Supremo continua provocando o país com suas decisões para blindar ministros

Mario Sabino
Metrópoles

Sob os auspícios de Flávio Dino, o Supremo Tribunal Federal validou o aumento de penas em um terço por crimes contra a honra cometidos contra funcionários públicos no exercício das suas funções.

Isso significa que, perante a lei, os crimes de calúnia, injúria e difamação são considerados ofensas maiores se dirigidas, por exemplo, aos presidentes da Câmara, do Senado e do Supremo, incluídos entre outros agentes do Estado.

TODOS SÃO IGUAIS? – É evidente absurdo lógico quando se leva em conta que, de acordo com a Constituição, todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, a não ser quando se trata de preservar os mais fracos, nunca os mais fortes.

A pretexto de proteger o serviço público, a maioria dos ministros do STF continua firme, portanto, na sua investida contra a liberdade de expressão, iniciada desde que eles se arrogaram o papel de únicos defensores da democracia, na base do prende e arrebenta.

O ministro Edson Fachin, atual presidente do Supremo, foi um dos votos vencidos.

TUDO ERRADO – De acordo com Fachin, o aumento das penas se choca com a ordem democrática e contraria a jurisprudência do próprio STF em relação ao direito à crítica e ao assédio judicial a jornalistas.

Para o presidente do STF, o direito à crítica contundente a agentes públicos deve ser garantido por eles estarem sujeitos ao maior escrutínio da sociedade. A crítica contundente é até mesmo indispensável ao controle democrático do poder, de acordo com o ministro.

Só que os democratas do STF não querem saber de controle nenhum. Para eles, qualquer controle é ameaça intolerável.

DESIGUALDADE – A validação da norma absurda ultrapassa as circunstâncias desta nossa quadra temporal e se inscreve na tradição brasileira de hierarquia, personalismo e desigualdade social.

Tradição que encontra a sua tradução mais sucinta na frase “você sabe com quem está falando?”, como apontou o antropólogo Roberto DaMatta, em “Carnavais, Malandros e Heróis: Para uma sociologia do dilema brasileiro”.

Ela expressa o polo autoritário da sociedade nacional, que se contrapõe ao polo amigável, do “jeitinho”, que iguala falsamente os brasileiros de todas as extrações.

HIERARQUIA OPRESSORA – O “você sabe com quem está falando?” surge quando tentamos evocar a impessoalidade igualitária nas relações cotidianas e nos deparamos com a realidade de uma sociedade regida por uma hierarquia opressora, que se reproduz de alto a baixo, do grande ao pequeno poder, na sua escala de classes e funções.

Ao validar o aumento das penas por crimes contra honra de funcionários públicos, entre os quais presidentes de poderes, o STF gritou um “você sabe com quem está falando?” a todos os cidadãos que ainda nutrem a ilusão de viver sob uma democracia plena, não em um regime em que uns são mais iguais do que os outros.

Direita disputa aliados-chave enquanto Republicanos e União-PP mantêm Lula no radar

Flávio Dino está só de passagem no Supremo e poderá ser o substituto de Lula no PT

Dino acertou em cheio ao suspender penduricalhos

José Perez

O ministro Flávio Dino está se saindo bem no Supremo e ainda não se meteu em nenhuma irregularidade. Acertou em cheio ao suspender penduricalhos de supersalários. O maior vencimento de servidor público deveria ser de 20 salários mínimos, para diminuir a desigualdade social, e com viés de a diferença ir sendo reduzida no passar do tempo. Ponto final.

Para recrutar novos servidores, apenas uma prova em concurso não basta. Todos deveriam obrigatoriamente passar pelas Escolas de Administração Pública, antes de ingressar no estágio probatório.

QUALIFICAÇÃO – A diferença entre o maior e o menor salário do serviço público tem que diminuir, na vigência de planos de carreira. A qualificação precisa ser constante durante toda a carreira do servidor, pois as profissões estão mudando e até se extinguindo numa velocidade grande.

Os eleitores de centro gostam do ministro Flávio Dino por ter posições firmes a favor do interesse público, como combater o orçamento secreto e agora os indecentes penduricalhos.

Vivemos em um país cuja população em sua maioria é pobre, e Dino vem do Maranhão, estado com pior IDH do país. Sabe o que é miséria. A legião de pobres e miseráveis no país é maioria dentre os eleitores e tende a votar na esquerda para manter ou até aumentar os auxílios recebidos. Dino tem ótimas chances na era pós Lula, a meu ver.

SEM SUCESSOR – O atual presidente Lula não criou sucessor por egoísmo e vaidade. Mas sua  substituição está cada vez mais próxima e esta será sua última campanha, por conta da idade avançada.

Flávio Dino joga sempre atento às repercussões dos seus atos junto à opinião pública, já pavimentando o caminho para ser o substituto de Lula no campo da esquerda.

A meu ver, o ex-governador do Maranhão está apenas de passagem no Supremo e tem ótimas chances de prosseguir na carreira política, que hoje encontra-se pausada.

Tarcísio articula uma chapa mista ao Senado e contraria aliados de Bolsonaro

Após perder espaço no PL, Carol De Toni busca novo partido para disputar o Senado em SC

Parlamentar perdeu espaço com pré-candidatura de Carluxo

Caroline Borges
G1

A deputada federal Carol De Toni deve deixar o Partido Liberal (PL) e agora busca outra legenda para manter o objetivo de disputar o Senado por Santa Catarina nas eleições de 2026. Fontes ouvidas pela reportagem afirmaram que a parlamentar comunicou a decisão ao presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, na quarta-feira (4).

O anúncio foi feito após Carol ter seu nome descartado na disputa ao Senado pela legenda. Deputada federal mais votada no estado em 2022, ela perdeu espaço no partido com a pré-candidatura de Carlos Bolsonaro (PL) ao cargo e após a intenção do PL de destinar a segunda vaga da coligação ao senador Esperidião Amin (PP).

PRAZO FINAL – Carol confirmou anteriormente que busca o Senado nas próximas eleições, mas ainda não decidiu para qual partido irá. A decisão pode durar até 4 de abril, prazo final para filiações. A decisão também pode ser o desfecho do racha no grupo político da direita no estado, iniciado ainda em novembro de 2025, quando Carlos anunciou a intenção de concorrer a vaga pelo estado. Na época, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) também confirmou Carol De Toni como pré-candidata pelo partido.

Ocorre, porém, que em Santa Catarina o PL terá apenas duas candidaturas ao Senado nas próximas eleições. Visando uma coligação, o Partido Liberal pretende se unir ao Progressistas e, por isso, deve escolher Amin, que busca reeleição, para a outra vaga.

Antes da decisão de Carol de Toni de sair do PL, chegou a ser ventilado que o presidente nacional da legenda teria oferecido a ela a vaga de pré-candidata a vice-governadora, hipótese negada pela parlamentar. O impasse se agrava porque Jorginho Mello, presidente estadual do partido, atual governador e também pré-candidato à reeleição, anunciou Adriano Silva (NOVO) como vice.

QUEM É CAROL DE TONI –  Caroline Rodrigues de Toni foi a deputada federal mais votada em Santa Catarina nas eleições de 2022. Ela recebeu 227.632 votos, representando 5,72% do eleitorado. Na votação, teve mais que o dobro dos votos obtidos em 2018, quando foi eleita pela primeira vez.

Desde a eleição anterior à Câmara, Carol manifestou claro apoio à Jair Bolsonaro (PL). Inclusive, era filiada ao antigo partido dele em 2018, o PSL. A parlamentar é natural de Chapecó, no Oeste catarinense. Formada em direito pela Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó), ela tem mestrado em direito público pelo Centro Universitário Estácio de Santa Catarina, em São José, na Grande Florianópolis.

Crescente degradação da autoridade do STF corrói também a democracia

Editorial JC: Desafio ético no STF

Charge do Thiago Lucas (Jornal do Commercio)

Carlos Alberto Di Franco
Estadão

As recentes declarações dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli apenas agravam a crise de credibilidade que hoje envolve o Supremo Tribunal Federal. Ambos reagiram à pressão por um código de conduta na Corte, mas o fizeram sem enfrentar o ponto central das críticas.

Os dois são alvos de questionamentos no chamado caso Master: Moraes, pelo contrato milionário do escritório de sua esposa com o banco; Toffoli, pela condução surpreendente, centralizadora e pouco transparente do inquérito.

DEMONIZAR PALESTRAS – Moraes afirmou que ministros não julgam causas com as quais tenham relação pessoal e sustentou que a opinião pública “passou a demonizar palestras”.

O argumento não responde ao essencial. O problema não está nas palestras em si, mas no contexto: quem convida, quanto paga, quais interesses estão em jogo e qual a relação com decisões judiciais.

Quando honorários milionários (R$ 129,6 milhões) envolvem o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de um ministro do STF, a questão deixa de ser privada e passa a ser institucional.

CÓDIGO DE ÉTICA – Em tese, um código de conduta seria desnecessário. Ministros da mais alta Corte deveriam pautar-se por padrões éticos evidentes.

No entanto, diante de reiteradas distorções e da crescente percepção de conflitos de interesse, um código pode ser um primeiro passo. Mas será inútil se não vier acompanhado de mecanismos reais de responsabilização.

É triste constatar a rápida erosão da autoridade do STF. Poder sem credibilidade corrói a própria democracia. O país precisa de um Supremo forte — e isso exige transparência, autocrítica e rigor ético.

O vale-tudo das emendas, os penduricalhos e um STF sem freios também ferem a democracia

Ação relatada por Dino põe em xeque aplicação da anistia a militares da ditadura

“Simpatia é quase amor”, dizia Casimiro de Abreu, inspirando o carnaval carioca

Casimiro De Abreu Poema - GITEDUPaulo Peres
Poemas & Canções

O poeta Casimiro José Marques de Abreu (1839-1860) nasceu em Barra de São João (RJ) e foi um intelectual brasileiro da segunda geração romântica. Sua poesia tornou-se muito popular durante décadas, devido à linguagem simples, delicada e cativante, conforme sua definição poética de que “simpatia é quase amor”, frase que inspirou em 1984 a criação de um dos maiores blocos carnavalescos do Rio de Janeiro, que desfila em Ipanema.

QUE É – SIMPATIA
Casimiro de Abreu

Simpatia – é o sentimento
Que nasce num só momento,
Sincero, no coração;
São dois olhares acesos
Bem juntos, unidos, presos
Numa mágica atração.

Simpatia – são dois galhos
Banhados de bons orvalhos
Nas mangueiras do jardim;
Bem longe às vezes nascidos,
Mas que se juntam crescidos
E que se abraçam por fim.

São duas almas bem gêmeas
Que riem no mesmo riso,
Que choram nos mesmos ais;
São vozes de dois amantes,
Duas liras semelhantes,
Ou dois poemas iguais.

Simpatia – meu anjinho,
É o canto de passarinho,
É o doce aroma da flor;
São nuvens dum céu d’agosto
É o que m’inspira teu rosto…
– Simpatia – é quase amor!

Nos casos de INSS e do Master, Lula tenta tirar o corpo fora, mas está difícil

Lula intervém e BC veta compra do Banco Master pelo BRB, causando prejuízo  a Brasília - Expressão Brasiliense

Charge reproduzida do Arquivo Google

Raquel Landim
Estadão

A investigação sobre o Banco Master ainda era sigilosa e o banqueiro Daniel Vorcaro já se encontrava com o presidente Lula da Silva. Como se sabe, a influência do dono do Master sobre o Centrão era conhecida desde que os tentáculos do banqueiro no Judiciário foram revelados pela imprensa. Mas chama atenção também a facilidade com que ele chegou ao mais alto cargo do Executivo

As datas não são precisas, mas impressiona a velocidade com que o banqueiro Daniel Vorcaro conseguiu acesso ao gabinete do presidente.

LINHA DO TEMPO – Em novembro de 2024, Vorcaro foi chamado ao Banco Central para assinar um “termo de comparecimento”. Conforme revelado pelo Estadão, era uma espécie de alerta que dava a ele 180 dias para resolver os problemas de liquidez do Master.

Em dezembro daquele ano, portanto, cerca de um mês depois, ele chegava ao Planalto para uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

EM SIGILO – Foi um encontro que não constou na agenda oficial, marcado pelo ex-ministro Guido Mantega, assessor de Vorcaro com salário mensal de R$ 1 milhão. Lula diz que chamou para a reunião o chefe da Casa Civil, Rui Costa, e, naquela época, o quase presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que ainda era diretor de Política Monetária.

Conforme apurou o Estadão, quando Galípolo chegou na sala, os outros já estavam sentados e conversando. Ele fora chamado a pedido de Lula para esclarecer as dúvidas do presidente.

No fim de 2024, o mercado já sabia do carrossel financeiro do Master, que vendia papéis de alto risco contando com a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito, e havia alertado o BC. O que ninguém imaginava é que a autoridade monetária estava nos calcanhares de Vorcaro.

ERA VÍTIMA – Lula disse em entrevista ao portal UOL que Vorcaro afirmou no encontro que era “vítima de perseguição” dos concorrentes. O presidente afirmou ter garantido ao banqueiro que não haveria “posição política pró ou contra o Master, mas uma investigação técnica”.

Operadores políticos experientes “leram” a cena para a Coluna. Vorcaro chegou ao Planalto graças a padrinhos políticos fortes. Oficialmente teria sido Mantega, mas é conhecida a relação de seus sócios com o PT da Bahia.

Tentou, portanto, chegar ao chefe para ameaçar o subordinado. Lula chamou Galípolo e, a se confirmar o relato do presidente sobre o encontro, o respaldou. Não há notícias de interferências do governo federal contra ou a favor da liquidação do Master.

TINHA “BANCADA” – Era conhecida a influência de Vorcaro junto ao Centrão, que montou uma “bancada” a seu favor, que tenta até agora barrar qualquer iniciativa mais concreta de investigação no Congresso.

A imprensa revelou ainda os tentáculos do banqueiro no Judiciário, inclusive sua influência no Supremo Tribunal Federal.

Mas a facilidade com que ele chegou também ao mais alto cargo do Executivo é de assustar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEm tradução simultânea, Lula tenta descolar seu governo dessa aproximação com o Master, mesmo após seus encontros com Toffoli e Vorcaro, sempre fora da agenda. O resultado é bastante claro, pois Lula conseguiu que a CPI do INSS barrasse a votação da quebra de sigilo de Master e de uma empresária amiga de Lulinha, além de evitar a convocação de seu irmão, o Frei Chico. Essa história de que Lula recebeu Vorcaro e afirmou que não haveria posição política ‘pró ou contra’ o Master é uma tremenda conversa fiada. Está evidente que Lula tenta desesperadamente tirar o corpo fora. Mas quem se interessa? (C.N.)

Congresso ajuda o governo Lula a tornar o Brasil um país de retrocesso

Meta fiscal prejudica investimentos em áreas sociais no governo Lula – blog da kikacastro

Cobrança de Nani (nanihumor.com)

Fernando Schüler
Estadão

O debate da semana foi sobre a escala 3 x 1 no Congresso. A coisa toda é simples: o funcionário trabalha três dias e folga um. Para que isso? Combater o estresse, compensar a trabalhadora toda. O ponto é que a folga pode ser convertida em dinheiro, e lá foi o descanso.

Na prática, há um enorme aumento no salário, que pode ultrapassar muito o teto do funcionalismo. Como uma coisa dessa foi aprovada pelo Congresso? Simples: voto simbólico, discussão não. E sem ninguém saber direito de onde vai sair o dinheiro.

SUPERSALÁRIOS – É um bom retrato do Brasil atual. Quem defendeu a ideia de que era “preciso aumentar impostos”, tem aqui sua resposta. Precisa sim, só que para fazer crescer mais um pouco os supersalários. Já temos o Parlamento mais caro do planeta em relação à renda média. E o país que mais gasta com penduricalhos.

O fato é que o Brasil se tornou o País do retrocesso. No ano passado, houve algum barulho em torno da reforma administrativa. O deputado Pedro Paulo fez um bom trabalho, e o presidente Hugo Motta chegou a anunciar aquilo como prioridade. Nada saiu do papel.

No tema da Previdência, o Congresso aprovou um recuo inexplicável. Reintroduziu a paridade e a integralidade para os agentes de saúde (coisa que havia sido extinta em 2003), além de permitir aposentadorias aos 50 anos.

ESTATAIS FALIDAS – É o mesmo com as estatais. De um superávit acima de R$ 6 bilhões em 2022, tivemos um déficit superior a R$ 5 bilhões no ano passado. No meio do caminho, flexibilizamos a Lei das Estatais, além de engajar solenemente o programa de desestatização.

Não penso que o retrocesso seja um “projeto”. É sua ausência. Produto de um País cuja prioridade é a entrega da gratuidade do dia, ao invés do enfrentamento dos temas complicados ligados ao aumento da produtividade.

Dias atrás, ouviu um ministro do governo dizendo, orgulhoso, que temos hoje 25% da população nos programas de transferência de renda, e que o governo “sustentou” o consumo das famílias por estes anos.

TUDO ERRADO – Vai aí a fórmula que move o País: despreocupação fiscal, aumento de impostos, dívida pública crescendo e distribuição de gratificações aos mais pobres, fazendo crescer sua dependência ao Estado. Isso e o abandono do ímpeto reformista que nos legou a reforma trabalhista, o Marco do Saneamento, a autonomia do Banco Central.

A captura do Estado pelas corporações é apenas um sintoma. Em um País sem rumo, cada lobby bem estruturado busca sua fatia no bolo. O Brasil nunca decidiu desejar ou não um “choque de capitalismo”, como Mário Covas sugeriu nas eleições de 1989.

Covas era um político de esquerda. Um socialdemocrata. Estas questões são menos ideológicas e mais civilizatórias. O País moderno x arcaico. O foco nos interesses difusos ou o comando das corporações. Um debate existencial que o País terá de fazer neste ano decisivo de 2026.

Palanques exclusivos: a estratégia de Flávio Bolsonaro para fortalecer o PL em 2026

Flávio faz ofensiva por candidatos do PL em todo o país

Vera Magalhães
O Globo

Flávio Bolsonaro lançou uma ofensiva para que o PL lance candidatos a governador em todos os Estados, ameaçando romper alianças já seladas ou em tratativas adiantadas com postulantes de siglas aliadas.

No Espírito Santo, o pré-candidato do PL à Presidência fez com que a seção local do partido recuasse das negociações com o prefeito de Vitória, Lourenço Pazolini, que é do Republicanos, e, agora, a ideia é lançar o senador Magno Malta, que é do próprio PL.

AMEAÇA – Em Minas Gerais, o apoio do partido ao vice-governador Mateus Simões, que recentemente trocou o Novo pelo PSD, também está ameaçado. Flávio vem incentivando a candidatura do deputado federal Nikolas Ferreira, um dos nomes com maior capacidade de mobilização da direita no país.

No Rio, Flávio não aceitou o ensaio do governador e aliado Claudio Castro de lançar o chefe da Casa Civil, Nicola Miccioni, tido como um quadro de perfil mais leve e técnico, mas filiado ao PL há pouco tempo. O filho de Bolsonaro faz carga pelo lançamento de um candidato “raiz” em seu próprio domicílio eleitoral: Douglas Ruas, filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson.

A estratégia de ter candidatos “puro-sangue” visa assegurar que os palanques nos Estados sejam de Flávio, e não compartilhados com algum eventual outro candidato da centro-direita. Também visa buscar a associação direta com o número 22, o que sabidamente aumenta os votos em legenda e pode, também, facilitar a eleição de nomes do PL ao Senado, uma das obsessões da família Bolsonaro neste pleito de 2026.

PRESSÃO – Se for levada a ferro e fogo, a diretriz de ter candidatos do PL em toda a federação joga mais uma pressão nas costas do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que é do Republicanos, contornou os apelos do próprio Bolsonaro em 2022 para se filiar ao PL e ainda hesita em se alistar nas fileiras de Valdemar Costa Neto.

A avaliação de Tarcísio é que uma candidatura pelo PL seria vista em São Paulo como mais à direita do que ele pretende se mostrar, e poderia afastar o apoio de partidos do centrão e até facilitar a eleição de pelo menos um senador mais moderado, ligado ao projeto reeleitoral de Lula.

Moraes e Toffoli enfrentam Fachin para manter seus negócios escusos

5x0: Toffoli vota por manter restrições de manifestações em todo o país

Toffoli e Moraes são dois perdidos num tribunal muito sujo

Mario Sabino
Metrópoles

O presidente do STF, Edson Fachin, adiou para data a ser definida um almoço que teria com os demais ministros no dia 12. O prato principal era o código de ética que ele quer implantar. Um prato indigesto para Moraes e Toffoli.

A assessoria de imprensa do STF informou que o adiamento já estava decidido antes da sessão de ontem. De qualquer forma, casou-se bem com o clima de cortar com faca instalado no tribunal desde que Fachin decidiu que adotará um código de ética para os ministros do Supremo.

DUPLA DINÂMICA – O Código de Ética é uma resposta à revelação das ligações perigosas de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Na sessão de quarta-feira, de discussão sobre os limites do uso das redes sociais por magistrados, a dupla dinâmica reagiu ao discurso de Fachin na abertura do ano judiciário, quando o presidente do STF afirmou que a adoção de um código de ética para os ministros do STF era um compromisso seu e anunciou que Cármen Lúcia seria a relatora.

“Se os tempos exigirem mais de nós, sejamos maiores que os desafios. Enquanto a magistratura brasileira permanecer íntegra e firme, a democracia permanecerá em pé, com plena legitimidade. Reafirmo o compromisso com a adoção de um código de ética para o tribunal”, disse o presidente do tribunal.

“VÍTIMAS DA IMPRENSA” – Na sua reação, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli pareceram menores do que os desafios impostos pelos tempos. Previsivelmente, ambos são contrários a qualquer código. Acham que já existem limites suficientes a ditar o comportamento dos magistrados — e fingiram, mais uma vez, serem “vítimas” da imprensa.

Os jornalistas agiriam de “má-fé” ao apontar que ministros exercem atividades empresariais e comerciais que não estariam de acordo com a conduta esperada de um integrante do Supremo.

“O magistrado não pode fazer mais nada na vida, só o magistério. Pode dar aulas, dar palestras. E como o magistrado só pode dar aulas e palestras, passaram a demonizar as palestras. Por falta do que criticar, daqui a pouco a má-fé vai para quem dá aula nas universidades”, reclamou Moraes.

SEM DEMONIZAR… – Querer transparência sobre quem está pagando e quanto está pagando por palestras de ministros do Supremo não é demonizar palestras, fica a dica para o ministro que, coitado, não pode fazer mais nada na vida.

Muito preocupado com as finanças dos seus pares, Moraes citou a Lei Orgânica da Magistratura para falar sobre juízes donos de empresas. A lei veta apenas que juízes eles sócios-dirigentes.

“Se assim não fosse, nenhum magistrado poderia, por exemplo, ter uma aplicação no banco, ter ações no banco. ‘Ah, é acionista do banco, então não vai poder julgar ninguém do sistema financeiro’”, sofismou.

FAZENDEIROS – “Vários magistrados são fazendeiros, donos de empresas. E eles, não excedendo a administração, têm todo o direito aos seus dividendos”, emendou Toffoli, talvez em solidariedade ao fazendeiro Gilmar Mendes.

Também incomoda que a imprensa denuncie o tráfico de influência de advogados familiares de ministros nos tribunais superiores.

Para Moraes, esse é um problema que simplesmente não existe, visto que “o magistrado, desde o juiz de Aguaí até o STF, está impedido de julgar qualquer caso que tenha como partes ou como advogados seus parentes”.

E A MULHER DELE? – O juiz de Aguaí deve achar que os dois ministros deixaram escapar a oportunidade de explicar como a mulher advogada de Moraes conseguiu um contrato de R$ 130 milhões com o Banco Master e de esclarecer quais eram as relações societárias de um cunhado de Vorcaro com os irmãos de Toffoli em um resort no Paraná.

A reação de Alexandre de Moraes e de Dias Toffoli mostra o quanto é urgente um código de conduta no STF, principalmente para que sirva, no Senado, de baliza incontornável à abertura de processos de impeachment de ministros do tribunal.

É disso que ambos têm medo. Não só eles.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGSensacional o artigo de Mário Sabino. Faz lembrar a peça de Plinio Marcos, “Dois Perdidos numa Noite Suja”. Ah, Brasil, você não muda nada… (C.N.)

PL pressiona por vice e Senado, e amplia tensão com Tarcísio em São Paulo

Decisão irresponsável de Fux prolonga liberação de apostas com Bolsa Família

Decisão judicial aprofunda crise na Rede e reacende debate sobre saída de Marina Silva

Piada do Ano! Eduardo “exige” alinhamento da direita à pré-candidatura de Flávio

Ramagem acusa Moraes de “farsa” durante interrogatório enquanto STF retoma processo

Receita teme prescrição no caso das joias sauditas, que envolve Jair Bolsonaro

Uma andança sem fim, na criatividade de Paulinho Tapajós

Morre Paulinho Tapajós, autor de “Andança” - Tribuna do Norte

Paulinho Tapajós, grande compositor carioca

Pauto Peres
Poemas & Canções

O arquiteto, produtor musical, escritor, cantor e compositor carioca Paulo Tapajós Gomes Filho (1945-2013), na letra de “Andança”, em parceria com Danilo Caymmi e Edmundo Souto, fala da caminhada sem fim de um romântico andarilho. A música foi gravada por Beth Carvalho no LP Andança, em 1969, pela Odeon, e fez enorme sucesso.

ANDANÇA

Danilo Caymmi, Edmundo Souto e Paulinho Tapajós

Vim tanta areia, andei
Da lua cheia, eu sei
Uma saudade imensa.
Vagando em verso eu vim
Vestido de cetim
Na mão direita rosas vou levar.

Olha a lua mansa a se derramar (me leva, amor)
Ao luar descansa meu caminhar (amor)
Seu olhar em festa se fez feliz (me leva, amor)
Lembrando a seresta que um dia eu fiz
(Por onde for quero ser seu par).

Já me fiz a guerra por não saber (me leva amor)
Que esta terra encerra meu bem-querer (amor)
E jamais termina meu caminhar (me leva, amor)
Só o amor me ensina onde vou chegar
(Por onde for quero ser seu par).

Rodei de roda, andei
Dança da moda, eu sei
Cansei de ser sozinho.
Verso encantado usei
Meu namorado é rei
Nas lendas do caminho onde andei.

No passo da estrada só faço andar (me leva, amor)
Tenho a minha amada a me acompanhar (amor)
Vim de longe, léguas cantando eu vim (me leva, amor)
Vou e faço tréguas, sou mesmo assim
(Por onde for quero ser seu par).

Já me fiz a guerra por não saber (me leva, amor)
Que esta terra encerra meu bem-querer (amor)
E jamais termina meu caminhar (me leva, amor)
Só o amor me ensina onde vou chegar
(Por onde for quero ser seu par).

Olha a lua mansa a se derramar (me leva, amor)
Ao luar descansa meu caminhar (amor)
Seu olhar em festa se fez feliz (me leva, amor)
Lembrando a seresta que um dia eu fiz
(Por onde for quero ser seu par).

Já me fiz a guerra por não saber (me leva, amor)
Que esta terra encerra meu bem-querer (amor)
E jamais termina meu caminhar (me leva, amor)
Só o amor me ensina onde vou chegar
(Por onde for quero ser seu par).

No passo da estrada só faço andar (me leva, amor)
Tenho a minha amada a me acompanhar (amor)
Vim de longe, léguas cantando eu vim (me leva, amor)
Vou e faço tréguas, sou mesmo assim
(Por onde for quero ser seu par).