Michelle apadrinha Carol de Toni e agrava a crise do PL em Santa Catarina

Era só o que faltava! Caso do senador flagrado com dinheiro na cueca é arquivado

Piada do Ano! Toffoli e Moraes tentam se defender perante os outros ministros

Dias Toffoli ironiza multas aplicadas por Moraes a big techs

Moraes e Toffoli já estão à beira de um ataque de nervos

Felipe de Paula
Estadão

Sob pressão política e da opinião pública após seus irmãos transferirem participação milionária no resort Tayayá, em Ribeirão Claro, no Paraná, a um fundo ligado ao Banco Master, o ministro Dias Toffoli afirmou nesta quarta-feira, 4, no Supremo Tribunal Federal, que magistrados “têm todo o direito de receber seus dividendos”, desde que não participem da administração de empresas.

A declaração foi feita durante a sessão plenária que analisa as regras do Conselho Nacional de Justiça sobre o uso de redes sociais por magistrados.

NA DEFESA… – Relator da ação, o ministro Alexandre de Moraes também usou a sessão plenária desta quarta-feira para rebater críticas que abalaram a Corte durante o recesso judiciário.

Os ministros são alvo de questionamentos públicos sobre conflitos de interesse, envolvendo relações familiares, empresariais e a atuação de advogados próximos em causas analisadas pela Corte.

Sobre a suspeição de ministros, Moraes disse: “Nenhum magistrado poderia, por exemplo, ter alguma aplicação em um banco, ações de um banco. Ah, é acionista do banco? Então não vai poder julgar ninguém no sistema financeiro”.

FAZENDO PIADA – Toffoli não se conteve e tentou fazer piada sobre a importante questão: “Ministro Alexandre, o ministro teria que doar a sua herança a uma entidade de caridade”, disse Toffoli.

“Se ele tem um pai ou uma mãe que é acionista de uma empresa ou dono de uma fazenda? Vários magistrados são fazendeiros, vários magistrados são donos de empresas e eles não exercendo a administração, têm todo o direito de receber seus dividendos. Estão proibidos de ter a gestão.”

“Isso é não deixar o magistrado na bolha”, completou Moraes.

Conforme revelou o Estadão, a empresa dirigida pelos irmãos do ministro foi sócia controladora e chegou a vender uma fatia milionária de sua participação no resort Tayayá, em Ribeirão Claro, para um fundo de investimentos controlado pelo pastor Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Mesmo assim, Toffoli é relator das investigações da Polícia Federal sobre o banco.

CUNHADA DESMENTIU – Apesar dos registros nos documentos, ao ser indagada pelo Estadão na casa que aparece como sede da empresa, a cunhada do ministro disse que o marido José Eugênio Toffoli nunca foi dono de resort e usou a situação da própria casa, pequena e com sinais de desgaste, como argumento para negar que o marido seja o verdadeiro proprietário do empreendimento.

Além disso, o Estadão também mostrou que os irmãos de Toffoli foram sócios de um segundo resort da mesma rede, em uma região que fica às margens do Rio Paraná. Conhecido como Tayayá Porto Rico, o empreendimento ainda não teve suas obras concluídas, mas promete ser ainda mais luxuoso do que o primeiro resort do qual os irmãos foram sócios, em Ribeirão Claro (PR).

A Maridt, empresa dos irmãos de Toffoli, em nota assinada por José Eugênio Dias Toffoli, afirmou não integrar mais o grupo Tayayá em Ribeirão Claro. “A participação anteriormente existente foi integralmente encerrada por meio de duas operações sucessivas, sendo a primeira a venda de parte da participação ao Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e a segunda a alienação do saldo à empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O assunto fede a quilômetros e mais quilômetros de distância. Mesmo assim, Toffoli procura se justificar e Moraes entra no mesmo esquema grotesco e caricato. Seria melhor se ficassem calados. Imagino o que uma pessoa séria como Carmen Lúcia deve estar pensando deles. Lembro que a ministra, quando começou no Supremo, usava um carro bem velho e ia dirigindo até o tribunal. Depois, com a idade, aceitou o carro oficial, que usa com parcimônia. (C.N.)

Mesmo com cargos no governo, PP endurece discurso e tenta derrubar veto de Lula

Investimento do RioPrevidência no Master (R$ 1 bilhão) foi um “esquema relâmpago”

Ronaldinho Gaúcho escapou de perder R$ 330 milhões num golpe do Master

Com fama conquistada no mundo, Ronaldinho Gaúcho vira um 'showman' da bola

Ronaldinho queria fechar negócio, mas deu muita sorte

Deu no Portal Terra

Imóveis de Ronaldinho Gaúcho foram usados em operações financeiras sem sua autorização para captar R$ 330 milhões, com fundos redirecionados em um circuito fechado ligado ao Banco Master, conforme investigações do MPF e Banco Central.

Dois terrenos pertencentes ao ex-jogador Ronaldinho Gaúcho foram usados em uma operação financeira para captar R$ 330 milhões com o Banco Master, sem o conhecimento do atleta, segundo revelou o jornal O Globo. Os recursos teriam sido direcionados a fundos de investimento ligados à própria instituição financeira.

SEM COMUNICAR – De acordo com a defesa do ex-jogador, Ronaldinho não foi informado sobre a emissão dos créditos e o negócio imobiliário, que previa o uso das áreas, acabou sendo cancelado antes da execução.

As informações surgiram em investigações do Ministério Público Federal (MPF) e do Banco Central.

De acordo com a apuração, o Banco Master, por meio do Fundo City 02, do qual era o único cotista, concedia empréstimos a empresas que, na sequência, reinvestiam os valores em fundos administrados pela Reag, gestora que, assim como o Master, foi posteriormente liquidada pelo Banco Central. Parte dessas operações envolvia a emissão de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), títulos lastreados em créditos do setor imobiliário.

SALVO PELO GONGO – Em agosto de 2023, a Base Securitizadora emitiu R$ 330 milhões em CRIs para a S&J Consultoria, com lastro em notas comerciais destinadas ao desenvolvimento de terrenos em Porto Alegre, incluindo duas áreas atribuídas a Ronaldinho.

Segundo advogados do ex-jogador e de sócios do empreendimento, o projeto não avançou por falta de licenças ambientais e pendências fiscais, e não houve aporte relevante nos imóveis.

Em vez de financiar obras, os recursos captados eram realocados em um circuito fechado de fundos ligados ao próprio grupo financeiro, o que teria inflado artificialmente os ativos do banco e melhorado seus indicadores regulatórios, conforme O Globo.

GOLPE DE 1 BILHÃO – As empresas envolvidas são alvo de investigações da Polícia Federal, com mandados autorizados pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o ministro, o volume total de CRIs sob suspeita emitidos pela Base Securitizadora pode chegar a R$ 1 bilhão.

Criada pelo empresário César Reginato Ligeiro, a Base Securitizadora teve sua estrutura societária alterada em 2022, quando ele deixou formalmente a empresa. A S&J Consultoria, fundada em 2021, tem como sócia a Land I, também ligada a Ligeiro, que ainda figura como administrador da OCC S.A., outra empresa do grupo.

Ao jornal, ele afirmou que sua atuação no mercado imobiliário e financeiro sempre ocorreu dentro da legalidade e que eventuais questionamentos devem ser analisados pelas instâncias competentes.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como se vê, Ronaldinho escapou por pouco, muito pouco. O fato demonstra que ainda é precária a fiscalização das empresas financeiras pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários. O mercado está cheio de Vorcaros, especialistas em fraudes e golpes. (C.N.)

CPMI do INSS vota nesta quinta-feira a quebra do sigilo bancário de Lulinha

Charge de Clayton. Lulinha acuado pela PF

Charge de Clayton (O Povo/CE)

Andre Shalders
Metrópoles

A CPMI do INSS no Congresso Nacional pode votar nesta quinta-feira, 5/2, a quebra dos sigilos bancário e fiscal do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT). Há também requerimentos de quebra de sigilo de Danielle Fonteles, publicitária que fez várias campanhas do PT, e da lobista Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha.

O colegiado investiga também possíveis ligações do trio com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.

MESADA – Em depoimento à Polícia Federal, um ex-funcionário do Careca, Edson Claro, contou que o empresário pagaria uma mesada de R$ 300 mil para Lulinha — o objetivo seria que o filho do presidente abrisse portas no governo para a Cannabis World, a empresa de maconha medicinal do Careca.

Como mostrou a coluna, Danielle Fonteles recebeu um pagamento de R$ 200 mil de uma empresa de consultoria com indícios de ser de fachada, a Spyder. Questionada sobre o assunto, Danielle Fonteles disse que o pagamento era, na verdade, do Careca do INSS.

Mensagens de WhatsApp reveladas pela coluna de Tácio Lorran, no Metrópoles, mostram ainda que Danielle coordenava a operação de maconha medicinal de Antônio Carlos Camilo Antunes em Portugal.

AMIGA DE LULINHA – Já Roberta Luchsinger é amiga pessoal de Lulinha e trabalhou junto com o “Careca”. Ela e Antônio Carlos participaram de reuniões no Ministério da Saúde para tratar dos interesses de uma empresa de telemedicina.

Como mostrou a coluna, Lulinha costuma se hospedar em Brasília em uma casa no Lago Sul que está alugada para Roberta. É o mesmo imóvel que antes era usado pelo presidente do União Brasil, Antônio de Rueda.

“A necessidade de investigar Fábio Luís decorre diretamente de mensagens interceptadas em que Antônio Camilo, ao ser questionado sobre o destinatário de um pagamento de R$ 300 mil destinado à empresa de Roberta Luchsinger, responde explicitamente tratar-se de ‘o filho do rapaz’”, diz um trecho de um dos requerimentos de quebra de sigilo de Lulinha, apresentado pelo relator da CPMI, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL).

QUEBRA DO SIGILO – Além dele, outros integrantes do colegiado, como Kim Kataguiri (União-SP), também pediram a quebra de sigilo de Lulinha.

A CPMI também tem pronto para votação um requerimento de quebra dos sigilos de Adroaldo Portal, ex-secretário-executivo do Ministério da Previdência.

No último dia 18 de dezembro, Adroaldo Portal foi alvo da Polícia Federal em uma das fases da operação Sem Desconto, que investiga a “Farra do INSS”. Na ocasião, ele foi afastado do cargo e preso.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Lulinha está morando na Espanha, com sua fortuna investida em paraíso fiscal. Ficou rico no primeiro governo de Lula. Daí em diante, não parou mais, multiplicando riquezas. Os irmãos mais novos reclamam que Lula sempre favoreceu o Lulinha, que não será apanhado jamais. Sua impunidade está garantida, porque ele é um fenômeno em termos de enriquecimento ilícito. (C.N.)

Em ano eleitoral, os Três Poderes afrouxam o cofre e ampliam privilégios

Ratinho Junior defende chapa pura e confirma PSD na disputa presidencial

Da prisão, Bolsonaro tenta influir na eleição e revive um roteiro conhecido

Governo avalia que saída de Caiado facilita reaproximação com União Brasil

Com poucas apostas nos governos, PT e PL priorizam Senado e costura com o Centrão

Há indefinições nos principais colégios eleitorais

Lauriberto Pompeu
O Globo

O PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o PL, sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro, se preparam para reforçar candidaturas regionais em 2026 e fortalecer os projetos presidenciais de seus grupos. Além de mirar o Palácio do Planalto, as duas principais forças políticas do país irão priorizar o Senado, privilegiando a costura junto a partidos de centro.

Sem a possibilidade de construir um projeto hegemônico, os dois lados apostam em poucas candidaturas próprias a governador, numa tentativa de ter um desempenho melhor para o Legislativo. A expectativa é firmar parcerias para eleger chefes dos executivos estaduais e montar chapas mais robustas para eleger deputados e senadores. A ideia, com isso, é aumentar a força do próximo governo no Congresso.

PRÉ-CANDIDATURAS – Os pré-candidatos dos partidos são o próprio Lula (PT), que deve disputar a reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nome sobre o qual ainda pairam dúvidas até mesmo entre os aliados mais fiéis.

Nos estados, o PT só deve ter nomes próprios em locais onde disputará a reeleição, como na Bahia, com Jerônimo Rodrigues; no Ceará, com Elmano de Freitas; e no Piauí, com Rafael Fonteles. No restante do país, deve apostar em alianças com partidos aliados da esquerda ou do centro, como PSD, MDB e PSB. Já o PL vai tentar a reeleição para o governo de Santa Catarina, com Jorginho Mello, e pode ter candidatura própria em outros dois estados: Rio Grande do Sul, com o deputado Zucco (PL), e em Alagoas, com o prefeito de Maceió (JHC).

Dos dois lados, nos maiores colégios, a disputa deve se dar entre nomes do Centrão. No Rio, a mesma estratégia de PT e PL coloca o PSD em posição privilegiada. O provável nome ao governo do estado é o do prefeito da capital, Eduardo Paes, aliado de Lula no plano nacional. Paes, contudo, também faz um aceno ao PL e procura atrair o partido de Bolsonaro, que avalia candidatura própria, mas não se definiu.

SEM DEFINIÇÃO – O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), diz que ainda não há nome escolhido como pré-candidato apoiado pelo partido. “O PL está testando alguns nomes para avaliar uma candidatura própria a governador. (O governador do Rio) Cláudio Castro e Flavio Bolsonaro vão tomar a decisão sobre o Rio de Janeiro”, afirmou.

Em Minas Gerais também há indefinição. Assim como no Rio, há a possibilidade de o PL e o PT não lançarem candidatos próprios. Entre os nomes já lançados pela oposição e que buscam o apoio do partido de Bolsonaro estão o vice-governador Matheus Simões (PSD) e o senador Cleitinho (Republicanos).

Por sua vez, Lula insiste ainda em tentar convencer o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD) a concorrer. Pacheco resiste a entrar na disputa, mas, se disputar, terá que trocar de partido, já que o PSD apoia Simões. Uma possibilidade também é o PT ter candidatura própria em Minas, com a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, e com a prefeita de Contagem, Marília Campos.

PRIORIDADE – O partido de Lula, no entanto, tem dado prioridade justamente à eleição para o Senado, onde Marília aparece com bons resultados. “Tanto Minas quanto em São Paulo é Lula quem vai resolver. Essa última viagem que ele fez para Minas ele insistiu no Rodrigo Pacheco. Vamos aguardar, isso vai ficar para março ou abril”, disse o deputado Jilmar Tatto, vice-presidente do PT.

“A prioridade nossa é Senado e Câmara. Esses candidatos, a maior parte deles, só vão sair se tiver que sair mesmo. Não é prioridade do PT lançar candidatos a governador. Se puder fazer composição, acordo para eleger deputado, ou mesmo para eleger Lula, vamos fazer”, também declarou.

Em São Paulo há ainda uma série de indefinições, mas nomes relevantes, tanto para o governo, quanto para a oposição podem disputar. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, do PT, o vice-presidente Geraldo Alckmin, do PSB, e o deputado Guilherme Derrite (PP) são opções para o Senado. Haddad também tem sido citado como opção para ser candidato a governador. O ministro já disse que vai sair da pasta em fevereiro para auxiliar na campanha de reeleição de Lula, mas tem mostrado resistência a se candidatar a qualquer cargo.

NÃO EMPOLGA – Ainda que Flávio tenha sido lançado pelo ex-presidente Bolsonaro, a candidatura dele não empolga partidos de Centrão. A possibilidade de o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ser candidato a presidente muda o cenário e traria um rearranjo para o estado, com a possibilidade de PSD, MDB ou PL terem candidatura própria a governador.

A depender do cenário, há possibilidade de pulverização de candidaturas de direita, o que pode enfraquecer os palanques do PL. O PSD estuda lançar o governador do Paraná, Ratinho Júnior; o União Brasil tem o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como pré-candidato e o Novo tem o governador de Minas, Romeu Zema.

Diante das dificuldades em unir a direita, a montagem de palanques para o Senado tem sido vista como uma alternativa para manter a influência do bolsonarismo mesmo em um cenário em que Lula seja reeleito.

DOIS TERÇOS – Vão ser renovadas dois terços no Senado em 2026 e Bolsonaro já falou em diversos eventos que se tiver mais de 50% da Casa terá influência nos rumos do país mesmo que seu grupo perca a disputa pelo Palácio do Planalto.

Uma das principais apostas é o vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL), que deve disputar o Senado por Santa Catarina, numa aliança com o governador Jorginho Mello (PL). O acordo tem provocado turbulências, já que as vagas também são almejadas pela deputada Caroline de Toni (PL-SC) e pelo senador Esperidião Amin (PP), que deve tentar a reeleição.

Por enquanto, o nome de Carlos é considerado o mais consolidado, pelo apoio que tem do ex-presidente, enquanto De Toni e Amin ainda disputam a segunda indicação. Apesar disso, bolsonaristas avaliam que o grupo deles vai conseguir eleger as duas vagas no estado no ano que vem.

SENADO – Já a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) tende a concorrer ao Senado pelo Distrito Federal. Assim como em Santa Catarina, a oposição espera eleger as duas vagas. Além de Michelle, demonstraram intenção de concorrer o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), e a deputada Bia Kicis (PL), em um cenário que também vai exigir acomodação interna.

O bolsonarismo também aposta nas eleições de Derrite em São Paulo, Marcelo Queiroga (PL) na Paraíba, Gustavo Gayer (PL) em Goiás, Capitão Alberto Neto (PL) no Amazonas, Reinaldo Azambuja (PL) no Mato Grosso do Sul, Alfredo Gaspar (União) em Alagoas, além de Deltan Dallagnol (Novo) e Cristina Graeml (União) no Paraná.

Escândalo do Banco Master impõe um “clima zen” entre Congresso e governo

Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes são contrários ao Código de Ética

Motta defende prerrogativas do Congresso em meio a investigações sobre emendas

Congresso enviará emendas ‘aos rincões do país’, diz Motta

Camila Turtelli
Victoria Azevedo
O Globo

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta segunda-feira que o Congresso continuará a “fazer valer” suas prerrogativas na destinação de emendas parlamentares. A fala, em sessão solene que marca o início do ano Legislativo, ocorre no momento em que avançam no Supremo Tribunal Federal (STF) investigações sobre o mau uso desse tipo de recurso.

— Que 2026 continue sendo um ano de entregas ao país, atendendo sempre as expectativas da população, em sintonia com as ruas. E que, nós, parlamentares, sigamos transformando a esperança das pessoas em realidade. E cabe a este plenário, soberano e independente, perseguir esse caminho dia e noite, com votações de propostas de interesse do país. E fazer valer a prerrogativa constitucional do Congresso de destinar as emendas parlamentares aos rincões Brasil afora, que, na maioria das vezes, não estão aos olhos do Poder Público — discursou Motta.

COBRANÇAS – O Congresso retoma os trabalhos num momento em que há cobranças do governo federal para aprovar pautas de uma agenda considerada prioritária e pressão da oposição para discutir temas considerados sensíveis, como a deliberação do veto presidencial ao projeto de lei da dosimetria. Neste ano, os trabalhos deverão se concentrar no primeiro semestre, já que, por causa das eleições, o Congresso tradicionalmente fica mais esvaziado na segunda metade do ano.

Motta também terá a frente o desafio de se equilibrar entre as demandas do governo e da oposição, já que foi eleito com apoio de quase todos os partidos da Casa. Seu primeiro ano como presidente da Câmara foi marcado por momentos de tensão e gestos que irritaram os dois lados, com questionamentos sobre sua autoridade em plenário.

No fim do ano, no entanto, fez gestos ao governo numa tentativa de distensionar a relação. Motta trabalha para ter o apoio de Lula à candidatura de seu pai, o prefeito Nabor Wanderley (Republicanos-PB), ao Senado. Além disso, um outro desafio de Motta neste ano será lidar com as pressões de parlamentares do centrão e da oposição para apresentar respostas à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), que vem sendo questionada, principalmente ao tratar das emendas parlamentares.

OPERAÇÃO DA PF – No fim do ano passado, uma operação da Polícia Federal, autorizada pelo Supremo, mirou a assessora Mariângela Fialek, a Tuca, que atuava na operacionalização desses recursos. Tuca é próxima de Arthur Lira (PP-AL) e seguiu no cargo na gestão Motta. Como o GLOBO mostrou, a cúpula da Casa reagiu, apresentou recurso ao Supremo e busca reabilitar Tuca. No meio tempo, Motta indicou um aliado seu de primeira hora para supervisionar os trâmites, mas ainda não há certeza de que ele ficará no posto de forma permanente.

Aliados de Motta defendem o parlamentar afirmando que ele usou o primeiro ano para cumprir acordos firmados anteriormente e tirou da pauta temas espinhosos. Agora, dizem, Motta deverá atuar para aprovar matérias que ele gostaria de ter como legados de sua presidência, entre elas as de segurança pública e da área da educação.

PRIORIDADE – Nesta semana, a prioridade deverá ser apreciar medidas provisórias (MPs) que podem trancar a pauta ou estão próximas de seu prazo de validade. De acordo com acerto fechado por líderes na semana passada, devem ser votadas a MP do Gás do Povo, que cria uma nova modalidade do Auxílio Gás e prevê a gratuidade do botijão de GLP para famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único, e a medida que trata do alívio financeiro e da renegociação de dívidas de produtores rurais afetados por eventos climáticos extremos.

Os dois temas são prioritários para o governo federal e considerados por integrantes do Planalto como medidas que deverão ajudar na reeleição do petista. Também deve ser votado um projeto de lei que cria o Instituto Federal do Sertão Paraibano, iniciativa do Executivo cuja sede está prevista para Patos (PB), cidade ligada ao grupo político de Motta. A proposta é vista por interlocutores como gesto do Planalto ao comando da Casa, em um momento em que o governo busca reforçar pontes com a cúpula do Legislativo.

PF prende ex-chefe do Rioprevidência, que “entregou” R$ 1 bilhão ao Master

Depois de ser alvo de operação da PF, presidente do Rioprevidência é  exonerado - Tempo Real

Delvis Antunes jogou no lixo o dinheiro dos aposentados

Fabio Serapião e Bruno Luiz
do UOL

A Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal prenderam nesta terça-feira, dia 3, o ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes, no âmbito das investigações sobre o caso do Banco Master.

Segundo apurou a coluna, ele foi preso na divisa entre Rio de Janeiro e São Paulo, no momento em que tentava fugir. A Justiça apontou “indícios de obstrução de investigações e ocultação de provas”, no mandado de prisão.

MÃO NA MASSA – Foi na gestão de Deivis e de outros dois ex-diretores que a autarquia previdenciária do estado do Rio fez aportes de R$ 1 bilhão no Master, liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado.

A investigação que culminou na prisão de hoje tramita na primeira instância da Justiça Federal do Rio de Janeiro.

Em contato com a coluna, a defesa de Deivis disse que não irá se manifestar neste momento. O UOL também entrou em contato com a Rioprevidência e aguarda um posicionamento.

ESTAVA NA MIRA – Deivis havia sido alvo de busca e apreensão da Polícia Federal no dia 23 de janeiro, na operação Barco de Papel, que apura irregularidades nos repasses.

Após o cumprimento do mandado de busca e apreensão no apartamento do principal alvo da operação deflagrada em 23 de janeiro, a Polícia Federal identificou movimentações suspeitas de retirada de documentos do apartamento do investigado, manipulação de provas digitais, além da transferência de bens (dois veículos de luxo) para terceiros. Após a primeira fase da operação Barco de Papel, no dia 23, Deivis foi exonerado do cargo pelo governador Cláudio Castro (PL).

Agora, a PF deflagrou a segunda fase da operação, para cumprir três mandados de prisão temporária e nove de busca e apreensão, em endereços vinculados aos investigados no Rio de Janeiro e em Santa Catarina.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Falta agora prender os dirigentes da Previdência do Amapá, ligados ao senador Davi Alcolumbre. O problema é que, que nos bastidores do poder, o parlamentar manda mais nesta República do que o presidente Lula da Silva, que apenas finge que manda. Outro estorvo é a Procuradoria-Geral da República, sob comando de Paulo Gonet, que é da patota de Gilmar Mendes, e não é preciso dizer mais nada. (C.N.)

As chances de Bolsonaro e Braga Netto no STM, que pode expulsá-los do Exército

Piada do Ano! Depósitos do Master no BC somavam menos de 1% do total exigido

07/01/2026 - Laerte | Folha

Charge do Laerte (Folha)

Nathalia Garcia e Adriana Fernandes
Folha

Na data de sua liquidação, em novembro de 2025, o Banco Master mantinha no Banco Central depósitos de apenas R$ 22,9 milhões, cifra que representa menos de 1% do montante de R$ 2,537 bilhões exigido pelo regulador ao conglomerado de Daniel Vorcaro.

Essa deterioração escalou ao longo de 2025, com o descumprimento sistemático da exigência, em valores cada vez maiores, do recolhimento dos depósitos compulsórios. Foram registrados, a partir de novembro de 2024, diversos episódios de insuficiência, conforme relato feito pelo BC ao TCU (Tribunal de Contas da União).

PEDIU DISPENSA… – O Master chegou a pedir, em 8 de maio de 2025, dispensa temporária do recolhimento compulsório sobre os depósitos à vista e a prazo, mas a demanda foi rejeitada pelo BC sob a justificativa de falta de amparo legal e regulamentar.

Segundo documento encaminhado à corte de contas, o BC alertou os dirigentes do Master de que essa situação poderia levar à aplicação de medidas preventivas visando assegurar a estabilidade do sistema financeiro nacional.

A norma prevê, em casos como esse, a ida de representantes da instituição ao BC, formalizada em um documento chamado termo de comparecimento, e a apresentação de um plano a ser executado em um prazo de até seis meses.

DISPLICÊNCIA – De acordo com um membro do BC, ouvido sob condição de anonimato, foram feitas mais de 30 comunicações do órgão com alertas para corrigir o problema.

A exigência formal foi determinada pelo BC um ano antes da efetiva liquidação do Master, em novembro de 2024, ainda na gestão de Roberto Campos Neto. A informação foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela Folha.

A atuação do banco de Vorcaro entrou na mira da autoridade monetária meses antes devido a queixas de banqueiros com relação ao plano de negócios do Master, baseado excessivamente em captações cobertas pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos), e à composição de ativos em precatórios (dívidas decorrentes de sentenças judiciais), supostamente supervalorizados.

HOUVE AUDITORIA – Em uma das frentes de apuração naquele ano, segundo duas pessoas com conhecimento nas discussões, Campos Neto impulsionou a realização de uma auditoria externa, conduzida por uma empresa especializada em precatórios. O cenário que demandava investigação foi desenhado pelos técnicos do BC. O relatório produzido, contudo, não indicou irregularidades.

Outra frente de trabalho se debruçou, a partir de fevereiro de 2024, sobre CRIs (certificados de recebíveis imobiliários) e carteiras de crédito estruturadas pelo Master para empresas de desenvolvimento de projetos. Chamou a atenção do BC a realização de operações com empresas desconhecidas – o que não era o caso até 2023.

Os primeiros indícios de irregularidades foram observados em setembro de 2024, segundo um dos interlocutores. Mas o aprofundamento só foi possível mais tarde.

BILHÕES DESVIADOS – O mapeamento apontou supostos desvios de R$ 11,5 bilhões em fundos de investimentos administrados pela Reag, com suspeitas de terem sido usados em operações fraudulentas atribuídas ao Banco Master.

Como mostrou a Folha, certificados de ações do extinto Besc (Banco do Estado de Santa Catarina) alimentavam o esquema. Do total levantado, cerca de R$ 5 bilhões correspondiam a CRIs (créditos imobiliários) e R$ 6 bilhões a outras operações de crédito.

Parte das informações foi obtida pelos técnicos do BC graças a um convênio com a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2021, para remessa de dados sobre cotistas de fundos de investimento.

COTISTAS DE FUNDOS – Segundo a norma, administradores de fundos e instituições financeiras que atuem como distribuidores de cotas devem remeter mensalmente ao BC informações relativas aos cotistas e aos respectivos fundos de investimento.

Dado o grande volume de informações, a equipe da autoridade monetária é auxiliada por recursos de inteligência artificial.

O convênio, contudo, possui limitações e se restringe a fins de estabilidade financeira.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Fica cada vez mais evidente que a fiscalização feita pelo BC é amadorística e ineficaz. Isso significa que o mercado financeiro está invadido por fraudadores de todo tipo, que escapam das auditorias e ficam lavando dinheiro entre si, diante do primarismo da inteligência artificial, que ainda não consegue identificar nem mesmo o uso de ironia. Pensem sobre isso. (C.N.)

Oposição tenta esticar CPI do INSS para desgastar Lula, mas Alcolumbre resiste

Flávio tenta reeditar “manual Bolsonaro”, mas enfrenta rejeição e limites digitais

Flávio Bolsonaro tenta repetir a estratégia do pai

Camila Turtelli
Luísa Marzullo
O Globo

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aposta na tentativa de replicar o “manual Bolsonaro” na corrida pelo Palácio do Planalto, mas esbarra em obstáculos como o alcance mais limitado nas redes sociais na comparação com o pai, um controle maior pela Justiça Eleitoral do conteúdo que circula nas plataformas e a rejeição acentuada. O parlamentar tem reciclado promessas feitas pelo ex-presidente, que não foram cumpridas.

A estratégia leva em consideração pilares da campanha vitoriosa de Jair Bolsonaro em 2018, quando rompeu padrões no marketing político, e parte do que ocorreu na tentativa fracassada de reeleição quatro anos depois. Compõem a lista a comunicação direta pelas redes sociais, estímulo a doações pulverizadas, mobilização de rua e uso de símbolos voltados ao eleitorado conservador e religioso.

CORREÇÃO DE ERROS – A diferença, segundo aliados, está na tentativa de profissionalizar o plano e corrigir erros identificados nos últimos ciclos eleitorais, como falhas de coordenação, falta de foco no Nordeste e lacunas no discurso econômico.

Em 2018, com pouco tempo na televisão, Bolsonaro concentrou a campanha nas redes sociais, especialmente no WhatsApp. O ambiente de baixa regulação das plataformas digitais e a rejeição à política tradicional funcionaram como catalisadores. Já em 2022, no exercício do cargo, o bolsonarismo adaptou a estratégia: parte da mobilização migrou para o Telegram, as transmissões ao vivo se tornaram rotina e os atos de rua, especialmente as motociatas, ganharam força.

LIVES – É esse repertório que Flávio tenta reencenar. Ele intensificou as lives no YouTube, inspiradas no formato adotado pelo pai durante o mandato, como instrumento para falar diretamente com apoiadores. Nos bastidores, a tática é tratada como uma atualização do “manual Bolsonaro”.

— Quando voltar de viagem, vou sentar com Rogério Marinho (senador e coordenador da pré-campanha) para bolar as estratégias daqui para frente. Nosso primeiro evento deve ser em São Paulo — disse Flávio ao GLOBO.

No giro pelo exterior, Flávio passou por Israel, onde foi batizado no rio Jordão. A viagem incluiu participação na Conferência Internacional de Combate ao Antissemitismo, com presença do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Aliados descrevem a iniciativa como tentativa de reforçar a identidade religiosa do pré-candidato, dialogar com o eleitorado evangélico e sinalizar alinhamento com uma agenda internacional da direita.

NOVA TENTATIVA –  Flávio tem resgatado promessas feitas por Bolsonaro em 2018, mas que ele não entregou durante seu governo. Entre elas, a transferência da embaixada brasileira de Israel de Tel Aviv para Jerusalém, possibilidade que gerou reações diplomáticas; a redução da maioridade penal; e a ampliação do “excludente de ilicitude”.

Apesar do esforço para imprimir ritmo e ampliar a agenda, aliados reconhecem entraves relevantes — um deles é a estrutura digital. Enquanto Bolsonaro mantém cerca de 27 milhões de seguidores no Instagram, Flávio tem pouco mais de 8 milhões, e Lula, 14,4 milhões. A avaliação interna é que a força orgânica do bolsonarismo, sozinha, não sustenta uma campanha nacional competitiva.

NORMAS PARA 2026 – Além disso, a Justiça Eleitoral apertou as regras já na última campanha presidencial, com a retirada de uma série de conteúdos do ar, e agora debate as normas para 2026, incluindo diretrizes para o uso de inteligência artificial.

Flávio também enfrenta dificuldades para montar palanques estaduais robustos e busca um marqueteiro capaz de reduzir sua rejeição. Pesquisa Genial/Quaest deste mês indicou que o índice dos que dizem não votar nele de jeito nenhum caiu de 60% para 55%, mas segue acima do registrado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, visto por setores da direita como alternativa mais competitiva.

— Nós vamos potencializar os acertos, que foram muitos, e tentar não repetir os erros, por menores que tenham sido. A eleição de 2022 foi decidida por menos de dois pontos percentuais. Temos um laboratório recente — afirmou Marinho.