Com recorde de R$ 61 bilhões, emendas ampliam controle do Congresso sobre Orçamento

Empresas da família de Toffoli têm envolvimento com fundos do Master

Drika Arretada - A Notícia como deve ser - Toffoli esqueceu de perguntar se  Moraes pressionou o Banco Central

Charge do Duke (Itatiaia)

Lucas Marchesini e José Marques
Folha

Duas empresas ligadas a parentes do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), tiveram como sócio um fundo de investimentos conectado à teia usada pelo Banco Master em fraudes investigadas por autoridades, de acordo com documentos e dados oficiais analisados pela Folha.

O Arleen Fundo de Investimentos teve, ao menos até maio de 2025, ações da Tayayá Administração e Participações, responsável por um resort em Ribeirão Claro (PR) que pertencia em parte à família de Toffoli, e também participação direta na DGEP Empreendimentos, incorporadora imobiliária da mesma cidade que tinha como um de seus sócios um primo do ministro.

CADEIA DE FUNDOS – A conexão com o caso Master se dá por uma cadeia de fundos. O Arleen foi um dos cotistas do RWM Plus, que por sua vez também recebeu investimentos de fundos ligados ao Maia 95, um dos seis apontados pelo Banco Central como integrantes da teia de fraudes do banco de Daniel Vorcaro. O fundo Arleen em si não é alvo de investigação.

 

O Arleen e todos os demais fundos da teia têm como administradora a Reag, que administrava também fundos ligados a Vorcaro e é investigada na operação Carbono Oculto, por suspeita de lavar dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital).

A Folha procurou a assessoria do STF e perguntou se Dias Toffoli tinha conhecimento dessas conexões e se ele considera que as informações criam algum empecilho para a condução do caso, mas o ministro não respondeu até a publicação desta reportagem. Parentes do ministro também não se manifestaram. A Reag não comentou o caso.

DEFESA DE VORCARO – Em nota enviada após a publicação da reportagem, a defesa de Vorcaro negou qualquer irregularidade ou envolvimento do Master com fraudes, fundos ilícitos ou operações destinadas a beneficiar terceiros.

Disse que a reportagem estabelece “conexões inexistentes e distorce fatos ao sugerir vínculo entre o banco, seus executivos e investimentos mencionados”.

“O banco nunca foi gestor, administrador ou cotista dos referidos fundos”, declarou a defesa, que disse ainda seguir colaborando integralmente com as autoridades.

SOB ENCOMENDA – Com apenas um cotista, o Arleen foi encerrado no fim do ano passado. De acordo com balanço de maio de 2025, o fundo tinha apenas quatro investimentos: em duas empresas ligadas à família Toffoli (Tayayá e DGEP), em uma holding que não aparece em bases de dados oficiais, e no RWM Plus.

De acordo com investigadores, uma cadeia de fundos administrados pela Reag era usada para desviar dinheiro emprestado pelo Master, com a cumplicidade do banco. Isso acontecia por meio da aplicação dos recursos desses empréstimos.

A partir daí, o dinheiro transitava por uma teia de fundos comprando ativos podres que serviam para inflar artificialmente o valor de ativos, entre outras operações ilegais.

TOFFOLI EM CENA – O resort Tayayá foi inaugurado em 2008 e teve participações acionárias de diversos integrantes da família Toffoli nos últimos anos.

O empreendimento fica às margens do rio Itararé, que separa o Paraná de São Paulo. O hotel tem 4 estrelas e 58 mil metros quadrados.

Em 2017, o ministro recebeu uma homenagem da Câmara de Vereadores local por ter “colaborado para o desenvolvimento e incremento turístico do Município de Ribeirão Claro, notadamente por meio do apoio decisivo na implantação da empresa Tayayá Aquaparque Hotel e Resort”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Importantíssima a matéria enviada por José Perez. Como se vê, o ministro Toffoli não tem nenhum interesse em defender o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro. É tudo em nome da Justiça… (C.N.)

A esquerda morreu — e só a justiça tributária pode ressuscitá-la, diz Jessé Souza

Messias ainda enfrenta dilemas que podem atrapalhar seu futuro no Supremo

PT pressiona PSOL a entrar em federação e expõe disputa pelo rumo da esquerda

Rombo do Master será “coberto” por fundos estatais de previdência

Banqueiros escancaram cobiça pela Previdência | Sindicato dos Bancários

Charge reproduzida do Arquivo Google

Fábio Pupo
Folha

O governo federal concluiu que estados e municípios serão os responsáveis finais por cobrir rombos em fundos de previdência caso tenham prejuízo em investimentos feitos em títulos vendidos pelo Banco Master. Institutos que pagam aposentadorias a servidores aplicaram ao menos R$ 1,8 bilhão em Letras Financeiras do banco, que teve liquidação decretada há menos de dois meses.

A conclusão está em documento formulado pelo Ministério da Previdência Social em resposta a questionamentos feitos pela deputada federal Laura Carneiro (PSD-RJ), que requisitou informações sobre o caso do Rioprevidência (Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro).

PREJUÍZO DIRETO – A parlamentar perguntou sobre os riscos aos quais o fundo está exposto e sobre uma eventual moratória do banco. De acordo com o Ministério da Previdência, caso faltem recursos nos institutos estatais de previdência para o pagamento das aposentadorias e pensões em decorrência do caso Master, esses valores serão de responsabilidade dos Tesouros dos respectivos entes federativos.

“Com a liquidação do Banco Master realizada pelo Banco Central do Brasil em 18 de novembro de 2025, caso as contribuições do regime ou recursos por ele acumulados venham a se tornar insuficientes, o ente é o responsável por adimplir com essas obrigações”, afirma a pasta.

A interpretação do governo é que não há necessidade imediata de aporte decorrente do caso Master, mas a lei obriga esse repasse caso faltem recursos no futuro.

TÊM DE COBRIR – A lei nº 9.717/1998 estabelece que União, estados, Distrito Federal e os municípios são responsáveis pela cobertura de eventuais insuficiências financeiras do respectivo regime próprio decorrentes do pagamento de benefícios previdenciários.

Conforme mostrou a Folha, 18 institutos municipais e estaduais investiram em Letras Financeiras do Master nos últimos anos. Entre eles, destacam-se o Rioprevidência, do estado do Rio de Janeiro, com R$ 970 milhões investidos, a Amprev (estado do Amapá), com R$ 400 milhões, e o Iprev de Maceió, com R$ 97 milhões.

Além destas, o instituto de previdência do Amazonas fez “aplicações”, assim como a cidade de São Roque, no interior de São Paulo, com 79 mil habitantes, que “investiu” R$ 93 milhões em Letras Financeiras. 

SEM GARANTIA – Diferentemente dos CDBs, que foram vendidos pelo Master no mercado, as Letras Financeiras não são garantidas pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos), que ressarce investidores ao limite de R$ 250 mil por CPF.

Por isso, os aportes de quase R$ 2 bilhões feitos pelas previdências dos estados e municípios serão contabilizados como dívida durante o processo de liquidação do banco, o que torna a recuperação dos valores incerta.

O governo ressaltou no documento que a União não tem competência legal para intervir na gestão dos fundos nem para punir diretamente gestores locais, e que seu trabalho é limitado à fiscalização do cumprimento das normas gerais.

CONSEQUÊNCIA – A principal sanção disponível é a suspensão do Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP), documento exigido para o recebimento de transferências voluntárias da União e para a contratação de empréstimos com aval federal.

De acordo com o ministério, a ampliação de investimentos em ativos considerados mais arriscados foi identificada ainda em 2024 por meio das análises de risco usadas na supervisão dos regimes previdenciários. 

Ao todo, 29 entes federativos foram selecionados para auditorias por aplicações em Letras Financeiras, seja por meio de intermediários, seja em instituições de menor porte. Dezessete deles tinham investimentos diretos no Banco Master. 

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Se estivéssemos sob a democracia que funciona em nossa matriz U.S.A., essa corja de administradores públicos que “aplicaram” no Master já estariam na cadeia, fazendo delação e apontando os governadores e prefeitos que participaram do butim, como se dizia antigamente. Mas aqui na filial Brazil, não vai acontecer nada a essa gentalha. (C.N.)

Uma certa Maria que ia voar e inspirou a poesia de Machado de Assis

Machado de AssisPaulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista, crítico literário, dramaturgo, folhetinista, romancista, contista, cronista e poeta carioca Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908) é amplamente considerado como o maior nome da literatura nacional. Neste soneto, Machado de Assis descobre que a beleza existente nos olhos e no andar de ”Maria” assemelham-se a um pássaro, que a qualquer momento pode voar.

MARIA
Machado de Assis

Maria, há no seu gesto airoso e nobre,
Nos olhos meigos e no andar tão brando,
Um não sei quê suave que descobre,
Que lembra um grande pássaro marchando.

Quero, às vezes, pedir-lhe que desdobre
As asas, mas não peço, reparando
Que, desdobradas, podem ir voando
Levá-la ao teto azul que a terra cobre.

E penso então, e digo então comigo:
“Ao céu que vê passar todas as gentes
Bastem outros primores de valia.

Pássaro ou moça, fique o olhar amigo,
O nobre gesto e as graças excelentes
Da nossa cara e lépida Maria”.

Galípolo e a direção do BC marcam reunião com o presidente do TCU

Avesso a holofotes e leal ao Centrão, Jhonatan de Jesus opera à sua maneira  no TCU | Finanças | Valor Econômico

Jhonatan de Jesus perdeu completamente a dignidade

Deu no Infomoney

O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do Rêgo, vai se reunir nesta segunda-feira com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e os diretores da autoridade monetária Ailton de Aquino (Fiscalização), Gilneu Vivan (Regulação), Izabela Correa (Cidadania e Supervisão de Conduta) e Rogério Lucca (Secretário-Executivo).

O encontro acontece em meio a um imbróglio envolvendo o Banco Master. A reunião está marcada para às 14h e consta na agenda oficial do BC como sendo para tratar de “assuntos institucionais”.

SEM INSPEÇÃO – A conversa vai acontecer na semana seguinte ao ministro Jhonatan de Jesus, do TCU, suspender a inspeção presencial no Banco Central , determinada por ele para apurar os procedimentos adotados na liquidação extrajudicial do Banco Master, ocorrida em novembro.

Depois, pressionado pelo presidente Vital do Rego,o ministro Jhonatan submeteu o caso ao plenário, em decisão assinada na quinta-feira.

A decisão ocorreu após o Banco Central apresentar um recurso chamado de embargo de declaração, contestando a competência do ministro para autorizar, de forma monocrática, uma inspeção desse porte.

JUSTIFICATIVA – O BC argumenta que tal diligência deveria ser aprovada por um órgão colegiado do TCU. Embora Jhonatan de Jesus tenha defendido que o regimento interno do TCU lhe confere poderes para determinar inspeções necessárias à instrução processual, o ministro optou por conferir efeito suspensivo ao recurso para evitar instabilidade institucional.

Na decisão, o ministro do TCU ressaltou que a “dimensão pública assumida pelo caso, com contornos desproporcionais para providência instrutória corriqueira nesta Corte”, recomenda que a controvérsia seja submetida ao crivo do plenário, instância que considera natural para “estabilizar institucionalmente a matéria”.

O caso teve origem em uma representação do Ministério Público junto ao TCU, motivada pela decretação da liquidação extrajudicial do Master.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, fracassou a tentativa do ministro Jhonatan de Jesus salvar o fraudador Daniel Vorcaro. E o escândalo tornou-se ainda mais grave. (C.N.)

Segunda Turma do STF dominou a concessões de habeas corpus em 2025

“Congresso inimigo do povo” expõe dilemas do populismo alimentado pelo PT

Presidência do Senado contratou ex-senadora em cargo com salário de R$ 31 mil

“PT não pode estar sempre associando criminosos a problemas sociais”, diz Tarso Genro

Saída de Lewandowski ameaça travar PEC da Segurança no Congresso

Troca no comando aprofunda resistências ao texto

Luísa Marzullo
O Globo

O pedido de demissão de Ricardo Lewandowski do comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública deve dificultar o avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública no Congresso, na avaliação de líderes partidários. A medida vinha sendo tratada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma das principais apostas na área neste ano, quando tentará a reeleição.

Parlamentares afirmam que a mudança na pasta desmonta a articulação política construída até aqui, além de abrir margem para mudanças no texto que desvirtue os pontos principais da PEC. Apresentada pelo Executivo com o objetivo de reorganizar a política de segurança pública e fortalecer a integração entre União, estados e municípios, a PEC vinha sendo alvo de críticas no Congresso por envolver temas sensíveis, como a divisão de competências entre entes federativos, o papel das polícias e a possível sobrecarga para os municípios. O debate ocorre em um ambiente já contaminado pela leitura eleitoral da pauta.

NEGOCIAÇÃO – No entorno do presidente da Câmara, Hugo Motta, a avaliação era de que o cenário para votação ainda exigiria negociação. Em café com jornalistas no mês passado, Motta indicou a intenção de trabalhar para que o texto avance após o recesso parlamentar. “É um trabalho de aprimoramento do Congresso do projeto que veio do Executivo. Vamos trabalhar para votarmos na volta do recesso”, afirmou.

Presidente do PP e aliado próximo de Motta, o senador Ciro Nogueira (PI) é um dos que acreditam que, sem o peso político do agora ex-ministro da Justiça, será mais difícil para o governo avançar com a proposta. “Lewandowski era o grande fiador. Todos têm muito respeito por ele. E antes não se tinha consenso. É um tema difícil de aprovar quando a origem é na esquerda”, afirmou.

A resistência à proposta, contudo, não se limita à saída do ministro. Antes mesmo do anúncio da demissão, aliados de Motta já apontavam dificuldades adicionais pelo fato de a PEC ser vista como uma bandeira do governo Lula em um ano eleitoral. A avaliação predominante no Congresso é de que conceder ao Planalto uma vitória expressiva em uma pauta sensível como a segurança pública pode gerar desgaste político junto às bases eleitorais.

PREOCUPAÇÃO – Para o deputado Reimont (PT-RJ), a troca no comando da pasta é um fator preocupante, mas não altera o diagnóstico central sobre a dificuldade de avanço da proposta no Legislativo.

“Acho preocupante, mas, ao mesmo tempo, penso que, de toda forma, a PEC sofre resistência do Congresso, independentemente de que ministro esteja de plantão. O Congresso, apelidado pelo povo de “inimigo do povo”, não quer segurança pública de verdade. Quer blindar-se. Quer proteger as grandes corporações. Quer enfraquecer a Polícia Federal”, afirmou.

Na mesma linha, Mária do Rosário (PT-RS) afirmou que o tema da segurança pública tem se mantido “refém do bolsonarismo”. Segundo a parlamentar, Lewandowski buscou recuperar o interesse público como superior na matéria, mas enfrentou resistências pela “desqualificação do Parlamento”.

APOIO – Já o relator da proposta na Câmara, o deputado Mendonça Filho (União Brasil-PE), discorda. Ele afirma acreditar que a saída de Lewandowski do governo não deve comprometer o cronograma de votação e avaliou que o texto já reúne apoio suficiente na Casa. “Creio que não vai atrapalhar a aprovação. Nossa previsão é que votaremos até a primeira quinzena de março. Acho que temos uma aceitação muito boa na Casa”, declarou.

Outros integrantes da base governista também minimizam o impacto da troca no comando da pasta. Para eles, o texto amadurecido pelo relator é suficiente para sustentar a votação, independentemente da mudança ministerial. “O texto do relator ficou bom. Acho que passa”, disse o vice-líder do governo, Rubens Pereira Júnior (PT-MA).

Lewandowski entregou sua carta de demissão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva alegando razões pessoais e familiares, com saída prevista para esta sexta-feira. No documento, afirmou ter exercido as atribuições do cargo com zelo e dignidade, apesar das limitações políticas, conjunturais e orçamentárias. A decisão foi acertada após reunião no Palácio do Planalto, horas antes do ato que marcou os três anos dos ataques de 8 de janeiro.

COTADOS – Lula ainda não definiu quem será o substituto. Entre os nomes cotados estão o advogado-geral da Petrobras, Wellington César Lima e Silva, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, ligado ao grupo Prerrogativas, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A indefinição sobre o comando da pasta também pesa na avaliação de líderes do Congresso, que veem dificuldade em manter a PEC como prioridade sem um interlocutor político forte no Executivo.

Com a retomada dos trabalhos legislativos prevista para fevereiro, aliados de Motta avaliam que a proposta ainda pode avançar, mas reconhecem que o ambiente político se tornou mais hostil. A combinação de resistências de mérito, cautela eleitoral e a saída do principal articulador do texto no governo reforça o risco de que a PEC da Segurança se arraste no Congresso ou tenha seu alcance reduzido, num momento em que o Planalto tenta evitar novas derrotas.

Agora, só falta divulgar o conteúdo do misterioso celular de Vorcaro

Mensagens sugerem que Vorcaro coordenou ataques ao BC

Vorcaro negou a senha, mas a PF está abrindo o celular

Malu Gaspar
O Globo

Quando parecia que já não faltava mais nada para garantir ao caso Master o topo do pódio dos maiores escárnios produzidos na história dos escândalos financeiros nacionais, surgiram as milícias digitais.

Descobrimos nos últimos dias que influenciadores com milhões de seguidores receberam ofertas generosas, algumas até milionárias, para difundir a versão de que a liquidação do banco foi decretada de forma apressada pelo Banco Central.

MUITO ESTRANHO – A ideia era disseminar em perfis de direita a teoria conspiratória de que “algo muito estranho aconteceu” nos bastidores do BC ao decidir liquidar o banco de Daniel Vorcaro.

Tal teoria reforça a tese da defesa do banqueiro, segundo a qual sua prisão, por uma fraude de R$ 12,2 bilhões na venda de créditos ao Banco de Brasília (BRB), ocorreu justamente quando ele se preparava para vender o Master a investidores árabes que, até agora, não se sabe quem são.

A ofensiva digital, batizada internamente “Projeto DV”, visava a simular um clima de apoio popular ao ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jhonatan de Jesus, um ex-deputado do Centrão que, da última vez que brilhou no noticiário, foi tentando explicar por que uma antiga BMW de sua mulher apareceu na garagem do Careca do INSS.

DEU 72 HORAS – Depois de passar meses desprezando pedidos de parlamentares e dos próprios técnicos do TCU para conferir se o BC não tinha demorado demais para tomar providências, Jhonatan decidiu, no fim de dezembro, dar 72 horas para a autarquia se explicar — mas não sobre a acusação de omissão, e sim sobre os “indícios de precipitação” em uma decisão tão “extrema”. E avisou: se não ficasse convencido, poderia simplesmente cancelar a liquidação do Master.

Assim que soltou o despacho, os agentes do “DV” começaram a acionar os influenciadores, que inundaram as redes de vídeos.

“Será que ninguém se interessa quando um banco desse tamanho entra em liquidação? Será que isso não vira oportunidade para muita gente grande?”, recitou um influenciador com mais de 4 milhões de seguidores que se apresenta como especialista em hipnose.

OUTRAS SAÍDAS? – “Se existiam outras saídas, por que escolheram logo a mais extrema? Por que tanta pressa? Essa história tá muito mal contada. A quem interessava a liquidação tão rápida do Banco Master?”

Não se tem notícia de que Vorcaro e seus advogados também tenham dotes psíquicos ou paranormais, mas é evidente que se julgam poderosos o suficiente para convencer qualquer um de qualquer coisa.

Não estão completamente errados. Mesmo sabendo que não tinham poder legal para cancelar a liquidação de um banco, o ministro Jhonatan e o presidente do TCU, Vital do Rêgo, se mantiveram firmes quanto puderam. Só recuaram e suspenderam a inspeção depois da revelação da milícia digital de Vorcaro e de sua impressionante coordenação com seus próprios movimentos.

BARREIRA NO STF – No Supremo Tribunal Federal (STF), por enquanto, a barreira do Master ainda resiste. Depois de colocar o processo em sigilo absoluto, o ministro Dias Toffoli convocou para o penúltimo dia de 2025 uma esdrúxula acareação entre Vorcaro, o ex-CEO do BRB Paulo Henrique Costa e o diretor de fiscalização do BC, Ailton Aquino.

Em paralelo, preparou para cada um deles uma lista de perguntas que não deixava dúvidas sobre a intenção de lançar suspeitas sobre o BC e dar à negociação para a venda do Master aos árabes o ar de coisa concreta que nunca teve.

Algumas das questões foram divulgadas pelo GLOBO ainda durante a audiência, levando Toffoli a mandar excluir Aquino da acareação e a encurtar seu depoimento.

DE JATINHO – Embora já se saiba que Toffoli viajou de jatinho a Lima com o advogado de um dos investigados no mesmo dia em que pôs o processo sob sigilo, as razões para tanto malabarismo jurídico ainda não estão totalmente esclarecidas.

Para isso, seria necessário que se conhecesse a fundo o conteúdo do celular de Daniel Vorcaro, em poder da PF. O aparelho continha a cópia do contrato de R$ 130 milhões do Master com o escritório da mulher de Alexandre de Moraes, sobre o qual o ministro até hoje ainda deve explicações.

Até agora, a única coisa capaz de parar as iniciativas destinadas a blindar o Master foi o bom jornalismo. Só por isso ele tem sido tão atacado por milícias digitais, com métodos que o próprio Moraes outrora descreveu como ditatoriais e fascistas. É a velha tática de atacar o mensageiro. Muda de forma, mas nunca deixa de ser subterrânea. Uma vez exposta à luz do sol, perde força. O jornalismo está aí para isso. Contemos com ele.

Relator da Dosimetria invoca tradição de anistias e critica postura de Lula

Justiça reconhece fim do Auxílio Emergencial e evita novos gastos bilionários

No Brasil, políticos e instituições exibem fortes sinais de podridão

Tribuna da Internet | Que assuntos o STF trata com Lula e ministros no  escurinho de um jantar?

Charge do Zappa (humortadela.com)

William Waack
Estadão

O amargo sabor da nossa irrelevância internacional diante do que aconteceu na Venezuela vem acompanhado internamente pelo ácido sabor da podridão política diante do escândalo do Master. Há uma ligação abrangente entre os dois fenômenos: a noção de que não se vê remédio imediato para nenhum gosto ruim.

O caso do Master é de maior urgência, pois indica uma crise institucional de graves proporções. Essa crise não resulta do fato de uma instituição (por exemplo o TCU) averiguar o que outra (por exemplo o Banco Central) está fazendo ou não.

DESCRÉDITO GERAL – É preocupante realmente pois vem do fato de que já não se acredita que instituições de Estado estejam agindo como tais. Mas, sim, como ferramentas para exercer pressão política contra decisões que afetam interesses de grupos privados.

É generalizado o descrédito em relação às explicações dadas por STF e TCU para justificar as respectivas atuações no caso Master – para citar apenas o mais recente exemplo.

O problema é saber a que distância estamos de um tipping point, o ponto de inflexão sem volta. Esse momento nunca chega devido a uma ação isolada (como um só escândalo). Resulta ou torna-se visível sempre a partir de um conjunto de ocorrências que compõe uma tendência.

CRISE GRAVÍSSIMA – No caso brasileiro essa tendência é clara o suficiente para se afirmar que estamos numa crise institucional de consequências imprevisíveis, pois ela sugere que não há lideranças abrangentes com capacidade de “reverter” essa tendência.

Predominam variadas organizações setoriais – algumas são meras quadrilhas sob siglas políticas – agindo por conta própria e com sem-vergonhice inédita até para um País que achava ter visto tudo em matéria de corrupção.

Elas demonstram crescente capacidade de manipular alavancas de poder em descarado benefício próprio. Como um pedaço do TCU aqui, um pedaço do STF ali, fato em si indicativo de desagregação interna de instituições. No seu conjunto, isso leva à sensação real de dissolução do funcionamento delas, com rápida perda de confiança.

DESCRENÇA POLÍTICA – Aprofunda-se, por sua vez, a descrença na capacidade da política de trazer respostas, fenômeno que já começa pelo fato de não existirem partidos políticos dignos desse nome.

E, acentuando a dúvida, que se tornou existencial, se o País é capaz de gerar algum tipo de ação coletiva (em termos sociais, portanto políticos) para organizar saídas para qualquer de seus grandes dilemas – sociais, econômicos, políticos, geopolíticos.

Nesse sentido, irrelevância internacional e podridão política interna se combinam.

Ciro Nogueira sugere Zema como vice ideal de Flávio e cobra aceno ao centrão

Se os republicanos perderem esta eleição, Trump pode ser derrubado

Trump, o ditador do mundo e ladrão de petróleo. , Confira a Charge da Semana, por @elvisbragailustrador, exclusivo para o portal Panorama Real. 05/01/2026

Charge reproduzida do Arquivo Google

Júlia Sofia
Veja

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira, 6, que poderá enfrentar um novo processo de impeachment caso o Partido Republicano não vença as eleições de meio de mandato de 2026.

A declaração foi feita durante um encontro fechado com parlamentares republicanos da Câmara dos Representantes, em Washington, e soou como um alerta aos aliados sobre o risco político de uma eventual derrota nas urnas.

DISSE TRUMP – “Temos que ganhar as eleições de meio de mandato porque, se não ganharmos, eles vão encontrar um motivo para me destituir”, disse Trump.

“Eu vou sofrer um processo de impeachment”, afirmou o presidente, ao defender maior unidade do partido em torno de sua agenda. Durante o discurso, Trump também cobrou dos parlamentares uma atuação em temas como políticas de gênero, saúde e reformas eleitorais.

As eleições legislativas de novembro colocarão em disputa todas as cadeiras da Câmara dos Representantes e um terço do Senado, em um pleito decisivo para o futuro do governo.

MEIO DE MANDATO – Historicamente, o partido do presidente costuma perder força no Congresso nas eleições de meio de mandato. “Dizem que quando você ganha a presidência, você perde as eleições de meio de mandato”, disse Trump.

Apesar da forte deferência demonstrada até agora pelos republicanos da Câmara, que têm cedido espaço ao Executivo em temas como gastos públicos, começam a surgir sinais de atrito.

Ainda nesta semana, a Casa pode votar a derrubada de um veto presidencial que bloqueou projetos de infraestrutura hídrica no Colorado e em Utah, iniciativa que exigiria maioria qualificada de dois terços para prosperar.

Trump já foi alvo de dois processos de impeachment durante seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021, ambos aprovados pela Câmara dos Representantes, então controlada pelos democratas.

As acusações envolveram abuso de poder no caso da Ucrânia e sua conduta antes da invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021.

Em ambas as ocasiões, o Senado, dominado pelos republicanos, absolveu o presidente.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Nos Estados Unidos, a alternância no poder é uma realidade. Neste final de ano, se as eleições deixarem Trump em minoria na Câmara e no Senado, ele pode mesmo ser derrubado, para benefício do Brasil e do mundo, digamos assim. (C.N.)

CPI do Master avança, mas Lula e PT vão dar um jeito de “enterrar”

A operação para salvar o Banco Master da bancarrota

“Pirâmide” do Banco Master (revista piauí)

Roseann Kennedy
Estadão

A liquidação do Banco Master, que já teve até cena de novela, com banqueiro sendo preso prestes a viajar de jatinho para o exterior, virou assunto popular nas redes. Mas não aleatoriamente. O que as investigações sobre o caso apontam é que houve uma ação coordenada para atacar instituições e autoridades, com pagamentos milionários.

Ou seja, o banqueiro Daniel Vorcaro contou com um verdadeiro gabinete do ódio agindo a seu favor.

APOIO À CPI – Essa descoberta deu fôlego para o pedido de uma CPI do Master, e o número de assinaturas cresceu nos últimos dias, indo para patamar recorde. Até esta sexta-feira, 9, havia endosso de 208 deputados e 37 senadores. Ou seja, número suficiente e pelo menos um fato determinado para garantir a instalação.

Congresso e governo, porém, darão um jeito de enterrar a CPI. Afinal, a quem interessa de fato, no meio político, investigar Vorcaro?

Um dos maiores temores entre os congressistas é que o banqueiro resolva fazer uma delação premiada, pois sobraria para todo lado, já que ele construiu uma rede de relacionamento com políticos das mais variadas colorações partidárias, ou sem coloração alguma – caso do Centrão.

ALCOLUMBRE É CONTRA – O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), avisou nos bastidores não ter intenção em dar andamento à investigação no Congresso. Contudo, antes que se diga que tudo vira treta do próprio Legislativo, é preciso observar também o movimento do governo.

Até o momento, por exemplo, a base de Lula mantém distância do pedido. Segundo o deputado Carlos Jordy (PL-RJ), responsável por coletar as assinaturas, nenhum petista assinou a CPI e apenas três integrantes de partidos governistas constam na sua lista: Tabata Amaral (PSB), Duarte Junior (PSB) e Marcos Tavares (PDT).

O Planalto, porém, tem um discurso ensaiado. Vai destacar que apoia investigação ampla sobre o Master – atinja quem tiver que atingir. Mas que falta “viabilidade pragmática” para o funcionamento da comissão, pelo provável esvaziamento do Congresso no ano eleitoral.

MARQUETEIRO – Além disso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acionou o marqueteiro para dizer que acompanha o caso do Master com preocupação, e seu ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também.

Uma mudança de rota. Enquanto o tema envolvia embate de Tribunal de Contas da União e Banco Central, ou seja, sem chance de engajar o público em geral, Lula e seus ministros ficaram em silêncio.

Mas o escândalo dos influenciadores popularizou a pauta e chegou aos eleitores, disparando o alerta de que ficar calado poderia soar omissão.