidosa para arbitrar conflitos.

JUSTIÇA ELEITORAL – Nesta terça-feira (10), a presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) teve uma reunião com representantes dos TREs (Tribunais Regionais Eleitorais) para apresentar o que tem sido classificado como um “cânone comportamental” para a atuação de seus juízes em ano eleitoral.

Cármen Lúcia defende medidas para uniformizar condutas e reforçar a credibilidade institucional no período eleitoral. Segundo a corte, os chefes das cortes locais se manifestaram pela importância do fortalecimento da ética, da transparência e da confiança da sociedade na Justiça Eleitoral.

As regras vedam o recebimento de presentes ou favores, a atuação em processos que envolvam escritórios de advocacia com vínculo do magistrado, restringem o exercício de atividades não judiciais que comprometam as funções, a participação em eventos que possam gerar conflito de interesses e a abstenção de posicionamentos ou sinalizações políticas, inclusive nas redes sociais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Muita espuma e pouco chope. Fachin finge que vai moralizar, e a maioria dos ministros não lhe dá confiança, não está nem aí. Enquanto isso, cresce o clamor público contra o Supremo, e isso vai influir muito nas eleições, em prejuízo de Lula, que protege o Supremo, cujos atos são indefensáveis. (C.N.)

Segurança pública vira teste de fogo para Lula no Congresso em ano eleitoral

Entre blindagens e arquivamentos, Gonet arbitra o futuro de casos explosivos no STF

PGR decidirá sobre Abin Paralela, joias e Silvio Almeida

Teo Cury
CNN

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, decidirá nos próximos meses o destino de pelo menos três investigações criminais que tramitam no STF (Supremo Tribunal Federal). Gonet tem de definir se oferece denúncia, arquivamento ou solicitação de mais diligências no caso das joias sauditas, da Abin Paralela e na investigação contra o ex-ministro Silvio Almeida, dos Direitos Humanos.

A tendência é que o procurador-geral apresente denúncia contra investigados na Abin Paralela e contra o ex-ministro Silvio Almeida. Interlocutores de Gonet afirmam que, no cenário atual, o caso das joias sauditas deve ser arquivado. A concentração desses pareceres no primeiro semestre busca evitar que denúncias sejam feitas no período eleitoral. O objetivo, com isso, é cegar eventuais interferências de interferência nas eleições.

INDICAÇÃO – A PF (Polícia Federal) indiciou 36 pessoas em junho do ano passado no inquérito que apura o uso ilegal de ferramentas de monitoramento na Abin (Agência Brasileira de Inteligência). A suspeita é de utilização ilegal da estrutura da Abin para realizar o monitoramento irregular de autoridades públicas e ministros do STF.

Foram indiciados, entre outros investigados, o ex-chefe da Abin Alexandre Ramagem, o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) e o diretor-geral da agência Luiz Fernando Corrêa.

Em julho de 2024, a Polícia Federal concluiu que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cometeu os crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e apropriação de bens públicos na investigação relacionada à venda de joias sauditas apresentadas ao governo brasileiro e, posteriormente, negociadas nos Estados Unidos. 

ENRIQUECIMENTO  – O relatório da PF diz que a venda das joias, recebidas de presente por Bolsonaro durante seu mandato, teve por objetivo o enriquecimento ilícito do ex-presidente. O valor da operação é de aproximadamente R$ 6,8 milhões.

O TCU (Tribunal de Contas da União) ainda deve decidir se as joias sauditas dadas a Bolsonaro são itens pessoais ou patrimônio público. Em 2024, os ministros concluíram que um relógio recebido de presente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de um fabricante francês em 2005 não precisaria ser devolvido.

A decisão do TCU que reservou o presidente Lula de devolver o relógio de luxo pode beneficiar também Bolsonaro. A defesa do ex-presidente já disse que os dois casos são idênticos. Além de Bolsonaro, outras 11 pessoas foram indicadas pela corporação. O caso aguarda um posicionamento da PGR (Procuradoria-Geral da República) há mais de um ano e meio.

ASSÉDIO SEXUAL – Já o ex-ministro Silvio Almeida, dos Direitos Humanos, foi indiciado pela PF em novembro do ano passado por crime de importação sexual. Almeida foi demitido um ano antes, em setembro de 2024, após denúncias.

Na ocasião, a organização Me Too Brasil confirmou que recebeu denúncias contra ele. Uma das vítimas relatadas foi a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco.

Desde que surgiram as primeiras denúncias sobre o caso, Silvio Almeida negou todas as acusações.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A Comissão de Ética da Presidência já arquivou o caso, considerando o ministro inocente. Mas até agora Gonet, o engenheiro-geral da União, continua sentado no topo do processo, cuja acusação não tem provas e parece fruto de um caso de amor que não deu certo. Mas quem se interessa?  (CN) 

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Ministro do STJ nega acusações de importunação sexual e pede afastamento

Buzzi diz que nunca teve conduta que ‘envergonhasse’ a família

Mariana Muniz
Sarah Teófilo
O Globo

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi, acusado de importunação sexual, enviou carta aos colegas da Corte na qual nega as acusações e afirma jamais ter adotado conduta que “envergonhasse a família ou maculasse a magistratura”. No texto, o magistrado diz estar “muito impactado” com as notícias divulgadas e informa que se encontra internado em hospital, sob acompanhamento cardíaco e emocional.

Na carta, Buzzi afirma que tomou conhecimento “de modo informal” dos fatos que lhe são imputados e diz repudiá-los. Segundo o ministro, a situação tem causado sofrimento às pessoas de sua família e de seu convívio. Ele declara acreditar que demonstrará sua inocência nos procedimentos já instaurados.

TRAJETÓRIA – O magistrado destaca sua trajetória pessoal e profissional, mencionando ter quase 70 anos, carreira ilibada, casamento de 45 anos e três filhas. Ressalta que esse histórico não deve ser interpretado como prova de inocência, mas como “elemento relevante de coerência biográfica”, que, segundo ele, exige cautela redobrada na apreciação das acusações.

Buzzi afirma ainda que lamenta o sofrimento pessoal e o desgaste imposto ao STJ. No texto, diz estar submetido a “dor, angústia e exposição que ninguém desejaria vivenciar” e critica a divulgação prematura de informações. Além da carta, o ministro apresentou licença médica para tratamento psiquiátrico e solicitou afastamento do cargo por 90 dias, em meio ao avanço das apurações conduzidas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A primeira denúncia contra o ministro foi apresentada por uma jovem de 18 anos, que relatou ter sido vítima de importunação sexual durante férias passadas com a família na casa de Buzzi, em Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Na semana passada, a jovem foi ouvida pela Corregedoria e confirmou o episódio. Na segunda-feira, outra denúncia foi registrada no CNJ.

MENSAGEM  –  Autoridades da Corte ouvidas pelo O Globo afirmaram que o ministro e pessoas ligadas a ele entraram em contato com outros ministros por meio de aplicativo de mensagem após o registro da segunda denúncia contra ele.

Um dos integrantes da Corte afirmou entender que o contato é indevido e que configura coação no curso do processo. Os episódios teriam ocorrido na noite da última segunda-feira, no mesmo dia em que uma nova denúncia contra o magistrado foi formalizada.

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Sem Código de Ética, sobram para o STF a omissão, o escracho e o cinismo cívico

Código de Ética para o STF | Ó popular

Carga reproduzida do Arquivo Google

Marcus André Melo
Folha

As menções a impeachments e renúncias de juízes de Supremas Cortes dispararam — e com razão. Tais eventos são certamente, mas dois casos contrastantes, na Argentina e no Chile, revelam como se forma uma espiral de manipulação institucional associada a comportamentos desviantes no topo do sistema. Ao mesmo tempo, oferecer um contrafactual: a possibilidade de uma resposta institucional virtuosa.

Os líderes populistas tendem a atacar ou manipular instituições independentes da República, como cortes superiores e bancos centrais.

EFEITO MENEM – A Argentina possui longa tradição de disciplinas no Judiciário, mas, no ciclo democrático iniciado em 1983, a primeira manifestação relevante ocorreu no governo Carlos Menem (1989-1999).

Menem justificou sua intervenção candidatamente: “Por que eu vou ser o único presidente da Argentina a não ter a sua própria corte?” Em seguida, aumentou o número de ministros de cinco para nove, o que lhe permitiu nomear quatro novos magistrados, dentre eles parceiros e copartidários desqualificados.

A recompensa da corte entrou em parafuso. Quando outro peronista, Néstor Kirchner, chegou ao poder, acusou o tribunal de estar acovardado e politicamente capturado e decidiu destituir os nomeados por Menem. No Senado, o assalto institucional foi liderado por Cristina Kirchner. ]

MUITOS ESCRACHOS – Paralelamente, uma militância peronista com especificação de numerosos escrachos, inclusive diante das residências dos juízes. As políticas de pressão e denúncias de corrupção resultaram na renúncia de dois magistrados e na abertura de processos de impeachment contra outros dois. Um deles também renunciou; o outro, Moliné O’Connor, resistiu e acabou impedido.

O episódio argentino ilustra como a manipulação institucional iniciada por Menem produziu uma contrarreação populista sob os Kirchners, gerando uma espiral autodestrutiva marcada por escrachos violentos, perseguições e reformas extremadas. A pergunta feita é: O que garante que dinâmica semelhante não possa ocorrer no Brasil?

No Chile, há dois casos instrutivos: um juiz foi impedido de fornecer informações privilegiadas à filha em um litígio imobiliário sob seu relatoria, e uma juíza foi destituída pelo próprio corte por tráfico de influência na instituição e conclusão com um advogado.

JUÍZA DEMITIDA – No Chile, o Congresso deflagrou um processo de impeachment, mas a corte, percebendo a ameaça à sua privacidade e integridade institucional, destituiu a magistrada antes mesmo da conclusão do processo, que acabou resultando apenas na sanção adicional de suspensão do exercício de funções públicas.

O desenho institucional facilitou essa resposta: no Chile, na Alemanha e no Canadá, juízes das supremas cortes podem ser destituídos tanto pelo Parlamento quanto pela própria corte. Na Itália, França e Espanha, o controle é predominantemente interno. No Brasil, nos Estados Unidos e na Argentina, a destituição ocorre exclusivamente via impeachment.

REAÇÃO SOCIAL – A nossa situação é gravíssima. Ao fim e ao cabo, o que irá importar é a força da ocorrência social à espiral de manipulação institucional.

Quando a corrupção alcança as instituições contramajoritárias, como o Supremo Tribunal Federal, a solução via eleições deixa de ser opção, como já mostrei aqui.

Quando a autocontenção via Código de Ética é ilusória, sobram escracho, a anomia social e o cinismo cívico avassalador.

Lula negocia alianças, busca neutralizar centrão e enfraquecer Flávio Bolsonaro

Rodrigo Pacheco articula saída do PSD e deve se filiar ao União Brasil

Migração é atribuída a uma articulação tocada por Alcolumbre

Rafaela Gama
O Globo

O senador Rodrigo Pacheco (PSD) deverá deixar o PSD e se filiar ao União Brasil nas próximas semanas. A articulação acontece em meio à constatação de que o parlamentar não deverá permanecer no mesmo grupo político que o vice-governador Matheus Simões (PSD), pré-candidato ao governo do estado. O parlamentar também tem sido descrito como o candidato ideal do presidente Lula (PT) para disputar o Executivo estadual, mas tem deixado a decisão sobre o caminho que deve seguir neste ano em aberto.

Prevista para acontecer após o carnaval, a migração do senador para o União é atribuída a uma articulação tocada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União). Segundo interlocutores, ele disponibilizou a estrutura da sigla para que o aliado fortaleça a bancada do partido no Congresso ou concorra ao governo. O cargo em que ele deverá concorrer depende de uma decisão pessoal que deverá ser tomada pelo próprio senador, afirmam aliados. Além disso, nas próximas semanas, o comando do diretório em Minas também deverá ser transferido para o deputado Rodrigo de Castro (União), também aliado próximo de Pacheco.

“INSUSTENTÁVEL” – A migração do senador era esperada desde o ano passado, quando a permanência de Pacheco no PSD se tornou “insustentável” após a filiação e o lançamento de Simões para concorrer ao governo do estado. O vice-governador foi escolhido como sucessor do governador Romeu Zema (Novo), que se coloca como pré-candidato à presidência e adversário de Lula. Dentro do União, interlocutores afirmam que Pacheco poderá se manter alinhado ao projeto político do petista, que já expressou em mais de uma ocasião que gostaria de tê-lo na disputa pelo comando do estado.

Em meio à indefinição sobre a posição de Pacheco dentro da chapa majoritária, há alas do PT que têm defendido um plano B, que envolve o apoio à candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT). A construção da aliança chegou a ser confirmada pelo presidente do PDT, Carlos Lupi, em uma publicação feita nas redes sociais sobre um encontro entre ele e Edinho Silva, que comanda o diretório nacional do PT.

Na legenda do post, além de dizer que havia “reafirmado a aliança do PDT para reeleger o presidente Lula”, Lupi escreveu que recebeu “a confirmação do compromisso petista de apoiar as candidaturas ao governo de Juliana Brizola no RS; de Alexandre Kalil em MG, e de Requião Filho no PR”. “Com a formalização interna do PT, nos próximos dias, avançaremos para vencer nesses estados estratégicos“, acrescentou.

NOTA – Em seguida, no entanto, o diretório do PT divulgou uma nota dizendo que a reunião aconteceu entre os dirigentes partidários para “um diálogo de alto nível sobre a reeleição do presidente Lula”, mas “não teve como objetivo a definição dos palanques eleitorais nos estados”.

“As definições sobre as candidaturas seguem em debate e serão construídas em acordo com os diretórios estaduais”, encerrou o comunicado. O atrito provocou reação de Kalil, que fez um post em seu perfil no X no qual escreveu que “eleição é um saco”. “No meu palanque só sobe quem eu quiser”, acrescentou.

Entre Alckmin, Haddad e o MDB, PT empurra com a barriga a definição da chapa

Lula se divide entre o discurso da justiça social e a conta dos privilégios

Lula enfrentará dilema diante de  penduricalhos 

Dora Kramer
Folha

O presidente da República tem pela frente uma escolha difícil. Quando o pacote de privilégios aprovado no Congresso Nacional chegar à sua mesa para sanção ou veto, ele precisará decidir entre se indispor com o Legislativo, além de boa parte do funcionalismo, e ficar mal na foto eleitoral.

A dificuldade maior nem é essa. Antes disso, será necessário explicar a presença do PT e companhia no acordo que viabilizou uma votação simbólica —sem a identificação do voto— de surpresa, no meio da tarde do segundo dia do novo ano legislativo, e que, entre outras desigualdades, cria penduricalhos salariais e institui a escala 3×1 de trabalho para uma casta de servidores públicos.

CONTENÇÃO DE PRIVILÉGIOS – Isso enquanto Executivo e Legislativo fazem cara de paisagem à tramitação de uma proposta de reforma administrativa que busca conter privilégios, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defende o fim dos supersalários e o governo faz da escala de cinco dias de trabalho por dois de folga para o setor privado uma bandeira de campanha.

Francamente, Luiz Inácio da Silva (PT) estará diante de um dilema e tanto. Ou bem sanciona a manobra de privilégios, jogando fora o discurso da justiça social, ou veta a pilantragem e quebra o acordo de boa vizinhança que incluiu a oferenda de um instituto federal de educação na cidade de Patos (PB), administrada pelo pai do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos).

BOQUINHAS – Será uma boa oportunidade para Lula desvendar ao público o real significado do slogan “Congresso inimigo do povo”. Até lá, fica a seguinte impressão: o dito serve para afetar antagonismo nos palanques e exortar as plateias a escolher parlamentares fiéis ao governo. Mas não é para ser levado a sério quando o pragmatismo manda que se alimentem as boquinhas.

Seja qual for a saída encontrada por Lula, uma coisa é certa: nem ele nem os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado deram a menor pelota ao que ouviram no dia anterior do presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, sobre a urgência da autocorreção dos Poderes. Não entenderam nada.

Pesquisa aponta Lula à frente de Flávio Bolsonaro e de nomes do PSD no 1º turno

Quando a IA entra na cabine de votação: chatbots já influenciam escolhas eleitorais no mundo

Charge do Mário Adolfo (Dito & Feito)

Deu no G1

No mundo todo, uma boa parte do eleitorado está disposta a se informar sobre candidatos e até seguir indicações feitas por chatbots como o ChatGPT e o Gemini, uma questão que preocupa especialistas e desafia reguladores eleitorais.

Exemplos não faltam. Na Holanda, que realizou eleições em outubro de 2025, uma pesquisa conduzida pela Universidade de Amsterdã concluiu que 10% dos eleitores estavam propensos a seguir as recomendações dos chatbots sobre em quem votar. Outros 13% foram evasivos, sugerindo que talvez pudessem acompanhar a sugestão.

TENDÊNCIA – Essa tendência se mostrou ainda mais forte entre os jovens. Entre os entrevistados de 18 a 34 anos, 17% disseram estar propensos a votar seguindo a recomendação, enquanto 18,5% disseram talvez. Já entre os eleitores acima de 55 anos, apenas 6% se disseram dispostos a seguir a sugestão.

No Chile, que também realizou eleições no fim do ano passado, uma pesquisa apontou um cenário ainda mais avançado de influência dos chatbots na eleição. Segundo o estudo, 27% dos eleitores abordaram o pleito nas plataformas, o que chegou a 44% em grupos de maior poder econômico. Em 2024, o Massachusetts Institute of Technology (MIT) conduziu uma pesquisa com 2.400 eleitores, que conversaram com chatbots a dois meses das eleições presidenciais dos Estados Unidos.

Apoiadores de Donald Trump que conversaram com um modelo de inteligência artificial (IA) favorável a Kamala Harris tornaram-se ligeiramente mais propensos a apoiá-la, deslocando-se 3,9 pontos em direção a Harris, numa escala de 100 pontos. Esse efeito foi cerca de quatro vezes maior do que o impacto medido de anúncios políticos nas eleições de 2016 e 2020, segundo o estudo. Já o modelo de IA favorável a Trump moveu apoiadores de Harris 2,3 pontos em direção a ele.

RESPOSTAS ERRADAS –  E há outros aspectos. Na pesquisa feita na Holanda, a grande maioria das sugestões dadas pelos chatbots focou em apenas dois partidos, pouco importando a pergunta feita. Numa das plataformas, 80% das recomendações apontaram para um ou o outro.

Um deles foi o Partido pela Liberdade (PPV), cujo líder, Geert Wilders é uma figura frequente na imprensa, especialmente pelos posicionamentos polêmicos em temas sobre o islã. A outra sigla foi GroenLinks–PvdA, ligado à causa verde no país.

Os pesquisadores disseram não saber por que isso aconteceu. “Não sabemos como esses chatbots funcionam”, diz Claes Vreese, professor de inteligência artificial e Sociedade da Universidade de Amsterdã. Além disso, quando os chatbots foram utilizados para responder quais posicionamentos cada partido na Holanda possuía, algumas respostas foram incorretas, aponta Vreese.

PROGRAMAÇÃO – No estudo de 2024 do MIT, o ChatGPT 3.5 apresentou 30% de informações políticas incorretas, enquanto a versão 4 reduziu a percentagem para 14%. O diretor-executivo do ITS Rio, Fabro Steibel, aponta que não é grande surpresa certo volume de informações incorretas, uma vez que, ao serem questionados, os chatbots são programados para oferecer algum tipo de resposta, ainda que possa não ser a mais acurada.

Neste sentido, informações sobre nomes com maior expressão na política, como ex-presidentes, tendem a serem melhor abastecidas, o que pode não ser o caso, por exemplo, para novas candidaturas legislativas. Os resultados dos estudos preocuparam os especialistas. “Em eleições acirradas, esse tipo de conteúdo pode influenciar os resultados”, afirma Vreese.

USO COMUM –  Apesar de considerar que não é uma boa ideia ter um chatbot como conselheiro político, o especialista holandês avalia que o uso político se tornará comum à medida em que os chatbots fizeram cada vez mais parte do cotidiano. Eles já são usados até como terapeutas por algumas pessoas. “É parte do processo eleitoral agora.”

Steibel concorda. “Os chatbots hoje são lugares de confiança, como bares e igrejas”, diz. Nesse sentido, é de se esperar também que políticos usem essas ferramentas para tentar favorecer suas candidaturas. “Haverá uma corrida pela atenção do eleitor, e essa é mais uma ferramenta. Faz parte do jogo. Mas chamará a atenção se houver viés ideológico”, avalia.

E NO BRASIL ?  Uma pesquisa recente do instituto Ipsos mostrou que 79% dos usuários de inteligência artificial no país a usam para aprendizado, incluindo sobre política e economia, superando o uso para entretenimento.

A DW Brasil testou alguns dos principais chatbots sobre as eleições de 2026 no Brasil. ChatGPT, Gemini e Grok foram questionados sobre quais seriam as melhores opções de voto para presidente, governador e senador em São Paulo a partir de três perfis de eleitor: um conservador, um preocupado com questões socioeconômicas e um anti-política.

O contexto político oferecido por cada chatbot variou pouco, mas o grau de intervenção foi bem distinto. No geral, o ChatGPT se limitou a descrever principais posições políticas e a mencionar os candidatos melhor posicionados nas pesquisas eleitorais. Gemini e Grok foram mais incisivos, apontando diretamente quais seriam as melhores opções de voto para o eleitor.

DISTORÇÕES –  No Brasil, a Justiça Eleitoral dispõe de instrumentos para enfrentar distorções no ambiente digital, inclusive por chatbots e outras ferramentas de inteligência artificial, diz o especialista Delmiro Dantas Campos Neto, da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep).

Resoluções tratando de temas como uso de deepfakes e remoção de conteúdos desinformativos, além da necessidade de transparência no uso da IA, foram adotadas nos últimos anos no país, destaca. Porém, plataformas que disponibilizam conteúdo personalizado e que não fica à disposição de todos, como no caso de uma postagem em redes sociais, desafiam as atuais normativas.

IGUALDADE DE CONDIÇÕES – O papel do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não é controlar conteúdo, mas garantir a igualdade de condições entre os candidatos, argumenta Fabro Steibel. Durante o período eleitoral, o caminho deverá ser o de tratar o tema diretamente com as plataformas, diz Neide Cardoso de Oliveira, coordenadora do grupo sobre Desinformação na Internet, Interferência Cibernética na Democracia e Influência nas Eleições do Ministério Público Federal (MPF).

O artigo 19 do Marco Civil da internet, que trata da responsabilidade dos provedores de serviços pela moderação de conteúdo traz uma série de obrigações para as plataformas nesse sentido, reforça. Um ponto que poderá ser alvo de observação são as fontes que alimentarão as respostas dos chats ao longo do período, avalia a coordenadora.

Ética no Supremo é um chamado à ordem em meio ao vazio institucional

Uma tese poética sobre a própria Poesia, na inspiração de Carmen Cardin

Paulo Peres
Poemas & Canções

A professora, artista plástica e poetisa Carmen Cardin, garimpeira das palavras e pós graduada em sonhos, ao escrever um de seus poemas, “Tese”, comete a ousadia de tentar limitar em escassas palavras a universalidade da mitológica criatura que – entre outras – eventualmente reside na alma de todo ser: O Poeta. E Carmen Cardin se saiu bem.

TESE
Carmen Cardin

Não ouse pensar que O Poeta
É um bêbado, andarilho sem rumo
Ele é, do vernáculo, o atleta
A fantasia de uso e consumo.

O Poeta tem o compromisso sério
De profetizar em tom etéreo
De filosofar além do erudito.
O Poeta é a chave do cofre.
O servo à mercê da paixão.
O indecifrável verbo,
Que encarnou-se e está escrito.

O Cavalheiro que conduz, extraordinário,
As rédeas do Sonho, o lendário,
Adorado e odiado ser trovador.
O Poeta é aquele que, alheio a tudo,
Grita com o coração n’um canto mudo,
Sofre com a emoção do mundo, a dor!

Não ouse pensar que O Poeta
Imagina, pretensioso, ser Deus…
Ele é, apenas, a certeira seta
Que atinge o alvo dos sonhos seus!

Ala do STM discute adiar decisão sobre expulsão de Bolsonaro e generais