Bolsonarismo aposta em Flávio, mas chega fragmentado à disputa de 2026

Na ONU, Brasil rejeita ação militar dos EUA na Venezuela e critica lógica da força

Embaixador Sérgio Danese afirmou que ação abre precedentes

Deu no G1

O Brasil condenou nesta segunda-feira (5) no Conselho de Segurança da ONU a intervenção armada dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro. Segundo o embaixador do Brasil na ONU, Sérgio Danese, não é possível “aceitar o argumento de que os fins justificam os meios”.

Danese afirmou que esse raciocínio “carece de legitimidade e abre a possibilidade de conceder aos mais fortes o direito de definir o que é justo ou injusto, correto ou incorreto, e até mesmo de ignorar as soberanias nacionais, impondo decisões aos mais fracos.” “O mundo multipolar do século XXI, que promova a paz e a prosperidade, não se confunde com áreas de influência”, pontou.

ALINHAMENTO – A declaração está alinhada à nota divulgada pelo governo brasileiro, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no dia da ação norte-americana. A informação foi adiantada pelo blog do Valdo Cruz. “O Brasil rejeita de maneira categórica e com a maior firmeza a intervenção armada em território venezuelano, em flagrante violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional”, afirmou o embaixador.

“Os bombardeios em território venezuelano e a captura de seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos constituem uma gravíssima afronta à soberania da Venezuela e estabelecem um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, prosseguiu.

De acordo com o embaixador, a Carta das Nações Unidas estabelece, como pilar da ordem internacional, a proibição do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, salvo nas circunstâncias estritamente previstas nela. Nesse sentido, Sérgio Danese ponderou que a aceitação de ações dessa natureza poderiam conduzir a um “cenário marcado pela violência, pelo desordenamento e pela erosão do multilateralismo”.

ESCOLHA PELA PAZ –  Sérgio Danese ainda ressaltou que a América Latina e o Caribe fizeram a escolha pela paz e lembrou que as intervenções armadas do passado tiveram consequências profundamente negativas, pois produziram regimes autoritários e violações de direitos.

“O recurso à força em nossa região evoca capítulos da história que acreditávamos superados e coloca em risco o esforço coletivo para preservar a região como uma zona de paz e cooperação, livre de conflitos armados, respeitosa do direito internacional e do princípio da não ingerência”, argumentou.

O embaixador do Brasil na ONU ainda frisou que o Brasil acredita numa solução que respeite a autodeterminação do povo venezuelano com foco na Constituição do país, e que a ação americana afeita a comunidade internacional. “Este e outros casos de intervenção armada contra a soberania de um país, sua integridade territorial ou suas instituições devem ser condenados com veemência. Cabe a este Conselho assumir sua responsabilidade e reagir com determinação, clareza e obediência ao direito internacional, a fim de evitar que a lei da força prevaleça sobre a força da lei”, afirmou.

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Ano eleitoral esvazia Esplanada e leva ministros de Lula à debandada

Maioria dos chefes de ministérios deixará cargo até abril

Roseann Kennedy
Estadão

Nos primeiros dias de 2026, ministros do governo Lula têm feito uma brincadeira sobre a chegada do ano eleitoral: dizem que “o último a sair apaga a luz”. Isso porque a maioria deles deixará o cargo até abril para disputar votos nas urnas. Em outra frente, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, já avisou ao presidente Lula (PT) que deseja sair do cargo. A aposta é que o interruptor ficará, uma vez mais, com o ministro da Defesa, José Múcio, que também tenta abrir a porta de saída.

Lula tem planos para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que tanto pode concorrer ao Senado por São Paulo como ao Palácio dos Bandeirantes. A titular da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, deve tentar a reeleição na Câmara.

DISPUTA PELO SENADO – Simone Tebet (MDB), do Planejamento, também deixará o posto. A intenção da ministra é concorrer novamente ao Senado, mas, desde que apoiou Lula, no segundo turno da campanha de 2022, perdeu votos em seu reduto no Mato Grosso do Sul, Estado conservador.

O chefe da Casa Civil, Rui Costa, é outro que sairá do governo: será candidato ao Senado pela Bahia. A ministra da Cultura, Margareth Menezes, é incentivada pela primeira-dama Rosângela Silva a concorrer a deputada federal. Mas não são só eles que estão de saída da Esplanada. A maioria dos ministros deixará os postos para disputar eleições.

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Vorcaro, do Master, distribuía dinheiro abusivamente a advogados e políticos

O CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso nesta terça (18) pela PF

Vorcaro, do Master, imitou o esquema do Banco Econômico

Elio Gaspari
Folha/O Globo

A Pasta Rosa foi achada em 1995, no gabinete do banqueiro e ex-ministro Ângelo Calmon de Sá, controlador do Banco Econômico. Com oito centímetros de espessura, ela continha a escrituração do ervanário despejado pela federação dos bancos e pelo Banco Econômico nas últimas eleições.

Era o sonho do investigador, a clientela da banca ia de Roberto Campos a Antônio Carlos Magalhães. Cerca de 50 políticos passavam pela pagadoria do Banco Econômico.

CERTEZAS ABSOLUTAS – Onde a investigação do Banco Master tem suspeitas e indícios de uma rede de proteção, no caso da Pasta Rosa eram certezas documentadas.

Nos seus dias de fama, a Pasta Rosa parecia instruir uma faxina nas relações dos políticos com a banca. Ilusão democrática.

Aos poucos, a Pasta Rosa foi sumindo do noticiário, até virar história.

VITORIOSOS – A taça foi para os advogados do banqueiro que ralavam, procurando brechas em sentenças ou erros em reportagens. Ao final eles foram os vitoriosos.

As investigações em torno da Pasta Rosa deram em nada. As investigações em torno dos poderes e das conexões de Daniel Vorcaro podem aprender a lição.

Mesmo antes de ser detonado, Vorcaro gastava centenas de milhões de reais com advogados.

HÁ 130 ANOS – Para quem acha que o aquecimento global é uma moda recente: Em 2026/ completam-se 130 anos do dia em que o cientista sueco Svante Arrhenius avisou que a queima de combustíveis fósseis jogava dióxido de carbono na atmosfera, provocando um aquecimento global.

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“Nada Além”, uma canção de amor que jamais poderá ser esquecida

Paulo Peres
Poemas & Canções 

O advogado, radialista, teatrólogo, ator, escritor, poeta e compositor carioca Mário Lago (1911-2002), na letra de “Nada Além”, criada com seu parceiro Custódio Mesquita, revela que prefere viver o amor como sendo uma ilusão, a fim de evitar novos sofrimentos.

Esse fox-canção teve sua primeira gravação feita por Orlando Silva, em 1938, pela RCA Victor, com sucesso realmente espetacular em todo o país. O cantor tinha apenas 23 anos, estava iniciando sua vitoriosa carreira.

NADA ALÉM
Custódio Mesquita e Mário Lago

Nada além
Nada além de uma ilusão
Chega bem
E é demais para o meu coração

Acreditando em tudo que o amor
Mentindo sempre diz
E vou vivendo assim feliz
Na ilusão de ser feliz

Se o amor
Só nos causa sofrimento e dor
É melhor
Bem melhor a ilusão do amor

Eu não quero e não peço
Para o meu coração
Nada além
de uma linda ilusão

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The Economist aconselha Lula a deixar a política e critica falta de alternativas

Veículo diz que Lula é “idoso” e chama Flávio de “impopular”

Luis Felipe Azevedo
O Globo

A revista britânica The Economist publicou um editorial nesta semana no qual afirma que o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não deve concorrer à reeleição no ano que vem. O veículo internacional defende que o Brasil “merece escolhas melhores”, apesar de o país ter demonstrado a resiliência das instituições democráticas em 2025.

O principal argumento apontado pela revista como motivo pelo qual Lula deveria desistir de ser candidato é a idade. O petista, que completou 80 anos em outubro, já anunciou que irá disputar o pleito em 2026. “Apesar de todo o seu talento político, é simplesmente arriscado demais para o Brasil ter alguém tão idoso no poder por mais quatro anos. Carisma não é escudo contra o declínio cognitivo”, diz a publicação.

COMPARAÇÃO – A revista compara o brasileiro ao ex-presidente americano Joe Biden, que desistiu da disputa pela Casa Branca meses antes da eleição. “O presidente faria um favor ao seu país e consolidaria seu legado — algo que Biden não fez — anunciando que cumprirá sua promessa e se afastará da disputa”, completa.

O editorial condena as políticas econômicas petistas, mas destaca que Lula “não tem adversários sérios no centro ou na esquerda” que poderiam substituí-lo na corrida pelo Planalto. “Embora a economia brasileira tenha crescido surpreendentemente rápido nos últimos anos, as políticas econômicas de Lula são medíocres. Elas se concentram principalmente em auxílios aos pobres, com medidas de arrecadação de receita cada vez menos favoráveis às empresas, embora ele também tenha agradado os empregadores com uma reforma tributária simplificada.”

CRÍTICAS AO BOLSONARISMO –  A revista também criticou a escolha do ex-presidente Jair Bolsonaro de apoiar o senador Flávio Bolsonaro como pré-candidato do PL à Presidência da República. “Flávio é impopular, ineficaz e quase certamente perderia uma disputa contra Lula. Outros possíveis candidatos estão sendo cogitados, incluindo alguns governadores competentes. O mais proeminente deles é Tarcísio de Freitas, o governador conservador de São Paulo”, afirma a The Economist.

Segundo o editorial, Tarcísio “deveria ter a coragem de se lançar na disputa”. “Ao contrário dos Bolsonaros, ele é ponderado e democrata”, diz o texto. “Infelizmente, parece improvável que Lula desista. Talvez, então, os partidos de direita consigam se unir? Se forem sábios, abandonarão Flávio e se unirão em torno de um candidato capaz de superar a polarização dos anos Lula-Bolsonaro”, enfatiza o veículo.

A The Economist defende o apoio a “uma figura de centro-direita que reduza a burocracia, mas não as florestas tropicais, que seja rigorosa com o crime, mas não desrespeite as liberdades civis, e que respeite o Estado de Direito, poderia vencer e governar bem”. “O Brasil tem tudo em jogo em 2026 — e o resultado é preocupantemente incerto”, conclui a revista.

Banco Master, suas ligações políticas e a manobra para desmoralizar o BC

Meu Deus!!! isso mexe com a minha constituição…. | Metrópoles

Charge do Kácio (Metrópoles)

Carlos Andreazza
Estadão

O caso Master não existiria – não como o conhecemos – sem aqueles, os políticos, os eleitos, cujas atividades foram decisivas à prosperidade fraudulenta do banco. Não estamos diante apenas de empreendimento criminoso contra o sistema financeiro. Essa conta não fechará sem corrupções, sem coação – sem gestões de quem controla o poder.

Essa conta avança desviada-distraída, com o Banco Central de repente entre os suspeitos. A desqualificação do BC é estratégia de defesa que se tornou influente. A autoridade monetária não está entre os investigados.

ALTA DESONESTIDADE – É da ordem da desonestidade intelectual, observada a trama bilionária que compôs a pirâmide do Master, apregoar que o BC teria se precipitado ao liquidar o banco; que haveria solução alternativa. Tentou-se a solução de mercado – aquela por meio da qual o BRB absorveria o Master para lhe diluir as falcatruas.

O BC – isto, sim – terá demorado a agir. O BC, mais ou menos atrasado, não é investigado. Investigadas são a fraude no Master e suas jogadas com o BRB. Esses são os objetos deste caso de polícia. Que não existiria sem as relações que Daniel Vorcaro plantou.

Não haveria BRB na parada, para comprar carteiras inexistentes, não fossem os afetos que o banqueiro cultivou.

ARMAÇÃO ILIMITADA – Paulo Henrique Costa não teria se tornado presidente do BRB por graça do Espírito Santo. O governador do DF, Ibaneis Rocha, não é nem pode passar por observador externo dessa barbaridade; nem se isenta de responsabilidade porque trocou o comando do banco.

Não é crível que Costa, no BRB, tivesse autonomia para negociar bilhões em papéis do Master.

A isso – a esse apagamento das ordens de comando, a esse deslocamento do eixo responsável – também presta serviços a criminalização do BC.

SUMIRAM DOS JORNAIS – Desapareceram do noticiário também os rolos previdenciários dos Estados com o Master, sumido da teia o Rioprevidência. Que, contra todos os alertas, botou mais de bilhão de reais dos servidores no castelo de cera, outro que ofertaria ao banco a liquidez que a exposição de sua mentira fazia escoar. Transações que jamais prosperariam somente por vontade de burocrata executivo de fundo.

O burocrata executivo de fundo foi escolhido por alguém. Está sob influência do governador. Portanto, Cláudio Castro não é – não pode ser – observador externo da atrocidade.

DESINFORMADO??? – O governador do Rio não poderia não saber, ainda que talvez seja melhor passar por incompetente desinformado sobre o que corre no próprio governo.

O mesmo serve ao padrinho – Davi Alcolumbre – do sujeito que autorizou o lançamento de milhões do fundo previdenciário do Estado do Amapá na perdição do Master.

O Master não seria Master – não teria chegado aonde chegou, não teria contrato milionário com esposa de ministro do Supremo – sem as relações políticas (incluídas as consultorias de um Lewandowski) que fundamentam exotismos como os do TCU lirista contra o BC; sem as relações que fazem juiz de Corte constitucional perguntar ao fraudador sobre a qualidade do trabalho do órgão que lhe liquidou a fraude.

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Vice-líder do PL denuncia Moraes ao Conselho Nacional de Justiça

Charge do Kleber Sales (Correio Braziliense)

Felipe Salgado
Folha

Vice-líder do PL, o deputado Sanderson (PL) protocolou uma representação junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) solicitando a apuração de condutas do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

O documento, endereçado ao Corregedor-Geral de Justiça, Mauro Campbell Marques, baseia-se em reportagens sobre supostas interações do magistrado com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

PRESSÃO TOTAL – De acordo com o ofício, Moraes teria mantido contatos telefônicos e ao menos um encontro presencial com Galípolo para tratar da venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), operação que dependia de aval regulador.

O parlamentar cita que técnicos do Banco Central perceberam as interações como “atípicas e incomuns”, o que levou a cúpula da autarquia a documentar formalmente todas as comunicações para resguardar sua autonomia técnica.

O texto aponta ainda que o escritório Barci de Moraes Associados, pertencente à esposa do ministro, mantinha contrato de prestação de serviços com o Banco Master.

ATUAÇÃO INFORMAL – O deputado alega a possibilidade de “atuação informal”, uma vez que o Banco Central e o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) informaram não ter recebido petições formais ou pedidos de audiência protocolados pelo referido escritório.

A fundamentação do pedido menciona que o Banco Central identificou fraudes de aproximadamente R$ 12,2 bilhões no Banco Master, culminando na decretação de sua liquidação extrajudicial e na prisão de seu controlador, Daniel Vorcaro.

A representação requer que o CNJ promova uma apuração independente sobre possíveis violações dos deveres funcionais de imparcialidade, prudência e reserva.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O deputado pensa que está no melhor dos mundos e o Conselho Nacional de Justiça irá abrir investigação. Ledo engano. O propósito do Conselho é exatamente o contrário – com a maior rapidez, colocará o pedido numa gaveta e esquecerá o indigesto. É melhor o deputado agir na área do Congresso, onde há perspectiva de apuração, através de CPI, já praticamente aprovada. (C.N.)